15.7.26

MORA: Noite especial no Festival Música no Rio junta o fado e flamenco

 


Parque Ecológico do Gameiro – Mora

📅 18 de julho de 2026

No dia 18 de julho, o Parque Ecológico do Gameiro, em Cabeção - Mora, recebe mais uma edição do Festival “Música no Rio - Os Outros Sons do Fluviário”. Uma iniciativa que celebra a diversidade musical em um dos cenários naturais mais emblemáticos do município.

Ao longo da noite, o público poderá desfrutar de uma programação que une a intensidade do flamenco, a emoção do fado e a riqueza das sonoridades ibéricas contemporâneas, reconhecidas Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, com as apresentações do grupo Flamenco Open, Pedro Moutinho e Sangre Ibérico, respectivamente.

A entrada tem o custo simbólico de 2€, valor que reverte integralmente a favor da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mora, contribuindo para apoiar o importante trabalho desenvolvido diariamente por esta Instituição junto da comunidade.

Venha viver uma noite onde o rio, a natureza e a música se encontram, em um ambiente único que convida a conhecer diferentes culturas e sons!

 

GNR recupera Bufo-Real (Bubo bubo) ferido em Alter do Chão


O Comando Territorial de Portalegre, através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), no dia 13 de julho de 2026, no âmbito da missão de proteção da natureza e da biodiversidade, realizou o resgate e recuperação de um Bufo Real (Bubo bubo), no concelho de Alter do Chão.

A ave foi entregue por um cidadão no Posto Territorial de Alter do Chão, tendo posteriormente sido recolhida pelos militares do SEPNA, que asseguraram o seu encaminhamento para os serviços do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no Parque Natural da Serra de São Mamede, para avaliação clínica, tratamento e acompanhamento especializado, visando a sua recuperação e eventual devolução ao seu habitat natural.

Esta ação evidencia o compromisso da Guarda Nacional Republicana na preservação da fauna selvagem, assegurando uma resposta eficaz em situações que envolvam animais em risco.

A Guarda Nacional Republicana, através do SEPNA), tem como preocupação diária a proteção dos animais, apelando à denúncia de situações de âmbito ambiental. Para o efeito, poderá ser utilizada a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520) funcionando em permanência para a denúncia de infrações ou esclarecimento de dúvidas.

Você também pode reportar online através do Portal da GNR ou pelo e-mail sepna@gnr.pt.

ESPECIAL - "O concelho de Nisa tem grandes potencialidades” – ANTÓNIO MONTALVO in JN 07.07.2004 (3ª e última parte da Entrevista)


 [...] pessoas deslocadas do interior. Na faixa entre Porto e Setúbal, com 350 quilômetros de comprimento e 40 de largura (cerca de 15% do território nacional) vivem 3/4 da população portuguesa.

Como se vê, temos um desequilíbrio demográfico que é estrutural, que vem já muito detrás e que se acentuou com a industrialização e a urbanização do litoral. Esse fenômeno é comum a muitos países da Europa e tem sido estudado por muitos economistas, sociólogos e geógrafos muito mais competentes nessa matéria do que eu. Participei há 15 dias de uma conferência em Atenas onde a situação é mais grave que a nossa e onde esse problema foi analisado. Na Grécia, 2/3 da população vivem na região metropolitana da capital, formada por apenas duas cidades, Atenas e Pireu.

Na minha modesta opinião, não existe uma receita única e geral para este problema. Há que aplicar medidas adequadas a cada caso, mas que deverão passar pela valorização dos recursos endógenos das regiões deprimidas, pelo desenvolvimento dos sistemas produtivos locais com base na sua diferença e qualidade, pelo apoio à criação de emprego, pela criação de condições favoráveis no âmbito cultural, educativo, de saúde e hoteleiro, que favoreçam a atractividade da região. Importante seria também criar centros de decisão político-administrativa, legitimados democraticamente, para fomentar o desenvolvimento regional, embora devamos ter a noção de que a criação de regiões administrativas não é uma “varinha mágica” que pode resolver todos estes problemas. Pensar isso seria liquidar as regiões ainda antes delas serem criadas, porque em países onde se criaram regiões há muitos anos, como em França ou Itália, existem assimetrias de desenvolvimento tão ou mais grave do que as nossas.

JN – Você já teve ocasião de comentar a chamada “Lei Relvas” e apontar algumas pistas no que se refere ao município de Nisa. Que comentário é que lhe sugere o evoluir do processo, à luz do recente desaire eleitoral da coligação no Governo? Será de se esperar a realização do processo de Regionalização, ou esses “modelos intermediários” são, justamente, alguns dos paliativos criados para impedir esse objetivo?

AM – Dantes se dizia “quando há um problema que não se quer resolver, nomeia-se uma comissão”. Agora pode-se dizer que “quando há um problema que você não quer resolver, você aprova uma lei”.

Em minha opinião, essa lei não era necessária para a descentralização de competências da Administração do Estado para as autarquias locais, uma vez que por todo o país já existiam associações de municípios. Agora já foram criadas por todo o país há vários meses novas associações de municípios de acordo com o figurino dessa lei, e nunca mais se falou em descentralizar o que quer que seja.

No ponto a que chegamos, à espera dum novo governo e, provavelmente, de novas eleições legislativas, creio que vai ficar tudo “em águas de bacalhau”, como se costuma dizer.

Em minha opinião, não será possível descentralizar nada de importante sem que sejam criadas as regiões administrativas (5 no máximo), porque nem os municípios nem associações de 3 ou 4 municípios, como agora foram criadas, têm dimensão suficiente para suportarem um processo de descentralização que passa também por uma reforma do aparelho do Estado.

Não quero fazer julgamentos de intenção sobre o que esteve por trás da aprovação da lei que levou à criação dessas novas associações de municípios. O certo é que elas, juridicamente, são simples associações de municípios e não são alternativa, nem sucedâneo, nem obstáculo à regionalização, porque não têm dimensão geográfica nem legitimidade política que lhes permita desempenhar as funções que a Constituição atribui às regiões administrativas.

“O município de Nisa tem grandes potencialidades”

JN – Em seu entender, quais as razões que levaram a que, em 30 anos de Democracia,não se conseguisse implementar o “poder local que falta”, as regiões?

AM – As regiões administrativas foram previstas durante a elaboração da Constituição, em 1975, em pleno PREC, quando o aparelho do Estado e muitos municípios estavam sob a direção política do PCP e do MDP/CDE, e de franjas do PS.

Foram os partidos do centro-direita e da direita (PPD e CDS) que em 1975 propuseram a criação das regiões administrativas, para se criarem pelo país centros de poder estranhos à influência do PCP. As regiões foram imaginadas desde o início como polos de contrapoder e isso levou todos os governos a sempre terem medo de implementá-las. Os sucessivos governos PS e PSD sempre temiam perder influência política com a criação das regiões, em especial no Alentejo. Só quando o peso político do PCP no Alentejo foi ficando muito reduzido é que um governo PS se atreveu a tentar criar as regiões administrativas. Mas ele fez isso da pior maneira possível. Em vez de aproveitar as 5 regiões de planejamento (as CCR) que funcionam desde 1979 com muita experiência e prestígio, e transformá-las em regiões com órgãos democraticamente eleitos), resolveu inventar 8 regiões para dar lugares a alguns de seus líderes regionais.

Nunca nenhum português percebeu que regiões eram aquelas que iam dividir o país ao meio, separando o litoral rico do interior desfavorecido, em vez de fomentarem a solidariedade territorial entre as duas partes.

É claro que a oposição aproveitou para bater com força e o referendo sobre a regionalização deu resultado negativo. Muitos regionalistas convictos votaram contra. Foi o meu caso. Mas além disso sempre houve fortes resistências de muitos deputados e dirigentes dos serviços do Estado, que não querem perder poder e influência e que vivem às custas do centralismo de Lisboa.

JN – Num quadro de efetiva política de solidariedade institucional e territorial, em sua opinião, quais os setores potencialidades que o município de Nisa poderia apresentar, promover e valorizar?

AM – O município de Nisa tem grandes potencialidades no campo do patrimônio histórico, do turismo, do artesanato, da gastronomia, do termalismo, das formas de cultura popular e tradicional, que todos conhecemos e que nos orgulhamos.

É muito importante realizar o projeto de modernização das termas da Fadagosa. Seria também muito importante a criação de um museu do artesanato português, fazendo de Nisa a capital do artesanato nacional e criando assim um ponto de atratividade integrado em circuitos turísticos regionais, no qual também poderiam ser incluídos os principais elementos do patrimônio histórico e arqueológico do município. Tudo isso seria muito vantajoso para a promoção da gastronomia local e do setor de restaurantes.

Além disso, o município tem uma frente de rio formada por dezenas de quilômetros de margem do rio Tejo que é um patrimônio absolutamente fantástico e cheio de potencial turístico. Sem a necessidade de grandes investimentos, o reservatório da barragem do Fratel poderia ter um aproveitamento excepcional para os esportes náuticos, apoiados pela proximidade da albergaria municipal. Além disso ainda, Nisa fica no centro de uma área de grande potencial turístico como o triângulo Portalegre-Castelo de Vide – Marvão, ao sul, e as estâncias de patrimônio   paleolítico e as aldeias históricas da Beira Baixa, ao norte. Tudo isso são potencialidades já instaladas que devem ser aproveitadas de forma combinada e que muito se beneficiariam da construção em Nisa de uma nova unidade hoteleira, de médio porte, com uma oferta diversificada e com aptidão para a realização de reuniões e colóquios.

E, finalmente, o mais importante. É preciso captar investimento privado que seja atraído pelas potencialidades do concelho e que crie emprego e gere riqueza.

“Não serei candidato à Câmara de Nisa”

JN – Você é um especialista na área de Poder Local. Sentir-se-ia, certamente, como “peixe na água” à frente de uma Câmara Municipal. Você nunca foi convidado para esse cargo? Veria com bons olhos uma candidatura à Câmara de Nisa?

AM – Essa pergunta me permite esclarecer uma questão que é importante pela ideia que algumas pessoas podem fazer sobre mim. Pode parecer estranho para muita gente que um advogado que reside e trabalha em Lisboa se interesse, aos 50 anos, em criar uma associação de naturais e amigos de Nisa só porque foi criado e viveu 16 anos em Nisa.

E como os “carolas” são uma espécie em vias de extinção, admito mesmo que algumas pessoas já tenham pensado que a Associação Nisa Viva é um trampolim de que eu me estou a servir para me lançar na corrida para a Câmara de Nisa.

Quero aproveitar essa entrevista para, a um ano e meio das próximas eleições municipais, dizer aqui que em hipótese alguma serei candidato à Câmara de Nisa (ou a alguma Junta de Freguesia do município, porque são órgãos com a mesma dignidade democrática). Repito: não serei candidato à Câmara de Nisa e quem tiver dúvidas poderá guardar essa entrevista até o final do ano que vem. Já por mais de uma vez rejeitei convites para esse cargo em outra prefeitura, e continuarei rejeitando por dois motivos fundamentais. A primeira é que gosto muito de ser advogado em Lisboa e Abrantes e consultor do Conselho da Europa, e não poderia continuar sendo se fosse eleito presidente de uma câmara. A segunda é que, como já expliquei, não concordo com o sistema de composição, de funcionamento e de remuneração das Câmaras municipais e não aceito participar de um jogo político com cujas regras não estou de acordo. Deixe-me repetir aqui as palavras que, já à cautela e para evitar equívocos, escrevi em Dezembro de 2002 no editorial do nº 1 da revista Nisa Viva: “o nosso objectivo é apenas o de contribuirmos, por simples dever de cidadania e participação cívica, para a valorização e desenvolvimento de Nisa e do seu concelho. É ele que nos move porque é nele que estão as nossas raízes. E tal como nas árvores, também nos Homens a última coisa a morrer são as raízes”.

É simples assim: nem nossa Associação é um trampolim para nada, nem eu serei candidato a prefeito de Nisa ou de qualquer Junta de Freguesia. Só pretendo trabalhar modestamente por Nisa em nossa Associação, hoje como presidente da Diretoria, amanhã como simples sócio, mas sempre sem qualquer remuneração, sem qualquer compensação por despesas, nem outro interesse que não seja o desenvolvimento desta terra a que sempre fui muito ligado. Quero dizer ainda que   esse sentimento de serviço a Nisa, sem nenhum pagamento e sem esperar nada em troca, não é só meu. É de todos os membros da Diretoria e de outros sócios da Associação Nisa Viva que são tão “carolas” quanto eu e que muito fizeram por Nisa de graça.”

É por isso que nos machuca profundamente ver a forma como a Câmara de Nisa tem nos marginalizado, nunca nos tendo concedido qualquer subsídio, apesar de várias vezes já ter prometido isso. Nem um só euro! Além de não nos dar nada, a Câmara ainda nos cobrou 120 euros pela sala do cinema quando lá realizamos um colóquio com entrada livre a todos os nisenses que quiseram assistir. Isso parece mentira, mas infelizmente não é!

·          Mário Mendes – Jornal de Nisa – 7.7.2004


 

14.7.26

NISA: Festas do Beato Diogo Mimoso

 


ALDEIA VELHA (Avis): Caminhada "Viagem ao Tempo das Eiras"

 


MARVÃO: I Concurso Regional do Cão da Serra de Aires

 


CASTELO DE VIDE: 𝐖𝐨𝐫𝐤𝐬𝐡𝐨𝐩 𝐁𝐨𝐥𝐞𝐢𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜̧𝐚


O mês de julho traz um Workshop de uma das mais emblemáticas iguarias de doçaria típica de Castelo de Vide: a Boleima de Maçã.

Organizada pelo Município, através do Projeto CLDS-5G, e dinamizado por José Rui Serra, Presidente da Junta de Freguesia de Santiago Maior, a iniciativa está agendada para as 14h00 do dia 17 de julho e vai decorrer no Centro Municipal de Cultura.

O Workshop é aberto ao público e a todos os que têm curiosidade de aprender a fazer a tradicional Boleima de Maçã.

O CLDS-5G é financiado por Fundos Europeus (FSE+. Pessoas 2030, Portugal 2030) e cofinanciado pela União Europeia.

Eixo 3 – Promoção da autonomia, envelhecimento ativo e longevidade.

Atividade 5 - Fórum Pessoas Maiores

SANTANA (Nisa): Festas em louvor de Santa Ana

 


ÉVORA: Programa de Voluntariado da Fundação Eugénio de Almeida


2.OPORTUNIDADES DE VOLUNTARIADO - 816/26, Voluntariado Internacional | Alemanha

Queres fazer Voluntariado Internacional na Alemanha? Esta oportunidade é para ti!

Está aberta uma oportunidade de Voluntariado na Steinbeis Innovation Centre, Alemanha

Para quem? Jovens voluntários dos 18 aos 30 anos*

Que tarefas? Os jovens voluntários terão a oportunidade de colaborar em diversas tarefas

Projeto 1 - Lar Residencial para Idosos: O/a voluntário/a poderá colaborar em diferentes atividades, focadas no apoio a idosos em situação de vulnerabilidade

Projeto 2 - Associação de Cidadãos de Oberried: O/a voluntário/a poderá colaborar em diferentes atividades, focadas na resposta a necessidades sociais emergentes, bem como a situações de emergência, através de uma ação conjunta

Duração? 10 / 12 meses, a iniciar o mais breve possível

Onde? Projeto 1 - Wolfach | Projeto 2 - Oberried

Queres participar? Envia-nos o teu currículo e carta de motivação, para nazare.jesus@fea.pt

* Uma vez que estes projetos se destinam a jovens com menos oportunidades em termos de educação, esta organização na Alemanha não aceita licenciados nem estudantes universitários.

Se tiveres dúvidas, contata-nos!

924 145 871

Inscrições até dia 16 julho 2026.

 

 

13.7.26

GAVIÃO: XXXII Mostra de Artesanato, Gastronomia e Actividades Económicas

 


28.º Encontro de Etnografia e Folclore Cidade de Castelo Branco trouxe essência portuguesa aos albicastrenses


Quase a chegar às três décadas de existência, o cenário proporcionado pelo antigo Solar dos Viscondes de Oleiros voltou a receber mais uma edição do Encontro de Etnografia e Folclore Cidade de Castelo Branco. Promovido pela Associação Cultural e Recreativa "As Palmeiras", através do Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa, esta 28.ª edição trouxe à cidade albicastrense uma noite repleta de cultura etno-folclórica, representada pela Beira Baixa, através do grupo anfitrião, mas também por comunidades oriundas de regiões tão características do nosso país como o Douro Litoral Norte, a Região Vareira e o Alto Ribatejo.

No livro de honra do evento, o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, escreveu que iniciativas desta natureza são fundamentais para a vida cultural das cidades, felicitando a Associação Cultural e Recreativa "As Palmeiras" por proporcionar aos albicastrenses momentos que "criam memórias e avivam os costumes de uma tradição longínqua". Também o presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco, José Dias Pires, destacou o contributo da associação para a valorização da cultura local, considerando que os sucessivos Encontros de Etnografia e Folclore têm promovido os valores simbólicos da cidade, do concelho e da região, reforçando o sentimento de pertença ao património comum.

Durante a sessão solene, o presidente da Associação Cultural e Recreativa "As Palmeiras", Arlindo Fonseca, recordou que o Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa tem "a responsabilidade e o orgulho de preservar, promover e divulgar o património etnográfico que herdámos dos nossos antepassados", agradecendo o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco, da Junta de Freguesia de Castelo Branco, das empresas patrocinadoras, dos associados, colaboradores e voluntários, sublinhando que é esse esforço conjunto que permite continuar a afirmar e a fazer crescer este projeto.

A vereadora Christelle Domingos manifestou a sua admiração pelo trabalho desenvolvido pela associação em prol da cultura tradicional, afirmando que os presentes tiveram oportunidade de testemunhar "a essência portuguesa" e de assistir "àquilo que de melhor se faz a nível nacional". Também o diretor da Federação do Folclore Português, Carlos Saraiva, enalteceu a riqueza cromática dos grupos participantes, considerando que o público "teve a possibilidade de assistir a um bom festival de folclore" e sublinhando que "hoje, aqui, em Castelo Branco, cumpre-se a Portugalidade".

Ao povo albicastrense, que voltou a marcar presença em grande número nos Paços do Concelho de Castelo Branco, a Associação Cultural e Recreativa "As Palmeiras" deixa o seu agradecimento, renovando o compromisso de continuar a contribuir para a valorização e divulgação da cultura tradicional e popular na cidade e no concelho.

Voltamos em 2027, no segundo sábado de julho.

MARVÃO: XXI Feira do Livro


Conheça a programação da XXI Feira do Livro de Marvão!

🗓 15 de julho a 2 de agosto

📍 Salão Nobre dos Paços do Concelho

🕥 10h30/19h30 - Entrada livre

15 de julho (quarta-feira)

21h00: Abertura e inauguração oficial da Feira do Livro

Atuação do grupo musical “Gente Nossa”

16 de julho (quinta-feira)

10h30: Visita da Ludoteca da Portagem à Feira do Livro

17 de julho (sexta-feira)

10h30: Visita da Ludoteca de Santo António das Areias à Feira do Livro

18h30: Encontro com o escritor Lourenço Seruya

19 de julho (domingo)

11h00: “Histórias de sonho”, por Sofia Vieira, da livraria Aqui Há Gato!

16h00: Apresentação do livro “O progresso da humanidade”, de Rui Cardoso Martins e João Sequeira

17h30: Tertúlia e passeio literário “Pormenores de Marvão”, inspirado nas “Memórias da Freguesia de Santa Maria de Marvão” (número especial da Revista Cultural Ibn Maruán)

22 de julho (quarta-feira)

21h00: I Encontro de Leitores de Marvão

25 de julho (sábado)

15h00: Apresentação do livro “Arronches, a terra onde não chovia”, de José Botelheiro

17h30: Encontro com o escritor Raul Minh’Alma

26 de julho (domingo)

17h00: Apresentação do livro “Os avós”, de António Pereira e Joana Gancho

[Comemoração do Dia dos Avós]

1 de agosto (sábado)

15h00: Apresentação do livro “Ammaia contada aos gaiatos”, de Teresa Simão e João Aires

OPINIÃO: Quando as torneiras secam


O ato de abrir uma torneira e dela jorrar água tornou-se tão corriqueiro que quase parece magia. Por artes insondáveis, que pouco ocupam a mente do consumidor comum, a água brota do bocal em alumínio com uma certeza tão absoluta que, quando as torneiras secam, despertam um encolher de ombros que, com o passar das horas, se converte em agitado pânico. Assim tem sido o dia a dia de milhares de moradores em Almada.

Não é o primeiro verão de serviço intermitente na Costa de Caparica, mas - contaram os residentes e os empresários ao jornalista Rogério Matos - é o primeiro em que os cortes surgem sem aviso prévio, a qualquer hora e, ainda pior, de duração incerta. É fácil apontar o dedo à escalada no consumo de água e ao aumento de residentes no verão. Não é o desejável para os territórios com bela costa marítima que o verão traga turistas e visitantes que alimentem a economia local?

A Câmara de Almada pode e deve apelar à consciência social dos cidadãos, para que façam um consumo mais regrado e até pode usar as tarifas da água para impor essa redução por via do preço, em caso de lapso de consciência dos munícipes. No entanto, tendo Portugal vivido dias de intenso calor, era expectável que o consumo de água disparasse. O que não é expectável em 2026 é que não haja planeamento municipal e inter-regional capaz de evitar que as torneiras sequem.

Antes de investir no acessório, os autarcas têm o dever de investir no essencial. E o essencial é que, em Almada, se deixem de perder 284 litros de água por ramal e por dia e que mais de um terço (33,4% e acima da média nacional, que é de 26,5%) da água distribuída não seja faturada, como descreve a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) no último relatório anual. Também a ERSAR não pode desresponsabilizar-se, pois permitiu que o serviço oferecido por Almada continue a não ser fiável ao longo de anos.

Carla Sofia Luz – Jornal de Notícias -13 de julho, 2026

SAÚDE: 35 dadores na colheita de Avis


No almanaque 2026 este foi um dia dos mais inóspitos, devido a abrasantes temperaturas. Mas este contexto não alterou a vontade dos dadores de sangue em marcarem mais uma ação da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – e da Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE.

O centro de saúde de Avis recebeu 35 inscrições de voluntários. Destes, uma vintena eram do sexo feminino. As mulheres estiveram em ampla maioria, e ainda bem, com 57,1 % de presenças. Tratou-se pois de uma brigada produtiva.

Uma vez avaliados clinicamente os presentes, alguns não puderam participar como desejavam. Mas 31 de unidades de sangue total partiram de Avis para os serviços de saúde, o que é de se aplaudir!

Doaram sangue pela primeira vez na vida três pessoas, o que é desafiante.

Não faltou o habitual almoço convívio, que reuniu os envolvidos nesta ocasião. A Câmara Municipal de Avis apoiou a materialização desta refeição.

Castelo de Vide e Fronteira

As brigadas da ADBSP têm lugar em sábados da parte da manhã. Vamos estar a 18 de julho em Castelo de Vide e no quartel bombeiros (por motivo de obras no centro de saúde). Já a 25 de julho faremos uma colheita em Fronteira, no centro de saúde.

Seja solidário e visite: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/

JR

12.7.26

PREVENÇÃO: Cardiologistas de Intervenção alertam para a importância de cuidar do coração durante o verão


“A saúde do coração não tira férias” partilha medidas preventivas para a doença coronária

A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) está a dinamizar a quinta edição da campanha de consciencialização “A saúde do coração não tira férias”. A iniciativa renova o apelo à adoção de hábitos saudáveis e comportamentos preventivos face à doença coronária durante o verão.

“As doenças cardiovasculares mantêm-se como a principal causa de morte em Portugal e no mundo. O verão traz consigo as férias e, claro, um ritmo mais calmo, mas o coração não descansa. O calor extremo que se faz sentir, pode levar à desidratação, ao aumento da pressão sobre o coração e, em situações mais graves, contribuir para o aparecimento de um golpe de calor. É primordial manter a hidratação ao longo do dia, evitar a exposição ao calor nas horas de maior intensidade, optar por ficar em locais frescos e arejados, e ter em atenção os sinais que o corpo dá”, explica Joana Delgado Silva, presidente da APIC.

Com as medidas preventivas, reduz-se a probabilidade de desenvolver ou agravar a doença coronária, uma condição caracterizada pela acumulação de depósitos de gordura no interior das artérias que fornecem sangue ao coração. Esses depósitos causam um estreitamento ou obstrução das artérias, o que provoca uma diminuição dos níveis de oxigénio e nutrientes que chegam às células do músculo cardíaco. As principais manifestações da doença coronária são a angina de peito e o enfarte agudo do miocárdio.

De acordo com a presidente da APIC, “os nossos hábitos quotidianos têm um impacto direto na saúde do coração, independentemente da época do ano, pelo que é fundamental continuar a praticar atividade física, evitar o álcool, não fumar e fazer escolhas alimentares conscientes, sem excessos de açúcar e gordura”.

Perante sintomas de alarme como dor no peito, suores, náuseas, vómitos ou falta de ar, a orientação é ligar de imediato para o 112 e aguardar pela ambulância. A Via Verde Coronária está disponível, com cobertura a nível nacional, 24 horas por dia, todos os dias do ano, mesmo em tempo de férias.

Para evitar um enfarte é importante adotar um estilo de vida saudável: não fumar; reduzir o colesterol; controlar a tensão arterial e a diabetes; fazer uma alimentação saudável; vigiar o peso; evitar o sedentarismo e o stress.

 

SINES: Festival Músicas do Mundo com Som Imersivo

 


Na edição de 2026, o Festival Músicas do Mundo apresenta no palco do Castelo uma experiência de Som Imersivo.

Pela primeira vez num festival de música em Portugal, o som ganha uma nova dimensão.

L-ISA Immersive Audio é uma tecnologia inovadora que envolve o público numa experiência sonora tridimensional, onde cada voz, cada instrumento e cada detalhe ocupam o seu lugar no espaço.

Mais do que ouvir um concerto, o público vai senti-lo à sua volta.

Uma estreia nacional em festivais de música, que reforça o posicionamento do Festival Músicas do Mundo como palco de inovação e de experiências culturais únicas.

Exploração comercial da embarcação turística em Cedillo posta a concurso pela Diputación de Cáceres


Propostas: até às 23h59 de 20 Julho 2026

«A Diputación de Cáceres abriu um concurso para conceder a exploração turística e comercialização do produto "Rotas Turísticas Fluviais Guiadas e Interpretadas" no Parque Natural do Tejo Internacional com base na embarcação turística de Cedillo.

O Prazo para apresentação de propostas: até às 23:59 horas de dia 20 de Julho de 2026.

Mais informações estão disponíveis no Portal de Licitações da Diputación de Cáceres.

 In Notícias de Castelo de Vide

OPINIÃO: Ganância versus Fraternidade


Estas realidades são opostas em situações diferentes. Sem ser defensor da ditadura, seja ela de esquerda ou de direita, acho que o povo é mais unido e fraterno na ditadura do que na democracia. Nesta prolifera os negócios de cada um por si, o individualismo, no “salve-se quem puder”, a ganância e a corrupção. Eu temo que a seguir a uma ditadura, como em Cuba, se percam valores fundamentais como os da fraternidade e o povo se divida e caia no individualismo desenfreado. A democracia é boa mas tem de ser bem condimentada, sem que se perca os valores da fraternidade. A ditadura é má porque decepa na base a liberdade, mas é nela que o povo é unido e fraterno em defesa e contra ela. Na democracia é bom ouvir todas as vozes, dando valor à mais envolvente. E os partidos ao se degladiarem não têm ajudado o povo a manter-se unido, cada um puxa a brasa à sua sardinha. O quarto poder – a comunicação social – tem sido o equilíbrio das forças em cena, dando voz aos mais carenciados. A vida em democracia tem sido um teatro em que cada um muda de máscara à sua conveniência. 

* José Oliveira Mendes -  2 de Julho de 2026

11.7.26

MUSEU DO NEO-REALISMO: Apresentação do livro "Adriano - A Obra"

 


Um livro essencial para conhecer profundamente o percurso artístico de Adriano Correia de Oliveira, uma das maiores vozes da música portuguesa e da canção de intervenção.

Octávio Fonseca revisita toda a carreira de Adriano, revelando não apenas o intérprete de voz singular, mas também o músico, compositor e instrumentista que foi. Através da análise da sua discografia e da reconstituição rigorosa do seu percurso, esta obra convida à redescoberta de um legado fundamental da cultura portuguesa.

A sessão contará com a presença do autor e com apresentação de José Moças, editor e produtor discográfico, fundador da Tradisom e reconhecido pelo seu trabalho na preservação e divulgação da música portuguesa.

📅 12 de Julho, entrada livre

🕓 16h00

📍 Museu do Neo-Realismo, Vila Franca de Xira

ESPECIAL - "“Alguns autarcas julgam erradamente, que o poder local reside neles próprios e não nos cidadãos da autarquia” – ANTÓNIO MONTALVO in JN 07.07.2004 (2ª parte da Entrevista)

 


Para esses autarcas, os cidadãos só contam para votar de 4 em 4 anos e não devem participar no processo de decisão, ainda que surjam problemas novos e importantes para a vida da comunidade. Esta atitude desconfiança em relação aos cidadãos e de obstrução à sua participação tem tido como consequência o afastamento cada vez maior dos eleitores do processo político e o aumento crescente das abstenções em cada eleição que se vai realizando.

O segundo vício do sistema tem a ver com a composição dos órgãos das autarquias e com as relações entre eles. O sistema em vigor dificulta a formação nas câmaras municipais de maiorias absolutas do partido mais votado. Ora, quando o partido mais votado não tem a maioria absoluta faz muitas vezes uma aliança com outro partido minoritário para poder ter maioria nas votações. A formação destas alianças passa pela oferta ao partido minoritário aliado de alguns lugares de vereadores em permanência. Em minha opinião estas alianças são negativas do ponto de vista democrático. Por um lado, fazem desaparecer o debate e o confronto político dentro das câmaras, porque os partidos minoritários podem ficar reféns da vontade do partido mais votado. Por outro lado estas alianças geram na opinião pública a ideia de que houve um negócio feito na “secretaria” pelos partidos depois das eleições, de que os eleitores não estavam informados quando votaram.

Isto também se passa, infelizmente, a nível nacional, com alianças entre partidos feios para apoio de governos de coligação, sem que sem que os eleitores fossem previamente de que essas coligações iam ser feitas.

O terceiro vício tem a ver com o sistema de relações entre os órgãos executivos (câmaras e juntas de freguesia) e os deliberativos. Segundo diz a lei, os executivos são responsáveis perante os deliberativos e estes devem fiscalizar os executivos. O que se passa na prática é o oposto disso, porque os deliberativos não têm poderes para fiscalizar coisa nenhuma. e as câmaras municipais não são responsáveis perante as assembleias municipais porque são eleitas por eleição directa dos cidadãos  e não pelas assembleias como se passa em todos os países da Europa.

 "Há um divórcio entre os órgãos das autarquias e os cidadãos que os elegeram"

 JN - Na mesma linha e sabendo-o conhecedor desta realidade, a nível europeu, quais as diferenças mais salientes (positivas e negativas) que distingue entre o "modelo português” e de outros poderes locais da Europa?

 AM - Acabei de referir uma grande diferença entre o modelo português e todos os outros modelos europeus. Portugal é o único país da Europa onde os municípios tem dois órgãos que são eleitos por eleição directa, cujo funcionamento e autónomo e que só respondem perante o povo que os elegeu. As câmaras são uma segunda assembleia, com mais poderes que a assembleia municipal e que decide tudo o que é importante desde os contratos aos investimentos passando pela concessão dc subsídios e pela admissão de funcionários. Nos outros países da Europa, os órgãos deliberativos são eleitos por eleição popular, como cá, mas as câmaras são eleitas pelas assembleias, executam as deliberações das assembleias e respondem perante elas. Julgo este sistema mais positivo porque valoriza a posição do órgão mais representativo que é a assembleia e porque à partida impõe maior controlo democrático na gestão municipal.

Outra importante diferença relativamente a muitos países europeus refere-se ao regime de remuneração dos membros das câmaras municipais. Não me parece adequado que os membros das câmaras (refiro-me aos presidentes e vereadores a tempo inteiro) não mantenham, depois de eleitos, os empregos e actividades de professores, bancários ou advogados que exerciam antes da eleição e passem a exercer funções municipais a tempo inteiro e a receber do município uma remuneração muito razoável. Em muitos casos esta situação provoca um aumento muito significativo dos rendimentos dessas pessoas e uma alteração muito visível no seu estilo de vida. Em especial nos municípios mais pobres, este regime de remuneração deu origem ao aparecimento de uma nova a elite social, que se distingue do resto da comunidade local, e reforçou a ideia do nosso povo de que os políticos querem ir para esses cargos para ganharem dinheiro. Ora como esta ideia muitas vezes é  injusta o regime de remuneração dos membros das câmaras devia  ser revisto e aproximar-se do que existe na generalidade dos países da Europa. O Conselho da Europa publicou um relatório onde pode ler-se que na Holanda, na Dinamarca, na Suécia, na Suíça, na Noruega, na Alemanha, no Luxemburgo, na França e na Bélgica só os presidentes das câmaras municipais das grandes cidades, em geral com mais de 40.000 habitantes, exercem funções a tempo inteiro e recebem uma remuneração por isso. No Reino Unido e na Irlanda nenhum membro das câmaras, nem mesmo o presidente, exerce funções a tempo inteiro, nem nas grandes cidades. Todos mantém depois de eleitos, as actividades que exerciam antes. Em todos esses países a remuneração das funções municipais é feita através de senhas de presença nas reuniões e de reembolsos por despesas feitas ao serviço da autarquia. Este regime de exercício de funções sem pagamento de um ordenado aos eleitos reforça a ideia da sua dedicação à causa pública.

JN - Tendo em conta a integração num espaço comum (a UE) e o fenómeno da globalização, acha que a autonomia municipal tende a ser, progressivamente, subvertida ou aniquilada, ou, pelo contrário, haverá condições para a sua afirmação como um poder autónomo e mais forte, tanto em matéria de financiamento como no que se refere a atribuições e competências.

AM - A autonomia local é um princípio constitucional que nenhum governo pode destruir ou ignorar, mas não pode ser apenas um princípio. A questão está em reforçar o seu conteúdo, não só em termos de competências e de financiamento das autarquias, mas também em termos de dinamização das comunidades locais e de fomento das suas iniciativas e capacidades. O regime financeiro das nossas autarquias tem dc ser revisto urgentemente, sob pena da autonomia local não passar de um chavão. Em termos médios nacionais, a valores de 2002, cerca de 53% das receiras municipais são transferências do Orçamento do Estado. Em 154 municípios portugueses essas transferências representam 85% das suas receitas. A dependência em relação ao Estado é hoje tão grande como a que existia antes do 25 dc Abril. E quanto às freguesias, a dependência é ainda muito maior. Temos que reforçar as receitas fiscais dos municípios, sem aumento da carga fiscal, através de um programa de troca de transferências por impostos. O Estado não perderá receitas, o cidadão não pagará mais impostos e as autarquias aumentarão as receitas fiscais e a sua responsabilidade perante quem paga impostos.

JN - O poder local democrático foi, em tempos, apontado como exemplo de participação dos cidadãos e o mais visível espaço de liberdade e democracia. Actualmente, parece enfermar dos mesmos males de que padecem os outros órgãos de poder. Em seu entender, a que devemos atribuir este “estado de coisas"?

AM - O Poder Local foi um campo de grande participação social nos primeiros anos depois da revolução de 1974/75. Surgiram de forma espontânea muitas iniciativas dos cidadãos, havia um voluntarismo enorme nas pessoas, criaram-se comissões de moradores por todo o lado, as pessoas participavam muito nas reuniões públicas dos órgãos autárquicos.

Isso foi, em parte, fruto do clima revolucionário que se viveu e que favorece a mobilização das pessoas. Esse clima não podia durar sempre, mas sinto que se passou do oito para o oitenta. No início dos anos 80 do século passado, o Poder Local, isto é, as comunidades locais, perdeu muito da sua energia porque nessa altura o "poder" instalou-se nas autarquias. E instalou-se com as leis e as regras que regem a sua actividade, com os seus aparelhos político-partidários, com os seus procedimentos administrativos muito rígidos, com um só dia, ou meio-dia, por semana para receber os munícipes, com tudo aquilo que naturalmente impede a participação dos cidadãos. A partir daí foi-se perdendo a relação de cumplicidade e de igualdade entre cidadãos e eleitos que alimentou a ligação entre eles durante o primeiro mandato e principio do segundo. Este processo de afastamento não foi, infelizmente, contrariado com iniciativas participativas dos órgãos das autarquias. As comissões de moradores que a Constituição prevê não foram apoiadas e acabaram por morrer em todo o lado Os referendos locais só ainda foram realizados em duas autarquias do país. As associações criadas pelos cidadãos têm pouco apoio e às vezes nenhum, como é o caso da nossa. Não se promovem programas de ocupação e de integração dos idosos na vida activa das comunidades, eles que tanto podiam ainda dar, em especial aos jovens, na transmissão de saberes e de tradições antigas. O isolamento dos órgãos autárquicos na gestão das autarquias cria um fosso entre eles e as populações e atrofia o dinamismo das comunidades e as iniciativas dos seus cidadãos.

"É fundamental a valorização dos recursos endógenos das regiões".

JN - Em seu entender e porque já deteve responsabilidades na gestão de uma Comissão de Coordenação Regional (CCRLVT), o que impede o país de funcionar como um todo, com laços afectivos, fortes, complementares e não, como sucede, "partido ao meio", dividido em regiões ricas e regiões deprimidas, onde o síndroma da desertificação, fisica/humana é já uma realidade?

AM - Desde há vários séculos que o país começou a partir-se em dois. Desde o início da expansão marítima e do comércio marítimo que a população se foi fixando com maior densidade ao longo do litoral. Mais tarde, o desenvolvimento industrial em vários polos do litoral fez surgir aí melhores oportunidades de emprego e melhores condições de sustento. Nasceram assim alguns grandes urbanos que foram crescendo à custa de milhares de pessoas deslocadas do interior.