19.10.17

MEMÓRIA: Desportivo de Santana já tem sede social (OUT. 2006)

Sonho antigo tornado realidade
Foi uma luta, persistente, de muitos anos até ver concretizado o sonho de uma sede social. A inauguração, festiva e solene, aconteceu no passado sábado. A data vai ficar na história do clube e da freguesia de Santana, já que, como foi afirmado, é uma casa de todos e para todos. Para servir a comunidade. O Clube Desportivo e Recreativo de Santana, prestes a completar 30 anos de vida está de parabéns.
A localidade de Arneiro e toda a freguesia de Santana estiveram em festa no passado sábado. O motivo foi a inauguração da sede social do Clube Desportivo e Recreativo de Santana, um espaço que não servirá apenas para as actividades do clube, mas aberto a toda a comunidade, seja para festas de baptizados, casamentos, aniversários, convívios, bailes, etc.
Logo pela manhã e para despertar os mais desprevenidos, os Bombos de Nisa fizeram-se ouvir. Com a garra que é seu timbre, percorreram, praticamente, quase todas as ruas das três povoações que integram a freguesia (Arneiro, Duque e Pardo) num convite à população para estar presente na festa da abertura oficial da sede do clube da terra.
De tarde e à hora marcada, compareceu a Banda do Fratel, os convidados – eleitos nas autarquias, dirigentes desportivos, amigos do clube – e a população das três localidades.
Ao som da banda, foi descerrada a placa de granito que assinala a data de inauguração do imóvel. Houve música e palmas, o entusiasmo patente no rosto de todos os santanenses: o sonho de muitos anos, acabava de ser concretizado.
Depois seguiu-se a sessão solene, visitaram-se as novas instalações, apreciou-se a exposição de pintura, inaugurada simultaneamente e partiu-se o bolo da inauguração, com o emblema do clube. A Banda do Fratel fazia-se, de novo ouvir, agora no amplo salão. Quem quis, dançou, festejou, congratulou-se com a data e o acontecimento. O clube, na magreza dos recursos de que dispõe, “fez das tripas o coração” e presenteou todos os presentes com um lanche ajantarado. Houve música e animação a toda a hora e até os “Fora d´Horas”, o popular grupo do Arneiro, deu corda ao relógio para que a festa não terminasse sem um pezinho de dança e um hino ao pescador.
“ A festa foi bonita, pá!”, como cantou o Xico Buarque. Que melhor prenda poderia desejar o CDR Santana para assinalar, condignamente, 30 anos de existência?. 
“Com o esforço de todos, fizemos a multiplicação dos pães”
- Joaquim Rodrigues, presidente do CDR Santana
Na sessão solene de inauguração, estiveram na mesa Fernando Catarino em representação da Assembleia de Freguesia, Joaquim Rodrigues, presidente do clube, Gabriela Tsukamoto, presidente da Câmara de Nisa e Francisco Bolêto São Pedro, presidente da Junta de Freguesia de Santana.
Joaquim Rodrigues, agradeceu a presença da população e convidados e disse que as primeiras palavras eram de agradecimento para aqueles que acreditaram e nunca desistiram. Agradeceu também a todos quantos trabalharam para que o sonho se concretizasse, desde as anteriores direcções do clube aos eleitos e técnicos da Câmara que “fizeram a multiplicação dos pães”. Referiu a colaboração da Junta, “sempre pronta a responder, dentro das suas limitações”.
O presidente do CDR Santana, finalizou com “uma palavra de esperança”. “Concretizado o sonho, agora é preciso dar vida, desenvolver actividades, porque esta casa terá a vida que soubermos dar-lhe. É uma casa de todos para todos e nós já apresentámos um Plano de Actividades para o próximo ano. A direcção que vier a ser eleita, terá um importante papel na dinamização da vida do clube e no associativismo, devendo privilegiar o conhecimento e desenvolvimento da nossa terra.”

Francisco São Pedro, presidente da Junta, agradeceu a presença de todos os santanenses e visitantes, disse ser com muito gosto que ali estava e aproveitou para dar os parabéns a todas as pessoas que trabalharam para erguerem esta obra, acabando por formular votos de que a mesma seja uma casa para toda a comunidade.
Falou por último a presidente da Câmara, agradecendo também a presença da população e convidados e lembrando que esta obra tinha sido um sonho de muita gente, alguns dos quais já não estavam presentes, pelo que propôs um minuto de silêncio em memória de todos aqueles que, de uma forma ou outra, contribuíram para a realização do projecto. Minuto de silêncio que foi escrupulosamente respeitado e sublinhado no fim, com uma salva de palmas.
A edil de Nisa referiu-se à sua recente deslocação à Irlanda onde participou no Encontro de Geoparques, no qual o Geoparque da Naturtejo, o 1º em Portugal, foi oficialmente admitido, tendo destacado o papel que a freguesia de Santana, com o Conhal, as paisagens e a gastronomia, representou para o reconhecimento internacional desta região como Geoparque.
A autarca disse ter “confiança que o Arneiro e a freguesia não só não vai desaparecer, como passou a ser conhecida internacionalmente. O Arneiro está numa rede mundial, é um património mundial, que muitos milhares de visitantes virão conhecer e apreciar, desde as belezas naturais à gastronomia e hospitalidade das gentes. Os próximos desafios, a desenvolver em três meses serão a elaboração de um Plano Estratégico que vai mexer com a pesca, a agricultura e o turismo. O Geoparque abre novas perspectivas desenvolvimento através das quais podemos afirmar a diferença do nosso território, a singularidade das nossas gentes. Porque os Geoparques não são apenas as pedras, são, sobretudo, as pessoas e o modo como se relacionam com o meio ambiente. Tenho confiança de que esta freguesia vai ter muito mais gente”
Mário Mendes in "Jornal de Nisa" - nº 216 - 6/10/2006

EM NISA ACONTECEU... Memória do Jornal de Nisa - Nº 216

Muito e diverso material noticioso fez a edição nº 216 do JN publicado no dia 6 de Outubro de 2006. Reportagem sobre o Projecto "Experimenta o Campo", entrevista a José Predro Fragoso de Almeida (ainda de lembram do Urânio de Nisa?), reportagem sobre a inauguração da sede social do CDR Santana e entrevista ao executivo da Junta de Freguesia de Arez, entre outras notícias do concelho e região. Deixamos uma pequena amostra...
Dia Mundial da Música assinalado em Nisa
O Dia Mundial da Música (1 de Outubro) foi assinalado em Nisa, no passado sábado, numa iniciativa promovida pela Sociedade Musical Nisense.
Com um dia de antecedência, a SMN trouxe até esta vila norte-alentejana, a banda da Associação de Cultura Musical Cetense, de Cête (Paredes), fundada em 1835.
A Banda desfilou, com garbo e simpatia, por alguma ruas da vila, executando peças de um repertório que primou pela música alegre, festiva e popular, como era próprio do Dia.
Seguiu-se um concerto no Cine Teatro de Nisa, pleno de qualidade e brilhantismo, a assinalar um Dia Mundial, o da Música, que deveria ser apanágio de todos os dias, povos e gerações.
Esta iniciativa contou com o apoio da Câmara Municipal de Nisa e do Inatel.
Grupo de Jovens da Paróquia
Disponíveis para ajudar o próximo
São cerca de vinte jovens, católicos e disponíveis para a ajuda ao próximo. Têm um nome e encontram-se, regularmente, de modo quase informal, sem rigidez de horas ou de organização, pelo prazer de conviverem e de discutirem entre si, temas e problemas que dizem respeito ao seu universo de jovens e ao mundo que os rodeia.
Na Paróquia, dão o seu contributo na animação de algumas cerimónias religiosas e recentemente colaboraram numa experiência que não deixou de os sensibilizar: foram os “olhos” , os guias e acompanhantes, de um grupo de associados da ACAPO, invisuais, que passaram uma semana, para eles, inolvidável, de férias no nosso concelho.
A ajuda, o amparo, dos Jovens da Paróquia e do Grupo de Escoteiros de Portalegre tornou-se preciosa e nós pudemos constatar o interesse, a alegria, a sensibilidade com que responderam a este apelo.
Registamos o grupo em foto e o texto é o pretexto para perpetuar uma experiência que, sem dúvida, vão querer repetir.
9º Encontro Convívio de ex-combatentes na Guiné
Os naturais ou residentes no concelho que cumpriram o serviço militar na Guiné Bissau, reuniram-se no passado dia 23 de Setembro em mais um encontro convívio, assinalando a sua passagem por aquela ex-colónia portuguesa. Foi o nono Encontro de uma iniciativa que teve a sua primeira realização em 1997, no local onde até hoje se tem mantido, o Café Manso, na Devesa, cujo proprietário foi também um ex-combatente na Guiné.
Como habitualmente, o Encontro decorreu sob o signo da alegria e da sã camaradagem. Vieram as histórias, as aventuras, recordaram-se locais e personagens, camaradas de armas, alguns daqueles que já não estão entre nós e que tombaram na luta ou morrerem em acidentes, cumprindo o seu desígnio que, naquele tempo, se chamava dever para com a Pátria.
A evocação de uma época, sem falsos temores de nostalgia, as peripécias, as viagens, a lembrança dos usos e costumes de um povo, o guineense que, apesar das vicissitudes da guerra continua a estar presente, sem ódios nem rancores, no coração de todos aqueles que pisaram o chão de balantas, fulas, mandingas e de tantas outras etnias.
A África e a Guiné, em particular, marcaram a vida de quem lá esteve. A uns, infelizmente, de forma trágica, violenta e dolorosa. A outros, mesmo nas agruras de uma guerra que não desejaram e para a qual não contribuíram, deixou o travo amargo de uma passagem, o “salto” abrupto do jovem para o homem. Há os que foram, estiveram e combateram em África e aqueles que não foram e não conheceram. E os que foram, sabem, lá bem no fundo, que tendo regressado mais “pobres”, física e psicologicamente, “enriqueceram” em termos de consciência, de contacto e solidariedade humana. Este é o “segredo” de África: o regresso às origens e a lição de que o homem e as comunidades tidas como primitivas são, afinal, mais ricas e mais puras, na sua dimensão social e humana.
Esta é a razão, também, por que tantos homens, de norte a sul do país, que num dado momento compartilharam alegrias e perigos, se juntam todos os anos em convívios, levando consigo os filhos e os netos.
A injustiça de uma guerra e a teimosia de um regime, serviu, para fortalecer o espírito de amizade e camaradagem entre alentejanos e madeirenses, açorianos e beirões, algarvios e transmontanos, entre europeus e africanos.
A “guerra”, neste campo, perdeu. E o que ficou são estes convívios que não irão acabar, mesmo que o ministro os faça taxar com IRS.
A concertina arranca com uns acordes, haja música que tristezas não pagam dívidas. Da Salavessa e pela primeira vez, veio um ex-combatente. Integra-se facilmente no ambiente geral e mal se dá por ele atira-nos com uma versão pungente do “Adeus, Guiné”. É a versão “subversiva” que fala da guerra e da tristeza de quem está (esteve) longe daqueles que ama.
Está tão longe e tão perto, a Guiné. Encurta-se a distância, em cada mês de Setembro e em cada convívio. Foi assim este ano uma vez mais. A música, as conversas, a gastronomia, o convívio e a confraternização.
Para o ano, cá estaremos outra vez. Nem que seja para lembrar aos mais cépticos que, afinal, a guerra colonial existiu.
Melhor fora que não tivesse acontecido e que a Guiné de hoje fosse, sempre, uma Guiné melhor. Livre e independente.
Mário Mendes

NISA: Postais do Concelho: A "rapaziada" do Canto Pinheiro

É um recanto simpático com um frondoso pinheiro, bem próximo do canto com o mesmo nome. Ali se junta a rapaziada de diversas idades, dados à conversa e às histórias, entremeadas com um copinho do tinto. Ou do branco, porque eles são como o Jacinto…
A foto e o pequeno texto ilustrativo saiu na edição do Jornal de Nisa nº 216 - 6 Out.2006. Grande parte destes amigos e vizinhos já nos deixaram e esta é uma forma singela de os recordarmos.

18.10.17

Memória Histórica: O Livro das Mulheres Solteiras e Grávidas


Em 2 Setembro de 1855, o Administrador do Concelho, José Albino Biscaia Hortas mandava abrir um Livro para "se inscreverem n´elle as mulheres solteiras deste Concelho que apparecendo gravidas foram internadas por esta Administração para aapresentação e creação de seus filhos."
O livro continha dez folhas numeradas e rubricadas "por Carpelo a quem dei Commissão".
O documento mostra a intenção do Administrador do Concelho de tentar controlar a autêntica tragédia social que eram os Expostos. Mulher grávida e solteira, naquela época tinha sobre si a vigilância das autoridades administrativas, não fosse deixar o recém-nascido, pela calada da noite, numa das casas ricas da terra e ou na roda dos Expostos. Com tão cuidadoso procedimento por parte da Administração do Concelho na regulação da sociedade civil, ficamos sem saber se em termos de saúde e acompanhamento da situação pré-natal que preocupações e cuidados eram dispensados a essas "mulheres solteiras que apparecendo gravidas" que o Administrador tão escrupulosamente identificava e registava em livro. Com Commissão paga!

IMPRENSA REGIONAL: "Alto Alentejo" - 18/10/2017



VIDAS: Abalei da minha terra...

João Parracho: Um alpalhoense em Azay
 A saga da emigração portuguesa para França, retratada na “mala de cartão” da Linda de Suza (quem se lembra dela ainda, quem?) ou no filme “ O Salto” está ainda bem viva na memória de quem protagonizou, directa ou indirectamente, essa admirável aventura, cheia de risco, incerteza e, por que não dizê-lo, de medo. Corriam os anos 60 e o espectro do recrutamento militar pairava sobre milhares de jovens portugueses, aliciados para combater no Ultramar.
Nos campos, estalava a “crise” na agricultura. Sobravam os braços, despertava a consciência social, ao mesmo tempo (e talvez por isso) que faltava o salário justo e o pão para a boca de muitas famílias. Estavam criadas as condições para a debandada em massa, de milhares de portugueses, rumo ao estrangeiro e levando na bagagem, na mala de cartão, um número insondável de sonhos e esperanças.
João Rovisco Parracho não é um dos protagonistas desta história. A sua “aventura francesa” começou um pouco mais tarde, ainda antes do 25 de Abril. A bem dizer começou em Nisa, onde os jogos de futebol o traziam, amiúde, a ele, alpalhoense, de sotaque inconfundível. Pequeno, franzino, fazia da velocidade e capacidade de choque, as suas “armas” futebolísticas. Como todos os jovens daquele tempo, a bola, serviu-lhe para ir deitando o olho, aqui e ali, à procura de namoro. E foi em Nisa, justamente, que viria a encontrar a futura esposa. Pelo meio meteu-se a tropa, quase três anos a marcar passo e a adiar o futuro. Mas tudo tem um fim e em Janeiro de 1973, ei-lo, a caminho de França, com um contrato, legal, no bolso e a promessa de trabalho garantido na Michelin, por um ano. Ficou um ano e mais trinta, até Maio de 2005, sempre a trabalhar na grande empresa de fabrico de pneus, onde garantiu o sustento para si, para a mulher e o filho, nascido em terras gaulesas há 32 anos.
Em 2005 arrumou as botas, melhor dizendo, os pneus e passou à situação de pré-reforma. Agora, com mais tempo livre, divide o calendário por Portugal e por Azay le Rideau, a vila que o acolheu e onde tem sempre vivido.
É dos poucos emigrantes que não tem carro, uma opção que tomou e que não o impede de viajar constantemente e visitar os sítios de que gosta.
João Parracho não enfrentou as dificuldades dos seus compatriotas que o antecederam, nos anos 60, mas lembra histórias, muitas histórias, algumas verdadeiras odisseias de quem teve que partir, na calada da noite e percorrer a “salto” os duros caminhos e veredas que conduziam à terra prometida: a França.
Hoje, assegura, muita coisa mudou. Não só cá, como lá. O espírito de camaradagem já não é o mesmo. As famílias estão mais dispersas e divididas, entre Portugal e França. Muitos já não visitam com a mesma frequência o país onde nasceram. A própria vinda no tempo de férias, cada vez mais curtas, não tem a alegria e o encanto de outros tempos em que chegaram a vir excursões em quatro autocarros, sempre cheios, organizadas pelo Emílio Parente.
Apesar de tudo, reconhece ter dado o rumo certo à sua vida. Conquistou a garantia de um salário digno, o acesso à segurança social, a cuidados de saúde que, em Portugal, ainda estão muito longe, para além da vida tranquila. Não ganhou “mundos e fundos”, como muitas vezes se pensa a propósito dos emigrantes e diz mesmo que “ lá na Michelin trabalha-se no duro, com três turnos, o que exigia muita concentração”.
Mas isso é história do passado, ainda que recente e o que quer deixar como mensagem é que “valeu a pena ter arriscado e conseguido uma vida melhor”.
Mário Mendes in "Jornal de Nisa" nº 218

17.10.17

Ponte de Sor - Detido pela GNR por tráfico de estupefacientes

O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Ponte de Sor, no dia 15 de outubro, naquela localidade, deteve um homem de 31 anos por tráfico de estupefacientes.
No âmbito de uma operação de fiscalização rodoviária, na localidade de Ponte de Sor, os militares abordaram um indivíduo, o qual tinha na sua posse 69 doses de haxixe e mais de 300 euros em dinheiro.
Indiciado pelo crime de tráfico, foi detido e presente a tribunal, tendo-lhe sido aplicada a suspensão do processo durante um ano, cumulativamente com pagamento de 600 euros ao Estado e frequência de tratamento através da Comissão de Dissuasão da Toxicodependência.

OPINIÃO: Não pode ficar tudo na mesma

É óbvio que, depois de Pedrógão, dos relatórios entretanto conhecidos, e dos trágicos incêndios da noite de domingo, não pode ficar tudo na mesma. E a ministra da Administração Interna deve ser a primeira a reconhecê-lo. O interminável verão deste ano mostrou como o nosso país está tão impreparado para lidar com um futuro, que já é o presente, de extremos climáticos. Não são apenas os meios de combate disponíveis, é isso e tudo o resto. O planeamento florestal que não existe, e a predominância do eucaliptal; os planos municipais de defesa da floresta contra incêndios não executados ou sequer aprovados; o sistema de comunicações arcaico; a desestruturação das redes de comando da Proteção Civil; os concessionários das estradas (Ascendi), ou responsáveis pelas infraestruturas elétricas (EDP), que há décadas não cumprem as suas obrigações de limpeza de combustível florestal.
O atual Governo tem responsabilidades, mas o tiro ao alvo das culpas fáceis deixará de lado todas as outras deficiências, acumuladas ao longo de décadas, nas autarquias, na Proteção Civil, na política florestal e também nos privados. Quando tudo falha, é o Estado que falha.
No próximo dia 21 haverá um Conselho de Ministros extraordinário, marcado para analisar os incêndios de Pedrógão. O que se exige ao Governo neste momento é que faça mais que mudar nomes, e que, para além do apoio às vítimas, apresente um plano de reestruturação do próprio dispositivo nacional de combate e prevenção de incêndios.
Os relatórios que agora conhecemos, e que se somam aos que já existiam, e os técnicos que ouvimos apontam caminhos claros: um corpo profissionalizado de defesa da floresta composto por sapadores florestais e bombeiros; a inclusão de cientistas da floresta e da meteorologia nas equipas de prevenção e combate; alteração da estrutura fundiária e da composição da malha florestal, com redução da área de eucalipto e cedência mínima ao abandono; reestruturação da Proteção Civil, que deve ter cadeias de comando experientes, claras e definidas; responsabilização e apoio às autarquias nos planos de defesa da floresta; meios de apoio às populações em caso de emergência. Finalmente, e não de menor importância, regras claras para acabar com o negócio dos incêndios, dos interesses da madeira aos dispositivos de combate.
Não pode ficar tudo na mesma, e as mudanças têm de ser tão estruturais como os problemas e deficiências que as justificam. É isso que deve ser exigido ao Governo. E em tempos de discussão orçamental, é de esperar que estas escolhas tenham o seu reflexo na distribuição dos meios financeiros do Estado.
Mariana Mortágua in "Jornal de Notícias" - 17/10/2017

16.10.17

MEMÓRIA DE NISA: Tumultos na Feira do Espírito Santo (1907)

Na feira do Espírito Santo, realizada em 9 de Junho de 1907, houve desordem turbulenta entre ciganos, que deu origem a grave tumulto popular.
Quando os desordeiros fugiam à fúria da multidão, uma cigana refugiou-se no quartel da Guarda Fiscal, ao tempo no Largo do Espírito Santo.
O quartel foi então apedrejado e alguns populares chegaram a invadi-lo, sem que a tal pudessem obstar os dois únicos guardas que nele se encontravam.
Como cabeças de motim foram presos muitos nisenses e entregues ao poder judicial. Por ser a cadeia comarcã insuficiente para contê-los, fez-se a remoção de alguns para a de Portalegre pelas seis horas da tarde de 4 de Julho.
Só em 10 e 11 de Março de 1908 os julgou o Tribunal de Nisa, ao qual presidia, como Juiz, o sr. dr. Damião de Meneses, representando o Ministério Público o sr. dr.João Carlos Ribeiro de Melo. O advogado dos réus foi o sr. dr. Bernardo Lima. O escrivão do processo, sr. Aníbal Machado, foi substituído, por motivo de doença, pelo sr. António G. Paralta. Na bancada dos advogados assistiram à audiência os srs dr. Fonseca Pestana e dr. Mourato Peliquito e, no último dia, o sub-delegado, sr. dr. José Pequito Crespo.
A defesa foi brilhante. De harmonia com o veredicto do júri,, o presidente do Tribunal absolveu todos os réus, que eram os seguintes: António Júlio Guerra, Albertino Bizarro, João da Piedade Pires, João Correia Rasteiro, João Matias, António da Graça Caldeira, José da Cruz Carrapiço, Carlos Bizarro, António Maria, José António do Nascimento, Francisco Lobato, Luiz da Silva e António Diniz Samarra.
O julgamento terminou cerca das quatro horas da madrugada, havendo nessa ocasião na Praça, onde estava instalado o Tribunal, mais de mil pessoas.
in "Correio de Nisa"- 1945

OPINIÃO: O Lusitano de Lisboa

 Campo Estrela - Évora
Pensava eu que os alentejanos eram os únicos que recusavam obstinadamente que Portugal se resumisse a Lisboa, ou melhor, à cidade Lisboa-Porto na feliz definição do Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Enganei-me redondamente. Pelos vistos, até aos alentejanos já se conformaram com esse facto.
O nosso primeiro-ministro foi presidente da Câmara de Lisboa e o actual Presidente da República foi candidato à Câmara de Lisboa, sendo ambos alfacinhas de gema. Assunção Cristas foi candidata à Câmara de Lisboa, sendo presidente do CDS. Os candidatos a líder do PSD, por sua vez, são ex-presidentes da câmara de Lisboa e Porto, sendo certo que, nesta cidade Lisboa-Porto, o Porto representa a periferia e os arredores. Ou seja, Lisboa olha sempre para os portuenses com alguma desconfiança, a não ser que sejam benfiquistas ou sportinguistas assumidos.
Para além de Lisboa e Porto, nada mais existe. Os últimos resquícios do Alentejo, Algarve, Beiras e Trás-os-Montes nos diferentes poderes da República Portuguesa são uns políticos e jornalistas residentes em Lisboa e de onde não pensam sair mas que gostam de alardear, por puro snobismo, o seu orgulho nas suas raízes alentejanas, transmontanas ou algarvias.
Como alentejano, não posso, por isso, aceitar que o Lusitano de Évora tivesse decidido ir jogar a eliminatória da Taça de Portugal com o Porto precisamente a Lisboa. Nas anedotas, os alentejanos tinham fama de só irem a Lisboa para verem as “meninas”. Agora pelos vistos, também vão para serem sovados e humilhados por uns matulões do Porto. Modernices!
O Alentejo tem praticamente metade do território de Portugal. E não há um campo de futebol em todo o Alentejo que pudesse receber este jogo sem termos de sofrer a suprema humilhação de ir jogar a Lisboa? É que, se no Alentejo não há, ao menos, um campo de futebol, então temos de dar razão ao ex-ministro Mário Lino quando disse que aqui não havia nada: “nem gente, nem escolas, nem hospitais, nem cidades, nem indústria, nem comércio, nem hóteis”… E, pelos vistos, já não há sequer um pingo de dignidade e orgulho.
Secou tudo!
Santana-Maia Leonardo - 15/10/2017

15.10.17

Artilheiros/as de 1951 em Convívio no Arneiro

Realiza-se no próximo dia 22, domingo, o Almoço-Convívio dos Artilheiros e Artilheiras de 1951.
A jornada de confraternização terá lugar no Arneiro, no restaurante O Túlio, estando a concentração da "Artilharia" marcada para o meio-dia junto ao Eucalipto em Nisa. As inscrições podem (e devem) ser feitas através dos contactos referidos no cartaz, devendo ser respeitado o prazo-limite de inscrição.
Resta acrescentar que o almoço e convívio é extensivo aos cônjuges dos "Artilheiros" e "Artilheiras". Daí a razão de se conhecer com a indispensável antecedência o número de participantes.
No próximo domingo vamos até ao Arneiro, valeu?

João Malpique Rufino preside à União das Freguesias de Nisa








Realizou-se na passada sexta-feira, dia 13, a instalação dos órgãos autárquicos da União das Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e S. Simão, saídos das eleições autárquicas realizadas no 1º dia de Outubro. A sessão pública teve lugar no salão das novas instalações-sede da referida União de Freguesias (ex-Nisacoop) e teve a participação de alguns fregueses, para além, naturalmente, dos eleitos no citado acto eleitoral.
A presidência da União de Juntas de Freguesia tem como titular João José Cabim Malpique Rufino; Maria de Fátima Dinis Carita Moura é a nova Secretária e José Carlos Leirinha, passa a desempenhar as funções de Tesoureiro. A Assembleia de Freguesia tem como Presidente, José Miguéns Louro Hilário, sendo coadjuvado na mesa da Assembleia por Lurdes Silva Araújo (1º secretário) e Gonçalo Pombo (2º secretário).
A União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e S. Simão, por força da chamada "reorganização administrativa" é a mais populosa do concelho e a que detém maior território. 

ALPALHÃO: Festa do Fado na Associação de Caçadores


ALPALHÃO: Religiosidade popular

Diz o povo na sua sabedoria que "a fé é que nos salva". Haverá quem contraponha o "fia-te na virgem e não corras...". A crendice popular documentada através de milhões de ex-votos como aquele que aqui mostramos, é reveladora de uma fé inabalável e, não raro, atribuía a satisfação de um desejo ou aspiração à intervenção divina. O ex-voto que mostramos é uma imagem a um tempo com significado religioso e a outro com valor artístico, uma pintura "naif", simples e ingénua, oferecida à Senhora da Redonda e onde se lhe agradece a sua intercessão na resolução de um problema, neste caso, a erradicação da moléstia que fustigava os porcos da devota. Diz assim:
"Milagre que fês N. S. da Redonda a uma devota que pedindo-lhe lhe levantace a epedemia dos seus porcos e a Senhora lha cudio (lhe acudiu) - Em 1859".
Este e outros ex-votos fazem parte do espólio da Senhora da Redonda de Alpalhão e constituem, na sua singeleza, um património histórico e cultural de grande valor.

NISA: A Festa dos Idosos - Maio de 2005






POSTAIS DO CONCELHO: Gentes de Nisa


As duas fotos têm, calculem, 80 anos de diferença. Dois irmãos, João Castanho Paralta, quase a completar 84 anos e Emília Paralta, uma jovem nas suas noventa e uma primaveras.
No Outono da Vida, duas vidas e dois sorrisos de confiança, a mostrarem que "velhos são os trapos" e que o futuro é, ainda e sempre, uma criança.Exemplos que a idade tece!

Arez comemora Foral Quinhentista e Fundação da Misericórdia


13.10.17

1º CORTEJO ETNOGRÁFICO: Tradições do concelho desfilaram em Nisa (Julho 2007)

A associação Niva Viva levou a efeito no dia 21 de Julho, o 1º Cortejo Etnográfico do concelho de Nisa.
A iniciativa teve o apoio da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia de concelho de Nisa e o cortejo constituiu uma grande manifestação de cultura popular, tanto pela partes dos cerca de 300 participantes no desfile, como pelas pessoas que movimentou e animaram os locais de passagem do cortejo com predomínio da concentração na Praça da República.
João José Temudo, da direcção da Nisa Viva, congratulou-se com o êxito da iniciativa e prometeu outra para o próximo ano, ainda melhor, se possível.
 
Quais os principais objectivos desta iniciativa?
 Parafraseando uma Senhora responsável deste concelho o nosso artesanato é rico, único e diferente. Os principais objectivos do cortejo etnográfico foi mostrar a todos a riqueza dos nossos trajes e tradições e ao mesmo tempo sensibilizar os mais jovens para a vertente cultural desta região. Sabíamos que as gavetas e os baús estavam cheios de peças antigas a precisar de serem arejadas. Fizemos um levantamento e convidámos todas as juntas do concelho. E assim nasceu o 1º cortejo etnográfico do concelho de Nisa.
Esses objectivos foram concretizados?
Sim, os objectivos foram concretizados. Mas a iniciativa só teve êxito graças à participação de todos os figurantes, bem como à colaboração das Juntas de Freguesia do concelho de Nisa, GNR, Bombeiros, Jornal de Nisa e da artesã Maria Dinis Galucho. Por fim não podemos deixar de realçar o apoio das Juntas de Freguesia do Espírito Santo, Nª Senhora da Graça e da Câmara Municipal de Nisa.
Quais os aspectos mais salientes que gostaria de destacar? E os menos conseguidos?
Podemos considerar como aspectos mais salientes desta iniciativa a espontaneidade dos cerca de 300 participantes, bem como a colocação de colchas nas janelas, nas ruas por onde o cortejo passava, fazendo lembrar os dias festivos.
Agradecemos a presença do senhor Governador Civil de Portalegre e da senhora Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Nisa, em representação da senhora Presidente, ausente do concelho.
Consideramos como aspectos negativos o facto de não termos sido capazes de fazer passar a mensagem ou sensibilizar a Região de Turismo de São Mamede, que apesar de ter sido convidada não só não se fez representar como ignorou o nosso convite. Sendo uma manifestação de divulgação do nosso património cultural, a presença de um elemento da Região de Turismo era fundamental. Será que o concelho de Nisa não pertence a esta Região de Turismo?

A iniciativa é para continuar? Em que moldes?
A iniciativa é para continuar. Vamos tentar, pelo menos, que se façam representar no próximo evento, alguns trajes, que segundo pessoas mais idosas, estiveram em falta.
Aproveito a oportunidade para convidarmos todas as pessoas para que na próxima vez não tenham vergonha de colaborar e ao mesmo tempo incentivem os que gostam deste tipo de manifestações a uma participação activa. Não podemos deixar de apelar aos jovens a sua adesão a este tipo de acontecimentos, pois cabe a eles
divulgarem todo este legado deixado pelos nossos antepassados.
Quer deixar alguma mensagem?
Como mensagem final convidamos todas as pessoas para que na próxima vez não tenham vergonha de colaborar e ao mesmo tempo incentivem os que gostam deste tipo de manifestações a uma participação activa. Não podemos deixar de apelar aos jovens a sua adesão a este tipo de acontecimentos, pois cabe a eles divulgarem todo este legado deixado pelos nossos antepassados.
 Mário Mendes in "Jornal de Nisa" - nº237 - 22/8/2007

PONTE DE SOR: Casal detido por tráfico de droga

O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Ponte de Sor, ontem, dia 12 de outubro, naquela localidade, deteve um homem de 62 anos e uma mulher de 58 anos por tráfico de estupefacientes.
No âmbito de uma operação de fiscalização rodoviária os militares abordaram o casal que, depois de uma revista, se confirmou ter na sua posse 50 doses de heroína e 4,5 doses de cocaína.
Os detidos foram sujeitos a termo de identidade e residência.

ALPALHÃO: Agenda Cultural Outubro/Novembro


NISA: O 2º Cortejo Etnográfico do Concelho (2009)



Grande manifestação etnográfica e mostra das tradições nisenses foi o 2º Cortejo Etnográfico do Concelho, organizado pela Associação Nisa Viva e que teve lugar em Nisa, com desfile pelas principais ruas da vila, no dia 17 de Maio de 2009. Aqui ficam para recordação, algumas imagens.