23.4.26

Fotografia de família separada pelo ICE nos EUA vence World Press Photo


A fotografia "Separados pelo ICE", de Carol Guzy, venceu o prémio máximo do World Press Photo. A imagem expõe o impacto humano das detenções de migrantes nas das cidades norte-americanas.

Chama-se "Separados pelo ICE" e é, a partir de agora, a imagem que melhor traduz o ano no olhar do World Press Photo. A fotografia de Carol Guzy venceu o prémio máximo da edição de 2026, ao capturar um instante de rutura familiar num tribunal de imigração em Nova Iorque.

A imagem foi captada no interior de um dos poucos edifícios federais utilizados pelo Serviço de Imigração e Fronteiras (ICE) a que fotógrafos tiveram acesso. Mostra o equatoriano Luis a ser detido por agentes da imigração a 26 de agosto de 2025, enquanto as filhas se agarram a ele em desespero. O homem, que segundo a família não tinha antecedentes criminais, era o único sustento do agregado.

A mulher, Cocha, e os três filhos - de sete, 13 e 15 anos - ficaram para trás, confrontados com a separação súbita. "Estamos aqui por uma oportunidade melhor, não só para nós, mas para os nossos filhos", disse a mãe, numa frase que sintetiza o drama vivido por milhares de famílias migrantes.

Mais do que um instante isolado, "Separados pelo ICE" faz parte de um trabalho mais vasto, "ICE Arrests at New York Court", distinguido na categoria de Histórias da América do Norte e Central. A série documenta detenções realizadas no interior das cidades, muitas vezes em espaços públicos e perante crianças, expondo uma realidade crescente das chamadas "separações internas".

Para o júri do World Press Photo, a imagem torna visível uma política aplicada de forma sistemática, em que migrantes são detidos após comparecerem voluntariamente em audiências judiciais, num contexto que gera medo e instabilidade nas comunidades.

"Este prémio destaca a importância crucial desta história a nível mundial. Testemunhamos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também a sua dignidade e resiliência, que transcendem a adversidade. A coragem de abrirem as suas vidas às nossas câmaras permitiu-nos contar as suas histórias. Sem dúvida, este prémio pertence-lhes, não a mim", afirmou Carol Guzy.

Entre os finalistas destacam-se ainda duas imagens que refletem outras crises globais. A primeira, captada por Saber Nuraldin para a EPA Images, mostra uma multidão de palestinianos a tentar subir para um camião de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, numa tentativa desesperada de obter farinha. O júri sublinha que a fotografia evidencia a escala e a urgência da fome no segundo ano de conflito.

A outra imagem finalista, de Victor J. Blue para a "The New York Times Magazine", acompanha o julgamento de mulheres da etnia Achi, na Cidade da Guatemala, que denunciaram crimes de violência sexual durante a guerra civil. Após décadas de silêncio, três ex-membros de uma patrulha civil foram condenados a 40 anos de prisão por crimes contra a humanidade.

A exposição do World Press Photo de 2026 abre esta sexta-feira, 24 de abril, na De Nieuwe Kerk, em Amesterdão, dando início a uma digressão internacional que levará estas imagens a várias cidades do mundo.

 in Jornal de Notícias - 23.04.2026

ALEGRETE acolhe Campeonatos Nacionais de Corrida de Montanha UPHill a 9 de maio


A freguesia de Alegrete, no concelho de Portalegre, recebe no próximo dia 9 de maio de 2026 os Campeonatos Nacionais de Corrida de Montanha – Uphill, uma das provas mais exigentes do calendário da Federação Portuguesa de Atletismo.

A competição, destinada a atletas filiados, será disputada na Serra de São Mamede, num percurso desafiante que liga Alegrete ao ponto mais alto do território nacional a sul do Tejo.

Em simultâneo, realiza-se a 1.ª edição do São Mamede Uphill, uma prova aberta a atletas federados e não federados, que partilham o mesmo percurso e horário, permitindo a participação alargada nesta experiência competitiva.

Com cerca de 10 quilómetros sempre em subida, o evento constitui um verdadeiro teste de resistência, num cenário natural de reconhecida beleza.

De acordo com a organização, são esperados entre 100 a 200 atletas, provenientes de vários pontos do país.

📍 Alegrete – Portalegre

🗓 9 de maio de 2026

🕓 Início às 16h00

PORTALEGRE: Exposição de Pintura de Pedro Charters de Azevedo na Galeria de S. Sebastião

 


22.4.26

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

Abertura do estreito | Cartoon editorial da @revistasabado – Vasco Gargalo

25 DE ABRIL Parlamento de Portas Abertas


No próximo 25 de Abril, a Assembleia da República assinala o Dia da Liberdade abrindo as portas do Palácio de São Bento ao público, numa tarde dedicada à cultura, à cidadania e à celebração dos valores de Abril.

Entre as 14h30 e as 18h45, os visitantes são convidados a participar num programa diversificado que cruza música, dança, artes plásticas, oficinas criativas, exposições e visitas livres, pensado para todas as idades e públicos.

O evento tem início às 14h30, no Átrio Principal, com a atuação da Escola de Dança do Conservatório Nacional. Ao longo da tarde, o Claustro acolhe oficinas de estampagem de panamás, bem como momentos de expressão vocal e musical, com o Círculo de Voz dinamizado pela Skoola - Academia de Música Urbana.

Na Biblioteca Passos Manuel, às 15h00, decorre a palestra "O 25 de Abril na imprensa humorística", apresentada por Álvaro Costa de Matos, Coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa.

As famílias com crianças poderão participar em "À Aventura no Palácio!", uma caça ao tesouro destinada a crianças dos 6 aos 12 anos, e no Ateliê de aguarela, ambas as atividades com lotação limitada e por ordem de chegada.

A Sala das Sessões será palco, às 16h30, de "Liberdade em Voz Alta", atuação do artista e poeta Huba, seguindo-se oficinas e espetáculos de dança urbana, como o Breaking, por Maxmomentum, na Sala do Senado.

Visitas livres e exposições

Durante todo o período do evento, entre as 14h30 e as 19h00 (última entrada às 18h30), será possível realizar visitas livres ao Palácio de São Bento e à Casa do Parlamento - Centro Interpretativo, bem como participar em várias atividades distribuídas por diferentes espaços.

Entre estas, destacam-se as pinturas faciais, os murais colaborativos dinamizados pelo artista Fred Aranha, a iniciativa "Desenhar a Liberdade" com a Associação Urban Sketchers Portugal, e a mostra "Libertar a moda, vestir a Constituição", com trajes dos anos 70, em parceria com o Museu Nacional do Traje, patente no Salão Nobre.

O público poderá ainda visitar várias exposições, nomeadamente:

- "50 Anos da Constituição", exposição bibliográfica e documental;

- "Liberdade", exposição de pintura de Eduarda Pedro;

- "Campanha Política: os cartazes das Legislativas de 1976", na Casa do Parlamento.

Informações úteis

Local: Palácio de São Bento e Casa do Parlamento - Centro Interpretativo

Horário: 14h30 - 19h00 (última entrada às 18h30)

Casa do Parlamento: Rua de São Bento, n.º 148 (edifício amarelo em frente à escadaria principal)

parlamento.pt

Mais informações:

Telefone: 213 910 843

E-mail: peduc.correio@ar.parlamento.pt

O programa culmina com um concerto showcase de Milhanas, moderado por Maria Morango, na Casa do Parlamento - Centro Interpretativo.

 

CRATO; Viver a Praça no 25 de Abril

 


OPINIÃO: Não basta oferecer o passe


A redução do preço de passes intermodais que cobrem as áreas metropolitanas foi decisiva para mudar o paradigma. Hoje, uma percentagem elevada dos passageiros do Grande Porto e da Grande Lisboa prefere o título mensal ao bilhete ocasional, denunciador de uma superior fidelidade ao transporte público, embora a esmagadora maioria dos movimentos pendulares nas metrópoles teime em ser feita ao volante do automóvel. Para alguns, a alternativa será penosa por obrigar a sucessivos transbordos e a trajetos que roubam horas ao tempo em família. No entanto, dada a cobertura cada vez mais alargada do transporte coletivo, não será o caso da grande massa de condutores, que entra solitária no bólide para se lamentar das estradas engolidas por viaturas, da escassez de estacionamento e do fiscal que espreita a multa. A gratuitidade do transporte público, uma realidade há vários anos em Cascais e uma promessa cada vez mais terrena em alguns concelhos, com o Porto à cabeça, será importante para convencer alguns automobilistas a desertarem das filas intermináveis e a trocarem a chave do carro pelo Andante ou pelo Navegante. Mas a regulação não se faz só de medidas benignas e é preciso coragem política para, de uma vez por todas, travar o automóvel no coração das cidades, criando os prometidos - ainda muito minguados - parques de estacionamento junto às paragens e às estações à porta das metrópoles. Exigem-se canais dedicados para a passagem imperturbada de autocarros, para que não fiquem a penar entalados nas filas. Só com via livre será possível cumprir horários e aumentar a velocidade de circulação, conferindo-lhe uma qualidade de serviço semelhante à reconhecida ao metro do Porto. Se as esperas forem curtas e o trajeto acelerado até casa, haverá mais carros nas garagens.

Carla Sofia Luz – Jornal de Notícias - 20 de abril, 2026

Reguengos de Monsaraz assinala o 25 de Abril com música, desporto e cerimónias institucionais


“A Madrugada e o Dia Seguinte” é o espetáculo musical que abre as comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril em Reguengos de Monsaraz. As músicas mais marcantes da Revolução dos Cravos, como “Grândola, Vila Morena” ou “E Depois do Adeus”, vão ser interpretadas no dia 24 de abril, a partir das 21h30, no Auditório Alberto Janes, acompanhadas por imagens e narrativas da época que ajudam a contextualizar historicamente os acontecimentos. À meia-noite decorre o tradicional lançamento de morteiros, assinalando simbolicamente a chegada do Dia da Liberdade.

O programa organizado pelo Município de Reguengos de Monsaraz continua no dia 25 de abril, pelas 9h30, com a cerimónia do Içar das Bandeiras do Município, de Portugal e da União Europeia, nos Paços do Concelho. Nesta cerimónia, a Banda da Sociedade Filarmónica Harmonia Reguenguense vai interpretar o Hino do Município, o de Portugal e o da União Europeia, seguindo-se uma arruada pelas principais ruas da cidade.

A Cerimónia do Dia do Combatente para homenagear os soldados mortos na Grande Guerra e na Guerra Colonial decorre às 10h no Largo dos Combatentes. À mesma hora, parte de S. Pedro do Corval a 48.ª Estafeta dos Cravos, que vai passar pelas 10h45 na Praça da Liberdade, em Reguengos de Monsaraz.

A Sessão Solene da Assembleia Municipal comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril realiza-se às 11h no Salão Nobre dos Paços do Concelho e a fechar o programa, pelas 18h, haverá um concerto com Luís Fialho, na Praça da Liberdade. Após a sua participação no programa “The Voice Portugal 2023” e o sucesso do seu single de estreia “Tardes Contigo”, Luís Fialho tem lançado temas originais nas plataformas digitais, com destaque para a música “Oh Clementina”. Em palco, apresenta-se acompanhado por quatro músicos, num espetáculo em que combina o fado, o cante alentejano e a música tradicional com uma abordagem contemporânea.

 

PORTALEGRE: Comemorar Abril com o Semeador


24 ABR. SEX. 21.30H

Semeando…Colhendo

O Semeador – Grupo de Cantares de Portalegre

Musica tradicional | GA | 5€ | M/6 anos

Comemorar Abril!

É Abril! É tempo de cravos vermelhos e de comemorar a Revolução!

Celebrar os valores de Abril é o que o fará o Semeador, num espetáculo pensado para recordar os sons e as palavras que cantam a Liberdade.

Traga um amigo e venha fazer esta festa!

Venha celebrar o 25 de Abril com o Semeador!

21.4.26

Monsaraz recebe exposição de pintura que retrata vidas e rotinas de comunidades imigrantes



O Município de Reguengos de Monsaraz apresenta de 16 de abril a 17 de maio a exposição de pintura “À Sombra de Estrelas Cintilantes”, da artista plástica Margarida de Araújo. A mostra pode ser visitada, diariamente, das 9h30 às 12h30 e entre as 14h e as 17h30, na Igreja de Santiago, em Monsaraz.

A exposição “À Sombra de Estrelas Cintilantes” apresenta um conjunto de pinturas que refletem sobre a presença de comunidades imigrantes no quotidiano urbano e a sua ligação às terras de origem. Através de uma abordagem sensível e observacional, a artista convida o público a refletir sobre as histórias silenciosas que habitam o espaço público, os encontros fugazes nas ruas, rotinas diárias e momentos de ligação à distância com familiares e memórias deixadas para trás.



Margarida de Araújo, residente em Serpa, desenvolve o seu trabalho artístico nas áreas da escultura, pintura, cerâmica e ilustração digital. O seu percurso tem vindo a afirmar-se em diversos contextos nacionais e internacionais, com exposições recentes no Alentejo, bem como em cidades como Madrid, Veneza, Sevilha, Nova Iorque, Berlim, Lisboa e Porto.

Entre as suas obras mais reconhecidas destacam-se a escultura da Oliveira, no lagar da Olibest em Serpa, a escultura comemorativa do 30.º aniversário da Ovibeja, em Beja, e o mural da Rua de São Marçal, em Lisboa. A curadoria da exposição de pintura “À Sombra de Estrelas Cintilantes” está a cargo de Helena Inverno, cineasta formada em Belas Artes pela Central Saint Martins – University of the Arts London.


ALVITO: Comemorações do 25 de Abril

 


Em ABRIL, Poemas Mil - Maria José Fraqueza

 


A LIBERDADE

Se um dia eu agarrar a liberdade
Vou por aí prender o vento
Cantar vitórias ao relento
À liberdade a renascer…
Se um dia eu agarrar a liberdade
Hei-de deter guerras ferozes
As violências
Os abismos
As falsidades
A mentira
Se um dia eu agarrar a liberdade
Hei-de acender estrelas na minha mão
Sem tempestade de luar
Hei-de colher espigas douradas
Tirar espinhos do roseiral
Hei-de plantar …
Sementes de Amigo!
Mas se um dia aprisionar a Liberdade
Irei depor no meu poema
As palavras que não escrevi
Que foram levadas
Foram lançadas
Esquecidas, perdidas
Amordaçadas
Guardadas, mutiladas
Em cofres de silêncio
Se um dia eu agarrar a liberdade
Renascem alvoradas…
E cantarei o meu meu Poema de Paz!

  • Maria José Fraqueza

 

AJA LISBOA: Apresentação do livro "Memórias" de Amândio Silva – 21 de Abril


No dia 21 de abril, terça-feira, às 19h, o Núcleo AJA Lisboa recebe aapresentação do livro "Memórias" de Amândio Silva.

Figura marcante da resistência ao regime, Amândio Silva deixou um testemunho único da sua vida dedicada à Liberdade, agora reunido nesta obra publicada no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.

Composto por depoimentos, artigos, entrevistas e documentos, "Memórias" revela o percurso de um homem que participou ativamente nos momentos mais intensos da luta contra o regime salazarista, desde a prisão pela PIDE até ao exílio no Brasil, onde integrou o grupo de Humberto Delgado e participou na célebre «Operação Vagô».

Organizado pela professora Heloísa Paulo e com prefácio da jornalista Moema Silva, o livro traça o retrato de um cidadão comprometido com o seu tempo, cuja ação se estendeu também ao período democrático, promovendo ligações entre Portugal e o mundo lusófono.

A sessão contará com a participação de Moema Silva, Guadalupe Portelinha e do editor António Batista Lopes. O momento musical estará a cargo de Manuel Teixeira e Luanda Cozetti.

Esta sessão contará ainda com um momento de convívio com lanche partilhado. Tal como manda a tradição, convidamos todos a trazer algo para juntar à mesa, de modo a promover o espírito comunitário.

Vem e traz outro amigo também!

OPINIÃO: Um Sánchez em cada esquina

Há menos de um ano, conversava com um grupo de espanhóis a tentar medir o pulso à popularidade interna do primeiro-ministro, Pedro Sánchez. Já na altura se percebia que o país vizinho não alinhava na cartilha norte-americana nas questões do armamento e que, à custa das tarifas dos EUA, estaria de antenas no ar à procura de novas parcerias estratégicas a oriente. Diziam-me estes espanhóis sobre Sánchez ser um político interessante: "sí, pero...", acompanhado de um esgar a fazer lembrar a cara de uma criança quando vê brócolos no prato. Este "mas" prendia-se com a proximidade de grupos empresariais e com casos duvidosos nos quais o socialista estava envolvido diretamente ou via aliados/mulher/família. E se nesse âmbito há fragilidades a apontar - se calhar não tantas quanto se julga - na ação política vemos Espanha como líder europeia e não como mais uma ovelha no rebanho.

Sobre a NATO, Sánchez fez questão de explicar que não ia gastar 5% do PIB em armamento, porque tal não seria necessário para cumprir as missões no âmbito da aliança. Outros houve que foram a correr gastar o dinheiro. Em quê e com que objetivo ainda se está para ver. Sobre as tarifas, Sánchez montou uma robusta rede de proteção das empresas e do emprego. Ainda no plano interno, iniciou na semana passada um processo especial de regularização de imigrantes que já viviam e trabalhavam em Espanha, uma medida óbvia por questões de humanismo, mas também económicas. Já antes, atacou a inflação na energia com um vigor fácil de ver nos postos de combustível ali em Tui ou Badajoz. E sobre Gaza, nunca vacilou na defesa do povo oprimido e hoje mesmo vai propor à UE o fim do acordo de associação com Israel, por "violações de direitos humanos".

Tudo isto com a economia pujante e a crescer mais do que a Europa e sem se ajoelhar a Trump. Mais vale um Sánchez em cada esquina do que o cheiro a mofo que anda por aí.

Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 21 de abril, 2026

20.4.26

OPINIÃO: Abril não merece este golpe!


A decisão de deixar de tornar pública a identidade dos financiadores dos partidos políticos constitui um grave retrocesso democrático em Portugal. Num sistema já marcado pela desconfiança dos cidadãos, esconder quem financia os partidos é abrir a porta à suspeição.

Importa ser claro. Não estamos perante uma imposição jurisdicional. Esta mudança resulta de uma decisão administrativa sustentada num parecer jurídico, assente numa determinada interpretação do regime de proteção de dados. Trata-se, por isso, de uma opção política com profundas implicações institucionais.

 A transparência no financiamento partidário não é um detalhe técnico. É um pilar essencial da democracia. A legitimidade das instituições depende da confiança dos cidadãos, e essa confiança constrói-se com escrutínio público efetivo.

A evidência científica é inequívoca. A ausência de transparência nos fluxos financeiros entre interesses privados e decisores públicos aumenta o risco de captura do Estado e de corrupção. Quando não se conhece quem financia, torna-se impossível avaliar a independência das decisões políticas.

A invocação da proteção de dados neste contexto é, no mínimo, discutível. Quem financia partidos políticos intervém diretamente no funcionamento do sistema democrático. Trata-se de uma esfera de interesse público qualificado, onde a exigência de transparência deve prevalecer.

As boas práticas internacionais apontam no mesmo sentido. A divulgação dos financiadores é considerada um instrumento essencial de prevenção de conflitos de interesse e de reforço da integridade institucional.

Acresce um dado estrutural frequentemente ignorado. Ao longo de décadas, múltiplas decisões do Tribunal Constitucional têm identificado irregularidades no financiamento dos partidos políticos em Portugal. Não se trata de episódios isolados, nem de um problema circunscrito. Trata-se de um padrão recorrente, transversal ao sistema, que evidencia fragilidades persistentes nos mecanismos de controlo.

Perante este histórico, reduzir a transparência não resolve o problema. Agrava-o. Num sistema onde já existem dificuldades em assegurar o cumprimento integral das regras, diminuir o escrutínio público representa um retrocesso significativo.

O silêncio político perante esta decisão é preocupante. A democracia exige coerência e responsabilidade. Exige, também, coragem para reforçar, e não enfraquecer, os mecanismos de controlo.

Num momento particularmente simbólico da vida democrática portuguesa, esta opção representa um sinal inquietante. A democracia não se protege escondendo informação. Protege-se com transparência, responsabilidade e confiança.

Quando se esconde quem financia a política, não se protege o sistema democrático. Fragiliza-se.

Manuel Mota - Ex-deputado à Assembleia da República - 19 de abril, 2026


Amadora Jazz 2026: Fred Hersch, Mary Halvorson, Louis Sclavis & Benjamin Moussay, Marcelo dos Reis & Salvoandre Lucifora na 14ª Edição do Festival

De 7 a 10 de maio, o festival volta a ocupar vários espaços da cidade da Amadora com uma programação que cruza criação, mediação e grandes nomes do jazz internacional

A 14.ª edição do Amadora Jazz realiza-se de 7 a 10 de maio de 2026, consolidando um percurso que tem vindo a afirmar o festival como um dos mais consistentes espaços de apresentação, criação e mediação do jazz em Portugal. Os bilhetes já estão à venda na Ticketline e nos locais habituais.

Esse caminho torna-se particularmente evidente na continuidade do formato de residência artística, agora integrado de forma mais orgânica no ADN do festival. Após a estreia em 2025 com o encontro entre Luís Vicente e Hamid Drake, cujo resultado discográfico, Amadora Tapes, será lançado nos dias que antecedem esta edição, o festival volta a investir neste eixo com a residência do projeto FLORA, liderado por Marcelo dos Reis. Entre 7 e 9 de maio, o trio (com Miguel Falcão e Luís Filipe Silva) instala-se no Auditório de Alfornelos para um processo criativo que culminará em concerto e gravação, contando ainda com a participação do trombonista italiano Salvoandrea Lucifora.

A par da criação, o Amadora Jazz traz a si, este ano, a aposta na formação de públicos. A dimensão educativa surge como um dos pilares do programa, com destaque para a apresentação, em anteestreia, de Às voltas num loop, uma nova criação do Serviço Educativo e de Mediação do Jazz ao Centro Clube, que resulta de uma encomenda ao quarteto constituído por Gonçalo Guiné, Filipe Furtado, Filipe Fidalgo e Paulo Silva. Pensado para estudantes do ensino secundário, o espetáculo cruza rap e jazz num formato que aproxima linguagens e gerações, sendo apresentado na Escola Secundária Seomara da Costa Primo, no dia 7 de maio.

A edição de 2026 marca também a entrada da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos no circuito do festival. É neste espaço que Miguel Calhaz apresenta ContraCantos, Vol. 2, um trabalho onde revisita, em formato intimista de voz e contrabaixo, canções de figuras maiores da música portuguesa.

Nos Recreios da Amadora, espaço fundador do festival, a programação assume, este ano, um perfil exclusivamente internacional, reunindo nomes maiores do jazz contemporâneo de ambos os lados do Atlântico. O pianista norte-americano Fred Hersch, figura maior do jazz atual e presença recorrente nas nomeações para os Grammy, apresenta-se em formato solo, numa abordagem profundamente pessoal ao instrumento. Segue-se o quarteto de Mary Halvorson, uma das mais inventivas guitarristas e compositoras da sua geração, cujo percurso tem vindo a redefinir fronteiras dentro do jazz contemporâneo.
O programa internacional completa-se com o encontro entre Louis Sclavis e Benjamin Moussay, dupla que, após décadas de colaboração, formalizou recentemente a sua cumplicidade em Unfolding (2024), disco editado pela ECM e amplamente reconhecido pela crítica.

O festival integra ainda um momento de celebração e reflexão em torno do centenário de Miles Davis, com uma sessão que cruza abordagem crítica e expressão visual, através de uma palestra multimédia de João Moreira dos Santos e uma exposição do artista XicoFran. A acontecer no Salão Nobre dos Recreios da Amadora.

O encerramento mantém-se fiel a uma das imagens de marca do Amadora Jazz, com a atuação da GeraJazz no Cineteatro D. João V, sublinhando o compromisso do festival com o desenvolvimento de jovens músicos e com a dimensão social da música.

Como sublinha a Câmara Municipal da Amadora, o festival “tem vindo a consolidar-se como uma referência no panorama cultural, reunindo algumas das mais relevantes figuras do jazz nacional e internacional, ao mesmo tempo que aposta numa programação diversificada, pensada para diferentes públicos e com especial atenção à formação de novos públicos”.

Para José Miguel Pereira da Associação Jazz ao Centro Clube "a presente edição do Amadora Jazz prefigura uma maior e mais profunda inscrição no território, colocando a iniciativa em contacto direto com diversas comunidades em vários espaços culturais municipais e assumindo, também, a Escola enquanto pólo cultural."

O Amadora Jazz é organizado pela Câmara Municipal da Amadora, em parceria com o Jazz ao Centro Clube.

Bilhetes já estão à venda na Ticketline, postos habituais e nos locais dos concertos, duas horas antes do início de cada espetáculo.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Quinta-feira, 7 de maio, 15h

Escola Secundária Seomara da Costa Primo

M/6 | Atividade dirigida à comunidade educativa

Às voltas no loop!

Gonçalo Guiné voz, rimas e beats

Filipe Fidalgo saxofone alto e eletrónica

Filipe Furtado teclado

Paulo Silva bateria

Quinta-feira, 7 de maio, 17h

Recreios da Amadora / Salão Nobre

Entrada gratuita sujeita à lotação da sala.

100.º aniversário de Miles Davis 

O génio do jazz revisitado no Amadora Jazz

João Moreira dos Santos e Xico Fran

Quinta-feira, 7 de maio, 21h

Recreios da Amadora

M/6 | 12,50 €

FRED HERSCH

Fred Hersch piano

Sexta, dia 8 de maio, 18h

Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos

M/6 | Entrada gratuita, limitada à lotação da sala

MIGUEL CALHAZ “ContraCantos”

Miguel Calhaz contrabaixo

Sexta, dia 8 de Maio, 21h00

Recreios da Amadora

M/6 | 10,00 €

MARY HALVORSON “Canis Major”

Mary Halvorson guitarra e composição

Dave Adewumi trompete

Henry Fraser contrabaixo

Tomas Fujiwara bateria

 Sábado, 9 de maio, às 21h00

Recreios da Amadora

M/6 | 10,00 €

LOUIS SCLAVIS & BENJAMIN MOUSSAY

Louis Sclavis clarinete, clarinete baixo

Benjamin Moussay piano

Sábado, 9 de maio, às 23h00

Auditório de Alfornelos

M/6 | 5,00 €

MARCELO DOS REIS “FLORA” com Salvoandrea Lucifora

Marcelo dos Reis guitarra e composição

Miguel Falcão contrabaixo

Luís Filipe Silva bateria

Salvoandrea Lucifora trombone

Domingo, 10 de maio, 16h00

Cineteatro D. João V

M/6 | Entrada gratuita mediante levantamento de ingresso duas horas antes do início do concerto, sujeita à lotação da sala.

GERAJAZZ

Eduardo Lála maestro

 

PORTALEGRE: Tainá no Ciclo Intimista do CAEP


23 ABR. QUI. 21.30H

Ciclo in-ti-mis-ta - Tainá

Canta autora PA | 5€ | M/6 anos

Tainá é uma cantora e compositora brasileira de origem indígena, radicada em Portugal, cuja ligação com a natureza inspira as suas músicas. A sua trajetória artística começou em Lisboa, quando se juntou a músicos de rua e chamou a atenção de Erlend Øye, dos Kings of Convenience, que a convidou a apresentar-se nos seus concertos. Em 2019, lançou o single “Sonhos” e participou em vários festivais; em 2020, lançou o álbum de estreia, “Tainá”, vencedor do Prémio Play na categoria de Melhor Artista Lusófona. Em 2023, lançou o single “Menina da Praia” e iniciou a gravação do documentário homónimo, dirigido por Nuno Dias, que explora a identidade, a adaptação e a ponte cultural Brasil-Portugal, mostrando a fusão de estilos de Tainá e o poder unificador da música. O seu segundo disco, “Âmbar”, de 2024, conta com participações de Tiago Nacarato e Roberta Campos, apresentando um som fluido, etéreo e acolhedor, resgatando as suas raízes brasileiras.

HORA DO CONTO, na Biblioteca Municipal de Portalegre



ZECA AFONSO: Trovador da Voz d’Ouro Insubmisso


É de murta e de mar a tua voz

Com algas de canção estrangulada.

Aberta a concha da trova malsofrida

Saíste como sai a madrugada

Da noite, virginal e humedecida.

 

É de vinho e de pinho a tua voz

Com pranto de insofríveis flores banidas.

Mas é pela tua garganta que soltamos

As eriçadas aves proibidas

Que no muro do medo desenhamos.

 

(Natália Correia)

19.4.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXXI) - António Borrego


Malditos tiranos 

Para além de sobreviver

pouco mais fazemos!

tantas vezes oscilamos...

como as bolsas...manipuladas!

por poderosos que, nas sombras...controlam tudo!

até as guerras!

também elas lhes servem de negócio

o que mais utilizam?! é o medo!

enchem os canhões de carne, mas, os filhos deles...

não morrem na guerra?

(só os filhos dos sacrificados morrem, e vão para o céu, embalados pela canção das armas...(atestado por um capelão!)

oh infância, ecoada pela velhice voraz...

das raízes que enlaçam a memória que

viaja desde ontem...até agora...

em que me vejo em ausência presente...

estes muros acesos pelas estrelas do crepúsculo

cada vez mais ultrapassáveis...

cada vez mais infames...

andam as depressões persistentes

e os deuses moribundos...orquestrados...

por dementes que...impuseram o medo divino...

o entardecer da vida...traz este cansaço...

esta saudade do jovem que sonhava

este medo...do último sopro...

onde a angústia e a ansiedade...imperam!

nos minutos finais, neste curto tempo...vacilante...

vão surgindo as imagens de contemplação

da miséria adivinhada...

estanho pranto este que tento criar...

para me recriar...nas tempestades que existem em mim.

A.B. 2026.

Banda apresenta tributo a Zeca Afonso em Setúbal


Um Zeca Diferente apresentou em Setúbal um tributo a José Afonso no Cinema Charlot, integrado nas comemorações do 25 de Abril.

A banda “Um Zeca Diferente” apresentou no passado fim de semana, no Cinema Charlot – Auditório Municipal, em Setúbal, um novo trabalho discográfico de tributo/homenagem a José (Zeca) Afonso, integrado nas Comemorações do 25 de Abril. O concerto contou com a presença do vereador da Câmara Municipal, Paulo Maia, e deu a conhecer um projeto centrado na reinterpretação de algumas das canções mais marcantes do cantautor português.

O espetáculo procurou revisitar o legado musical e político de José Afonso. Além disso, destacou a força das suas letras e o impacto cultural da sua obra na história da música portuguesa.

Música e memória em palco

Ao longo da atuação, interpretaram temas como “Traz outro amigo também”, “Os vampiros” e “O que faz falta”, apresentados com arranjos próprios da banda. A componente musical teve acompanhamento de uma vertente audiovisual, com a projeção de pequenos filmes e fotografias alusivas à vida e obra de Zeca Afonso. Dessa forma, reforçou o caráter memorial do espetáculo.

O concerto procurou assim aliar música e imagem, criando uma experiência que destacou a atualidade das mensagens presentes no repertório do autor, num ambiente de celebração inserido nas iniciativas do 25 de Abril em Setúbal.


18.4.26

ÉVORA: Conferência "O Futuro do Terceiro Setor: Pessoas, Valores e Compromisso


Data: 6 de maio

Horário: 14h15 - 17h00

Local: Auditório do Centro de Inovação Social da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora.

A Área Social da Fundação Eugénio de Almeida convida-o (a) a participar nesta conferência dedicada à reflexão e ao debate sobre o papel do Terceiro Setor na promoção da participação cidadã, da inclusão e da coesão social, reforçando a sua importância como agente de mudança e parceiro na construção de políticas públicas mais participativas.

Destinatários: Organizações do Terceiro Setor e  Comunidade em Geral

Programa:

14h15 – Acolhimento

14h30 – Abertura

Pedro Oliveira, Presidente do Conselho Executivo da Fundação Eugénio de Almeida

14h40 – "O Futuro do Terceiro Setor: Pessoas, Valores e Compromisso"

- Fabiana Fernandes, Diretora da Academia Geração

- Rui Nunes da Silva, Presidente do IPAV e CEO da Academia de Líderes Ubuntu

- Rita Leote, Diretora Executiva da Plataforma Portuguesa das ONGD

15h40 - Moderação e Debate por Luís Matias, sociólogo

16h15 – Encerramento e Cartuxa de Honra

Inscrição Gratuita mediante inscrição prévia.