10.3.26

S. SIMÃO _ Histórias do Povo - José Hilário


TARDES DE DOMINGO 

Acto contínuo à assinatura do tratado de paz, entre os países beligerantes, envolvidos na primeira guerra mundial, os militares portugueses, regressaram garbosamente à sua terra natal, com muitas histórias para contar a um povo sedento de as ouvir e de as memorizar.

            É certo que, poucas vezes saíram das trincheiras, mas aperceberam-se das potencialidades de um país chamado França.

            Por volta de 1925, saíram do Pé da Serra, os primeiros emigrantes de que há conhecimento, rumo a França, emanados de uma esperança de enriquecimento fácil e rápido.

            Uns regressaram à aldeia que os viu nascer, poucos anos depois, com os bolsos mais vazios, do que quando partiram, outros de França, rumaram à descoberta de terras do Novo Mundo, acreditando que desta vez é que a sorte não lhes iria ser madrasta.

            Ti Ambrósio foi um dos que regressou à santa terrinha, mais “liso” do que quando deixou os seus, mas ficou para sempre, sendo um admirador fanático da França, à qual chamava ironicamente “País de Gente”.

            O largo principal da aldeia, “O Largo das Carretas”, era o centro do mundo. Era ali que a rapaziada praticava futebol, pé descalço, com dois punhados de farelos, dentro de uma meia velha, enrolada diversas vezes sobre si mesma, à cabra-cega, ou se entregava a correrias loucas sem nexo.

            As meninas adolescentes, disciplinadamente dançavam modas de roda, o giroflé-giroflá, sob atenta vigilância das mães.

Era ali que no Verão, as carretas carregadas de trigo ou palha, ou no Inverno com enormes “bidons” de azeite, faziam uma breve paragem, para que as vacas pudessem restabelecer energias.

Os funerários, tinham e têm ainda hoje, paragem obrigatória, de modo a permitir a reunificação de todos os acompanhantes e rezar o padre-nosso em uníssono.

No Verão, época de casamentos, acordeonista em cima de uma carroça, “farrom-fom-fom”, vai de baile até ás tantas, envoltos num espoginho poeirento, transformado em lama depois de misturado com o suor dos bailadores.

Por ali acampavam ciganos, malteses sem “eira nem beira”, comediantes sem graça alguma, a troco de uma tigela de azeitonas.

Por ali permaneciam pacientemente, homens sem trabalho, ouvindo e transmitindo as novidades, mudando-se lentamente do sol para a sombra, ou vice-versa e muitas das vezes discutindo raivosamente, uns com os outros “por dá cá aquela palha”.

Todos os sábados à tardinha, lá estava a carrinha da Gulbenkian, cheia de livros, para ajudar a passar os longos serões de Inverno, àqueles que gostavam de ler.

           Ganhei o prazer de ler devido a esta biblioteca itinerante.

Era no Largo das Carretas que o “Ti Ambrósio”, homem normalmente de poucas palavras, sorumbático, que aos domingos à tarde, mais borracho que um pipo de carvalho, direito que nem um fuso, se colocava na parte mais alta do muro e transformava a sua personalidade tal e qual como a noite se transforma em dia.

Silêncio sepulcral em todo o largo.

As meninas paravam com as danças, os rapazes colocavam-se à sua volta, formando um semi-círculo, equidistante dele, aproximando-se ou afastando-se como se fossem atraídos ou repelidos por um íman, cujas linhas de força comandavam os seus movimentos.

Os homens adultos fingiam não ligar ao que o tonto do Ambrósio apregoava, as mulheres formavam pequenos grupos, cochichando, e de vez enquando riam desalmadamente.

E o discurso continuava alto e bom som.

-Isto é um país de merda…

“O Salazar é o maior ladrão deste mundo, só sabe roubar aos pobres para dar aos ricos.

Cerejeira e padralhada fora…rua!”

A mulher e a filha, desde o início do espectáculo, fechavam-se em casa, fechadura “rota à chave”, postigo ligeiramente aberto, ouvidos bem sintonizados, com o coração apertado, os minutos pareciam horas, esperavam ansiosamente  que o discurso terminasse, antes que o tenente Abóbora, comandante da GNR de Nisa, aparecesse e mandasse levar o único ganha-pão daquela pobre casa.

-Parvalhões! Levam livros para casa, para ler ao serão.

Alguém lhe lembrou:

- Ó “Ti Ambrósio”, os livros são muito úteis e além disso são de graça.

-Basta que sim - retorquiu o orador convictamente. De graça uma ova. Então esse tal Gulbenkian não é o rei do petróleo?

-Parece que sim.

-Pois é ! É de graça, é de graça, mas para lerem um livro, os palermas têm de gastar pelo menos cinco litros de petróleo.

Risada geral do Zé Povinho.

Os temas dos seus discursos não incidiam simples e unicamente na religião, nos governantes, no seu Benfica, ou na sua querida França.

Certa vez abordou um tema diferente dos habituais.

-Andam para aí a dizer que a terra se move, que anda, se assim fosse quando eu chegasse ao Azinhal já a panela dos feijões pretos estava em Alpalhão.

Gargalhadas novamente.

Segunda-feira bem cedinho, fatada aviada para uma semana de trabalho duro, seis dias sem vir a casa, alforges ás costas, lá partia sem responder ás ralhações da mulher.

Em toda a semana ninguém lhe ouvia fosse o que fosse, os companheiros bem puxavam por ele, mas dali não ouviam nem um ai.

* José Hilário - Junho de 2002

** Pintura de José Malhoa

DESPORTOS MOTORIZADOS: GafeTTe 2026


14 de março de 2026

Apesar das adversidades causadas pelas sucessivas intempéries, que obrigaram a organização a proceder a algumas alterações, a V edição do GafeTTe promete ficar na história!

A uma semana do término das inscrições, a organização já conta com mais de uma centena de inscritos. Com um percurso remodelado, mais explosivo e menos técnico, a verdadeira nata do TT nacional marcará presença nos trilhos do concelho.

Nesta edição, o paddock, as assistências, os tempos, o secretariado e a restauração estarão localizados na antiga estação de Vale do Peso.

A Mini Baja GafeTTe, que abre o Campeonato Nacional de Mini Bajas, já regista um recorde de inscritos desde que esta competição foi criada.

Horários

9h15 - Mini resistência

(4-10 anos)

10h00 - Camp. Nacional Mini Bajas - motos 65cc, 85cc e 125cc

11h00 - Troféu Nacional Mini - Bajas

 quads e mini ssvs

12h30 - Motos

(Resistência 1:30)

16h00 - Quads

(Resistência 1:30)

Sábado, 14 de março, não faltes!!

AVIS: 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 | 𝐑𝐞𝐭𝐫𝐚𝐭𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐂𝐚𝐫𝐯ã𝐨, 𝐝𝐞 𝐑𝐮𝐭𝐞 𝐏𝐢𝐧𝐭𝐨


Está patente ao público, até 31 de março, na Biblioteca Municipal José Saramago, a exposição “Retratos em Carvão”, da autoria de Rute Pinto.

Inaugurada no passado dia 2, pelas 14h00, a mostra apresenta uma seleção de desenhos em carvão, a par de outros trabalhos realizados em acrílico, evidenciando a sensibilidade artística e a expressividade da obra da autora.

Convidamos toda a comunidade a visitar e a apreciar esta exposição, durante o horário de funcionamento da Biblioteca: de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.

9.3.26

CRATO: Rota das Romarias 2026


O Município do Crato volta a promover, entre os dias 22 de março a 18 de outubro, a Rota das Romarias, um programa de caminhadas temáticas que alia o desporto à história dos locais a visitar.

A Rota das Romarias é, assim, um programa de caminhadas – muito além das romarias - que procura proporcionar ao caminhante o contacto, de perto, com aquilo que tece a mais profunda identidade do nosso Concelho, desfrutando das nossas paisagens e caminhos ou apreciando os nossos monumentos e vestígios arqueológicos, sempre com um enquadramento dedicado a cada uma das temáticas. É a melhor oportunidade para ficar a conhecer, passo a passo, o Crato e o seu Concelho.

A 1ª etapa da edição 2026 é já no dia 22 de março com a caminhada à Ponte da Decosta. As inscrições são gratuitas através do n.º 245990136 ou por email desporto@cm-crato.pt.

Vamos caminhar? Venha connosco.

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Adestramento - Cartoon de Vasco Gargalo

8.3.26

NISA: União de Freguesias – Saudação ao Dia Internacional da Mulher

 


Neste Dia Internacional da Mulher, a União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão presta uma sentida homenagem a todas as mulheres, mas em especial às mulheres da nossa freguesia.

Mulheres essas que, com a sua força, dedicação e generosidade, são o coração das nossas famílias, das nossas tradições e da nossa sociedade.

Cada gesto de cuidado, cada desafio superado e a cada sonho construído, está presente a coragem e a determinação que tanto nos inspiram e vão continuar a inspirar.

Hoje celebramos o papel fundamental das mulheres na construção de uma sociedade mais justa, solidária e humana.

Celebramos o passado que honraram, o presente que transformam todos os dias e o futuro que continuam a ajudar a construir.

A todas as mulheres, o nosso profundo reconhecimento, respeito e gratidão.

Feliz Dia da Mulher!

O Executivo da

União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão

 

VILA VELHA DE RÓDÃO: 𝗝𝗲𝗹 𝘁𝗿𝗮𝘇 𝘀𝘁𝗮𝗻𝗱-𝘂𝗽 𝗰𝗼𝗺𝗲𝗱𝘆 à 𝗖𝗮𝘀𝗮 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝘁𝗲𝘀 𝗲𝗺 𝗺𝗮𝗿ç𝗼


No dia 28 de março, às 21h30, a Casa de Artes e Cultura do Tejo recebe Jel, nome artístico do comediante, músico, produtor e realizador Nuno Duarte, que traz até Vila Velha de Ródão o seu espetáculo de stand-up comedy.

Popular pelos seus sketches e personagens humorísticas em programas como “Cabaret da Coxa”, “Vai Tudo Abaixo”, “Gosto Disto” e “Sábado à Luta”, na SIC, e “A Revolta dos Pastéis de Nata” e “Bairro do Humor” na RTP, Jel deu centenas de concertos com as bandas satíricas Homens da Luta e Kalashnikov e, mais recentemente, com o personagem Tio Jel e o seu Sal Grosso, que o apresentaram a uma nova geração de público.

O seu stand-up comedy é uma mistura de humor de observação com storytelling sempre carregado de ironia, sarcasmo, surrealismo e, sobretudo, muita boa disposição e alegria. Com milhões de visualizações e centenas de milhares de seguidores de todas as idades nas várias redes sociais, Jel é sem dúvida um dos comediantes mais versáteis, acarinhados e reconhecidos pelo público português.

Os bilhetes para este espetáculo têm um custo de dez euros e podem ser adquiridos no balcão da Casa de Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Ródão, a partir do dia 9 de março, ou em ticketline.sapo.pt.

CASTELO DE VIDE: Exposição “𝐎 𝐌𝐚𝐬𝐬𝐚𝐜𝐫𝐞 𝐝𝐞 𝟏𝟓𝟎𝟔”


𝑻𝒓𝒆̂𝒔 𝑫𝒊𝒂𝒔 𝒅𝒆 𝑴𝒆𝒅𝒐 𝒆 𝑻𝒆𝒓𝒓𝒐𝒓

A Casa da Inquisição- Castelo de Vide recebe a exposição 𝗢 𝗠𝗮𝘀𝘀𝗮𝗰𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝟭𝟱𝟬𝟲 - 𝗧𝗿𝗲̂𝘀 𝗗𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗲𝗱𝗼 𝗲 𝗧𝗲𝗿𝗿𝗼𝗿, uma exposição temporária que convida à reflexão sobre um dos episódios marcantes e trágicos da nossa História.

𝙊 𝙈𝙖𝙨𝙨𝙖𝙘𝙧𝙚 𝙙𝙚 𝟭𝟱𝟬𝟲, também conhecido como o "Massacre de Lisboa", terá levado à morte mais de quatro mil pessoas, quase todas cristãos-novos, assassinadas por uma multidão que tomou conta das ruas da cidade nesse ano.

Um episódio negro e de violência que marcou profundamente a memória coletiva, promovendo a importância da tolerância, do respeito e da diversidade.

A abertura da exposição aconteceu no passado dia 𝟓 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐜̧𝐨 pelas 𝟏𝟔𝐡𝟎𝟎.

𝗔 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗱𝗮 𝗲́ 𝗹𝗶𝘃𝗿𝗲.

 

 

8 DE MARÇO - Dia Internacional da Mulher


Calçada de Carriche

Luísa sobe,

sobe a calçada,

sobe e não pode

que vai cansada.

Sobe, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe

sobe a calçada.

 

Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas,

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu da sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


 Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada;

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce a calçada,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada. 

António Gedeão, in 'Teatro do Mundo'


7.3.26

ALVITO: Jantar comemorativo do Dia Internacional da Mulher

 


Associação de Mértola inaugura 12 escolas em quatro distritos de Moçambique


Um total de 12 escolas primárias foi inaugurado, em Fevereiro, nos distritos moçambicanos de Eráti, Mecubúri, Monapo e Muecate, num investimento de quase 700 mil euros dinamizado pela Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM) neste país.

As novas 12 escolas de 1.º ciclo, com três salas cada, assim como quatro centros de recursos e 12 furos de água, foram inauguradas no âmbito do projeto “Novos Horizontes”, que a ADPM, sediada em Mértola, promove na província de Nampula, em Moçambique, desde novembro de 2024.

«O objetivo [deste investimento] é contribuir fortemente para o ensino no 1.º ciclo, de uma forma mais consistente e com melhores condições», explicou à agência Lusa o presidente da ADPM, Jorge Revez.

Segundo este responsável, as novas infraestruturas foram inauguradas no arranque do novo ano letivo em Moçambique e irão «impactar a vida» de 9.370 alunos e quase uma centena de professores.

O investimento, avaliado em quase 700 mil euros, foi cofinanciado pela delegação da União Europeia em Moçambique e pela Embaixada de Portugal em Maputo, capital do país, através do instituto Camões.

Na opinião de Jorge Revez, este projeto «tem um impacto muito forte nas crianças e nas comunidades», pois proporciona «condições de aprendizagem que não existiam na maior parte destes locais», onde «algumas das aulas eram debaixo das mangueiras» [árvore de fruto] ou «em infraestruturas completamente degradadas».

A par disso, acrescentou, todas as escolas foram equipadas com água canalizada e casas de banho, «o que é também uma novidade grande».

«São escolas dignas, daí que diga que [este investimento] é muito importante para as próprias comunidades e um incentivo direto e indireto à educação muito forte», reforçou Jorge Revez.

O programa “Novos Horizontes” vai ser dinamizado nesta província pela ADPM, até 31 de Outubro de 2027, tendo como objetivo geral «contribuir para a redução dos fatores de vulnerabilidade e para a resiliência das comunidades do norte de Moçambique através da melhoria dos serviços sociais básicos», anunciou a associação em comunicado.

A iniciativa visa, em concreto, «promover a melhoria das condições e do acesso à educação na província de Nampula, em colaboração com as autoridades públicas e mobilizando a sociedade civil».

O projeto, que tem a colaboração das organizações não-governamentais HELPO e Ajopcipa e dos governos distritais de Érati, Muecate, Monapo e Mecubúri, prevê a construção ou requalificação de infraestruturas escolares e a promoção de um programa de aprendizagem acelerada.

Estão igualmente previstas, entre outras ações, a dinamização de um programa de promoção da escolaridade feminina, a constituição de redes comunitárias para a proteção da criança e a criação de um programa de incentivo ao associativismo jovem.

«As obras são apenas a face visível [do projeto] e aquilo que é muito necessário lá. Mas o nosso objetivo é, de facto, a capacitação de professores, alunos, médicos e enfermeiros», frisou o presidente da ADPM.

O projeto “Novos Horizontes” constitui mais uma etapa no trabalho desenvolvido pela associação alentejana na província de Nampula desde 1998, através das iniciativas como “Superar a Sobrevivência”, “AGORA – Agricultura e Oportunidades de Resiliência e Adaptação em Moçambique” ou “AGIR – Acesso Garantido e Inclusão Reforçada da Mulher em Monapo”, entre outras.

«Temos contribuído decisivamente para o bem-estar e para a melhoria e para o futuro de umas largas centenas de famílias naquela província», concluiu Jorge Revez.

Março 7, 2026 - Sul Informação com Lusa

 

COSTA DA CAPARICA: Homenagem ao Dia Internacional da Mulher com Cante Alentejano 🌸


No próximo dia 8 de março, entre as 11h00 e as 11h30, venha celebrar o Dia Internacional da Mulher ao som do nosso tradicional Cante Alentejano, no coração da Costa da Caparica, na Praça da Liberdade.

A Associação Grupo Coral Etnográfico Amigos do Alentejo irá prestar uma sentida homenagem a todas as mulheres, através das vozes e da alma do Alentejo.

Será um momento especial de cultura, tradição e reconhecimento, aberto a toda a comunidade.

📍 Praça da Liberdade – Costa da Caparica

🕚 11h00 – 11h30

🌸 8 de março

 

.MONTEMOR-O-NOVO: Concerto "A mulher é uma arma"

 


M de MULHER: Cidades inseguras para elas: 7 em cada 10 mulheres já sofreram assédio no Brasil


Nesta sexta (6), o Brasil aparece em destaque na imprensa internacional por motivos que revelam as múltiplas camadas da vida política e social do país. Entre denúncias persistentes de violência contra as mulheres, tensões geopolíticas que reposicionam o país no cenário global e escândalos financeiros que expõem as entranhas do poder econômico, o noticiário estrangeiro desenha um retrato complexo da maior nação da América Latina.

Há ainda espaço para temas que vão da cultura política da diáspora latino-americana até os limites éticos do entretenimento televisivo.

Em comum, todos os episódios ajudam a compreender as contradições de um país em disputa — social, política e simbolicamente. Confira!

Assédio nas cidades brasileiras

Um estudo recente sobre segurança urbana revela um dado alarmante: sete em cada dez mulheres brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de assédio moral ou sexual ao menos uma vez na vida. A informação foi divulgada pela agência internacional Prensa Latina na reportagem “Siete de cada 10 mujeres en Brasil reportan acoso, según estudio”, baseada em uma pesquisa nacional conduzida pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a consultoria Ipsos-Ipec. O levantamento entrevistou 3.500 pessoas em dez capitais brasileiras e expõe um retrato persistente de violência cotidiana.

Segundo o estudo Viver nas Cidades: Mulheres, 71% das entrevistadas relataram ter sofrido assédio em ao menos um dos ambientes analisados. Entre os espaços investigados estão ruas, transporte público, ambientes de trabalho, bares, espaços domésticos e transporte privado por aplicativos. A pesquisa foi realizada em capitais como São Paulo, Salvador, Recife e Porto Alegre, abrangendo diferentes realidades urbanas do país.

A rua permanece como o principal palco dessa violência. Cerca de 54% das mulheres afirmaram ter sido assediadas em vias públicas, como praças, parques e praias. Em seguida aparece o transporte público, citado por 50% das entrevistadas. O ambiente de trabalho surge em terceiro lugar, com 36%, demonstrando que a violência de gênero atravessa tanto os espaços privados quanto os coletivos.

Durante a apresentação do relatório em São Paulo, a diretora de opinião pública da Ipsos-Ipec, Patrícia Pavanelli, resumiu a gravidade do cenário: “A insegurança é uma regra em nossas vidas, não uma exceção”, afirmou. A frase sintetiza uma realidade estrutural: para milhões de mulheres brasileiras, circular pela cidade significa calcular riscos permanentemente.

Embora os índices tenham registrado uma leve queda em comparação com 2014 — quando 74% das mulheres relataram experiências semelhantes — os pesquisadores destacam que a redução ainda é insuficiente diante da dimensão do problema. A persistência do assédio em múltiplos ambientes revela que políticas públicas e mudanças culturais caminham mais lentamente do que a urgência da realidade.

Para a promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo, aumentar penas não resolve sozinho o problema. “Confiar apenas no endurecimento das punições não basta”, alertou. A coordenadora municipal de políticas para mulheres, Naiza Bezerra, reforçou que os dados devem orientar novas estratégias de proteção e prevenção. Em outras palavras, combater o assédio exige muito mais do que leis duras: requer uma transformação profunda nas relações sociais.

JOANNE MOTA in https://forum21br.com.br

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

UM POEMA POR DIA, BEM QUE SABIA - Pablo Neruda


 Bela

Bela,
como na pedra fresca
da fonte, a água
abre um vasto relâmpago de espuma,
assim é o sorriso do teu rosto,
bela.

Bela,
de finas mãos e delicados pés
como um cavalinho de prata,
caminhando, flor do mundo,
assim te vejo,
bela.

Bela,
com um ninho de cobre enrolado
na cabeça, um ninho
da cor do mel sombrio
onde o meu coração arde e repousa,
bela.

Bela,
não te cabem os olhos na cara,
não te cabem os olhos na terra.
Há países, há rios
nos teus olhos,
a minha pátria está nos teus olhos,
eu caminho por eles,
eles dão luz ao mundo
por onde quer que eu vá,
bela.

Bela,
os teus seios são como dois pães feitos
de terra cereal e lua de ouro,
bela.

Bela,
a tua cintura
moldou-a o meu braço como um rio quando
passou mil anos por teu doce corpo,
bela.

Bela,
não há nada como as tuas coxas,
talvez a terra guarde
em algum lugar oculto
a curva e o aroma do teu corpo,
talvez em algum lugar,
bela.

Bela, minha bela,
a tua voz, a tua pele, as tuas unhas,
bela, minha bela,
o teu ser, a tua luz, a tua sombra,
bela,
tudo isso é meu, bela,
tudo isso é meu, minha,
quando caminhas ou repousas,
quando cantas ou dormes,
quando sofres ou sonhas,
sempre,
quando estás perto ou longe,
sempre,
és minha, minha bela,
sempre.

Pablo Neruda, in "Os Versos do Capitão"

PORTALEGRE: IV Concerto da OSAA no CAEP


Em nome da Direçao da FBFDP - Federação das Bandas Filarmónicas do Distrito de Portalegre, vimos convidar V. Exª a assistir ao IVº concerto da OSAA - Orquestra de Sopros do Alto Alentejo no CAE de Portalegre, na noite de 21-3-26, sábado, às 21.00h. A sua presença será uma honra para toda a família da OSAA e Direção da FBFDP. Agradecemos que divulgue o evento junto dos seus contactos e que responda até 19-3-26 para este email. E porque março é o mês da mulher, neste concerto iremos homenagear 32 executantes do sexo feminino que exercem a filarmonia na maioria das nossas filiadas do distrito há mais de 20 anos.

 

CABEÇÃO (Mora) 𝗘𝗫𝗣𝗢𝗦𝗜𝗖̧𝗔̃𝗢 “𝗠𝗨𝗟𝗛𝗘𝗥𝗘𝗦 𝗗𝗘 𝗖Á” NO 𝗖𝗘𝗡𝗧𝗥𝗢 𝗖𝗨𝗟𝗧𝗨𝗥𝗔𝗟


📅 7 de março

14h30

📌 Centro Cultural de Cabeção

“Nisa em Festa” está de volta de 23 a 26 de Julho


A edição de 2026 do “Nisa em Festa” está de regresso entre os dias 23 e 26 de Julho, promovendo quatro dias de música, animação e diversas iniciativas, na Praça da República da vila de Nisa.

Promovido pelo Município de Nisa, o evento tem-se afirmado como um dos principais festivais de verão do Alto Alentejo e do País, reunindo milhares de visitantes. Ao longo das edições, o festival tem contado com actuações de nomes da música nacional e internacional.

6.3.26

CULTURA: Olhares sobre a mulher no mundo chegam a Monsaraz pelas fotografias de Luís Nogueira

A Igreja de Santiago, na vila medieval de Monsaraz, recebe de 8 de março a 12 de abril a exposição de fotografia “Ser Mulher”, do fotógrafo Luís Nogueira. Esta mostra reúne imagens captadas durante cerca de duas décadas, pode ser visitada diariamente das 9h30 às 13h e entre as 14h e as 17h, e integra-se simbolicamente no Dia Internacional da Mulher.

As fotografias de Luís Nogueira traçam um retrato sensível e profundo da condição feminina em diversos contextos culturais, sociais e económicos de diferentes geografias do mundo. Influenciado pela obra de Ansel Adams, de Henri Cartier-Bresson e de Sebastião Salgado, Luís Nogueira desenvolveu desde a década de 1970 um percurso marcado pela fotografia a preto e branco, pela atenção ao detalhe humano e por uma abordagem frequentemente próxima da fotografia de rua e do registo documental.



Em “Ser Mulher”, o autor apresenta retratos de mulheres jovens e idosas, mães, amantes e companheiras, em momentos do quotidiano ligados à família, ao trabalho e ao lazer. Apesar das diferenças culturais e geográficas, as imagens revelam realidades sociais e económicas muitas vezes marcadas por desigualdades profundas.

A exposição em Monsaraz chama a atenção para a persistência da desigualdade de género em grande parte do mundo, agravada em determinados contextos e minorias étnicas, por limitações severas à liberdade e aos direitos das mulheres. Independentemente das suas origens, as mulheres retratadas partilham uma condição comum: ser mulher.

Os trabalhos de Luís Nogueira encontram-se em coleções públicas e particulares e têm sido apresentados em diversas exposições individuais em espaços de referência em Portugal.