O progresso
em competição faz ensaiar outros passos e desbravar outras cidades. Portugal
conduz as expectativas para que também haja Dallas e Los Angeles. O futebol é
motor de sonhos, mais ainda um Mundial, onde se conjugam forças e poderes, onde
se partilha a festa que nasceu para ser abrangente para os adeptos de todos os
credos e cores. E, neste particular, o Mundial de 2026 tem uma mancha em
relação ao Irão. A FIFA deixou dominar-se por guerras políticas que percorrem a
atualidade e a prova mais bela do planeta perdeu credibilidade, honestidade e
igualdade.
O Irão ficou
com a participação encerrada na fase de grupos, sem perder, deixando rasto de
bom futebol, de domínio em todos os jogos, sem abraçar essa expressão justa de
superioridade no marcador. E mais valor recolhem os persas por passarem um
atestado de competência em condições adversas, brigando contra
constrangimentos, que ameaçaram uma presença nos Estados Unidos. Chegaram
tarde, foram obrigados a recalcular rota de Tucson para Tijuana, bafejados em
boa hora pelo carinho mexicano.
De jogo em
jogo, partindo da Nova Zelândia, passando pela Bélgica e acabando no Egito
foram enxovalhados por um desgaste patético de só poderem viajar 24 horas antes
de cada jogo, perdendo impacto de adaptação nas cidades dos confrontos, casos
de Los Angeles e Seattle. Foi a seleção do grupo que se sujeitou a viagens mais
pesadas, confrontada sempre com limites na logística, chegando aos Estados
Unidos com um peso aberrante de diferenciação face ao resto. Os Estados Unidos
não quiseram saber e a FIFA descuidou o tratamento mais adequado a um país que
se confrontou com um Mundial que violou os mais elementares cânones
desportivos.
Taremi soube
projetar a voz de capitão a quem tutela a competição, expondo a traição de
promessas de uma normalização da presença iraniana que saiu defraudada. O Irão
ainda se despediu do Mundial sem perder, com golos bizarros anulados e com um
golpe ainda mais duro que foi um empate logrado noutro campo pela Áustria aos
90+6. O futebol iraniano foi vencedor, a seleção uma campeã numa mentalidade
indestrutível perante um emaranhado de problemas, nunca se encolhendo tanto a
FIFA como anjo protetor de abusos e tiranias desde o Mundial de 1978, da
ditadura argentina. Não se via desde então uma competição tão ferida e
martirizante para um competidor.
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Pedro Cadima - 1 de julho, 2026



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