17.10.26
OPINIÃO: Casas caras, bastonadas baratas
Não
faltará, portanto, quem olhe com simpatia para as regras que a presidente do
Peru vai impor às escolas públicas. As raparigas vão ser impedidas de usar
cores extravagantes no cabelo, minissaias, verniz nas unhas e maquilhagem. Já
os rapazes terão de optar por cortes de cabelo curto, dita a conservadora Keiko
Fujimori.
Jovens
que não levantem ondas ou que não questionem regras dão jeito a quem prefere a
obediência à liberdade. Como é óbvio, nem sempre têm razão. E ser jovem não
significa dispensar o respeito pela lei.
Mas
a carga policial a que assistimos ontem no Porto, onde há vários dias decorre
um protesto pelo direito à habitação, além de desproporcional, revela falta de
capacidade em lidar com estas situações. Política, também. As imagens que
correm nas redes sociais são claras. A Polícia alega que os manifestantes não
respeitaram a ordem de remoção das tendas que estavam montadas na Praça de D.
João I e que alguns jovens resistiram à atuação policial. Mas o que vimos foi
mais do que uma "intervenção musculada".
Faltou,
claramente, capacidade de gestão do conflito. Faltou ponderação e
proporcionalidade. Muito provavelmente, nos próximos protestos, os manifestantes
vão olhar para a Polícia como um inimigo e não como uma força protetora.
A
violência gera sempre violência. Esperemos que este não tenha sido um rastilho
difícil de controlar.
Manuel
Molinos – Jornal de Notícias - 16 de outubro, 2026
NISA: “Manhãs com História” na União de Freguesias
Nesta
sessão, o tema será «A História da Mulher», uma oportunidade para percorrer
diferentes épocas e conhecer melhor o papel das mulheres na construção da
sociedade, as suas conquistas, os desafios que enfrentaram e as transformações
que marcaram a sua condição ao longo dos séculos.
Da
luta pelo reconhecimento de direitos à conquista de novas oportunidades na
educação, na ciência, na cultura, na política e no mundo do trabalho, esta será
uma viagem pela História, dando a conhecer mulheres que desafiaram o seu tempo
e contribuíram para mudar o rumo dos acontecimentos.
Porque
conhecer a História é também compreender melhor o presente!
16.10.26
ARRAIOLOS: 𝗟𝗜𝗡𝗛𝗔 𝗗𝗘 𝗘𝗡𝗖𝗢𝗡𝗧𝗥𝗢
•
O Programa de Capacitação “Linha de Encontro”, de Évora_27 em parceria com a
CIMAC, inicia um novo ciclo, com sessões temáticas dirigidas ao setor artístico
e cultural do Alentejo.
•
O programa dirige-se a agentes culturais sediados no Alentejo — artistas,
estruturas culturais, técnicos e outros profissionais do setor — promovendo a
sua coesão e articulação.
•
Em função do número de vagas disponíveis em cada sessão, da tipologia de
formação (teórica, prática, laboratório) e da capacidade de cada espaço, será
dada prioridade aos agentes culturais sedeados no Alentejo Central, território
de intervenção da CIMAC. Aos inscritos oriundos de outras sub-regiões será dado
acesso por ordem de inscrição e até ao limite da capacidade do espaço / limite
de participação determinado pelos formadores / tipologia de formação.
👉
As sessões temáticas da “Linha de Encontro” decorrem entre março e dezembro,
com a duração de meio dia ou de um dia completo, realizando-se em regime
rotativo por vários municípios.
👉
A participação é gratuita, mediante inscrição, sessão a sessão.
Será
emitido certificado de participação por sessão
CASTELO DE VIDE: 𝐈𝐕 𝐄𝐧𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐨 𝐝𝐨 𝐂𝐢𝐜𝐥𝐨 𝐝𝐚 𝐏𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐜̧𝐚 𝐧𝐨 𝐀𝐥𝐭𝐨 𝐀𝐥𝐞𝐧𝐭𝐞𝐣𝐨
A
iniciativa, dedicada à valorização do património literário, artístico e
cultural da região, arranca no Salão Nobre dos Paços do Concelho com uma Sessão
de Abertura com a presença do Presidente da Câmara Municipal, Nuno Calixto, do
Diretor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Hermenegildo
Fernandes, e de João Filipe Bugalho, em representação da organização.
Seguem-se
apresentações temáticas de cariz académico e biográfico que culminam com o
lançamento do livro "50 Poemas de Francisco Bugalho", ao qual se
junta o anúncio formal da criação de uma bolsa para alunos de Castelo de Vide
que se distingam nas áreas da literatura e das artes.
Após
a pausa para almoço, está prevista a realização de um passeio por Castelo de
Vide com visita ao Penedo Monteiro.
É
o regresso do Encontro do Ciclo da Presença, um evento que conta com o apoio do
Município, e com o qual também se pretende realçar a estreita ligação com o
Alto Alentejo.
PÓVOA E MEADAS: 𝐕𝐈 𝐌𝐢𝐥𝐡𝐚 𝐏𝐞𝐝𝐫𝐨 𝐑𝐚𝐛𝐚𝐜̧𝐚
A
prova que abre oficialmente a nova época da Associação de Atletismo do Distrito
de Portalegre arranca a partir das 14h00 em Póvoa e Meadas.
Traquinas
ou veteranos, todos têm lugar nesta festa do atletismo que conta com o apoio do
Município de Castelo de Vide, das quatro Juntas de Freguesia do Concelho e da
Associação Cultural e Desportiva de Póvoa e Meadas.
Mais
informações e inscrições:
https://aadp.pt/competicoes/6a-milha-pedro-rabaca/
15.10.26
PORTALEGRE: Os bons, os maus e os vilões...
Reconhecida
competência por colegas e instituições.
Convidado a integrar equipas de trabalho, locais e nacionais.
Com trabalho
feito e reconhecido por todos os utentes da oncologia.
Convidado a
integrar a oncologia de outros hospitais, públicos e privados.
Reconhecida
competência profissional e humana em diversos hospitais do nosso país (e que na
minha presença assim se lhe referiram).
Só em Portalegre é que está a mais...
Não!! Não
é o médico que está a mais!
É o CONSELHO
DE ADMINISTRAÇÃO que está a mais!!
Está mais que na hora do conselho de administração...ir embora!!
( Texto
retirado da página de Facebook de Vítor Miranda, excepto o título)
ALTER DO CHÃO: Detenção por violência doméstica
No âmbito de
uma investigação, os militares da GNR realizaram diligências policiais que
permitiram apurar que o suspeito exercia violência física e psicológica contra
a vítima, sua ex-companheira, de 47 anos de idade. No decorrer da ação foi dado
cumprimento a um mandado de detenção.
O detido foi
presente no Tribunal Judicial de Fronteira, onde lhe foram aplicadas as
seguintes medidas de coação:
Termo de
identidade e residência;
Proibição de
contactos de qualquer forma e meio com a vítima, direta ou indiretamente;
Proibição de
se aproximar ou permanecer perto da residência da vítima, bem como do seu local
de trabalho num perímetro de 500 metros, fiscalizado por meios técnicos de
controlo à distancia (pulseira eletrónica).
Proibição de
adquirir ou usar armas de qualquer natureza e de adquirir ou usar objetos ou
utensílios especificamente aptos a facilitar a atividade criminosa.
Ainda no
âmbito da investigação, deu cumprimento a Mandado de Busca Domiciliária e uma
Busca Não Domiciliária, onde foi apreendido o seguinte material:
Uma arma de
detenção proibida.
A violência
doméstica é um crime público e denunciar é uma responsabilidade coletiva.
A GNR
realiza regularmente campanhas e ações de sensibilização sobre o tema da
Violência Doméstica e relembra que, se precisar de ajuda ou tiver conhecimento
de alguma situação de violência doméstica, participe:
No Portal
Queixa Eletrónica, em https://queixaselectronicas.mai.gov.pt ;
Via
telefónica, através do número europeu de emergência 112;
No Posto da
GNR mais próximo à sua área de residência, tendo os nossos contactos sempre à
mão em www.gnr.pt/contactos.aspx;
Na aplicação
App MAI112 disponível e destinada exclusivamente aos cidadãos surdos, em
http://www.112.pt/Paginas/Home.aspx;
Na aplicação
SMS Segurança, direcionada a pessoas surdas em www.gnr.pt/MVC_GNR/Home/SmsSeguranca.
MARVÃO: 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐞𝐫𝐭𝐨 𝐎𝐫𝐪𝐮𝐞𝐬𝐭𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐒𝐨𝐩𝐫𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐀𝐥𝐭𝐨 𝐀𝐥𝐞𝐧𝐭𝐞𝐣𝐨
O
evento reúne músicos de várias bandas filarmónicas da região, num espetáculo
que representa o talento, a dedicação e a riqueza da tradição musical da
região.
A
iniciativa, que pretende valorizar a cultura e reforçar os laços entre os
Concelhos do Alto Alentejo, é organizada pela Academia Internacional de Marvão
para a Música, Artes e Ciências e tem entrada livre.
Abrantes recebe doçaria de todo o país na XXIV Feira Nacional de Doçaria Tradicional
A Esplanada 1º de Maio, no Centro Histórico de Abrantes, volta a ser palco da Feira Nacional de Doçaria Tradicional, nos dias 23, 24 e 25 de outubro. Sob o tema "O Azeite na Doçaria Portuguesa", o certame, que reúne doçaria de todo o país e ilhas, dará especial destaque às Broas Fervidas, sem esquecer dois dos mais emblemáticos doces do concelho: a Palha de Abrantes e as Tigeladas de Abrantes.
14.10.26
OPINIÃO: Só não vê quem não quer
Não vale a
pena perder muito tempo em considerações sobre o caso, porque se espera que as
autoridades façam o que lhes compete. Nem será produtivo tentar rebater os
argumentos falsos e a desinformação em que o Chega é tão eficaz. O que importa
sublinhar é o olhar benevolente que continua a ser lançado sobre comportamentos
criminosos e que atentam contra valores democráticos. Apesar de todas as
evidências de que o partido não respeita a lei, desconsidera o Tribunal
Constitucional, viola sistematicamente o Regimento da Assembleia da República,
assume à boca cheia a intenção de alterar a Constituição e subverter o sistema
político, continua a haver atores políticos relevantes em partidos fundadores
da nossa democracia que tratam o Chega como um parceiro confiável e admitem
deitá-lo na sua cama. Se há coisa que André Ventura e companhia têm mostrado
com clareza é ao que vêm e o que farão se tiverem oportunidade de estar no
poder. Quem não vê, só pode mesmo estar muito distraído.
Inês Cardoso
– Jornal de Notícias -14 de outubro, 2026
PORTALEGRE: Biodanza na Cooperativa Operária
A Biodanza é
uma prática que alia movimento, música e encontro humano, contribuindo para o
bem-estar físico, emocional e social, num ambiente seguro, descontraído e
acolhedor.
🟢 Aula de Biodanza: +55 anos
📅
Data: 21 de outubro 2026
🕘
Hora: 10h
📍
Local: Ginásio da Cooperativa Operária Portalegrense
👩🏫
Facilitadora: Graciete Trindade (Biodanza® SRT – Facilitadora)
“Quando um
‘velho’ dança, ele nada tem de velho excepto o seu cabelo, o seu espírito ainda
é jovem.” Luciano de Samósata
A
participação requer inscrição prévia, pelo que agradecemos que confirme a sua
presença através dos contactos habituais:
📞
Telemóvel: 925 590 356
📧
Email: cooportalegrense@gmail.com
📘
Facebook: @cooportalegrense
Contamos
consigo para viver este momento de movimento, expressão e alegria de viver.
Traga roupa confortável e vontade de participar!
13.10.26
MULHERES: O XII Congresso do MDM está a chegar!
💗
O que é o MDM?
É
um movimento plural e democrático, que luta há décadas por uma sociedade mais
justa e livre de discriminação. Como diz o nosso lema: "A força de ser
movimento, a razão de ser democrático, a alegria de ser mulher."
🎀
Os temas em debate:
Vamos
falar sobre prostituição e mercantilização, maternidade, saúde, habitação,
trabalho e precariedade, paz e soberania, e todas as formas de violência
(doméstica, digital, obstétrica, sexual e no namoro).
🌷
Um olhar sobre o Alentejo e a IVG:
Não
podemos ignorar a realidade do interior. O despovoamento e a falta de serviços
públicos essenciais deixam as mulheres alentejanas numa situação de grande
vulnerabilidade.
Um
exemplo gritante é o acesso à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Apesar
de ser um direito conquistado, está a ser negado na prática. Só em 2023, 72%
das mulheres do Alentejo tiveram de sair da região para conseguir realizar uma
IVG, devido à falta de médicos no SNS e à objeção de consciência sem regulação.
💖
O MDM é claro: nenhuma mulher pode ser usada para legitimar políticas que
retiram direitos a todas as outras. Não permitiremos retrocessos!
💓
É preciso organizar, denunciar, mobilizar e lutar!
Estarmos
organizadas é essencial para resistir aos ataques aos direitos das mulheres e
enfrentar uma ofensiva política e ideológica que procura impor retrocessos. É
preciso defender cada direito conquistado e conquistar os que continuam por
cumprir. A nossa força está na união!
🗓️
Data: 24 de Outubro de 2026
📍
Local: Fórum Lisboa, Lisboa
🎀
Direitos. Dignidade na vida. Nem um direito a menos. Todos os direitos para
todas!
🌸
Junta-te a nós nesta luta!
OPINIÃO: Chega sem lei
Não
é difícil perceber o objetivo. É criar ruído, confusão e fazer uns vídeos para
as redes sociais a mostrar que são muito fortes e decididas, para gáudio de um
grupo de aficionados (alguns verdadeiros e outros que serão apenas bots de
reprodução de conteúdos). Pelo caminho, ficam as leis que as senhoras deputadas
deveriam defender e enxovalham ainda mais as instituições nacionais. Recordo
que um dos deveres dos legisladores que nos representam no Parlamento é
"respeitar a dignidade da Assembleia da República e dos Deputados", o
que claramente não aconteceu.
Não
é difícil perceber o objetivo. É criar ruído, confusão e fazer uns vídeos para
as redes sociais a mostrar que são muito fortes e decididas, para gáudio de um
grupo de aficionados (alguns verdadeiros e outros que serão apenas bots de
reprodução de conteúdos). Pelo caminho, ficam as leis que as senhoras deputadas
deveriam defender e enxovalham ainda mais as instituições nacionais. Recordo
que um dos deveres dos legisladores que nos representam no Parlamento é
"respeitar a dignidade da Assembleia da República e dos Deputados", o
que claramente não aconteceu.
·
Luís Pedro Carvalho – Jornal de
Notícias - 13 de outubro, 2026
FRONTEIRA: 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐢𝐧𝐭𝐮𝐫𝐚 🎨
Contamos com
a sua visita!
Comer: uma decisão que não tomamos sozinhos
É uma frase
que ouço frequentemente em consulta. E há algo de paradoxal nela. Afinal, se
aquilo que comemos é saudável, como pode fazer-nos sentir mal?
Neste Dia Mundial da Alimentação, como médica gastrenterologista, gostaria de partilhar uma reflexão sobre a extraordinária complexidade da alimentação. A ideia de que a alimentação pode ser terapêutica é antiga. Contudo, numa época em que somos constantemente expostos a novas dietas, alimentos enriquecidos com nutrientes ou reduzidos em calorias, açúcares e gorduras, talvez seja útil voltar ao princípio: antes de escolhermos o que comer, precisamos de perceber porque comemos.
Falamos
habitualmente de fome, como se fosse uma coisa simples. Mas não é.
Existe a
fome homeostática, que resulta das necessidades energéticas do organismo e é
regulada por uma complexa rede que envolve o cérebro, o estômago, o intestino e
várias hormonas. É a fome que nos lembra de que precisamos de energia.
Temos também
a fome hedónica: comemos porque gostamos, porque determinado alimento nos dá
prazer, porque estamos cansados, stressados ou porque associamos o alimento a
uma memória. A comida não alimenta apenas o corpo. Alimenta também emoções,
relações e cultura.
Há ainda uma
dimensão fascinante que estamos apenas a começar a compreender: a influência da
microbiota intestinal nas nossas escolhas alimentares. Os milhares de milhões
de microrganismos que habitam o nosso intestino produzem moléculas capazes de
influenciar os mecanismos de fome, saciedade e comunicação entre o intestino e
o cérebro. Uma relação cuja verdadeira dimensão ainda estamos a descobrir.
Temos, por
fim, que considerar o papel da cultura nas nossas escolhas alimentares. Num
país onde nos relacionamos à volta de uma mesa, comer é raramente apenas uma
questão biológica. Aprendemos desde cedo que determinados alimentos são uma
recompensa, que uma refeição é uma demonstração de afeto e que “merecemos”
aquela sobremesa depois de um dia difícil.
Então,
quantas das nossas escolhas alimentares são realmente escolhas conscientes? E,
quantas são hábito, prazer, memória, emoção ou necessidade?
Talvez por
isso, a pergunta “o que é saudável?” seja menos simples do que parece.
Para alguém
com síndrome do intestino irritável, por exemplo, um alimento nutricionalmente
equilibrado pode contribuir para sintomas digestivos. Um abacate ou uma maçã
podem ser perfeitamente saudáveis e, ainda assim, não serem bem tolerados por
determinada pessoa.
Isto não
significa que devamos ter medo da comida. Significa que devemos aprender a
compreendê-la e, sobretudo, a escutar o nosso corpo.
Neste Dia
Mundial da Alimentação, convido-vos a parar antes da próxima refeição e a
perguntar: Tenho fome? Tenho vontade de comer? Procuro conforto? Estou
simplesmente a repetir um hábito?
Porque, aquilo que colocamos no prato resulta, na verdade, de uma conversa silenciosa entre o nosso corpo, o cérebro, o intestino, as emoções, a nossa história e a sociedade em que vivemos.
Talvez a
alimentação saudável não seja aquela que obedece à mais perfeita lista de
regras, mas aquela que consegue alimentar o corpo sem esquecer a pessoa que
existe dentro dele.
E, talvez,
seja essa a reflexão mais importante neste Dia Mundial da Alimentação: não
precisamos apenas de aprender o que devemos comer, precisamos também de
compreender porque comemos.
Porque comer é uma decisão que parece nossa, mas que, na verdade, não tomamos sozinhos.
·
Artigo escrito por Mónica Velosa, Médica
Gastrenterologista, Presidente do Núcleo de Neurogastroenterologia e Motilidade
Digestiva (NMD) da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG)
FRONTEIRA: 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐒𝐨𝐩𝐚 – 𝐃𝐢𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐀𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨
Junte-se a
esta iniciativa saborosa e não se esqueça de trazer a sua tigela e colher de
casa! Contamos com a vossa presença.
MANEIRAS DE VER: Fascismo em França, o grande mal-entendido
Conversa com
Miguel Duarte, Paula Godinho e Fernando Ramalho com moderação por Sandra
Monteiro
Entrada
livre
Livraria
Tigre de Papel
Rua de
Arroios, n.º 25 (Lisboa)
Nas eleições
presidenciais de 2027 estará em jogo, não a alternância no poder, mas uma
possível rutura. Qual? Para evitar a rutura que a vitória do Rassemblement
National provocaria, uma parte da esquerda mobiliza-se contra o risco do
fascismo. E negligencia uma outra hipótese…
12.10.26
DEBATE: Serviço público, gestão privada: que futuro para o SNS?
Com
Francisco Ramos, Guadalupe Simões, Mário André Macedo e Joana Mira Godinho.
Org: Causa Pública
Lisboa,
Livraria Almedina (Atrium Saldanha), 18h30
NOBEL DA PAZ: Navi Pillay: um Nobel pela justiça, pela Palestina e contra a impunidade
Da memória do genocídio à construção do direito
Navi Pillay não chegou à defesa dos direitos humanos por conveniência, nem descobriu o direito internacional quando este se tornou politicamente oportuno. Nascida em Durban, em 1941, numa família sul-africana de origem tâmil, construiu o seu percurso profissional sob o apartheid, um sistema que fazia da discriminação racial uma política de Estado. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. Como advogada, defendeu opositores do apartheid, denunciou abusos e contribuiu para a defesa dos direitos de pessoas presas pelo regime. A sua trajetória inscreve-se, assim, na mesma longa luta de que Nelson Mandela foi uma figura maior: a luta para que a lei deixasse de servir a opressão e passasse a proteger a liberdade e a igualdade.
A
importância de Pillay não se limita, contudo, à coragem de enfrentar um regime
injusto. A sua obra demonstra algo mais difícil: a capacidade de transformar
princípios morais em instrumentos concretos de justiça.
Em 1995, depois do fim do apartheid, foi nomeada juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda. Presidiu a esse tribunal entre 1999 e 2003, num período decisivo para o desenvolvimento da justiça penal internacional após o genocídio cometido no Ruanda em 1994. A sua contribuição ficou particularmente ligada ao processo de Jean-Paul Akayesu, cuja sentença histórica reconheceu que a violação e outras formas de violência sexual podem constituir atos de genocídio quando praticadas com a intenção específica de destruir, no todo ou em parte, um grupo protegido. A decisão ajudou a romper com uma tradição de silêncio jurídico em torno da violência sexual usada como arma de perseguição e destruição coletiva.
A relevância desse trabalho é extraordinária e marcante. Os genocídios não começam apenas com os cadáveres: são precedidos pela desumanização, pela propaganda, pela exclusão e pela convicção de que certas vidas valem menos do que outras. Ao contribuir para que a violência sexual e a propaganda de ódio fossem tratadas com a gravidade jurídica que merecem, Pillay ajudou a alargar o alcance da justiça e a dar nome a crimes que, durante demasiado tempo, tinham sido tolerados ou minimizados.
Em
2003, passou a integrar o Tribunal Penal Internacional, dedicado ao julgamento
de indivíduos acusados dos crimes mais graves que preocupam a comunidade
internacional. Entre 2008 e 2014, exerceu o cargo de Alta-Comissária das Nações
Unidas para os Direitos Humanos. Nessa função, a sua responsabilidade não era
defender governos ou alianças geopolíticas, mas os direitos das pessoas, mesmo
quando essa defesa incomodava os Estados mais poderosos.
O
seu percurso inclui ainda a participação, como juíza ad hoc do Tribunal
Internacional de Justiça, no processo relativo à Convenção sobre o Genocídio
instaurado pela Gâmbia contra Myanmar, relacionado com a perseguição dos
rohingya. E, entre 2021 e 2025, presidiu à Comissão Internacional Independente
de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestiniano Ocupado,
incluindo Jerusalém Oriental, e Israel.
É
um currículo que não se resume à acumulação de títulos. Representa uma linha
coerente: a convicção de que a justiça não pode depender da identidade do
acusado, da influência dos seus aliados ou da conveniência política do momento.
Gaza:
a coragem de nomear o que se investiga
Foi
no contexto do genocídio da população palestiniana cometido desde 2023 por
Israel – com a colaboração ativa dos Estados Unidos, do Reino Unido, União
Europeia, Austrália, Canadá e muitos outros países ocidentais, e com a
permissividade passiva da maioria dos países árabes, da Rússia e da China
- e da completa destruição de Gaza que a
autoridade de Pillay adquiriu uma nova dimensão política. Em setembro de 2025,
a Comissão de Inquérito da ONU por ela presidida concluiu que Israel tinha
cometido genocídio na Faixa de Gaza. O relatório identificou atos abrangidos
pela Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio e analisou a
intenção genocida à luz das provas examinadas pela Comissão.
Embora
não se trate – ainda... - de uma
sentença definitiva do Tribunal Internacional de Justiça no âmbito do processo
instaurado pela África do Sul contra Israel, esta conclusão de uma comissão
independente de inquérito das Nações Unidas tem uma gravidade que não pode ser
subestimada e torna ainda mais urgente que as provas sejam examinadas, que as
vítimas sejam protegidas e que os responsáveis sejam sujeitos a mecanismos
credíveis de responsabilização.
Israel
rejeitou as acusações de genocídio. Essa rejeição, tal como qualquer
contestação apresentada pelas partes, deve ser considerada nos procedimentos
competentes. Não confere, porém, ao Estado acusado o direito de desqualificar
quem investiga, de desacreditar previamente qualquer conclusão desfavorável ou
de exigir que a comunidade internacional suspenda o seu juízo moral até que a
realidade deixe de ser politicamente incómoda.
O mérito de Navi Pillay está precisamente em não ter tratado a gravidade das alegações como motivo para o silêncio. Quando a destruição de vidas, de habitações e de condições essenciais à sobrevivência de uma população exige investigação, a obrigação dos juristas e das instituições internacionais é examinar os factos e aplicar o direito — não proteger a reputação dos poderosos que estão a ser acusados.
A população palestiniana não precisa de ser transformada em símbolo abstrato para merecer justiça. Precisa de ser reconhecida como um conjunto de seres humanos com direito à vida, à segurança, à dignidade, à autodeterminação, à propriedade dos seus bens, à devolução do que lhe foi roubado, à reparação dos danos que lhe foram infligidos e à proteção contra crimes internacionais. A universalidade dos direitos humanos só tem significado se também abranger quem vive sob ocupação, cerco, deslocação forçada e guerra.
Um
Nobel que é, inevitavelmente, uma posição política
O
Nobel da Paz nunca é inteiramente alheio à política. A escolha de uma pessoa ou
de uma causa transmite uma visão do júri do prémio sobre o que merece
reconhecimento e sobre os princípios que a comunidade internacional deve
preservar. Já houve prémios Nobel anteriores a transmitir as mais diversas
mensagens. Neste caso, a atribuição a Navi Pillay tem, em minha opinião, duas
mensagens principais especialmente claras.
A
primeira é a de que a paz não é apenas a ausência de guerra; exige justiça,
responsabilização e respeito pelo direito. Premiar Navi Pillay é, por isso,
defender a legitimidade do Tribunal Penal Internacional e do Tribunal
Internacional de Justiça. É defender a possibilidade de investigar crimes
internacionais mesmo quando os suspeitos ocupam cargos de chefia, comandam
exércitos ou dispõem de aliados poderosos. É rejeitar a ideia de que a
soberania nacional pode ser invocada como escudo absoluto contra a
responsabilização.
A
segunda mensagem é a de que a população palestiniana está a ser vítima de
crimes de dimensão monstruosa – entre os quais o crime de genocídio – por parte
de Israel e dos seus aliados e que esses crimes necessitam ser denunciados por
todas as instituições com voz internacional e julgados pelas instituições
judiciais internacionais.
Um
Nobel pela defesa do direito internacional
O
Tribunal Penal Internacional e o Tribunal Internacional de Justiça têm funções
diferentes. O primeiro julga a responsabilidade penal individual por crimes da
sua competência; o segundo resolve litígios entre Estados e emite pareceres
consultivos. São escrutináveis, como o devem ser todas as instituições que
exercem poder. Mas a sua legitimidade não pode depender de produzirem apenas
decisões agradáveis às grandes potências. Se a justiça internacional só puder
atuar contra os fracos, não será justiça: será uma extensão da hierarquia do
poder.
Assim,
a escolha do Nobel entra em confronto com as políticas da administração de
Donald Trump e do governo de Israel. Em fevereiro de 2025, Trump assinou uma
ordem executiva que autorizou sanções contra pessoas associadas ao Tribunal
Penal Internacional, apresentando a atuação do tribunal contra os Estados
Unidos e aliados, incluindo Israel, como ilegítima. A medida traduziu uma oposição
frontal à capacidade de uma instituição internacional independente investigar e
responsabilizar indivíduos quando estão em causa interesses norte-americanos ou
de países aliados. A crítica só pode ser inequívoca: um Estado que se proclama
defensor da liberdade não fortalece o Estado de direito quando procura
intimidar juízes e funcionários judiciais por exercerem as suas funções. E um
governo que considera aceitável a justiça internacional apenas quando esta
julga os adversários está a defender privilégio, não princípio.
Israel,
por seu lado, contestou a jurisdição do Tribunal Penal Internacional e rejeitou
os mandados de prisão e as acusações formuladas contra os seus dirigentes.
Também aqui é necessário distinguir a contestação jurídica legítima de uma
estratégia política de deslegitimação das instituições. Nenhum Estado tem de
concordar com todas as decisões de um tribunal; todos, porém, devem abster-se
de converter o desacordo numa pretensão de imunidade absoluta. O direito
internacional não pode valer para a Ucrânia, para o Sudão ou para Myanmar e
deixar de valer quando o acusado é Israel, os Estados Unidos ou qualquer outro
país influente.
A
crítica é dirigida diretamente às decisões dos governos, às políticas que
protegem aliados da responsabilização e às tentativas de enfraquecer mecanismos
judiciais independentes.
Quanto
aos Estados Unidos, a crítica exige questionar a responsabilidade política de
uma potência que continua a armar e apoiar Israel enquanto se acumulam
acusações de violações graves do direito internacional e que, ao mesmo tempo,
toma medidas contra responsáveis do tribunal que emitiu mandados relativos a
dirigentes israelitas. A assistência militar, a cobertura diplomática e a
pressão sobre instituições de justiça não são pormenores exteriores ao
conflito; são escolhas políticas com consequências humanas. Se há uma obrigação
elementar para os Estados com maior poder, é usar essa influência para prevenir
atrocidades, proteger civis e apoiar investigações independentes — não para criar
exceções em benefício dos aliados. A prevenção do genocídio não pode ser
reduzida a uma fórmula diplomática, invocada em discursos e esquecida quando a
sua aplicação ameaça relações estratégicas.
A mesma exigência deve ser aplicada a Israel. O sofrimento histórico do povo judeu, incluindo o Holocausto, impõe uma responsabilidade permanente de memória e de oposição à perseguição; não constitui, nem pode constituir, uma autorização para violar os direitos de outro povo. A memória das vítimas não deve ser instrumentalizada para silenciar as vítimas do presente. A universalidade da justiça exige que a vida dos palestinianos e dos israelitas tenham sejam valorizadas do mesmo modo. A universalidade da justiça exige também o cumprimento da decisão do Tribunal Internacional de Justiça considerando ilegal a ocupação dos territórios palestinianos e impondo a Israel que terminasse essa ocupação num prazo já ultrapassado.
Defender o direito internacional é defender a paz
A
grande lição da carreira de Navi Pillay é que a paz não se constrói pedindo às
vítimas que esperem indefinidamente, nem recomendando prudência apenas a quem
sofre. Constrói-se através de instituições capazes de apurar factos, proteger
pessoas, julgar responsabilidades e impor limites ao poder. O direito
internacional não substitui a política, mas deve estabelecer os limites dentro
dos quais a política atua. Não elimina os conflitos, mas impede que a força
seja a única linguagem reconhecida. Não garante que todos os crimes sejam
punidos, mas recusa que a impunidade seja apresentada como um direito dos
poderosos.
O
Nobel atribuído a Navi Pillay ultrapassa a homenagem individual. É um
reconhecimento de décadas de trabalho jurídico e institucional, mas também um
voto de confiança na ideia de que nenhum ser humano deve ser abandonado à
arbitrariedade do Estado. É uma defesa do Tribunal Penal Internacional e do
Tribunal Internacional de Justiça num momento em que as suas competências são
contestadas precisamente quando se aproximam de interesses politicamente
sensíveis. E é uma afirmação de solidariedade com a população palestiniana,
cuja proteção e cujos direitos não podem ficar dependentes de alianças
militares ou de cálculos eleitorais.
O
prémio não substitui uma investigação, não decide um processo judicial e não
transforma uma conclusão institucional numa sentença. Faz algo diferente, mas
essencial: reconhece a coragem de quem insiste em que os factos sejam
examinados e o direito aplicado, mesmo quando o custo político é elevado. Neste
sentido, poderia ter sido atribuído a Francesca Albanese, a sofrer os custos de
sanções pessoais por parte do governo dos Estados Unidos apenas por ter
escrutinado o seu papel no genocídio em curso.
Navi
Pillay merece o Nobel da Paz porque fez da justiça uma prática. Porque ajudou a
alargar o reconhecimento jurídico dos crimes de violência sexual em contexto de
genocídio. Porque, no caso de Gaza, presidiu a uma comissão que chegou a uma
conclusão – a que que Israel está a
cometer o crime de genocídio contra a população palestiniana de Gaza - de
enorme gravidade e que deve ser enfrentada através de provas, procedimentos e
responsabilização — não através de intimidação.
E
porque, num mundo em que governos poderosos procuram frequentemente escolher as
regras que lhes convêm, a sua trajetória recorda uma verdade simples: o direito
internacional só tem futuro se for aplicado também aos fortes.
A
atribuição do Nobel a Navi Pillay é, portanto, uma escolha justa e necessária.
É um elogio à coragem jurídica, uma defesa da universalidade dos direitos
humanos e uma crítica legítima a quem pretende enfraquecer a justiça
internacional para proteger os seus próprios interesses. É, acima de tudo, uma
declaração de que a paz sem justiça é apenas uma pausa entre violências — e de
que a dignidade humana não pode depender da bandeira que se ergue sobre quem
sofre.
O Nobel atribuído a Navi Pillay é um Nobel pela justiça e um Nobel contra a impunidade.
Paulo
Antunes Ferreira – in www.esquerda.net - 10 de outubro 2026
SINES: Caminhada " Outubro Rosa
A
participação na iniciativa terá um valor solidário, revertendo a favor do
Nucleo de Sines - Missão Coragem Associação, entidade que desenvolve um
importante trabalho de apoio a doentes oncológicos e respetivas famílias.
Inscrições
👇
269
752 260 | grupo.repsol@sapo.pt
926
500 766 | nucleosinesmc@hotmail.com
SINES: Concerto “Entre o Fado e a Morna”
Nascida
em Bragança, filha de pais cabo-verdianos, Elisabete da Veiga é um exemplo da
fusão entre culturas. Descobriu a paixão pelo fado em 2004 e iniciou o seu
percurso musical na emblemática Tasca do Chico, em Lisboa, passando depois por
prestigiadas casas de fado e palcos internacionais.
Ao
longo da sua carreira, participou em festivais na Escócia e na Polónia e
integrou projetos como VOICES, Fado Morna e Fado Dançado, explorando as
ligações entre diferentes expressões musicais.
O espetáculo resulta de uma parceria entre o Município de Sines / Centro de Artes de Sines e a Associação Caboverdiana de Sines e Santiago do Cacém, no âmbito do projeto “(A) Cultura-te – Interculturalidade na Cidade”.
Entrada gratuita, mediante levantamento de bilhete.
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)






















.jpg)



