Cerca
de 800 crianças, jovens e adultos, provenientes de diferentes comunidades da
Diocese de Portalegre-Castelo Branco, participaram, no dia 5 de outubro, em
Ponte de Sor, na Assembleia Diocesana, que teve como mote «Constrói a minha
Igreja – Unidos na missão». O encontro foi marcado pela celebração, pela
reflexão e pelo apelo a uma Igreja mais unida, corresponsável e aberta à
missão.
Realizada
na senda do Jubileu de São Francisco de Assis, a Assembleia Diocesana reuniu
participantes de diferentes idades e de todos os pontos da Diocese, num dia
dedicado ao encontro, à comunhão e à reflexão sobre o papel de cada batizado na
vida e na missão da Igreja.
Com
um programa dirigido a crianças, jovens e adultos, a iniciativa procurou criar
diferentes espaços de descoberta, partilha e reflexão, tendo como ponto comum a
consciência de que todos são chamados a participar e a assumir um compromisso
corresponsável de servir, atentos às realidades concretas das comunidades e aos
desafios que hoje se colocam à Igreja.
Na
homilia, D. Pedro Fernandes partiu do episódio evangélico da multiplicação dos
pães e dos peixes para deixar uma mensagem particularmente dirigida à realidade
da Igreja atual: perante desafios que parecem ultrapassar as capacidades
humanas, a resposta não deve ser a desistência, mas a entrega confiante daquilo
que cada um tem para oferecer.
«O
“não sou capaz”, o “não temos recursos”, o “é pouco” ... é irrelevante. Temos
de discernir o que Deus quer a partir da confiança em Cristo e não a partir do
nosso medo, não a partir dos nossos sentimentos de impotência e pequenez.»
Para
o Bispo Diocesano, a própria fragilidade pode transformar-se num lugar de ação
de Deus, desde que cada pessoa esteja disponível para colocar os seus dons ao
serviço dos outros.
A
partir da imagem dos cinco pães e dois peixes, D. Pedro Fernandes sublinhou que
Deus pode tornar fecundo aquilo que, aos olhos humanos, parece insuficiente.
A
reflexão conduziu também ao desafio de construir uma Igreja sinodal, onde todos
caminhem juntos, valorizando a diversidade e rejeitando divisões.
«Precisamos
de compromissos, alianças, formas de estar que nos ponham juntos e a trabalhar
juntos», afirmou D. Pedro Fernandes, defendendo uma Igreja onde ninguém se
considere dispensado da missão.
O
Bispo Diocesano alertou ainda para a tentação de criar divisões entre pessoas,
grupos, movimentos ou comunidades, sublinhando que a diversidade deve ser
vivida na unidade e na comunhão.
«Tudo
isto não vem de Deus porque não celebra a diversidade na unidade, mas apresenta
a divisão. E a divisão, sim, é verdadeiramente inimiga da ação de Deus, inimiga
da comunhão.»
A
Assembleia procurou, assim, reforçar a consciência de que a Igreja não existe
para si própria, mas para a missão. Uma missão que implica sair de si, acolher,
servir e levar o Evangelho a todos.
Na
parte final da sua homilia, D. Pedro Fernandes deixou um apelo direto ao
compromisso de cada pessoa:
«O
que nos pede a Igreja hoje é que sejamos responsáveis, que cada um de nós
aceite o dom do Espírito, arregace as mangas e ponha pés ao caminho.»
O
Bispo relacionou este compromisso com as múltiplas formas de participação na
vida da Igreja, desde os ministérios laicais e os animadores de comunidade aos
conselhos pastorais, grupos de jovens, movimentos, grupos de oração,
catequistas, catequese, coros e tantos outros serviços.
«Dar
os nossos cinco pães e os nossos dois peixes, deixando, pois, que Deus
trabalhe. É este o caminho a que somos convidados.»
A
imagem dos cinco pães e dois peixes acabou por sintetizar o desafio lançado ao
longo da Assembleia: cada pessoa tem algo para oferecer e todos podem
contribuir para a missão da Igreja. Não se trata de esperar por condições
ideais ou por recursos abundantes, mas de colocar ao serviço aquilo que cada um
tem, confiando que Deus pode fazê-lo frutificar.
Ao
longo do dia, a alegria do encontro e a diversidade das comunidades presentes
deram expressão concreta a esta ideia de uma Igreja que caminha em conjunto.
A
Assembleia Diocesana terminou, assim, como um convite a toda a Diocese de
Portalegre-Castelo Branco para renovar o seu compromisso com a missão,
assumindo cada pessoa o seu lugar e a sua responsabilidade na construção de uma
Igreja mais unida, acolhedora e disponível para servir.
«A
Igreja existe para a missão e não para si própria», recordou D. Pedro
Fernandes, deixando uma palavra final que resume o desafio colocado à Diocese:
caminhar juntos, abrir as portas a Cristo e colocar os dons de cada um ao
serviço da vida e da missão da Igreja.
Veja
o vídeo resumo em:
https://drive.google.com/file/d/14lUAifAT3rYO1U0XbCeY9kZPQIuTYcs1/view?usp=sharing