14.7.26
CASTELO DE VIDE: 𝐖𝐨𝐫𝐤𝐬𝐡𝐨𝐩 𝐁𝐨𝐥𝐞𝐢𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜̧𝐚
Organizada
pelo Município, através do Projeto CLDS-5G, e dinamizado por José Rui Serra,
Presidente da Junta de Freguesia de Santiago Maior, a iniciativa está agendada
para as 14h00 do dia 17 de julho e vai decorrer no Centro Municipal de Cultura.
O Workshop é
aberto ao público e a todos os que têm curiosidade de aprender a fazer a
tradicional Boleima de Maçã.
O CLDS-5G é
financiado por Fundos Europeus (FSE+. Pessoas 2030, Portugal 2030) e
cofinanciado pela União Europeia.
Eixo 3 –
Promoção da autonomia, envelhecimento ativo e longevidade.
Atividade 5
- Fórum Pessoas Maiores
ÉVORA: Programa de Voluntariado da Fundação Eugénio de Almeida
Queres fazer Voluntariado Internacional na Alemanha? Esta
oportunidade é para ti!
Está aberta uma oportunidade de Voluntariado na Steinbeis
Innovation Centre, Alemanha
Para quem? Jovens voluntários dos 18 aos 30 anos*
Que tarefas? Os jovens voluntários terão a oportunidade de
colaborar em diversas tarefas
Projeto 1 - Lar Residencial para Idosos: O/a voluntário/a
poderá colaborar em diferentes atividades, focadas no apoio a idosos em
situação de vulnerabilidade
Projeto 2 - Associação de Cidadãos de Oberried: O/a
voluntário/a poderá colaborar em diferentes atividades, focadas na resposta a
necessidades sociais emergentes, bem como a situações de emergência, através de
uma ação conjunta
Duração? 10 / 12 meses, a iniciar o mais breve possível
Onde? Projeto 1 - Wolfach | Projeto 2 - Oberried
Queres participar? Envia-nos o teu currículo e carta de
motivação, para nazare.jesus@fea.pt
* Uma vez que estes projetos se destinam a jovens com menos
oportunidades em termos de educação, esta organização na Alemanha não aceita
licenciados nem estudantes universitários.
Se tiveres dúvidas, contata-nos!
924 145 871
Inscrições até dia 16 julho 2026.
13.7.26
28.º Encontro de Etnografia e Folclore Cidade de Castelo Branco trouxe essência portuguesa aos albicastrenses
No livro de honra do evento, o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, escreveu que iniciativas desta natureza são fundamentais para a vida cultural das cidades, felicitando a Associação Cultural e Recreativa "As Palmeiras" por proporcionar aos albicastrenses momentos que "criam memórias e avivam os costumes de uma tradição longínqua". Também o presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco, José Dias Pires, destacou o contributo da associação para a valorização da cultura local, considerando que os sucessivos Encontros de Etnografia e Folclore têm promovido os valores simbólicos da cidade, do concelho e da região, reforçando o sentimento de pertença ao património comum.
Durante a sessão solene, o presidente da Associação Cultural
e Recreativa "As Palmeiras", Arlindo Fonseca, recordou que o Grupo de
Danças e Cantares da Beira Baixa tem "a responsabilidade e o orgulho de
preservar, promover e divulgar o património etnográfico que herdámos dos nossos
antepassados", agradecendo o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco,
da Junta de Freguesia de Castelo Branco, das empresas patrocinadoras, dos
associados, colaboradores e voluntários, sublinhando que é esse esforço
conjunto que permite continuar a afirmar e a fazer crescer este projeto.
A vereadora Christelle Domingos manifestou a sua admiração
pelo trabalho desenvolvido pela associação em prol da cultura tradicional,
afirmando que os presentes tiveram oportunidade de testemunhar "a essência
portuguesa" e de assistir "àquilo que de melhor se faz a nível
nacional". Também o diretor da Federação do Folclore Português, Carlos
Saraiva, enalteceu a riqueza cromática dos grupos participantes, considerando
que o público "teve a possibilidade de assistir a um bom festival de
folclore" e sublinhando que "hoje, aqui, em Castelo Branco, cumpre-se
a Portugalidade".
Ao povo albicastrense, que voltou a marcar presença em
grande número nos Paços do Concelho de Castelo Branco, a Associação Cultural e
Recreativa "As Palmeiras" deixa o seu agradecimento, renovando o
compromisso de continuar a contribuir para a valorização e divulgação da
cultura tradicional e popular na cidade e no concelho.
Voltamos em 2027, no segundo sábado de julho.
MARVÃO: XXI Feira do Livro
🗓 15 de julho a 2 de agosto
📍 Salão Nobre dos Paços do Concelho
🕥 10h30/19h30 - Entrada livre
15 de julho (quarta-feira)
21h00: Abertura e inauguração oficial da Feira do Livro
Atuação do grupo musical “Gente Nossa”
16 de julho (quinta-feira)
10h30: Visita da Ludoteca da Portagem à Feira do Livro
17 de julho (sexta-feira)
10h30: Visita da Ludoteca de Santo António das Areias à Feira do Livro
18h30: Encontro com o escritor Lourenço Seruya
19 de julho (domingo)
11h00: “Histórias de sonho”, por Sofia Vieira, da livraria Aqui Há Gato!
16h00: Apresentação do livro “O progresso da humanidade”, de Rui Cardoso Martins e João Sequeira
17h30: Tertúlia e passeio literário “Pormenores de Marvão”, inspirado nas “Memórias da Freguesia de Santa Maria de Marvão” (número especial da Revista Cultural Ibn Maruán)
22 de julho (quarta-feira)
21h00: I Encontro de Leitores de Marvão
25 de julho (sábado)
15h00: Apresentação do livro “Arronches, a terra onde não chovia”, de José Botelheiro
17h30: Encontro com o escritor Raul Minh’Alma
26 de julho (domingo)
17h00: Apresentação do livro “Os avós”, de António Pereira e Joana Gancho
[Comemoração do Dia dos Avós]
1 de agosto (sábado)
15h00: Apresentação do livro “Ammaia contada aos gaiatos”, de Teresa Simão e João Aires
OPINIÃO: Quando as torneiras secam
Não é o primeiro verão de serviço intermitente na Costa de
Caparica, mas - contaram os residentes e os empresários ao jornalista Rogério
Matos - é o primeiro em que os cortes surgem sem aviso prévio, a qualquer hora
e, ainda pior, de duração incerta. É fácil apontar o dedo à escalada no consumo
de água e ao aumento de residentes no verão. Não é o desejável para os
territórios com bela costa marítima que o verão traga turistas e visitantes que
alimentem a economia local?
A Câmara de Almada pode e deve apelar à consciência social
dos cidadãos, para que façam um consumo mais regrado e até pode usar as tarifas
da água para impor essa redução por via do preço, em caso de lapso de
consciência dos munícipes. No entanto, tendo Portugal vivido dias de intenso
calor, era expectável que o consumo de água disparasse. O que não é expectável
em 2026 é que não haja planeamento municipal e inter-regional capaz de evitar
que as torneiras sequem.
Antes de investir no acessório, os autarcas têm o dever de
investir no essencial. E o essencial é que, em Almada, se deixem de perder 284
litros de água por ramal e por dia e que mais de um terço (33,4% e acima da
média nacional, que é de 26,5%) da água distribuída não seja faturada, como
descreve a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) no
último relatório anual. Também a ERSAR não pode desresponsabilizar-se, pois
permitiu que o serviço oferecido por Almada continue a não ser fiável ao longo
de anos.
Carla Sofia Luz – Jornal de Notícias -13 de julho, 2026
SAÚDE: 35 dadores na colheita de Avis
No almanaque 2026 este foi um dia dos mais inóspitos, devido a abrasantes temperaturas. Mas este contexto não alterou a vontade dos dadores de sangue em marcarem mais uma ação da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – e da Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE.
O centro de saúde de Avis recebeu 35 inscrições de
voluntários. Destes, uma vintena eram do sexo feminino. As mulheres estiveram
em ampla maioria, e ainda bem, com 57,1 % de presenças. Tratou-se pois de uma
brigada produtiva.
Uma vez avaliados clinicamente os presentes, alguns não
puderam participar como desejavam. Mas 31 de unidades de sangue total partiram
de Avis para os serviços de saúde, o que é de se aplaudir!
Doaram sangue pela primeira vez na vida três pessoas, o que
é desafiante.
Não faltou o habitual almoço convívio, que reuniu os envolvidos nesta ocasião. A Câmara Municipal de Avis apoiou a materialização desta refeição.
As brigadas da ADBSP têm lugar em sábados da parte da manhã.
Vamos estar a 18 de julho em Castelo de Vide e no quartel bombeiros (por motivo
de obras no centro de saúde). Já a 25 de julho faremos uma colheita em
Fronteira, no centro de saúde.
Seja solidário e visite:
https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/
JR
12.7.26
PREVENÇÃO: Cardiologistas de Intervenção alertam para a importância de cuidar do coração durante o verão
A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC)
está a dinamizar a quinta edição da campanha de consciencialização “A saúde do
coração não tira férias”. A iniciativa renova o apelo à adoção de hábitos
saudáveis e comportamentos preventivos face à doença coronária durante o verão.
“As doenças cardiovasculares mantêm-se como a principal
causa de morte em Portugal e no mundo. O verão traz consigo as férias e, claro,
um ritmo mais calmo, mas o coração não descansa. O calor extremo que se faz
sentir, pode levar à desidratação, ao aumento da pressão sobre o coração e, em
situações mais graves, contribuir para o aparecimento de um golpe de calor. É
primordial manter a hidratação ao longo do dia, evitar a exposição ao calor nas
horas de maior intensidade, optar por ficar em locais frescos e arejados, e ter
em atenção os sinais que o corpo dá”, explica Joana Delgado Silva, presidente
da APIC.
Com as medidas preventivas, reduz-se a probabilidade de
desenvolver ou agravar a doença coronária, uma condição caracterizada pela
acumulação de depósitos de gordura no interior das artérias que fornecem sangue
ao coração. Esses depósitos causam um estreitamento ou obstrução das artérias,
o que provoca uma diminuição dos níveis de oxigénio e nutrientes que chegam às
células do músculo cardíaco. As principais manifestações da doença coronária
são a angina de peito e o enfarte agudo do miocárdio.
De acordo com a presidente da APIC, “os nossos hábitos
quotidianos têm um impacto direto na saúde do coração, independentemente da
época do ano, pelo que é fundamental continuar a praticar atividade física,
evitar o álcool, não fumar e fazer escolhas alimentares conscientes, sem
excessos de açúcar e gordura”.
Perante sintomas de alarme como dor no peito, suores,
náuseas, vómitos ou falta de ar, a orientação é ligar de imediato para o 112 e
aguardar pela ambulância. A Via Verde Coronária está disponível, com cobertura
a nível nacional, 24 horas por dia, todos os dias do ano, mesmo em tempo de
férias.
Para evitar um enfarte é importante adotar um estilo de vida
saudável: não fumar; reduzir o colesterol; controlar a tensão arterial e a
diabetes; fazer uma alimentação saudável; vigiar o peso; evitar o sedentarismo
e o stress.
SINES: Festival Músicas do Mundo com Som Imersivo
Pela primeira vez num festival de música em Portugal, o som
ganha uma nova dimensão.
L-ISA Immersive Audio é uma tecnologia inovadora que envolve
o público numa experiência sonora tridimensional, onde cada voz, cada
instrumento e cada detalhe ocupam o seu lugar no espaço.
Mais do que ouvir um concerto, o público vai senti-lo à sua
volta.
Uma estreia nacional em festivais de música, que reforça o
posicionamento do Festival Músicas do Mundo como palco de inovação e de
experiências culturais únicas.
Exploração comercial da embarcação turística em Cedillo posta a concurso pela Diputación de Cáceres
«A Diputación de Cáceres abriu um concurso para conceder a
exploração turística e comercialização do produto "Rotas Turísticas
Fluviais Guiadas e Interpretadas" no Parque Natural do Tejo Internacional
com base na embarcação turística de Cedillo.
O Prazo para apresentação de propostas: até às 23:59 horas
de dia 20 de Julho de 2026.
Mais informações estão disponíveis no Portal de Licitações da Diputación de Cáceres.
In Notícias de Castelo de Vide
OPINIÃO: Ganância versus Fraternidade
* José Oliveira Mendes - 2 de Julho de 2026
11.7.26
MUSEU DO NEO-REALISMO: Apresentação do livro "Adriano - A Obra"
Octávio
Fonseca revisita toda a carreira de Adriano, revelando não apenas o intérprete
de voz singular, mas também o músico, compositor e instrumentista que foi.
Através da análise da sua discografia e da reconstituição rigorosa do seu
percurso, esta obra convida à redescoberta de um legado fundamental da cultura
portuguesa.
A
sessão contará com a presença do autor e com apresentação de José Moças, editor
e produtor discográfico, fundador da Tradisom e reconhecido pelo seu trabalho
na preservação e divulgação da música portuguesa.
📅
12 de Julho, entrada livre
🕓
16h00
📍
Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira
ESPECIAL - "“Alguns autarcas julgam erradamente, que o poder local reside neles próprios e não nos cidadãos da autarquia” – ANTÓNIO MONTALVO in JN 07.07.2004 (2ª parte da Entrevista)
O
segundo vício do sistema tem a ver com a composição dos órgãos das autarquias e
com as relações entre eles. O sistema em vigor dificulta a formação nas câmaras
municipais de maiorias absolutas do partido mais votado. Ora, quando o partido
mais votado não tem a maioria absoluta faz muitas vezes uma aliança com outro
partido minoritário para poder ter maioria nas votações. A formação destas
alianças passa pela oferta ao partido minoritário aliado de alguns lugares de
vereadores em permanência. Em minha opinião estas alianças são negativas do ponto
de vista democrático. Por um lado, fazem desaparecer o debate e o confronto
político dentro das câmaras, porque os partidos minoritários podem ficar reféns
da vontade do partido mais votado. Por outro lado estas alianças geram na
opinião pública a ideia de que houve um negócio feito na “secretaria” pelos
partidos depois das eleições, de que os eleitores não estavam informados quando
votaram.
Isto também se passa, infelizmente, a nível nacional, com alianças entre partidos feios para apoio de governos de coligação, sem que sem que os eleitores fossem previamente de que essas coligações iam ser feitas.
O
terceiro vício tem a ver com o sistema de relações entre os órgãos executivos
(câmaras e juntas de freguesia) e os deliberativos. Segundo diz a lei, os
executivos são responsáveis perante os deliberativos e estes devem fiscalizar
os executivos. O que se passa na prática é o oposto disso, porque os
deliberativos não têm poderes para fiscalizar coisa nenhuma. e as câmaras
municipais não são responsáveis perante as assembleias municipais porque são
eleitas por eleição directa dos cidadãos
e não pelas assembleias como se passa em todos os países da Europa.
AM - Acabei de referir uma grande diferença entre o modelo português e todos os outros modelos europeus. Portugal é o único país da Europa onde os municípios tem dois órgãos que são eleitos por eleição directa, cujo funcionamento e autónomo e que só respondem perante o povo que os elegeu. As câmaras são uma segunda assembleia, com mais poderes que a assembleia municipal e que decide tudo o que é importante desde os contratos aos investimentos passando pela concessão dc subsídios e pela admissão de funcionários. Nos outros países da Europa, os órgãos deliberativos são eleitos por eleição popular, como cá, mas as câmaras são eleitas pelas assembleias, executam as deliberações das assembleias e respondem perante elas. Julgo este sistema mais positivo porque valoriza a posição do órgão mais representativo que é a assembleia e porque à partida impõe maior controlo democrático na gestão municipal.
Outra
importante diferença relativamente a muitos países europeus refere-se ao regime
de remuneração dos membros das câmaras municipais. Não me parece adequado que
os membros das câmaras (refiro-me aos presidentes e vereadores a tempo inteiro)
não mantenham, depois de eleitos, os empregos e actividades de professores,
bancários ou advogados que exerciam antes da eleição e passem a exercer funções
municipais a tempo inteiro e a receber do município uma remuneração muito
razoável. Em muitos casos esta situação provoca um aumento muito significativo
dos rendimentos dessas pessoas e uma alteração muito visível no seu estilo de
vida. Em especial nos municípios mais pobres, este regime de remuneração deu
origem ao aparecimento de uma nova a elite social, que se distingue do resto da
comunidade local, e reforçou a ideia do nosso povo de que os políticos querem
ir para esses cargos para ganharem dinheiro. Ora como esta ideia muitas vezes é
injusta o regime de remuneração dos
membros das câmaras devia ser revisto e
aproximar-se do que existe na generalidade dos países da Europa. O Conselho da
Europa publicou um relatório onde pode ler-se que na Holanda, na Dinamarca, na
Suécia, na Suíça, na Noruega, na Alemanha, no Luxemburgo, na França e na
Bélgica só os presidentes das câmaras municipais das grandes cidades, em geral
com mais de 40.000 habitantes, exercem funções a tempo inteiro e recebem uma
remuneração por isso. No Reino Unido e na Irlanda nenhum membro das câmaras,
nem mesmo o presidente, exerce funções a tempo inteiro, nem nas grandes
cidades. Todos mantém depois de eleitos, as actividades que exerciam antes. Em
todos esses países a remuneração das funções municipais é feita através de senhas
de presença nas reuniões e de reembolsos por despesas feitas ao serviço da
autarquia. Este regime de exercício de funções sem pagamento de um ordenado aos
eleitos reforça a ideia da sua dedicação à causa pública.
JN - Tendo em conta a integração num espaço
comum (a UE) e o fenómeno da globalização, acha que a autonomia municipal tende
a ser, progressivamente, subvertida ou aniquilada, ou, pelo contrário, haverá
condições para a sua afirmação como um poder autónomo e mais forte, tanto em
matéria de financiamento como no que se refere a atribuições e competências.
AM - A autonomia local é um princípio constitucional que nenhum governo pode destruir ou ignorar, mas não pode ser apenas um princípio. A questão está em reforçar o seu conteúdo, não só em termos de competências e de financiamento das autarquias, mas também em termos de dinamização das comunidades locais e de fomento das suas iniciativas e capacidades. O regime financeiro das nossas autarquias tem dc ser revisto urgentemente, sob pena da autonomia local não passar de um chavão. Em termos médios nacionais, a valores de 2002, cerca de 53% das receiras municipais são transferências do Orçamento do Estado. Em 154 municípios portugueses essas transferências representam 85% das suas receitas. A dependência em relação ao Estado é hoje tão grande como a que existia antes do 25 dc Abril. E quanto às freguesias, a dependência é ainda muito maior. Temos que reforçar as receitas fiscais dos municípios, sem aumento da carga fiscal, através de um programa de troca de transferências por impostos. O Estado não perderá receitas, o cidadão não pagará mais impostos e as autarquias aumentarão as receitas fiscais e a sua responsabilidade perante quem paga impostos.
JN - O poder local democrático foi, em
tempos, apontado como exemplo de participação dos cidadãos e o mais visível
espaço de liberdade e democracia. Actualmente, parece enfermar dos mesmos males
de que padecem os outros órgãos de poder. Em seu entender, a que devemos
atribuir este “estado de coisas"?
AM -
O Poder Local foi um campo de grande participação social nos primeiros anos
depois da revolução de 1974/75. Surgiram de forma espontânea muitas iniciativas
dos cidadãos, havia um voluntarismo enorme nas pessoas, criaram-se comissões de
moradores por todo o lado, as pessoas participavam muito nas reuniões públicas
dos órgãos autárquicos.
Isso
foi, em parte, fruto do clima revolucionário que se viveu e que favorece a
mobilização das pessoas. Esse clima não podia durar sempre, mas sinto que se
passou do oito para o oitenta. No início dos anos 80 do século passado, o Poder
Local, isto é, as comunidades locais, perdeu muito da sua energia porque nessa
altura o "poder" instalou-se nas autarquias. E instalou-se com as
leis e as regras que regem a sua actividade, com os seus aparelhos político-partidários,
com os seus procedimentos administrativos muito rígidos, com um só dia, ou meio-dia,
por semana para receber os munícipes, com tudo aquilo que naturalmente impede a
participação dos cidadãos. A partir daí foi-se perdendo a relação de
cumplicidade e de igualdade entre cidadãos e eleitos que alimentou a ligação
entre eles durante o primeiro mandato e principio do segundo. Este processo de
afastamento não foi, infelizmente, contrariado com iniciativas participativas
dos órgãos das autarquias. As comissões de moradores que a Constituição prevê
não foram apoiadas e acabaram por morrer em todo o lado Os referendos locais só
ainda foram realizados em duas autarquias do país. As associações criadas pelos
cidadãos têm pouco apoio e às vezes nenhum, como é o caso da nossa. Não se
promovem programas de ocupação e de integração dos idosos na vida activa das
comunidades, eles que tanto podiam ainda dar, em especial aos jovens, na
transmissão de saberes e de tradições antigas. O isolamento dos órgãos
autárquicos na gestão das autarquias cria um fosso entre eles e as populações e
atrofia o dinamismo das comunidades e as iniciativas dos seus cidadãos.
"É fundamental a valorização dos recursos endógenos das regiões".
JN - Em seu entender e porque já deteve responsabilidades na gestão de uma Comissão de Coordenação Regional (CCRLVT), o que impede o país de funcionar como um todo, com laços afectivos, fortes, complementares e não, como sucede, "partido ao meio", dividido em regiões ricas e regiões deprimidas, onde o síndroma da desertificação, fisica/humana é já uma realidade?
AM -
Desde há vários séculos que o país começou a partir-se em dois. Desde o início
da expansão marítima e do comércio marítimo que a população se foi fixando com
maior densidade ao longo do litoral. Mais tarde, o desenvolvimento industrial
em vários polos do litoral fez surgir aí melhores oportunidades de emprego e
melhores condições de sustento. Nasceram assim alguns grandes urbanos que foram
crescendo à custa de milhares de pessoas deslocadas do interior.
UM POEMA POR DIA, BEM QUE SABIA - António Jacinto
Eu queria escrever-te uma carta
Amor,
Uma carta que dissesse
Deste anseio
De te ver
Deste receio
De te perder
Deste mais que bem querer que sinto
Deste mal indefinido que me persegue
Desta saudade a que vivo todo entregue...
Eu queria escrever-te uma carta
Amor,
Uma carta de confidências íntimas,
Uma carta de lembranças de ti,
De ti
Dos teus lábios vermelhos como tacula
Dos teus cabelos negros como diloa
Dos teus olhos doces como macongue
Dos teus seios duros como maboque
Do teu andar de onça
E dos teus carinhos
Que maiores não encontrei por ai...
Eu queria escrever-te uma carta
Amor,
Que recordasse nossos dias na capopa
Nossas noites perdidas no capim
Que recordasse a sombra que nos caia dos jambos
O luar que se coava das palmeiras sem fim
Que recordasse a loucura
Da nossa paixão
E a amargura da nossa separação...
Eu queria escrever-te uma carta
Amor,
Que a não lesses sem suspirar
Que a escondesses de papai Bombo
Que a sonegasses a mamãe Kiesa
Que a relesses sem a frieza
Do esquecimento
Uma carta que em todo o Kilombo
Outra a ela não tivesse merecimento...
Eu queria escrever-te uma carta
Amor,
Uma carta que ta levasse o vento que passa
Uma carta que os cajus e cafeeiros
Que as hienas e palancas que os jacarés e bagres
Pudessem entender
Para que se o vento a perdesse no caminho
Os bichos e plantas
Compadecidos de nosso pungente sofrer
De canto em canto
De lamento em lamento
De farfalhar em farfalhar
Te levassem puras e quentes
As palavras ardentes
As palavras magoadas da minha carta
Que eu queria escrever-te amor
Eu queria escrever-te uma carta...
Mas, ah, meu amor, eu não sei compreender
Por que é, por que é, por que é, meu bem
Que tu não sabes ler
E eu - Oh! Desespero! - não sei escrever também!
·
António Jacinto
OPINIÃO: O problema nunca esteve nela
A morte de uma jovem de 16 anos, alegadamente assassinada
pelo namorado em Odivelas, não é apenas mais um crime. É também o retrato de um
fracasso coletivo na prevenção da violência nas relações afetivas,
particularmente entre os mais jovens.
Continuamos a associar a violência doméstica a relações
longas, casamentos ou uniões de facto. No entanto, a realidade mostra-nos algo
diferente. Os comportamentos de controlo, os ciúmes obsessivos, o isolamento
social e as diversas formas de agressão surgem cada vez mais cedo, muitas vezes
durante a adolescência.
Muitos jovens crescem rodeados de mensagens que confundem
amor com posse e afeto com controlo. A vigilância constante, a exigência de acesso
ao telemóvel, o controlo das redes sociais, a limitação das amizades ou a
necessidade de saber permanentemente onde o outro está são frequentemente
apresentados como sinais de amor. Não são.
A violência raramente surge de forma repentina. Instala-se
gradualmente. Começa com o controlo, evolui para as humilhações, para as
ameaças e para a agressão psicológica e, em alguns casos, culmina na violência
física.
O mais inquietante é que estes sinais são, muitas vezes, visíveis. São observados por amigos, familiares, colegas de escola e até por adultos responsáveis. Ainda assim, continuam frequentemente a ser desvalorizados como "coisas da idade", "problemas de namorados" ou simples manifestações de ciúme. Não são.
E quando a tragédia acontece, a atenção continua demasiadas
vezes a ser direcionada para a pessoa errada. Pergunta-se porque não terminou a
relação mais cedo. Porque não contou a alguém. Porque não denunciou. Porque ficou.
Mas a questão essencial é outra: porque agride alguém quem
diz amar? Porque sente alguém que tem o direito de controlar, humilhar, ameaçar
ou destruir a vida de outra pessoa? Porque continua a existir quem encare a
autonomia do outro como uma afronta e a rejeição como uma ofensa intolerável?
A violência nunca encontra a sua causa na liberdade da
vítima. Encontra-a sempre na decisão do agressor de exercer poder, domínio e
controlo.
Enquanto continuarmos a procurar respostas nos
comportamentos de quem sofreu a violência, estaremos a desviar o olhar do
verdadeiro problema. Nenhuma forma de vestir, nenhuma amizade, nenhuma mensagem
ou nenhuma decisão de terminar uma relação explica ou justifica uma agressão. A
responsabilidade pertence sempre a quem a pratica.
Talvez por isso seja tão importante mudar o foco da
prevenção.
Não basta ensinar as potenciais vítimas a reconhecer sinais de perigo e a proteger-se. É necessário ensinar os potenciais agressores a reconhecer sinais de abuso nos seus próprios comportamentos e a pôr cobro aos mesmos.
Nenhum jovem nasce agressor. Nenhum jovem nasce preparado
para ser vítima. Estas realidades constroem-se através de contextos familiares,
sociais e culturais que importa compreender e transformar. A educação para a
igualdade, para o respeito mútuo e para a gestão saudável dos conflitos não é
um luxo ideológico, é uma necessidade de segurança pública.
As escolas têm aqui um papel fundamental, mas não podem
estar sozinhas. As famílias, os serviços de saúde, as estruturas de proteção de
crianças e jovens, as forças de segurança e toda a comunidade têm de assumir
que a prevenção da violência começa muito antes da primeira agressão. Começa na
forma como educamos para lidar com a rejeição. Começa na forma como ensinamos a
reconhecer sinais de perigo. Começa, sobretudo, na mensagem clara de que
ninguém pertence a ninguém.
Sempre que uma jovem perde a vida às mãos de quem dizia
amá-la, repetem-se as mesmas perguntas: "Como foi possível?",
"Ninguém percebeu?", "Não havia sinais?". Talvez a pergunta
mais importante seja outra: o que estamos verdadeiramente a fazer para impedir
que isto volte a acontecer?
Uma jovem de 16 anos deveria estar a fazer planos para o
futuro. Deveria estar a escolher um curso, a sonhar com amizades, projetos e oportunidades.
Não deveria transformar-se numa estatística
O verdadeiro escândalo não é apenas que este crime tenha
acontecido. É que, perante tantos casos semelhantes, continuemos a reagir como
se fossem imprevisíveis.
Enquanto confundirmos controlo com amor e posse com afeto,
continuaremos a chegar tarde. E quando chegamos tarde já não há prevenção
possível. Há apenas luto.
E permanece uma pergunta incómoda, mas indispensável: até
quando continuaremos a perguntar às vítimas o que poderiam ter feito de diferente,
em vez de perguntarmos a quem agride porque acredita ter o direito de destruir
uma vida alheia?
Porque quando uma rapariga de 16 anos morre às mãos de quem
dizia amá-la, não morre apenas uma vida.
Morre a filha de alguém. A neta de alguém. A irmã de alguém.
A sobrinha de alguém.
Mas morre também uma parte da nossa capacidade coletiva de
reconhecer uma verdade simples e essencial:
O problema nunca esteve nela.
Esteve sempre em quem escolheu a violência.
· * Mariana Roque Caetano - Juíza de
Direito ~16 de junho, 2026
OPINIÃO: Cachupa e vinho para brindar ao futebol
Sucede que o futebol, o original, o que se joga no relvado, onze contra onze, impõe-se de vez em quando ao outro, o dos milhões, o das manipulações políticas de bastidores e do exibicionismo dos medíocres senhores do Mundo. O futebol resgata-se a si próprio e volta a ser o espaço das emoções, da valentia, da técnica, do virtuosismo, de um patriotismo saudável, porque multicultural, quando assistimos a jogos como o Bélgica-Senegal, o Portugal-Croácia ou essa inacreditável aventura que foi o Argentina-Cabo Verde.
Apesar
do repugnante Infantino, o vassalo de Trump, omnipresente nas bancadas e nos
ecrãs de televisão; apesar da pausa para hidratação, que serve apenas para
hidratar com milhões os mesmos de sempre; apesar do preço dos bilhetes, que fez
com que fosse mais fácil encontrar uma agulha num palheiro, do que alguém que
tivesse pagado menos de mil euros para ver Portugal em Toronto; apesar do
racismo evidente no veto à entrada de um árbitro nos EUA, só porque era somali,
ou do abuso da lei do mais forte, que obrigou os iranianos a jogarem nos EUA e
a pernoitarem no México...
Apesar
disso, tudo parece esbater-se perante o génio bipolar de um Leão e a garra de
um Ramos; perante o virtuosismo inacreditável de Messi ou a força tranquila de
um Vozinha que, para citar uma crónica no "The Guardian", joga
futebol por amor e a troco de tostões. São onze contra onze, mas a Alemanha não
ganha sempre. Ontem, vendo e emocionando-me com o sonho cabo-verdiano,
esqueci-me dos facínoras que colonizaram o futebol e recordei o pequeno
restaurante da Rua de São Pedro, que descobri recentemente junto ao Porto de
Leixões. Voltarei ao "El Gaúcho Criolo", para uma cachupa e um vinho
argentino e brindar ao que o futebol tem de bom.
Rafael
Barbosa – Jornal de Notícias - 5 de julho, 2026





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