José
Oliveira Mendes - 23 de Julho de 2026
23.7.26
OPINIÃO: Os políticos que temos
EDP abre candidaturas para programas de formação em energia solar e eólica
A EDP abriu
esta terça-feira as candidaturas para a primeira edição do Energy Professionals
Solar e para a segunda edição do Energy Professionals Wind, consolidando a
aposta da empresa na criação de oportunidades de capacitação e emprego nas
comunidades onde desenvolve projetos de energias renováveis.
Integradas
no programa Skills – Energy Professional, as duas iniciativas visam capacitar
profissionais para o setor das energias renováveis, promovendo simultaneamente
a qualificação de talento local e a criação de oportunidades de emprego nas
comunidades onde a empresa opera.
O Energy
Professionals Wind destina-se a residentes nos municípios de Alenquer, Torres
Vedras e Peniche, enquanto o Energy Professionals Solar é dirigido a residentes
em Portalegre, Mação, Vila Velha de Ródão, Proença-a-Nova e Nisa. As
candidaturas decorrem até 12 de setembro e destinam-se a pessoas entre os 18 e
os 45 anos, com escolaridade obrigatória concluída e disponibilidade para
deslocações.
O início das
formações está previsto para 21 de setembro, devendo concluir até ao final do
ano. Os interessados podem consultar mais informações e apresentar a
candidatura através do website do programa Skills – Energy Professional.
A principal
novidade desta edição é o lançamento do primeiro Energy Professionals Solar em
Portugal. Destinado à formação de técnicos de operação e manutenção de centrais
solares, o curso decorre no Centro de Formação para a Transição Energética, em
Portalegre, combinando componentes teóricas e práticas para preparar
profissionais para um setor em forte crescimento.
Em
simultâneo, a EDP dá continuidade ao Energy Professionals Wind com a segunda
edição do programa em Portugal. A formação, assegurada pela Cedros e
certificada pela Global Wind Organisation (GWO), combina componentes online e
presencial, incluindo uma componente prática em Setúbal, visitas técnicas e
certificação reconhecida internacionalmente para os participantes que concluam
o curso com sucesso.
O programa
eólico integra uma iniciativa já implementada pela EDP em Espanha, onde tem
contribuído para a formação de profissionais e para a criação de oportunidades
de emprego em comunidades impactadas pelo desenvolvimento de projetos de
energias renováveis.
A aposta na
continuidade do programa eólico surge após os resultados alcançados na primeira
edição realizada nos concelhos de Montalegre e Boticas. Um mês após a conclusão
da formação, cerca de metade dos participantes encontrava-se já integrada
profissionalmente, demonstrando o potencial da iniciativa para promover emprego
qualificado e gerar impacto positivo nos territórios onde a EDP desenvolve
projetos de energias renováveis.
A iniciativa
conta com a colaboração de parceiros como a APREN, a Vestas, a CME, a Cedros e
o Centro de Formação para a Transição Energética, integrado no programa global
de investimento social da EDP, Y.E.S. – You Empower Society, que apoia projetos
com impacto positivo nas comunidades através da educação, capacitação, inclusão
e promoção de oportunidades.
O Energy
Professionals reforça, assim, o compromisso da EDP com a capacitação de talento
local, o desenvolvimento das comunidades onde opera e uma transição energética
justa e inclusiva.
In www.jornaleconomico.sapo.pt – 22.7.2026
FOTO: View
of a hybrid power park with solar panels and wind turbines in Sabugal,
Portugal, January 12, 2023. REUTERS/Pedro Nunes
22.7.26
OPINIÃO: Testamento cívico de Luís Represas
Durante
cinquenta anos, Luís Represas ajudou a escrever uma parte da história da música
portuguesa. Primeiro com os Trovante, que reinventaram a música popular
portuguesa ao cruzar tradição e modernidade, depois numa carreira a solo onde
os seus temas passaram a fazer parte da vida de várias gerações
Morreu aos
69 anos, vítima de doença prolongada. Partiu um dos artistas mais acarinhados
do país, mas permanece um legado que nunca se limitou às canções. Porque Luís
Represas nunca acreditou que a música existisse apenas para entreter.
Acreditava que podia despertar consciências, preservar memórias e aproximar
pessoas. Foi isso que aconteceu com "Timor", uma canção que
ultrapassou rapidamente o universo musical para se transformar num símbolo da
solidariedade portuguesa para com o povo timorense.
Num tempo em
que Timor-Leste permanecia ocupado e distante dos olhares do mundo, a voz de
Luís Represas ajudou a manter viva uma causa. O compromisso prolongou-se muito
para além da música. Depois da independência, Jorge Sampaio convidou-o a
integrar a visita oficial presidencial a Timor-Leste. Mais tarde, seria
distinguido pelo presidente Taur Matan Ruak com a Medalha da Ordem de
Timor-Leste, um reconhecimento pelo papel que desempenhou na divulgação daquela
luta.
Também
"Saudade" ganhou um significado que ultrapassou o palco. A canção foi
escolhida para uma campanha nacional de segurança rodoviária, lembrando que,
por detrás de cada acidente, ficam vidas interrompidas e famílias marcadas pela
ausência. A sua música transformava-se, uma vez mais, numa linguagem capaz de
servir uma causa pública.
Nunca fez da
política uma profissão. Mas nunca foi indiferente ao país.
Numa
entrevista ao Jornal de Notícias, deixava uma reflexão que continua atual:
"A democracia, sendo o melhor de todos os males, tem um problema
soporífero." E acrescentava outra ideia que dizia muito sobre a forma como
via os portugueses: "Fomos capazes de dizer basta sem ninguém com uma
caneta a instigar-nos." Acreditava numa cidadania ativa, participativa e
exigente. Preferia construir pontes através da cultura a alimentar divisões
através da política.
Essa forma
de olhar o mundo repetia-se nas entrevistas.
Perante Ana
Sousa Dias, dizia ser "um homem tranquilo e inquieto". Ao jornalista
José Cândido Sousa recusava rótulos para a música e defendia que a identidade
portuguesa nunca precisou de imitar ninguém. A João Gil explicava que nunca
quis repetir fórmulas de sucesso, preferindo continuar a descobrir novos
caminhos. Falava muitas vezes do mar, onde encontrava silêncio e liberdade, e
da língua portuguesa como um património comum que merecia ser protegido.
Talvez por
isso tenha aceite, já nos últimos anos, apresentar "Língua Mãe",
programa da Sociedade Portuguesa de Autores na CMTV. Parecia um destino
natural. Conversava com escritores, músicos, atores e criadores de todo o
espaço lusófono, celebrando a língua portuguesa e defendendo os direitos de
autor com a mesma serenidade com que sempre falou da música.
Pelo caminho
recebeu algumas das mais importantes distinções da carreira. Em 2005 foi feito
Comendador da Ordem do Mérito pelo Estado português. Em 2019 a Sociedade
Portuguesa de Autores atribuiu-lhe o Prémio Pedro Osório pelo álbum "Boa
Hora". Publicou ainda o livro infantil "A Coragem de Tição",
integrado no Plano Nacional de Leitura, revelando uma curiosidade que nunca
conheceu fronteiras.
Colaborou
com José Afonso, Fausto Bordalo Dias, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Jorge
Palma, Pablo Milanés, Ivan Lins, Gilberto Gil, Martinho da Vila, Simone, Compay
Segundo, Carlinhos Brown e Phil Collins. Nunca colecionou nomes. Colecionou
encontros.
No fundo, Luís
Represas deixou muito mais do que uma discografia. Deixou uma ideia de país. Um
país onde a cultura é memória, a música pode mudar consciências e a língua
portuguesa continua a ser um lugar de encontro.
Há artistas
que deixam canções. Luís Represas deixa um pedaço da identidade de Portugal. E
esse dificilmente conhecerá silêncio.
Catarina
Ferreira – Jornal de Notícias - 22 de julho, 2026
OPINIÃO: Confiança suspensa
Carla Sofia Luz – Jornal de Notícias - 21 de julho, 2026
21.7.26
MÚSICA: Candidaturas para a criação da Orquestra Regional do Alentejo estão abertas até Setembro
As candidaturas ao concurso para a criação da Orquestra Regional do Alentejo, com uma dotação de 1,62 milhões de euros, estão abertas desde ontem e prolongam-se até 9 de setembro, anunciou a Direção-Geral das Artes (DGArtes).
As datas relativas à fase de apresentação de candidaturas
foram divulgadas, em comunicado, pela DGArtes, promotora do concurso, que
indicou que se podem candidatar associações culturais sem fins lucrativos com
sede no Alentejo.
«O concurso tem como principais objetivos contribuir para a
afirmação do património musical português e valorização da música erudita,
incentivando o seu cruzamento com outras artes e facilitando o acesso cultural
no Alentejo mediante uma programação regular e diversificada», realçou.
Frisando que a dotação é de 1.620.000 euros, a atribuir em
dois anos, a DGArtes referiu que as atividades a apoiar se «inscrevem nos domínios
da criação, edição, circulação nacional, ações estratégicas de mediação e
internacionalização, valorizando-se a articulação com municípios e entidades
culturais locais».
«São ainda valorizadas atividades que promovam o
desenvolvimento regional, a inovação, a intervenção ativa nas comunidades, a
inserção profissional e valorização contínua dos músicos, a inclusão social, a
cidadania e o trabalho coletivo através da prática orquestral», sublinhou.
No comunicado, a DGArtes lembrou que vai promover uma sessão
de esclarecimento sobre o concurso para a criação da Orquestra Regional do
Alentejo, na sexta-feira, dia 17, às 15h00, no Convento de São Bento de
Cástris, em Évora.
A sessão pretende reforçar, junto dos agentes culturais,
políticos e outros setores, a informação sobre os desígnios e critérios do
concurso, adiantou, indicando que está prevista a presença da ministra da
Cultura Margarida Balseiro Lopes.
Portugal tem atualmente três orquestras com estatuto de
Orquestra Regional: a Orquestra do Norte, a Orquestra Filarmonia das Beiras e a
Orquestra do Algarve.
O Governo aprovou, em novembro de 2023, a alteração ao
estatuto das orquestras regionais e a definição de «condições para a atribuição
de incentivos pelo Estado», através da DGArtes. O documento foi depois
promulgado pelo Presidente da República, no final de dezembro.
Desta maneira, o estatuto de orquestra regional passou a
poder ser atribuído apenas «por concurso ou por concurso limitado, de forma a
tornar a obtenção do estatuto de orquestra regional mais exigente».
No ano passado, abriu um concurso limitado, com uma dotação
global de 9,72 milhões de euros, para apoiar estas orquestras.
Cada orquestra receberá um apoio anual de 810 mil euros, totalizando 3,24 milhões de euros por orquestra ao longo de quatro anos (2025-2028).
Agência Lusa -
Julho 16, 2026
20.7.26
JORNAL DE NISA – Memória(s): Não há festa como a nossa! (1998)
Na página 2, um texto de Cruz Malpique "Fado tema... e
teima em Portugal", artigo que iria "sobrar" para a edição seguinte.
Imperativo legal, após seis meses de publicação, foi a inclusão do Estatuto
Editorial. Na página 3, uma notícia saltava à vista: Bronca na Câmara de Nisa -
Basso despromove Gabriela. Três notícias sobre a Etaproni: Recuperação de
Instalações - Visita de sociólogo da Universidade de Salamanca e A Etaproni e o
emprego, e a divulgação das festas populares de Falagueira e de Arez, estas sem
celebrações religiosas, completavam esta página
A página 4 era dedicada à Opinião e Cultura, com texto de
Anúplio Castelo Branco, "A tranca e o argueiro" criticando a falta de
medidas de segurança e protecção rodoviárias. Neste local divulgámos as
Exposições de António Maria Charrinho, na Biblioteca Municipal e a do Cameraman
Metálico (António Melão) no edifício anexo à Pastelaria Jardim numa iniciativa
da Inijovem, enquanto os Bombeiros Voluntários de Nisa promoviam o seu habitual
(na altura) Convívio de Pesca Desportiva.
Notícias de Amieira, através da inexcedível colaboração de Jorge Pires, dava conta e alertava para a degradação da Praça Nun´Álvares, bem como do êxito da Grande Noite de Fados realizada na antiga escola e organizada pelo Clube de Pesca e Caça. Na mesma página 5, em Passos do Concelho, tratava-se de esgotos e sucatas, problemas locais que, geralmente, andam juntos.
A página 6 era preenchida com publicidade. A publicidade nos
jornais (abro aqui um parêntesis) mesmo sendo indesejada e mal compreendida
pelos leitores (nem todos, felizmente) representava, muitas vezes, a garantia e
salvaguarda tanto de cada edição, como da manutenção de cada título. Ninguém
pense que um jornal, por muito bom que seja, consegue "aguentar-se",
ter dinheiro para pagar os custos de cada edição, materiais, jornalistas,
impressão, expedição, etc., etc. apenas com o resultado das vendas de cada exemplar.
Seria bom que assim fosse e explicaria quer o nosso desenvolvimento cultural,
quer a apetência pela leitura que, como sabemos, deixa muito a desejar...
Avancemos. A Página da Saúde tentava sensibilizar para a
Relação utentes /Centro de Saúde e noutro texto explicava "O que é ser
Voluntário". As páginas centrais, 8 e 9, eram dedicadas à Feira Regional
de Artesanato, Gastronomia e Actividades Económicas. Uma ideia nascida quando a
Região de Turismo de S. Mamede dava os primeiros passos, seguida durante anos
pela generalidade dos municípios norte-alentejanos e depois subvertida ao gosto
de cada protagonista autárquico, dois deles, vizinhos a copiarem-se um ao outro
sobre a "febre festivaleira", os "artistas" da estranja
importados, alguns a peso de ouro, os "espectáculos das multidões"
para os drones filmarem e a comunicação social da corte difundir, enquanto o
artesanato e as gastronomia foram sendo esquecidas do menu inicial, relegados
para um plano de "faz de conta".
Na página 11 a opinião de José Dinis Murta e de António
Conixa e na página 15 a prioridade era dada ao Desporto. Noticiámos o Torneio
de Futebol de 5 do GDR Alpalhoense. Participaram 16 equipas, sendo 10 de fora
do concelho. Ainda em Alpalhão, o destaque para o Ciclo Cross ou BTT promovido
pelo Grupo Ciclo Alpalhoense e que contou com inúmeros atletas de Alpalhão,
Portalegre e Castelo Branco. Nesta secção, António Conixa assinava outro texto
"A guerra pela taça". As páginas 10, 12 e 14 eram ocupadas com
publicidade, a fazer jus às 16 páginas e à edição da capa a cores. Na última
página do Jornal de Nisa, a rubrica "Do Alto do Talefe" brindava-nos
com um texto bem humorado "À pedrada com um penico". O ti João Diogo,
músico, era chamado para os Postais do Concelho como exemplo de persistência e
de amor à música, a ser seguido pelas novas gerações.
AJA LISBOA: Apresentação do livro " A Galiza de José Afonso"
No dia 23 de julho, quinta-feira, às 19h, o Núcleo AJA Lisboa promove a apresentação do livro "A Galiza de José Afonso", com a presença do autor, Paulo Esperança.
Partindo da profunda ligação de José Afonso à Galiza, esta
obra percorre os laços de amizade, solidariedade e resistência que uniram o
cantor ao povo galego, mostrando como a sua música e o seu pensamento continuam
vivos dos dois lados da fronteira. Mais do que recordar um músico, o livro
convida-nos a revisitar o seu legado como um espaço de encontro entre culturas,
de liberdade e de esperança.
A apresentação estará a cargo de Carlos Ribeiro e contará
ainda com a participação musical de Pedro Branco.
Vem e traz outro amigo também!
SAÚDE: Gavião tem 10 novos dadores
Esta colheita contou com a dinamização de um grupo de jovens
e efetivou-se nas instalações do polidesportivo do Gavião. Para o local
dirigiram-se 26 voluntários, entre eles uma dezena de mulheres.
Um dos pontos altos desta jornada centrou-se no facto de se
terem estreado na doação 10 pessoas, o que indicia mais dádivas solidárias no
futuro.
Como é do conhecimento geral, os voluntários são testados
antes de avançarem. No Gavião foram armazenadas 25 unidades de sangue total, o
que registamos.
A Câmara Municipal do Gavião apoiou a realização do almoço,
servido depois das 13h00 e que reuniu os participantes.
Fronteira a 25 de julho
Podem-nos encontrar a 25 de julho no centro de saúde de
Fronteira. Depois, a 22 de agosto, estaremos no centro cultural de Alpalhão,
Nisa. Das 09h00 às 13h00, aproximadamente, são quando se concretizam as
brigadas da ADBSP.
Venha daí e percorra: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/
JR
19.7.26
NISA: Aulas de Danças na União de Freguesias
As aulas serão orientadas pelos professores Sylvie e Hannes,
que colocarão a sua vasta, reconhecida experiência e paixão pela dança ao
serviço de todos os participantes. Ao longo das sessões será possível aprender
e aperfeiçoar diversos estilos, como Salsa, Valsa, Cha Cha Cha, Rumba, entre
muitos outros.
A sessão de apresentação terá lugar no próximo dia 31 de
julho, às 18h30, na Sede da União de Freguesias, sendo que, posteriormente, as
aulas decorrerão todas as sextas-feiras, no mesmo horário.
Juntos dinamizamos a nossa freguesia. Esperamos por si!
OPINIÃO: O preço da insinuação nas redes sociais
Recuemos a 2021. O atual vice-presidente do Chega partilhou,
no Twitter (hoje, X), um vídeo de uma jovem que afirmava ter sido vítima de
atos sexuais não consentidos por um indivíduo igado ao BE. A acompanhar esse
vídeo, escreveu: "Já não há Pureza no Bloco de Asquereza? #MeToo". E,
num comentário à própria publicação, perguntou: "Quem será o nojento de 62
anos?". A suspeita estava lançada. O algoritmo fez o resto.
José Manuel Pureza tinha, na altura, 62 anos e era
vice-presidente do Parlamento. Pedro Frazão negou. Na primeira sessão de
julgamento disse estar "perfeitamente inocente" e que não se lembrava
se a publicação tinha sido da sua autoria ou feita por alguém que geria as
redes sociais, embora também tenha afirmado que utiliza, em várias ocasiões, a
palavra "pureza" e que a mesma é usada em homilias e atos litúrgicos:
"Estava a falar da virtude humana da pureza. Eu tenho formação
cristã", argumentou.
Não serão precisas explicações para entendermos o que se
passou. Aquele post é apenas o exemplo de uma estratégia assente na
confrontação permanente, procurando rentabilizar o alcance de mensagens através
da discussão e da polarização. E é aqui que vale a pena ter em conta um
pormenor. O tribunal valorizou o facto de a publicação de Pedro Frazão ter sido
colocada numa rede social acessível a um público heterogéneo, não exigindo
provas de que tivesse atingido um número concreto de utilizadores. Ou seja, não
foi necessário demonstrar que a publicação foi viral, bastou que a mensagem
tivesse sido divulgada numa rede social.
Ainda bem que os tribunais o lembram.
Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 17 de julho, 2026
18.7.26
18 Julho - Dia Internacional Nelson Mandela
(Título Original: "Invictus")
Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
MEMÓRIAS: Resta-me escrever o seu nome: “Jorge Gordo Miguéns”
A morte. Sempre à espreita. Matreira, quase sempre a surpreender. Jamais a esperamos. Ainda que certa, parece-nos sempre distante e impotentes é-nos difícil aceitá-la.
Conheci o Jorge em Salavessa, já lá vão uns
anos. Estive com ele na sua casa, ainda a mãe era viva. Fomos ver uns livros,
ou coisa parecida. Entrámos e chamou a mãe. “Venha cá mãe - veja lá se conhece
este primo!”. A mãe, Maria Gordo, prima em primeiro grau do meu avô, era uma
dessas pessoas de sorriso doce e olhar terno. Apesar das agruras da vida, transmitia
uma sensação de paz e tranquilidade. Ali mesmo me encheu os bolsos de pacotes
de bolachas e rebuçados, os quais fui obrigado a aceitar. São estes quadros que
me recordam a sua nobreza de carácter, pobre mas sempre disponível para dar.
O texto que se segue foi escrito pelo Jorge
em 1999 e coincide com a sua saída de Salavessa para residir em Nisa.
Conta-nos parte do seu percurso. Uma vida de
desencontros com a felicidade. A guerra colonial. A maldita guerra que tantos
traumas originou na vida dos portugueses, tantos amores perdidos, desencontros,
esperanças sem esperança. Depois da guerra, foi a morte prematura do pai, a
morte da mãe e tantos outros percalços que sofreu. Eis a sua história, contada
pelo próprio:
“Nasci numa casa humilde da Rua do Canto, em
Salavessa, no dia 28 de Dezembro de 1951. Os meus pais eram trabalhadores
rurais, nascidos e criados nesta terra, fazendo o mesmo que toda a gente fazia;
durante a semana trabalhando do nascer ao pôr-do-sol, e nos domingos cultivavam
umas pequenas hortas que nós possuíamos. Até aos sete anos, brinquei como todas
as crianças da minha idade. Em 1958 entrei para a Escola Primária, tendo sido
sempre um dos melhores alunos. (…) Fiz o exame da 4ª classe em 1962. Estes anos
da minha infância foram os mais felizes da minha vida. Em 1963 fiz o exame de
admissão ao Liceu e à Escola Industrial e Comercial de Castelo Branco, tendo
ficado aprovado em ambos; como tinha um primo que estudava no liceu, optei pelo
ensino liceal.
No 1º e no 2ºanos fui o melhor aluno da turma, tendo ficado no Quadro de Honra no 1ºano. Era o melhor aluno e ao mesmo tempo o mais mal vestido. É neste momento que começam as minhas primeiras interrogações sobre a sociedade e o mundo.
(…) Em 1968, no 5º ano – foi o deslumbramento. Era o namoro que começava, os bailes, as festas, o bilhar, o cinema e, para minha desgraça, a bebida e a política. (…) As noitadas sucediam-se. Eram os ventos que sopravam da Europa. O Maio de 68 irradiava em todas as direcções. O movimento hippie alastrava. Salazar caía. (…) Lia todos os dias o jornal “República”. As minhas “sebentas” eram a Seara Nova, o Tempo e o Modo, a revista Vértice e o Comércio do Funchal. O meu cérebro fervilhava de ideias. A tropa aproximava-se. Só pensava numa coisa – fugir!
Em 69, Marcelo permite as primeiras eleições “livres”. (…) Colocavam-se cartazes que a Polícia rasgava. (…) Nesse ano chumbei por faltas, no ano seguinte tirei Letras e em 71 fugi para Lisboa, onde trabalhei nas obras durante um mês. (…) Fui obrigado a regressar a casa. Estive vários meses praticamente sem fazer nada. (…) 4 de Janeiro de 72. Tropa. Tirei a recruta e a especialidade de escriturário. Neguei-me a fazer provas para cabo miliciano. Nada me importava. Continuava a pensar em desertar.
(…) Estive 10 dias preso por me ter ausentado
sem licença. (…) Fui mobilizado para a Guiné. Quando cheguei à Guiné – “morri!”
Estava nas fileiras do inimigo. Como é que eu
podia estar de arma na mão defendendo aquilo que mais detestava? Foram 20 meses
duríssimos (…). Falar sobre o tempo que estive na guerra é doloroso e inútil.
Só quem lá esteve pode saber o que se sente. (…) Chegou finalmente o 25 de
Abril! Tinha 15 meses de Guiné. (…) Regressei finalmente a Portugal no dia 27
de Agosto de 1974. Durante esse tempo muita coisa tinha mudado. Pessoas que
nunca abriam a boca, agora pareciam filósofos gregos. (…) Em 75 casou-se a
rapariga que eu sempre tinha namorado. Apareceu um cancro ao meu pai, do qual
viria a falecer em 76. Desde essa altura, e até entrar para a Câmara, a minha
vida foi uma espécie de hibernação dolorosa. Trabalhava esporadicamente com os
pedreiros, na apanha da azeitona e nas paragens da Celulose do Tejo. Em 82 fiz
uma desintoxicação no Centro de Recuperação de Alcoólicos de Coimbra. Não
resultou. A minha vida não tinha qualquer esperança. Em Maio de 84 entrei para
a Câmara de Nisa, onde graças à boa camaradagem e ao bom relacionamento com o
Presidente, consegui sobreviver até ao momento actual. Em 95 faleceu a minha
mãe.
Estava “orgulhosamente” só. Abandonei definitivamente
a bebida, desta vez sem qualquer tratamento.
A partir deste momento, encontrando a casa
sempre vazia e fria, comecei a pensar em abandonar a Salavessa e fixar
residência em Nisa.
Nada me prende à terra que me viu nascer. (…)
Não tenho irmãos. Tenho um tio com 80 anos e três tias com 77, 80 e 82. Nos
cafés onde raramente vou, ouço as mesmas conversas de há trinta anos; o único
tema diferente é a reforma.
(…) As pessoas transpuseram as suas
esperanças e economias para os seus descendentes – não vivem as suas vidas –
vivem os sucessos dos filhos. É uma espécie de vingança ao passado de
sacrifícios que fizeram na juventude. Eu compreendo perfeitamente as suas
atitudes porque assisti à sua luta pela sobrevivência.
É um Outono perpétuo – sem esperança de Primavera!
(…) Dito isto – o que pode pensar e fazer um
homem de 48 anos? Eu já não sou propriamente um jovem, mas ainda não sou
suficientemente velho para viver neste Lar de 3ª idade (Salavessa). Dou-me bem
com todas as pessoas, e sinto que sou estimado por toda a população, só que
isto não é suficiente para manter o meu cérebro em funcionamento.
Parto. Sem saudade!
Resta-me escrever o meu nome: JORGE GORDO
MIGUÉNS.”
Eras
realmente estimado por todos.
Restou-te
escrever o teu nome! Não. Associaremos sempre ao teu nome à lembrança de um
homem bom.
17.7.26
CASTELO DE VIDE: Fundação Nossa Senhora da Esperança celebra o 163º aniversário na segunda-feira, dia 20 de Julho
As comemorações decorrem no Convento de São Francisco, sede
da Fundação Nossa Senhora da Esperança, e o programa começa pelas 15 horas com
a celebração da missa na igreja de São Francisco.
Pelas 16 horas realiza-se o lançamento do jogo “Smart Touch – Tabuleiro Acessível”, um projeto desenvolvido pelos utentes e colaboradores da Fundação Nossa Senhora da Esperança, no âmbito do projeto “TODAGENTE – Arte e Educação Para Acessibilidade e Inclusão em Espaços Culturais”.
Concerto pelo grupo vocal "Ver pela Arte"
Segue-se o concerto do grupo vocal ”Ver pela Arte”, fundado
em 2014 no âmbito do programa "Ver pela Arte", coordenado pelo Centro
Nacional de Cultura (CNC), com o objetivo de promover o ensino da música a
pessoas cegas ou com baixa visão nas escolas do país. O grupo tornou-se o
primeiro e único projeto aprovado e financiado pelo Programa Cidadania Activa
da Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com a ACAPO.
As cerimónias terminam cerca das 18:30 horas com um lanche
ajantarado, seguindo-se o tradicional corte do bolo de aniversário assinalando
os 163 anos da Fundação.
A Fundação Nossa Senhora da Esperança
Fundada em 1863 por João Diogo Juzarte Sequeira Sameiro e
sua mulher, a Fundação Nossa Senhora da Esperança (FNSE) é uma Instituição
Particular de Solidariedade Social (IPSS) de âmbito nacional e inspiração
cristã constituída em Castelo de Vide em 1863 como Asilo de Cegos de Nossa
Senhora da Esperança, a que se juntou em Novembro de 1987 o Asilo do Espírito
Santo, dando origem à atual instituição.
Atualmente, a FNSE destaca-se pelo trabalho de excelência nas áreas de apoio à terceira idade e da tiflologia (o estudo e o apoio às pessoas cegas ou com baixa visão), gere duas estruturas residenciais para idosos (o Lar do Convento e o Lar João Gonçalves Palmeiro Novo), o Centro de Arte e Cultura FNSE e o Centro de Experiência Viva - Museu de Tiflologia, um espaço dedicado à acessibilidade e à inclusão.
Cuidados domiciliários e inclusão em espaços culturais
A Fundação tem em curso dois importantes projetos: o “Cuidar
com Sentido + Esperança no Domicílio”, no âmbito do programa Gulbenkian Home
Care 2.0, que proporciona cuidados domiciliários integrados, e o projeto
“TODAGENTE – Arte e Educação Para Acessibilidade e Inclusão em Espaços
Culturais a partir do Museu de Tiflologia de Castelo de Vide” que tem a duração
de 3 anos (até final de 2028) e é financiado pelo Programa Regional Alentejo
2030, no âmbito da tipologia Inclusão Pela Cultura.
Unidade de Dia e Promoção da Autonomia
Em avançado estado de construção está também uma Unidade de
Dia e Promoção da Autonomia (UDPA), uma resposta social e de saúde integrada,
alinhada com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI)
destinada a apoiar pessoas com dependência funcional leve a moderada e com
doenças crónicas na região do Alto Alentejo.
TEXTOS DE INTERVENÇÃO: Lágrimas de Crocodolo(s) - I
16.7.26
FOTOGRAFIA: Concurso “Secreta Vida das Palavras”
Procuramos propostas que documentem, de forma explícita ou
simbólica, a experiência humana de quem atravessa fronteiras — sejam elas os
limites geográficos entre nações ou as fronteiras sociais e normativas do
corpo.
As nove fotografias melhor classificadas, são posteriormente
entregues a três escritores, como ponto de partida para a criação de poemas ou
textos originais.
Os textos daqui resultantes passam para as mãos e
sensibilidade dos três compositores, que vão criar nove temas a apresentar num
espectáculo multimédia no dia 21 de novembro, no Auditório Municipal Ruy de
Carvalho, em Carnaxide, Oeiras.
Aos fotógrafos mais votados serão atribuídos vales-oferta,
nos seguintes valores: 1.º prémio – 500€; 2.º prémio – 300€; 3.º prémio – 200€;
Prémio do Público – 100€.
Submeta a suas fotografias!
Em formato: JPG ou JPEG.
Largura mínima: 3000 pixeis
Resolução mínima de 300 dpi
Tamanho do ficheiro: Máximo de 30 MB
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As fotografias podem ser a cores ou a preto e branco. São
aceites, no máximo, três fotografias por autor. A inscrição no concurso não tem
qualquer custo.
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OPINIÃO: Inquietações nacionais
O primeiro-ministro mantém a confiança em Fernando
Alexandre, mas os portugueses já a perderam em relação ao processo de
digitalização de provas, apesar de o erro não estar, obviamente, no digital.
O que começou por empancar por um alegado problema técnico
escalou para um campo minado que espelha quão impreparada estava a tutela para
uma mudança que, não sendo urgente, quis levar teimosamente a cabo, apesar de o
teste-piloto com a prova de Filosofia já ter exposto debilidades. A mudança de
quatro dias no calendário é o menor dos problemas do ministro da Educação.
Quando, e se, amanhã, os resultados dos exames forem
afixados nas escolas, começa uma nova fase que se perspetiva turbulenta:
garantir que todos os alunos acedem à sua prova e que há capacidade instalada
de revisores para reavaliar os exames. Exlcuem-se do raciocínio eventuais
falhas na entrega dos malfadados items, prováveis, diria, uma vez que a ligação
de um exame a um aluno vai ter de ser feita numa plataforma, manualmente, pelos
estabelecimentos de ensino. Montenegro falou da "resistência" de
alguns professores à mudança, mas as palavras não ajudam a serenar os ânimos
nas escolas, nem nas famílias.
A digitalização é inevitável, mas a centralização mal acautelada de todo este processo revela quão frágil ele se tornou. A imagem daqueles milhares de exames no chão de um megaarmazém, em Lisboa, protegido pela polícia, é só por si causadora não de "alguma inquietação", mas de bastante inquietação, para os alunos e para as suas famílias.
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Joana Almeida Silva – Jornal de
Notícias - 16 de julho, 2026
IMMAGEM - A processar | cartoon editorial da SÁBADO – Vasco Gargalo
PATRIMÓNIO: Exposição no Freixo recupera imagens dos monumentos megalíticos de Redondo
A mostra reúne imagens registadas por Georg e Vera Leisner
durante a década de 1940, centrando-se nos monumentos megalíticos do concelho
de Redondo e, em particular, nas antas localizadas na envolvente da freguesia
do Freixo.
Fotografias documentam património megalítico
A exposição procura dar a conhecer o trabalho desenvolvido
pelo casal de arqueólogos alemães Georg e Vera Leisner, que documentou vários
monumentos megalíticos da Península Ibérica ao longo do século XX.
As fotografias permitem observar o estado dos sepulcros
megalíticos há cerca de oito décadas e estabelecer uma relação com a realidade
atual dos monumentos, cruzando memória, arqueologia e património local.
Entrada livre até 26 de julho
“Antas Agora, Antas Outrora” estará patente no espaço
exterior da Casa do Povo do Freixo até 26 de julho.
A visita é de entrada livre.









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