18.7.26
18 Julho - Dia Internacional Nelson Mandela
(Título Original: "Invictus")
Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini
Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.
Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.
Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.
MEMÓRIAS: Resta-me escrever o seu nome: “Jorge Gordo Miguéns”
A morte. Sempre à espreita. Matreira, quase sempre a surpreender. Jamais a esperamos. Ainda que certa, parece-nos sempre distante e impotentes é-nos difícil aceitá-la.
Conheci o Jorge em Salavessa, já lá vão uns
anos. Estive com ele na sua casa, ainda a mãe era viva. Fomos ver uns livros,
ou coisa parecida. Entrámos e chamou a mãe. “Venha cá mãe - veja lá se conhece
este primo!”. A mãe, Maria Gordo, prima em primeiro grau do meu avô, era uma
dessas pessoas de sorriso doce e olhar terno. Apesar das agruras da vida, transmitia
uma sensação de paz e tranquilidade. Ali mesmo me encheu os bolsos de pacotes
de bolachas e rebuçados, os quais fui obrigado a aceitar. São estes quadros que
me recordam a sua nobreza de carácter, pobre mas sempre disponível para dar.
O texto que se segue foi escrito pelo Jorge
em 1999 e coincide com a sua saída de Salavessa para residir em Nisa.
Conta-nos parte do seu percurso. Uma vida de
desencontros com a felicidade. A guerra colonial. A maldita guerra que tantos
traumas originou na vida dos portugueses, tantos amores perdidos, desencontros,
esperanças sem esperança. Depois da guerra, foi a morte prematura do pai, a
morte da mãe e tantos outros percalços que sofreu. Eis a sua história, contada
pelo próprio:
“Nasci numa casa humilde da Rua do Canto, em
Salavessa, no dia 28 de Dezembro de 1951. Os meus pais eram trabalhadores
rurais, nascidos e criados nesta terra, fazendo o mesmo que toda a gente fazia;
durante a semana trabalhando do nascer ao pôr-do-sol, e nos domingos cultivavam
umas pequenas hortas que nós possuíamos. Até aos sete anos, brinquei como todas
as crianças da minha idade. Em 1958 entrei para a Escola Primária, tendo sido
sempre um dos melhores alunos. (…) Fiz o exame da 4ª classe em 1962. Estes anos
da minha infância foram os mais felizes da minha vida. Em 1963 fiz o exame de
admissão ao Liceu e à Escola Industrial e Comercial de Castelo Branco, tendo
ficado aprovado em ambos; como tinha um primo que estudava no liceu, optei pelo
ensino liceal.
No 1º e no 2ºanos fui o melhor aluno da turma, tendo ficado no Quadro de Honra no 1ºano. Era o melhor aluno e ao mesmo tempo o mais mal vestido. É neste momento que começam as minhas primeiras interrogações sobre a sociedade e o mundo.
(…) Em 1968, no 5º ano – foi o deslumbramento. Era o namoro que começava, os bailes, as festas, o bilhar, o cinema e, para minha desgraça, a bebida e a política. (…) As noitadas sucediam-se. Eram os ventos que sopravam da Europa. O Maio de 68 irradiava em todas as direcções. O movimento hippie alastrava. Salazar caía. (…) Lia todos os dias o jornal “República”. As minhas “sebentas” eram a Seara Nova, o Tempo e o Modo, a revista Vértice e o Comércio do Funchal. O meu cérebro fervilhava de ideias. A tropa aproximava-se. Só pensava numa coisa – fugir!
Em 69, Marcelo permite as primeiras eleições “livres”. (…) Colocavam-se cartazes que a Polícia rasgava. (…) Nesse ano chumbei por faltas, no ano seguinte tirei Letras e em 71 fugi para Lisboa, onde trabalhei nas obras durante um mês. (…) Fui obrigado a regressar a casa. Estive vários meses praticamente sem fazer nada. (…) 4 de Janeiro de 72. Tropa. Tirei a recruta e a especialidade de escriturário. Neguei-me a fazer provas para cabo miliciano. Nada me importava. Continuava a pensar em desertar.
(…) Estive 10 dias preso por me ter ausentado
sem licença. (…) Fui mobilizado para a Guiné. Quando cheguei à Guiné – “morri!”
Estava nas fileiras do inimigo. Como é que eu
podia estar de arma na mão defendendo aquilo que mais detestava? Foram 20 meses
duríssimos (…). Falar sobre o tempo que estive na guerra é doloroso e inútil.
Só quem lá esteve pode saber o que se sente. (…) Chegou finalmente o 25 de
Abril! Tinha 15 meses de Guiné. (…) Regressei finalmente a Portugal no dia 27
de Agosto de 1974. Durante esse tempo muita coisa tinha mudado. Pessoas que
nunca abriam a boca, agora pareciam filósofos gregos. (…) Em 75 casou-se a
rapariga que eu sempre tinha namorado. Apareceu um cancro ao meu pai, do qual
viria a falecer em 76. Desde essa altura, e até entrar para a Câmara, a minha
vida foi uma espécie de hibernação dolorosa. Trabalhava esporadicamente com os
pedreiros, na apanha da azeitona e nas paragens da Celulose do Tejo. Em 82 fiz
uma desintoxicação no Centro de Recuperação de Alcoólicos de Coimbra. Não
resultou. A minha vida não tinha qualquer esperança. Em Maio de 84 entrei para
a Câmara de Nisa, onde graças à boa camaradagem e ao bom relacionamento com o
Presidente, consegui sobreviver até ao momento actual. Em 95 faleceu a minha
mãe.
Estava “orgulhosamente” só. Abandonei definitivamente
a bebida, desta vez sem qualquer tratamento.
A partir deste momento, encontrando a casa
sempre vazia e fria, comecei a pensar em abandonar a Salavessa e fixar
residência em Nisa.
Nada me prende à terra que me viu nascer. (…)
Não tenho irmãos. Tenho um tio com 80 anos e três tias com 77, 80 e 82. Nos
cafés onde raramente vou, ouço as mesmas conversas de há trinta anos; o único
tema diferente é a reforma.
(…) As pessoas transpuseram as suas
esperanças e economias para os seus descendentes – não vivem as suas vidas –
vivem os sucessos dos filhos. É uma espécie de vingança ao passado de
sacrifícios que fizeram na juventude. Eu compreendo perfeitamente as suas
atitudes porque assisti à sua luta pela sobrevivência.
É um Outono perpétuo – sem esperança de Primavera!
(…) Dito isto – o que pode pensar e fazer um
homem de 48 anos? Eu já não sou propriamente um jovem, mas ainda não sou
suficientemente velho para viver neste Lar de 3ª idade (Salavessa). Dou-me bem
com todas as pessoas, e sinto que sou estimado por toda a população, só que
isto não é suficiente para manter o meu cérebro em funcionamento.
Parto. Sem saudade!
Resta-me escrever o meu nome: JORGE GORDO
MIGUÉNS.”
Eras
realmente estimado por todos.
Restou-te
escrever o teu nome! Não. Associaremos sempre ao teu nome à lembrança de um
homem bom.
17.7.26
CASTELO DE VIDE: Fundação Nossa Senhora da Esperança celebra o 163º aniversário na segunda-feira, dia 20 de Julho
As comemorações decorrem no Convento de São Francisco, sede
da Fundação Nossa Senhora da Esperança, e o programa começa pelas 15 horas com
a celebração da missa na igreja de São Francisco.
Pelas 16 horas realiza-se o lançamento do jogo “Smart Touch – Tabuleiro Acessível”, um projeto desenvolvido pelos utentes e colaboradores da Fundação Nossa Senhora da Esperança, no âmbito do projeto “TODAGENTE – Arte e Educação Para Acessibilidade e Inclusão em Espaços Culturais”.
Concerto pelo grupo vocal "Ver pela Arte"
Segue-se o concerto do grupo vocal ”Ver pela Arte”, fundado
em 2014 no âmbito do programa "Ver pela Arte", coordenado pelo Centro
Nacional de Cultura (CNC), com o objetivo de promover o ensino da música a
pessoas cegas ou com baixa visão nas escolas do país. O grupo tornou-se o
primeiro e único projeto aprovado e financiado pelo Programa Cidadania Activa
da Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com a ACAPO.
As cerimónias terminam cerca das 18:30 horas com um lanche
ajantarado, seguindo-se o tradicional corte do bolo de aniversário assinalando
os 163 anos da Fundação.
A Fundação Nossa Senhora da Esperança
Fundada em 1863 por João Diogo Juzarte Sequeira Sameiro e
sua mulher, a Fundação Nossa Senhora da Esperança (FNSE) é uma Instituição
Particular de Solidariedade Social (IPSS) de âmbito nacional e inspiração
cristã constituída em Castelo de Vide em 1863 como Asilo de Cegos de Nossa
Senhora da Esperança, a que se juntou em Novembro de 1987 o Asilo do Espírito
Santo, dando origem à atual instituição.
Atualmente, a FNSE destaca-se pelo trabalho de excelência nas áreas de apoio à terceira idade e da tiflologia (o estudo e o apoio às pessoas cegas ou com baixa visão), gere duas estruturas residenciais para idosos (o Lar do Convento e o Lar João Gonçalves Palmeiro Novo), o Centro de Arte e Cultura FNSE e o Centro de Experiência Viva - Museu de Tiflologia, um espaço dedicado à acessibilidade e à inclusão.
Cuidados domiciliários e inclusão em espaços culturais
A Fundação tem em curso dois importantes projetos: o “Cuidar
com Sentido + Esperança no Domicílio”, no âmbito do programa Gulbenkian Home
Care 2.0, que proporciona cuidados domiciliários integrados, e o projeto
“TODAGENTE – Arte e Educação Para Acessibilidade e Inclusão em Espaços
Culturais a partir do Museu de Tiflologia de Castelo de Vide” que tem a duração
de 3 anos (até final de 2028) e é financiado pelo Programa Regional Alentejo
2030, no âmbito da tipologia Inclusão Pela Cultura.
Unidade de Dia e Promoção da Autonomia
Em avançado estado de construção está também uma Unidade de
Dia e Promoção da Autonomia (UDPA), uma resposta social e de saúde integrada,
alinhada com a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI)
destinada a apoiar pessoas com dependência funcional leve a moderada e com
doenças crónicas na região do Alto Alentejo.
TEXTOS DE INTERVENÇÃO: Lágrimas de Crocodolo(s) - I
16.7.26
FOTOGRAFIA: Concurso “Secreta Vida das Palavras”
Procuramos propostas que documentem, de forma explícita ou
simbólica, a experiência humana de quem atravessa fronteiras — sejam elas os
limites geográficos entre nações ou as fronteiras sociais e normativas do
corpo.
As nove fotografias melhor classificadas, são posteriormente
entregues a três escritores, como ponto de partida para a criação de poemas ou
textos originais.
Os textos daqui resultantes passam para as mãos e
sensibilidade dos três compositores, que vão criar nove temas a apresentar num
espectáculo multimédia no dia 21 de novembro, no Auditório Municipal Ruy de
Carvalho, em Carnaxide, Oeiras.
Aos fotógrafos mais votados serão atribuídos vales-oferta,
nos seguintes valores: 1.º prémio – 500€; 2.º prémio – 300€; 3.º prémio – 200€;
Prémio do Público – 100€.
Submeta a suas fotografias!
Em formato: JPG ou JPEG.
Largura mínima: 3000 pixeis
Resolução mínima de 300 dpi
Tamanho do ficheiro: Máximo de 30 MB
Proporção: 3:2 ou 2:3 e 4:3 ou 3:4
As fotografias podem ser a cores ou a preto e branco. São
aceites, no máximo, três fotografias por autor. A inscrição no concurso não tem
qualquer custo.
Saiba mais em mapoeiras.com
OPINIÃO: Inquietações nacionais
O primeiro-ministro mantém a confiança em Fernando
Alexandre, mas os portugueses já a perderam em relação ao processo de
digitalização de provas, apesar de o erro não estar, obviamente, no digital.
O que começou por empancar por um alegado problema técnico
escalou para um campo minado que espelha quão impreparada estava a tutela para
uma mudança que, não sendo urgente, quis levar teimosamente a cabo, apesar de o
teste-piloto com a prova de Filosofia já ter exposto debilidades. A mudança de
quatro dias no calendário é o menor dos problemas do ministro da Educação.
Quando, e se, amanhã, os resultados dos exames forem
afixados nas escolas, começa uma nova fase que se perspetiva turbulenta:
garantir que todos os alunos acedem à sua prova e que há capacidade instalada
de revisores para reavaliar os exames. Exlcuem-se do raciocínio eventuais
falhas na entrega dos malfadados items, prováveis, diria, uma vez que a ligação
de um exame a um aluno vai ter de ser feita numa plataforma, manualmente, pelos
estabelecimentos de ensino. Montenegro falou da "resistência" de
alguns professores à mudança, mas as palavras não ajudam a serenar os ânimos
nas escolas, nem nas famílias.
A digitalização é inevitável, mas a centralização mal acautelada de todo este processo revela quão frágil ele se tornou. A imagem daqueles milhares de exames no chão de um megaarmazém, em Lisboa, protegido pela polícia, é só por si causadora não de "alguma inquietação", mas de bastante inquietação, para os alunos e para as suas famílias.
·
Joana Almeida Silva – Jornal de
Notícias - 16 de julho, 2026
IMMAGEM - A processar | cartoon editorial da SÁBADO – Vasco Gargalo
PATRIMÓNIO: Exposição no Freixo recupera imagens dos monumentos megalíticos de Redondo
A mostra reúne imagens registadas por Georg e Vera Leisner
durante a década de 1940, centrando-se nos monumentos megalíticos do concelho
de Redondo e, em particular, nas antas localizadas na envolvente da freguesia
do Freixo.
Fotografias documentam património megalítico
A exposição procura dar a conhecer o trabalho desenvolvido
pelo casal de arqueólogos alemães Georg e Vera Leisner, que documentou vários
monumentos megalíticos da Península Ibérica ao longo do século XX.
As fotografias permitem observar o estado dos sepulcros
megalíticos há cerca de oito décadas e estabelecer uma relação com a realidade
atual dos monumentos, cruzando memória, arqueologia e património local.
Entrada livre até 26 de julho
“Antas Agora, Antas Outrora” estará patente no espaço
exterior da Casa do Povo do Freixo até 26 de julho.
A visita é de entrada livre.
ATLETISMO: Portalegre acolhe Milha Nocturna
A Corrida 1 Milha (1609m) + Caminhada é para todos, dos mais
novos aos Veteranos 65.
15.7.26
MORA: Noite especial no Festival Música no Rio junta o fado e flamenco
📅
18 de julho de 2026
No dia 18 de julho, o Parque Ecológico do Gameiro, em Cabeção - Mora, recebe mais uma edição do Festival “Música no Rio - Os Outros Sons do Fluviário”. Uma iniciativa que celebra a diversidade musical em um dos cenários naturais mais emblemáticos do município.
Ao longo da noite, o público poderá desfrutar de uma programação que une a intensidade do flamenco, a emoção do fado e a riqueza das sonoridades ibéricas contemporâneas, reconhecidas Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, com as apresentações do grupo Flamenco Open, Pedro Moutinho e Sangre Ibérico, respectivamente.
A entrada
tem o custo simbólico de 2€, valor que reverte integralmente a favor da
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mora, contribuindo para
apoiar o importante trabalho desenvolvido diariamente por esta Instituição
junto da comunidade.
Venha viver uma noite onde o rio, a natureza e a música se encontram, em um ambiente único que convida a conhecer diferentes culturas e sons!
GNR recupera Bufo-Real (Bubo bubo) ferido em Alter do Chão
A ave foi
entregue por um cidadão no Posto Territorial de Alter do Chão, tendo
posteriormente sido recolhida pelos militares do SEPNA, que asseguraram o seu
encaminhamento para os serviços do Instituto da Conservação da Natureza e das
Florestas (ICNF), no Parque Natural da Serra de São Mamede, para avaliação
clínica, tratamento e acompanhamento especializado, visando a sua recuperação e
eventual devolução ao seu habitat natural.
Esta ação
evidencia o compromisso da Guarda Nacional Republicana na preservação da fauna
selvagem, assegurando uma resposta eficaz em situações que envolvam animais em
risco.
A Guarda
Nacional Republicana, através do SEPNA), tem como preocupação diária a proteção
dos animais, apelando à denúncia de situações de âmbito ambiental. Para o
efeito, poderá ser utilizada a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520)
funcionando em permanência para a denúncia de infrações ou esclarecimento de
dúvidas.
Você também pode reportar online através do Portal da GNR ou pelo e-mail sepna@gnr.pt.
ESPECIAL - "O concelho de Nisa tem grandes potencialidades” – ANTÓNIO MONTALVO in JN 07.07.2004 (3ª e última parte da Entrevista)
[...] pessoas deslocadas do interior. Na faixa entre Porto e Setúbal, com 350 quilômetros de comprimento e 40 de largura (cerca de 15% do território nacional) vivem 3/4 da população portuguesa.
Como se vê, temos um desequilíbrio demográfico que é estrutural, que vem já muito detrás e que se acentuou com a industrialização e a urbanização do litoral. Esse fenômeno é comum a muitos países da Europa e tem sido estudado por muitos economistas, sociólogos e geógrafos muito mais competentes nessa matéria do que eu. Participei há 15 dias de uma conferência em Atenas onde a situação é mais grave que a nossa e onde esse problema foi analisado. Na Grécia, 2/3 da população vivem na região metropolitana da capital, formada por apenas duas cidades, Atenas e Pireu.
Na
minha modesta opinião, não existe uma receita única e geral para este problema.
Há que aplicar medidas adequadas a cada caso, mas que deverão passar pela
valorização dos recursos endógenos das regiões deprimidas, pelo desenvolvimento
dos sistemas produtivos locais com base na sua diferença e qualidade, pelo
apoio à criação de emprego, pela criação de condições favoráveis no âmbito
cultural, educativo, de saúde e hoteleiro, que favoreçam a atractividade da
região. Importante seria também criar centros de decisão político-administrativa,
legitimados democraticamente, para fomentar o desenvolvimento regional, embora
devamos ter a noção de que a criação de regiões administrativas não é uma
“varinha mágica” que pode resolver todos estes problemas. Pensar isso seria liquidar
as regiões ainda antes delas serem criadas, porque em países onde se criaram
regiões há muitos anos, como em França ou Itália, existem assimetrias de
desenvolvimento tão ou mais grave do que as nossas.
JN – Você já teve ocasião de comentar a chamada “Lei Relvas” e apontar algumas pistas no que se refere ao município de Nisa. Que comentário é que lhe sugere o evoluir do processo, à luz do recente desaire eleitoral da coligação no Governo? Será de se esperar a realização do processo de Regionalização, ou esses “modelos intermediários” são, justamente, alguns dos paliativos criados para impedir esse objetivo?
AM – Dantes se dizia “quando há um problema que não se quer resolver, nomeia-se uma comissão”. Agora pode-se dizer que “quando há um problema que você não quer resolver, você aprova uma lei”.
Em
minha opinião, essa lei não era necessária para a descentralização de
competências da Administração do Estado para as autarquias locais, uma vez que
por todo o país já existiam associações de municípios. Agora já foram criadas por
todo o país há vários meses novas associações de municípios de acordo com o
figurino dessa lei, e nunca mais se falou em descentralizar o que quer que
seja.
No ponto a que chegamos, à espera dum novo governo e, provavelmente, de novas eleições legislativas, creio que vai ficar tudo “em águas de bacalhau”, como se costuma dizer.
Em
minha opinião, não será possível descentralizar nada de importante sem que
sejam criadas as regiões administrativas (5 no máximo), porque nem os
municípios nem associações de 3 ou 4 municípios, como agora foram criadas, têm
dimensão suficiente para suportarem um processo de descentralização que passa
também por uma reforma do aparelho do Estado.
Não quero fazer julgamentos de intenção sobre o que esteve por trás da aprovação da lei que levou à criação dessas novas associações de municípios. O certo é que elas, juridicamente, são simples associações de municípios e não são alternativa, nem sucedâneo, nem obstáculo à regionalização, porque não têm dimensão geográfica nem legitimidade política que lhes permita desempenhar as funções que a Constituição atribui às regiões administrativas.
“O município de Nisa tem grandes potencialidades”
JN – Em seu entender, quais
as razões que levaram a que, em 30 anos de Democracia,não se conseguisse implementar
o “poder local que falta”, as regiões?
AM – As regiões administrativas foram previstas durante a elaboração da Constituição, em 1975, em pleno PREC, quando o aparelho do Estado e muitos municípios estavam sob a direção política do PCP e do MDP/CDE, e de franjas do PS.
Foram os partidos do centro-direita e da direita (PPD e CDS) que em 1975 propuseram a criação das regiões administrativas, para se criarem pelo país centros de poder estranhos à influência do PCP. As regiões foram imaginadas desde o início como polos de contrapoder e isso levou todos os governos a sempre terem medo de implementá-las. Os sucessivos governos PS e PSD sempre temiam perder influência política com a criação das regiões, em especial no Alentejo. Só quando o peso político do PCP no Alentejo foi ficando muito reduzido é que um governo PS se atreveu a tentar criar as regiões administrativas. Mas ele fez isso da pior maneira possível. Em vez de aproveitar as 5 regiões de planejamento (as CCR) que funcionam desde 1979 com muita experiência e prestígio, e transformá-las em regiões com órgãos democraticamente eleitos), resolveu inventar 8 regiões para dar lugares a alguns de seus líderes regionais.
Nunca
nenhum português percebeu que regiões eram aquelas que iam dividir o país ao
meio, separando o litoral rico do interior desfavorecido, em vez de fomentarem
a solidariedade territorial entre as duas partes.
É claro que a oposição aproveitou para bater com força e o referendo sobre a regionalização deu resultado negativo. Muitos regionalistas convictos votaram contra. Foi o meu caso. Mas além disso sempre houve fortes resistências de muitos deputados e dirigentes dos serviços do Estado, que não querem perder poder e influência e que vivem às custas do centralismo de Lisboa.
JN – Num quadro de efetiva política de solidariedade institucional e territorial, em sua opinião, quais os setores potencialidades que o município de Nisa poderia apresentar, promover e valorizar?
AM – O município de Nisa tem grandes potencialidades no campo do patrimônio histórico, do turismo, do artesanato, da gastronomia, do termalismo, das formas de cultura popular e tradicional, que todos conhecemos e que nos orgulhamos.
É muito importante realizar o projeto de modernização das termas da Fadagosa. Seria também muito importante a criação de um museu do artesanato português, fazendo de Nisa a capital do artesanato nacional e criando assim um ponto de atratividade integrado em circuitos turísticos regionais, no qual também poderiam ser incluídos os principais elementos do patrimônio histórico e arqueológico do município. Tudo isso seria muito vantajoso para a promoção da gastronomia local e do setor de restaurantes.
Além disso, o município tem uma frente de rio formada por dezenas de quilômetros de margem do rio Tejo que é um patrimônio absolutamente fantástico e cheio de potencial turístico. Sem a necessidade de grandes investimentos, o reservatório da barragem do Fratel poderia ter um aproveitamento excepcional para os esportes náuticos, apoiados pela proximidade da albergaria municipal. Além disso ainda, Nisa fica no centro de uma área de grande potencial turístico como o triângulo Portalegre-Castelo de Vide – Marvão, ao sul, e as estâncias de patrimônio paleolítico e as aldeias históricas da Beira Baixa, ao norte. Tudo isso são potencialidades já instaladas que devem ser aproveitadas de forma combinada e que muito se beneficiariam da construção em Nisa de uma nova unidade hoteleira, de médio porte, com uma oferta diversificada e com aptidão para a realização de reuniões e colóquios.
E, finalmente, o mais importante. É preciso captar investimento privado que seja atraído pelas potencialidades do concelho e que crie emprego e gere riqueza.
“Não serei candidato à
Câmara de Nisa”
JN – Você é um especialista na área de Poder Local. Sentir-se-ia, certamente, como “peixe na água” à frente de uma Câmara Municipal. Você nunca foi convidado para esse cargo? Veria com bons olhos uma candidatura à Câmara de Nisa?
AM – Essa pergunta me permite esclarecer uma questão que é importante pela ideia que algumas pessoas podem fazer sobre mim. Pode parecer estranho para muita gente que um advogado que reside e trabalha em Lisboa se interesse, aos 50 anos, em criar uma associação de naturais e amigos de Nisa só porque foi criado e viveu 16 anos em Nisa.
E como os “carolas” são uma espécie em vias de extinção, admito mesmo que algumas pessoas já tenham pensado que a Associação Nisa Viva é um trampolim de que eu me estou a servir para me lançar na corrida para a Câmara de Nisa.
Quero aproveitar essa entrevista para, a um ano e meio das próximas eleições municipais, dizer aqui que em hipótese alguma serei candidato à Câmara de Nisa (ou a alguma Junta de Freguesia do município, porque são órgãos com a mesma dignidade democrática). Repito: não serei candidato à Câmara de Nisa e quem tiver dúvidas poderá guardar essa entrevista até o final do ano que vem. Já por mais de uma vez rejeitei convites para esse cargo em outra prefeitura, e continuarei rejeitando por dois motivos fundamentais. A primeira é que gosto muito de ser advogado em Lisboa e Abrantes e consultor do Conselho da Europa, e não poderia continuar sendo se fosse eleito presidente de uma câmara. A segunda é que, como já expliquei, não concordo com o sistema de composição, de funcionamento e de remuneração das Câmaras municipais e não aceito participar de um jogo político com cujas regras não estou de acordo. Deixe-me repetir aqui as palavras que, já à cautela e para evitar equívocos, escrevi em Dezembro de 2002 no editorial do nº 1 da revista Nisa Viva: “o nosso objectivo é apenas o de contribuirmos, por simples dever de cidadania e participação cívica, para a valorização e desenvolvimento de Nisa e do seu concelho. É ele que nos move porque é nele que estão as nossas raízes. E tal como nas árvores, também nos Homens a última coisa a morrer são as raízes”.
É simples assim: nem nossa Associação é um trampolim para nada, nem eu serei candidato a prefeito de Nisa ou de qualquer Junta de Freguesia. Só pretendo trabalhar modestamente por Nisa em nossa Associação, hoje como presidente da Diretoria, amanhã como simples sócio, mas sempre sem qualquer remuneração, sem qualquer compensação por despesas, nem outro interesse que não seja o desenvolvimento desta terra a que sempre fui muito ligado. Quero dizer ainda que esse sentimento de serviço a Nisa, sem nenhum pagamento e sem esperar nada em troca, não é só meu. É de todos os membros da Diretoria e de outros sócios da Associação Nisa Viva que são tão “carolas” quanto eu e que muito fizeram por Nisa de graça.”
É por isso que nos machuca profundamente ver a forma como a Câmara de Nisa tem nos marginalizado, nunca nos tendo concedido qualquer subsídio, apesar de várias vezes já ter prometido isso. Nem um só euro! Além de não nos dar nada, a Câmara ainda nos cobrou 120 euros pela sala do cinema quando lá realizamos um colóquio com entrada livre a todos os nisenses que quiseram assistir. Isso parece mentira, mas infelizmente não é!
·
Mário Mendes – Jornal de Nisa – 7.7.2004
14.7.26
CASTELO DE VIDE: 𝐖𝐨𝐫𝐤𝐬𝐡𝐨𝐩 𝐁𝐨𝐥𝐞𝐢𝐦𝐚 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐜̧𝐚
Organizada
pelo Município, através do Projeto CLDS-5G, e dinamizado por José Rui Serra,
Presidente da Junta de Freguesia de Santiago Maior, a iniciativa está agendada
para as 14h00 do dia 17 de julho e vai decorrer no Centro Municipal de Cultura.
O Workshop é
aberto ao público e a todos os que têm curiosidade de aprender a fazer a
tradicional Boleima de Maçã.
O CLDS-5G é
financiado por Fundos Europeus (FSE+. Pessoas 2030, Portugal 2030) e
cofinanciado pela União Europeia.
Eixo 3 –
Promoção da autonomia, envelhecimento ativo e longevidade.
Atividade 5
- Fórum Pessoas Maiores
ÉVORA: Programa de Voluntariado da Fundação Eugénio de Almeida
Queres fazer Voluntariado Internacional na Alemanha? Esta
oportunidade é para ti!
Está aberta uma oportunidade de Voluntariado na Steinbeis
Innovation Centre, Alemanha
Para quem? Jovens voluntários dos 18 aos 30 anos*
Que tarefas? Os jovens voluntários terão a oportunidade de
colaborar em diversas tarefas
Projeto 1 - Lar Residencial para Idosos: O/a voluntário/a
poderá colaborar em diferentes atividades, focadas no apoio a idosos em
situação de vulnerabilidade
Projeto 2 - Associação de Cidadãos de Oberried: O/a
voluntário/a poderá colaborar em diferentes atividades, focadas na resposta a
necessidades sociais emergentes, bem como a situações de emergência, através de
uma ação conjunta
Duração? 10 / 12 meses, a iniciar o mais breve possível
Onde? Projeto 1 - Wolfach | Projeto 2 - Oberried
Queres participar? Envia-nos o teu currículo e carta de
motivação, para nazare.jesus@fea.pt
* Uma vez que estes projetos se destinam a jovens com menos
oportunidades em termos de educação, esta organização na Alemanha não aceita
licenciados nem estudantes universitários.
Se tiveres dúvidas, contata-nos!
924 145 871
Inscrições até dia 16 julho 2026.
13.7.26
28.º Encontro de Etnografia e Folclore Cidade de Castelo Branco trouxe essência portuguesa aos albicastrenses
No livro de honra do evento, o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, escreveu que iniciativas desta natureza são fundamentais para a vida cultural das cidades, felicitando a Associação Cultural e Recreativa "As Palmeiras" por proporcionar aos albicastrenses momentos que "criam memórias e avivam os costumes de uma tradição longínqua". Também o presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco, José Dias Pires, destacou o contributo da associação para a valorização da cultura local, considerando que os sucessivos Encontros de Etnografia e Folclore têm promovido os valores simbólicos da cidade, do concelho e da região, reforçando o sentimento de pertença ao património comum.
Durante a sessão solene, o presidente da Associação Cultural
e Recreativa "As Palmeiras", Arlindo Fonseca, recordou que o Grupo de
Danças e Cantares da Beira Baixa tem "a responsabilidade e o orgulho de
preservar, promover e divulgar o património etnográfico que herdámos dos nossos
antepassados", agradecendo o apoio da Câmara Municipal de Castelo Branco,
da Junta de Freguesia de Castelo Branco, das empresas patrocinadoras, dos
associados, colaboradores e voluntários, sublinhando que é esse esforço
conjunto que permite continuar a afirmar e a fazer crescer este projeto.
A vereadora Christelle Domingos manifestou a sua admiração
pelo trabalho desenvolvido pela associação em prol da cultura tradicional,
afirmando que os presentes tiveram oportunidade de testemunhar "a essência
portuguesa" e de assistir "àquilo que de melhor se faz a nível
nacional". Também o diretor da Federação do Folclore Português, Carlos
Saraiva, enalteceu a riqueza cromática dos grupos participantes, considerando
que o público "teve a possibilidade de assistir a um bom festival de
folclore" e sublinhando que "hoje, aqui, em Castelo Branco, cumpre-se
a Portugalidade".
Ao povo albicastrense, que voltou a marcar presença em
grande número nos Paços do Concelho de Castelo Branco, a Associação Cultural e
Recreativa "As Palmeiras" deixa o seu agradecimento, renovando o
compromisso de continuar a contribuir para a valorização e divulgação da
cultura tradicional e popular na cidade e no concelho.
Voltamos em 2027, no segundo sábado de julho.
MARVÃO: XXI Feira do Livro
🗓 15 de julho a 2 de agosto
📍 Salão Nobre dos Paços do Concelho
🕥 10h30/19h30 - Entrada livre
15 de julho (quarta-feira)
21h00: Abertura e inauguração oficial da Feira do Livro
Atuação do grupo musical “Gente Nossa”
16 de julho (quinta-feira)
10h30: Visita da Ludoteca da Portagem à Feira do Livro
17 de julho (sexta-feira)
10h30: Visita da Ludoteca de Santo António das Areias à Feira do Livro
18h30: Encontro com o escritor Lourenço Seruya
19 de julho (domingo)
11h00: “Histórias de sonho”, por Sofia Vieira, da livraria Aqui Há Gato!
16h00: Apresentação do livro “O progresso da humanidade”, de Rui Cardoso Martins e João Sequeira
17h30: Tertúlia e passeio literário “Pormenores de Marvão”, inspirado nas “Memórias da Freguesia de Santa Maria de Marvão” (número especial da Revista Cultural Ibn Maruán)
22 de julho (quarta-feira)
21h00: I Encontro de Leitores de Marvão
25 de julho (sábado)
15h00: Apresentação do livro “Arronches, a terra onde não chovia”, de José Botelheiro
17h30: Encontro com o escritor Raul Minh’Alma
26 de julho (domingo)
17h00: Apresentação do livro “Os avós”, de António Pereira e Joana Gancho
[Comemoração do Dia dos Avós]
1 de agosto (sábado)
15h00: Apresentação do livro “Ammaia contada aos gaiatos”, de Teresa Simão e João Aires

























.jpg)



