27.9.26

MONTEMOR-O-NOVO: Outubro é o Mês da Música



Em outubro, Montemor-o-Novo celebra a música! 🎼

São mais de 20 iniciativas, em diferentes espaços e com diferentes sonoridades, para ouvir, descobrir e viver a música.

👉 Deslize pelas imagens e conheça toda a programação!

🎶 Viva a música. Viva Montemor! 

FOLCLORE: Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa leva Castelo Branco ao XXVIII Desfile Nacional do Traja Popular Português


O Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa marcou presença, no passado dia 19 de setembro, no XXVIII Desfile Nacional do Traje Popular Português, realizado em Queluz, no concelho de Sintra, numa organização da Federação do Folclore Português, levando até ao evento uma representação dos usos e costumes tradicionais de Castelo Branco e da Beira Baixa.

Ao longo do desfile, o grupo apresentou diferentes tipologias de traje representativas da região, desde os trajes associados ao pastoreio e às diversas atividades de trabalho até aos trajes domingueiros e de pessoas mais abastadas, evidenciando a diversidade social e cultural presente na forma de vestir das comunidades de outros tempos. A participação constituiu também uma oportunidade de encontro e partilha entre grupos provenientes de diferentes pontos do país, permitindo conhecer outras realidades etnográficas e valorizar a riqueza e diversidade do traje popular português.

 Com esta presença, o Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa voltou a levar o nome de Castelo Branco a uma iniciativa de âmbito nacional dedicada à divulgação, valorização e salvaguarda do património etnográfico português.

SÉ e S. LOURENÇO (Portalegre) Dia da Freguesia

 


26.9.26

ULSAC confirma casos de impétigo em Estremoz após ter negado problema de saúde pública


A Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) confirmou, esta quinta-feira, que a Unidade de Saúde Pública está a acompanhar casos de impétigo na comunidade de Estremoz, incluindo entre crianças e jovens em idade escolar e pré-escolar.

A confirmação surge depois de o Gabinete de Comunicação da ULSAC ter negado ao ODigital.pt, nos contactos efetuados pelo jornal desde segunda-feira, a existência de qualquer problema de saúde pública relacionado com a situação em Estremoz.

Na segunda-feira, altura em que já havia registo de casos de infeção, questionada pelo Jornal ODigital.pt, o Gabiente de Comunicação da ULSAC afirmava que “a intervenção do Serviço de Saúde Pública poderá justificar-se perante a ocorrência de vários casos relacionados, designadamente em contexto institucional, como lares, escolas ou outras estruturas coletivas, que indiquem uma eventual situação de surto. Até ao momento, não foi identificado qualquer contexto desta natureza no concelho de Estremoz.”

Já esta notícia publicada esta quinta-feira, o ODigital.pt revelou que tinham sido registados cerca de duas dezenas de casos de impétigo no concelho, informação confirmada por fonte da Proteção Civil Municipal.

Saúde Pública está a acompanhar casos

Num comunicado entretanto emitido, a ULSAC informa agora que a sua Unidade de Saúde Pública “está a acompanhar a identificação de casos de impétigo na comunidade de Estremoz, incluindo crianças e jovens em idade escolar e pré-escolar”, em articulação com o Agrupamento de Escolas.

O comunicado não especifica o número de casos atualmente identificados nem esclarece a razão pela qual, nos contactos anteriormente efetuados pelo ODigital.pt, o Gabinete de Comunicação da ULSAC negou a existência de um problema de saúde pública relacionado com esta situação.

A ULSAC explica que o impétigo é uma infeção bacteriana da pele, geralmente ligeira e tratável, podendo ser transmitida através do contacto direto com as lesões ou pela pa Segundo a unidade de saúde, esta doença não está sujeita a notificação obrigatória.~

Reforço da higiene recomendado

Como medida preventiva, a Unidade de Saúde Pública recomenda a lavagem frequente das mãos, a limpeza dos espaços e das superfícies de contacto mais utilizadas, assim como a não partilha de objetos de uso pessoal.

 

"Não Dá Mais": movimento social convoca manifestações contra o custo de vida


Mais de 30 sindicatos, coletivos e associações convocam manifestações para o dia 10 de outubro contra o aumento do custo de vida e por medidas que aliviem as famílias.

A convocatória, como o mote “Não Dá Mais Pra Viver Assim” aponta para 10 de outubro as ações de luta, com uma manifestação marcada para 17h em no Largo do Intendente, em Lisboa; e para a mesma hora em Braga, junto ao Coreto da Avenida Central.

“Estamos há anos a ser esmifrados pelo aumento dos preços da habitação e do custo de vida. Vivemos a trabalhar e esgotamo-nos para fazer o salário esticar até ao final do mês, para enfrentar o preço dos combustíveis que aumentam, despesas básicas e para não perder a casa”, lê-se na convocatória. “Só nos sobram dívidas e preocupações, enquanto se esgota a possibilidade de um futuro melhor”.

O movimento aponta que “os bancos, as grandes distribuidoras e o setor energético registam lucros recorde à nossa conta”. Só no primeiro semestre de 2026, a Sonae, dona do Continente, registou receitas recorde de 5,6 mil milhões de euros. A Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, apresentou um aumento de vendas num total de 2,7 mil milhões de euros. O Millennium BCP apresentou um resultado líquido de 565,8 milhões de euros e a Galp um lucro de 821 milhões de euros.

 “Dizem-nos que precisamos de trabalhar mais, que somos pobres porque queremos. Mas como é que essas empresas de bens de consumo conseguem ter tantos lucros enquanto as nossas contas do supermercado aumentam? Não há algo de errado quando supermercados e bancos registam milhões em lucros enquanto nós nos afundamos em dívidas?”, questiona.

Entre as organizações que assinam a convocatória estão a Solidariedade Imigrante, o Movimento Dignidade Académica, Associação Renovar a Mouraria, Coletivo Afreketê, a UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta, e o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social.

www.esquerda.net - 23 de setembro 2026

PORTALEGRE: Noite de Fados Solidária no Centro Vicentino da Serra

 


SESSENTA POR CENTO: Exposição de fotografia autobiográfica


60% é a percentagem de sobreviventes de cancro ao fim de cinco anos — um dado estatístico que serve de ponto de partida para a exposição autobiográfica de Nuno Pinheiro.

Reunindo 60 imagens produzidas desde o final da década de 1970 até à atualidade, esta mostra propõe um percurso visual sobre a construção da identidade e o crescimento pessoal. Através da fotografia, o autor revisita experiências de sobrevivência, questiona as diferenças na educação de meninas e meninos, reflete sobre o papel dos livros, da religião e da sociedade de desperdício, e explora as marcas deixadas pelo tempo e pela memória.

A exposição destaca-se pela diversidade de técnicas e linguagens utilizadas, que vão da reportagem à fotografia de arquitetura e ao grande formato de estúdio, do preto e branco tradicional a várias técnicas Polaroid.

OPINIÃO: Preços do Combustíveis – Um maná para alguns


 QUEM LUCRA COM OS AUMENTOS DOS COMBUSTÍVEIS

– Petrolíferas obtêm um aumento de receita de €327 milhões/mês e o Estado de €3 milhões/mês em relação aos preços em vigor no início da guerra contra o Irão

– Todo esse acréscimo de custos é suportado pelas famílias e empresas portuguesas

Os leitores desculpem por estar continuamente a desconstruir os aumentos semanais dos combustíveis, mas eles estão a ter consequências dramáticas para as empresas e as famílias. O aumento dos combustíveis provoca por arrasto o aumento dos preços de todos os bens e até das taxas de juro do crédito à habitação (que não são consideradas pelo INE no cálculo da inflação oficial). Além disso, a inflação oficial engana, pois a inflação real não é igual para todos os portugueses. Trata-se de uma inflação média que faz lembrar a história da repartição de uma galinha entre duas pessoas. Uma come a galinha toda, mas a média dá meia galinha a cada pessoa. Também em relação à inflação oficial do INE acontece o mesmo. Até agosto de 2026, a inflação homóloga aumentou 3,3%, mais que a subida das pensões (máximo 2,8%) e dos salários da Função Pública (máximo 2,2%) e inflação anual aumentou 2,67% segundo o INE. No entanto, o cálculo desta taxa de inflação tem como base uma estrutura de despesa dos orçamentos familiares que não é real para as famílias de baixos rendimentos (a maioria). O INE considera que as famílias em Portugal gastam mensalmente do seu orçamento apenas 22,4% em alimentação e 15,1% em transportes. E são os preços destes bens e serviços que têm aumentado mais (alimentação: +5,76%; produtos energéticos: +4,29%). Portanto se o peso destas despesas no orçamento familiar for superior ao considerado pelo INE, a inflação para elas será superior à inflação oficial. E as taxas de juro do crédito à habitação não são consideradas pelo INE no cálculo da inflação oficial apesar de estarem a sufocar as famílias.

AUMENTOS DOS COMBUSTÍVEIS TODAS AS SEMANAS APESAR DO PREÇO DO BARRIL DE PETRÓLEO TER DESCIDO

Os gráficos 1 e 2 mostram os aumentos dos “preços sem impostos e taxas” do gasóleo e da gasolina 95 antes do início da guerra de Israel/EUA contra o Irão. Eles revertem integralmente para a petrolíferas. Por sua vez, os impostos (ISP+IVA) sobre o gasóleo e gasolina no mesmo período (23/2/2026-21/9/2026) revertem na totalidade para o Estado. Os dados são da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG) do Ministério do Ambiente e Energia, portanto oficiais. E utilizamos gráficos para ficar mais claro e entendível, pois a maioria dos órgãos de comunicação social não falam disto. Para eles é tabu quem está a ganhar com os aumentos dos preços todas as semanas, e muito menos quantificam quantos milhões de euros as famílias e empresas estão a pagar a mais. Entre 15 e 22 de setembro de 2026, o preço do barril de petróleo Brent desceu de US$108,75 para cerca de US$98,50 dólares por barril, uma redução de 10,25 dólares, correspondente a 9,4%. Contudo, a GALP e outras petrolíferas aumentaram os preços e o governo, por arrasto e à socapa, também aumentou as suas receitas (tal qual a galinha que grão a grão enche o papo). Apesar disso, a ministra do Ambiente, talvez por não fazer contas, ou estar mal informada, repete monocordicamente que “o governo não ganha nada” o que é mentira como os gráficos provam. E ela acrescenta: deixem “funcionar o mercado”, talvez para a GALP aumentar mais os seus lucros.


Os dois gráficos feitos com base em dados oficiais mostram que tanto as petrolíferas como o governo estão a ganhar muito à custa das empresas e das famílias com os aumentos semanais dos preços dos combustíveis,

AS PETROLÍFERAS (GALP e outras) AUMENTAM AS SUAS RECEITA €327 MILHÕES/MÊS E O ESTADO €3 MILHÕES/MÊS

Segundo a DGEG, nos primeiros sete meses de 2026 consumiram-se 3101,5 milhões de litros de gasóleo e 989,9 milhões de litros de gasolina 95, o que dá uma média mensal de 443 milhões de litros de gasóleo e 140,9 milhões de litros de gasolina. Multiplicando esta quantidade de gasóleo e de gasolina pelo aumento dos preços do gasóleo e da gasolina sem impostos (0,605€ e 0,416€ por litro) e pelo aumento dos impostos neste período sobre o gasóleo e gasolina (0,005€ e 0,005€ por litro) obtém-se um aumento de receita para as petrolíferas de €327 milhões e para o Estado de €3 milhões por mês. Um autêntico maná para ambos à custa dos consumidores (famílias e empresas) que o governo e os media procuram ocultar.

 Eugénio Rosa - 22/Setembro/2026

[*] Economista, edr2@netcabo.pt

O original encontra-se em www.eugeniorosa.com/articles/download/639.

Este artigo encontra-se em resistir.info

25.9.26

SOUSEL: 1º Almoço de Confraternização do Núcleo de Paraquedistas do Concelho


 

Festival Al Mossassa celebra as raízes de Marvão e os 800 anos de história do concelho


De 2 a 5 de outubro, a vila de Marvão volta a recuar no tempo para recordar e celebrar as suas origens, no Festival Al Mossassa.

Entre recriações históricas, espetáculos de teatro, música, dança e artes circenses, a 19ª edição do Festival Al Mossassa convida a uma experiência cultural inesquecível, com um programa diversificado e rico em atividades, onde se destaca um momento: a celebração dos 800 anos da atribuição do primeiro foral, que oficializou a vila no seio do Reino de Portugal.

Para assinalar uma data tão especial, o evento tem um dia extra gratuito, logo na sexta-feira, 2 de outubro (22h00), que termina com o espetáculo “O Fogo”, onde os Malatitsch, herdeiros de uma ancestral tradição circense, prometem uma atuação incrível, que une fogo, acrobacia, malabarismo, ilusão e emoção.

No sábado e domingo, o destaque da programação está no espetáculo: ‘Marvão - Onde a História Toca o Céu’, que conta a viagem do Rei pela memória da vila.

“Guiado por um enigmático Mestre de Cerimónias, D. Sancho II é conduzido numa viagem através da memória de Marvão. Das marcas deixadas por Roma e pela antiga Ammaia, aos séculos de domínio islâmico; de Ibn Marwan, cuja memória permanece ligada ao nome da vila, às lendas, amores e conflitos de uma terra disputada por diferentes povos; das conquistas de D. Afonso Henriques, ao nascimento de um novo reino.”

Nas duas noites, pelas 21h30, vai ser contada a história em que, antes de ser Portugal, Marvão já era Marvão.

Já na segunda-feira (18h30), um grandioso Cortejo pelas ruas da vila de Marvão marca o término das celebrações de mais um Festival Al Mossassa.

Ao longo dos quatro dias, na parte alta da vila, vão poder explorar-se os produtos, saberes e sabores das culturas islâmica, judaica e cristã, tão presentes na fundação de Marvão, no movimentado Mercado das Três Culturas.

Há ainda uma área com oficinas e artesãos a trabalhar ao vivo, acampamentos militares, exposição de armas, oficina de esgrima, tiro com arco, jogos e carrosséis medievais, e uma mostra de animais da quinta, serpentes e cetraria.

 De sábado a segunda-feira, a entrada no certame custa 2€ e é gratuita para menores de 12 anos, com a receita a reverter, na sua totalidade, para cinco instituições particulares de solidariedade social do concelho.

A leitura do Auto de Abertura Oficial do XIX Festival Al Mossassa acontece no sábado, dia 3, nos Paços do Concelho, após o Grande Cortejo Inaugural ‘A Celebração dos 800 Anos’, pelas ruas da vila, com início marcado para as 11h00.

 

BRAGA: Colóquio "A Constituição, a Economia e o Trabalho" no Museu de Braga

 


COLÓQUIO COM JOSÉ PACHECO PEREIRA, CARVALHO DA SILVA E SUSANA PERALTA, NO MUZEU, EM BRAGA, SÁBADO, 26 DE SETEMBRO PELAS 17.00H

SAÚDE: Dia Mundial do Coração: não perca o ritmo


As doenças cardiovasculares continuam a representar a principal causa de morte em todo o mundo e em Portugal. Todos os anos, mais de 20 milhões de pessoas perdem a vida devido a problemas no coração e na circulação. No entanto, há um dado que a medicina reforça com urgência: cerca de 80% destas mortes precoces poderiam ser evitadas.

No dia 29 de setembro assinala-se o Dia Mundial do Coração, uma iniciativa da World Heart Federation, que este ano tem como mote global “Don’t Miss a Beat”. A mensagem para a população não é de alarmismo, mas sim de atenção e ação. Trata-se de uma oportunidade para recordar que a saúde cardiovascular não depende apenas do que fazemos quando surge um problema. Depende, sobretudo, das escolhas e dos cuidados que mantemos ao longo dos anos.

O coração e os vasos sanguíneos são afetados por fatores que, em muitos casos, podem ser prevenidos, identificados e tratados. Hipertensão arterial, colesterol elevado (dislipidémia), diabetes, tabagismo, excesso de peso, sedentarismo e alimentação desequilibrada estão entre os principais fatores de risco cardiovascular.

Um dos desafios é que vários destes fatores podem não provocar sintomas durante muito tempo. É possível ter a tensão arterial ou o colesterol elevados e sentir-se perfeitamente bem. Por isso, não devemos esperar por sinais de alerta para começar a cuidar do coração. Medir regularmente a pressão arterial, conhecer os valores de colesterol e glicemia e fazer uma avaliação médica adequada à idade e aos fatores de risco são medidas simples, mas importantes.

Também a atividade física tem um papel fundamental. Não é necessário ser atleta para proteger o coração. Caminhar, andar de bicicleta, nadar, dançar ou simplesmente reduzir o tempo passado sentado são formas de aumentar a atividade física. O importante é encontrar uma atividade adequada à condição de cada pessoa e integrá-la na rotina. Para quem é sedentário, começar gradualmente já representa um passo significativo.

A alimentação é outro dos pilares da prevenção. Uma dieta com menor consumo de sal, alimentos ultraprocessados, açúcares e gorduras saturadas, contribui para um melhor perfil cardiovascular. Mais do que seguir dietas da moda, importa construir hábitos alimentares sustentáveis e compatíveis com a nossa cultura e com a nossa realidade.

Não podemos esquecer o tabaco. Fumar aumenta de forma significativa o risco de enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral e outras doenças. Deixar de fumar traz benefícios em qualquer idade, e pedir ajuda profissional pode aumentar as probabilidades de conseguir fazê-lo.

Prevenir não significa viver com medo da doença. Significa conhecer os nossos fatores de risco e agir sobre aqueles que podemos modificar. Para algumas pessoas, mudanças no estilo de vida serão suficientes; para outras, será necessário recorrer a medicamentos para controlar a tensão arterial, o colesterol, a diabetes ou outras condições. Quando prescritos, estes tratamentos devem ser tomados de forma regular e acompanhados pelo médico.

É igualmente importante reconhecer os sinais que podem indicar uma situação cardiovascular aguda. Dor ou pressão no peito com falta de ar súbita, suor frio, náuseas ou dor que se estende para o braço, costas, pescoço ou mandíbula podem ser sinais de enfarte. Uma alteração súbita da fala, da força ou da sensibilidade de um lado do corpo, ou uma assimetria da face, pode indicar um acidente vascular cerebral. Nestas situações, não se deve esperar que os sintomas desapareçam: é fundamental procurar ajuda médica urgente.

O Dia Mundial do Coração não deve ser apenas uma data no calendário. Deve servir como um lembrete de que cuidar do coração é um compromisso diário. Pequenas decisões repetidas ao longo do tempo — não fumar, mexer-se mais, alimentar-se melhor, controlar os fatores de risco e cumprir a vigilância médica — podem fazer uma diferença importante.

O coração trabalha continuamente durante toda a nossa vida. Cuidarmos dele é, afinal, uma das formas mais concretas de cuidarmos da nossa própria vida e da vida daqueles que nos rodeiam.

·                               César Lourenço – Núcleo de Estudos de Insuficiência Cardíaca da SPMI

24.9.26

CASTELO DE VIDE: 𝐕𝐢𝐚 𝐅𝐞𝐫𝐫𝐚𝐭𝐚 | 𝐀𝐭𝐢𝐯𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐞𝐫𝐭𝐚 𝐚𝐨 𝐩𝐮́𝐛𝐥𝐢𝐜𝐨


O Município de Castelo de Vide promove no próximo dia 3 de outubro, sábado, uma iniciativa para realizar a Via Ferrata.

Depois da possibilidade de fazer arborismo, no Parque Aventura, desta vez, o Município, através da Secção de Desporto, proporciona ao público em geral a hipótese de percorrer a Via Ferrata.

A atividade é gratuita, mas carece de inscrição no Posto de Turismo, e o equipamento está disponível no local.

ℹ Mais informações:

https://castelodevide.pt/2103/via-ferrata-escalada

AJA / LISBOA: Conversa sobre a exposição “Emigração, Exílio e Canção de Protesto”


É já hoje (dia 24 de setembro às 18h30) que o Núcleo AJA Lisboa recebe uma conversa sobre a exposição “Emigração, Exílio e Canção de Protesto”, patente na sede do Núcleo até ao final de setembro.

O evento conta com a participação dos autores da exposição, Ricardo Andrade e Hugo Castro, investigadores do Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md).

Luís Cilia marcará também presença, assim como Rui Mota na moderação.

A exposição “Emigração, Exílio e Canção de Protesto” reúne textos e diverso material iconográfico que dão a conhecer o percurso de vários cantores portugueses exilados em França, desde meados da década de 1960 até ao 25 de Abril de 1974.

 

OPINIÃO: O prazer da estrada


Há poemas que merecem ser bebidos devagar. E acordes quase impossíveis. Uma espessura a justificar que se invoque a genialidade. Mas há depois, em Jorge Palma, tudo o resto. Os passos inquietos, a ousadia, os excessos e o que ele próprio aprendeu com eles, a generosidade invocada pelos amigos, uma vontade de saber que lhe abriu os olhos. Do mestre Ary dos Santos aos poetas franceses, dos clássicos e poemas épicos aos artistas contemporâneos, bebeu avidamente do que tinham para lhe ensinar. É preciso correr-se mundo para nos vermos melhor a nós mesmos.

Se é tão fácil pessoas de diferentes gerações apontarem músicas e estrofes que se tornaram banda sonora para a vida, é porque Jorge Palma encontra palavras certeiras para traduzir a complexidade. Os lugares incertos onde nalgum momento acabaremos por nos descobrir. As horas junto à tempestade, a vida no fio da navalha. A solidão e o riso. A esperança ou, como ele insistentemente referia, a resistência de continuar a andar e, melhor ainda, de sentir prazer na estrada. Ele canta a fragilidade sem azedume - e que bálsamo, em tempos de tremenda acidez.

A música permanece e convida à plena liberdade. Não necessariamente a liberdade gritada e que a todo o momento se faz anunciar, mas a escolha permanente de uma forma de estar que não teme as margens. A liberdade que não receia a imperfeição. E de quem acredita que a cultura é um caminho essencial para a ação, inspirado e inspirador. Que nos faz acreditar e querer habitar na terra dos sonhos, onde toda a gente trata a gente toda por igual.

Inês Cardoso – Jornal de Notícias - 23 de setembro, 2026

 

23.9.26

AVIS: 𝗠𝘂𝘀𝗖𝗔 𝗶𝗻𝘁𝗲𝗴𝗿𝗮 𝗝𝗼𝗿𝗻𝗮𝗱𝗮𝘀 𝗘𝘂𝗿𝗼𝗽𝗲𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗣𝗮𝘁𝗿𝗶𝗺ó𝗻𝗶𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗲𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶çã𝗼 “𝗕𝗿𝗶𝗻𝗾𝘂𝗲𝗱𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗢𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀 𝗧𝗲𝗺𝗽𝗼𝘀”


O MusCA – Museu do Campo Alentejano integra a programação das Jornadas Europeias do Património 2026 com a inauguração da exposição

temporária “Brinquedos de Outros Tempos: Reviver Memórias, Reinventar Histórias”, agendada para dia 25 de setembro, pelas 18h00.

Esta exposição, que estará patente até 25 de setembro de 2027, apresenta um conjunto de brinquedos pertencentes ao acervo do MusCA. São objetos das primeiras décadas do século XX, nomeadamente da década de 1930, que reproduzem, em pequena escala, objetos, espaços e tarefas do quotidiano doméstico.

A coleção permite refletir sobre o papel do brinquedo enquanto instrumento de aprendizagem, através do qual as crianças conheciam e reproduziam gestos, tarefas e comportamentos associados à vida familiar e aos papéis sociais da época.

A exposição pretende proporcionar um olhar sobre diferentes formas de brincar. Mais do que simples objetos lúdicos, estas peças constituem testemunhos materiais da infância, das práticas educativas e dos modos de vida de outros tempos.

As Jornadas Europeias do Património (JEP) são uma iniciativa conjunta do Conselho da Europa e da Comissão Europeia, e celebram, anualmente, a riqueza e diversidade cultural europeia. O tema da edição deste ano é “Reviver, resistir, reinventar”, convida a refletir sobre como nas nossas sociedades – em rápida mudança e diante desafios como a crescente digitalização, a aceleração da mobilidade das pessoas, a crise climática e conflitos de todos os tipos – grande parte do nosso património, tanto material como imaterial, corre o risco de se diluir.

CASTELO DE VIDE: 𝐌𝐞𝐦𝐨́𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦𝐨́𝐧𝐢𝐨 - 𝐎 𝐪𝐮𝐞 𝐯𝐞𝐦 𝐝𝐚 𝐈𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐌𝐞́𝐝𝐢𝐚


Castelo de Vide vai ser palco no próximo dia 9 de outubro, uma sexta-feira, do Curso Livre Memória e Património - O que vem da Idade Média, com coordenação de Amélia Aguiar Andrade.

Ao longo do dia - que tem início às 09h30 e encerramento previsto pelas 17h30 - o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebe a ação de formação promovida pelo Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P.

O curso livre, de inscrição obrigatória, pretende facultar aos participantes um olhar renovado sobre o passado medieval ainda presente nas vilas e cidades alentejanas e transmitir conhecimento que permita uma interpretação sustentada e contextualizada do que subsiste desse passado medieval.

ℹ Inscrições até 8 de outubro

▪ Docentes com acreditação:

https://www.cefopna.cfae.pt/formacao/

▪ Restantes participantes:

https://www.cm-castelo-vide.pt/.../memoria-e-patrimonio-o...

 

PORTALEGRE: A Toada de Régio no Festival Made in Portalegre no CAEP


25 SET. SEX. 21.30H

Festival Made in Portalegre - Régio

Pop | GA | 5€ bilhete diário | M/6 anos

Dar uma Toada ao poeta que deu uma Toada a Portalegre é o grande objetivo do projeto Régio, que dá vida e voz a poemas de José Régio.

Sentir o poeta e tornar viva a sua obra através da música, são os pilares de um projeto que une músicos portalegrenses de diferentes influências, numa criação musical única (neste espetáculo, num formato totalmente acústico), que deixa um tributo para as gerações vindouras e que preserva memórias nas muitas gerações inspiradas por José Régio.

Ana Mónica: Santos Voz

André Marmelo: Guitarra Acústica

Nuno Cirilo: Guitarra Portuguesa

Bruno Azeitona: Baixo

Ivo Reis: Produção Musical

 


22.9.26

Castelo de Vide: Norte Alentejano O’Meeting volta após interregno e traz vertente inclusiva inédita


Castelo de Vide volta a ser ponto de encontro da orientação internacional com o regresso do Norte Alentejano O’Meeting (NAOM), que retoma a atividade após dois anos de interregno.

A 18.ª edição, foi anunciado este domingo, decorre de 15 a 17 de janeiro, marcando a abertura da época internacional da modalidade.

Organizado pelo Grupo Desportivo dos 4 Caminhos, em parceria com a Federação Portuguesa de Orientação e o Município de Castelo de Vide, o NAOM é considerado um dos eventos de orientação pedestre mais prestigiados realizados em Portugal. Em 2027 passará a integrar o ranking mundial da Federação Internacional, mantendo, contudo, percursos abertos para quem quiser participar.

O programa distribui‑se por três dias e vários locais do concelho: a 15 de janeiro realizam‑se a prova‑modelo em Póvoa e Meadas, ações de orientação para escolas e uma atividade de orientação adaptada em Castelo de Vide, no dia 16, o destaque vai para as provas de distância média em Vale Lobo, a prova Sprint urbano WRE no centro da vila e para os Jogos do Alto Alentejo, a 17 de janeiro, o evento encerra com novas provas de distância média WRE, desta vez em Vale d’Ornas.

A edição de 2026 introduz ainda uma vertente inclusiva inédita a nível mundial, com uma atividade de orientação adaptada dirigida a pessoas com deficiência intelectual. A iniciativa poderá também envolver crianças em idade pré‑escolar e idosos de centros de dia, reforçando a aposta na participação alargada e na acessibilidade.

In Rádio Portalegre – 20.9.2026

 

AVIS: 𝐉𝐨𝐫𝐧𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔: 𝐏𝐚𝐥𝐞𝐬𝐭𝐫𝐚 “𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦ó𝐧𝐢𝐨 𝐌𝐞𝐠𝐚𝐥í𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐯𝐢𝐬: 𝐝𝐮𝐚𝐬 𝐝é𝐜𝐚𝐝𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐞 𝐯𝐚𝐥𝐨𝐫𝐢𝐳𝐚çã𝐨”


O Centro de Arqueologia de Avis assinala 15 anos no próximo dia 24 de setembro. Para marcar a data, é apresentada a palestra "Património Megalítico de Avis: duas décadas de estudo e valorização". Nesta sessão será apresentado um balanço do trabalho desenvolvido nas últimas duas décadas em torno do património megalítico de Avis, enquadrando-o na ocupação pré-histórica local e regional. Serão abordadas as principais questões relacionadas com o estudo, a salvaguarda, a intervenção e a valorização deste património, procurando refletir sobre o conhecimento atual e os desafios que se colocam para o futuro.

A iniciativa, inscrita nas Jornadas Europeias do Património, dará início a um conjunto de ações que, ao longo de um ano, irão divulgar o trabalho realizado pelo Centro de Arqueologia de Avis, assinalando o seu 15.º aniversário.

A sessão irá decorrer no dia 24 de setembro, às 18:30, no Auditório da Biblioteca Municipal José Saramago.

Portalegre acolhe a primeira biografia de Orlando Neves


É a primeira biografia de Orlando Neves (1935-2005), poeta, ficcionista, dramaturgo, jornalista, tradutor, diretor literário, programador e animador cultural, cineclubista e dono de um sem-fim de outras facetas culturais. Embora licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa em 1958, optou por seguir o rumo das letras e do jornalismo cultural, tendo publicado 107 livros de todos os géneros literários e traduzido mais de 150.

“RESPONDO POR MIM”, título do estudo biográfico de 342 páginas da autoria do jornalista Rui Bondoso, editado sob a chancela das Edições Esgotadas e prefaciado por António Cândido Franco (escritor, investigador e ex-professor da Universidade de Évora), vai ser oficialmente apresentado no próximo dia 26 de setembro, às 16 horas, na Biblioteca Municipal de Portalegre. Foi nesta cidade que Orlando Neves nasceu, a 11 de setembro de 1935, vindo a falecer no Porto, a 24 de janeiro de 2005.

Figura central da resistência cultural durante a ditadura, marcou o espaço público pela sua intervenção cívica. Assinou críticas literárias e teatrais em jornais de referência como o República, A Capital, Expresso, Diário de Notícias e A Luta. Foi vice-presidente do Clube de Jornalistas e da Casa da Imprensa, diretor literário do Círculo de Leitores e da Portugália Editora, criou a editora DiAbril e as livrarias Divulgação (no Porto) e Opinião (em Lisboa). Na televisão, foi autor e apresentador de vários programas, entre eles ‘Manta de Retalhos’ da RTP. Na rádio, cofundou o icónico ‘Pão com Manteiga’ na Rádio Comercial, um dos programas mais célebres da história da rádio em Portugal, que mudou de modo radical a forma de fazer humor no país. No teatro, assumiu a encenação em palcos consagrados como o Teatro Nacional D. Maria II e a Fundação Calouste Gulbenkian, tendo sido também diretor do Teatro Experimental do Porto (TEP).

Como poeta, galardoado dez vezes, foi muito elogiado por escritores e críticos literários renomados como João Gaspar Simões, Fernando Namora, Lídia Jorge, Vergílio Ferreira, José Cardoso Pires, Urbano Tavares Rodrigues, Natália Correia, Mário Cláudio, entre muitos outros. Alguns, como Carlos Garcia de Castro, defendem mesmo que "seria já tempo de se fazer um estudo aprofundado e abrangente deste escritor, ou em ensaio de especialista, de académicos, ou em seminário dos cursos de Português nas Faculdades, ou tese para outras provas de conclusão universitária”.No livro, o autor lamenta que quase toda a obra de Orlando Neves viva atualmente numa névoa difícil de explicar nos tempos que atravessamos. “Hoje, a força que submerge a criação já não usa o lápis azul da ditadura, mas sim o manto invisível da indiferença mercantil. Se a ponta visível do icebergue de Orlando Neves ainda flutua através dos seus admiráveis dicionários e obras de consulta, a sua densa produção ficcional, poética e teatral permanece injustamente submersa”, escreve Rui Bondoso, alertando que “esta amnésia cultural priva as novas gerações de um olhar satírico, humanista e profundamente livre sobre a nossa história contemporânea. Resgatar a sua genialidade multifacetada não é, por isso, um mero exercício de nostalgia; é um ato de resistência contra a homogeneização do pensamento”.

Esta é a segunda biografia assinada por Rui Bondoso, que em abril de 2024 publicou “O editor esquecido: Eduardo Salgueiro e a Editorial Inquérito”, obra muito aclamada pela crítica e pelos leitores, e que alcançou recentemente a 5ª edição.


CULTURA: Partiu Jorge Palma, o músico que fez da vida matéria para canções

 


O cantor e compositor morreu esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória. Jorge Palma deixa uma carreira de mais de meio século, marcada por canções que atravessaram gerações, viagens, encontros e uma relação muito próxima com o público.

O país deita-se com a notícia da morte de Jorge Palma, mas acordará com a suas canções. Aos 76 anos, o músico deixa uma vida inteira entre o piano, a guitarra, a estrada e as canções, construída ao longo de mais de cinco décadas e marcada por viagens, encontros, liberdade e uma forma muito própria de transformar aquilo que viveu e observou em música.

A morte foi anunciada pela família, que recorda uma carreira com mais de meio século e uma obra que "faz parte da história" portuguesa. "É com profundo pesar e consternação que a família e agência de Jorge Palma informam a sua morte, ocorrida esta segunda-feira à noite, aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória", lê-se na mensagem partilhada nas redes sociais.

Rita Tomé, mulher do músico, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os managers, André Sebastião e Tiago Branco, pedem que Jorge Palma seja lembrado "pelas suas canções e palavras", agradecendo "toda a amizade demonstrada ao longo dos anos". A família recorda ainda os "muitos amigos pelo mundo" que conquistou "com a sua generosidade e genialidade".

Luís Montenegro também reagiu à morte, destacando a "voz única e músicas intemporais" do artista. "Jorge Palma parte, mas a sua música fica. Fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações", escreveu o primeiro-ministro, deixando condolências à família e aos amigos.

Uma vida entre o piano, a estrada e as canções

Nascido em Lisboa, a 4 de junho de 1950, Jorge Manuel d"Abreu Palma começou a estudar piano aos seis anos, na Academia Musical dos Amigos das Crianças. Aos oito realizou a primeira audição no Conservatório Nacional e, aos 12, recebeu uma menção honrosa no Festival das Juventudes Musicais, em Palma de Maiorca.

Durante a adolescência, a formação clássica cruzou-se com a descoberta do rock"n"roll e da música popular americana e inglesa. Foi também nessa altura que descobriu a guitarra. Bob Dylan, Led Zeppelin e Lou Reed tornaram-se algumas das suas maiores influências.

Aos 17 anos integrou os Black Boys, no Algarve, tocando órgão. Entre 1969 e 1971, enquanto estudava Engenharia, passou pelos Sindicato, como teclista e cantor. O grupo chegou a atuar na primeira edição do Festival Vilar de Mouros e gravou um single.

A estreia a solo aconteceu em 1972, com "The Nine Billion Names of God". Foi também nesse período que abandonou os estudos de Engenharia e iniciou uma colaboração com José Carlos Ary dos Santos, que o ajudou a aperfeiçoar a escrita poética. Jorge Palma descreveu essa relação como sendo de "aprendiz" e "mestre".

"O ano de 1972, 1973, até ao Verão, até setembro, esse ano e meio foi de convívio intenso com o Ary, sobretudo. Quase todas as noites estávamos juntos", recordaria.

Nesse mesmo ano realizou uma viagem pelos Estados Unidos, Canadá e Caraíbas. Em setembro de 1973, recusando cumprir o serviço militar obrigatório e ser mobilizado para a Guerra do Ultramar, partiu para a Dinamarca com Gisela Branco, a primeira mulher. Foi-lhe concedido asilo político e, para se sustentar, trabalhou num hotel.

Regressou a Portugal no verão de 1974, depois do 25 de Abril, e iniciou um percurso como orquestrador, ao mesmo tempo que colaborava como instrumentista com vários artistas. Fez arranjos para nomes como Amália Rodrigues, Pedro Barroso, Paco Bandeira, Tonicha e Adelaide Ferreira e participou em concertos e gravações de José Barata Moura, José Jorge Letria, Fausto Bordalo Dias, Vitorino e Sérgio Godinho, entre outros.

Em 1975 gravou o primeiro álbum, "Com uma Viagem na Palma da Mão", com canções compostas durante o exílio em Copenhaga. Depois de "Té Já", em 1977, e de uma digressão pelo Brasil como instrumentista, voltou a partir. Durante quatro anos percorreu cidades de Espanha, França, Itália e Suíça, tendo Paris como principal ponto de passagem.

Tocou nas ruas e nos transportes públicos, interpretando autores como Charles Aznavour, Léo Ferré, Jacques Brel, Bob Dylan, Crosby, Stills and Nash, Leonard Cohen e Neil Young. Em 1979 passou alguns meses em Lisboa, onde gravou "Qualquer Coisa Pá Música".

No início dos anos 80 regressou a Paris com a segunda mulher, Graça Lami, antes de voltar a Portugal em 1982. Nesse ano gravou "Acto Contínuo". Seguiram-se "Asas e Penas", em 1984, e "O Lado Errado da Noite", em 1985, álbum de onde saiu "Deixa-me Rir", um dos temas de maior sucesso da sua carreira.

Em 1986 gravou "Quarto Minguante" e, ao mesmo tempo, continuou a formação musical. Nesse ano concluiu o Curso Geral de Piano no Conservatório Nacional e prosseguiu para o Curso Superior. Em 1989 editou "Bairro do Amor", considerado pelo Público e pelo Diário de Notícias um dos álbuns do século XX da música portuguesa.

A década de 90 foi sobretudo de concertos, colaborações e reinterpretação da própria obra. Em 1991 lançou "Só", álbum intimista gravado apenas com voz e piano. Dois anos depois surgiu "Ao Vivo no Johnny Guitar", ligado aos Palma's Gang, projeto que juntou Jorge Palma a Kalu, Zé Pedro, Flak e Alex dos Rádio Macau.

Em 1996 integrou os Rio Grande, ao lado de Tim, João Gil, Rui Veloso e Vitorino. O grupo gravou dois discos e deixou temas como "Postal dos Correios" e "Dia de Passeio". O primeiro álbum alcançou o Disco de Platina. Nesse período, Jorge Palma continuou também a participar em trabalhos de outros artistas e em projetos ligados ao teatro.

Já nos anos 2000, continuou a percorrer o país em concerto. Em 2001 lançou "Jorge Palma", 12 anos depois do anterior álbum de originais. O disco chegou ao terceiro lugar do top nacional e, em 2002, recebeu o Prémio José Afonso.

Em 2004 gravou "Norte", rodeado por músicos de uma nova geração. Três anos depois surgiu "Voo Nocturno", que viria a ser o álbum mais vendido da carreira, com mais de 90 mil unidades e tripla platina. Em 2008 casou-se com Rita Tomé, em Las Vegas, ao som de "Encosta-te a Mim".

Em 2020 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Seguiram-se "Só ao Vivo", em 2022, e "70 Voltas ao Sol", em 2023, registo do concerto comemorativo dos seus 70 anos, realizado no Coliseu dos Recreios e com participações de Marisa Liz, Camané, Carolina Deslandes, Agir, Ana Moura, Diogo Piçarra e Rui Reininho.

Em 2024 iniciou "3 Palmas na Mão", espetáculo em que dividia o palco com os dois filhos, Vicente e Francisco, num formato familiar que cruzava gerações e repertórios.

"Enquanto tiver saúde, energia e resistência, a estrada é para andar"

Em outubro de 2023, numa entrevista ao JN, Jorge Palma falava do regresso aos originais com "VIDA", 12 anos depois de "Com Todo o Respeito". O intervalo entre discos não significava, fazia questão de explicar, uma ausência.

"Porque, felizmente, não tenho parado!", dizia. Entre concertos, parcerias, convites e desafios, a vida continuava cheia de atividade. Pelo país, apresentava o novo trabalho em grandes auditórios e preparava concertos na Casa da Música, no Porto, e no Teatro Tivoli, em Lisboa.

O próprio disco nasceu de uma relação muito direta com o que o rodeava. "Um álbum é sempre representativo de um momento/fase da minha vida", explicou ao JN. As canções podiam partir de experiências vividas na primeira pessoa, mas também de filmes, livros, notícias ou até "rodapés de informação".

A canção "VIDA", que acabaria por dar nome ao álbum, começou a desenhar-se numa noite em que estava sozinho em casa, deitado no chão com a guitarra nos braços. Mas Jorge Palma afastava a ideia de que uma canção surgia pronta.

"É romântico pensar-se que a canção saiu toda naquela noite e que ficou pronta, mas, na realidade, não funciona bem assim. Depois do esboço vêm muitos dias de trabalho, por vezes meses. É preciso limar, reescrever, etc.", contou.

A relação com o público era uma das razões pelas quais continuava a gostar de estar em palco. "Tenho a sorte de ter sempre salas cheias e um público extremamente carinhoso e caloroso. Vai desde os netos aos avós, passando pelos pais", afirmou.

"Quando estou em palco, sinto-me bem", dizia. E, quando questionado sobre quanto tempo ainda queria continuar em digressão, não estabelecia um prazo. "Nunca pensei a médio prazo na minha carreira e não é agora que vou começar a pensar. Enquanto tiver saúde, energia e resistência, a estrada é para andar."

Jorge Palma sabia também que as canções tinham chegado a pessoas de formas que ultrapassavam aquilo que alguma vez poderia ter previsto. "Muitas pessoas dizem-me isso", respondeu quando questionado sobre a capacidade de levar o público a refletir sobre a própria vida.

"Não sinto que esse seja o propósito das minhas letras e das minhas canções", explicou, antes de recordar uma frase que ouvira repetidamente: "esta canção salvou-me a vida...". "É uma coisa que dá ainda mais sentido aquilo que eu faço", acrescentou.

Aos 73 anos, dizia sentir-se realizado e querer continuar a levar música pelo país. Não escolhia um único momento para resumir a carreira. "Tem sido uma jornada cheia e viva, com muitos acontecimentos que me têm marcado", afirmou.

Entre as memórias mais recentes, destacava o concerto no NOS Alive, em 2023. "Há dias em que os astros se alinham de tal forma que tudo corre bem, e essa energia sente-se", contou. Para o músico, aquela atuação tinha sido um desses momentos que sabia que ficariam na memória.

As viagens ocupavam outro lugar importante na história. Jorge Palma reconhecia que o ambiente social e político em que cresceu o tinha marcado e que viajar fora essencial para "abrir horizontes" e escapar ao ambiente que se vivia em Portugal.

Sobre o período em Copenhaga, depois de recusar a guerra, recordava o choque de passar de um "Portugal cinzento e sisudo" para uma sociedade aberta, onde era possível expressar livremente aquilo em que acreditava.

Na mesma entrevista, definia-se como "um gajo resistente". "É claro que todos temos os nossos momentos de fragilidade, mas sim, considero-me um gajo resistente. É importante resistir!", afirmou.

E não fazia contas ao momento de terminar a carreira. "Não faço essas contas. Nunca pensei a médio prazo na minha carreira e não é agora que vou começar a pensar. Enquanto tiver saúde, energia e resistência, a estrada é para andar."

Em abril deste ano, já depois de completar 75 anos, recebeu o Prémio Carreira nos PLAY - Prémios da Música Portuguesa. No palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, evocou o 25 de Abril e deixou um apelo à defesa da liberdade e da democracia.

"Não deixem que o 25 de Abril se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe", afirmou. "É preciso reinventar o espírito de Abril, sempre", acrescentou, antes de defender: "Liberdade, justiça, democracia. Malta, mãos à obra vamos fazer deste país uma coisa que merece ser, melhor".

Terminou o discurso com um "Viva o 25 de Abril, viva a Liberdade, viva a Democracia", depois de agradecer, entre outros, aos "profissionais do SNS que fazem tudo com os poucos meios que têm".

Jorge Palma morreu aos 76 anos, depois de mais de cinco décadas dedicadas à música. Deixa discos, canções, histórias de estrada e uma obra construída a partir daquilo que viveu, viu e sentiu. Uma vida que, durante anos, quis continuar a percorrer enquanto tivesse força para isso e que agora fica contada nas canções que deixou.

Sara Oliveira - Jornal de Not+icias -  22 de setembro, 2026

FOTO: Rita Chantre

20.9.26

Arte(S)em Palco descentraliza a cultura para todas as localidades do concelho de Reguengos de Monsaraz


A 6.ª edição do Festival Arte(S)em Palco vai decorrer de 20 de setembro a 15 de novembro, com música, teatro e propostas artísticas contemporâneas em todas as localidades do concelho de Reguengos de Monsaraz. Com entrada livre, o festival apresenta uma programação diversificada para públicos de todas as idades e promove a descentralização cultural, levando os espetáculos para junto das populações.

O Arte(S)em Palco inicia-se no dia 20 de setembro, às 19h, em Motrinos, com Marco Martins Quartet, que apresenta “Blues and Roots”, uma viagem pelos universos do blues e do jazz, revisitando grandes referências da música norte-americana através de novos arranjos e da improvisação. No dia 3 de outubro, em Perolivas, a Banda Filarmónica Corvalense vai percorrer várias épocas e estilos musicais no concerto “Com/Passos Musicais”.

Segue-se, a 4 de outubro, em Campinho, o projeto Aletria Biblioteca Itinerante e João e a Sombra, com “Outra Coisa Qualquer”, um recital em forma de cantautor com canções compostas à guitarra, que combinam a música folk alternativa e uma componente poética e introspetiva. A música de rua estará em destaque no dia 5 de outubro, com os Al-Fanfarre e o espetáculo “Dixieland”, inspirado na tradição da música mais antiga de Nova Orleães, que vai ser apresentado no Telheiro e na Cumeada.

A programação prossegue a 17 de outubro no Carrapatelo, com “VEIN”, de André Conde e Bárbara Barradas, que explora a relação entre natureza, tecnologia, voz humana e sinais bioelétricos das plantas, criando uma experiência sonora e sensorial. No dia seguinte, 18 de outubro, em São Marcos do Campo, a Banda da Sociedade Filarmónica Harmonia Reguenguense apresenta “Axis Mundi”, um concerto inspirado no conceito do “Umbigo do Mundo”, que representa o ponto de ligação onde o humano toca o divino, onde a terra encontra o céu e o tempo se funde com a eternidade.

A 31 de outubro, a Igreja Matriz de São Pedro do Corval recebe o Vox Aurea Ensemble, com “Diálogo Ibero-Americano”, uma proposta a cappella que propõe uma viagem sonora entre a Península Ibérica e a América Latina, revelando afinidades culturais, históricas e musicais que atravessam o Atlântico. No dia 1 de novembro, a Igreja de Santiago, em Monsaraz, será palco de “Alvorada”, pelo Cardo-Roxo, que interpreta uma seleção de melodias de variados contextos, como a música instrumental, a música vocal, a música de festa e a música de trabalho das regiões do país.


A programação inclui ainda, a 7 de novembro, no Outeiro, o recital “Grandes Árias Italianas”, com a pianista portuguesa Ana Filipa Luz e o tenor peruano Oscar Oré, que vão tocar músicas de árias antigas barrocas e de óperas icónicas, com obras de compositores como Rossini, Donizetti, Puccini e Verdi. O teatro para a infância marca presença no dia 8 de novembro, com o espetáculo “Não Se Pode, Não Se Pode”, do projeto Boca Aberta – Teatro Nacional D. Maria II, apresentado em duas sessões, na Caridade e na Barrada.

O festival encerra a programação com “SENSORIUM”, do Versátil Ensemble, um concerto e uma performance artística com uma vertente imersiva no mundo sensorial através da vibração, da luz, da cor e do som. A criação será apresentada no dia 14 de novembro no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz, e no dia seguinte, em Santo António do Baldio.

A 6.ª edição do festival Arte(S)em Palco é uma produção da Bolsa D’Originais Associação Cultural, com o apoio do Ministério da Cultura, da Direção Geral das Artes, do Município de Reguengos de Monsaraz e das juntas de freguesia do concelho de Reguengos de Monsaraz.