O
Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e Orquestra, de Camille
Saint-Saëns, um passeio à volta de Pedreirinhos e um mergulho no mar alentejano
do Miocénico. Esta é a proposta para mais um fim de semana, nos dias 18 e 19 de
Abril, do Festival Terras sem Sombra, que volta ao concelho de Ferreira do
Alentejo.
Tudo
começa no sábado à tarde, com a atividade de Património denominada «Dos
Pedreirinhos a São Pedro: Histórias da Vila de Ferreira do Alentejo» –, numa
visita à memória tangível e intangível da sede de concelho.
Prossegue
à noite, com o concerto O Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e
Orquestra, de Camille Saint-Saëns, numa produção que junta excecionais músicos,
teatro e comunidade local.
E
culmina na manhã de domingo, 19 de abril, com uma viagem no tempo, guiada pela
Paleontologia, até ao período em que o território do atual Baixo Alentejo era
um imenso mar raso: «Ontem um Oceano, Hoje um Rio: Tubarões e Raias Fósseis na
Bacia de Alvalade».
Todas
as atividades são de acesso livre e gratuito.
Um concerto a convocar a participação da comunidade local
Numa
noite mágica, «O Carnaval dos Animais – Peça para Dois Pianos e Orquestra, de
Camille Saint-Saëns» convoca uma dimensão cénica que envolve músicos
experientes, crianças e jovens de diferentes origens e as suas famílias, também
a comunidade sénior, assim como elementos da Universidade Popular, chamados a
participar na construção e na fruição do espetáculo.
A
este quadro junta-se a singularidade do edifício onde decorre o concerto.
Projetado pelo arquiteto português Ricardo Bak Gordon, o Lagar do Marmelo
afirma-se como uma intervenção de grande clareza formal, onde a
horizontalidade, o uso do betão e a relação com a luz estruturam um espaço
pensado em continuidade com o olival envolvente.
O
concerto conta com a direção musical da belga Eliane Reyes que, ao lado da
portuguesa Luísa Tender, assume igualmente o piano.
A
formação congrega ainda Alexandra Mendes e Luís Santos (violinos), António José
Pereira (viola), Irene Lima (violoncelo) e Adriano Aguiar (contrabaixo), aos
quais se juntam Katharine Rawdon (flauta), Carlos Alves (clarinete) e André
Dias (percussão), num conjunto que cruza experiência solística e trabalho de
câmara.
Acresce
que, nos últimos meses, crianças e jovens das escolas locais, com origens e
histórias diversas, estudaram os animais e desenharam-nos, contribuindo para o
universo visual do espetáculo; algumas participam em cena e dão corpo a essas
figuras. Liga-os um território comum: o da música, onde as diferenças se
esbatem.
A
presença em palco de executantes magistrais desta obra oitocentista e a
participação do Grupo de Teatro Ritété – responsável pela narração do texto de
Francis Blanche –completam um projeto singular, que reúne música, teatro e
comunidade.
Descobrir
o património material e imaterial de Ferreira do Alentejo
A
anteceder a noite de grande música, a tarde de sábado, 18 de abril (15h00),
convoca todos os interessados a participar na atividade de Património Cultural,
intitulada «Dos Pedreirinhos a São Pedro: Histórias da Vila de Ferreira do
Alentejo».
Com
ponto de encontro na igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Ferreira do
Alentejo, a visita é orientada por Maria João Pina, historiadora e diretora do
Museu Municipal de Ferreira, António Ramos, comerciante, Jorge Colaço, editor e
tradutor, e ainda José António Falcão, historiador de arte e investigador do
Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta.
A
atividade estrutura-se como um percurso que cruza memória rural, organização
comunitária e transformação do território.
O
topónimo Pedreirinhos remete para um dos núcleos mais antigos da vila, ligado à
extração de pedra e às primeiras formas de fixação populacional, enquanto a
ermida de São Pedro surge como outro eixo fulcral da vida religiosa e social,
complementar da presença da igreja matriz e das dinâmicas paroquiais que
marcaram gerações.
Nessa
ermida, conserva-se a imagem de Nossa Senhora que, segundo velha tradição, foi
doada por um navegante, o fidalgo Cristóvão Estribeiro, que acompanhou Vasco da
Gama no primeiro périplo à Índia.
Entre
estes dois pontos constrói-se uma narrativa feita de trabalho agrícola,
circulação de pessoas e adaptação às mudanças económicas do Baixo Alentejo.
Um
mergulho, guiado pela Paleontologia, num mar alentejano do Miocénico
O
domingo, 19 de abril (9h30), propõe um olhar sobre o passado remoto. A ação
dedicada à biodiversidade assenta no tema «Ontem um Oceano, Hoje um Rio:
Tubarões e Raias Fósseis na Bacia de Alvalade».
Com
ponto de encontro, mais uma vez, na igreja de Nossa Senhora da Conceição,
esta iniciativa corre a cargo de Ausenda Balbino Cáceres, paleontóloga e
professora da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora.
A
«Bacia de Alvalade» conserva vestígios de um passado geológico em que a região
esteve submersa por mares pouco profundos.
Os
sedimentos aí depositados, sobretudo do Miocénico (entre 23 e 5 milhões de
anos), revelam a presença de uma fauna marinha diversificada, incluindo
tubarões e raias cujos dentes fossilizados são hoje os testemunhos mais
frequentes.
Estes
achados permitem reconstituir ambientes costeiros antigos e compreender a
evolução das espécies ao longo de milhões de anos.
O
TSS prossegue a sua programação a 2 e 3 de maio, no concelho de Grândola, com
um concerto do ensemble vocal polaco Art’n’Voices: «Fragmentos do Eu: Oito
Vozes, uma Alma».
Abril
8, 2026 - Sul Informação











.jpg)







.jpg)










