25.2.26

ARQUIVO MUNICIPAL: Lançamento do livro 'Estrela de Seis Pontas', de Pedro Medeiros


- 06 de março de 2026, 18:00

Arquivo Fotográfico, rua da Palma, 246

Entrada livre

O Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico convida‑o para o lançamento do livro Estrela de Seis Pontas, de Pedro Medeiros. A sessão inclui uma sessão de autógrafos com o autor e uma visita guiada à exposição, conduzida pelo próprio fotógrafo e pelo curador Filipe Ribeiro.

"Escrevo com luz e sombra; cada uma destas fotografias é uma página que ofereço ao vosso olhar, que só se liberta e completa através da leitura livre e das interrogações que vos vão provocar. Jogo de espelhos ou janelas sobre muros que habitualmente não transpomos. A fronteira deste silêncio já está aberta e será o vosso juízo a traçar o rumo em direção a esta Estrela de Seis Pontas."

— Pedro Medeiros

A publicação documenta a exposição Estrela de Seis Pontas, patente no Arquivo Fotográfico até 14 de março de 2026, e constitui um repositório visual que testemunha a espacialidade do edifício da Penitenciária de Lisboa. É uma obra que convoca o leitor à meditação e ao diálogo, estimulando o pensamento crítico sobre a relação entre criação artística e realidade judicial.

No universo prisional — muitas vezes desconhecido do público — o preto e branco acentua a singularidade dos objetos e das pessoas retratadas. Cada imagem tem um rosto, perscruta uma vida, transfere humanidade e provoca reflexão sobre um espaço que reúne o sistema judicial português e a arquitetura singular do edifício.

Esta publicação estará à venda no dia do lançamento com 10% de desconto.

 

OPINIÃO: Encontra-te


A vida é bela demais para a desbaratarmos com ninharias, e por vezes andamos perdidos e enleados nela. Na maioria das vezes os piores cenários que imaginamos com os acontecimentos que nos envolvem nunca chegam a acontecer. Rodeados de muitas influências e opiniões é importante que nos encontremos a nós próprios e confiemos em nós. Que os nossos propósitos exteriores estejam em concordância com o nosso propósito interior, com o “Eu Sou”, com a nossa consciência pura. Não imitemos os outros mas demos voz à nossa consciência interior e íntegra, que nos encontremos neste turbilhão do mundo. Todos temos uma opinião a dar, mas o que conta é a nossa visão do mundo e dos outros. Para além da forma egóica dos outros há uma unicidade da consciência pura com a qual nos havemos de encontrar. O ego precisa de confronto, identificação e rivalidade, enquanto a consciência pura precisa de silêncio, serenidade e paz nessa luta das formas exteriores. Encontra-te e terás achado uma pérola preciosa. 

Portalegre, 25 de Fevereiro de 2026

José Oliveira Mendes

MONFORTE; Recuperação de animal de companhia desaparecido


O Comando Territorial de Portalegre, através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) de Elvas e do Posto Territorial de Monforte, no dia 20 de fevereiro, recuperou um animal de companhia desaparecido, no concelho de Monforte.

No âmbito de uma ação de fiscalização aleatória a animais de companhia e ao respetivo bem-estar, foi efetuada consulta ao Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC), tendo sido verificado que um canídeo ali registado se encontrava fora do seu local de origem, na localidade de Arcos, concelho de Estremoz.

O desaparecimento do animal já era do conhecimento da Guarda, tendo sido anteriormente encetadas diligências com vista à sua recuperação.

No decurso da ação, foi realizada a leitura eletrónica do dispositivo de identificação (chip), tendo sido contactado o legítimo proprietário. Após confirmação da titularidade e verificação da documentação legal aplicável, o canídeo foi entregue ao seu proprietário.

A Guarda Nacional Republicana, através do Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente, tem como preocupação diária a proteção ambiental e dos animais. Para o efeito, poderá ser utilizada a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520) funcionando em permanência para a denúncia de infrações ou esclarecimento de dúvidas.

 

 

SAÚDE: DGS Alerta para a Concentração de Poeiras no Ar


A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que crianças, idosos, pessoas com problemas respiratórios crónicos e doentes cardiovasculares permaneçam em casa sempre que possível devido à 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐧𝐭𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐩𝐨𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐧𝐨 𝐚𝐫 provenientes do Norte de África. Prevê-se que esta situação se prolongue durante o dia de hoje, regressando possessivamente à normalidade durante o dia de amanhã.

Este ar poluente tem efeitos na saúde humana, principalmente na população mais sensível, crianças e idosos, cujos cuidados de saúde devem ser redobrados durante a ocorrência destas situações.

A população em geral deve evitar esforços prolongados, limitar a atividade física ao ar livre e a exposição a fatores de risco, tais como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes.

As crianças, idosos, doentes com problemas respiratórios crónicos, designadamente asma, e doentes do foro cardiovascular, além de cumprirem as recomendações para a população em geral devem, sempre que viável, permanecer no interior dos edifícios e, preferencialmente, com as janelas fechadas, devido à sua maior vulnerabilidade aos efeitos deste fenómeno.

Os doentes crónicos devem manter os tratamentos médicos em curso e, em caso de agravamento de sintomas, devem contactar a Linha SNS24 - 808 24 24 24.

 

SARDOAL: Conferência AO.RI discute a valorização e comercialização do artesanato com enfoque nos produtos de excelência


AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior

Sardoal vai ser palco, no dia 19 de março, da 4ª edição da Conferência AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior. Sob o mote a “Valorização & Comercialização do Produto Artístico”, esta iniciativa terá como oradores Laurel, Alameda Turquesa, Napperon, The Spot Market, INPI, Turismo de Portugal e Turismo Centro e uma representante do Governo de Castilla-La Mancha, em Espanha.

A TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, juntamente com os Municípios de Abrantes, de Constância e de Sardoal, volta a realizar a ação, cujo objetivo é criar oportunidades de diálogo, partilha e inspiração entre artesãos, representantes culturais e a população em geral. A 4ª Conferência AO.RI vai acontecer no Dia Mundial do Artesão, 19 de março, este ano em Sardoal, no Centro Cultural Gil Vicente.

A sessão terá início pelas 9h15, com a sessão de abertura a cargo de Pedro Rosa, na dupla função de Presidente do Município de Sardoal e da TAGUS, e de Conceição Pereira, Técnica Coordenadora da TAGUS. Este momento deverá terminar com a intervenção do Turismo de Portugal.

A primeira sessão, dedicada à valorização das artes, será moderada pela responsável da divisão de Investigação e Dinamização Cultural, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. E conta com a intervenção da Laurel – Associação Portuguesa de Marcas de Excelência, na figura do seu presidente Jorge Leitão, responsável pela marca Leitão & Irmão Joalheiros. Narrar a Identidade Portuguesa através de Marcas de Excelência é a temática da apresentação da entidade, que cria pontes entre as marcas de luxo portuguesas e os mercados internacionais.

Outra das oradoras desta sessão é Carolina Santos, criadora da Alameda Turquesa, distinta marca de calçado, carteiras e outros acessórios usadas por celebridades internacionais, que irá partilhará o percurso “Da Produção Artesanal à Exclusividade do Mercado de Luxo”.

Paulo Passos, gerente e designer da Napperon, integra este painel para apresentar o projeto de identidade territorial VPLAY, criado para valorizar e promover o património local de forma lúdica, educativa e interativa e que foi distinguido como “Melhor Projeto de Touring Cultural e Paisagístico” nos Prémios Património Ibérico 2025.

A segunda conversa será subordinada aos horizontes da comercialização, moderada pelo CEARTE. Esta palestra é integrada por Carla Valenti, da Market Makers, que dará a conhecer o The Spot Market, um mercado urbano de moda e lifestyle, que funciona como espaço de divulgação de marcas independentes, mas também de promoção da criatividade e do empreendedorismo, que além de se realizar em Lisboa já se expandiu para Madrid e Sevilha.

Vinda de Toledo é a participação de Arantxa Pérez Gil, Diretora-Geral do Turismo, Comércio e Artesanato do Governo de Castilla-La Mancha para falar sobre a comercialização do produto e a organização da FARCAMA - Feira de Artesanato de Castilla-La Mancha, que além da sua edição em Espanha, já fez feiras internacionais em Portugal e França. A governante estará acompanhada pelo presidente da FARCAMAN – Federação Regional de Associações de Artesãos. 

O programa inclui, ainda, a intervenção de Margarida Matias, vogal do Conselho Diretivo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que abordará a importância do registo de marcas e patentes no contexto do artesanato, como instrumento essencial de proteção e comercialização dos produtos, tornando-os diferenciadores no mercado e protegendo o seu trabalho criativo.

O encerramento da conferência ficará a cargo de Anabela Freitas, Vice-Presidente do Turismo do Centro, seguindo-se um momento de debate aberto.

Após a pausa para almoço livre, a iniciativa prossegue com uma visita ao Art Of e ao Cá da Terra, proporcionando aos participantes um contacto direto com estes projetos ligados ao artesanato, aos produtos locais e à identidade territorial.

A 4ª Conferência AO.RI vem na continuidade dos trabalhos, no âmbito do projeto AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior, desenvolvido pela TAGUS e pelos Municípios de Abrantes, Constância e Sardoal, que foi apoiado pelo Centro2020, do Portugal2020 e cofinanciado pelo FEDER. O projeto foi finalista do Prémio Nacional de Artesanato 2023, na categoria Prémio Promoção para Entidades Privadas.

Ainda no ano passado, sobre o mote da valorização das artes e ofícios, a TAGUS levou 10 artesãos à Tallinn, na Estónia, no âmbito do programa ERASMUS + Mobilidade de Adultos, que ficaram a conhecer a realidade e as formas de valorização da Estónia. E recentemente viu a sua candidatura, para criar uma central de reservas e rotas de visitação do Ribatejo Interior alicerçadas no artesanato, aprovada no âmbito da Linha + Interior Turismo, pelo Turismo de Portugal.

24.2.26

ESTREMOZ: 𝐂ultourWine 𝟐𝟎𝟐𝟔

 


O 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐨𝐮𝐫𝐰𝐢𝐧𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟔 realiza-se no próximo 𝐝𝐢𝐚 𝟏𝟒 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐜̧𝐨, no emblemático Museu Berardo Estremoz entre as 11:00 e as 13:00 horas, retomando às 14:00 até às 19:00 horas.

Nesta edição, o evento acontece mais cedo do que o habitual, antecipando a celebração do vinho e da cultura para o início da primavera, num convite irrecusável para brindar ao melhor que o concelho tem para oferecer.

Reunindo 𝟏𝟑 𝐚𝐝𝐞𝐠𝐚𝐬 𝐞𝐱𝐜𝐥𝐮𝐬𝐢𝐯𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐞𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝐄𝐬𝐭𝐫e𝐦𝐨𝐳, o Cultourwine afirma-se como uma montra de excelência da identidade vitivinícola local onde por apenas 3,50 € por pessoa (direito a copo e respetiva bolsa) poderá conhecer os vinhos das seguintes adegas:

- Adega ao Gil – Casa Rainha Santa Isabel

- Adega do Monte Branco

- Aliestre Vineyards, Lda

- Dona Maria Vinhos

- Herdade do Pombal

- Herdade dos Casarões

- Herdade dos Outeiros Altos :Vinhos Biológicos

- Howard’s Folly Wine

- João Portugal Ramos

- Quinta do Carmo – Bacalhôa Vinhos de Portugal

- Quinta do Mouro

- Tiago Cabaço Winery

- Vinhos Rosa Santos

𝐍𝐨𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐞 𝐃𝐞𝐬𝐭𝐚𝐪𝐮𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐨𝐮𝐫𝐰𝐢𝐧𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟔

𝐓𝐨𝐮𝐫 𝐂𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐝𝐚 𝐩𝐨𝐫 𝐄𝐬𝐜𝐚𝐧𝐜̧𝐚̃𝐨 (𝟏𝟏:𝟑𝟎𝐡 𝐞 𝟏𝟔𝐡) - A grande novidade deste ano, está na apresentação do Cultourwine por “Tour Comentada por Escanção”, acompanhada por Fábio Nico, Vice-Presidente da Associação de Escanções de Portugal. (Esta visita guiada aos expositores das adegas presentes permitirá aos participantes aprofundar conhecimentos, descobrir histórias e compreender melhor os vinhos em prova, através do olhar especializado de um profissional da área, de forma gratuita, mediante marcação prévia através do número 268 339 081 ou na receção do Museu Berardo Estremoz)

𝐏𝐚𝐥𝐞𝐬𝐭𝐫𝐚 𝐢𝐧s𝐞𝐫𝐢𝐝𝐚 𝐧𝐚𝐬 𝐂𝐨𝐦𝐞𝐦𝐨𝐫𝐚𝐜𝐨̃𝐞𝐬 𝐝𝐨 𝐂𝐞𝐧𝐭𝐞𝐧𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐝𝐚 𝐂𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 (𝟏𝟓𝐡)  - Associada ao Centenário da Elevação de Estremoz a Cidade, terá lugar a palestra: “Os últimos 100 anos da Vitivinicultura em Estremoz – Perspectiva Histórica”, por José Calado.

O evento contará mais um ano com a participação da 𝐀𝐮𝐭𝐞𝐧𝐭𝐢𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐀𝐥𝐞𝐧𝐭𝐞𝐣𝐚𝐧𝐚 e da 𝐒𝐄𝐋 que estarão presentes com degustações que convidam à descoberta dos seus produtos.

O Cultourwine mantém o espaço 𝐂𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐤𝐢𝐝𝐬, dedicado às crianças, onde poderão participar em atividades acompanhadas por um funcionário do Museu, enquanto os pais visitam o local.

Ao longo do dia, o ambiente será animado pelo Grupo de Cantares “𝐎𝐬 𝐝𝐚 𝐁𝐨𝐢𝐧𝐚”, celebrando a tradição e a identidade cultural alentejana, numa harmonia perfeita entre vinho, música e património.

Cultourwine é um convite a viver Estremoz, brindar com tempo e a descobrir histórias em cada copo.

ATLETISMO: Eléctrico FC vence Torneio de Inverno num pódio decidido ao detalhe


A Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP) realizou, no passado dia 21 de fevereiro, o Torneio de Inverno, no Estádio Prof. Eduardo Sousa Lima, numa iniciativa que contou com o apoio da Câmara Municipal de Portalegre e que voltou a reunir dezenas de atletas de vários escalões etários do distrito.

A competição, que integrou atletas desde os Traquinas até aos Veteranos, ficou marcada pelo elevado equilíbrio coletivo e pela forte participação, refletindo o dinamismo atual do atletismo distrital.

A classificação por equipas foi disputada até à última prova, com diferenças mínimas entre os três primeiros classificados. O Eléctrico Futebol Clube conquistou o primeiro lugar com 182 pontos, apenas mais um ponto do que a Associação Desportiva de Castelo de Vide, que terminou com 181 pontos. O Clube Elvense de Natação assegurou a terceira posição, somando 179 pontos, num pódio que espelha bem a competitividade e o equilíbrio entre os clubes do distrito.


No plano formativo, os escalões de Traquinas e Benjamins A — de caráter não competitivo — contaram com a participação de cerca de 30 crianças, proporcionando um momento de promoção da atividade física e de contacto com o atletismo em ambiente organizado. A forte adesão dos mais jovens confirma a aposta consistente na formação como base do desenvolvimento sustentado da modalidade.

Outro dos destaques da jornada foi o crescimento da participação no Desporto Adaptado,  em representação de duas equipas, sinal claro de uma prática cada vez mais inclusiva e abrangente no distrito.

O Torneio de Inverno ficou ainda assinalado pela estreia oficial do setor de lançamento do peso de Portalegre em contexto competitivo, representando uma melhoria significativa nas condições técnicas disponibilizadas aos atletas e um passo importante para o desenvolvimento das disciplinas de lançamentos na região.

Com provas de velocidade, meio-fundo, saltos e lançamentos ao longo de toda a manhã, a competição voltou a afirmar-se como uma referência no calendário regional, contribuindo para a valorização do atletismo no distrito de Portalegre.

Os resultados completos podem ser consultados na plataforma oficial de competições.

 Resultados completos disponíveis em:

https://beta.fpacompeticoes.pt/competition/5597/schedule

 

OPINIÃO: A humildade


A quinze de fevereiro de 1941 um ciclone assolou a Península, matando mais de cem pessoas e provocando um rasto de destruição, inundação e desespero. Os ventos, superiores a 200 km por hora, arrancaram árvores pela raiz e ceifaram troncos ao meio, com uma violência impressionante. Uma dessas árvores foi um cedro majestoso, da minha família, cuja fotografia está, até hoje, na sala de visitas, entre os retratos sépia de outros antepassados. No seu lugar, para compensar a perda, foi plantado outro cedro, que está ainda mais majestoso e que, felizmente, escapou ao comboio de tempestades que assolou a Península neste fevereiro de 2026.

Lembrei-me disso ao ouvir o presidente da Câmara de Leiria dizer que uma das grandes perdas da cidade foi ter ficado sem as suas árvores. Todas. As centenárias e as mais recentes. Não imagino o luto coletivo de olhar para uma cidade sem árvores. Mesmo que, no meio de tantas vítimas, casas destruídas e negócios arruinados, a perda das árvores pareça de somenos, a verdade é que não será no nosso tempo de vida que voltaremos a ver Leiria com árvores de grande porte, maduras, majestosas. Qualquer pessoa sensível compreende a tristeza dessa perda e a importância de rearborizar rapidamente, senão para nós, para os nossos filhos e netos. É essa generosidade intergeracional que nos deve mover, não apenas nas árvores, mas nas obras públicas que temos de fazer para repor o que foi destruído e para nos adaptarmos aos novos riscos climáticos.

Se, no passado, se construiu em leito de cheia e se tentou conter e encanar rios como no Mondego, sabemos agora o custo dessas decisões e os perigos de "brincar a deus", tentando mudar o curso das águas, contra as quais pouco podemos em hora de fúria. Como começamos a saber o preço humano e material que pagamos pelas alterações climáticas, tendo cada vez maior responsabilidade de fazer diferente. E se há quem, por trauma das últimas semanas, teme a presença das árvores no espaço público, por perigo de queda e morte de pessoas ou esmagamento de casas e automóveis, é importante esclarecer que são elas que, em boa medida, nos ajudam a mitigar tudo isto. São as árvores que baixam as temperaturas elevadas no espaço urbano durante as ondas de calor (que se esperam cada ano mais frequentes), compensam o CO2 que continuamos a produzir, além de serem elementos de absorção de água nas alturas de grande precipitação.

É preciso que fique óbvio para todos que temos de ter mais superfícies permeáveis nas nossas cidades, sendo Setúbal um ótimo exemplo disso. Nas últimas semanas, a sua bacia de retenção (que não é mais que um grande parque urbano) conseguiu absorver e conter, em boa medida, a subida do Sado e de outros cursos de água. Ora, isso é ciência, mas é também simbólico, demonstrando que temos muito que aprender com os processos naturais e que a "engenharia do futuro" passa muito por otimizar aquilo que a natureza faz de graça, por todos nós. Ter essa humildade pode salvar muitas vidas.

Capicua – Jornal de Notícias - 17 de fevereiro, 2026

 


23.2.26

NISA: União de Freguesias inaugura Biblioteca em homenagem a Fernando Portugal


A União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão tem a honra de convidar toda a comunidade para a cerimónia de homenagem e inauguração da Biblioteca Fernando Mário Dias Filipe Portugal, que terá lugar no próximo dia 7 de março, sábado, pelas 16h00, no edifício da sede da União de Freguesias.

Fernando Mário Dias Filipe Portugal nasceu em Nisa a 17 de janeiro de 1929, vila à qual permaneceu profundamente ligado ao longo de toda a sua vida. Foi um homem cuja presença marcou a sociedade, deixando um legado humano, cívico e intelectual que justificou o reconhecimento público que lhe foi prestado após a sua morte, ocorrida a 31 de janeiro de 2012.

Homem de valores firmes, pautou a sua vida por um profundo sentido de responsabilidade, dignidade e serviço, permanecendo como exemplo de integridade, dedicação e amor à sua terra, continuando presente na memória de Nisa e de todos os que com ele privaram.

Sob o lema “Nominem et memoriam digni - homens dignos de eterna memória”, esta cerimónia constitui um momento de reconhecimento e gratidão, perpetuando o nome e o legado de uma figura maior da nossa comunidade nisense.

Contamos com a sua presença.

ÉVORA: Exposição colectiva na Fundação Eugénio de Almeida


As paisagens mudam de lugar

obras da coleção da Fundação PLMJ

EXPOSIÇÃO COLETIVA

Curadoria de João Silvério

De terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-18h00 | Entrada livre

Inauguração: 28 de fevereiro | 17h00

Artistas representados na exposição: Alice Geirinhas, Ana Cardoso, Ana Pérez-Quiroga, António Júlio Duarte, Catarina Leitão, Cristina Ataíde, Daniel V. Melim, Délio Jasse, Fernanda Fragateiro, Francisco Vidal, Horácio Frutuoso, Jéssica Gaspar, João Cutileiro, João Fonte Santa, João Grama, João Pedro Vale + Nuno Alexandre Ferreira, João Queiroz, José Chambel, José Pedro Croft, Juliana Matsumura, Maja Escher, Manuel Botelho, Margarida Lagarto, Mariana Gomes, Miguel Ângelo Rocha, Moira Forjaz, Mónica de Miranda, Nuno Nunes Ferreira, Pedro Calapez, Pedro Valdez Cardoso, Pedro Vaz, Ramiro Guerreiro, René Tavares, Rosana Ricalde, Rui Soares Costa, Susana Gaudêncio, Susana Mendes Silva, Tito Mouraz, Vasco Araújo, Virgínia Fróis, Vítor Ribeiro.

 A Fundação Eugénio de Almeida apresenta, no Centro de Arte e Cultura, a exposição “as paisagens mudam de lugar - obras da coleção da Fundação PLMJ”, que reúne mais de meia centena de obras de 40 artistas de diversos países de língua portuguesa, integrando diferentes gerações e expressões artísticas.

Este projeto, cujo título João Silvério tomou de empréstimo ao poeta eborense Manuel Gusmão, «assenta numa visão do território como um corpo visual e social em permanente mudança, de certa forma como uma ideia poética de paisagem a partir da coleção de arte enquanto cenário de fundo e, ao mesmo tempo, agente transformador do universo cultural do projeto da Fundação PLMJ, neste momento com uma ligação ao território diversificado que é o Alentejo, mais especificamente a Évora. A ideia (e a reflexão) sobre a paisagem cultural associada a uma coleção de arte é atualmente mais presente como modelo da diversidade e da transformação do mundo em devir, em mudança.» E acrescenta o curador: «A exposição constitui-se como uma paisagem prospetiva que, seguindo a arquitetura do espaço, propõe diversas leituras sobre a ideia de mudança, que não se resume a diferentes técnicas e meios artísticos, assumindo com singular pertinência temáticas sobre núcleos e obras da coleção que expressam uma ideia de diferença, do feminino à justiça e à política, por exemplo.»

Para a Fundação Eugénio de Almeida, este projeto expositivo realizado em colaboração com a Fundação PLMJ reflete a relevância das parcerias estabelecidas com instituições de referência, resultando numa programação mais inclusiva, plural e abrangente, que garante a todos a oportunidade de fruir a arte atual e de participar ativamente nos debates e inquietações que ela desperta na sociedade moderna.

A Coleção da Fundação PLMJ é um acervo empresarial que reflete a pluralidade da criação contemporânea. A exposição “as paisagens mudam de lugar” evidencia o seu relevante núcleo de fotografia, incluindo também o vídeo, focando-se ainda na escultura, através da qual explora as relações que se estabelecem nos espaços interiores e exteriores do Centro de Arte e Cultura com o lugar e a paisagem. O roteiro artístico integra igualmente o desenho e a pintura, culminando numa performance de Mariana Gomes. Esta intervenção, a decorrer na fase final da mostra, ligará as artes performativas à gastronomia regional e à comunidade local.

João Silvério

Curador da Coleção de Arte Contemporânea da Fundação PLMJ, João Silvério é Mestre em Estudos Curatoriais pela Faculdade Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Foi curador da coleção de arte contemporânea da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, entre 1998 e 2019, tendo iniciado a sua atividade como curador em projetos independentes em 2003. Em 2007, criou o projeto independente EMPTY CUBE, que tem divulgado trabalhos de artistas, designers e arquitetos. Escreve regularmente sobre projetos artísticos em catálogos, publicações e websites.

 Fundação PLMJ

A Fundação PLMJ nasceu em 2001, começando como um gesto simbólico que rapidamente se tornou num projeto duradouro de mecenato e compromisso com a cultura. É hoje uma referência nacional e internacional no panorama das coleções corporativas e também uma das mais representativas de artistas de língua portuguesa. A coleção reúne mais de 1.400 obras de mais de 500 artistas, abrangendo pintura, fotografia, escultura, instalação e vídeo. Desde o início, a Fundação manteve uma aposta firme no apoio a artistas emergentes, promovendo o talento, a diversidade e o diálogo cultural no espaço lusófono. A missão da Fundação é clara: apoiar e divulgar a criação artística contemporânea, contribuindo para o desenvolvimento da comunidade através da arte. Mantendo as artes plásticas como eixo estruturante, a Fundação PLMJ tem vindo a alargar o seu âmbito de atuação a outras áreas da cultura, criando espaços de reflexão, colaboração e partilha. A celebrar 25 anos, a Fundação PLMJ reafirma o seu compromisso com a promoção da cultura e da arte moderna e contemporânea da lusofonia — com o mesmo espírito pioneiro e aberto com que começou.

Pedro Vaz, Sem título (Covão d’Ametade), 2018, Acrílico sobre papel [detalhe]

SEIXAL: Teatro da Terra representa "Potnia Theron" no Fórum Cultura

 


PORTALEGRE: Concerto de David Fonseca no CAEP


28 FEV. SÁB. 21.30H

David Fonseca

Pop | GA | Plateia 22€ / Balcão 18€ | M/6 anos

Venda de Bilhetes Exclusiva na Ticketline e lojas Worten

Um dos mais carismáticos criadores nacionais, David Fonseca, é indissociável da banda a que deu voz, o grupo Silence 4. Com um primeiro disco em 1998, “Silence Becomes It”, o grupo rapidamente atingiu um nível de sucesso invulgar, com dois discos multiplatinados. Em 2001, efetuaram a sua última digressão, tendo suspendido a sua atividade até 2014, ano em que se reuniram para a realização de quatro espetáculos especiais.

Em 2003, David Fonseca iniciou a sua carreira a solo, com “Sing Me Something New”, que rapidamente o confirmou como uma figura ímpar da criação musical. Até à data publicou mais de dez álbuns a solo, sendo o disco/filme “Living Room Bohemian Apocalypse” o mais recente, em 2022. Em registo coletivo, conta com dois projetos de reinvenção da obra de dois ícones da cultura pop – de António Variações, com os “Humanos”; de David Bowie, no início de 2017, com “Bowie 70”.

A sua atividade tem-se desenvolvido ainda com uma forte componente performativa nos palcos nacionais e internacionais, sempre surpreendente ao nível plástico. As suas prestações ao vivo são memoráveis para todos quantos a elas assistem, com a mistura de várias componentes multimédia, e as suas canções são desde há muito representativas do que de mais importante tem sido produzido a nível musical – “Someone That Cannot Love”, “Kiss Me, Oh Kiss Me”, “Superstars”, “Oh My Heart”, “U Know Who I Am”, “What Life Is For” ou “Futuro Eu” são apenas alguns dos temas compostos por David Fonseca que habitam o nosso imaginário.

LISBOA: Festival de Guitarra Portuguesa 26


 6 e 7 de março | Teatro Variedades | Capitólio | Cinema São Jorge

2.ª Edição: Armandinho com uma homenagem especial ao Mestre António Chainho

 Museu do Fado apresenta a 2.ª Edição do Festival de Guitarra Portuguesa. A realizar-se nos dias 6 e 7 de março de 2026, o Festival de Guitarra Portuguesa afirma-se como um espaço de celebração, descoberta e reinvenção de um dos instrumentos mais singulares da cultura musical portuguesa.

Com programação distribuída por vários palcos da cidade — Cinema São Jorge, Capitólio e Teatro Variedades —, o festival propõe uma escuta plural e contemporânea da guitarra portuguesa, cruzando tradição, criação atual e novas gerações de intérpretes.

Custódio Castelo, Hugo Vasco Reis, Luís e David Ribeiro, Mafalda Lemos, Mário Laginha com Miguel Amaral, Mike 11, Pedro Jóia e Ricardo Parreira são alguns dos artistas que integram a programação do Festival em 2026. Esta edição presta ainda homenagem a Armandinho, figura maior da guitarra portuguesa, através de um concerto especial com direção artística de Pedro de Castro. 

Como não poderia deixar de ser, também o Mestre António Chainho terá um lugar de destaque no concerto de abertura no dia 6 de março no Cinema São Jorge. 

 O Festival de Guitarra Portuguesa é, acima de tudo, um convite: a ouvir, a descobrir e a sentir a guitarra portuguesa como uma linguagem viva, em permanente diálogo com o presente e o futuro.

Cada concerto integra ciclos artísticos curatoriais que funcionam como chaves de leitura, permitindo ao público uma experiência mais consciente e contextualizada.

Ao longo de dois dias, o festival reúne intérpretes consagrados, novos talentos e músicos de diferentes áreas, explorando linguagens que vão do repertório solista à fusão com eletrónica, da guitarra de Coimbra aos duetos inéditos, da criação contemporânea ao diálogo internacional.

Estão disponíveis as três modalidades de bilhetes para o Festival: concerto único, passe de um dia e passe de dois dias. 

Bilhetes em  https://museudofado.pt/evento/festival-de-guitarra-portuguesa

Site oficial: https://ghude.com/festivaldeguitarraportuguesa.ed2/

PROGRAMA

 SEXTA-FEIRA – 6 MARÇO

 CINEMA SÃO JORGE - Sala Manoel de Oliveira 

20:30 - TRIBUTO A ARMANDINHO COM HOMENAGEM AO MESTRE ANTÓNIO CHAINHO | direção artística de Pedro de Castro

 CAPITÓLIO

22:00 e 23:00 - MIKE 11

 TEATRO VARIEDADES 

22:00 e 23:00 - LUÍS & DAVID RIBEIRO 

 SÁBADO - 7 MARÇO

 CAPITÓLIO 

15:00 e 22:00 - MÁRIO LAGINHA COM MIGUEL AMARAL 

16:00 e 18:00 - PEDRO JÓIA 

17:00 e 23:00 - CUSTÓDIO CASTELO

 TEATRO VARIEDADES

15:00 e 22:00 - ALVORADA

16:00 e 18:00 - MAFALDA LEMOS 

17:00 e 23:00 - HUGO VASCO REIS 

CINEMA SÃO JORGE

20:30  - Sala Manoel de Oliveira 

RICARDO, PAULO E ANTÓNIO PARREIRA & QUARTETO DE CORDAS 

 Produção: Museu do Fado | Lisboa Cultura

Direção artística: Pedro de Castro

Produção executiva: Ghude

Apoio principal: Câmara Municipal de Lisboa | Lisboa Cultura

Apoios: CARMA | APC – Instrumentos Musicais | Casa Ermelinda de Freitas

Media partners: RTP e Antena 1

PORTALEGRE: Piano a Quatro Mãos no CAEP


27 FEV. SEX. 21.30H

Concerto de Piano a Quatro Mãos: Um Diálogo Musical

Recitais da Escola de Artes do Norte Alentejano

Música Clássica | PA | Entrada Livre | M/6 anos

 O concerto de piano a quatro mãos, protagonizado pelos alunos da Classe de Piano da Escola de Artes do Norte Alentejano (EANA), destaca a dimensão colaborativa e intimista deste formato, no qual dois pianistas partilham o mesmo instrumento, num diálogo constante de gestos, intenções e interpretações. A arte de tocar a quatro mãos exige escuta, coordenação e uma afinidade musical que se revela em cada frase tocada em conjunto.

Para os pianistas envolvidos, este concerto marca mais uma etapa no seu trajeto artístico, refletindo dedicação, curiosidade e vontade de transformar o desconhecido em expressão musical.

Em parceria com o CAEP, propomo-nos a realizar um ciclo de Recitais de cariz musical. Esta é uma aposta educativa da Escola de Artes do Norte Alentejano, que junta crianças e jovens, promovendo a participação, responsabilidade e a criação cultural, numa lógica de inclusão e aprendizagem, tornando as artes acessíveis a todos. 

 

22.2.26

NISA: Memória histórica - Saúde e Sociedade


 O Arquivo Histórico de Nisa, durante anos existente na Biblioteca Municipal e hoje em parte "incerta", ou pelo menos fora do alcance dos munícipes e investigadores, alberga um importante acervo sobre a História de Nisa e do seu concelho. Documentos que retratam social e politicamente várias épocas e que seria de todo o interesse estar aberto à curiosidade e investigação de todas as pessoas interessadas. Mas, a fazer fé, na religiosa política de "continuidade" do actual edil luso-francês, não será esperar que nos tempos mais próximos, algo mude para tudo ficar na mesma. O que é lamentável e vergonhoso quando, por todo o país e até com exemplos do próprio Estado, a abertura e fruição desses autênticos viveiros culturais sejam incentivados como um caminho para um melhor conhecimento do país onde nascemos e vivemos.  De alguns elementos recolhidos há já uns bons anos respigamos algumas Curiosidades. 

Moléstias venéreas (I) - Do Administrador do Concelho

Carta ao Dr. João Moraes, Facultativo Municipal do Crato e que presta serviço em Toloza

Tendo recebido queixa n´esta Administração de que Genoveva Romão *, solteira, da Villa de Toloza d´este Concelho, se acha atacada de molestia venerea e que contaminou a menor Maria Isabel *, de 6 annos de edade, filha de João Caldeira *, casado, carpinteiro da mesma Villa, vou rogar a Vª Exª se digne examinar as pessoas a que me refiro e communicar-me com a brevidade possivel o que ha de verdade sobre tal molestia.

Deus guarde a Vª Exª / Niza, 22 de fevereiro de 1901

* Estes nomes são fictícios

Moléstias venéreas (II)

Carta ao Delegado do Procurador Regio n´esta Comarca

Para os fins convenientes tenho a honra de passar às mãos de Vª Exª o incluso auto de noticia. N´esta data officio ao Snr. Facultativo, Dr. Moraes que presta serviço clinico em Toloza, a fim de me informar se a arguida e a menor Maria Isabel a que se refere o mesmo auto, estão ou não contaminadas de molestia venerea. Da informaçãoque obtiver darei conta a Vª Exª.

Deus guarde Vª Exª. / Niza, 22 de fevereiro de 1901.

 Apanhado a armar ferros

Carta ao Delegado do Procurador Regio n´esta Comarca

De harmonia com o preceituado no artigo 278 nº 27 do Codigo Administrativo, cumpre-me participar a Vª Exª que Jose Constança *, solteiro, pastor, ao serviço de Manoel da Martinha foi encontrado no dia 17 por 7 horas da tarde no sitio denominado barroca do Valle Louro freguezia do Espirito Santo d´esta Villa, a armar trez ferros ou armadilhas aos coelhos, que n´essa ocasião lhe foram apprehendidos. Os apprehensores são Jose Maria Nunes e Jose da Cruz Miguens, cabos de policia e guardas da Associação protectora da caça em tempo defezo. Com este meu officio serão apresentados a Vª Exª os trez ferros apprehendidos. O arguido é natural d´esta Villa.

Deus guarde a Vª Exª. / Niza, 19 de Abril de 1901

* Nome fictício

Toleradas

Carta ao Sub-Delegado de Saude n´este Concelho

Accusada a recepção do officio que Vª Exª se dignou dirigir-me datado de 27 do corrente mez, cumpre-me dizer-lhe que não existindo n´esta Administração matricula ou qualquer registo de toleradas d´este Concelho, e, não indicando Vª Exª os nomes das pessoas que deseja inspeccionar torna-se-me completamente impossivel dar cumprimento ao citado officio de Vª Exª.

Deus guarde a Vª Exª. / Niza, 30 de Abril de 1901

 

MEMÓRIA DO "Jornal de Nisa" - Entrevista a Rosário Bello - nº201 - 15 Fevereiro 2006


 
“Em todas as minhas pinturas está sempre presente um pedaço do meu Alentejo” - Rosário Bello
Como um bom filho que à casa torna, Rosário Bello está, de novo, em Nisa, mostrando os seus quadros na Biblioteca Municipal. A exposição foi o pretexto para uma conversa com esta jovem pintora nisense, que nos revela um pouco dos seus sonhos e projectos, ou, para sermos mais precisos, das suas viagens. É nelas que  ...viajo pela cor e em meus dedos, a busca de um sentido e num momento, é na nobre tela, muitas vezes que eu encontro, o espelho da minha alma, o reflexo do meu sentir...”

Como surgiu e desenvolveu o interesse pela pintura e, num sentido mais amplo, pela actividade artística?

É costume dizer-se que já nasce connosco. De qualquer modo eu desde pequena que gosto de desenhar, somos 4 irmãos na família e o João Francisco era o que também nutria esse gosto pelo desenho, logo, eu descobri que gostaria de saber desenhar assim como o meu irmão “mais velho”. No fundo, filho de peixe... e não desfazendo, o meu pai Joaquim Rosado Belo, (torneiro -mecânico /reformado) tinha muito jeito para transformar objectos de metal e madeira , diria que, em verdadeiras “obras de arte”,com o seu toque pessoal, assim como a minha mãe Leonor que tem o dom para os bordados (de Nisa), bilros, rendas, etc...

No entanto, foi a trabalhar no Centro de Cultura e Desenvolvimento de Vila Velha de Ródão sob a responsabilidade da Dra. Graça Baptista, que fui incentivada a participar na minha 1.ª Exposição de Pintura/ Colectiva -  Correntes do Tejo”, no ano de 1996, na Galeria do C.M.C.D., em Vila Velha de Ródão.

Sente-se próxima ou influenciada por alguma corrente ou movimento estético? Como definiria a sua pintura?

            Quanto a esses aspectos, apenas tenho a dizer que, não tenho formação alguma a esse nível, simplesmente gosto de pintar, principalmente óleo sobre madeira (com os dedos, sem a técnica do pincel), o que implica uma certa dificuldade pois tem a ver com a sensibilidade da pele, não pode ser feito com luvas. Gosto do tema “África”, nunca lá estive mas... “faço viagens ao meu humilde Universo”, imagino as cores, o povo, costumes etc. Já decorei paredes, pintei cerâmica, tela, vidro, mas uma coisa é certa, cada artista tem a sua maneira de pintar o seu traço pessoal e intransmissível.

Qual tem sido o seu percurso artístico?

Sou autodidacta, e de inicio ultrapassei muitas dificuldades para me conseguir afirmar como pintora. Tive, que enviar cartas/fotografias para as Galerias Municipais e outras para que pudessem avaliar o meu trabalho e assim poder expor, bem como para Jornais, não podendo deixar de agradecer o contributo do Sr. Mendes Serrasqueiro, uma vez  que praticamente acompanhou desde o início o meu percurso. O trabalho é importante mas os meios de informação revelam-se numa mais valia para o mesmo, inclusive para qualquer artista no meio. Hoje em dia não podemos esperar que as coisas nos caiam do céu, temos que lutar por elas e a minha “arma”, foi o meu trabalho, o meu gosto pela pintura, o apoio dos meus familiares e amigos.

Desde 1996 que já tive a oportunidade de expor 87 vezes, em diversos locais a nível Nacional, de Norte a Sul, entre eles:

-Gallery Center, Amoreiras/ Lisboa, Espaço - Gan, em Braga, Beja, Reguengos de Monsaraz,  Juntas de Freguesia, Exposições Internacionais realizadas cá em Portugal e até uma representação em Espanha.

Para além da Pintura também descobri algum talento para as palavras / Poesia o qual e através do CNAP ( Círculo Nacional de Arte e Poesia com sede em Lisboa) me permitiu a publicação de alguns dos meus textos com outros escritores, participando numa Antologia de Poesia, e outro Livro na zona da Beira Baixa, com novos escritores, contando com a participação especial de Eugénio de Andrade. Ultimamente, já tenho utilizado alguns desses textos para “falar” um pouco dos trabalhos patentes nas exposições, como esta, na Casa da Cultura, intitulada ”A COR DAS PALAVRAS”.

Quais as principais dificuldades que um artista a residir fora dos grandes centros, enfrenta? A Arte, vista como forma de vida profissional, compensa?

O principal é a nossa vontade de continuar, mas posso dizer que apesar de tudo tive de inicio alguns apoios, a Câmara Municipal e o Centro de Cultura de Vila Velha de Ródão a nível de catálogos e publicações, nos outros locais onde as realizava, o local era cedido, o transporte e organização muitas das vezes por nossa conta. Eu sei que no Interior não há tanto interesse e procura pela arte , assim como em artistas que não são tão conhecidos, de qualquer forma não me posso queixar pois não tenho número para as peças adquiridas e representadas em diversas casas particulares e outras, como os trabalhos oferecidos para causas de solidariedade, designadamente, Nisa também já contou com esse meu apoio, uma das vezes. Todos os pintores de nome tiveram um começo, infelizmente só são reconhecidos, quando já não estão presentes, eu pessoalmente prefiro ser quem sou, uma pessoa simples, mostrar o meu trabalho e aceitar criticas sejam elas quais forem, pois elas servem também, não só, para crescermos como pessoas, como, profissionais e depois, quem estiver interessado em adquirir um trabalho já é secundário, não digo que não seja importante, mas um quadro não é um bem de primeira necessidade, temos que ser realistas, e hoje em dia os Portugueses vivem com bastantes dificuldades, assim só compra mesmo quem pode.

A Arte como forma de vida profissional, é complicada, pelo menos para os artistas mais “pequenos”, por isso eu ter outro trabalho, tenho a minha família outras responsabilidades, assim além da pintura, trabalho num escritório, como funcionária forense em Castelo Branco.

Sei que nasceu em Nisa. Que recordações guarda da sua infância e que laços mantém com a terra mãe? O Alentejo está presente na sua pintura?

Tenho 33 anos (04/04/72), morei em Nisa até aos seis anos, suficientes para não esquecer amigos. Ainda me lembro, da Rua Alexandre Herculano, a Professora da Escola Primária, D.ª Celeste, uma simpatia, ainda que por pouco tempo, mas que não esqueci, são recordações que ficam para sempre na nossa memória. Tem-se tornado mais difícil, a minha deslocação a Nisa mas quando posso vou, e não passo sem os “barquinhos” (doce típico), que faço questão em comer sempre que lá vou. É como um ritual.

Sou Alentejana de coração, e em todos as minhas pinturas está sempre presente um pedaço do “meu Alentejo”, numa casa, paisagem ou mesmo cor, assim como em todas as exposições, faço sempre questão de o assumir. Actualmente resido em Alcains, onde tenho o meu atelier.

Sendo o artesanato de Nisa conhecido pela sua beleza e originalidade, de que forma ele se lhe revela como motivo de inspiração?

Penso que o facto de ter nascido em Nisa, com as suas tradições, artesanato, já me influencia de certa forma na minha pintura quer através das cores, quer na diversidade de temas.

Quer deixar uma mensagem-convite aos leitores do jornal para visitarem a sua exposição?

 A minha mensagem será simplesmente de que terei muito gosto em que visitem a exposição, sendo a mesma o meu agradecimento á Câmara Municipal de Nisa, à Casa da Cultura, que sempre me acolheram, ao Sr. Bento Semedo, ao Jornal de Nisa, foi uma honra para mim ser entrevistada pelo Jornal da minha terra, poder dar a conhecer a Nisa um pouco mais sobre o meu trabalho e ...que Nisa não  esqueça aqueles que tentam levar o seu nome mais além, mesmo distantes da terra que os viu nascer.

Mas o mais importante a nível pessoal, tem sido o apoio do meu marido António e  meus filhos,  Alexandra e Bernardo  que me têm acompanhado nesta minha  “viagem”.

A todos o meu sincero obrigado.

A Cor das Palavras

“... Com traços eu me defino, com alguma cor eu me expresso, ambas me completam, neste meu viver de imagens sem regresso, onde o sonho e a realidade se confundem, na mão aberta, do meu humilde Universo...”

Rosário Bello, artista plástica (autodidacta), natural de Nisa, reside em Alcains, onde tem o seu atelier e trabalha como empregada forense em Castelo Branco.

O seu percurso artístico iniciou-se em 1996, tendo feito Exposições e Mostras de Pintura em todo o país, contando ainda com representações no estrangeiro. Para além da pintura dedica-se também à escrita, tendo participado com textos da sua autoria em dois livros: V Antologia Poética, do Círculo Nacional de Poesia e outro com escritores da Beira Baixa.

Da Exposição “A Cor das Palavras”, patente na Biblioteca Municipal de Nisa, até final de Fevereiro constam diversos trabalhos, a maioria pintados sobre madeira, com dedos a óleo (pastel), sem a técnica do pincel, podendo ser apreciada conjuntamente com extractos de alguns textos da sua autoria, mas baseados na pintura representada.

Pela expressividade do traço, pela força dos temas, os trabalhos que Rosário Bello nos mostra no 1º andar da Biblioteca Municipal, merecem a sua visita e uma apreciação atenta, ou não se tratasse de uma artista nisense.