17.2.26
ARRONCHES acolhe Festival Terras sem Sombra
Concerto «Um Piano, Quatro Mãos: Obras de Compositoras Polacas e
Portuguesas dos Séculos XX/XXI»
SANTO ANTÓNIO DAS AREIAS: Jantares de casadas e de casados
No próximo dia 21 de fevereiro, realizam-se os tradicionais jantares de casados e casadas, em Santo António das Areias, convívios seculares e enraizados na cultura marvanense.
Mais informação nos cartazes partilhados. ⤵️
16.2.26
NISA: Conheça os poetas do concelho (LXVII) - António Borrego
Só regresso
ao papel em branco
quando
imagino sensações, emoções e dores
que há no
corpo dos poemas...
ou quando os
meus olhos ficam doentes
por não
verem para além do imediato
sem saberem
discernir com lucidez
fico então
impassível e ferido...
qualquer
coisa febril que me põe sonâmbulo
há um
movimento invisível, uma vibração que...
despoleta as
coisas...
oh a delícia
de ser, um ser pensante...humanamente pensante...
que tem no
rosto a fluidez do sonho e no olhar
alguma
alegria...tinta de sangue...
e, não podes
fugir de ti mesmo, nem dessa voz que te grita aos ouvidos...dia e noite...
serão os
anjos que tentam salvar-me a alma?
desses que
me falavas em criança?
(até tinha
um anjo da guarda que tu Mãe, me pedias para rezar)
depois,
instalou-se este frio que, até dilata a íris...
e, esta
doida gargalhada que se entrava na garganta
ser este
ser, que à força de sofrer...ainda ri...
este riso
que reboa como um trovão...
naquela
eterna busca...quem sou eu afinal?...
sabes Mãe?
vou rindo,
fingindo e mentindo...enquanto eles dizem...
vamos ficar
todos bem
vivos? nem
todos, nem todos...
felizmente
um grito do passado, por vezes acorda-me...
por aqui
ando, impossível de aturar...
e à míngua
de versos...a mente já me prega partidas...
a falta de
inspiração ou motivo
remete-me
para uma pasmaceira sem precedentes
continuo à
espera que este vazio sentido
comece a
ser...definitivamente puro...
a paz
foge...cheia de pressa...
o anjo da
infância continua oculto
nunca mais
senti a presença ilusória dele...
hoje não te
consigo falar das rosas brancas que tanto gostavas
daquelas que
nunca te dei...
e se alguém
as merecia...eras tu Mãe.
A.B. 2022.
OPINIÃO: Demissão e luto nacional
Joana
Almeida Silva – Jornal de Notícias - 12 de fevereiro 2026
DESENVOLVIMENTO: Ações de formação agrícolas em Abrantes e Sardoal
Estas
iniciativas têm como principal objetivo capacitar os proprietários dos terrenos
e a comunidade para uma correta gestão das culturas agrícolas, localizadas na
envolvente dos aglomerados habitacionais, contribuindo para a segurança das
populações, a prevenção de incêndios rurais, bem como para a valorização e
sustentabilidade do território.
As ações de
formação serão orientadas de forma prática e acessível, privilegiando a
aplicação de conhecimentos no terreno e permitindo aos participantes adquirir
competências úteis para a preservação e manutenção das suas áreas agrícolas.
No âmbito da
manutenção de culturas, estão previstas várias ações com duração de 8 horas
cada. A formação dedicada ao olival terá lugar no dia 21 de fevereiro, em
Sentieiras (Abrantes). Já a frutícola contará com duas sessões: uma a 21 de
fevereiro, em Alcaravela (Sardoal), e outra a 21 de março, em Abrançalha
(Abrantes). A do medronheiro decorrerá no dia 7 de março, em Lercas (Abrantes).
Serão
igualmente promovidas ações dedicadas à gestão e proteção contra o fogo, com
enfoque na utilização de técnicas e equipamentos alternativos às queimas. Estas
sessões terão lugar no dia 14 de março, pelas 9h, na aldeia da Presa (Sardoal),
e pelas 11h, na Lobata (Sardoal), bem como no dia 21 de março, pelas 9h, em
Entrevinhas (Sardoal).
No domínio
da Aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos, estão previstas duas ações, uma em
Sardoal e outra em Martinchel (Abrantes). Este curso, de 50 horas que inclui 12
horas de prática de campo, é nível inicial e permite a obtenção do cartão de
aplicador.
Já a
formação de COTS – Conduzir e Operar o Trator Agrícola em Segurança, também se
prevê a realização de dois cursos, cada um com 50 horas e 27 de prática de
campo, um em Aldeia do Mato (Abrantes), e outro em Sardoal, ministrados pela
CAP – Confederação de Agricultores de Portugal. A conclusão deste curso permite
às pessoas habilitadas com carta de ligeiros ou de pesados a condução de
tratores.
Todas as
formações são gratuitas, mas com inscrições obrigatórias, que devem ser
efetuadas através do site da TAGUS, em tagus-ri.pt.
Com este
conjunto de formações, o Município de Sardoal e a TAGUS, com o apoio de
Município de Abrantes, reforçam o seu compromisso com a capacitação das
comunidades rurais, a gestão sustentável do território e a redução do risco de
incêndio, no âmbito do Programa Condomínios de Aldeia, do Fundo Ambiental,
cofinanciado pelo Plano de Recuperação e Resiliência e pela União Europeia.
PORTALEGRE: Música tradicional no Ciclo Intimista no CAEP
Ciclo
in-ti-mis-ta - O Lado de Dentro de Joana Ricardo e Mariana Ramos Correia
Música
Tradicional | PA | 5€ | M/6 anos
“O Lado de
Dentro” é um concerto intimista com duas vozes, um violoncelo, um adufe e um
bombo. Duas mulheres, que cantam o que gostam, em português. Escolhem o lado
mais feminino de cada canção e revêem-se nele. 'Não cantam por bem cantar',
cantam pela liberdade de estar em partilha aberta, transparente, onde o choro e
o riso, as suas raízes e viagens, os seus sonhos e desencontros, o rio e o mar,
a planície e a montanha se oferecem em conjunto. Cantando mostram o seu “Lado
de Dentro”, histórias vindas do seu interior, para quem sente e para quem se
quer juntar a cantar. Entre a música tradicional, o cancioneiro português e
temas originais, “O Lado de Dentro” é ainda um momento de comunhão entre duas
amigas de olhar cúmplice.
Um
espetáculo de Joana Ricardo e Mariana Ramos Correia
Vozes de
Joana Ricardo e Mariana Ramos Correia
Violoncelo e
adufe Mariana Ramos Correia
15.2.26
14.2.26
NISA: Tradições Musicais do Concelho
Nota 1: «Saias do Alto Alentejo, acompanhadas a harmónio, tocado por um nonagenário detentor de excelente técnica. A melodia é graciosa e deve salientar-se a voz da excelente cantadeira e a cantiga retornada que ela adopta, típica do Alentejo e da parte sul da Beira Baixa (repetição da quadra, trocando a ordem das parelhas de versos).
SAI
NISA: Conheça os poetas do concelho (LXVI) - Maria Dinis Pereira
O relógio da minha terra
De velho, não quer andar
Não pagam ao relojoeiro
Ele não o quer arranjar.
Já não sei às quantas ando
Trago a cabeça à roda
Estou como o relógio da torre
Já se lhe partiu a corda.
Trago a cabeça à roda
E o sentido desvairado
Estou como o relógio da torre
Está velhinho e cansado.
Se o viver do passado
Fossem os momentos de agora
Não fossem os relógios de pulso
Andávamos todos à nora.
Minha terra que tristeza
Tudo te vão tirando
O relógio não dá horas
Já nem sei às quantas ando…
13.2.26
OPINIÃO: A lição do Rodrigo, o menino herói
O aluno do
4.° ano da Escola E.B. João Roiz, em Castelo Branco, vive em Malpica do Tejo, a
18 quilómetros de Castelo Branco, e viajava de carro com a mãe, acompanhado
pelos dois irmãos gémeos, de seis anos, quando a progenitora se sentiu mal e
desmaiou ao volante. Com um telefonema para o 112 salvou a vida da mãe. A
chamada não foi apenas uma demonstração de coragem. Foi, sobretudo, um ato de
maturidade extraordinária. O menino reconheceu a emergência, percebeu a
importância de pedir ajuda, sabia o número certo para onde deveria ligar,
respondeu com exatidão às perguntas e ainda manteve a calma para não assustar
os dois irmãos.
Mas há outra
pessoa incrível nesta história que aconteceu a 5 de dezembro de 2025 e que foi
divulgada na terça-feira passada, no âmbito do Dia Europeu do 112. A interação
do operador do INEM com a criança revela um profissionalismo excecional. E num
tempo em que se acumulam relatos de insuficiências no socorro, o caso
"ilustra de forma clara o papel fundamental do 112 como porta de entrada
no sistema de emergência", como refere a própria instituição. João Dias,
natural de Viana do Castelo, soube fazer as perguntas certas, no tom certo, ao
ritmo certo, num momento crítico de extrema tensão.
Parabéns ao
João e ao INEM. Parabéns ao Rodrigo. Parabéns aos pais dos três meninos.
Parabéns à escola e aos seus profissionais. Todos provaram que o principal
objetivo da educação é preparar as pessoas para a vida.
Manuel
Molinos – Jornal de Notícias - 13 de fevereiro, 2026
CASTELO DE VIDE: 𝐕𝐢𝐝𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐦 𝐀𝐫𝐭𝐞 - 𝐑𝐞𝐟𝐥𝐞𝐱𝐨̃𝐞𝐬 𝐬𝐨𝐛𝐫𝐞 𝐨𝐬 𝐈𝐦𝐩𝐚𝐜𝐭𝐨𝐬 𝐏𝐬𝐢𝐜𝐨𝐬𝐬𝐨𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬
Ligada ao
mundo do espetáculo, Silvina Candeias vai contar como a música e a dança são
ferramentas essenciais para ultrapassar desafios e transformar experiências em
arte.
A
organização deste 𝗩𝗶𝗱𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗺
𝗔𝗿𝘁𝗲
está a cargo dos Projetos CLDS-5G e Radar Social e conta com a colaboração da
Biblioteca Municipal e da Academia Sénior.
Eixo 3 –
Promoção da autonomia, envelhecimento ativo e longevidade.
Atividade 5
– Fórum “Pessoas Maiores” .
ℹ
𝑨
𝒆𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂
𝒆́
𝒈𝒓𝒂𝒕𝒖𝒊𝒕𝒂.
ÉVORA: As paisagens mudam de lugar - obras da coleção da Fundação PLMJ
Curadoria de
João Silvério
De
terça-feira a domingo, 10h00-13h00 / 14h00-18h00 | Entrada livre
Inauguração
a 28 de fevereiro | 16h00
Artistas
representados na exposição: Alice Geirinhas, Ana Cardoso, Ana Pérez-Quiroga,
António Júlio Duarte, Catarina Leitão, Cristina Ataíde, Daniel V. Melim, Délio
Jasse, Fernanda Fragateiro, Francisco Vidal, Horácio Frutuoso, Jéssica Gaspar,
João Cutileiro, João Fonte Santa, João Grama, João Pedro Vale + Nuno Alexandre
Ferreira, João Queiroz, José Chambel, José Pedro Croft, Juliana Matsumura, Maja
Escher, Manuel Botelho, Margarida Lagarto, Mariana Gomes, Miguel Ângelo Rocha,
Moira Forjaz, Mónica de Miranda, Nuno Nunes Ferreira, Pedro Calapez, Pedro
Valdez Cardoso, Pedro Vaz, Ramiro Guerreiro, René Tavares, Rosana Ricalde, Rui
Soares Costa, Susana Gaudêncio, Susana Mendes Silva, Tito Mouraz, Vasco Araújo,
Virgínia Fróis, Vítor Ribeiro.
A Fundação Eugénio de Almeida apresenta, no
Centro de Arte e Cultura, a exposição “as paisagens mudam de lugar - obras da
coleção da Fundação PLMJ”, que reúne mais de meia centena de obras de 40
artistas de diversos países de língua portuguesa, integrando diferentes
gerações e expressões artísticas.
Este
projeto, cujo título João Silvério tomou de empréstimo ao poeta eborense Manuel
Gusmão, «assenta numa visão do território como um corpo visual e social em
permanente mudança, de certa forma como uma ideia poética de paisagem a partir
da coleção de arte enquanto cenário de fundo e, ao mesmo tempo, agente
transformador do universo cultural do projeto da Fundação PLMJ, neste momento
com uma ligação ao território diversificado que é o Alentejo, mais
especificamente a Évora. A ideia (e a reflexão) sobre a paisagem cultural
associada a uma coleção de arte é atualmente mais presente como modelo da
diversidade e da transformação do mundo em devir, em mudança.» E acrescenta o
curador: «A exposição constitui-se como uma paisagem prospetiva que, seguindo a
arquitetura do espaço, propõe diversas leituras sobre a ideia de mudança, que
não se resume a diferentes técnicas e meios artísticos, assumindo com singular
pertinência temáticas sobre núcleos e obras da coleção que expressam uma ideia
de diferença, do feminino à justiça e à política, por exemplo.»
Para a
Fundação Eugénio de Almeida, este projeto expositivo realizado em colaboração
com a Fundação PLMJ reflete a relevância das parcerias estabelecidas com
instituições de referência, resultando numa programação mais inclusiva, plural
e abrangente, que garante a todos a oportunidade de fruir a arte atual e de
participar ativamente nos debates e inquietações que ela desperta na sociedade
moderna.
A Coleção da
Fundação PLMJ é um acervo empresarial que reflete a pluralidade da criação
contemporânea. A exposição “as paisagens mudam de lugar” evidencia o seu
relevante núcleo de fotografia, incluindo também o vídeo, focando-se ainda na
escultura, através da qual explora as relações que se estabelecem nos espaços
interiores e exteriores do Centro de Arte e Cultura com o lugar e a paisagem. O
roteiro artístico integra igualmente o desenho e a pintura, culminando numa
performance de Mariana Gomes. Esta intervenção, a decorrer na fase final da
mostra, ligará as artes performativas à gastronomia regional e à comunidade
local.
João
Silvério
Curador da
Coleção de Arte Contemporânea da Fundação PLMJ, João Silvério é Mestre em
Estudos Curatoriais pela Faculdade Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Foi
curador da coleção de arte contemporânea da Fundação Luso-Americana para o
Desenvolvimento, entre 1998 e 2019, tendo iniciado a sua atividade como curador
em projetos independentes em 2003. Em 2007, criou o projeto independente EMPTY
CUBE, que tem divulgado trabalhos de artistas, designers e arquitetos. Escreve
regularmente sobre projetos artísticos em catálogos, publicações e websites.
Fundação
PLMJ
A Fundação
PLMJ nasceu em 2001, começando como um gesto simbólico que rapidamente se
tornou num projeto duradouro de mecenato e compromisso com a cultura. É hoje
uma referência nacional e internacional no panorama das coleções corporativas e
também uma das mais representativas de artistas de língua portuguesa. A coleção
reúne mais de 1.400 obras de mais de 500 artistas, abrangendo pintura,
fotografia, escultura, instalação e vídeo. Desde o início, a Fundação manteve
uma aposta firme no apoio a artistas emergentes, promovendo o talento, a
diversidade e o diálogo cultural no espaço lusófono. A missão da Fundação é
clara: apoiar e divulgar a criação artística contemporânea, contribuindo para o
desenvolvimento da comunidade através da arte. Mantendo as artes plásticas como
eixo estruturante, a Fundação PLMJ tem vindo a alargar o seu âmbito de atuação
a outras áreas da cultura, criando espaços de reflexão, colaboração e partilha.
A celebrar 25 anos, a Fundação PLMJ reafirma o seu compromisso com a promoção
da cultura e da arte moderna e contemporânea da lusofonia — com o mesmo
espírito pioneiro e aberto com que começou.
CASTELO DE VIDE: 𝐂𝐚𝐫𝐧𝐚𝐯𝐚𝐥 𝐓𝐫𝐚𝐩𝐚𝐥𝐡𝐚̃𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔
E vem já aí
o primeiro... sexta-feira, 13!
🎭
𝗩𝗶𝘀𝘁𝗮-𝘀𝗲
𝗮
𝗿𝗶𝗴𝗼𝗿
𝗲
𝗲𝗻𝘁𝗿𝗲
𝗻𝗼
𝗲𝘀𝗽𝗶́𝗿𝗶𝘁𝗼
𝗳𝗼𝗹𝗶𝗮̃𝗼
🎭
𝗖𝗮𝘀𝘁𝗲𝗹𝗼
𝗱𝗲
𝗩𝗶𝗱𝗲,
𝘂𝗺
𝗟𝘂𝗴𝗮𝗿
𝗻𝗮
𝗠𝗲𝗺𝗼́𝗿𝗶𝗮!
ARRONCHES: Concerto "Um Piano, Quatro Mãos" inaugura Festival Terras Sem Sombra
Com
actividade regular na Polónia, na Europa, no Médio Oriente e nos Estados
Unidos, o duo afirma-se pela clareza formal, equilíbrio tímbrico e qualidade do
diálogo musical que constrói em palco.
O programa
centra-se na criação feminina europeia dos séculos XX e XXI, explorando o piano
a quatro mãos como espaço de encontro e partilha sonora. Do minimalismo subtil
de Anna Rocławska-Musiałczyk à energia pulsional de Hanna Kulenty, passando
pelas referências à dança e à reinvenção de tradições populares em Anna
Ignatowicz-Glińska e Joanna Bruzdowicz, o percurso musical revela uma notável
diversidade estética. A presença de Constança Capdeville estabelece um diálogo
com a herança histórica portuguesa, ampliado ainda pelas obras de Nataliya Unru
e Marta Mołodyńska-Wheeler, que expandem o espectro expressivo do programa.
Um concerto
que cruza tradição, modernidade e identidade cultural, celebrando a riqueza do
repertório para piano a quatro mãos num dos espaços patrimoniais mais
emblemáticos de Arronches.
12.2.26
ENSINO: Alarmismo não resolve: qual é o verdadeiro ataque à carreira docente?
O futuro da carreira docente tem sido tema de discursos alarmistas: os professores estariam prestes a deixar a Administração Pública. Não é assim. Insistir nesse discurso não contribui para enfrentar os verdadeiros ataques hoje feitos aos professores e à escola.
Desde o
final da década de oitenta do século passado, que a carreira beneficia de um
estatuto próprio, enquanto corpo especial, regulada pelo Estatuto da Carreira
Docente. Esse enquadramento, conquistado pela luta dos professores, reconheceu
a especificidade da profissão e garante regras próprias em matérias centrais:
regimes específicos de concursos, progressão na carreira, avaliação, horários,
aposentação, entre outros. Anos mais tarde, passou a incluir também o estatuto
remuneratório.
Em 1989, com
a criação dos chamados corpos especiais do Estado, os professores passaram a
dispor de um regime próprio, à semelhança de outras profissões da função
pública. Esse estatuto permitiu, ao longo dos anos, preservar direitos e
resistir a sucessivas tentativas de uniformização. Mas também desde cedo este
estatuto especial foi alvo de ataques por parte de diferentes governos.
Um momento
decisivo ocorreu em 2008, durante o governo de José Sócrates, com Maria de
Lurdes Rodrigues no Ministério da Educação. A chamada reforma dos vínculos,
carreiras e remunerações abriu caminho à extinção de muitas destas carreiras e
à integração de muitas delas no regime geral da Administração Pública, como por
exemplo, os enfermeiros. Embora a carreira docente tenha resistido formalmente,
ficou claro que o objetivo era, a prazo, diluir a sua especificidade.
Desde então,
as tentativas de descaracterização não cessaram. Repetiram-se com diferentes
ministros, sob diferentes pretextos, recorrendo a mecanismos cada vez mais
discretos.
Estatuto da
Carreira do Docente, o alvo de sempre
Hoje, esse
caminho reaparece através da introdução do Referencial de Competências para a
Administração Pública (ReCAP) no processo de revisão do Estatuto da Carreira
Docente. O ReCAP não é um instrumento neutro. Foi concebido para enquadrar
trabalhadores num modelo de gestão padronizado, hierarquizado e orientado por
critérios administrativos. A sua aplicação aos docentes significa abrir a porta
à generalização da avaliação burocrática, ao reforço do poder das direções e à
aproximação progressiva ao regime geral.
Se este
processo se consolidar, as consequências serão profundas e gravosas para todos
os docentes. Os concursos nacionais ficam fragilizados. A contratação torna-se
mais dependente das direções. A avaliação transforma-se num instrumento de
controlo. A progressão na carreira fica cada vez mais condicionada. O Estatuto
da Carreira Docente pode ser esvaziado, reduzido a um enunciado formal sem
capacidade efetiva de proteção dos direitos profissionais.
Não estamos,
portanto, perante qualquer saída da Administração Pública. Estamos perante algo
mais subtil, embora também perigoso: um processo gradual de erosão da carreira,
de perda de autonomia profissional e de submissão da escola pública a lógicas
de gestão próximas do modelo empresarial.
O alarmismo
não ajuda a travar este caminho. Pelo contrário, semeia confusão e fragiliza a
mobilização: quando os cenários traçados não se confirmam, fica mais fácil o
discurso de quem desvaloriza as preocupações dos professores. O que é
necessário é clareza e rigor, organização coletiva e luta.
A defesa da
Escola Pública faz-se com professores valorizados, com estabilidade
profissional e com identidade própria. Faz-se recusando modelos que promovem a
competição em vez da cooperação, o controlo em vez da confiança, a precariedade
em vez da estabilidade e dignidade.
Num contexto
de rápido aumento da média etária dos professores, de crescente falta de
docentes e de degradação das condições de trabalho, persistir na
descaracterização da carreira é um erro político grave. Defender o Estatuto da
Carreira Docente não é corporativismo: é defender o direito de todos a uma
educação pública de qualidade, democrática e comprometida com os valores de
Abril.
* Cátia Domingues – esquerda.net - 05 de fevereiro 2026
Professora,
vice-presidente do SPGL
Loulé Criativo apresenta exposição inspirada em Nisa
O Loulé
Criativo apresenta a exposição «Rosa Cravo – Mãos, Cabeça, Coração», com
curadoria de Kitty Oliveira, patente entre 21 de fevereiro e 28 de março, no
Palácio Gama Lobo.
A
inauguração está marcada para dia 20 de fevereiro, às 18h00.
O projeto nasceu com o objetivo de celebrar artesãos, inspirar designers e valorizar saberes tradicionais, estando enraizado em Nisa e no seu património cultural, expresso na olaria pedrada, nos bordados de aplicação em feltro de lã e nos bordados a linha.
Assente num trabalho de investigação e documentação histórica, «Rosa Cravo» procurou registar e promover o saber-fazer do artesanato nisense.
O projeto
integra também design de produto nas áreas da moda, acessórios e cerâmica,
dando origem a coleções contemporâneas desenvolvidas através de colaborações
entre artesãos e designers.
Ao longo de
cerca de um ano e meio, a iniciativa incluiu residências artísticas em Nisa, a
apresentação de coleções assinadas pelas duplas criativas e a edição de três
cadernos dedicados às artes tradicionais e ao processo de criação.
A exposição
agora apresentada no Loulé Criativo reúne três coleções inéditas, resultantes
do diálogo entre artesãos de Nisa e designers convidados, estabelecendo pontes
entre tradição e contemporaneidade.
No âmbito da
mostra realiza-se ainda o workshop «Rosa Cravo – Introdução à Olaria Pedrada de
Nisa», nos dias 14 e 15 de março, orientado por Cristiano Christillin, Ilda
Marques e Kitty Oliveira.
Com a
duração total de 10 horas, a iniciativa inclui modelação e introdução às técnicas
de empedrar e risco.
A
participação tem o custo de 80 euros e o limite de 10 participantes. As
inscrições devem ser efetuadas através de e-mail (loulecriativo@cm-loule.pt).
A iniciativa
conta com o apoio da DGARTES, da CCDR Alentejo e da Freguesia de Nisa.
In barlavento.pt
– 12.2.2026
Carnaval de Sines sai à rua com milhares de foliões para celebrar centenário
«O Carnaval vai mesmo sair para a rua. Felizmente, o São Pedro parece
querer ajudar, apesar de termos concelhos vizinhos em situação de calamidade
[devido ao mau tempo], com os quais somos solidários» através da «recolha de
bens», disse à agência Lusa Rui Encarnação, presidente da Associação de
Carnaval de Sines.
Segundo este dirigente, «é essa esperança e alegria» que festas como o
Carnaval «trazem para as populações, tanto locais, como nacionais».
Além dos habituais desfiles, entre domingo e terça-feira, este ano, a
organização decidiu celebrar os 100 anos desta festa com o lançamento de fogo
de artifício, na segunda-feira, «durante o corso noturno».
«Este foi o primeiro Carnaval iluminado do país e faz todo o sentido
celebrar o centenário com o lançamento de fogo de artifício junto à avenida»,
estando salvaguardadas as questões de segurança, afiançou Rui Encarnação.
O programa prevê, também, a dinamização da zona histórica da cidade de
Sines, onde inicialmente se celebrava o Carnaval, com várias festas ao longo
dos três dias, e uma aposta na animação musical, no Pavilhão dos Desportos, com
o Baile Eletrónico “Até de Manhã”, no sábado, o grupo brasileiro Viva o Samba,
no domingo, e Rosinha, na terça-feira.
Com um orçamento de 275 mil euros e à espera de 50 mil visitantes
durante os três dias, o Carnaval de Sines vai contar com a participação de 16
carros alegóricos, cerca de 30 formações, entre escolas de samba, grupos
alegóricos e foliões, uma bateria de samba e perto de três mil participantes.
«Continuamos a não ter um tema para não limitar a imaginação dos
foliões, mas o centenário acaba por ser um mote» para esta festa tão enraizada
no coração da população, que aproveita a efeméride para homenagear «pessoas que
já partiram, grupos que já existiram e pessoas que participam» há várias
décadas, como é o caso dos Reis do Carnaval deste ano, adiantou.
Segundo Rui Encarnação, a primeira referência ao Carnaval, registada no
jornal “Folha de Sines”, data de 15 de fevereiro de 1926, com a indicação de
que «vai sair [à rua] um grupo de populares para fazer algumas festas
carnavalescas».
«Mais tarde, surge o grupo dos Carlos que reinventa o Carnaval de Sines
até aos dias que é hoje, já mais organizado, com inscrições [e] com membros, e,
depois, com as sucessivas direções foi-se aprimorando», afirmou o presidente da
associação de Carnaval, eleito em 2017.
Os desfiles carnavalescos realizaram-se, «até 1988, na zona histórica da cidade», recordou Rui Encarnação, acrescentando que, em 1989, os promotores decidiram transferir a festa «para a Avenida General Humberto Delgado», onde ainda se realiza, com exceção de «um período curto» em que se apostou na avenida Vasco da Gama, na marginal paralela à praia.
O programa da festa arranca esta quinta-feira com o desfile do Carnaval dos Pequeninos, na Avenida General Humberto Delgado, com a participação de mais de mil crianças de escolas e infantários do concelho, organizado pela Junta de Freguesia de Sines, e a Noite da Matrafona, no centro histórico, e termina com o tradicional Enterro do Entrudo, no próximo dia 18.
No sábado, pela manhã, os reis do Carnaval de Sines são apresentados à
população com um desfile pelas principais ruas do centro histórico, seguindo-se
um Baile de Carnaval – Concurso de Máscaras Sénior durante a tarde, no Pavilhão
da Junta de Freguesia de Sines.
O bilhete diário para assistir ao Carnaval de Sines vai manter os valores de 2025, sete euros, enquanto a entrada para os três dias terá um custo de 15 euros e o passe livre será de 25 euros.
in Sul Informação - Fevereiro 12, 2026
11.2.26
LE MONDE DIPLOMATIQUE: Ciclo de conversas | Maneiras de Ver
Sexta-feira,
20 de Fevereiro, às 18h00
Conversa com
António Brito Guterres, António Avelãs e Maria Grazia Rossi, com moderação de
Fernando Ramalho
Livraria Tigre de Papel - Rua de Arroios, n.º 25 (Lisboa
Liberdades
de associação ou de reunião, sindicais ou universitárias, de consciência ou de
expressão: há vários meses que o poder passou à ofensiva em toda a Europa. Em
França, tem como alvo os habitantes dos bairros populares, que já lutam para
fazer valer os seus direitos mais básicos. As autoridades britânicas prendem os
defensores da Palestina, enquanto, na Nova Caledónia, Paris criminaliza
qualquer forma de contestação. A exceção torna-se regra, o estado de emergência
torna-se normal, sem que qualquer contrapoder realmente o impeça. Tudo isso em
nome de uma segurança erigida como imperativo, mas reduzida às suas aceções
militar e policial.
Nesta sessão
partimos do dossiê «Era das Repressões», um conjunto de artigos publicados no
número de janeiro da edição portuguesa do Le Monde diplomatique que procuram dar
conta dessa ofensiva repressiva e autoritária contra movimentos políticos,
sindicatos, ação coletiva, liberdades de associação, pensamento e expressão.
Contaremos com a participação de António Brito Guterres, assistente social e
militante da Vida Justa, António Avelãs, professor e dirigente sindical do SPGL
– Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, e Maria Grazia Rossi, académica e
ativista da PUSP – Plataforma Unitária de Solidariedade com a Palestina. A
moderação ficará a cargo de Fernando Ramalho.
OPNIÃO: Linhas para o Interior
"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo... Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer" (Alberto Caeiro).
No Interior, governa-se para e com pessoas reais, gerem-se territórios vastos e problemas que não cabem em macroestatísticas frias e apressadas.
As
exigências de um autarca do Interior não são maiores do que no Litoral. Não
são, também, menores... São, seguramente, muito distintas! Não nascem de
projetos megalómanos, de figuras públicas, nem de agendas facciosas.
Nascem da
realidade, paradoxalmente diária e estrutural. Da falta de serviços de saúde,
de pessoas, da necessidade de fazer chegar saneamento e água a aldeias com um
punhado de residentes, de empresas que esbarram na falta de acessibilidades,
mão de obra ou de incentivos. Nascem, sobretudo, da sensação persistente de que
o Interior faz sempre parte dos discursos sobre coesão, mas continua a ser tratado
como uma nota de rodapé.
Não
obstante, é um erro olhar para o Interior focando apenas as suas fragilidades.
Este território concentra muitas das maiores riquezas do país.
No Interior,
respira-se espaço, qualidade de vida, identidade e capacidade de inovar. É com
este território que um país pequeno se torna grande - e único.
A região do
Douro, a maior e mais antiga Região Demarcada do Mundo - prestígio para o país
e um lugar que ultrapassa fronteiras -, é apenas um exemplo, à semelhança de
tantos outros do nosso Interior.
O Interior
pode ser central na valorização do património, na floresta, na agricultura
sustentável, na transição energética, nas condições únicas por explorar para
atrair projetos diferenciadores.
Exigir
melhores acessibilidades não é pedir luxo. É criar condições ao transformar
potencial em desenvolvimento. Uma estrada não serve apenas os de cá, serve o
país, ao garantir um ordenamento territorial competitivo e equilibrado.
O Interior
não precisa de assistencialismos, é credor, sim, de políticas ajustadas à sua
realidade, estáveis e inteligentes.Esta não é uma crónica de queixa, é uma
afirmação de futuro.
O futuro do
país não se constrói prescindindo de dois terços do todo nacional. Constrói-se
inteiro; também aqui, onde há terra, pessoas e potencial, aproveitando a
iniciativa e a energia deste território.
O Interior
não é um problema a gerir. É cada vez mais uma oportunidade a assumir!
·
Manuel Cordeiro - Presidente da Câmara Municipal
de S. João da Pesqueira - 9 de fevereiro, 2026 in Jornal de Notícias
Jornalistas contestam novos cortes e rescisões na RTP
A
administração da RTP prepara um novo plano de rescisões que abrange 200
trabalhadores, a somar aos cerca de cem que saíram da empresa no ano passado
através do plano de saídas voluntárias. Em comunicado, o Sindicato dos
Jornalistas “opõe-se terminantemente à intenção da administração da RTP em
proceder a mais um desmantelamento do serviço público da rádio e televisão de
Portugal”.
O sindicato
diz que este “é um ataque ao serviço público de jornalismo, com propostas de
cortes de pessoas que tornam praticamente impossível fazer o trabalho diário,
quanto mais cumprir com a exigência de qualidade que deve ser apanágio de
qualquer serviço público”.
Além do novo
plano de rescisões, o Sindicato dos Jornalistas contesta também as sinergias
que estão a ser preparadas “às escondidas dos trabalhadores e das organizações
representativas dos trabalhadores, entre as redações de televisão e rádio,
lembrando que as tarefas, as ferramentas e os tempos de trabalho são
distintos”. E recorda o mau exemplo das sinergias entre as mesmas redações
realizadas em 2012, concluindo que “não é possível fazer bom jornalismo com
menos pessoas e menos meios”.
Referindo os
elogios da administração ao serviço noticioso da Antena 1 durante o apagão de
abril de 2025 e das tempestades da última semana, o sindicato diz que de nada
servem esses elogios quando a administração “não respeita os seus trabalhadores
e a sua marca per si, pretendendo aglutiná-la com a RTP”.
In www.esquerda.net - 05 de fevereiro 2026
Foto.
Paulete de Matos
CASA DA ACHADA: Exposição de pintura “... ou é sempre princípio”
Exposição de
pintura de Mário Dionísio, em diálogo com o seu único romance, «Não há morte nem
princípio».
Lisboa, Casa
da Achada (Rua da Achada 11), 2ª, 5ª e 6ª das 15h às 20h, sáb. e dom. das 11h
às 18h
10.2.26
PORTALEGRE: Biodanza na Cooperativa Operária Portalegrense
A Biodanza é
uma prática que alia movimento, música e encontro humano, contribuindo para o
bem-estar físico, emocional e social, num ambiente seguro, descontraído e
acolhedor.
Sendo este o
mês dos afectos, partilhe um bom momento com alguém que lhe é querido ou
ofereça a si mesmo um momento prazeroso ou uma nova experiência, vai ver que
não se arrependerá!
🟢 Aula de Biodanza: +55 anos
📅
Data: 19 de fevereiro de 2026
🕘
Hora: 14h30
📍
Local: Ginásio da Cooperativa Operária Portalegrense
Marque a sua
presença respondendo a este email. Ligue ou deixe mensagem para o número 925
590 356.









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