Um total de 12 escolas primárias foi inaugurado, em Fevereiro, nos
distritos moçambicanos de Eráti, Mecubúri, Monapo e Muecate, num investimento
de quase 700 mil euros dinamizado pela Associação de Defesa do Património de
Mértola (ADPM) neste país.
As novas 12 escolas de 1.º ciclo, com três salas cada, assim como
quatro centros de recursos e 12 furos de água, foram inauguradas no âmbito do
projeto “Novos Horizontes”, que a ADPM, sediada em Mértola, promove na
província de Nampula, em Moçambique, desde novembro de 2024.
«O objetivo [deste investimento] é contribuir fortemente para o ensino
no 1.º ciclo, de uma forma mais consistente e com melhores condições», explicou
à agência Lusa o presidente da ADPM, Jorge Revez.
Segundo este responsável, as novas infraestruturas foram inauguradas no
arranque do novo ano letivo em Moçambique e irão «impactar a vida» de 9.370
alunos e quase uma centena de professores.
O investimento, avaliado em quase 700 mil euros, foi cofinanciado pela
delegação da União Europeia em Moçambique e pela Embaixada de Portugal em
Maputo, capital do país, através do instituto Camões.
Na opinião de Jorge Revez, este projeto «tem um impacto muito forte nas
crianças e nas comunidades», pois proporciona «condições de aprendizagem que
não existiam na maior parte destes locais», onde «algumas das aulas eram
debaixo das mangueiras» [árvore de fruto] ou «em infraestruturas completamente
degradadas».
A par disso, acrescentou, todas as escolas foram equipadas com água
canalizada e casas de banho, «o que é também uma novidade grande».
«São escolas dignas, daí que diga que [este investimento] é muito
importante para as próprias comunidades e um incentivo direto e indireto à
educação muito forte», reforçou Jorge Revez.
O programa “Novos Horizontes” vai ser dinamizado nesta província pela
ADPM, até 31 de Outubro de 2027, tendo como objetivo geral «contribuir para a
redução dos fatores de vulnerabilidade e para a resiliência das comunidades do
norte de Moçambique através da melhoria dos serviços sociais básicos», anunciou
a associação em comunicado.
A iniciativa visa, em concreto, «promover a melhoria das condições e do
acesso à educação na província de Nampula, em colaboração com as autoridades
públicas e mobilizando a sociedade civil».
O projeto, que tem a colaboração das organizações não-governamentais
HELPO e Ajopcipa e dos governos distritais de Érati, Muecate, Monapo e
Mecubúri, prevê a construção ou requalificação de infraestruturas escolares e a
promoção de um programa de aprendizagem acelerada.
Estão igualmente previstas, entre outras ações, a dinamização de um
programa de promoção da escolaridade feminina, a constituição de redes
comunitárias para a proteção da criança e a criação de um programa de incentivo
ao associativismo jovem.
«As obras são apenas a face visível [do projeto] e aquilo que é muito
necessário lá. Mas o nosso objetivo é, de facto, a capacitação de professores,
alunos, médicos e enfermeiros», frisou o presidente da ADPM.
O projeto “Novos Horizontes” constitui mais uma etapa no trabalho
desenvolvido pela associação alentejana na província de Nampula desde 1998,
através das iniciativas como “Superar a Sobrevivência”, “AGORA – Agricultura e
Oportunidades de Resiliência e Adaptação em Moçambique” ou “AGIR – Acesso
Garantido e Inclusão Reforçada da Mulher em Monapo”, entre outras.
«Temos contribuído decisivamente para o bem-estar e para a melhoria e
para o futuro de umas largas centenas de famílias naquela província», concluiu
Jorge Revez.
Março 7, 2026 - Sul Informação com Lusa