19.9.09

ESCRITOR DE NISA: Pequena Evocação de Cruz Malpique


Este fim-de-semana passei-o, em grande parte, na companhia de Cruz Malpique, lendo a obra «O Homem, Centro do Mundo», um dos três seus livros que tenho aqui comigo e que periodicamente releio.
Os outros dois são «Higiene Intelectual e Moral do Estudante» e «Ensaio sobre o Homem de Ciência», todos livros escritos na década de 30 do século passado.
Recordo que o primeiro livro que dele li foi «Higiene Intelectual e Moral do Estudante», espécie de manual de orientação juvenil, elaborado no desejo de guiar a Mocidade de então para ideais sãos, elevados, numa fase em que os idealismos podem atrair as suas mentes, ao mesmo tempo que outras solicitações mais rasteiras, mas sedutoras, as podem vir a desencaminhar.
Comprei-o numa barraca livreira que existia ali à entrada do antigo Parque Mayer, em que se vendiam livros, restos de edições, julgo que a vinte e cinco tostões e a cinco escudos cada, montantes modestos, acessíveis, na minha adolescência, cerca de um quarto a metade do preço de um 2º balcão, para uma matinée, ali ao lado, no imponente S. Jorge dos grandes filmes em écran gigante, no final da década de 60, início da de 70, em plena primavera marcelista, então deveras esperançosa.
Lembro-me que o homem que lá se encontrava anunciava o preço dos livros, em voz alta, terminando sempre com uma frase típica, para sublinhar a oportunidade da aquisição : «… Não paga o papel !».
Este autor, Cruz Malpique, então para mim completamente desconhecido, era Professor de Filosofia, na altura, já do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, depois de ter passado pelos de Gil Vicente e de Pedro Nunes, em Lisboa e pelos Liceus de Faro, Angra do Heroísmo e Salvador Correia de Sá, em
Luanda, tendo chegado deste último a ser seu Reitor.
Escreveu bastante Cruz Malpique, mas hoje nenhum dos seus livros se encontra disponível no Mercado, apesar do interesse das matérias que neles tratava, sempre de forma elevada, altiva, exigente com o leitor, puxando por ele, apelando ao que de mais nobre ele possa encerrar dentro de si, para o motivar a qualquer actividade útil, para si e para a colectividade em que vive.
Definia-se como um escritor de forte personalidade humanística, crente na boa índole humana, desde que oportunamente suscitada com exemplos adequados e depois convenientemente orientada e exercitada.
Havendo regressado a Portugal em 1947, radicou-se no Porto, aí continuando a leccionar até 1984, vindo a morrer, com 90 anos, nesta mesma cidade, em 1992, longe da sua terra natal, Nisa, que o soube honrar, ainda em vida, em 1987, atribuindo-lhe a Medalha de Mérito Municipal e promovendo uma sessão de evocação da sua vida e obra em 1993, com a presença de suas duas filhas.
No Liceu Alexandre Herculano, a que doou a sua biblioteca pessoal, existe uma sala com o seu nome, como reconhecimento do seu largo e profícuo desempenho como Professor de Filosofia ali exercido.
Na fosse a existência de um blogue com o nome do Concelho de Nisa e nem uma pequena nota hoje existiria da sua passagem pela Terra, apesar do vasto labor nela produzido, em significativa obra literária deixada, com mais de 200 títulos publicados, infelizmente nenhum deles, como referi, actualmente no Mercado.
Em contrapartida, não faltam, neste aparentemente próspero Mercado, porque tão altamente produtivo, toneladas de publicações, na maior parte, historietas da mais vulgar banalidade, consumidas por públicos ávidos de leitura, mas, surpreendentemente, pouco escrupulosos nas suas escolhas.


Liceu Alexandre Herculano (Porto)
Nenhum editor se lembrou ainda de repescar do esquecimento este excelso e afinal prolífico autor, além de nobre cidadão, dedicado à causa da participação democrática esclarecida.
Por ele, na minha adolescência, conheci muitos outros autores nacionais e estrangeiros, abundantemente citados em qualquer das suas obras, por vezes com extensas citações e comentários, para elucidação dos seus pontos de vista.
Dada a sua vasta formação intelectual, licenciado em Direito e em Letras, era largo o espectro das citações, nas letras pátrias, Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões, Vieira, Bernardes, Herculano, Garrett, Antero, Eça, O. Martins, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Egas Moniz, dominavam as suas referências; nas outras, desde os pré-Socráticos, aos clássicos greco-latinos, como Sócrates, Platão, Diógenes, Ésquilo, Sófocles, Pitágoras, Arquimedes, a Cícero, Virgílio, Marcial, Séneca, aos medievos Santo Agostinho, Tomás de Aquino, aos renascentistas Petrarca, Dante, Bocaccio, Erasmo, Da Vinci, Kepler, Galileu, aos modernos Newton, Leibniz, Montaigne, Descartes, Pascal, aos romancistas Stendhal, Hugo, Balzac, Zola, aos enciclopedistas franceses D’Alembert, Diderot, Voltaire, Rosseau, aos escritores ingleses Shakespeare, Defoe, Dickens, aos alemães Gothe, Schiller, Mann, com especial atenção para os filósofos, Kant e Nietzsche, aos espanhóis Cervantes, Ortega y Gasset, Maranon, Unamuno, toda uma plêiade de pensadores que fizeram avançar a Humanidade, achavam lugar destacado nas suas obras de profunda reflexão, traço típico do grande escritor humanista que Cruz Malpique foi.
Como se explica que certos nomes tão ilustres como este permaneçam praticamente desconhecidos da esmagadora maioria do povo português?
Que fazemos para os divulgar entre os nossos distraídos compatriotas?
Aqui deixo estas toscas notas, na expectativa de que outros as multipliquem com mais elementos relativos à vida e obra deste insigne português, em risco de não se libertar da lei da morte, segundo o famoso critério de Camões, apesar das muitas «obras valerosas» que foi capaz de nos legar.

Lisboa, 11 de Janeiro de 2009
António Viriato

23.8.09

OPINIÃO: Solidariedade com os trabalhadores da "Granitos Maceira, SA" e "Singranova", de Alpalhão

“Navegando a Alma” Kemal Tufan (Turquia) -Esta obra situa-se entre a vila de Alpalhão e a Igreja de Nª Srª da Redonda
É uma vergonha o que o Senhor Comendador Francisco Ramos e respectiva família estão a fazer, com a cobertura do governo, nas suas empresas de exploração de granito, vulgo pedreiras, em Alpalhão, ao não pagarem alguns subsídios e mantendo alguns meses de salários em atraso que só não atingem maiores proporções devido à intervenção do sindicato. As empresas são a "Granitos Maceira, SA" e a Singranova.
São mais duas empresas em que tudo está a ser feito para abrir falência. Apesar de não pagarem os salários a quem trabalha, Comendador e filho sempre que se deslocam às instalações da empresa fazem-no em luxuosos veículos topo de gama e lá vão mantendo o seu iatezito para uns passeios marítimos.
Os políticos que compareceram nas cerimónias de inauguração das empresas que foram apresentadas ao país como salvadoras da economia da região e nas bienais da pedra e que clamavam belos discursos prenhes de loas ao Senhor Comendador, agora esquecem-se de defender os trabalhadores que trabalham e não recebem.
Entretanto, o Estado fez o senhor Francisco Ramos, Comendador; a Câmara Municipal de Nisa homenageou-o com o nome e monumento numa rotunda da vila alpalhoense e o povo trabalhador, simples e humilde guardou-lhe o respeito que sempre revela para com aqueles que lhe dão trabalho e salário.
Senhor Comendador, respeite este povo e cumpra para com ele as suas obrigações: pague-lhes o que deve.
Se não o pode fazer e como parece que até há muito trabalho e a produção tem saída, abandone as empresas e deixe a gerência aos trabalhadores.
Afinal já o Zeca cantava: "dêem as pipas ao povo / só ele sabe guardá-las".
Jaime Crespo

9.8.09

A triste entrada norte no Alentejo




A PEN(HA) DO TEJO
Albergaria Penha do Tejo, com vista panorâmica para a Barragem do Fratel, foi inaugurada, numa primeira fase, em 1997, como forma de dinamizar uma das gargantas do Rio Tejo. Apesar de, em tempos já ter tido uma "grande adesão" e de ter sido um complexo turístico, actualmente encontra-se perdida no tempo e é caracterizada por um ambiente degradado e ignorado pelos olhares dos que lá passam.
Onde o Alentejo dá lugar à Beira Baixa, centenas de viaturas percorrem os quilómetros do IP2 à procura de um destino. Do outro lado da via, as águas da Barragem do Fratel, uma das gargantas do Rio Tejo, assumem uma calmaria e serenidade que confrontam o movimento agitado da estrada. As colinas verdejantes e as aves que voam no ar lá ao longe pintam o quadro da paisagem. O sol e o céu azul chamam por descanso e sossego.
Situada entre o IP2 e a Barragem do Fratel está contemplada a Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura que partiu da iniciativa da Comissão Coordenadora Regional (CCR), que foi criada, numa primeira fase em 1997, pela Câmara Municipal de Nisa, com José Manuel Basso no Executivo e inaugurada por Victor Cabrita Neto, secretário de Estado do Turismo, no XIII governo constitucional, em que António Guterres assumia o cargo de primeiro-ministro.
Naquele ano, o empreendimento teve um financiamento de cerca de 250 mil contos e foi apoiado pelo Segundo Quadro Comunitário de Apoio (FEDER), através da Acção Integrada do Norte Alentejano (AINA). 10 era o número total de funcionários que possuía.
Em entrevista ao DP, José Manuel Basso, antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, explicou que “inicialmente, o projecto, que se considerava interessante, foi aprovado para a dinamização da Barragem do Fratel”, acrescentando que este era “um negócio concorrencial”.
De acordo com o antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, depois da primeira infra-estrutura estar inaugurada, avançou-se imediatamente com uma segunda fase, terminada em 2001 e apetrechada com a área de alojamento e uma piscina, para dar resposta a “muitas procuras”. Contudo, a segunda fase da obra nunca entrou em funcionamento. O total do empreendimento contava com cerca de 50 quartos.
Ainda na segunda fase do projecto estava prevista a implementação de equipamentos relacionados com actividades desportivas e náuticas, elo de ligação entre a Albergaria e a Barragem da Penha do Tejo.
"O programa de trabalhos foi apresentado à União Europeia e se o empreendimento tivesse sido continuado nesta fase já estariam implementados os desportos náuticos e o rio já estaria completamente dinamizado", afirmou o médico.
A beleza circundante choca com o cenário de degradação da Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura deixada ao abandono.
Degradação da estalagem
O ambiente de sossego e de conforto da hospedaria deu lugar à degradação e a um cenário deplorável e sombrio.
Cá dentro, as suites, distribuídas em fila indiana, sem portas, deixaram de ter a sua privacidade, só restando, em cada uma delas, um armário, uma banheira e um lavatório. No corredor onde se encontram as suites, o chão é ornamentado por vidros estilhaçados. Das paredes brancas interiores do edifício, saem fios de electricidade danificados. O Hall de entrada que dá acesso ao mini bar é caracterizado por lixeira e por actos de vandalismo. Junto ao restaurante panorâmico e ao bar, transformado em retalhos, restam pinturas de paisagens que guardam lembranças e recordações. A sala de reuniões e de festas resumiu-se ao nada.
Lá fora a serenidade da Barragem do Fratel contrasta com o abandono e a renúncia de piscina, rodeada por mato que teima em trepar cada vez mais os céus alentejanos, esquecendo o relvado fresco de outrora. Ainda lá fora, um parque de diversões, colocado ao abandono, guarda momentos de divertimento que, noutro tempo, faziam as delícias dos mais novos.
O campo gimnodesportivo, destinado a actividades ao ar livre, ainda se encontra intacto à espera que façam uso das funções para que foi construído.
O vandalismo a que a estalagem começou a estar habituada destruiu uma das realidades que poderia vir a ser um marco para o desenvolvimento turístico da região.
"Fiquei preocupado e horrorizado como cidadão." Foi desta forma que José Manuel Basso se sentiu quando confrontado com o estado de abandono e de degradação da Albergaria. Segundo disse, este era "um projecto da Região de Turismo, do município e das gentes do Alentejo e da Beira", lamentando que "quando um processo é parado obviamente que deixa de ter sentido".
Aquando se encontrava ainda no Executivo, José Manuel Basso e a Câmara de Nisa abriram um concurso público para a concessão da exploração do projecto. "Enquanto fui presidente da autarquia, a porta da Albergaria abria todos os dias e eu próprio a frequentava com alguma assiduidade, acompanhando as propostas que haviam para o futuro daquele empreendimento".
Para o antigo presidente, a actual Câmara "tratou o empreendimento como um enteado enjeitado. Quem está no cargo deve ter a responsabilidade de zelar pelo seu património". José Manuel Basso referiu ainda que "há uma concepção que foi desprezada por aquilo que foi abandonado que, sob o ponto de vista político e civil, é condenável".
Esperança
Ao que o DP conseguiu apurar, um grupo de pessoas defensoras da Albergaria está a ultimar uma acção judicial contra a Câmara que se encontra actualmente no Executivo de Nisa, por delação de património.
O DP tentou contactar a presidente da Câmara Municipal de Nisa, Maria Gabriela Tsukamoto, mas até ao momento não foi possível.
José Manuel Basso tem esperança no renascer de um empreendimento que foi morrendo aos poucos. "Sinto-me triste. Precisa-se de um investimento público e de vontade". Contudo, o antigo presidente da autarquia de Nisa tem esperança "que surjam mecanismos por parte dos cidadãos, pois nessa via de intervenção será uma questão de tempo para que hajam formas de gestão para que a infra-estrutura volte a funcionar eficazmente", concluiu.
A Albergaria Penha do Tejo é actualmente local de passeio para animais e caracterizada por um ambiente esquecido, perdido no tempo e ignorado pelos olhares dos que lá passam, à espera que alguém lhe dê um novo rumo.
Ana Pires "O Distrito de Portalegre", 06/08/2009

27.7.09

NISA: Cegonhas passeiam e vão ao restaurante



Fotos retiradas de http://valkirio.blogspot.com
O atrevimento das cegonhas de Nisa, no distrito de Portalegre, não pára de surpreender a população local. Primeiro, começaram por tomar de assalto o jardim público. Agora, para comer, já fazem fila à porta do restaurante.
"Passeiam-se entre as pessoas com naturalidade, partilhando os mesmos espaços, sem medo. Os turistas que passam por aqui fartam-se de tirar fotografias. É engraçado, invulgar", contou ao JN uma funcionária da Junta de Freguesia local, acrescentando que, em Nisa, sempre houve muitas cegonhas, mas raramente se afastavam dos ninhos.
Não há memória de alguma vez ter havido tamanha proximidade entre este bicho e os humanos. Parecem animais domésticos, disputando o mesmo espaço a cães e a gatos. "Será fome? Não encontro explicação", refere a mulher. Certo é que as cegonhas já conquistaram a simpatia das pessoas.
O "fenómeno" começou há cerca de duas semanas, quando uma cegonha passou a estar mais tempo no jardim público do que no ninho. Os alentejanos acharam graça à ousadia da cegonha - que até posa para as máquinas fotográficas" - e baptizaram a ave com o nome de "Maria".
Dias depois, outras cegonhas passaram a acompanhar a Maria, nos passeios pelo centro de Nisa, que inclui uma paragem para refeições. Quando não é o povo a oferecer comida, as cegonhas vão até ao restaurante mais próximo.
É à porta do "As Três Marias" que as cegonhas vão pedinchar comida. "Por vezes, andam entre as pessoas, mas geralmente ficam à porta e esperam. Já sabem que alguém lhes dará comida", revelou ao JN Tiago Carriça, um dos proprietários do restaurante.
Não é que sejam exigentes com o repasto, até porque saem sempre sem pagar a conta. No entanto, o JN soube que o prato favorito da Maria e das suas companheiras é carapau. Pouco interessa o modo como é confeccionado. São de boa boca..
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Telma Roque - in "Jornal de Notícias"
Cegonhas na Praça da República
Em Nisa dois jovens filhotes de Cegonhas já quase adultos, abandonam o ninho com fome e sede e procuram na Praça da Republica de Nisa a sobrevivência.
Parece que um dos progenitores se encontra morto no ninho junto ao edifício dos Correios, ontem um dos filhos atirou-se “ás quedas de água” onde era o antigo “repuxo” com sede e sem forças tendo permanecido durante a noite encharcado de água.
Fernando Bizarro deu com a ave logo pela manhã de domingo, encharcada e sem forças, “somente com a cabeça fora de água” palavras dele e levou-a para o sol junto ao Calvário, no inicio da manhã deste domingo.
Contactado Nuno Sequeira do Núcleo da Quercus Castelo Branco, foi-nos dito que o Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) já estava a par da situação, assim como a GNR de Nisa. Procedendo-se de seguida á entrega da cegonha na Guarda que fará a entrega ao centro de estudos em Castelo Branco.
Quanto ao outro jovem "Cegonho", que também desce ao espaço público principal da Vila de Nisa onde é alimentada e vai sobrevivendo, parece que se encontra bem, com a "muleta" humana.

17.7.09

À DESCOBERTA DO PATRIMÓNIO DE NISA (II)

Banda da Sociedade Musical Nisense em França - 1989
- As Bandas Filarmónicas: O Festival
Aconteceu em Nisa e teve lugar a 4 de Julho de 2009, aquele que foi o 1º Encontro de Bandas Filarmónicas sob a égide da recém nascida associação Além Tejo Música.
Perfeição, é o termo adequado para nos referirmos às bandas participantes, de bom nível, e que no encerramento nos deliciaram com actuação conjunta sob a direcção do maestro António Maria Charrinho.
Na ocasião foi distribuído um livrinho/programa informativo sobre o historial das bandas presentes e dos respectivos maestros, bem como de algumas instituições organizadoras do evento, casos das Juntas de Freguesia de Nª Srª da Graça e do Espírito Santo e também da Sociedade Musical Nisense.
Se no conteúdo musical nada há a opor, bem pelo contrário, já o mesmo não diremos da informação prestada no pequeno opúsculo distribuído, em referência às duas freguesias da sede do concelho e à Sociedade Musical Nisense.
De uma vez por todas, tenham os copistas mais cuidado e “coragem” de expurgar as inverdades no que escrevem, pois não cremos serem elas filhas da falta de conhecimento ou da ingratidão cultivada.
Um conselho, nos permitimos dar: se o que escrevem não é “fruta” produzida no vosso quintal, por favor citem, que só vos fica bem, porque é mau, muito mau mesmo, pegar num texto escrito vão precisamente 20 anos e acrescentar-lhe à partes... insinuando ou ignorando propositadamente a verdade.
Se cada um de nós assumir e exigir unicamente o que seu é, não procurando furtar “bens alheios”, võ ver que todos lucrarão, inclusive o concelho de Nisa, a precisar cada vez menos de “ver passar navios” ao largo, a desaparecerem no horizonte.
Muito do que está errado, por excesso ou por defeito, nos textos escritos sobre as duas freguesias da sede (Nisa) e inseridos no programa do festival, acontece porque o mal vem detrás, está lá escrito de há muito tempo nos sites oficiais e não oficiais da nossa Câmara, que se recopiam uns aos outros.
E quando assim é, quando a “fonte” da notícia não jorra informação coerente, todos os que bebem nela erram, o que não é nada bom, mas assim sendo, limpe-se a fonte e torne-se mais pura, não a água, mas a informação oferecida.
Quando atrás nos referimos a um texto escrito vão já passados 20 anos e incluído agora no livrinho/programa, amputado aqui e ampliado ali, obviamente que aludimos aos desdobráveis turísticos editados, mil exemplares, em 1989, levados connosco e distribuídos em França, aquando da primeira deslocação da Sociedade Musical Nisense àquele país, deslocação essa que esteve na génese da geminação Nisa – Azay le Rideau e já “desaparecida” vítima de maus tratos.
Para bem da saúde desta última instituição e de quem a dirige, seguem os votos para que a espinha vertical se mantenha, não se curvando perante quem nunca nada de seu legou à “nossa” Sociedade Musical Nisense.
João Francisco Lopes in "O Distrito de Portalegre"

5.7.09

NISA: Quando o culto da personalidade e a teimosia se sobrepõem aos interesses dos Munícipes


Democracia é participar não só em voto mas em qualquer momento fora do período eleitoral
(...) O culto da personalidade é um fenómeno negativo que comporta inevitavelmente pesadas consequências no partido em que se verifique.

(...) É a prática da direcção individual e da sobreposição da opinião individual (mesmo que errada) à do colectivo. É a aceitação sistemática, cega, sem reflexão crítica, das opiniões e decisões do dirigente.
Álvaro Cunhal - O partido com paredes de vidro
Não podemos deixar de ouvir considerações que se tecem na praça pública sobre a actuação dos nossos órgãos representativos a nível de poder local.
Algumas foram as obras que se fizeram de grande impacto, como o arranjo da Praça da Republica, a substituição da rede de distribuição da água e consequente repavimentação, também consequente estudo rodoviário com colocação de sinalização. Não falando nas grandes termas de sonho e outras mais, muito dinheiro se gastou em benefício da nossa terra. Bem-haja o esforço!
Não encarem este texto como só parte de uma critica destrutiva, ouvimos as pessoas no dia, participamos no debate e acreditem que há quem vos defenda. Estamos todos na vossa mão, porque temos a filha, filho ou genro que depende da "fábrica" Câmara, e ela não vai fechar tão depressa!
Façam as obras que fizerem, não conseguem mudar nada de substancial, não promoveram o emprego. Os nossos jovens continuam a ter que partir deixando cada vez mais definhado este concelho abandonado. Vão sempre arranjando tachinho alguns amiguinhos da linha dura desta ditadura estalinista que de momento já controla quase tudo e todos. Quando muitos dos nossos jovens têm que emigrar para arranjar trabalho, ter um carrito, arrendar casa, constituir família. Muitos destes já conseguiram subir na vida, ter o trabalho nem que seja temporário, mal pago e a recibos verdes.
Alguns deles aparecem só na altura da época festiva, bem formados e qualificados. Basta ir aos bares existentes junto ao jardim nestas alturas, muito álcool jorra por estas alturas convivendo com os colegas de escola, embora alguns a trabalhar em qualquer coisa que dependa da Câmara, directa ou indirectamente! Planos de formação, associações geridas pelos amigos, etc. etc. Porque o afastamento dos pais é difícil, mas também o é daqueles com quem crescemos, na cumplicidade da descoberta, da partilha, de construção da personalidade.
De início começam por vir quase todos os meses, depois nas festas, no verão, e um dia já não fazem parte do nosso imaginário…
Qualquer obra que se fizesse na Praça da República seria boa, independentemente do que fosse. Parabéns finalmente.
Desgosta-nos a solução adoptada. Em primeiro lugar patrimónios não são só os aglomerados e prédios urbanos, também o são os jardins, mesmo as árvores! A tão emblemática “arvore da mentira” morreu, e quase todas as tílias, que pena! Onde nos escondíamos para dar o primeiro beijo perto dos pais na pastelaria jardim. Onde fumamos o tão mal fadado primeiro cigarro. A sua copa era enorme, chegava até ao chão, linda mesmo. O nosso jardim tinha cheiro, tinha peixes no “repuxo”, era enorme! Tinha buganvílias que se entrelaçavam nas grades de protecção e a ornamentavam em todo o seu comprimento do lado nascente. Estas já tinham muitos anos pois pareciam as latadas das parreiras, magnífico. Quanto brincamos naquele jardim, vinha o verão e com ele centenas de emigrantes, era o auge da vivência do jardim. Os moçoilos com fisgas de arame atiravam umas bolinhas que caíam das arvores ás moças de mini saia, as meninas “francesas”.
O nosso jardim também tinha muita vida na Páscoa, não só por ser uma época da família, mas porque passavam centenas de autocarros para a Serra da Estrela e era na praça que estacionavam os autocarros para dar inicio ao piquenique, á festa!
Nada disto foi tido em conta, faz-se uma obra sem pressupostos do cliente, sem o conhecer, sem dialogar, que bom exemplo nos dão os nossos representantes. Pior, e por birra muda-se a emblemática fonte contra um abaixo-assinado, a decorrer. Outra lacuna em como foi um projecto de brincadeira de estirador, brincando com o compasso tal menino na aula de desenho, algures bem longe de Nisa. É quando pretendemos atravessar de uma maneira rápida o jardim, tal não é possível. Não houve estudo da saída das ruas para o jardim, foi pensado no que estava a dar, uma pequena expo das muitas que se têm feito pelo País. A quantidade de candeeiros plantados nas superfícies bem impermeabilizadas junto com os sinais enterrados já com bom porte parecem crescer na paisagem da linda praça tal e qual centro urbano de muito tráfego.
A destruição do jardim público de Nisa, continua a ser um crime sem castigo. O povo tem memória e um dia vai despertar...
Gema

29.6.09

A velha era da propaganda eleitoral

Um “novo” jornal surgiu em Nisa, retomando o título do quinzenário que foi publicado durante quase 11 anos e ao longo de 265 edições.
As explicações para o reaparecimento do jornal - cujo título foi adquirido por 15 mil euros pela ADN/Câmara de Nisa – surgem, no primeiro número, nas palavras de Gabriela Tsukamoto, presidente da autarquia , de uma forma que não convencem ninguém e atestam, aliás, a dependência do jornal em relação à Câmara.
Diz a senhora Tsukamoto que “ a ADN adquiriu a propriedade do Jornal de Nisa, porque se corria o risco de o jornal ser comprado por alguém de Portalegre, o título em si, e o concelho perder esse título”.
São autênticas “lágrimas de crocodilo”, desde logo porque o título do jornal não pertencia a pessoa ou entidade do concelho de Nisa e quem o detinha era, justamente, uma empresa de Portalegre, a Publiarvis.
O que fez correr Gabriela Tsukamoto e a “sua” extensão ADN, de que é, igualmente presidente, com poderes “leoninos”, não foi a possibilidade de o título ser comprado “por alguém de Portalegre”, mas, sim, o “perigo” de que o jornal, em ano de eleições autárquicas, retomasse a publicação e mantivesse a sua linha editorial regionalista e independente, sem medo de afrontar a Câmara e as suas extensões políticas, denunciando as situações menos claras protagonizadas pela autarquia e continuando a dar viva voz aos munícipes do concelho sobre os problemas com que são confrontados diariamente, muitos deles oriundos da própria autarquia.
A “nova era” da informação local, como apregoa o jornal da Câmara de Nisa, no primeiro número, mais não é do que uma “era”, já velha, gasta e com barbas, de aproveitamento de um órgão de imprensa escrita para fins eleitorais e propagandísticos, em ano de eleições, ainda por cima, pago com o dinheiro dos contribuintes e dos munícipes do concelho e feito, quase exclusivamente, por funcionários camarários.
A Câmara de Nisa tem direito a ter um jornal, a ter “agendas culturais” que de pouco ou nada servem, a não ser como sorvedouros de dinheiros públicos, tal a “pobreza franciscana” existente nesta área, ou mesmo “boletins municipais”, nos quais apenas a presidente tem direito a opinar nos editoriais e a discriminar os munícipes do concelho, dividindo-os em “velhos do Restelo” (os “maus”, que criticam as obras na Praça da República, os elefantes brancos como o da Barragem do Fratel ou os crimes ambientais cometidos no concelho) e os apoiantes da ordem estabelecida (os “bons”, atentos, silenciosos e reverentes).
Eu próprio recebo, semanalmente, muitos “boletins municipais” vindos de diversas Câmaras e Juntas de Freguesias do país, alguns bem feitos, tanto do ponto de vista gráfico, como até, de conteúdo. São todos gratuitos e se, nalguns, a profusão de fotos dos presidentes de Câmara chegam a enjoar, noutros, há a preocupação de um relativo bom senso naquilo que divulgam das actividades das respectivas autarquias.
O que nenhum “boletim municipal” faz é enganar os destinatários, os leitores. Quem os recebe e lê sabe que está perante propaganda, divulgação, de obra feita ou por fazer, estudos e projectos da autarquia. Lê-os e analisa-os nessa perspectiva. Não lhe dão “gato por lebre”, aliás, alguns boletins (tais como os jornais) permitem num dado momento (após meses, anos ou décadas) confrontar as promessas e realidades.
O Jornal de Nisa, não o da Câmara de Nisa, num espaço temporal de mais de dez anos, permite, também, analisar, agora, os discursos de muitos políticos, as tomadas de posição no órgão camarário e até, imagine-se, algumas ilegalidades cometidas por alguns vereadores e que resultaram em prejuízo, moral e financeiro, para a autarquia.
No “novo” jornal e na “nova era” da propaganda Tsucamónia, não haverá “guerras das esplanadas”, “bronca nos combustíveis”, Etars a deitar os esgotos directamente para o Sôr ou o Figueiró, nem crimes de lesa património.
Tão pouco se falará nas vias de comunicação por concluir, no estado lastimável e vergonhoso da Rua da Póvoa, no Duque ou no estado deplorável e de abandono a que chegou o Centro Histórico de Nisa.
Não se percebe, por isso, tamanha obsessão da Câmara por um título de jornal “maldito”, a quem a autarquia sonegou apoios e publicidade institucional, na vã tentativa de o amordaçar ou de o converter na “voz do dono”, que, agora, acabou por criar e pago por todos nós, munícipes do concelho.
A senhora Tsukamoto está, porém, esquecida de uma coisa: nem todos os Nisenses vivem na Zombielândia. Muitos ainda têm memória, consciência cívica, social e política, para não deixarem que esta terra regrida ainda mais do que já regrediu, em nome de uma “mudança” que nada lhe acrescentou de positivo, a não ser, o endividamento e a implantação de alguns projectos megalómanos.
Mário Mendes

28.6.09

SOBRE O JORNAL DE NISA (II)

CARTAS QUE CHEGAM, TESTEMUNHOS QUE NOS SENSIBILIZAM...
Exmo Senhor Director do "Jornal de Nisa"
Dr. Mário Mendes
Foi com um misto de surpresa e consternação que soube da edição do último nº do “Jornal de Nisa”.
Não é com agrado que somos confrontados com o desaparecimento de um órgão de informação, construído com sacrifício e dedicação e digo eu, com a coragem de muitas vezes afrontar poderes instalados, sempre ávidos de controlar, manipular e com pouca paciência para o debate e confronto de ideias.
Não podia deixar passar esta ocasião, pois sempre fui um leitor asssíduo do V. Jornal, sem manifestar o meu respeito e agradecimento, enquanto Nisense, a todos aqueles que contribuíram para que durante 265 edições, a Voz do Povo fosse ouvida, mesmo que nem sempre de acordo com todos (ou não será também essa a virtude do Jornalismo), destacando naturalmente o meu amigo Mário pela dedicação e perseverança que sempre demonstrou e o carinho que colocou em cada edição do “seu” Jornal.
Nisa fica mais pobre e se já existiam poucas ou nenhumas possibilidades de debate sobre o que se passa com a nossa Terra, assistindo ao nascimento de uma autêntica “zombielândia”, com a morte do Jornal, penso ser altura dos Nisenses pensarem seriamente no debate que se impõe.
Caro Mário, agradeço-lhe com sinceridade, o trabalho que fez em prol do nosso Concelho. Poderá sempre contar com a minha pessoa para, se assim o repensar, refundar um qualquer órgão de comunicação social.
A Bem da nossa Terra e do debate de Ideias!
Com elevada consideração do amigo,
Clemente Carita - 27/10/2008

19.6.09

Os segredos das batalhas marítimas segundo José Pereira


D. Domingos Xavier de Lima (7º Marquês de Nisa no século XVIII)
Onde se fala do Almirante Marquês de Nisa
«Grandes Batalhas Navais Portuguesas», de José António Rodrigues Pereira e editado pela Esfera dos Livros, é uma obra que desvenda alguma das histórias mais espectaculares da marinha nacional. Uma obra escrita não só para historiadores ou pessoas ligadas ao mar, mas principalmente para o grande público. Em cada batalha, um rigor histórico e de pormenores exemplar.
José António Rodrigues Pereira é um dos principais especialistas da história marítima portuguesa. Entrou para a Escola Naval no dia 1 de Setembro de 1966, foi promovido a capitão-de-mar-e-guerra em 27 de Julho de 1999 e prestou serviço em diversas unidades navais, destacando-se os NRP Jacinto Cândido (Moçambique, 1973-75), NRP Afonso Cerqueira (Timor, 1975-76) e na NRP São Miguel (Golfo Pérsico, 1990-91). Convidado pela Esfera dos Livros a escrever sobre as principais batalhas navais portuguesas, o actual director do Museu da Marinha (e também membro da secção de História e da Comissão de Estudos Corte-Real da Sociedade de Geografia de Lisboa, além de ser membro fundador da Confraria Marítima de Portugal) aceitou o desafio, já que no mercado editorial ainda não havia nenhum livro a abordar o tema. Apenas um pormenor que comprova o que José António Rodrigues Pereira defende: Portugal, desde a integração na Europa, em 1986, pura e simplesmente «ficou de costas para o mar». Este livro pretende precisamente dar a conhecer melhor uma parte essencial da nossa história…
O livro é preenchido de pormenores, factos e dados. As batalhas relatadas são muito intensas e reais, transportando muitas vezes o leitor aos combates marítimos. Como conseguiu isso? Como foi o trabalho de investigação?
Pelo facto de já trabalhar e investigar estes temas navais há muitos anos, as pesquisas estavam quase todas feitas. Portanto, foi apenas necessário reunir os elementos aplicáveis a este livro. Para escrever o texto levei cerca de oito meses. A maioria das descrições do livro foi feita com base em documentos coevos ou nas suas transcrições por historiadores mais recentes. E sabemos como são violentas as descrições dos nossos cronistas dos séculos XV e XVI. Nos relatos mais recentes foram utilizados os próprios textos dos intervenientes, como são o relato do almirante Napier sobre a Batalha do Cabo de São Vicente (1834) ou do relato do guarda-marinha Ferraz sobre o combate do Augusto de Castilho (1918).
Qual das batalhas que seleccionou foi a mais importante na sua opinião?
A batalha mais importante e também a mais marcante da história marítima nacional foi a batalha de Diu em Fevereiro de 1509. Foi uma batalha decisiva em que um dos intervenientes é completamente derrotado e aniquilado. Podemos compará-la com Salamina (sec. V a.C.), Trafalgar (1805) e Tsushima (1905). A vitória de D. Francisco de Almeida em Diu garantiu a Portugal o domínio do Índico durante quase um século.
E aquela que considera a mais gloriosa, a mais heróica da nossa história?
Diria que foi a batalha naval do Tejo em 1384. Travada contra a frota castelhana que bloqueava Lisboa, esta batalha, indecisa quanto ao número de baixas, permitiu aos portugueses atingir os seus objectivos: reabastecer a cidade cercada e dar-lhe capacidade para prolongar a sua resistência. Conseguiu-o porque o Mestre de Avis manteve a resistência até que a peste no acampamento castelhano os obrigou a retirar.
E qual foi a batalha que deveríamos apagar definitivamente da memória da nossa história?
O combate da fragata Cisne contra os argelinos. Os prisioneiros portugueses levados para Argel em 1802 foram utilizados como escravos. Devido à instabilidade política então vivida em Portugal, a que se seguiram a partida da corte para o Brasil (1807) e as invasões francesas (1807-1810), só em 1812, dez anos depois do incidente, se conseguiram libertar os prisioneiros portugueses que conseguiram sobreviver ao combate e ao cativeiro.
E há alguma em que Portugal saiu derrotado mas no entanto poderia ter escrito outro capítulo na história, um capítulo mais brilhante para as nossas cores?
Julgo que poderemos considerar dois casos, ambos durante o período filipino. Se a Invencível Armada (1588) tivesse derrotado a Inglaterra não teriam sido possíveis os posteriores ataques dos corsários ingleses ao comércio português e espanhol nos Açores com a frequência e a intensidade que tiveram e estão relatados no livro. Com menos perdas no comércio marítimo a riqueza do país teria sido muito maior e o seu desenvolvimento também. Depois, se Oquendo tivesse derrotado os holandeses em Dunes (1639) e eliminado, pelo menos temporariamente, o poder naval holandês, o destino do império português do Oriente teria sido certamente diferente, com menos perdas a favor dos holandeses e uma luta menos violenta com estes nossos inimigos.
E há alguma batalha mais romântica na nossa história?
A batalha do Tejo porque foi travada ainda com as regras da cavalaria medieval.
Além das batalhas relatadas no livro, há mais algumas batalhas marítimas assinaláveis na nossa história ou acredita que o livro alberga perfeitamente esta área?
Acredito que neste livro estão descritas as batalhas e combates mais importantes da nossa história, embora haja muitas mais que não estão descritas neste livro.
E, na sua opinião, qual o comandante mais marcante na história da Marinha Portuguesa?
Ao longo de quase nove séculos de História há muitos comandantes que deixaram o seu nome na história. Na área operacional podemos citar, além do nosso primeiro almirante, D. Fuas Roupinho, cujos méritos são reconhecidos pelos historiadores muçulmanos, D. Francisco de Almeida (o vencedor de Diu), Afonso de Albuquerque (o construtor do nosso império do oriente), D. Domingos Xavier de Lima (7º Marquês de Nisa no século XVIII) e Carvalho Araújo (no início do séc. XX). Mas há também oficiais de marinha que se distinguiram nas áreas das ciências, na governação, no ensino e até na história, cujos nomes também não podem ser esquecidos. Costa Quintela, Dantas Pereira, Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens, Campos Rodrigues e Gago Coutinho são apenas alguns exemplos.
Acredita que Portugal está de costas voltadas para o Mar?
Portugal esteve durante séculos virado para o Atlântico e de costas para a Europa. Foram, sucessivamente, os descobrimentos do Atlântico, o império do Oriente, o Brasil, a colonização africana. Depois, Portugal integrou-se na Europa em 1986 e, desde então, ficou de costas para o mar. Acredito que é necessário uma definição dos objectivos nacionais que levem o país de novo para o Mar.
E, em relação ao Museu da Marinha, está satisfeito com o seu trabalho? O que falta para o mesmo chamar mais público?
O Museu de Marinha vai comemorar em 2013 os seus 150 anos de existência, data que se espera poder aproveitar para completar a sua modernização. Estão em curso obras no telhado da ala Oeste que permitirão reabrir a sala da Marinha Mercante. Com a renovação desta sala serão também renovadas as salas da construção naval e da marinha de recreio e preparada uma sala para o serviço educativo. Serão ainda criados núcleos de arqueologia subaquática, de artilharia naval e de telecomunicações. Espera-se ainda que naquela data esteja já concretizada a permuta recentemente protocolada entre o Ministério da Defesa Nacional e o Ministério da Cultura, permitindo ao museu expandir-se para a ala Sul do Mosteiro dos Jerónimos. Neste momento já está em execução a primeira fase deste protocolo, prevendo-se que esteja completo até finais de 2010. A recolocação das reservas e a construção de um novo arquivo fotográfico fazem parte do projecto de renovação do museu para o seu aniversário. Relembro que o Museu da Marinha é o arquivo histórico de imagens da marinha e tem no seu acervo quase 100 mil fotografias. Quanto a público, somos ainda um dos museus mais visitados em Portugal e pensamos que a modernização prevista poderá chamar ainda mais pessoas.
texto de Pedro Justino Alves in "Diário Digital"

22.5.09

NISA: Lançamento do "Livro de Linhagens da Vila de Nisa"

Integrado no programa cultural da Feira do Livro de Nisa, tem lugar no próximo dia 31 de Maio, às 17 horas, na Biblioteca Municipal de Nisa, o lançamento da obra "Livro de Linhagens da Vila de Nisa - Um mapa de Identidades" da autoria de Filipe Manuel Louro Carita e João Maria Melato Carita. O livro é editado pelas Edições Colibri com o apoio da Câmara Municipal de Nisa. Para uma melhor compreensão da obra, deixamos o registo do Prefácio:
"Talvez nem sempre ocorra à árvore esconder a floresta. É esta suspeita que neste trabalho se pretenderá precisamente comprovar.
Se esta aventura de investigação genealógica se moveu inicialmente por mera curiosidade pessoal e familiar, depressa este empreendimento, que durante uma década nos ocuparia, nos levava a constatar que a informação acumulada já nos não pertenceria por inteiro.
Descobríamos, deste modo, estar na posse de um manancial de dados com capacidade para recobrir todas as famílias que, entre os séculos XVI e XX, constituíram uma grande parte da população da vila de Nisa durante um segmento temporal de quase cinco séculos.
Era, então, para nós, uma evidência estarmos em posse de elementos suficientes para que qualquer nisense actual se propusesse, se assim o entendesse, iniciar também ele agora uma viagem a um passado remoto e, desta feita, viesse a descobrir muitos daqueles de que descende e cujo rosto e rasto o tempo terá inexoravelmente relegado para um mais que previsível esquecimento.
Apanágio do homem, isso mesmo também que o diferencia e lhe constitui a verdadeira essência, sempre foi essa questão maior que desde a noite dos tempos o tem vindo a acompanhar: de onde vim?; quem sou?; para onde vou?
E não apenas numa perspectiva religiosa ou metafísica senão igualmente histórica.
Não pudemos deixar de considerar estarem criadas, assim, algumas das principais condições que tornavam possível uma resposta abrangente àquela última e para o que haveriam de concorrer todos os dados factuais recolhidos e cuja apresentação julgamos aqui dever partilhar.
Qualquer natural desta vila, ou com origens ancestrais nela, fica doravante habilitado e convocado a encetar um percurso múltiplo rumo às suas raízes familiares, em muitos casos, localizadas num já longínquo século XVI.
Este foi, pelo menos numa segunda fase do nosso trabalho, o nosso propósito, movidos agora tão­‑só pelo desejo de pôr à disposição da comunidade o que decididamente não constituiria já uma herança só nossa.
Entendemos, pois, ser uma quase obrigação nossa divulgá­‑la, ou melhor, restituí­‑la à comunidade no seio da qual foi gerada.
Esperamos não defraudar expectativas com este trabalho que é, afinal, a reconstituição de uma memória histórica de toda uma comunidade de destino a que pertencem também os autores.
Neste nosso tempo tão marcado por um culto insidioso do instante e do curto prazo, neste tempo de globalização em que vão escasseando cada vez mais pontos de referência e em que os laços sociais e comunitários se vão quase inelutavelmente diluindo neste processo vertiginoso de erosão das raízes e individualidades, não raro fonte de incerteza e insegurança, aqui deixamos um pequeno e modesto contributo para que se não perca aquele sempre tão frágil fio de memória que nos torna capazes de uma projecção criativa nos horizontes amplos do futuro.
Não nos advertiu já o poeta francês Paul Valéry de que «entramos no futuro a andar para trás»?"
João Maria Melato Carita

13.5.09

Veteranos do Nisa e Benfica em França

Futebol e amizade - Foto de Henrique Semedo


Convívio entre nisenses - Foto Henrique Semedo


Nisenses no centro histórico de Azay - Foto António Delfino


A prova dos bons vinhos da Touraine - Foto António Delfino


Domingos e Dias Santos animaram baile popular - Foto Henrique Semedo

Visita da Associação de Veteranos do SNB a Joué-les-Tours, França

Maire de Azay e comitiva nisense - Foto António Delfino
Atletas agradecendo a presença do público - Foto Henrique Semedo
Recepção à comitiva nisense - Foto António Delfino
A convite do Presidente da Direcção da Associação de Veteranos do Sport Nisa e Benfica, integrei a comitiva, que entre 29 de Abril e 03 de Maio de 2009, visitou o centro de França, como forma de retribuir a visita a Nisa em Maio de 2008 da Union Sportive Portugais de Joué-les-Tours.
Todas as palavras que possa aqui dizer, não serão por certo, suficientes para expressar todo o meu apreço e satisfação pela forma digna e determinada com que as Direcções das duas colectividades, em particular dos seus principais representantes Bento Semedo e Jean-Pierre Laré, se entregaram a esta notável iniciativa, nunca regateando esforços para que tudo corresse bem e que todos se sentissem satisfeitos, não esquecendo obviamente todos os que, de uma forma ou de outra, contribuíram também para o sucesso desta iniciativa.
Ao longo de 4 dias foram desenvolvidas diversas actividades de um Programa previamente estabelecido, que fez com que todos os que se deslocaram à região de Indre et Loire (a grande maioria pela primeira vez), se sentissem verdadeiramente em casa.
Na recepção no dia 30 de Abril, no Stade Jules Ferry em Joué-Les-Tours, estiveram presentes o Cônsul Honorário de Portugal em Tours, Luís Palheta (que por sinal é nosso conterrâneo), Michel Verdier, Maire de Azay-Le-Rideau, Virgínia Reguin Adjunta do Maire de Ballan, Philippe Le Breton, Maire de Joué-Les-Tours e o seu Adjunto Francis Gérard, que fizeram muito dignamente as honras da casa, com um “vin d’honneur” (vinho de honra), como mandam as “regras da casa” em terras francesas.
Na manhã do dia 1 de Maio, na visita a Azay-Le-Rideau e a Cheillé, uma vez mais os anfitriões primaram por uma simpatia e amabilidade dignas destes atributos: Mr. Michel Verdier recebeu a comitiva no Hotel de Ville de Azay (Câmara Municipal) e após algumas palavras de boas vindas, seguidas de beberete e pequeno-almoço, foi efectuada uma visita guiada por Azay pelo Maire Mr. Verdier, que revelou verdadeiros atributos de guia turístico!
Após a visita a Azay e a uma Cave de Vinhos em Valléres, a comitiva dirigiu-se para Cheillé, onde na respectiva Sala de Festas, o Maire local Mr. Jean-Serge Hurtevent e a responsável pela Comissão de Geminação em Azay, Madame Frederique Batista, fizeram as honras da casa, desejando uma boa estadia a todos e lançando um apelo às entidades responsáveis no sentido da Geminação ser relançada e que pretendiam neste sentido e num futuro próximo, deslocar-se a Nisa com o objectivo de, em conjunto com representantes da Câmara, retomar e revitalizar o processo de geminação entre Azay, Cheillé, Saché e Nisa.
Após um bufete frio, teve lugar um magnífico baile abrilhantado pelo sempre animado e bem disposto grupo de música popular de Nisa “Domingos & Dias Santos”.
Dos restantes dias do Programa de visita, gostaria de destacar a visita à cidade de Tours, o jogo de futebol entre a Associação de Veteranos do SNB e a sua congénere francesa U. S. Portugais Joué-Les-Tours, motivo principal da deslocação, o jantar e baile que se lhe seguiram, uma vez mais abrilhantado pelos “Domingos & Dias Santos” que conseguiram alargar a sua legião de fans em terras de Indre et Loire, disso não tenho dúvidas!
A comunidade portuguesa, muito em particular a comunidade nisense, aderiu em massa às actividades constantes do Programa da visita, enchendo de satisfação todos os presente e muito em particular, aqueles que, em boa hora, quiseram levar para a frente esta inolvidável iniciativa.
Parafraseando um amigo meu, “resumindo e baralhando”, são, em minha opinião, iniciativas desta natureza que deveriam ser aproveitadas no sentido de funcionarem como estímulo para que o processo de Geminação seja retomado e lhe seja dada a dignidade que o mesmo merece, pelo que penso que teria sido importante o Municipio de Nisa ter-se feito representar, pois teria aqui uma excelente oportunidade para, em conjunto com as entidades francesas, reactivar os laços de geminação entre as duas comunidades, dando-lhe um novo rumo! Faço votos para que esse novo rumo seja uma realidade, assim haja vontade para tal!
Nisa, 13/05/2009 / Sérgio Cebola

12.5.09

OPINIÃO: ESTE ANO VAI SER "OURO SOBRE AZUL"

Cartaz de Ana Carina escolhido pelo júri do concurso
E NÃO HÁ CONCURSO DE CARTAZ DA "NISARTES 09?
Vai ser "Ouro sobre Azul" diz a propaganda camarária no seu site, a propósito da edição 2009 da Nisartes. Em ano de eleições autárquicas e mesmo com o brutal endividamento da autarquia, a maioria que nos (des)governa não irá olhar a meios para atingir os fins. E a Nisartes, a dois meses das Autárquicas, será uma ocasião para "bater forte e feio" no "velhos do Restelo" que não vêem a bondade e a grandeza da obra camarária.
Até ao momento nada se sabe sobre os "artistas" da Feira de Artesanato e Gastronomia. Sobre o concurso do Cartaz do evento, que no ano passado provocou uma acesa polémica, com uma concorrente de Tomar a ganhar em "campo" e a "perder" na secretaria, também nada se diz.
A jovem esperou e desesperou por uma explicação, um pedido de desculpas, uma palavra simples que atenuasse a sua desilusão e desencanto, a ferida aberta na sua dignidade e brio profissional. Até hoje. O melhor, por isso, para salvar as aparências e as circunstâncias será mesmo, mandá-lo fazer por encomenda aos "artistas da casa e da côr". Poupam-se aborrecimentos, sempre desagradáveis em anos de eleições, não se criarão expectativas, a quem, legitimamente as poderia ter, não se desautoriza um júri que fez um triste papel e não haverá jornal algum - nem o "nóvel" Jornal da Câmara de Nisa - que ouse apontar o que quer que seja, à "seriedade" do empreendimento. "Trabalho, honestidade e competência"? Bah! Vão cantar a cantiga da "nau Catrineta" para outro lado.
Por que a memória por vezes é curta, aqui deixamos o que escrevemos na edição nº 253 do "Jornal de Nisa" de 16 de Abril de 2008, a propósito de tão "singular e saloia" decisão:
POLÉMICA NA ESCOLHA DO CARTAZ DA NISARTES 2008Jovem de Tomar ganha em “campo” e perde na “secretaria”A Câmara de Nisa decidiu, em reunião realizada no dia 2 de Abril, atribuir o primeiro prémio do concurso de cartaz da Nisartes 2008, a um jovem residente no concelho, conforme a autarquia amplamente divulgou, tal como a proposta de cartaz, em nota de imprensa.
O que não se disse, foi que o cartaz vencedor resultou de uma segunda escolha, já que a decisão do júri do concurso, nomeado especialmente para o efeito, fora noutro sentido e escolhera como proposta vencedora, o trabalho nº 59, apresentado sob o pseudónimo de “Ísis” e elaborado por uma jovem a estudar em Tomar, Ana Carina Raposo Dias.
Em vez de atribuir a classificação e o prémio de acordo com a vontade do júri, a Câmara, por proposta da sua presidente, resolveu "não homologar a acta da reunião do júri” e atribuir “ o 1º lugar ao trabalho com o nº 109, apresentado sob o pseudónimo ""AR"" e elaborado por Bruno Alexandre da Fonseca Godinho.
Votaram a favor desta “alteração” para além da proponente, os vereadores João da Costa (CDU) e Paulo Felício (PS), e contra o vereador Mário Condessa (PSD) porque “tinha concordado com a decisão do júri ".
Esta a decisão que fica a manchar, de forma negativa, um concurso a que concorreram, segundo números da autarquia, quase duas centenas de projectos gráficos.
Ninguém me deu qualquer informação ou esclarecimento”- Ana Carina Dias
Ana Carina Raposo Dias, a jovem preterida no concurso de cartaz da Nisartes 2008, tem 20 anos e estuda no 2º ano do curso de Design e Tecnologias das Artes Gráficas do Instituto Politécnico de Tomar. Para além de estudante, trabalha como vendedora na Worten da cidade nabantina.
Contactada pelo “Jornal de Nisa”, a jovem estudante contou-nos como tivera conhecimento do concurso e as expectativas com que concorreu, mostrando-se indignada com o todo o processo.
“Tive conhecimento através de um colega de curso, pois foram vários a participar neste evento. As expectativas eram ganhar apesar ter a noção que sendo eu uma estudante de Design era complicado participar num evento em que provavelmente competiriam outros profissionais da área. Esta foi a minha primeira participação neste tipo de concursos.”
Sobre a não homologação da acta do júri que lhe atribuíra o 1º lugar, Ana Carina não escondeu a sua surpresa e estupefacção.
“Fiquei a saber da situação quando fui contactada por vós, a mim não me foi dada qualquer informação ou esclarecimento. Francamente acho o cartaz “vencedor”, que consta no site da Câmara inferior a muitos trabalhos que concorreram a este concurso. Sinceramente, estas discordâncias, ou outro termo que lhe queiram atribuir, são fortemente descredibilizadoras deste concurso, pois para além da falta de informação colocam no site uma realidade ilusória. Se havia discordância porquê tanta urgência para colocar no site o “tal” vencedor? E porquê esse vencedor escolhido por minoria, tanto quanto me foi explicado? Apenas por ser um habitante do vosso concelho?”
Perante esta situação, criada a uma jovem que concorreu pela primeira vez a um concurso deste género, Ana Carina diz que “se eu não tivesse sido contactada pelo jornal nunca teria tomado conhecimento como as coisas aconteceram, mas uma vez que sei a realidade dos factos sinto-me injustiçada, não tanto por não ter sido o cartaz vencedor, mas porque existiam inúmeros trabalhos superiores que poderiam valorizar melhor o evento. De certa forma falo por todos eles. Suponho que todos se sentiriam injustiçados se estivessem na minha situação, não apenas por uma questão do prémio monetário, mas do prestígio que poderia advir para a minha ainda não iniciada carreira.”
Mário Mendes

10.5.09

AMIEIRA DO TEJO: Quem acode às telas do Calvário?


Património de grande valor em risco de perder-se!
É este o estado em que se encontram as telas do Calvário de Amieira do Tejo…
Onde está a sensibilidade da pessoa, ou pessoas de quem de direito, perante um cenário destes?
O que estão à espera para por em prática e mandar avançar com o restauro das telas?
Será que não lhes toca o estado em que estas se encontram, e que estão em risco de desaparecerem (sem que haja um possível restauro) se nada for feito com a maior urgência?
Meus senhores, arte como esta, não se pode deixar morrer, e pensar que nunca existiu… É a nossa história!
Já está na hora de se deixarem de tantos estudos, burocracias, e sim, pôr mãos á obra, antes que seja tarde de mais! E tem de ser feito, então que avancem, não esperem mais!!! E se estão à procura que apareça um Bom Mecenas, então que o procurem, falem, divulguem o assunto em questão, pois o Mecenas não aparece do nada…à que ir ao seu encontro, e quem de direito é que tem o poder de seguir com isto para a frente! Sem mais, vou manter a esperança e estou convicta de que algo vai ser feito com a maior brevidade, por quem de direito. E só me resta dizer, como cidadã preocupada e interessada com o que é nosso, neste caso, com o património, apenas posso divulgar e dar conhecimento através das formas que tenho feito, mais não posso fazer, cabe a quem de direito, dar um desfecho com um final feliz a este assunto. Se nada for feito, então só me resta dizer que não irei cruzar os braços!!! Apelo: Se alguém, ao ler este artigo, for portador de algum poder económico, e se queira oferecer como mecenas, e deste modo queira contribuir para o restauro das telas, então deverá dirigir-se ou entrar em contacto pela forma que lhe seja mais conveniente, com a Câmara Municipal de Nisa, e falar com quem de direito, mencionando o assunto em questão.
Nós todos agradecemos!!! Muito obrigado

Ana Paula Mendes Nunes da Conceição Horta

16.3.09

SANTANA: Festa comemorativa dos 50 anos da Freguesia





A população das aldeias de Pardo, Duque e Arneiro, vestiu o melhor traje de gala, reservado para as ocasiões especiais e participou efusivamente nas comemorações dos 50 anos da freguesia de Santana, realizadas no passado sábado.
Num dia de sol, a anunciar a Primavera, a festa começou bem cedo nos designados “Montes de Baixo” e as ruas das três povoações foram inundadas pela música da banda da Sociedade Musical Nisense, numa arruada para fazer despertar os mais preguiçosos e convidar para a festa.
Antes da missa solene, houve tempo para uma “bucha” no largo das festas. Depois os festejos tomaram uma feição mais religiosa e sentida ou a Freguesia não tivesse merecido a honra da visita do Bispo da Diocese, D. Antonino Dias, com palavras muito elogiosas para os naturais e residentes em Santana, destacando-lhe, entre outros atributos, o seu fervor, coragem e determinação.
Terminada a liturgia, teve lugar a sessão evocativa da criação da Freguesia em 1959.
Presentes, entre outras entidades, os eleitos na Freguesia, presidente da Junta e da Assembleia, presidente da Câmara de Nisa, Governador Civil, Idalina Trindade, deputada do PS, eleitos da Assembleia Municipal, presidentes das freguesias de S. Simão, Montalvão, Nossa Senhora da Graça e Tolosa, registando-se ainda a presença, festivamente assinalada, de José Dinis Malpique Bicho, que foi o primeiro presidente da autarquia de Santana, há 50 anos, funções que exerceu – como todos os autarcas da época – de forma graciosa, cargo que juntava à sua actividade profissional, a de professor primário daquelas três povoações.
Francisco Boleto São Pedro, presidente da Junta de Freguesia de Santana, agradeceu a presença da população, visitantes e entidades. Lembrou as origens da freguesia, as dificuldades que se deparavam aos naturais dos Montes de Baixo para tratar de qualquer assunto, por vezes um simples documento que obrigava a perdas de tempo e a deslocações a pé, por caminhos de cabras até ao Pé da Serra.
A criação da Freguesia de Santana, disse, “foi um acto de justiça e determinação, no qual estiveram envolvidos não só pessoas e entidades de Santana, mas também de S. Simão”.
Seguiu-se, a pedido do presidente da Junta, um minuto de silêncio, destinado a evocar e homenagear “muitos daqueles que trabalharam nesse objectivo comum e que já não estão entre nós”.
Palavras de congratulação e de estímulo tiveram também a presidente da Câmara de Nisa e o Governador Civil de Portalegre, tendo a cerimónia terminado com a oferta de flores às entidades convidadas e de um jarrão em estanho ao presidente da Junta, numa iniciativa das mulheres da Freguesia.
O largo das festas foi o “palco” seguinte das comemorações. Cerca de 800 pessoas juntaram-se num animado e festivo almoço-convívio, oferecido pela autarquia.
A música surgiu para animar a festa e no mesmo recinto teve lugar um concerto pela banda da Sociedade Musical Nisense, seguindo-se mais tarde uma nova arruada pelas ruas da Freguesia com o grupo Bombos de Nisa.
Em tempo de festa e comemoração, a música continuou a animar todos aqueles que se deslocaram a Santana, destacando-se a actuação dos grupos de música popular “Fora d´Horas” e “Águias do Tejo” (Arneiro), “Domingos & Dias Santos” (Nisa).
Ao cair da tarde chegou um muito esperado convidado, o “Bolo de Aniversário”, pesando cerca de 50 quilos e com o símbolo da Freguesia. Foi partido, repartido e saboreado por centenas de convivas, continuando as comemorações com um lanche, no qual foi servido o porco no espeto.
A festa prolongou-se noite fora. Santana evocou a sua história recente e não esqueceu de assinalar, com as honras devidas, um acontecimento que teve repercussões na vida das pessoas e no desenvolvimento da comunidade.

Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 12/3/09

19.11.08

Quando a net reforça a saudade...

Senhores do Jornal de Nisa:
Meu nome é Omar Ruben TREMOCEIRO, neto de Francisco Carrilho Tremoceiro, quem em vida fora irmao de Adriano Carrilho Tremoceiro, nasci e sou Argentino, mas nos ultimos dias obtuve a cidadania Portuguesa, faz tempo que estou procurando informaçao de meus familiares em Portugal, muito agradeceria voces podam me contatar con Paula Carrilho ou outras das pessoas que reuniramse com motivo do honenagem realizada no passado sábado, dia 1 de Novembro, assinalado uma das ruas da sua aldeia natal, a Vinagra.
Podem ligar comigo pelo correio saosimao@hotmail.com ou tel. XXXXXXXXX
Com meus cumprimentos saludo voces e felicito pelo conteudo do seu site na web e por encher meu coraçao com noticias da minha terra, o Portugal de meu avo.

10.11.08

POETAS DO CONCELHO DE NISA


Força de Viver
Há quem não nasça ensinado
Eu, por exemplo, nasci
Mas que culpa tenho eu
De não ser tudo igual a mim?

Esta força de viver
Dia a dia com mais esperança
Com tantos anos de idade
Parece que sou criança!

Criança e brincadeiras
De outros tempos de então
E os amigos de infância
Que tenho no coração.

Fui criança, fui mulher
Fui mãe, primeiro, depois esposa
Pedi tanto, tanto a Deus
Que dele obtive esta força!

Mas deslizes nesta vida
Qualquer ser humano tem
Levei tantos empurrões
Sem fazer mal a ninguém.

Mas fui recompensada
Não liguei nada ao desdém
Por tudo tenho lutado
Sem pedir nada a ninguém.

Passo na rua a sorrir
À criança, aos velhos e de meia idade
E pensar que nos olhos deles
Houve em tempos, maldade.

Tropecei mas não caí
Porque alguém me amparou
A minha mãe tão querida
Que comigo tanto chorou.

A nossa vida é um fado
Guitarra encostada ao peito
Por mais sério que se seja
Há sempre qualquer defeito.
Maria Dinis Pereira
Sou da vila de Nisa
Eu sou da vila de Nisa
Terra do Alto Alentejo
Meus olhos choram de dor
Nos dias que te não vejo

Há anos que cá não vinha
Muito admirado fiquei
Não vi fonte, nem jardim
E de tristeza chorei.

Já vi que não há respeito
Pelo povo desta terra
Querida “Árvore da Mentira”
Olha o que te fizeram!

Mas que fez o meu povo
O que fez ele de tanto mal?
Os jarrões do nosso jardim
Devem estar lá pró Curral!

Triste regressei a casa
E num pranto derradeiro
Tive muitas saudades
Do ti Luís Jardineiro.
Gabriel Giesta

NISA
Não sei o que Nisa tem,
Que mago sonho a domina
Feito de luz purpurina,
Quando o sol se esconde além!...

Rasgam-se as nuvens também
P´ra tornar a luz mais fina
Como auréola cristalina
Que só aqui se detém...

Em cada viela ou praça,
Na rua mais pobrezinha,
Há jogos de luz e graça.

Oh! Nisa tão louçainha,
Tens mais graça quando passa
O Sol, por ti, à tardinha.
Padre Alfredo Magalhães - 7 Março 1957


AS VELHAS FONTES DE NISA
Centenas de anos a fio,
Vossa linfa preciosa
De refrigério serviu
À minha Nisa formosa.

Quantas gerações passaram,
Caídas na sepultura,
Que os seus filhos baptizaram
Com vossa água santa e pura!

Em noites de luar silentes,
Tão propícia ao amor,
Nas vossas bicas fluentes
De murmuroso frescor,

Lindas moças iam dantes
Com seus pares, de mãos dadas,
Entre risos e descantes,
Encher as bilhas pedradas.

Se as fontes falar pudessem,
Tinham muito que dizer,
Se contar elas quisesem
O que ouviram sem querer:

Comadres mexeriqueiras,
Do seu lidar esquecidas.
E, entretendo-se, palreiras,
Desfiando alheias vidas;

Segredos de namorados
Com arrufos caprichosos;
Sonhos de amor enlaçados
Em projectos venturosos

Casos alegres, sombrios,
Ali, todos iam dar,
Com a certeza que os rios
Sempre correm para o mar.

Ó boas fontes velhinhas,
Que pena fazeis agora,
Vivendo assim, tão sozinhas,
Sem o bulício de outrora!

Hoje, em casa, toda gente
Já tem água quanta queira,
Sem custos, prosaicamente:
Basta abrir uma torneira!

Por isso, as fontes de Nisa
Vão chorando a sua mágoa:
Já delas não se precisa,
Ninguém lá vai buscar água!
F. Bagulho – in “Correio de Nisa”