14.10.26

OPINIÃO: Só não vê quem não quer


Duas deputadas do Chega, acompanhadas por militantes, silenciaram um programa da Rádio Universidade de Coimbra e obrigaram a interromper a emissão. Está em causa o crime de atentado à liberdade de imprensa que, sendo cometido por um agente do Estado a agir nessa qualidade, é punível com uma pena de prisão até três anos. Considerada responsável pela "manifestação que não cumpria os requisitos legais", Rita Matias foi identificada pela PSP. Ainda que pudesse discordar do formato de entrevista à distância para o qual foi convidado, ou que considere ilegítima a decisão da assembleia magna da Associação Académica de Coimbra, que em fevereiro deliberou impedir o acesso às suas instalações de elementos do partido, o Chega não recorreu aos tribunais ou à Entidade Reguladora para a Comunicação Social: decidiu que a lei e as instituições não contam e que o partido pode agir por conta própria, invocando uma definição muito própria de liberdade.

Não vale a pena perder muito tempo em considerações sobre o caso, porque se espera que as autoridades façam o que lhes compete. Nem será produtivo tentar rebater os argumentos falsos e a desinformação em que o Chega é tão eficaz. O que importa sublinhar é o olhar benevolente que continua a ser lançado sobre comportamentos criminosos e que atentam contra valores democráticos. Apesar de todas as evidências de que o partido não respeita a lei, desconsidera o Tribunal Constitucional, viola sistematicamente o Regimento da Assembleia da República, assume à boca cheia a intenção de alterar a Constituição e subverter o sistema político, continua a haver atores políticos relevantes em partidos fundadores da nossa democracia que tratam o Chega como um parceiro confiável e admitem deitá-lo na sua cama. Se há coisa que André Ventura e companhia têm mostrado com clareza é ao que vêm e o que farão se tiverem oportunidade de estar no poder. Quem não vê, só pode mesmo estar muito distraído.

Inês Cardoso – Jornal de Notícias -14 de outubro, 2026

 

PORTALEGRE: Biodanza na Cooperativa Operária

 


A Cooperativa Operária Portalegrense convida-vos a participar na Aula de Biodanza, especialmente pensada para pessoas com mais de 55 anos, promovendo uma vida mais ativa, saudável e cheia de alegria. Espalhe a mensagem, porque as coisas boas devem ser divulgadas...

A Biodanza é uma prática que alia movimento, música e encontro humano, contribuindo para o bem-estar físico, emocional e social, num ambiente seguro, descontraído e acolhedor.

🟢 Aula de Biodanza: +55 anos

📅 Data: 21 de outubro 2026

🕘 Hora: 10h

📍 Local: Ginásio da Cooperativa Operária Portalegrense

👩‍🏫 Facilitadora: Graciete Trindade (Biodanza® SRT – Facilitadora)

“Quando um ‘velho’ dança, ele nada tem de velho excepto o seu cabelo, o seu espírito ainda é jovem.” Luciano de Samósata

A participação requer inscrição prévia, pelo que agradecemos que confirme a sua presença através dos contactos habituais:

📞 Telemóvel: 925 590 356

📧 Email: cooportalegrense@gmail.com

📘 Facebook: @cooportalegrense

Contamos consigo para viver este momento de movimento, expressão e alegria de viver. Traga roupa confortável e vontade de participar!

13.10.26

MULHERES: O XII Congresso do MDM está a chegar!


🌸 O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) prepara-se para realizar o seu XII Congresso, um momento crucial de encontro, reflexão, debate e decisão coletiva. Num tempo particularmente exigente para os direitos das mulheres e para a democracia, é fundamental estarmos organizadas.

💗 O que é o MDM?

É um movimento plural e democrático, que luta há décadas por uma sociedade mais justa e livre de discriminação. Como diz o nosso lema: "A força de ser movimento, a razão de ser democrático, a alegria de ser mulher."

🎀 Os temas em debate:

Vamos falar sobre prostituição e mercantilização, maternidade, saúde, habitação, trabalho e precariedade, paz e soberania, e todas as formas de violência (doméstica, digital, obstétrica, sexual e no namoro).

🌷 Um olhar sobre o Alentejo e a IVG:

Não podemos ignorar a realidade do interior. O despovoamento e a falta de serviços públicos essenciais deixam as mulheres alentejanas numa situação de grande vulnerabilidade.

Um exemplo gritante é o acesso à Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Apesar de ser um direito conquistado, está a ser negado na prática. Só em 2023, 72% das mulheres do Alentejo tiveram de sair da região para conseguir realizar uma IVG, devido à falta de médicos no SNS e à objeção de consciência sem regulação.

💖 O MDM é claro: nenhuma mulher pode ser usada para legitimar políticas que retiram direitos a todas as outras. Não permitiremos retrocessos!

💓 É preciso organizar, denunciar, mobilizar e lutar!

Estarmos organizadas é essencial para resistir aos ataques aos direitos das mulheres e enfrentar uma ofensiva política e ideológica que procura impor retrocessos. É preciso defender cada direito conquistado e conquistar os que continuam por cumprir. A nossa força está na união!

🗓️ Data: 24 de Outubro de 2026

📍 Local: Fórum Lisboa, Lisboa

🎀 Direitos. Dignidade na vida. Nem um direito a menos. Todos os direitos para todas!

🌸 Junta-te a nós nesta luta!

OPINIÃO: Chega sem lei


A triste figura sorridente de duas deputadas da Nação a posar para a câmara, após terem invadido as instalações da Associação Académica de Coimbra e da Rádio Universidade de Coimbra, é um preocupante sinal de que o partido a que pertencem se julga acima das leis nacionais. Tanto pugnam pelo cumprimento escrupuloso da lei quando se trata de outras pessoas, que não as da sua clique, como a seguir se esquecem das mais elementares leis e decidem invadir as instalações de uma associação e de um meio de comunicação.

Não é difícil perceber o objetivo. É criar ruído, confusão e fazer uns vídeos para as redes sociais a mostrar que são muito fortes e decididas, para gáudio de um grupo de aficionados (alguns verdadeiros e outros que serão apenas bots de reprodução de conteúdos). Pelo caminho, ficam as leis que as senhoras deputadas deveriam defender e enxovalham ainda mais as instituições nacionais. Recordo que um dos deveres dos legisladores que nos representam no Parlamento é "respeitar a dignidade da Assembleia da República e dos Deputados", o que claramente não aconteceu.

Não é difícil perceber o objetivo. É criar ruído, confusão e fazer uns vídeos para as redes sociais a mostrar que são muito fortes e decididas, para gáudio de um grupo de aficionados (alguns verdadeiros e outros que serão apenas bots de reprodução de conteúdos). Pelo caminho, ficam as leis que as senhoras deputadas deveriam defender e enxovalham ainda mais as instituições nacionais. Recordo que um dos deveres dos legisladores que nos representam no Parlamento é "respeitar a dignidade da Assembleia da República e dos Deputados", o que claramente não aconteceu.

·         Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 13 de outubro, 2026

FRONTEIRA: 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐢𝐧𝐭𝐮𝐫𝐚 🎨


A Exposição de Pintura da autoria de Joaquim Bernardo Silva continua patente no Centro de Interpretação da Batalha de Atoleiros. Se ainda não teve oportunidade de apreciar estas magníficas obras de perto, venha visitar-nos! A exposição estará aberta ao público até ao próximo dia 31 de outubro. 

Contamos com a sua visita!

Comer: uma decisão que não tomamos sozinhos


“Doutora, eu tenho uma alimentação saudável. Evito fritos, raramente como fora de casa… e, ainda assim, tenho dores, inchaço, enfartamento.”

É uma frase que ouço frequentemente em consulta. E há algo de paradoxal nela. Afinal, se aquilo que comemos é saudável, como pode fazer-nos sentir mal?

Neste Dia Mundial da Alimentação, como médica gastrenterologista, gostaria de partilhar uma reflexão sobre a extraordinária complexidade da alimentação. A ideia de que a alimentação pode ser terapêutica é antiga. Contudo, numa época em que somos constantemente expostos a novas dietas, alimentos enriquecidos com nutrientes ou reduzidos em calorias, açúcares e gorduras, talvez seja útil voltar ao princípio: antes de escolhermos o que comer, precisamos de perceber porque comemos.

Falamos habitualmente de fome, como se fosse uma coisa simples. Mas não é.

Existe a fome homeostática, que resulta das necessidades energéticas do organismo e é regulada por uma complexa rede que envolve o cérebro, o estômago, o intestino e várias hormonas. É a fome que nos lembra de que precisamos de energia.

Temos também a fome hedónica: comemos porque gostamos, porque determinado alimento nos dá prazer, porque estamos cansados, stressados ou porque associamos o alimento a uma memória. A comida não alimenta apenas o corpo. Alimenta também emoções, relações e cultura.

Há ainda uma dimensão fascinante que estamos apenas a começar a compreender: a influência da microbiota intestinal nas nossas escolhas alimentares. Os milhares de milhões de microrganismos que habitam o nosso intestino produzem moléculas capazes de influenciar os mecanismos de fome, saciedade e comunicação entre o intestino e o cérebro. Uma relação cuja verdadeira dimensão ainda estamos a descobrir.

Temos, por fim, que considerar o papel da cultura nas nossas escolhas alimentares. Num país onde nos relacionamos à volta de uma mesa, comer é raramente apenas uma questão biológica. Aprendemos desde cedo que determinados alimentos são uma recompensa, que uma refeição é uma demonstração de afeto e que “merecemos” aquela sobremesa depois de um dia difícil.

Então, quantas das nossas escolhas alimentares são realmente escolhas conscientes? E, quantas são hábito, prazer, memória, emoção ou necessidade?

Talvez por isso, a pergunta “o que é saudável?” seja menos simples do que parece.

Para alguém com síndrome do intestino irritável, por exemplo, um alimento nutricionalmente equilibrado pode contribuir para sintomas digestivos. Um abacate ou uma maçã podem ser perfeitamente saudáveis e, ainda assim, não serem bem tolerados por determinada pessoa.

Isto não significa que devamos ter medo da comida. Significa que devemos aprender a compreendê-la e, sobretudo, a escutar o nosso corpo.

Neste Dia Mundial da Alimentação, convido-vos a parar antes da próxima refeição e a perguntar: Tenho fome? Tenho vontade de comer? Procuro conforto? Estou simplesmente a repetir um hábito?

Porque, aquilo que colocamos no prato resulta, na verdade, de uma conversa silenciosa entre o nosso corpo, o cérebro, o intestino, as emoções, a nossa história e a sociedade em que vivemos.

Talvez a alimentação saudável não seja aquela que obedece à mais perfeita lista de regras, mas aquela que consegue alimentar o corpo sem esquecer a pessoa que existe dentro dele.

E, talvez, seja essa a reflexão mais importante neste Dia Mundial da Alimentação: não precisamos apenas de aprender o que devemos comer, precisamos também de compreender porque comemos.

Porque comer é uma decisão que parece nossa, mas que, na verdade, não tomamos sozinhos.

·         Artigo escrito por Mónica Velosa, Médica Gastrenterologista, Presidente do Núcleo de Neurogastroenterologia e Motilidade Digestiva (NMD) da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG)

FRONTEIRA: 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐒𝐨𝐩𝐚 – 𝐃𝐢𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐀𝐥𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨


No próximo dia 𝟏𝟔 𝐝𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐮𝐛𝐫𝐨, o AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE FRONTEIRA convida toda a comunidade a celebrar o Dia Mundial da Alimentação com a realização do tradicional Festival da Sopa!

Junte-se a esta iniciativa saborosa e não se esqueça de trazer a sua tigela e colher de casa! Contamos com a vossa presença.

 

NISA: Jantar-Convívio dos "Artilheiros" de 1962


 

MANEIRAS DE VER: Fascismo em França, o grande mal-entendido


Sexta-feira, 23 de Outubro, às 18h

Conversa com Miguel Duarte, Paula Godinho e Fernando Ramalho com moderação por Sandra Monteiro

Entrada livre

Livraria Tigre de Papel

Rua de Arroios, n.º 25 (Lisboa)

Nas eleições presidenciais de 2027 estará em jogo, não a alternância no poder, mas uma possível rutura. Qual? Para evitar a rutura que a vitória do Rassemblement National provocaria, uma parte da esquerda mobiliza-se contra o risco do fascismo. E negligencia uma outra hipótese…

12.10.26

DEBATE: Serviço público, gestão privada: que futuro para o SNS?


13 de outubro 2026 - 13 de outubro 2026

Com Francisco Ramos, Guadalupe Simões, Mário André Macedo e Joana Mira Godinho. Org: Causa Pública

Lisboa, Livraria Almedina (Atrium Saldanha), 18h30

 

 

 

NOBEL DA PAZ: Navi Pillay: um Nobel pela justiça, pela Palestina e contra a impunidade


 A atribuição do Nobel a Navi Pillay é um elogio à coragem jurídica, uma defesa da universalidade dos direitos humanos e uma crítica legítima a quem pretende enfraquecer a justiça internacional para proteger os seus próprios interesses.Há prémios que reconhecem uma carreira. E há prémios que, ao reconhecerem uma pessoa, tomam posição perante o mundo. A atribuição do Nobel da Paz de 2026 a Navi Pillay pertence à segunda categoria. É uma homenagem à jurista sul-africana cuja vida atravessa algumas das grandes batalhas contemporâneas pela justiça, mas é também um sinal dirigido aos governos que pretendem transformar o poder militar, económico ou diplomático numa licença para a impunidade.

Da memória do genocídio à construção do direito

Navi Pillay não chegou à defesa dos direitos humanos por conveniência, nem descobriu o direito internacional quando este se tornou politicamente oportuno. Nascida em Durban, em 1941, numa família sul-africana de origem tâmil, construiu o seu percurso profissional sob o apartheid, um sistema que fazia da discriminação racial uma política de Estado. Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal. Como advogada, defendeu opositores do apartheid, denunciou abusos e contribuiu para a defesa dos direitos de pessoas presas pelo regime. A sua trajetória inscreve-se, assim, na mesma longa luta de que Nelson Mandela foi uma figura maior: a luta para que a lei deixasse de servir a opressão e passasse a proteger a liberdade e a igualdade.

A importância de Pillay não se limita, contudo, à coragem de enfrentar um regime injusto. A sua obra demonstra algo mais difícil: a capacidade de transformar princípios morais em instrumentos concretos de justiça.

Em 1995, depois do fim do apartheid, foi nomeada juíza do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda. Presidiu a esse tribunal entre 1999 e 2003, num período decisivo para o desenvolvimento da justiça penal internacional após o genocídio cometido no Ruanda em 1994. A sua contribuição ficou particularmente ligada ao processo de Jean-Paul Akayesu, cuja sentença histórica reconheceu que a violação e outras formas de violência sexual podem constituir atos de genocídio quando praticadas com a intenção específica de destruir, no todo ou em parte, um grupo protegido. A decisão ajudou a romper com uma tradição de silêncio jurídico em torno da violência sexual usada como arma de perseguição e destruição coletiva.

A relevância desse trabalho é extraordinária e marcante. Os genocídios não começam apenas com os cadáveres: são precedidos pela desumanização, pela propaganda, pela exclusão e pela convicção de que certas vidas valem menos do que outras. Ao contribuir para que a violência sexual e a propaganda de ódio fossem tratadas com a gravidade jurídica que merecem, Pillay ajudou a alargar o alcance da justiça e a dar nome a crimes que, durante demasiado tempo, tinham sido tolerados ou minimizados.

Em 2003, passou a integrar o Tribunal Penal Internacional, dedicado ao julgamento de indivíduos acusados dos crimes mais graves que preocupam a comunidade internacional. Entre 2008 e 2014, exerceu o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Nessa função, a sua responsabilidade não era defender governos ou alianças geopolíticas, mas os direitos das pessoas, mesmo quando essa defesa incomodava os Estados mais poderosos.

O seu percurso inclui ainda a participação, como juíza ad hoc do Tribunal Internacional de Justiça, no processo relativo à Convenção sobre o Genocídio instaurado pela Gâmbia contra Myanmar, relacionado com a perseguição dos rohingya. E, entre 2021 e 2025, presidiu à Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre o Território Palestiniano Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel.

É um currículo que não se resume à acumulação de títulos. Representa uma linha coerente: a convicção de que a justiça não pode depender da identidade do acusado, da influência dos seus aliados ou da conveniência política do momento.

Gaza: a coragem de nomear o que se investiga

Foi no contexto do genocídio da população palestiniana cometido desde 2023 por Israel – com a colaboração ativa dos Estados Unidos, do Reino Unido, União Europeia, Austrália, Canadá e muitos outros países ocidentais, e com a permissividade passiva da maioria dos países árabes, da Rússia e da China -  e da completa destruição de Gaza que a autoridade de Pillay adquiriu uma nova dimensão política. Em setembro de 2025, a Comissão de Inquérito da ONU por ela presidida concluiu que Israel tinha cometido genocídio na Faixa de Gaza. O relatório identificou atos abrangidos pela Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio e analisou a intenção genocida à luz das provas examinadas pela Comissão.

Embora não se trate – ainda... -  de uma sentença definitiva do Tribunal Internacional de Justiça no âmbito do processo instaurado pela África do Sul contra Israel, esta conclusão de uma comissão independente de inquérito das Nações Unidas tem uma gravidade que não pode ser subestimada e torna ainda mais urgente que as provas sejam examinadas, que as vítimas sejam protegidas e que os responsáveis sejam sujeitos a mecanismos credíveis de responsabilização.

Israel rejeitou as acusações de genocídio. Essa rejeição, tal como qualquer contestação apresentada pelas partes, deve ser considerada nos procedimentos competentes. Não confere, porém, ao Estado acusado o direito de desqualificar quem investiga, de desacreditar previamente qualquer conclusão desfavorável ou de exigir que a comunidade internacional suspenda o seu juízo moral até que a realidade deixe de ser politicamente incómoda.

O mérito de Navi Pillay está precisamente em não ter tratado a gravidade das alegações como motivo para o silêncio. Quando a destruição de vidas, de habitações e de condições essenciais à sobrevivência de uma população exige investigação, a obrigação dos juristas e das instituições internacionais é examinar os factos e aplicar o direito — não proteger a reputação dos poderosos que estão a ser acusados.

A população palestiniana não precisa de ser transformada em símbolo abstrato para merecer justiça. Precisa de ser reconhecida como um conjunto de seres humanos com direito à vida, à segurança, à dignidade, à autodeterminação, à propriedade dos seus bens, à devolução do que lhe foi roubado, à reparação dos danos que lhe foram infligidos e à proteção contra crimes internacionais. A universalidade dos direitos humanos só tem significado se também abranger quem vive sob ocupação, cerco, deslocação forçada e guerra.

Um Nobel que é, inevitavelmente, uma posição política

O Nobel da Paz nunca é inteiramente alheio à política. A escolha de uma pessoa ou de uma causa transmite uma visão do júri do prémio sobre o que merece reconhecimento e sobre os princípios que a comunidade internacional deve preservar. Já houve prémios Nobel anteriores a transmitir as mais diversas mensagens. Neste caso, a atribuição a Navi Pillay tem, em minha opinião, duas mensagens principais especialmente claras.

A primeira é a de que a paz não é apenas a ausência de guerra; exige justiça, responsabilização e respeito pelo direito. Premiar Navi Pillay é, por isso, defender a legitimidade do Tribunal Penal Internacional e do Tribunal Internacional de Justiça. É defender a possibilidade de investigar crimes internacionais mesmo quando os suspeitos ocupam cargos de chefia, comandam exércitos ou dispõem de aliados poderosos. É rejeitar a ideia de que a soberania nacional pode ser invocada como escudo absoluto contra a responsabilização.

A segunda mensagem é a de que a população palestiniana está a ser vítima de crimes de dimensão monstruosa – entre os quais o crime de genocídio – por parte de Israel e dos seus aliados e que esses crimes necessitam ser denunciados por todas as instituições com voz internacional e julgados pelas instituições judiciais internacionais.

Um Nobel pela defesa do direito internacional

O Tribunal Penal Internacional e o Tribunal Internacional de Justiça têm funções diferentes. O primeiro julga a responsabilidade penal individual por crimes da sua competência; o segundo resolve litígios entre Estados e emite pareceres consultivos. São escrutináveis, como o devem ser todas as instituições que exercem poder. Mas a sua legitimidade não pode depender de produzirem apenas decisões agradáveis às grandes potências. Se a justiça internacional só puder atuar contra os fracos, não será justiça: será uma extensão da hierarquia do poder.

Assim, a escolha do Nobel entra em confronto com as políticas da administração de Donald Trump e do governo de Israel. Em fevereiro de 2025, Trump assinou uma ordem executiva que autorizou sanções contra pessoas associadas ao Tribunal Penal Internacional, apresentando a atuação do tribunal contra os Estados Unidos e aliados, incluindo Israel, como ilegítima. A medida traduziu uma oposição frontal à capacidade de uma instituição internacional independente investigar e responsabilizar indivíduos quando estão em causa interesses norte-americanos ou de países aliados. A crítica só pode ser inequívoca: um Estado que se proclama defensor da liberdade não fortalece o Estado de direito quando procura intimidar juízes e funcionários judiciais por exercerem as suas funções. E um governo que considera aceitável a justiça internacional apenas quando esta julga os adversários está a defender privilégio, não princípio.

Israel, por seu lado, contestou a jurisdição do Tribunal Penal Internacional e rejeitou os mandados de prisão e as acusações formuladas contra os seus dirigentes. Também aqui é necessário distinguir a contestação jurídica legítima de uma estratégia política de deslegitimação das instituições. Nenhum Estado tem de concordar com todas as decisões de um tribunal; todos, porém, devem abster-se de converter o desacordo numa pretensão de imunidade absoluta. O direito internacional não pode valer para a Ucrânia, para o Sudão ou para Myanmar e deixar de valer quando o acusado é Israel, os Estados Unidos ou qualquer outro país influente.

A crítica é dirigida diretamente às decisões dos governos, às políticas que protegem aliados da responsabilização e às tentativas de enfraquecer mecanismos judiciais independentes.

Quanto aos Estados Unidos, a crítica exige questionar a responsabilidade política de uma potência que continua a armar e apoiar Israel enquanto se acumulam acusações de violações graves do direito internacional e que, ao mesmo tempo, toma medidas contra responsáveis do tribunal que emitiu mandados relativos a dirigentes israelitas. A assistência militar, a cobertura diplomática e a pressão sobre instituições de justiça não são pormenores exteriores ao conflito; são escolhas políticas com consequências humanas. Se há uma obrigação elementar para os Estados com maior poder, é usar essa influência para prevenir atrocidades, proteger civis e apoiar investigações independentes — não para criar exceções em benefício dos aliados. A prevenção do genocídio não pode ser reduzida a uma fórmula diplomática, invocada em discursos e esquecida quando a sua aplicação ameaça relações estratégicas.

A mesma exigência deve ser aplicada a Israel. O sofrimento histórico do povo judeu, incluindo o Holocausto, impõe uma responsabilidade permanente de memória e de oposição à perseguição; não constitui, nem pode constituir, uma autorização para violar os direitos de outro povo. A memória das vítimas não deve ser instrumentalizada para silenciar as vítimas do presente. A universalidade da justiça exige que a vida dos palestinianos e dos israelitas tenham sejam valorizadas do mesmo modo. A universalidade da justiça exige também o cumprimento da decisão do Tribunal Internacional de Justiça considerando ilegal a ocupação dos territórios palestinianos e impondo a Israel que terminasse essa ocupação num prazo já ultrapassado.

Defender o direito internacional é defender a paz

A grande lição da carreira de Navi Pillay é que a paz não se constrói pedindo às vítimas que esperem indefinidamente, nem recomendando prudência apenas a quem sofre. Constrói-se através de instituições capazes de apurar factos, proteger pessoas, julgar responsabilidades e impor limites ao poder. O direito internacional não substitui a política, mas deve estabelecer os limites dentro dos quais a política atua. Não elimina os conflitos, mas impede que a força seja a única linguagem reconhecida. Não garante que todos os crimes sejam punidos, mas recusa que a impunidade seja apresentada como um direito dos poderosos.

O Nobel atribuído a Navi Pillay ultrapassa a homenagem individual. É um reconhecimento de décadas de trabalho jurídico e institucional, mas também um voto de confiança na ideia de que nenhum ser humano deve ser abandonado à arbitrariedade do Estado. É uma defesa do Tribunal Penal Internacional e do Tribunal Internacional de Justiça num momento em que as suas competências são contestadas precisamente quando se aproximam de interesses politicamente sensíveis. E é uma afirmação de solidariedade com a população palestiniana, cuja proteção e cujos direitos não podem ficar dependentes de alianças militares ou de cálculos eleitorais.

O prémio não substitui uma investigação, não decide um processo judicial e não transforma uma conclusão institucional numa sentença. Faz algo diferente, mas essencial: reconhece a coragem de quem insiste em que os factos sejam examinados e o direito aplicado, mesmo quando o custo político é elevado. Neste sentido, poderia ter sido atribuído a Francesca Albanese, a sofrer os custos de sanções pessoais por parte do governo dos Estados Unidos apenas por ter escrutinado o seu papel no genocídio em curso.

Navi Pillay merece o Nobel da Paz porque fez da justiça uma prática. Porque ajudou a alargar o reconhecimento jurídico dos crimes de violência sexual em contexto de genocídio. Porque, no caso de Gaza, presidiu a uma comissão que chegou a uma conclusão  – a que que Israel está a cometer o crime de genocídio contra a população palestiniana de Gaza - de enorme gravidade e que deve ser enfrentada através de provas, procedimentos e responsabilização — não através de intimidação.

E porque, num mundo em que governos poderosos procuram frequentemente escolher as regras que lhes convêm, a sua trajetória recorda uma verdade simples: o direito internacional só tem futuro se for aplicado também aos fortes.

A atribuição do Nobel a Navi Pillay é, portanto, uma escolha justa e necessária. É um elogio à coragem jurídica, uma defesa da universalidade dos direitos humanos e uma crítica legítima a quem pretende enfraquecer a justiça internacional para proteger os seus próprios interesses. É, acima de tudo, uma declaração de que a paz sem justiça é apenas uma pausa entre violências — e de que a dignidade humana não pode depender da bandeira que se ergue sobre quem sofre.

O Nobel atribuído a Navi Pillay é um Nobel pela justiça e um Nobel contra a impunidade.

Paulo Antunes Ferreira – in www.esquerda.net -  10 de outubro 2026

SINES: Caminhada " Outubro Rosa


O GDCT Repsol Polimeros realiza, no próximo dia 17 de outubro, a tradicional caminhada rosa, em associação ao movimento Outubro Rosa, um movimento internacional de sensibilização para a prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama.

A participação na iniciativa terá um valor solidário, revertendo a favor do Nucleo de Sines - Missão Coragem Associação, entidade que desenvolve um importante trabalho de apoio a doentes oncológicos e respetivas famílias.

Inscrições 👇

269 752 260 | grupo.repsol@sapo.pt

926 500 766 | nucleosinesmc@hotmail.com

SINES: Concerto “Entre o Fado e a Morna”


O auditório do Centro de Artes de Sines recebe, no dia 15 de outubro (quinta-feira), às 21h30, o espetáculo “Entre o Fado e a Morna”, com Elisabete da Veiga, numa noite dedicada ao encontro entre as tradições musicais portuguesa e cabo-verdiana.

Nascida em Bragança, filha de pais cabo-verdianos, Elisabete da Veiga é um exemplo da fusão entre culturas. Descobriu a paixão pelo fado em 2004 e iniciou o seu percurso musical na emblemática Tasca do Chico, em Lisboa, passando depois por prestigiadas casas de fado e palcos internacionais.

Ao longo da sua carreira, participou em festivais na Escócia e na Polónia e integrou projetos como VOICES, Fado Morna e Fado Dançado, explorando as ligações entre diferentes expressões musicais.

O espetáculo resulta de uma parceria entre o Município de Sines / Centro de Artes de Sines e a Associação Caboverdiana de Sines e Santiago do Cacém, no âmbito do projeto “(A) Cultura-te – Interculturalidade na Cidade”.

Entrada gratuita, mediante levantamento de bilhete.

 

A IMPRENSA EM NISA: A primeira vida do "Notícias de Nisa"


Em 13 de Abril de 1995 surgia no concelho, o quinzenário regional "Notícias de Nisa". Propriedade de Francisco Narciso, que era também o director e tendo como chefe de redacção João Patrício, o jornal afirmava-se como "uma voz viva na defesa dos  interesse vários da nossa região. De Nisa, das suas gentes e da diáspora. Em Outubro desse ano, o jornal passaria a mensal.

Na curta vida como quinzenário (entre Abril e Outubro), o "Notícias de Nisa" abordou diversos temas polémicos desde os conflitos e as relações políticas na Câmara de Nisa, que atingiram o seu ponto mais alto com a demissão de um dos vereadores da maioria camarária, à vida agitada da Misericórdia de Nisa e os conflitos entre Irmãos que culminaram com a "expulsão" de 24 membros da irmandade por parte do Tribunal Eclesiástico, sem esquecer as polémicas à volta das cerimónias da Semana Santa e os conflitos laborais na Escola do Convento em Nisa.

Há 30 anos, as pessoas - mal ou bem - ainda discutiam questões e problemas que julgavam dignos de discussão e de clarificação. Hoje, pelo contrário, vão aceitando tudo de bom grado - quantas vezes a contra gosto - para evitarem "chatices" e o envolvimento na resolução de problemas.

ALTER DO CHÃO: Encontro de Bandas Filarmónicas 2026 🎶


A Banda Municipal Alterense convida todos a participar no Encontro de Bandas Filarmónicas 2026, que terá lugar no próximo dia 24 de outubro.

Este será um momento muito especial, que marcará o início das comemorações do centenário da designação de Banda Municipal Alterense. Será também uma oportunidade para prestar uma justa e sentida homenagem ao Senhor João da Costa Moreira, antigo Presidente da Direção, que dedicou mais de três décadas da sua vida ao voluntariado, à música e ao serviço desta Centenária Casa de Cultura.

Será uma tarde de partilha, reencontros e celebração musical, que reunirá três bandas filarmónicas:

🎺 Sociedade Filarmónica Alpalhoense

🎺 Banda Filarmónica dos Bombeiros Voluntários de Sousel

🎺 Banda Municipal Alterense, como anfitriã

Este encontro terá ainda um significado muito especial para Alter do Chão, uma vez que as três bandas são dirigidas por maestros naturais desta terra, onde deram os primeiros passos no mundo da música: Maestro João Mergulhão, Maestro Ricardo Godinho e Maestro Virgílio Vidinha.

Contamos com a vossa presença!

PORTALEGRE acolhe a MONSTRA - Festival de Animação de Lisboa

 


27 a 29 OUT. TER. a QUI. 18.30H e 21.30H

A MONSTRA vai andar à Solta por Portalegre!

Cinema | PA | entrada livre

A MONSTRA À SOLTA por Portalegre!

Após mais uma edição da MONSTRA | Festival de Animação de Lisboa, que contou com mais de 50 mil espetadores, o festival mais animado de Lisboa anda à solta pelo país. Em outubro, a MONSTRA chega novamente a Portalegre, com filmes que fizeram parte da 25ª edição do festival.

A MONSTRA traz uma seleção de curtas e médias-metragens premiadas, uma longa-metragem para famílias e ainda uma sessão muito especial dos melhores filmes da sua última edição. Vai ainda acompanhada pela MONSTRINHA, com uma sessão dedicada aos mais novos.

Programa para Download  »»»»  https://www.dropbox.com/scl/fi/4q2045juyt26k1faulewq/0_Programa-Completo_MonstraASolta26.pdf?rlkey=fiovt3n57rzt358enllfwzkjs&e=1&dl=0

Dia 27 – 18.30h - Médias Premiadas MONSTRA 2026. 4 filmes. 75’. M/12

Dia 27 – 21.30h - Longa Premiada MONSTRA 2026: “A Story About Fire”. 85’. M/12

Dia 28 – 18.30h - Curtas Premiadas MONSTRA 2026. 9 filmes. 74’. M/12

Dia 28 – 21.30h - Longa MONSTRA 2026: “Tales from the Magic Garden”. 71’. M/12

Dia 29 – 10.30h - MONSTRINHA 2026 - Programa I. 10 filmes. 45’. M/3

Dia 29 – 14.00h - MONSTRINHA 2026 - Programa II. 8 filmes. 54’. M/6 

 


 

SINDICAL: Marco Oliveira, reeleito vice-presidente da Mesa do Congresso e do Conselho Geral da UGT

 


Decorreu este fim-de-semana, dias 10 e 11 de outubro, o XV Congresso Nacional da UGT, que se realizou no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz, tendo como tema de fundo "Juntos por um Futuro Mais Justo". Neste XV Congresso, foi reeleito o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, e eleita a nova presidente da UGT, Rosa Sousa, atual presidente do STE - Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado. Foram dias de debate, participação, decisão e construção coletiva, determinantes para definir o caminho da UGT e do movimento sindical para os próximos anos.

O presidente da UGT Portalegre, Marco Oliveira, foi reeleito vice-presidente da Mesa do Congresso e do Conselho Geral da UGT nacional, dando seguimento à sua eleição em 2022. 

Estiveram presentes, mais uma vez, 8 delegados do distrito de Portalegre, entre designados e eleitos pelos próprios sindicatos. O pesidente da UGT Portalegre, Marco Oliveira, desempenha também, atualmente, as funções de vice-presidente do Conselho Sindical Inter-regional Alentejo/Extremadura espanhola.

 

11.10.26

PRAÇA DA LIBERDADE: A ideia de praça


Não obstante as suas insuperáveis leituras de alguns textos cimeiros do cânone ocidental - da "Antígona" aos "Irmãos Karamazov" - George Steiner é sobretudo conhecido e citado pela sua palestra sobre "a ideia de Europa", ou melhor, pela passagem que fala da Europa "dos cafés" e de hábitos pedestres que concorreram para a génese de um espaço público dialogal e democrático. Mas Steiner fala também das praças que, até pela toponímia, compõem um mosaico da memória comum. Elas oferecem-se à revalidação de afinidades como à revelação do outro. São simultaneamente lugares do frequente e do fortuito, de travessia e permanência.

Com Rui Pires Cabral, "as praças que estiveram/ ao fundo da noite uma vez/ é para onde caminhamos a vida inteira" ("Praças e quintais", 2003).

Depois de constatar a escassez de praças em freguesias como Ramalde, bem como as muitas que, sequestradas pelo automóvel soberano, são praças só de nome, apresentei na Assembleia Municipal, em 2022, a recomendação de um programa de construção e requalificação de praças e pracetas em áreas residenciais e zonas de expansão urbana. Respondeu-me o Executivo, na ocasião, que a densidade construtiva da cidade já não permitia novas praças. Isto apesar de terem sido inscritas no PDM, revisto em 2021, zonas de expansão e seis novas ORU (e apesar de Contumil, Azevedo, Viso, Requesende, da projetada Via Nun"Álvares...).

Mas, afinal, sempre é possível recuperar praças, como está a suceder na Praça de Pedro Nunes, em frente à Escola Rodrigues de Freitas. Saúda-se a empreitada, mas lamenta-se a reincidência na insólita prática que tem vingado neste tipo de intervenções. Numa época em que se recomendam miniflorestas urbanas, capazes de amortecer a canícula, e solos permeáveis, aptos a drenar a água das chuvas e a recarregar os aquíferos, é indefensável a opção por extensos tapetes de betão e a consequente rarefação do coberto vegetal, com a agravante da manutenção de lugares de estacionamento. Corre já uma petição que pede a revisão do projeto a uma escala mais humana - à escala das muitas crianças e jovens que ali estudam. Pedro Duarte, que mostra ter vocação não só para continuar a dar mundo ao Porto mas também para cuidar dos pequenos mundos portuenses, faria bem em escutar as razões dos peticionários.

Rui Lage – Jornal de Notícias - 8 de outubro, 2026

 

NISA: União de Freguesias aderiu ao programa Botija Solidária


A União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão aderiu novamente ao programa Botija Solidária, apoio que permite auxiliar as famílias em situação de maior vulnerabilidade económica na aquisição de gás de petróleo liquefeito (GPL) em garrafa.

O apoio, que inicialmente correspondia a 15 euros, foi aumentado para 25 euros por mês, em março deste ano, como resposta à subida dos preços da energia provocada pelo conflito no Médio Oriente. O período excecional deste apoio foi agora prolongado até 31 de dezembro de 2026, permitindo continuar a ajudar as famílias elegíveis a fazer face a esta despesa essencial.

Para obter informações sobre as condições de acesso, a documentação necessária e o processo de candidatura, os interessados poderão dirigir-se à sede da União de Freguesias, enviar um e-mail para freguesiadenisa@gmail.com ou contactar-nos através do número 968 685 059.

 

10.10.26

Centenário de Ivan Illich – Colóquio Internacional


Cem Anos, Sem Planos

FLUP - Anfiteatro Nobre

15 de Outubro

1ª sessão, 9h30-12h45

9h30: Abertura do Colóquio – Prof. Doutora Paula Pinto Costa, directora da FLUP; Comissão Científica do Colóquio.

10h00: Thierry Paquot (Institut d’Urbanisme de Paris), Pourquoi faut-il lire

Illich aujourd’hui, (videoconferência).

10h45: pausa para café / coffee break

11h00: Jorge Leandro Rosa (IF-APK), Ivan Illich, a figura na história e o(s) Espelho(s) do Passado

11h30: Silja Samerski (Hochschule Emden/Leer), Medical Nemesis Revisited.

About the actuality of Ivan Illich's critique of the health system

12h15: Debate

12h45-15h00: intervalo para almoço

FBAUP – Aula Magna

2ª sessão, 15h00-19h00

15h00 Tiago Mesquita Carvalho (IF): A desincarnação como Chave Hermenêutica da Modernidade

15h30: Jean-Pierre Dupuy (Stanford University): Illich e a Crítica da Economia

16h15: Debate.

16h45: Intervalo.

17h00: João Duque (UCP-Braga): Religião sem Poder

17h45 Benoît Sibille (Institut Catholique de Paris): Ivan Illich: uma Política da Impotência, viver e esperar apesar de tudo

18h30: Debate

FLUP – Anfiteatro Nobre

16 de Outubro

1ª sessão, 9h30-13h30

9h30 Abertura dos trabalhos

9h45: Licínio Lima (Univ. do Minho): Compreender a Escola de Hoje com Ivan Illich

10h15: Vincenzo Rosito (Pontificio Istituto Teologico Giovanni Paolo II, Roma): Christianity and Political Theology in Ivan Illich

11h00: Debate

11h30: Pausa para café / coffee break

11h45: John Baldacchino (University of Wisconsin-Madison), Engolidos pelo Sistema (cuja camisola vestimos). A Esperança de Ivan Illich na era dos Sistemas

12h30: Debate 

12h45-15h00: intervalo para almoço

FBAUP – Museu/Jardim

Atelier Illichiano

15h00: Neto Leão (Umbra Institute, Perugia), Pensando com Ivan Illich: encontros, escritos e práticas

Franco Augusto (Projecto Acervus): Recuperando la memoria y

archivo completo de Illich: el Proyecto Acervus (online).

MESA-REDONDA: Participantes do Colóquio e representantes de associações cívicas, culturais, ambientais e económicas da região do Porto.

18h00: Inauguração da Exposição

Conferência-Performance: Alexander Gerner, In the Vineyard of the Algorithm: Reading, Writing, Soliloquy, and the Paramedial after Illich’s Textual Archaeology

PORTALEGRE acolhe Festival Terras Sem Sombra



Na tarde de domingo, 18 de Outubro (16h00), o Auditório do Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino recebe «A Geometria dos Sons: Obras para Dois Violinos», pelo Polish Violin Duo, formado por Marta Gidaszewska e Robert Łaguniak. O programa percorre um amplo arco temporal, do século XVIII à criação contemporânea, com forte presença da música polaca e incursões por outras geografias da Europa Central, sem descurar a criação portuguesa.

Entre autores de referência, como Grażyna Bacewicz, Henryk Wieniawski e Romuald Twardowski, surgem compositores contemporâneos como Anna Rocławska-Musiałczyk e András Derecskei e o português António da Costa (1714-c. 1780), de quem será interpretada a primeira parte do Dueto em Sol bemol maior.

Fundado em 2014, o Polish Violin Duo dedica especial atenção à música para dois violinos e à recuperação de repertórios menos frequentados, sobretudo da tradição polaca.

 

MUSEU DO ALJUBE: Ciclo de Conversas


“As revoltas contra a Ditadura Militar e o Tarrafal de São Nicolau”

» 29 OUT – QUI,18H

👥Com José Cabral (investigador) e Jacinto Godinho (jornalista)

Os anos entre 1926 e 1936 são de crepúsculo das democracias, ascensão dos fascismos, crise económica e de uma violência inaudita. Mas também de resistência. Com um conjunto de conversas, a decorrer a partir de outubro de 2026 e ao longo de 2027, o Museu do Aljube centra-se no ciclo histórico iniciado com a imposição, há 100 anos, da Ditadura Militar, no dia 28 de Maio de 1926, e encerrado com a Guerra Civil de Espanha e a abertura do Campo de Concentração do Tarrafal, há 90 anos, dando particular destaque à história da resistência e às inúmeras revoltas contra a Ditadura Militar e o Estado Novo

A primeira conversa do ciclo “1926-1936. A Coragem de Resistir” contará com José Cabral (investigador) e Jacinto Godinho (jornalista) .

José Cabral traz-nos a sua investigação sobre o Campo de Concentração do Tarrafal de São Nicolau, aberto em 1931. Jacinto Godinho, recorrendo a imagens em movimento resultantes da sua investigação jornalística, abordará as revoltas contra a Ditadura Militar e os espaços de encarceramento.

Contamos contigo!