4.6.26

NISA: Detido por tráfico de estupefaciente


O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Nisa, no dia 29 de maio, deteve um homem de 54 anos, por tráfico de estupefacientes no concelho de Nisa.

No âmbito de uma operação de fiscalização rodoviária, realizada no concelho de Nisa, os militares da Guarda abordaram um veículo e constataram que do seu interior emanava um forte odor a produto estupefaciente.

No decurso das diligências policiais, foi confirmado que o mesmo se encontrava na posse de produto estupefaciente, motivo pelo qual foi detido.

Da ação resultou a apreensão do seguinte material:

6,40 doses de Liamba;

9,18 doses de Haxixe;

Um telemóvel;

8 975 euros em numerário.

O suspeito foi detido e os factos comunicados ao Tribunal Judicial de Nisa.

A GNR reforça o seu compromisso na prevenção e combate ao tráfico de droga e à criminalidade, contribuindo para a segurança e tranquilidade pública.

CONTRA O PACOTE LABORAL: Adesão à greve geral no distrito de Portalegre

 


A greve geral do dia de hoje, dia 3 de junho, convocada pela CGTP-IN contra o Pacote Laboral, conduziu ao encerramento de vários serviços no distrito de Portalegre.

São 14 as escolas encerradas até ao momento em Alter do Chão, Avis, Arronches, Castelo de Vide, Crato, Gavião, Monforte, Nisa, Portalegre.

No Hospital de Portalegre o Bloco Operatório está encerrado às cirurgias programadas e regista-se uma adesão de 83% entre os enfermeiros.

Relativamente a serviços municipais, vários foram os que encerraram no dia de hoje, entre serviços culturais, desportivos e bibliotecas, destacando-se a paralisação do serviço de recolha de Resíduos Sólidos Urbanos em Monforte, Avis e Nisa.

Os trabalhadores dos transportes colectivos dos Serviços Municipalizados de Portalegre aderiram a 100% a esta greve geral, acrescentando mais este protesto à sua luta por melhores condições de trabalho e regularização da sua carreira.

Entre os trabalhadores em greve destacam-se ainda os da fábrica Hutchinson em Campo Maior, onde se registou uma adesão de 70% no turno da manhã.

O Dep. Informação da USNA/CGTP-IN

UM POEMA POR DIA, BEM QUE SABIA – José Fanha


GRITO 

De ti que inventaste

a paz

a ternura

e a paixão

o beijo

o beijo fundo intenso e louco

e deixaste lá para trás

a côncava do medo

à hora entre cão e lobo

à hora entre lobo e cão.

 

De ti que em cada ano

cada dia cada mês

não paraste de acender

uma e outra vez

a flor eléctrica

do mais desvairado

coração.

 

De ti que fugiste à estepe

e obrigaste

à ordem dos caminhos

o pastor

a cabra e o boi

e do fundo do tempo

me chamaste teu irmão.

 

De ti que ergueste a casa

sobre estacas

e pariste

deuses e linguagens

guerras

e paisagens sem alento.

 

De ti que domaste

o cavalo e os neutrões

e conquistaste

o lírico tropel

das águas e do vento.

 

De ti que traçaste

a régua e esquadro

uma abóboda inquieta

semeada de nuvens e tritões

santidades e tormentos.

 

De ti que levaste

a volupta da ambição

a trepar erecta

contra as leis do firmamento.

 

De ti que deixaste um dia

que o teu corpo se cansassse

desta terra de amargura e alegria

e se espalhasse aos quatro cantos

diluido lentamente

no mais plácido

silente

e negro breu.

 

De ti

meu irmão

ainda ouço

o grito que deixaste

encerrado

em cada pétala do céu

cada pedra

cada flor.

O grito de revolta

que largaste à solta

e que ficou para sempre

em cada grão de areia

a ressoar

como um pálido rumor.

O grito que não cansa

de implorar

por amor

e mais amor

e mais amor.

José Fanha, in "Breve tratado das coisas da arte e do amor" Edições Ulmeiro, 1995. 1ª Edição

* Pintura de Augusto Pinheiro

3.6.26

NISA: Alguém tem de pôr fim a esta Calamidade!


Desde que tomou posse, a 3 de Novembro de 2025, há sete meses, o actual executivo camarário tem sido pródigo em decisões dignas de uma autêntica novela aos quadradinhos. Depois do discurso inaugural de apelo à unidade e participação (TODOS, TODOS, TODOS!, proclamou a plenos pulmões o Zé Dinis) a leitura e estudo de homilias não lograram aproximá-lo da doutrina e de práxis franciscana. Às juras diárias à CONTINUIDADE e ao que de pior nos legou o "reinado" isaltinista, Zé Dinis continua enredado num verdadeiro "molho de brócas", criado por si próprio e pelo vereador yes men que o acompanha. Mantém, inalterável, a arrogante ideia de que governa com maioria absoluta e que os eleitos da oposição não são mais que verbos de encher. Grita a plenos pulmões que é pela TRANSPARÊNCIA e na primeira oportunidade e com recurso a assédio profissional, impede um vereador de votar favoravelmente uma proposta de AUDITORIA INDEPENDENTE às contas e procedimentos da Câmara. O episódio do "microfone voador", a intimidação a jornalistas e a lei da rolha que continua a imperar na autarquia, mostram, em toda a linha, a pequenez deste autarca que mantém o capricho de se julgar o dono disto tudo, tal qual, a sua antecessora.

Depois do episódio, ridículo, da "Nisa em Festa" surge o anúncio de converter a autarquia em empresa de restauração e o Mercado Municipal como espaço de "convívios" gastronómicos.

Já tínhamos o Forno, que nunca chegou a ser "comunitário" e se mantém fechado e sem préstimo; temos agora a casa dos tolos, para assegurar mais um taxinho a funcionário do clube da roseira brava, e como se não bastasse, a vergonhosa e abusiva concorrência ilegal e desleal, a empresas de restauração que fazem da confecção e serviço de refeições, o seu modo de vida. Modo de vida pelo qual pagam avultados impostos e licenças, algumas delas à própria autarquia que lhes move concorrência, como se a moral e os bons costumes e o respeito pelos comerciantes do ramo, fosse coisa sem valor e para deitar fora, em nome de uma propaganda desmesurada e sem freio.

O comércio, serviços e indústrias são aquilo que sabemos em Nisa e no concelho. Têm inúmeros problemas para resolver.  Uma Câmara aberta e atenta, procuraria juntá-los, conhecer os seus problemas, analisar e discutir as melhores formas de os resolverem, em conjunto.

O que faz a Câmara de Nisa? Agrava-os. Faz-lhes concorrência. Desrespeita-os. Não lhes liga. Fará promessas em cima dos períodos eleitorais e por aí se fica. Não é triste. É dramático. Revelador do estado de inércia a que chegou este município.

E os responsáveis, com mais ou menos brilhantina, têm nomes.

·         Mário Mendes

PORTALEGRE: Sunset Vinhos de Altitude Serra de São Mamede promove a singularidade vitivinícola de Portalegre

 


Com o objetivo de consolidar a promoção e o posicionamento dos Vinhos de Altitude | Serra de São Mamede, o Município de Portalegre promove, no próximo dia 13 de junho, entre as 18h00 e as 23h00, na Praça da República, o evento Sunset Vinhos de Altitude Serra de São Mamede.

Concebido em formato wine market, o evento resulta de uma parceria entre o Município de Portalegre, os produtores de vinho participantes e os empresários da restauração e dos bares da Praça da República, que se associam à iniciativa, reforçando a sua componente gastronómica e proporcionando uma experiência integrada de degustação e convívio.

O Sunset pretende valorizar e dar a conhecer os vinhos produzidos na Serra de São Mamede, destacando a identidade única deste território e a qualidade reconhecida dos seus produtores, num ambiente descontraído e de celebração do verão.

A programação inclui ainda uma forte componente cultural e de animação, com a atuação do projeto “Notas de Jazz”, às 18h00, e do músico Diogo Zambujo, às 21h00, contribuindo para uma experiência diferenciadora que alia vinho, gastronomia e música.

O Município de Portalegre convida a comunidade e os visitantes a participar neste evento que celebra os sabores, os vinhos e a identidade do território, num dos espaços mais emblemáticos da cidade.

ATLETISMO: Prata de Luiz Otávio destaca participação da AADP no Olímpico Jovem 2026


A medalha de prata conquistada por Luiz Otávio nos 300 metros foi o principal destaque da participação da Seleção da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP) no Olímpico Jovem Nacional 2026, a principal competição nacional de jovens, que reúne todas as associações regionais de atletismo e os melhores atletas de cada região do país.

O jovem atleta alcançou o segundo lugar do pódio numa das provas mais competitivas do programa, estabelecendo simultaneamente um novo recorde pessoal e distrital. O resultado confirma a sua evolução desportiva e reforça o seu posicionamento entre os melhores atletas nacionais do escalão.

A competição, considerada o principal momento do calendário nacional jovem, voltou a reunir as seleções distritais e regionais de todo o país, proporcionando um elevado nível competitivo ao longo dos dois dias de provas.

No conjunto da participação, a AADP somou ainda quatro recordes regionais e 25 recordes pessoais, indicadores do crescimento contínuo dos jovens atletas do distrito e da evolução do trabalho desenvolvido ao longo da época desportiva.

A seleção de Portalegre terminou a competição no 18.º lugar entre 20 associações participantes, numa prestação marcada pelo compromisso coletivo e pela capacidade de adaptação dos atletas. Em várias provas, elementos da comitiva competiram fora das suas especialidades habituais, contribuindo para o resultado global da equipa.

Mais do que a classificação final, a participação da AADP evidenciou a evolução individual dos atletas, traduzida num elevado número de marcas pessoais superadas e novos recordes regionais alcançados.

O Olímpico Jovem constitui-se, assim, como um momento de avaliação do trabalho desenvolvido pelos clubes e associações, bem como uma importante experiência de formação para os jovens atletas em contexto de alto nível competitivo.

A prestação da AADP deixa sinais positivos para o futuro do atletismo distrital, num contexto de crescimento sustentado da modalidade no distrito de Portalegre.

Com o encerramento da edição de 2026, a atenção centra-se agora na continuidade do processo de desenvolvimento dos jovens atletas e nos próximos desafios do calendário competitivo.

ENDÓGENOS: Mercadinho de Cereja de São Julião celebra um dos produtos mais representativos de Portalegre


Nos dias 6 e 7 de junho, entre as 17h00 e as 20h00, o Jardim da Avenida da Liberdade acolhe o Mercadinho de Cereja de São Julião, uma iniciativa promovida pelo Município de Portalegre que pretende valorizar e promover a Cereja de São Julião, um dos produtos tradicionais mais apreciados e distintivos do concelho.

Durante os dois dias do evento, os visitantes terão a oportunidade de contactar diretamente com os produtores locais, conhecer melhor este fruto de excelência e adquirir cerejas frescas e produtos derivados, nas barraquinhas de madeira entre o Plátano e o Monumento aos Mortos da Grande Guerra.

O Mercadinho contará com a participação de sete produtores de cereja e quatro produtores de produtos transformados à base de cereja, assumindo os produtores e o seu trabalho como os verdadeiros protagonistas da iniciativa.

Mais do que um espaço de comercialização, o Mercadinho de Cereja de São Julião pretende afirmar-se como um momento de celebração da identidade rural e agrícola do concelho, distinguindo a qualidade de um produto que constitui uma referência da gastronomia e do património local.

Ao mesmo tempo, esta iniciativa evoca também a memória da histórica Feira das Cerejas, que durante décadas integrou o calendário anual de eventos da cidade e se afirmava como a segunda maior feira realizada em Portalegre, reunindo produtores, comerciantes e visitantes num momento de grande dinamismo económico e social.

Com esta ação, o Município de Portalegre reforça o seu compromisso com a valorização dos produtos endógenos, o apoio aos produtores locais e a preservação das tradições que fazem parte da identidade do concelho.

O Município convida toda a população e visitantes a participar nesta celebração dos sabores e das tradições de Portalegre.

 

HOJE É DIA DE GREVE GERAL - Derrotar o PACOTE LABORAL e a ramalhal figura...

 





2.6.26

LARDOSA (Castelo Branco): 3.º Festival VOZES DA TRADIÇÃO


Encontro de Música Popular e Tradicional da Freguesia da Lardosa, a realizar no próximo dia 6 de junho (sábado), pelas 17:00h, no recinto de festas do Vale da Torre.

3.º FESTIVAL “VOZES DA TRADIÇÃO” CELEBRA A MÚSICA POPULAR E TRADICIONAL NA FREGUESIA DA LARDOSA

A Associação Etnográfica e Cultural “Os Loureiros” da Lardosa promove, no próximo dia 6 de junho de 2026, pelas 17h00, em Vale da Torre (Lardosa), a terceira edição do Festival “Vozes da Tradição” – Encontro de Música Popular e Tradicional da Freguesia da Lardosa.

O evento tem como principal objetivo preservar, divulgar e valorizar a música popular e tradicional portuguesa, proporcionando um espaço de encontro entre diferentes grupos, regiões e expressões culturais, num ambiente de partilha, convívio e celebração das tradições.

Participam nesta edição o Rancho Folclórico “Os Loureiros” da Lardosa, o Grupo de Cantares A Mensagem (NDS Guarda), o Rancho Folclórico “As Capuchinhas” de Pendilhe (Vila Nova de Paiva), o Grupo das Pedrinhas de Arronches, o Rancho Folclórico e Etnográfico de São Miguel de Anreade (Resende) e o Grupo de Cantares “Os Loureiros” da Lardosa, representando diferentes regiões e tradições do património cultural português.

Paralelamente às atuações, o público poderá desfrutar de uma sardinhada, petiscos, bebidas e outras iguarias típicas, reforçando o caráter comunitário e festivo da iniciativa.

Após o encontro, a animação prosseguirá pela noite dentro com a atuação de Christophe T, proporcionando momentos de convívio e diversão para toda a população e visitantes.

A Associação Etnográfica e Cultural “Os Loureiros” da Lardosa convida toda a comunidade a associar-se a esta iniciativa, celebrando a riqueza das tradições populares e contribuindo para a preservação de um património cultural que importa transmitir às gerações futuras.

 

PORTALEGRE: Exposição "Flores" de Teresa Saporiti

 


ARRAIOLOS: 𝐀𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚çã𝐨 𝐝𝐨 𝐋𝐢𝐯𝐫𝐨 | 𝐌𝐮𝐥𝐡𝐞𝐫𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐚 de Antónia Rosado Mendes


4 de junho de 2026

📍Biblioteca Municipal de Arraiolos

🕐16h00

CASTELO BRANCO: 10.º ENCONTRO INFANTIL DE FOLCLORE CELEBROU A TRADIÇÃO E O FUTURO DO PATRIMÓNIO ETNO-FOLCÓRICO IBÉRICO


A Associação Cultural e Recreativa “As Palmeiras”, através do Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa, realizou no passado dia 30 de maio a 10.ª edição do Encontro Infantil de Folclore, na sua sede, em Castelo Branco.

O evento reuniu o Grupo Infantil e Juvenil de Danças e Cantares da Beira Baixa, a Escola de Etnografia da Casa do Povo de Cacia e o Grupo Folklórico Albahaca, da Extremadura espanhola, proporcionando uma tarde de música, dança, convívio e partilha cultural.

Durante a cerimónia protocolar, Cristina Gaspar, representante da Federação do Folclore Português, destacou a importância da iniciativa, felicitando a organização pelo trabalho desenvolvido junto das crianças e jovens, salientando que nem todas as associações se preocupam em transmitir às novas gerações “todo este saber, toda esta ciência que é o folclore e a etnografia”.

Também a Vice-Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Sónia Mexia, enalteceu o trabalho desenvolvido pela Associação Cultural e Recreativa “As Palmeiras”, destacando que “juntar gerações numa passagem de testemunho de tradição e de património cultural é de facto de louvar”.

Ao longo da tarde, os grupos participantes apresentaram danças, cantares e tradições das suas regiões, proporcionando ao público momentos de grande riqueza cultural e reforçando a importância da preservação do património popular junto das novas gerações.

A organização agradece a presença dos grupos convidados, das entidades participantes e de todo o público que contribuiu para o sucesso desta décima edição. As atenções voltam-se agora para o 28.º Encontro de Etnografia e Folclore Cidade de Castelo Branco, agendado para o dia 11 de julho, cuja preparação já se encontra em curso.

 

1.6.26

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA


O Narcisista | Cartoon editorial da revista de domingo do @correiodamanhaoficial – Vasco Gargalo

OPINIÃO: Murro na mesa


ONU, UE, Human Rights Watch, Amnistia Internacional, Médicos sem Fronteiras, Oxfam, B'Tselem, Associação Internacional de Académicos sobre Genocídio, Tribunal Penal Internacional. Esta é uma lista curta de organizações que denunciam o quão indecorosa é a ação do Estado de Israel em Gaza e nos territórios ocupados da Cisjordânia.

Todos os dias, surgem novas imagens e relatos dos ataques de colonos a palestinianos, sob o olhar impávido, sereno e cúmplice dos militares. No Dia de Jerusalém, grupo de radicais organizaram uma caça a palestinianos pelas ruas da Cidade Velha, aos gritos de "morte aos palestinianos", naquilo que fez lembrar à cronista Hanin Majadli, do jornal israelita "Haaretz", a infame "Noite de Cristal", de perseguição a judeus na Alemanha nazi. Jorge Moreira da Silva descreveu há semanas ao "Público" o que viu em Gaza e aventou: "Vamos ser todos julgados por aquilo que fizemos ou não fizemos em Gaza. Não há jornalistas, os que havia tiveram de sair ou foram mortos." Há poucos dias, especialista da ONU sublinharam que "a inação da comunidade internacional permite a impunidade total".

Mas o que se passou em Jerusalém foi rapidamente esquecido, depois da divulgação orgulhosa dos maus-tratos aos ativistas da flotilha raptados em águas internacionais, que levaram até o tímido ministro dos Negócios Estrangeiros português a criticar o ministro Ben-Gvir, pelo comportamento intolerável. Ainda assim, só o ministro foi criticado, porque "aqui-d'el-rei" se se critica Israel. Foi de tal descaramento, que Netanyahu - farol dos direitos humanos - sentiu necessidade de repudiar as imagens. Está na hora de dar um murro na mesa e acabar com a impunidade de um Estado que se esconde atrás do terror a que foi submetido um povo, para matar e torturar impunemente.

Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 25 de maio, 2026

NISA: As festas dos Zés e a responsabilidade dos eleitos


A Câmara de Nisa reúne hoje pelas 15 horas em sessão ordinária, a qual integra 25 pontos na Ordem de Trabalhos, dois deles referentes ao evento “Nisa em Festa”, anunciado ontem, com grande algazarra por um dos Zés promotores da festa.

O Zé Dinis, presidente, com a clarividência do costume e sem temores a microfones estranhos,  foi dizendo que a Festa custaria 360 mil euros só com os artistas, para além de mencionar as habituais bagatelas em que é pródigo, quando se refere a tradições, desenvolvimento, icónicas, atracção turística e outra conversa da treta para embalar meninos e sossegar auditorias.


Não tenho nada a apontar sobre o programa musical ou “artístico”. A criação do Nisa em Festa obedeceu à estratégia de competir com o Festival do Crato, a princípio inovador e atractivo para muitos milhares de pessoas de todo o país e hoje em dia, um quebra-cabeças, monstruoso, onde se vende tudo e mais alguma coisa e a música, alguma de grande qualidade, passa quase despercebida. Mas, repito, isso é lá com eles.

O que estranho na “Nisa em Festa” é o facto de o evento ter sido anunciado ontem, com espavento, e hoje, para a reunião de Câmara virem incluídos dois pontos assim descriminados:

*Ponto  9 -  Regras de funcionamento do Nisa em Festa

* Ponto 11 – Atribuição de Preços

O que é isto? - pergunto, enquanto cidadão, eleitor e contribuinte. Estão a gozar com quem trabalha? Reuniram, os dois Zés, com os eleitos da oposição, a maioria da Câmara, sobre o cartaz, o local, as normas de funcionamento, o âmbito geral da iniciativa? Vai ser a festa da continuidade decretada pela madre-superiora, ou, porque o executivo mudou, seria normal esperar alguma inovação sobre este evento?

Por que terão os três vereadores da Oposição, que não foram tidos nem achados na elaboração do programa Nisa em Festa de decidir, agora, sobre as Regras de Funcionamento da mesma? Ou sobre a atribuição de preços? Quais preços? Os da entrada no recinto que, aliás, já têm um “preço” definido, o da gratuitidade no primeiro dia?

Dou-vos uma sugestão: copiem o modelo das autarquias vizinhas (Gavião, Portalegre, Vila Velha de Ródão, por exemplo) onde as entradas são GRATUITAS.  Copiar o que é bem feito, não reduz a capacidade de decisão, antes pelo contrário, eleva-a à racionalidade, ao bom senso e ao respeito do que deve ser o Poder Local. Deixem-se de “Festivais”e de festivaleiros. Dêem a festa ao povo e não se esqueçam, como tem sido a “norma” dos últimos anos, de convidar e de integrar na Nisa em Festa todas as Juntas e Uniões de Freguesia. Essa será, também, uma forma de dignificar e homenagear os 50 Anos do Poder Local Democrático.

Mário Mendes

 

31.5.26

DESPREZADOS: O acesso ao transporte gratuito dos antigos combatentes


A discussão sobre o acesso dos antigos combatentes aos transportes públicos é reveladora de duas coisas: a primeira, do quanto PS, PSD, CDS, CH e IL andam literalmente a gozar com os antigos combatentes; a segunda, da consequência da visão mercantilista associada à opção liberalizante na organização do Estado. 

O Estatuto do Antigo Combatente estabelece no seu Artigo 17.º a «Gratuitidade dos transportes públicos das áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais», explicitando que: «Durante o ano de 2020, o Governo, em articulação com as autoridades de transportes de cada área metropolitana e comunidade intermunicipal, adopta as medidas necessárias a assegurar a gratuitidade do passe intermodal para todos os antigos combatentes detentores do cartão referido no artigo 4.º, bem como para a viúva ou viúvo de antigo combatente que, cumulativamente, usufrua dos benefícios e requisitos previstos nos artigos 7.º e 8.º do presente Estatuto.»

Existindo um cartão de antigo combatente, qual seria a forma prática, simples, destes terem acesso ao direito? Exigindo a amostragem do cartão no acesso aos transportes. E porque é que isso não acontece, e os governos continuam a inventar mecanismos para limitar esse acesso, que hoje está reduzido à região ou município onde se reside e implica a posse e renovação mensal de um título de transporte dessa região que em muitos casos não existe?

Em primeiro lugar, na Área Metropolitana de Lisboa existem alguns sistemas fechados de transporte (Metro de Lisboa, Fertagus, CP Lisboa), e sem um cartão que o sistema consiga ler não se consegue entrar no sistema. Podemos aproveitar para fazer uma reflexão sobre o facto de estes sistemas serem completamente fechados (ML) ou parcialmente fechados (CP e Fertagus). São opções discutíveis, que criam dificuldades aos utentes a troco de um mais eficaz combate à fraude, e que onde bloqueia as saídas até cria um problema de segurança. Sistemas abertos funcionam em todo o mundo, incluindo em Portugal, sem níveis significativos de fraude desde que existam revisores ou fiscais. O sistema fechado só sobrevive devido às visões mercantilistas extremas do transporte público, mas onde ele existe e enquanto existir, é de facto obrigatório que o antigo combatente tenha um cartão que possa ser lido pelo sistema – mas nada obriga que esse cartão tenha de ser renovado mensalmente como hoje acontece. E a necessidade desse cartão só se aplica à Àrea Metropolitana de Lisboa, pois não existem outros sistemas fechados no país.

Em segundo lugar, há um interesse estatístico evidente em conhecer-se os fluxos de transporte público, principalmente porque esse conhecimento é fundamental para ajustar a oferta à procura e assim responder melhor às necessidades das populações. A existência de cartões electrónicos facilita imenso esse processo estatístico desde que os sistemas estejam preparados para tal. E alguns já estão. E progressivamente todos estarão. Evidentemente que alguém que chega a um autocarro e mostra o cartão de antigo combatente não será contabilizado automaticamente nos locais onde essa contabilização se faz. Em Lisboa e no Porto pode justificar-se adoptar procedimentos para que os antigos combatentes tenham um passe que faça essa estatística, mas na generalidade das regiões ou a estatística não está a ser feita de forma automática ou a relevância estatística é muito pequena.

Em terceiro lugar, há empresas como a CP que realizam transporte com sistema de marcação de lugares. Mas na CP, quer na bilheteira, quer na reserva online bastaria incluir nas possibilidades de desconto a indicação de ser detentor de Cartão de Antigo Combatente e o respectivo número.

Estas, e seguramente outras necessidades técnicas, são realidades objectivas, mas são superáveis e não justificam o que os governos andam a fazer.

Por fim, e esta é a única e verdadeira questão, o sistema de transportes está liberalizado e mercantilizado, e as empresas privadas vivem da subsidiação pública do transporte. A gratuitidade de acesso aos antigos combatentes não produz qualquer despesa extra às empresas e quanto muito implica uma redução teórica de receitas, ainda por cima quando a generalidade dos antigos combatentes tem mais de 65 anos, e os utentes com mais de 65 anos já têm o transporte gratuito (numas regiões e concelhos) ou parcialmente gratuito (na CP e em muitas regiões), e esse desconto já é subsidiado pelo Estado. Mas, quer a distribuição das receitas dos passes intermodais entre as diferentes empresas, quer o pagamento de subsídios pelo Estado está contratualizada, e depende quase sempre do número de passes emitidos ou do número de utilizações desses passes gratuitos.

E é essa contabilidade, a vontade de continuar a fazer essa contabilidade, num universo de centenas de contratos, que verdadeiramente justifica a dificuldade dos sucessivos governos em agilizar o acesso dos Antigos Combatentes ao transporte gratuito e na prática lhes nega o acesso ao que o Estatuto determina. 

Seria absurdo, mas é verdade que tal como estão os contratos, se todos os Antigos Combatentes tivessem acesso a todos os transportes de todas as regiões, como estabelece a Lei, todas as empresas privadas (excepto as da AML, por causa do tipo de contrato assinado com a TML) poderiam invocar o direito de receber do Estado, a cada mês, o valor de passe mensal por cada antigo combatente. Seria um abuso, mas como a maioria dos contratos com os privados continuam a funcionar com uns «tribunais» arbitrais como fonte de recurso, não tenhamos dúvidas que o abuso dos 2,4 mil milhões hoje reclamados para Reequilíbrios Financeiros das concessões seriam muito significativamente aumentados. É para evitar esta situação que o Estado finge ser necessário restringir o direito ou montar um esquema extraordinariamente complexo para conseguir determinar qual o subsídio que irá pagar a cada empresa privada pelo transporte de cada antigo combatente. 

E, no entanto, também aqui a simplicidade era fácil de alcançar. Mesmo sem abordar aqui a questão de não se concessionar os transportes a empresas privadas, a maioria dos contratos de concessão de transportes públicos em vigor é posterior a 2020, altura em que o direito estava consagrado. Bastava incluir uma alínea nesses contratos – «O concessionário tem a responsabilidade de transportar os possuidores de cartão de antigo combatente gratuitamente». Fácil, verdade? E, no entanto, não foi feito. Preferem fazer grandes e pomposas discussões na Assembleia da República, onde tantos batem no peito juras de amor aos antigos combatentes, mas na realidade estão preocupados é com os lucros dos privados do sector dos transportes.

E para quem comece já a sentir as dores desses operadores privados por serem obrigados – por uma medida tipo gonçalvista – a transportar gratuitamente os antigos combatentes, fiquem descansados que o Estado já lhes paga mais de mil milhões de euros anuais (contas da Autoridade de Mobilidade e Transportes) em subsídios ao transporte rodoviário de passageiros. Só que eles querem mais.

Ora, esses mil milhões de euros de subsídios públicos ao sector liberalizado das rodoviárias, distribuídos em centenas de contratos de concessão e subcontratação, resultam num sistema de transportes públicos pulverizado e ineficaz na generalidade do país (mais uma vez, excepto na AML e, ainda que menos, na AMP), que é o verdadeiro problema dos Antigos Combatentes e de todos os utentes dos transportes. Quando em Portugal, antes da liberalização e privatização, já tivemos uma empresa, pública e nacional, chamada Rodoviária Nacional, criada pelas nacionalizações da Revolução, que prestava um melhor serviço ao país e por um custo (prejuízo, chamavam-lhe então) muito menor. E desde então, em vez de avançar, recuamos. Mas disto nem querem eles ouvir falar!


Manuel Gouveia  - Abril, Abril 2026-05-26

ARRONCHES: Exposição do colecionador Alexandre Correia

 


CASTELO DE VIDE: Exposiçao de Fotografia "As Aves do Meu Quintal"

 


GAVIÃO: Dia Mundial da Criança

 


ODIVELAS: Exposição sobre o 25 de Abril promovida pela EPHEMERA

 




VILA VELHA DE RÓDÃO: Recrutamento de Monitores para Campos de Férias de Verão

 


30.5.26

A POESIA, QUEM DIRIA... - António Borrego


 Poema aos amigos de infância

Com vocês caminhei

pelo campo, pela ribeira e a caminho da escola

vimos nascer as luas cheias de agosto

ficámos estarrecidos e lançámos desejos ao vento

tantos pássaros a cantar, tantos ninhos por descobrir

procuro na alma, aquelas emoções outrora sentidas

não as quero perdidas, quero-as vivas...bem vivas...

e, quero exaltar aqui, todos os nossos dons humanos

e sentir que, se modelou a pomba da paz

na substância dos nossos sentimentos irmanados

das maldades cometidas?...desses remorsos...

fizemos de conta que...nunca existiram...

porque, todos os passados...já foram futuro...

vivemos estes tempos de guerra, onde a luz de deus...

esmorece, arrefece e se torna obscura...

mas, brindemos à vida...mesmo com o cálice da amargura...

sabemos bem que, é nas raízes que deixamos a alma

tínhamos sempre tanta pressa...

tanta emoção e vertigem pelo ar...

parecia impossível...um dia acabar...

(deus permita que acabe a guerra, para não acabar tudo, mas, não há data prevista para o fim do sofrimento)

tínhamos o nosso paraíso...

sem serpente e sem pecado...(sim, colhemos maçãs alheias)...

na página do tempo, inscrevemos aventuras...

cavaleiros de calções com fisga no bolso...

(aquele bolso, remendado, por três vezes, pelo menos)...

nos dias mais quentes, nadávamos na ribeira...

nos dias frios, ferrávamos "buguélhas" ao lume

da lareira aconchegante...

em vez de beijos e carícias, levávamos chineladas...

mas, estamos cá, sem mágoas e sem mazelas...

disseram-nos que o amor, preserva e ressuscita

talvez memórias...talvez memórias...

agora?

escutamos o galope certeiro dos dias

os nossos olhos saltam de estrela em estrela...

até que o trote seja lento, e esmague as rosas que temos no peito

doce e amargo?...é ir à infância...

tão pura...tão ausente...tão próxima...

mas, da ampulheta...vai caindo areia...

A.B. 2022