31.5.26

DESPREZADOS: O acesso ao transporte gratuito dos antigos combatentes


A discussão sobre o acesso dos antigos combatentes aos transportes públicos é reveladora de duas coisas: a primeira, do quanto PS, PSD, CDS, CH e IL andam literalmente a gozar com os antigos combatentes; a segunda, da consequência da visão mercantilista associada à opção liberalizante na organização do Estado. 

O Estatuto do Antigo Combatente estabelece no seu Artigo 17.º a «Gratuitidade dos transportes públicos das áreas metropolitanas e comunidades intermunicipais», explicitando que: «Durante o ano de 2020, o Governo, em articulação com as autoridades de transportes de cada área metropolitana e comunidade intermunicipal, adopta as medidas necessárias a assegurar a gratuitidade do passe intermodal para todos os antigos combatentes detentores do cartão referido no artigo 4.º, bem como para a viúva ou viúvo de antigo combatente que, cumulativamente, usufrua dos benefícios e requisitos previstos nos artigos 7.º e 8.º do presente Estatuto.»

Existindo um cartão de antigo combatente, qual seria a forma prática, simples, destes terem acesso ao direito? Exigindo a amostragem do cartão no acesso aos transportes. E porque é que isso não acontece, e os governos continuam a inventar mecanismos para limitar esse acesso, que hoje está reduzido à região ou município onde se reside e implica a posse e renovação mensal de um título de transporte dessa região que em muitos casos não existe?

Em primeiro lugar, na Área Metropolitana de Lisboa existem alguns sistemas fechados de transporte (Metro de Lisboa, Fertagus, CP Lisboa), e sem um cartão que o sistema consiga ler não se consegue entrar no sistema. Podemos aproveitar para fazer uma reflexão sobre o facto de estes sistemas serem completamente fechados (ML) ou parcialmente fechados (CP e Fertagus). São opções discutíveis, que criam dificuldades aos utentes a troco de um mais eficaz combate à fraude, e que onde bloqueia as saídas até cria um problema de segurança. Sistemas abertos funcionam em todo o mundo, incluindo em Portugal, sem níveis significativos de fraude desde que existam revisores ou fiscais. O sistema fechado só sobrevive devido às visões mercantilistas extremas do transporte público, mas onde ele existe e enquanto existir, é de facto obrigatório que o antigo combatente tenha um cartão que possa ser lido pelo sistema – mas nada obriga que esse cartão tenha de ser renovado mensalmente como hoje acontece. E a necessidade desse cartão só se aplica à Àrea Metropolitana de Lisboa, pois não existem outros sistemas fechados no país.

Em segundo lugar, há um interesse estatístico evidente em conhecer-se os fluxos de transporte público, principalmente porque esse conhecimento é fundamental para ajustar a oferta à procura e assim responder melhor às necessidades das populações. A existência de cartões electrónicos facilita imenso esse processo estatístico desde que os sistemas estejam preparados para tal. E alguns já estão. E progressivamente todos estarão. Evidentemente que alguém que chega a um autocarro e mostra o cartão de antigo combatente não será contabilizado automaticamente nos locais onde essa contabilização se faz. Em Lisboa e no Porto pode justificar-se adoptar procedimentos para que os antigos combatentes tenham um passe que faça essa estatística, mas na generalidade das regiões ou a estatística não está a ser feita de forma automática ou a relevância estatística é muito pequena.

Em terceiro lugar, há empresas como a CP que realizam transporte com sistema de marcação de lugares. Mas na CP, quer na bilheteira, quer na reserva online bastaria incluir nas possibilidades de desconto a indicação de ser detentor de Cartão de Antigo Combatente e o respectivo número.

Estas, e seguramente outras necessidades técnicas, são realidades objectivas, mas são superáveis e não justificam o que os governos andam a fazer.

Por fim, e esta é a única e verdadeira questão, o sistema de transportes está liberalizado e mercantilizado, e as empresas privadas vivem da subsidiação pública do transporte. A gratuitidade de acesso aos antigos combatentes não produz qualquer despesa extra às empresas e quanto muito implica uma redução teórica de receitas, ainda por cima quando a generalidade dos antigos combatentes tem mais de 65 anos, e os utentes com mais de 65 anos já têm o transporte gratuito (numas regiões e concelhos) ou parcialmente gratuito (na CP e em muitas regiões), e esse desconto já é subsidiado pelo Estado. Mas, quer a distribuição das receitas dos passes intermodais entre as diferentes empresas, quer o pagamento de subsídios pelo Estado está contratualizada, e depende quase sempre do número de passes emitidos ou do número de utilizações desses passes gratuitos.

E é essa contabilidade, a vontade de continuar a fazer essa contabilidade, num universo de centenas de contratos, que verdadeiramente justifica a dificuldade dos sucessivos governos em agilizar o acesso dos Antigos Combatentes ao transporte gratuito e na prática lhes nega o acesso ao que o Estatuto determina. 

Seria absurdo, mas é verdade que tal como estão os contratos, se todos os Antigos Combatentes tivessem acesso a todos os transportes de todas as regiões, como estabelece a Lei, todas as empresas privadas (excepto as da AML, por causa do tipo de contrato assinado com a TML) poderiam invocar o direito de receber do Estado, a cada mês, o valor de passe mensal por cada antigo combatente. Seria um abuso, mas como a maioria dos contratos com os privados continuam a funcionar com uns «tribunais» arbitrais como fonte de recurso, não tenhamos dúvidas que o abuso dos 2,4 mil milhões hoje reclamados para Reequilíbrios Financeiros das concessões seriam muito significativamente aumentados. É para evitar esta situação que o Estado finge ser necessário restringir o direito ou montar um esquema extraordinariamente complexo para conseguir determinar qual o subsídio que irá pagar a cada empresa privada pelo transporte de cada antigo combatente. 

E, no entanto, também aqui a simplicidade era fácil de alcançar. Mesmo sem abordar aqui a questão de não se concessionar os transportes a empresas privadas, a maioria dos contratos de concessão de transportes públicos em vigor é posterior a 2020, altura em que o direito estava consagrado. Bastava incluir uma alínea nesses contratos – «O concessionário tem a responsabilidade de transportar os possuidores de cartão de antigo combatente gratuitamente». Fácil, verdade? E, no entanto, não foi feito. Preferem fazer grandes e pomposas discussões na Assembleia da República, onde tantos batem no peito juras de amor aos antigos combatentes, mas na realidade estão preocupados é com os lucros dos privados do sector dos transportes.

E para quem comece já a sentir as dores desses operadores privados por serem obrigados – por uma medida tipo gonçalvista – a transportar gratuitamente os antigos combatentes, fiquem descansados que o Estado já lhes paga mais de mil milhões de euros anuais (contas da Autoridade de Mobilidade e Transportes) em subsídios ao transporte rodoviário de passageiros. Só que eles querem mais.

Ora, esses mil milhões de euros de subsídios públicos ao sector liberalizado das rodoviárias, distribuídos em centenas de contratos de concessão e subcontratação, resultam num sistema de transportes públicos pulverizado e ineficaz na generalidade do país (mais uma vez, excepto na AML e, ainda que menos, na AMP), que é o verdadeiro problema dos Antigos Combatentes e de todos os utentes dos transportes. Quando em Portugal, antes da liberalização e privatização, já tivemos uma empresa, pública e nacional, chamada Rodoviária Nacional, criada pelas nacionalizações da Revolução, que prestava um melhor serviço ao país e por um custo (prejuízo, chamavam-lhe então) muito menor. E desde então, em vez de avançar, recuamos. Mas disto nem querem eles ouvir falar!


Manuel Gouveia  - Abril, Abril 2026-05-26

ARRONCHES: Exposição do colecionador Alexandre Correia

 


CASTELO DE VIDE: Exposiçao de Fotografia "As Aves do Meu Quintal"

 


GAVIÃO: Dia Mundial da Criança

 


ODIVELAS: Exposição sobre o 25 de Abril promovida pela EPHEMERA

 




VILA VELHA DE RÓDÃO: Recrutamento de Monitores para Campos de Férias de Verão

 


30.5.26

A POESIA, QUEM DIRIA... - António Borrego


 Poema aos amigos de infância

Com vocês caminhei

pelo campo, pela ribeira e a caminho da escola

vimos nascer as luas cheias de agosto

ficámos estarrecidos e lançámos desejos ao vento

tantos pássaros a cantar, tantos ninhos por descobrir

procuro na alma, aquelas emoções outrora sentidas

não as quero perdidas, quero-as vivas...bem vivas...

e, quero exaltar aqui, todos os nossos dons humanos

e sentir que, se modelou a pomba da paz

na substância dos nossos sentimentos irmanados

das maldades cometidas?...desses remorsos...

fizemos de conta que...nunca existiram...

porque, todos os passados...já foram futuro...

vivemos estes tempos de guerra, onde a luz de deus...

esmorece, arrefece e se torna obscura...

mas, brindemos à vida...mesmo com o cálice da amargura...

sabemos bem que, é nas raízes que deixamos a alma

tínhamos sempre tanta pressa...

tanta emoção e vertigem pelo ar...

parecia impossível...um dia acabar...

(deus permita que acabe a guerra, para não acabar tudo, mas, não há data prevista para o fim do sofrimento)

tínhamos o nosso paraíso...

sem serpente e sem pecado...(sim, colhemos maçãs alheias)...

na página do tempo, inscrevemos aventuras...

cavaleiros de calções com fisga no bolso...

(aquele bolso, remendado, por três vezes, pelo menos)...

nos dias mais quentes, nadávamos na ribeira...

nos dias frios, ferrávamos "buguélhas" ao lume

da lareira aconchegante...

em vez de beijos e carícias, levávamos chineladas...

mas, estamos cá, sem mágoas e sem mazelas...

disseram-nos que o amor, preserva e ressuscita

talvez memórias...talvez memórias...

agora?

escutamos o galope certeiro dos dias

os nossos olhos saltam de estrela em estrela...

até que o trote seja lento, e esmague as rosas que temos no peito

doce e amargo?...é ir à infância...

tão pura...tão ausente...tão próxima...

mas, da ampulheta...vai caindo areia...

A.B. 2022

CABEÇO DE VIDE: Comemorações do Dia Mundial da Criança


O Comando Territorial de Portalegre, através do Destacamento Territorial de Portalegre, no dia 1 de junho, associa-se às comemorações do Dia Mundial da Criança, promovidas pelo Município de Fronteira, em Cabeço de Vide, nas Termas da Sulfúrea, entre as 09h00 e as 12h00.

No âmbito desta iniciativa, iremos realizar uma demonstração de meios e dinamizar um circuito de Prevenção Rodoviária, proporcionando às crianças momentos de aprendizagem, sensibilização e diversão, através da promoção de comportamentos seguros e de cidadania.

Convida-se os órgãos de comunicação social a estarem presentes e a acompanharem esta iniciativa.

29.5.26

NISA: O REVERSO DA MEDALHA (III) - Não "matem" as Romarias Tradicionais do Concelho.


São um Património Cultural e demonstração de Devoção e Religiosidade Popular. A pensar nisso, a Câmara "enfeitou" a sua montra no Posto de Turismo, em Abril, a par de uma Exposição temática na Bibioteca Municipal.

Iniciativas de louvar e estimular, não fora o caso de terem deixado de fora duas das Romarias da época Pascal e que se realizam desde há muitos anos.

Falamos da Romaria da Senhora dos Prazeres, menos concorrida, é certo que a da Senhora da Graça, mas ainda assim, notável e a merecer a participação de muitos romeiros.

A outra romaria, durante muito tempo ofuscada pelo desinteresse, ganhou nos últimos anos, graças à influência das freguesias vizinhas e das respectivas autarquias, um novo brilho. Recuperada a Ermida, melhorados os acessos e condições de acolhimento, a festa ou Romaria de São Silvestre voltou, uma vez mais, a reunir as populações de Montalvão e de Póvoa e Meadas.

É a religiosidade popular a juntar, a unir os dois povos de concelhos distintos e que em comum organizam esta manifestação a um tempo sagrada e profana.

Merecem - Senhora dos Prazeres e S. Silvestre - a mesma divulgação e chamamento para a festa e para a jornada de convívio. Não podem, nem devem, ser discriminadas, face às restantes. O sector cultural da Câmara, se é que existe, devia programar a sua actividade a longo ou médio prazo e fazê-lo com a atenção e respeito que devem merecer todas as festividades. Louvar umas e "apagar" outras, não me parece que seja o procedimento mais justo e correcto.

Que fique o alerta e que o esquecimento não se repita...



CASTELO DE VIDE: Dia Mundial da Criança


É já na próxima segunda-feira, 1 de junho, que se celebra o Dia Mundial da Criança.

Uma data que se assinala com o objetivo de sensibilizar para os direitos das crianças e para a necessidade de promover uma melhoria das condições de vida, tendo em vista o seu pleno desenvolvimento.

Em Castelo de Vide, o Município está a preparar uma manhã muito especial com o apoio das Juntas de Freguesia e de inúmeras Associações e Instituições locais.

As crianças vão poder usufruir de inúmeras atividades que vão decorrer no Cine-Teatro Mouzinho da Silveira, no Parque João José da Luz e no Salão Jardim.

"Feliz de quem nunca perde a criança que vive dentro de si."

 

PALESTINA: Um povo que resiste ao extermínio e à barbárie


O assassino-mor declarou querer ocupar definitivamente 75% de Gaza

O Gendarme Ocidental: Washington e a Cumplicidade Necessária no Genocídio Palestino.

A barbárie que o Estado sionista de Israel comete diariamente na Palestina não seria possível sem um ator fundamental operando a partir das sombras e impunidade dos despachos em Washington: o governo dos Estados Unidos. Argumentar que Israel age isoladamente é um profundo erro de análise. A maquinaria militar, financeira e diplomática dos EUA é o verdadeiro pulmão que oxigena e legitima o genocídio e a colonização no Oriente Médio. Israel nada mais é do que o braço de execução, o gendarme colonial e imperialista de que a Casa Branca precisa para manter suas garras pregadas em uma região de muito alto valor estratégico e energético.

A cumplicidade americana é baseada em três pilares fundamentais que mostram que o sofrimento palestino é um negócio compartilhado.

O primeiro é o fornecimento implacável de armas e financiamento militar. Toda bomba que destrói escolas, hospitais, igrejas e campos de refugiados em Gaza tem o selo de fabricação dos EUA gravado. Longe de parar, a maquinaria do Pentágono aprova sistematicamente carregamentos em massa de conchas, veículos blindados, escavadeiras e munições de alta tecnologia. O dinheiro do contribuinte dos EUA é confiscado para financiar a limpeza étnica enquanto corta os direitos sociais dentro de suas próprias fronteiras.

O segundo pilar é o escudo diplomático e institucional. Os Estados Unidos têm repetidamente prostituído organismos internacionais, usando seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para derrubar dezenas de resoluções exigindo um cessar-fogo ou buscando sancionar crimes de guerra israelitas. Seu desrespeito pelos direitos humanos é tal que eles buscam politicamente e reativam a lista negra internacional contra figuras desconfortáveis, como a relatora da ONU Francesca Albanese, com o único propósito de silenciar aqueles que denunciam que a cumplicidade global permite que Israel viole o direito internacional.

Por fim, essa aliança criminosa responde a uma agenda de reconfiguração geopolítica com sangue e fogo. Operações militares conjuntas na região, destinadas a neutralizar qualquer país ou organização que desafie a hegemonia ocidental – como o bombardeio direto do Irão – mostram que o sofrimento do povo palestino faz parte de um conselho imperialista global. Nem os democratas nem os republicanos oferecem rachaduras nessa política de submissão; o alinhamento de Washington com Netanyahu é incondicional, cimentado pela injeção de milhões de dólares de grupos de pressão e lobbies sionistas comprando vontades políticas em todas as campanhas eleitorais americanas.

Diante dessa colossal aliança de terror, a resistência popular e internacional dos trabalhadores não pode hesitar. Denunciar o Estado de Israel implica, de forma obrigatória, apontar para o coração do imperialismo que o protege e sustenta: a Casa Branca. Romper com o sionismo exige desmantelar a cumplicidade ocidental, exigir um embargo militar total e imediato, e enfrentar o império de financiamento da morte para preservar seus privilégios globais.

O sionismo como disfarce da barbárie: o genocídio palestino diante do espelho da história.

O sionismo não é um projeto de autodeterminação pacífica, mas uma ideologia supremacista, colonial e fascista que usa a fé como escudo político para camuflar crimes contra a humanidade contra o povo palestino. Não estamos enfrentando um conflito simétrico ou uma guerra legítima; estamos enfrentando um genocídio de livros executado por um dos exércitos mais poderosos do mundo contra uma população civil desarmada e sitiada.

Para limpar etnicamente a Palestina, o sionismo se esconde na religião e nos mitos da superioridade, justificando ataques a civis, hospitais e escolas. Essa ideologia supremacista, que compara o comportamento do governo Netanyahu com episódios sombrios do século XX, compartilha matriz com outras formas de opressão, buscando o deslocamento do povo palestino.

Este genocídio é apoiado por armas ocidentais e da OTAN e apoio político. A cumplicidade internacional, manifestada no corte de ajuda como a da UNRWA, torna esses atores cúmplices da situação. Diante disso, a neutralidade torna-se aceitação da barbárie.

Perante a ineficácia das organizações internacionais, Israel é chamado a ser denunciado como um “Estado terrorista”. A luta contra o sionismo significa romper relações e defender a dignidade palestina. Apesar da ocupação, a esperança permanece na resistência e na vitória final da Palestina.

 André Abeldo Fernández - 28 de maio de 2026

28.5.26

MARE lança campanha sobre “invasores” aquáticos, um problema de 423 mil milhões de dólares


No âmbito da Semana sobre Espécies Invasoras #SEI2026, o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e o ARNET – Rede de Investigação Aquática revelam os rostos (e as barbatanas) das maiores ameaças à biodiversidade aquática em Portugal.

 De tartarugas “libertadas” a peixes de 120kg, passando por minhocas marinhas e algas invasoras: a ciência sai à rua para alertar para um prejuízo global de 423 mil milhões de dólares por ano.

 A campanha vai estar no ar entre os dias 25 e 29 de maio, com forte aposta no digital e através de cartazes físicos em locais estratégicos a nível nacional.

 O que têm em comum uma tartaruga de estimação, um peixe-gato, uma minhoca marinha que é isco na pesca e uma alga castanha do Pacifico que nos impede de gozar as praias no Verao? Todos fazem parte de uma “lista negra” que está a transformar os ecossistemas aquáticos portugueses. Entre os dias 25 e 29 de maio, o MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente e o Laboratório Associado ARNET – Rede de Investigação Aquática lançam uma campanha de sensibilização para alertar os cidadãos: as espécies invasoras não são apenas um problema da natureza, são um desafio económico e social.


Integrada na Semana sobre Espécies Invasoras (#SEI2026), a campanha utiliza uma abordagem direta e visual – através de redes sociais e cartazes físicos em locais estratégicos como Lisboa, Cascais, Vila Velha de Ródão, Proença-a-Nova, Mação, Gavião, Penamacor algumas das áreas mais afetadas – para mostrar que o comportamento humano é, muitas vezes, a porta de entrada para estes intrusos indesejados.

Cinco dias, cinco alertas

A campanha foca-se em quatro espécies críticas, terminado com um alerta global para este problema:

A "falsa liberdade" das tartarugas (25 maio): a libertação de tartarugas exóticas em lagos e rios afeta as espécies nativas. O que parece um ato de bondade é um crime ambiental.

 O ganso coreano (26 maio): minhoca marinha usada como isco vivo. O simples gesto de deitar o resto do isco à água no final da pescaria pode introduzir um invasor nos nossos estuários.

 O gigante do Tejo (27 maio): peixe-gato-europeu ou siluro pode atingir 2,8 metros. “Ninguém o come, mas ele come tudo”, avisa o investigador do MARE, Filipe Ribeiro. A solução? O controlo também passa pela gastronomia.

 O tapete sufocante (28 maio): a alga castanha Rugulopteryx okamurae está a ocupar quase por completo muitos fundos rochosos e a competir com as espécies locais, com impactes graves no turismo e nas pescas.

 No dia 29 de maio, a campanha culmina com um alerta para o problema global das espécies invasoras.

 Ciência ao serviço da prevenção

Segundo a IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas), as espécies invasoras são uma das cinco principais causas de perda de biodiversidade no mundo. De acordo com a avaliação temática da IPBES de 2023, os custos anuais associados a espécies invasoras ultrapassam os 423 mil milhões de dólares a nível mundial.

Em Portugal e Espanha, este problema é particularmente relevante nos ecossistemas aquáticos e costeiros, onde diversas espécies introduzidas, muitas vezes de forma inadvertida, têm vindo a alterar profundamente o equilíbrio dos habitats nativos, com consequências para a fauna, a flora e as comunidades humanas que deles dependem (Soto et al. 2025, MARE).

“Esta campanha é uma extensão natural do nosso trabalho de investigação,” explica Joana Cardoso do MARE. “Queremos que o pescador, o aquarista e o cidadão comum percebam que têm um papel ativo. Um pequeno descuido pode alterar para sempre o equilíbrio de um rio ou de uma praia”, continua.

A iniciativa conta com parcerias inovadoras, como a colaboração com a empresa de isco vivo Valbaits, que incluirá mensagens de alerta nas caixas de isco, e as Câmaras Municipais de Lisboa, Cascais, Proença-a-Nova, Mação, Gavião, Penamacor e Vila Velha de Ródão, que levarão a ciência para o espaço público.

Sobre o MARE

O MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente - é um centro de investigação científica, desenvolvimento tecnológico e inovação com competências para o estudo de todos os ecossistemas aquáticos, na vertente continental e no mar. Promove o uso sustentável de recursos e a literacia do oceano disseminando o conhecimento científico e apoiando políticas de desenvolvimento sustentável. Criado em 2015, integra 8 Unidades Regionais de Investigação associadas às seguintes instituições: Universidade de Coimbra (MARE-UCoimbra), Politécnico de Leiria (MARE-Politécnico de Leiria), Universidade de Lisboa (MARE-ULisboa), Universidade Nova de Lisboa (MARE-NOVA), ISPA - Instituto Universitário (MARE-ISPA), Instituto Politécnico de Setúbal (MARE-IPSetúbal), Universidade de Évora (MARE-UÉvora), Universidade da Madeira e ARDITI (MARE-Madeira). O MARE integra, juntamente com o CBMA - Centro de Biologia Molecular e Ambiental (Universidade do Minho) e o CIMA - Centro de Investigação Marinha e Ambiental (Universidade do Algarve), o ARNET – Rede de Investigação Aquática, um Laboratório Associado de dimensão nacional que, com 742 investigadores e colaboradores em 11 instituições anfitriãs, se dedica ao estudo integrado dos sistemas aquáticos, desde as bacias hidrográficas ao oceano profundo, promovendo a ligação entre conhecimento científico, políticas públicas e ação no território.

 

 

27.5.26

NISA: União de Freguesia promove acção de formação em Segurança no Trabalho


A União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão vai promover a ação de formação com o tema “Ambiente, Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho”, promovida pela INOVINTER.

Esta é uma oportunidade para reforçar competências essenciais para o seu bem‑estar e para a segurança no dia a dia laboral.

São 25 horas de aprendizagem prática, pensadas para quem quer trabalhar melhor, com mais confiança e com mais proteção.

A participação dá direito a certificado e subsídio de alimentação, garantindo que ninguém fica de fora por motivos económicos.

As inscrições são feitas na sede da União de Freguesias e estamos sempre presentes para apoiar cada passo e cada etapa.

Porque cuidar das pessoas é sempre o melhor investimento

SAÚDE: Portugal habituou-se ao cansaço e isso deve preocupar-nos


Há uma normalização silenciosa do mal-estar em Portugal.

Vivemos cansados. Dormimos mal. Temos dificuldade em concentrar-nos. Ganhamos peso sem explicação evidente. Perdemos energia. Sentimo-nos mais irritáveis, mais lentos, mais exaustos. E, perante isto, criámos uma resposta coletiva quase automática: “é do stress”, “é da idade”, “é do ritmo de vida”.

O problema começa quando sintomas persistentes deixam de ser questionados e passam a ser integrados como parte normal da vida adulta.

É precisamente aqui que as doenças da tiroide continuam a escapar ao radar.

As doenças tiroideias estão entre as patologias endócrinas mais frequentes e estima-se que possam afetar cerca de um milhão de portugueses. Ainda assim, continuam amplamente subdiagnosticadas. Os dados internacionais sugerem que uma parte significativa das pessoas com doença tiroideia desconhece a sua condição.

Isto significa que há potencialmente milhares de pessoas a viver durante anos com sintomas persistentes sem suspeitar de uma doença crónica.

E esse é talvez o aspeto mais preocupante destas patologias: a forma silenciosa como se instalam e a facilidade com que os seus sinais se confundem com aquilo que a sociedade moderna passou a considerar “normal”.

Fadiga persistente. Alterações de peso. Falta de energia. Alterações de humor. Queda de cabelo. Dificuldade de concentração. Sintomas extremamente frequentes, mas também profundamente desvalorizados.

Na prática clínica, é comum encontrar pessoas que passaram demasiado tempo a adaptar-se ao que sentiam. Mulheres que ouviram repetidamente que era “normal” sentirem-se cansadas. Pessoas que aprenderam a funcionar em permanente desgaste físico e emocional sem perceber que podia existir uma causa clínica concreta.

E talvez seja precisamente essa a grande armadilha das doenças da tiroide: raramente surgem de forma dramática. Não provocam, na maioria dos casos, um episódio agudo evidente. Instalam-se lentamente. Progressivamente. Quase de forma invisível.

Mas o impacto existe e está longe de ser irrelevante.

Quando não diagnosticadas ou inadequadamente controladas, as doenças da tiroide podem afetar significativamente a qualidade de vida, a saúde mental, o metabolismo, a fertilidade, a gravidez e o risco cardiovascular. No caso do hipotiroidismo, falamos frequentemente de uma doença crónica que exige terapêutica e acompanhamento para toda a vida.

Ainda assim, continua a existir uma perceção pública de que estas patologias representam apenas um “problema hormonal menor”. E essa visão simplista acaba por contribuir para atrasos no diagnóstico, banalização dos sintomas e desvalorização do impacto real da doença.

Num momento em que tanto se discute saúde mental, burnout, produtividade e exaustão coletiva, talvez devêssemos refletir melhor sobre aquilo que estamos a normalizar.

Nem todo o cansaço é doença. Mas também nem toda a fadiga persistente deve ser automaticamente atribuída ao stress ou ao estilo de vida.

A Semana Internacional da Tiroide, este ano dedicada ao tema “Thyroid & Nutrition”, procura precisamente chamar a atenção para a relação entre metabolismo, energia, alimentação e bem-estar. E esse enquadramento é particularmente relevante numa altura em que existe uma crescente tendência para tentar resolver sintomas complexos exclusivamente através de alterações de alimentação, suplementação ou estratégias de otimização do estilo de vida.

A alimentação é fundamental para a saúde global. Mas não deve substituir avaliação clínica quando existem sintomas persistentes.

O risco de banalizar permanentemente o mal-estar é começarmos a tratar apenas as consequências sem procurar compreender a causa.

Enquanto sociedade, habituámo-nos demasiado ao desgaste. E isso pode estar a atrasar o reconhecimento de doenças que têm tratamento, acompanhamento e impacto real na vida das pessoas.

Talvez esteja na altura de voltarmos a olhar para sintomas persistentes com mais atenção clínica e menos resignação coletiva.

Porque viver permanentemente cansado não deve ser considerado o novo normal.

·         Paula Freitas - Endocrinologista / Presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

 

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

O triunfo dos porcos | cartoon editorial da @revistasabado- Vasco Gargalo

AVIS:- Detenção por violência doméstica e Escravidão


O Comando Territorial de Portalegre, através do Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Especificas, no dia 26 de maio, deteve um homem de 65 anos, português, e uma mulher de 43 anos, portuguesa, por suspeitas da prática dos crimes de violência doméstica e de escravidão, no concelho de Avis.

No decorrer da investigação, os militares da Guarda realizaram diligências policiais que permitiram apurar que os suspeitos exerciam violência psicológica e física contra a vítima, um cidadão de 61 anos, que se encontrava à guarda dos suspeitos, tendo-se dado cumprimento a dois mandados de detenção fora de flagrante delito.

Os detidos foram presentes ao Tribunal Judicial de Fronteira, onde lhe foram aplicadas as seguintes medidas de coação:

Termo de Identidade e Residência;

Proibição de contactos de qualquer forma com a vítima e com as testemunhas constantes no processo;

Proibição de se aproximarem da residência da vítima num perímetro de 200 metros;

Apresentações semanais no posto/esquadra policial da área de residência.

Esta ação contou com o reforço do Núcleo de Apoio Operativo (NAO).

A violência doméstica é um crime público e denunciar é uma responsabilidade coletiva.

A Guarda Nacional Republicana realiza regularmente campanhas e ações de sensibilização sobre o tema da violência doméstica e relembra que, se precisar de ajuda ou tiver conhecimento de alguma situação de violência doméstica participe:

No Portal Queixa Eletrónica, em https://queixaselectronicas.mai.gov.pt ;

Via telefónica, através do número europeu de emergência 112;

·         No Posto da GNR mais próximo à sua área de residência, tendo os nossos contactos sempre à mão em www.gnr.pt/contactos.aspx;

Na aplicação App MAI112 disponível e destinada exclusivamente aos cidadãos surdos, em http://www.112.pt/Paginas/Home.aspx;

Na aplicação SMS Segurança, direcionada a pessoas surdas em www.gnr.pt/MVC_GNR/Home/SmsSeguranca;

Para mais informações, contactar o Tenente-Coronel David Teixeira Pires, Chefe da Secção de Operações, Treino e Relações Públicas – 961 193 010.

PORTALEGRE: Sessão evocativa da publicação "Poemas de Deus e do Diabo" e apresentação da revista "Estudos Regianos"


“Vem por aqui? — dizem-me alguns com os olhos doces...”

Há 100 anos, José Régio afrontava a literatura portuguesa com a publicação de “Poemas de Deus e do Diabo”, uma obra que desafiou o conservadorismo da época e que hoje celebramos como um marco da nossa cultura e uma afirmação estética do escritor.

No dia 30 de maio, a Casa Museu José Régio, em Portalegre, abre as portas para uma homenagem especial que une literatura, poesia e música.

17h00 | Apresentação da Revista “Estudos Regianos” (edição comemorativa do centenário dos “Poemas de Deus e do Diabo”), por Isabel Cadete Novais.

17h30 | Temáticas poéticas em “Poemas de Deus e do Diabo”, por Manuel Matos Nunes.

18h00 | Momento Poético com os alunos do Agrupamento de Escolas José Régio & Apontamento Musical pela Banda Euterpe.

Uma organização conjunta da Câmara Municipal de Portalegre, do Centro de Estudos Regianos, do Agrupamento de Escolas José Régio e da Banda Euterpe.

Venha redescobrir José Régio e celebrar o centenário desta obra ímpar connosco.

A entrada é livre.

Sobre “Poemas de Deus e do Diabo”:

Publicado em 1926, em Coimbra, com capa do seu irmão Júlio, está classificado como obra ímpar com a qual o escritor inicia a sua carreira literária e essencial para o conhecimento da obra regiana.

Editado em período muito conservador, o título e a capa da obra suscitaram, desde logo, algumas hesitações e uma certa afronta ao pudor. Hoje tem mais de 12 edições, a última de 2020, com oito desenhos do autor.

“Cântico Negro” um dos seus poemas mais conhecido, repetidamente dito e recitado, expressa bem a essência do autor, a sua maneira de ser e de estar, guiado por forças antagónicas e por vezes inconciliáveis.

Sobre os conferencistas:

Presidente do Centro de Estudos Regianos e diretora da revista “Estudos Regianos, Isabel Cadete Novais é uma das maiores especialistas da obra regiana, investigadora e autora de várias publicações fundamentais para o estudo e conhecimento do escritor. Tem proferido inúmeras palestras, organizado colóquios e exposições sobre o autor.

Também membro da direção do Centro de Estudos Regianos, Manuel Matos Nunes assume, com Isabel Cadete Novais, a direção da revista Estudos Regianos. Investigador e estudioso da obra regiana sobre a qual tem proferido palestras e conferências.

Os alunos da Escola José Régio irão apresentar poemas de José Régio e, também da sua autoria.

Os músicos da Banda Euterpe fecharão o evento com dois duetos de flauta e clarinete.

 

 

26.5.26

PORTALEGRE: Cooperativa Operária organiza mais uma Caminhada pela Cidade


A Cooperativa Operária Portalegrense convida todos os seus beneficiários a juntarem-se a nós para uma Caminhada pela Cidade, no próximo dia 29 de maio de 2026, pelas 9h30.

Esta iniciativa tem como objetivo promover o convívio, o bem-estar e hábitos de vida saudáveis, enquanto desfrutamos juntos das paisagens. É uma ótima oportunidade para socializar e praticar uma atividade física acessível a todos. Neste dia, realizaremos a rota que era realizada para chegar a tradicional Festa dos Aventais.

📍 Ponto de partida e chegada: Estacionamento da Robinson

🕒 Hora: 9h30

📅 Data: 29 de maio de 2026

📝 Inscrição:Não é necessária inscrição prévia – basta comparecer.

👟 Recomendações: Use roupa e calçado confortável e leve água consigo. E um lanchinho para o meio da manhã.

Informação importante: Não disponibilizamos seguro de participação.

SAÚDE: Politécnico de Portalegre seduz 50 dadores de sangue



Mais uma iniciativa a pensar em todos aqueles que necessitam de uma transfusão ‒ e que, afinal, pode ser um de nós ‒ teve lugar na cidade de Portalegre.

Desta feita a diligência partiu do Núcleo de Saúde da Associação Académica do Instituto Politécnico de Portalegre. Para o efeito foram estabelecidas colaborações com a Kyndryl, a Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, E.P.E (ULSAALE) e a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre (ADBSP).

Em boa hora foi pensada e concretizada esta colheita que se integrou nas comemorações do Dia do Enfermeiro. Os números foram surpreendentes, já que naquela manhã se inscreveram meia centena de voluntários. E as mulheres em grande maioria, pois compareceram três dezenas (60 %).

Em termos de unidades de sangue total angariadas nesta ação, contabilizaram-se 41, o que é significativo.

Dos presentes, 22 fizeram o seu batismo como dadores de sangue, um momento que jamais esquecerão. Que fixe se continuarem a repetir o gesto agora iniciado.

A ação decorreu em espaços do Campus Politécnico de Portalegre, junto da Zona Industrial da cidade.

E já agora percorra: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/


JR

GAVIÃO: 𝐒𝐞𝐦𝐢𝐧𝐚́𝐫𝐢𝐨 “𝐂𝐚𝐬𝐚𝐬 𝐞 𝐒𝐢́𝐭𝐢𝐨𝐬 – 𝐃𝐞𝐬𝐚𝐟𝐢𝐨𝐬 𝐞 𝐄𝐬𝐭𝐫𝐚𝐭𝐞́𝐠𝐢𝐚𝐬 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐠𝐫𝐚𝐭𝐢𝐯𝐚𝐬”


A Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, em parceria com a Rede Europeia Anti-Pobreza, Núcleo Distrital de Portalegre da EAPN Portugal, promoverá, no próximo dia 29 de maio de 2026, no Auditório do Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino, em Portalegre, o Seminário “Casas e Sítios – Desafios e Estratégias Integrativas”, iniciativa enquadrada no Plano de Atividades para 2026 do Grupo Operativo da Plataforma Supraconcelhia do Alto Alentejo.

Este seminário pretende constituir-se como um espaço de reflexão, diálogo e partilha de experiências em torno das questões relacionadas com a habitação, a coesão social e territorial e os desafios associados às desigualdades no acesso à habitação, com especial incidência nos territórios de baixa densidade.

A participação é gratuita, encontrando-se, contudo, sujeita a inscrição obrigatória, a qual poderá ser efetuada através do seguinte link: https://forms.gle/aESEzi7bs5c6LSsi9