7.9.26

MAÇÃO: FestFado com Dora Maria


 

OPINIÃO: O espirro de extrema-direita na Alemanha


Quando a Alemanha espirra, a Europa constipa-se. Uma expressão popularizada pela força motora da sua economia e a sua influência em todos as países europeus, mesmo os periféricos, como Portugal. Se na sede da Volkswagen se começa a discutir a redução da força de trabalho e o fecho de fábricas, há por cá arrepios de espinha, tal é o peso da Autoeuropa nas exportações e no ecossistema industrial do nosso país.

Mesmo que não haja indicadores tão evidentes para fenómenos mais políticos, há também aí razões para profunda preocupação. Este domingo, nas eleições regionais do estado da Saxónia-Anhalt, a dúvida é se a Alternativa para a Alemanha (AfD), a Direita mais extrema, conseguirá ou não uma maioria absoluta, derrubando uma barreira que se mantinha firme desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Um partido que quer mudar os manuais de História e retirar peso ao estudo do regime nazi (certamente influenciado pelos elementos neonazis nas suas fileiras); que defende a "remigração", ou seja, a expulsão de imigrantes e de cidadãos alemães cujo passado não seja suficientemente puro; que propõe a segregação de crianças refugiadas em escolas separadas; que promove as "famílias normais" em detrimento dos "desvios sexuais e os estilos de vida não reprodutivos". Um manual tão extremista que, nas últimas europeias, boa parte da extrema-direita europeia (incluindo o Chega) achou por bem afastar-se da AfD, embora tenha sido um afastamento mais tático do que ideológico.

Os alemães do Leste poderão ser os primeiros a colocar a extrema-direita no poder na Alemanha. E provavelmente contaminarão a política alemã e a europeia. Mas não vale a pena culpar eleitores supostamente ignorantes. A responsabilidade será sempre dos partidos que dominaram a política nas últimas décadas. Quando a CDU (centro-direita) e o SPD (centro-esquerda), somados, não conseguem atrair mais do que um terço dos votos (na Saxónia e nas sondagens ao nível nacional), isso significa que não estão a ser capazes de resolver os problemas dos cidadãos. Convém aprender a lição, antes que seja demasiado tarde. Na Alemanha, na Europa, em Portugal.

Rafael Barbosa – Jornal de Notícias - 6 de setembro, 2026 

 

AMADORA: Concertos de rua gratuitos assinalam o 47.º aniversário do Município da Amadora


O Amadora em Festa 2026 transforma o Parque Central num grande palco de celebração. Entre 11 e 13 de setembro, três noites de música ao vivo, com entrada livre, para celebrar o aniversário da nossa cidade.

No Palco Cidade, sobem ao palco nomes que atravessam gerações e estilos, do fado ao rock, passando pela música popular e pelo folk.

🗓️ Programa:

👉11 de setembro | sexta-feira – Feriado Municipal

21h30 – Sara Correia

23h15 – Rui Veloso

👉12 de setembro | sábado

21h30 – Bia Caboz

23h15 – Matias Damásio

👉13 de setembro | domingo

18h00 – Quinta do Bill com participação da SFCIA – Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora

📍 Local: Parque Central – Estátua José Afonso | Palco Cidade

🎟️ Entrada: Gratuita

Traga a família e os amigos. Desfrute da cidade. Celebre a Amadora!

𝗖𝗲𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗡á𝘂𝘁𝗶𝗰𝗼 𝗿𝗲𝗰𝗲𝗯𝗲 𝗼 𝗫𝗩𝗜𝗜𝗜 𝗘𝗻𝗰𝗼𝗻𝘁𝗿𝗼 𝗱𝗮𝘀 𝗚𝗲𝗿𝗮çõ𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗥ó𝗱ã𝗼 𝗮 𝟭𝟬 𝗱𝗲 𝗼𝘂𝘁𝘂𝗯𝗿𝗼


No dia 10 de outubro, o Centro Náutico de Vila Velha de Ródão volta a receber o Encontro das Gerações de Ródão, um evento que vai já na sua 18.º edição e todos os anos reúne as várias gerações do concelho e presta homenagem à população mais idosa.

Organizada pelo Município de Vila Velha de Ródão, a iniciativa tem início às 10h30, com atividades dedicadas às crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 12 anos, e prossegue, às 11h15, com a intervenção do presidente da autarquia e a celebração da missa.  Neste dia dedicado inteiramente aos idosos e aos mais novos, o almoço é servido a partir das 12h45, sendo a tarde dedicada à animação musical e ao convívio.

De forma a assegurar a participação no XVIII Encontro das Gerações de Ródão, os residentes e recenseados no concelho com mais de 65 anos devem inscrever-se nas Juntas de Freguesia da sua área de residência.

CASTELO DE VIDE: J𝐨𝐫𝐧𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔


Castelo de Vide vai ter um Roteiro do Património Museológico local que inclui nove museus municipais e privados do Concelho.

O lançamento deste novo Roteiro - disponível em português, inglês e espanhol e que resulta de uma parceria entre o Município, o Grupo de Amigos de Castelo de Vide e a Universidade Politécnica de Portalegre - ocorre no âmbito das Jornadas Europeias do Património 2026 e do Dia Mundial do Turismo.

No dia 18, nota para a abertura da Exposição "9 Meses, 9 Museus - Uma Itinerância Mensal" no Átrio dos Paços do Concelho pelas 16h00.

Já no dia 27, destaque para uma visita sob o mote "Um Olhar Sobre o Património Museológico" guiada pela Técnica Municipal, Maria do Carmo Fernandes (com inscrições no Posto de Turismo).

Uma oportunidade para (re)descobrir o património museológico do Concelho.

 

6.9.26

EVOCAÇÃO: Ricardo Mateus "correu" do Alentejo para o Quénia


Atleta do Sport Nisa e Benfica

Para Ricardo Mateus três meses foram o suficiente para se tornar campeão nacional júnior de corta-mato e ser o jovem português mais bem classificado nos Mundiais realizados em meados de Março no Quénia.

O único atleta do Sport Nisa e Benfica (por quem praticou futebol até Outubro), que nunca tinha competido até Dezembro passado, conseguiu em poucos meses um currículo impressionante e que o torna uma das mais fortes esperanças do atletismo.

O jovem de 19 anos de idade, feitos em Janeiro, venceu oito das nove corridas distritais em que marcou presença, o que o levou ao campeonato nacional da especialidade, a 11 de Março, em Campo Maior.

O título nacional abriu-lhe as portas para a participação no 35º Campeonato do Mundo de Corta-Mato, que se disputou em Mombaça, duas semanas depois.

Confessando que tem sempre um amuleto para lhe dar sorte: um fio de ouro com uma cruz, que usa quando corre, Ricardo Mateus adiantou à Agência Lusa que "não queria acreditar que realizava o sonho de ser o primeiro a cortar a meta".

No Mundial de Mombaça, entre 137 inscritos, acabou no 71º lugar, mas confessa que esteve quase a desistir da prova, sobretudo devido à humidade: "não fiz grande figura, estava muito calor, a humidade era de 79 por cento, a que não estava habituado, e estive quase a desistir".

Entretanto, o atleta aceitou o desafio de Pedro Rocha, que é treinador da Associação de Atletismo de Portalegre, para fazer uma experiência na pista e vai participar a 07 e 08 de Julho, em Viseu, nos campeonatos nacionais.

Se "a história se repetir", esse poderá ser o caminho para os campeonatos da Europa de juniores, duas semanas depois, em Hengelo, Holanda.

Ricardo Mateus ainda não sabe em que distância vai apostar na a pista, porque só correu uma vez neste piso, pelo que ainda vai ver os tempos que consegue fazer para aceder às competições de Viseu.

O treino actual passa por "corridas em azinhagas (caminhos) de terra" ao redor da vila, terrenos que conhece devido ao treino para o futebol no Sport Nisa e Benfica, desporto que praticou até Outubro. Aliás, é este clube que agora representa como único atleta de atletismo.

Ricardo Mateus, sem qualquer apoio ou patrocínio, agradece ao pai, Francisco, os "euros, tempo, dedicação e o transporte para as provas e treinos".

Provas em que participou:

Em Dezembro de 2006

Corta-mato de Elvas (2ºjúnior)

3000m de Elvas (1ºjúnior)

São Silvestre do Crato (1ºjúnior)

São Silvestre de Avis (1ºjúnior)

Em Janeiro de 2007

Corta-Mato de Valongo (1ºjúnior)

Corrida Batalha Linhas de Elvas (1ºjúnior)

Em Fevereiro de 2007

Corta-Mato de Degolados (1ºjúnior)

Corta-Mato de Alvito (1ºjúnior)

Corta-Mato de Portalegre (1ºgeral)

 Em Março de 2007

Campeonato Nacional Corta-Mato Longo, em Campo Maior (1º na corrida para juniores)

Campeonato do Mundo, em Mombaça (71º na corrida para juniores).


Fonte: Lusa - 11/04/2007 ATLETISMO

VILA VELHA DE RÓDÃO: Os 10 concertos mais bonitos de Portugal


O concelho da Vila Velha de Ródão vai ser palco de um dos “10 concertos mais bonitos de Portugal”, um programa da autoria de Paulo Vintém com a chancela do Turismo de Portugal. O concerto, de entrada livre, acontece a 07 de setembro (segunda-feira), às 17 horas na Zona do Castelo do Rei Wamba, em Vila Velha de Ródão.

MONTALVÃO: Estão a decorrer as Festas da Vila

 


MULHERES DE NISA na Exposição do Mundo Português (1940)

É uma foto "histórica" esta que escolhemos para a IMAGEM DO DIA. Foi tirada em 1940 por ocasião da Exposição do Mundo Português. Uma homenagem às Mulheres de Nisa e de exaltação do nosso Artesanato que brilhou a grande altura naquele grande evento.

ANTÓNIO CHARRINHO no V Festival de Acordeão no Cartaxo

 


CASTELO DE VIDE: 𝐄𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐍𝐚𝐭𝐮𝐫𝐞𝐳𝐚 𝐞 𝐁𝐞𝐦-𝐄𝐬𝐭𝐚𝐫 - 𝐍𝐨𝐯𝐚 𝐃𝐚𝐭𝐚


Informa-se que o Encontro com a Natureza e Bem-Estar - inicialmente previsto para 27 de agosto e adiado devido às condições meteorológicas adversas - tem nova data.

O evento dinamizado por Conceição Mendes está agora agendado para o dia 10 de setembro.

Recorda-se que para esta iniciativa organizada pelo Município é aconselhável levar roupa confortável e uma toalha.

ℹ As inscrições decorrem no Posto de Turismo até 9 de setembro. Haverá transporte disponível desde Castelo de Vide e desde Póvoa e Meadas.

5.9.26

MONTALVÃO: Vem aí a Feira do Mel 2026

 


SINES: A Onda Literária regressa ao Pátio das Artes nos dias 2, 3, 4 e 5 de outubro


Um programa onde os livros, os autores e a palavra estão no centro das atenções.

Esta quarta edição do evento volta a combinar uma componente de feira do livro, conversas com escritores e apresentações de livros, complementadas por atividades paralelas para famílias e público em geral.

A vereadora da Cultura, Ana Dias, antecipa uma excelente edição do festival literário de Sines.

"A Onda Literária nasceu em 2023 e tem vindo a crescer de forma sustentada. Este é talvez o ano em que a aposta é mais forte. Aproveitando o feriado de 5 de outubro, a programação passa de três para quatro dias, crescendo também o número de autores convidados, de parceiros da feira do livro e de atividades complementares. Estamos muito orgulhosos deste programa", afirma.

A lista de 15 autores convidados para a Onda Literária é orientada para um amplo leque de interesses, desde a ciência (com Carlos Fiolhais) aos segredos da língua portuguesa (com Marco Neves) e ao desporto (Rui Carvalho Tovar).

A diversidade da programação é igualmente demonstrada nos géneros, com representação do policial (com Lourenço Seruya), da literatura para a infância (com Isabel Ricardo) e do ensaio (com o autor siniense João Maurício Brás).

Os leitores de biografias poderão conversar com Maria João Martins sobre a obra que dedicou a Natália Correia e com João Céu e Silva sobre os livros que escreveu e que são essenciais para compreender os percursos de Lídia Jorge e António Barreto.

A riqueza de possibilidades do romance em português ficará demonstrada com os novos livros que os autores Rui Zink, João Pinto Coelho, Filipa Fonseca Silva, Virgílio Castelo e Fátima Lopes virão apresentar na Onda Literária.

O escritor e ator André Gago estará em Sines com o seu livro "Manuscrito de Alexandria", mas também com o espetáculo "Canções para Poetas", acompanhado pelo pianista Victor Zamora.

É com orgulho que a Onda Literária recebe a poeta e historiadora Ana Paula Tavares, vencedora do Prémio Camões 2025, para apresentar a sua "Poesia Reunida".

A apresentação do livro "Faz de Conta", de Júlio Pereira, terá a participação do Coral Atlântico Infantil.

O programa paralelo inclui passeios, oficinas, sessões de contos, tertúlias e provas de vinhos.

A componente de feira do livro será assegurada pela Rota do Livro (que traz as principais novidades editoriais e obras dos autores convidados), a Livraria Mirabolante (com uma oferta de literatura infanto-juvenil), um espaço com alfarrabistas (coordenado por João Méndez Fernandes) e uma área dedicada à literatura africana (coordenada por Sedrick de Carvalho).

O recinto da Onda Literária está aberto das 10h00 às 23h00 e tem entrada livre.

A Onda Literária é uma organização da Câmara Municipal de Sines, através da Biblioteca Municipal de Sines / Centro de Artes de Sines.

PROGRAMA

2 outubro (sexta-feira)

10h00: Abertura do Festival

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: À conversa com o escritor Carlos Fiolhais (público escolar 4.ºs anos)

14h30: À conversa com o escritor Carlos Fiolhais (público escolar 10.º anos)

16h00: Nem Só os Livros Têm Folhas – Passeio singular pelas ruas da cidade de Sines com início no Pátio das Artes. Neste percurso pedonal, cada árvore ou planta será uma página de leitura. Vamos desfolhar as páginas verdes do nosso património urbano, descobrindo como as plantas e as árvores que nos rodeiam habitam os livros, a poesia, o romance e a nossa memória coletiva. Uma viagem onde a natureza se cruza com a literatura.

17h30: À conversa com o escritor siniense João Maurício Brás - apresentação do livro “Contra o Último Homem”

21h00: Encontro com escritor Marco Neves – Apresentação do livro “As Raízes da Língua”

3 outubro (sábado)

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: Cesta de Histórias Mirabolantes

Sessão de histórias para famílias e crianças (até aos 7 anos), a partir de livros.

Duração: cerca de 45 minutos

Por Sílvia Laureano

15h00: Tradisom: Apresentação do livro “Faz de Conta”, de Júlio Pereira com a participação do Coral Atlântico Infantil

16h00: Retratos Escritos com André Pereira

16h30: As Letras dos Vinhos – provas por Arinto e Touriga by Renata Abreu

17h00: Encontro com a escritora Isabel Ricardo - apresentação do livro “Polvinha Pitosga”

18h00: Encontro com o escritor João Pinto Coelho - apresentação do livro “Aguarela de Paris”

19h30: Encontro com o escritor Rui Zink – apresentação do livro “Olga Salva o Mundo”

21h00: Encontro com o escritor/ator André Gago – apresentação do livro “Manuscrito de Alexandria”, seguido do espetáculo “Canções para Poetas” com o pianista Victor Zamora e André Gago.

04 outubro (domingo)

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: Oficina Famílias - “Páginas de Livros”, pela equipa da Biblioteca Municipal de Sines

Duração: cerca de 60 minutos.

15h00: Tertúlia de Leitores com o Grupo de Leitores da Biblioteca Municipal de Sines e o Grupo de Leitores Siniense “Livros Avulso” – Dois grupos de leitores, duas dinâmicas, mas a mesma paixão: o amor pela literatura. Venha ouvir, partilhar e descobrir as suas próximas leituras.

16h00: Encontro com o escritor João Céu e Silva – apresentação dos livros “Uma Longa Viagem com Lídia Jorge” e “António Barreto do meu ponto de vista”

17h00: Encontro com a escritora Maria João Martins – apresentação dos livros “Natália Correia -  Entre o Riso e a Paixão” e “Isto Agora é em Off”

18h30: Encontro com a escritora/comunicadora Fátima Lopes - apresentação do livro “Entre o Medo de te Amar e a Dor de te Perder”

19h30 - As Letras dos Vinhos – provas por Arinto e Touriga by Renata Abreu

21h00: Encontro com o escritor Lourenço Seruya – apresentação do livro “Morte no Parque”

05 outubro (segunda-feira)

10h30: Abertura da Feira do Livro

11h00: Hora do Conto Famílias, pela equipa de Mediação de Leitura do CAS

15h00: À Descoberta dos Livros

Percurso pela Feira do Livro com desafios inspirados em personagens, autores e livros. As famílias recebem um pequeno mapa e vão resolvendo pistas em diferentes pontos da feira. Não é uma competição de rapidez; o objetivo é descobrir livros, conversar e observar. No final recebem uma oferta da livraria.

Duração: cerca de 45 minutos (em regime livre)

Por Sílvia Laureano / Bruno Rodrigues

16h00: Encontro com o escritor/jornalista Rui Carvalho Tovar – apresentação do livro “Os Nossos Heróis do Desporto”

17h30: Encontro com a escritora Ana Paula Tavares (Prémio Camões 2025) – apresentação do livro “Poesia reunida”

18h30: As Letras dos Vinhos – provas por Arinto e Touriga by Renata Abreu

19h00: Encontro com a escritora Filipa Fonseca Silva – apresentação do livro “A Mulher por Detrás da Parede”

21h00: Encontro com o escritor/ator Virgílio Castelo - apresentação do livro “Consumo Obrigatório”

INICIATIVAS PARALELAS E COMPLEMENTARES

Rota do Livro

A tradicional banca de venda ao público com as principais novidades editoriais e obras dos autores convidados.

Livraria Mirabolante

Espaço particularmente dedicado à Literatura Infanto-Juvenil, com uma seleção de referência.

Salão do Livro Antigo

Presença de alfarrabistas com relíquias literárias e edições raras. Coordenação de João Méndez Fernandes.

Salão do Livro Africano

Um espaço de destaque dedicado à promoção, descoberta e celebração da literatura e autores do continente africano. Coordenação de Sedrick de Carvalho.

Arinto e Touriga by Renata Abreu

O ponto de encontro perfeito entre as letras e os vinhos, elevando a experiência cultural do evento.

 

3.9.26

Opinião: Juntas não são canivetes suíços


E se as juntas de freguesia também se convertessem em bancos? A premissa foi lançada ontem pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, e encerra a bondade de procurar resolver um problema que se agrava ano após ano: o acesso a caixas Multibanco. Há mais de 1200 freguesias do país sem equipamentos para levantar dinheiro e fazer outras operações essenciais, como pagamentos de serviços. A Banca, que, em Portugal, soma lucros milionários, foi abandonando os territórios que se despovoavam e os poucos resistentes - muitas vezes, idosos isolados e vulneráveis - são forçados a percorrer quilómetros para colocar a mão nos seus euros. Primeiro, fecharam balcões, despediram trabalhadores e pouparam milhões. Depois, retiraram máquinas Multibanco e continuam a somar. E agora, até em grandes cidades do Litoral, é cada vez mais difícil encontrar estes equipamentos. A proposta, avançada pelo ministro, de converter o funcionário da Junta em caixa de banco assemelha-se a uma rendição do Governo face à incapacidade do Banco de Portugal de traçar linhas vermelhas e impedir que a busca do lucro continue a delapidar os serviços públicos essenciais. O empregado da Junta - e há muitas freguesias no Interior que nem sequer abrem a porta todos os dias - não tem de ser tesoureiro nem distribuir dinheiro a quem dele precisa. E os moradores do Interior não têm de ser obrigados a guardar o dinheiro debaixo do colchão nem a alinhar o calendário de compras com o horário de funcionamento da freguesia. Na falta de bom senso, a lei deve exigir consciência social aos banqueiros e que, também eles, contribuam para um país menos desigual. Passo a passo, as juntas transformaram-se em canivetes suíços, acumulando serviços essenciais que os privados deixaram de cumprir por gula.

Carla Sofia Luz – Jornal de Notícias - 18 de junho, 2026

 

MONTEMOR-O-NOVO: 70 Anos de Grande Sertão: Veredas



Montemor-o-Novo | Lisboa | Loulé

📅 7 a 11 de setembro de 2026

👥 Público geral

Em 2026 assinalam-se os 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, obra maior de João Guimarães Rosa e um dos grandes marcos da literatura de língua portuguesa.

🇧🇷📖 O universo roseano chega a Portugal numa celebração que cruza narração oral, criação artística e reflexão sobre literatura, território e turismo literário.

✨ Uma viagem pelas palavras, paisagens e universos de Guimarães Rosa, com passagem por Montemor-o-Novo, Lisboa e Loulé.

ÉVORA: Teatro Garcia de Resende reabre com um Setembro de palco cheio


O Teatro Garcia de Resende, em Évora, reabre as portas em setembro com uma programação que atravessa música, teatro, cinema, dança, performance e conversas, sem esquecer propostas destinadas às famílias e às escolas.

Ao longo do mês, o histórico teatro eborense recebe ainda o FIDANC – Festival de Dança Contemporânea de Évora e a abertura do CONTANÁRIO – Festival de Contos e Formas de Contar.

A programação arranca já esta quarta-feira, 2 de setembro, às 19h00, no Salão Nobre, com «Pontes sobre a Distância – Todos quantos somos», recital de Ana Filipa Luz, ao piano, e Óscar Oré, tenor, que inaugura o Ciclo Deslocar. Música e conversa cruzam-se para abordar as experiências dos dois artistas enquanto estudantes e profissionais a viver fora de Portugal e refletir sobre distância, migração, partidas, regressos e encontros.

Logo no dia seguinte, 3 de setembro, às 19h00, chega à Sala Principal «Coro dos Amantes», a primeira peça de teatro de Tiago Rodrigues. Interpretada por Cláudia Gaiolas e Tónan Quito, numa criação da HomemBala, a obra coloca um jovem casal a contar, a duas vozes, uma situação de vida ou de morte.

As versões são quase iguais, mas não completamente, num texto que acompanha a passagem do tempo e celebra a força do amor. Estreada originalmente em 2007, a peça foi revisitada pelo autor em 2021.

O cinema entra em cena no dia 7, às 19h00, através do Ciclo Take1, dedicado à programação da Nitrato Filmes. «O Jacaré», de Basil da Cunha, leva o espectador até à Reboleira, onde o desaparecimento de 180 mil euros desencadeia uma caça ao tesouro feita de alianças, traições, violência e humor. Pelo meio, espalha-se pelo bairro um rumor insólito: há um jacaré à solta.

Dois dias depois, 9 de setembro, às 18h30, o Salão leva ao Salão Nobre uma conversa sobre «Ciência e Arte», com Telma Santos e Diogo Lobo.

A participação é gratuita e quem não puder estar presente poderá acompanhar a transmissão em direto através da página de Facebook do CENDREV.

O o Ciclo Deslocar regressa a 11 de setembro, às 21h30, com «Bela Nafa», de José Braima Galissá. A expressão significa «Benefício Comum» em língua mandinga e dá nome a um projeto liderado pelo mestre griot da kora que cruza os sons da Guiné-Bissau e da África Ocidental com guitarras elétricas, baixo, bateria e percussão. O resultado propõe um encontro entre tradição e contemporaneidade num concerto de caráter festivo.

A dança e o teatro encontram-se no dia 15, às 19h00, com a companhia espanhola Karlik Danza-Teatro e «Lucia Joyce. Um pequeno drama em movimento», de Itziar Pascual.

A criação recupera a história da filha de James Joyce, apaixonada pela dança e testemunha do nascimento da dança moderna, mas também confrontada com o peso de um apelido célebre e com uma sociedade que reservava à mulher sobretudo o lugar de «musa» e não o de artista.

A dança contemporânea ganha ainda maior protagonismo com o FIDANC, organizado pela Companhia de Dança Contemporânea de Évora.

A 17 de setembro, às 21h30, Tales Frey apresenta «Tapete Vermelho», onde dois intérpretes partilham um único traje e transformam os corpos numa espécie de construção escultórica para explorar questões relacionadas com diferença, poder e classes sociais.

A 19 de setembro, à mesma hora, Nélia Pinheiro leva à Sala Principal «A vida feral na luz, sem desviar o olhar», uma reflexão sobre a memória da violência humana, a repetição dos ciclos de destruição e a possibilidade de sobreviver.

No dia 22, às 21h30, é a vez de olhar para cinco décadas de trabalho de Manuel Dias. O documentário «Manuel Dias – Variações em redor dos meus Eus», de José Coimbra e Tiago Guimarães, interroga a relação entre o marionetista e as suas marionetas e marca a abertura do CONTANÁRIO – Festival de Contos e Formas de Contar. A sessão, organizada pela associação É Neste País, tem entrada gratuita.

E uma marioneta volta a assumir o protagonismo nos dias 23 e 24, às 21h00, mas desta vez para se revoltar contra quem decide a sua vida. Em «Pouvoir», da companhia belga Une Tribu, a personagem está cansada de repetir sempre o mesmo espetáculo e de permanecer entregue aos seus manipuladores. Decide então «tomar o poder» e escolher o próprio destino, envolvendo os espectadores numa reflexão sobre liberdade, poder e a possibilidade de imaginar outro sistema. A iniciativa é organizada pela Associação Évora 2027.

A música regressa em grande plano no dia 25, às 21h30, com Pedro Burmester. Em «Chopin & Janáček», o pianista interpreta Nas Brumas, de Leoš Janáček, e várias obras de Frédéric Chopin, incluindo os célebres Noturnos e a Polonaise-Fantaisie. Produzido pela Artway, o concerto propõe uma viagem musical pelas «brumas» e pelos mistérios da noite.

Setembro termina no Garcia de Resende com uma proposta para os mais novos. «Quero um Piano», de Ana Madureira e Vahan Kerovpyan, sobe ao palco nos dias 27 e 28, às 10h30, integrado no projeto Ver&Aprender. Com música ao vivo, palavras e personagens inesperadas, o espetáculo procura criar pontes entre línguas, culturas e realidades aparentemente distantes.

A primeira sessão destina-se às famílias e ao público em geral, sendo gratuita para crianças até aos 12 anos e custando 4 euros para os restantes espectadores. No dia seguinte, será apresentada a grupos escolares e outros públicos organizados, com bilhete único de 3 euros.

À exceção de «Pontes sobre a Distância» e da conversa do Salão, que ocupam o Salão Nobre, os espetáculos decorrem na Sala Principal.

Os bilhetes para a programação têm preços entre 4 e 8 euros, de acordo com os descontos aplicáveis e salvo condições específicas de algumas iniciativas, ficando disponíveis durante a primeira semana de setembro na bilheteira do Teatro Garcia de Resende e online.

A bilheteira funciona de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30, abrindo também duas horas antes de cada espetáculo, salvo indicação em contrário. Assim, depois da reabertura das portas, setembro traz ao Garcia de Resende praticamente todas as linguagens do palco — e propostas que vão da infância ao público adulto.

Setembro 1, 2028 - por Sul Informação

 

 

 

OPINIÃO: Hoje, o dia acordou perigoso


Um relatório que junta mais de uma centena de organizações não-governamentais revelou, na semana passada, dados preocupantes sobre a deterioração do espaço público português. Apontava-se a "normalização de narrativas xenófobas", sobretudo contra imigrantes, que tinham como consequência "o aumento dos crimes de ódio" e "um ambiente hostil à defesa dos direitos humanos".

A conclusão, que não é surpreendente, é mais uma chamada à ação para inverter um declínio que se acentua. "Os tempos mais perigosos" como descreveu o vocalista dos Da Weasel, estão a adubar-se na palma das nossas mãos.

O radialista Nuno Markl publicou uma imagem de um casal interracial. Escrevia que a família era alvo de racismo. Acompanhou a fotografia de Jessica com o marido e o filho com uma série de cópias de mensagens insultuosas, criminosas, mas de pessoas que não tinham qualquer problema em dar a cara. "São pessoas para quem o racismo está tão normalizado e empoderado, que já não têm qualquer pudor em insultar uma mãe, um pai e uma criança", escreveu, proibindo os seus próprios seguidores de comentar a partilha.

É deste espaço público que falamos, de um lugar que, também em Portugal, se encolheu nas liberdades com o crescimento da extrema-direita, embalada por redes sociais e algoritmos manhosos, coniventes com os crimes.

No relatório de que falava, feito pelo Fórum Cívico Europeu e o Observatório do Espaço Cívico, apontava-se para a "crescente influência da extrema-direita", para as desenfreadas campanhas de desinformação e para o aumento dos crimes de ódio. Passos do declínio da liberdade que vão "enfraquecendo a ação cívica, a organização coletiva, a responsabilização do Estado e a participação pública". Passos perigosos que se dão à luz do dia, até com o manto da imunidade parlamentar.

·         Joana Almeida Silva - 23 de julho, 2026

 

2.9.26

B.Jazz põe Beja a respirar liberdade ao ritmo do jazz


Beja volta a celebrar o jazz como linguagem de liberdade, criatividade e paz. A partir de hoje, dia 2, e até 5 de setembro, a quarta edição do Festival B.Jazz leva ao Clube UNESCO quatro dias de concertos, conversas, cinema, fotografia e jam sessions, numa programação de entrada gratuita que junta diferentes gerações e linguagens deste género musical.

Promovido pelo Município de Beja, o festival não se limita aos concertos. O programa cruza a música com outras formas de expressão artística e com momentos de reflexão, procurando transformar o Clube UNESCO num espaço de encontro entre músicos, especialistas e público.

O B.Jazz começa na quarta-feira, 2 de setembro, às 18h00, com a inauguração da exposição de fotografia «Jazz Emotions», de Rosa Reis, na Galeria Mestre Isaclino. À noite, às 21h30, o festival muda-se para o Parque Vista Alegre, onde será exibido «Billie – Ela contou a verdade e pagou por isso», filme dedicado à vida e obra de Billie Holiday.

Na quinta-feira, dia 3, Rosa Reis regressa ao centro da programação para a conversa «Debaixo das Oliveiras – Conversa com Rosa Reis a propósito do livro Jazz Emotions», às 19h00, no Logradouro, acompanhada por apontamentos musicais de Mili Vizcaíno.

Às 21h30, Mili Vizcaíno, na voz, e João Nunes, na guitarra, apresentam no Auditório «Recalling ‘Take Love Easy’», uma recriação do álbum editado em 1974 por Ella Fitzgerald e Joe Pass. A noite termina às 22h30 com Ricardo Toscano Trio e o espetáculo «Chasing Contradictions».

A sexta-feira, 4 de setembro, começa às 15h30, na Galeria Mestre Isaclino, com António Branco e a conversa «Um pouco mais de azul: 100 Anos de Miles Davis e John Coltrane». Mais tarde, às 19h00, Beatriz Nunes conduz, no Logradouro, a conversa «Debaixo das Oliveiras – As mulheres no Jazz Português», colocando em destaque a presença e o percurso feminino no panorama jazzístico nacional.

A própria Beatriz Nunes sobe depois ao palco do Auditório, às 21h30, com o Beatriz Nunes Trio. Uma hora mais tarde, às 22h30, a música regressa ao Logradouro, onde Mário Lopes convida Tahina Rahary para mais um dos encontros musicais propostos pelo festival.

O último dia da programação, 5 de setembro, fica reservado para o Septeto Tomás Pimentel, que atua às 21h30, no Auditório. O B.Jazz despede-se já perto da meia-noite: às 23h30, o Logradouro recebe «Round Midnight», uma jam session que encerra quatro dias dedicados à descoberta e à improvisação.

Com curadoria de Mili Vizcaíno, João Nunes, João Romão, Pedro Rijo e Daniel Antunes, o festival assume como objetivos a «dinamização cultural da cidade, a formação de novos públicos e o acesso à diversidade musical do mundo», procurando aproximar diferentes públicos do jazz e das suas múltiplas linguagens.

Todos os espetáculos e atividades do B.Jazz têm entrada gratuita, embora seja necessário levantar bilhete na bilheteira do Pax Julia – Teatro Municipal de Beja. Durante quatro dias, a proposta é simples: «ouvir, descobrir, conversar e celebrar o jazz».

Setembro 2, 2026 - Sul Informação

OPINIÃO: Prolongar Almaraz: Uma má ideia com piores consequências


Rosa Martínez e Xabel Vegas (Sumar) defendem no DEMÓCRATA que prorrogar Almaraz não garante o emprego a longo prazo e reclamam uma estratégia industrial e renovável para as comarcas nucleares.

O anúncio da prorrogação de Almaraz ocorreu em agosto. Essa é a prova de quão convencida está a ala socialista do Governo de uma decisão que se situa na linha do que exigiam tanto o Partido Popular, como Vox, como o oligopólio energético.

Comecemos pelo óbvio. Há um motivo para que o fechamento das centrais nucleares que já superaram há muito sua vida útil seja feito de maneira escalonada. O motivo é, precisamente, que não se acumulem fechamentos. Manter Almaraz ativo até 2030 provoca o que, supostamente, se pretendia evitar com o calendário pactuado com as empresas em 2019, já que agora o fechamento coincidirá com o das centrais de Ascó I e Confrentes.

Alterar o calendário altera o conjunto de planejamento, e o que é mais grave, altera também os compromissos climáticos expressos pelo próprio Ministério de Transição Ecológica em seu Plano Nacional de Energia e Clima, que não será cumprido.

O objetivo desse fechamento escalonado era garantir a progressiva substituição dessas centrais que, insistimos, há muito superaram sua vida útil, por fontes de energia renovável. A prorrogação prioriza infraestruturas caras e obsoletas em detrimento de outras mais baratas, limpas e fundamentais para levar a cabo a transição ecológica. Assumir os argumentos que nos dizem que a nuclear deve ser a grande energia de reserva é alimentar o pior dos boatos. Precisamente as condições climáticas europeias neste verão deixaram sem uso útil um terço da potência nuclear disponível nos países ao nosso redor. A energia nuclear é menos resistente à tensão do calor e à escassez de água, o que encarece e dificulta sua manutenção em verões que continuamente batem temperaturas recordes.

O impulso renovável requer um Estado que queira levá-lo a cabo. Sabemos disso porque hoje pagamos as consequências da política energética do PP que bloqueou o desenvolvimento renovável no qual a Espanha e sua indústria eram pioneiras na década de 2010. Cada watt renovável que não instalamos é um watt que atrasamos para continuar dependendo de energias caras e sujas do século XX. Até mesmo os maiores defensores.

Prorrogar o calendário de fechamento não é manter o emprego a longo prazo.

O terceiro argumento que aponta o erro de prolongar a vida útil de Almaraz é que as políticas de impulso às energias renováveis são uma aposta pela transição industrial, o planejamento territorial e o reequilíbrio. A Espanha é um país que reúne duas condições fundamentais para o desenvolvimento renovável: sol e vento. O que a Extremadura precisa são projetos industriais do século XXI: baseados em eletricidade renovável barata e abundante, o desenvolvimento de tecnologias limpas e que devolvam a vida a territórios que precisam.

Porque se a atividade económica nos territórios importa, gerar alternativas sólidas e de futuro nas comarcas que, como Campo Arañuelo, vivem em boa medida das centrais nucleares é fundamental. A razão é simples: a vida das centrais não pode ser alongada de maneira infinita, algo que sabem até os maiores defensores da energia nuclear.

Prorrogar o calendário de fechamento não é manter o emprego a longo prazo. Mais bem ao contrário, é manter a dependência de uma única atividade sem pensar no futuro, nesse amanhã em que sim ou sim essa planta fechará e não haverá nada porque não se iniciou uma transição justa, uma transição energética que passa por processos de reindustrialização onde as renováveis desempenham um papel central.

Tanto o futuro quanto o presente desta e de outras comarcas não dependem da prorrogação das nucleares, mas de um plano claro, decidido e coordenado de todas as administrações públicas

Haverá quem diga -e será legítima essa inquietação- que tudo isso está muito bem, mas que os e as vizinhas de Almaraz precisam de um emprego hoje, que os comércios e empresas desta e de outras localidades precisam que a economia funcione hoje. Pois bem, há outro fato que aqueles que defendem a prorrogação das centrais nucleares ocultam: o desmantelamento de uma instalação como esta, que pode durar mais de uma década, gera mais emprego do que seu próprio funcionamento.

Portanto, tanto o futuro quanto o presente desta e de outras comarcas não dependem da prorrogação das nucleares, mas de um plano claro, decidido e coordenado de todas as administrações públicas. Um plano que, por um lado, aproveite essa geração de emprego no curto prazo, e por outro, impulse um projeto industrial sólido para o médio e longo prazo.

O PSOE se enganou, a prorrogação gerará mais custos para as pessoas consumidoras e as empresas, e também implicará mais investimento público que irá para os cofres do oligopólio. Esta decisão é um freio ao setor das renováveis e vai supor problemas no fechamento escalonado posterior, que abre a porta para que em caso de um governo de direita e extrema direita apliquem o que vêm defendendo há anos: priorizar a nuclear em relação às renováveis.

Temos as ferramentas e os recursos para garantir uma transição limpa, barata e com emprego e segurança. Vamos parar de perder tempo com decisões equivocadas.

* Rosa Martínez é co-coordenadora geral de Movimento Sumar. Xabel Vegas, secretário de Transição Ecológica Justa de Movimento Sumar.

 

AMIEIRA DO TEJO; Festas de Verão 2026

 


OPINIÃO: Mude-se a regra pela liberdade


De rosto fechado e olhos pregados ao chão e com uma camuflagem forçada que nada escondia. A imagem do menino que foi obrigado a virar a camisola do clube do coração do avesso traduz a crueza do momento e, talvez por isso e não inocentemente, o F.C. Porto a escolheu para criticar no Instagram a decisão do Académico de Viseu de travar a entrada de adeptos com roupas e adereços alusivos ao clube azul e branco para o setor destinado ao público em geral e aos adeptos dos beirões. Durante a semana, o F.C. Porto tinha alertado que o Regulamento de Segurança do Estádio Municipal do Fontelo só permitia ornamentos de outros clubes no espaço reservado aos visitantes. Infelizmente, não vivemos numa sociedade plenamente evoluída em que a convivência de adeptos - sobretudo de claques de agremiações distintas possa fazer-se em segurança sem jaulas. No entanto, duvido da ameaça que representaria aquela criança vestida de azul e branco ou de outros adeptos isolados que rumaram ao estádio, tomados pelo entusiasmo de ver o clube do coração a jogar na sua terra. Entre Porto e Viseu, distam 125 quilómetros e nem todos terão meios para vencê-los com a regularidade que o coração ditaria. Regressado ao escalão maior do futebol português ao fim de 37 anos, há regras que exigem revisão. Não é admissível que as autoridades, no caso a Liga Portugal, permitam que um regulamento limite a liberdade de quem compra um lugar para o público em geral. Nos grandes estádios e nos grandes confrontos - logo de risco maior -, é frequente verem-se amigos, casais, famílias com cachecóis de clubes distintos sentados na mesma bancada, lado a lado. E assim deve ser. E arrisco dizer que, nas visitas do Benfica e do Sporting, haverá mais adeptos a ficarem à porta, de bilhete na mão.

Carla Sofia Luz – Jornal de Notícias - 1 de Setembro, 2026s