8.4.26

OPINIÃO: O esgoto do machismo


Há quem lhe chame o esgoto do machismo, quem diga que é apenas entretenimento ou quem, simplesmente, encolha os ombros por se tratar de mais uma estupidez típica das redes sociais.

Uma "trend", conhecida como "se ela disser não", espalhou-se no TikTok através de vídeos curtos e ganhou dimensão por altura do Dia Internacional da Mulher. A narrativa assenta em pedidos de namoro ou de casamento. Os homens (com "h" pequenino) encenam um momento romântico e imaginam a possibilidade de ser rejeitados. Quando surge o hipotético não, fingem agressões físicas. Espancam bonecas, manequins, simulam disparos com armas de brincar ou mostram-se a treinar o corpo para estarem em forma no momento da agressão. A moral da história é simples: um não justifica violência.

É difícil decidir o que é mais perturbador. Se são as redes sociais coniventes com este tipo de conteúdos ou se é a cultura machista a ganhar espaço na sociedade. Pior, se normaliza de tal forma a violência de género que a apresenta como uma simples piada.

No Brasil, o caso já está na Justiça. A Polícia Federal abriu uma investigação para identificar os autores dos vídeos, depois de um grupo de jornalistas ter identificado publicações deste género com milhares de interações. O TikTok também foi intimado a fornecer informações sobre os sistemas de moderação automática de conteúdos.

Os vídeos em causa remetem o machismo para outra dimensão. Agora com música ambiente, com filtros bonitos e hashtags. Podemos culpar as redes. Mas, neste caso, o TikTok é apenas o esgoto por onde a água passa.

Manuel Molinos – Jornal de Notícias -13 de março,2026

 

CASTELO DE VIDE: Exposição 𝐀𝐪𝐮𝐞𝐝𝐮𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥


𝐀́𝐠𝐮𝐚 𝐞 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦𝐨́𝐧𝐢𝐨

O Museu Garcia de Orta recebe a exposição Aquedutos de Portugal – Água e Património da autoria de Pedro Inácio, Vice-Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Museologia.

O autor  esteve presente na inauguração realizada no dia 𝟮𝟮 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼 – 𝗗𝗶𝗮 𝗠𝘂𝗻𝗱𝗶𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝗔́𝗴𝘂𝗮 – 𝗽𝗲𝗹𝗮𝘀 𝟭𝟱𝗵𝟬𝟬.

Esta é uma exposição temporária que retrata a importância, preservação, valorização e divulgação dos aquedutos históricos e resulta de um levantamento fotográfico e de trabalho de inventário.

A exposição “Aquedutos de Portugal – Água e Património” fica patente no Museu Garcia de Orta entre 22 de março e 30 de abril.

𝗔 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗱𝗮 𝗲́ 𝗹𝗶𝘃𝗿𝗲.

 

 

 

7.4.26

Vale de Cavalos recebe colheita de sangue



A viatura da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – voltou a pisar rotas da serra de São Mamede. Mais uma vez com o fim de ser concretizada mais uma brigada. Estivemos em Vale de Cavalos, ali perto de Alegrete e contámos com a presença da Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE.

Fomos recebidos na sede do Grupo Desportivo Cultural e Social de Vale de Cavalos para onde se encaminharam os voluntários. Contámos uma dúzia de inscrições, sendo três de mulheres.

De Vale de Cavalos saíram 11 unidades de sangue total, já que um dos presentes não pôde doar tecido sanguíneo.

Não faltou o habitual, e sempre bem servido, almoço convívio que teve como palco o local da colheita e que contou com o apoio da Junta de Freguesia de Alegrete e do Grupo Desportivo Cultural e Social de Vale de Cavalos.

Sousel

A ADBSP tinha prevista para abril uma ida até Arronches mas, por motivos inultrapassáveis, o evento teve de ser adiado (em seu tempo informaremos a nova data).

Sousel irá receber mais uma brigada a 18 de abril. Um sábado de manhã e no centro de saúde local.

Já sabia que a idade limite para se fazer uma doação agora passou a ser aos 70 anos?

Visite: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/

JR

MAÇÃO: Inauguração da Exposição de Rosário Bello “Um outro olhar”


Na próxima sexta-feira, dia 10 de abril pelas 16h30, será inaugurada a Exposição “UM OUTRO OLHAR ", de Rosário Bello.

ROSÁRIO BELLO nasceu em Nisa, a 4 de abril de 1972, mas é em Castelo Branco que o seu percurso se tem consolidado ao longo dos últimos 28 anos. Artista plástica de profissão com uma carreira de 31 anos, a sua arte é o reflexo de um estilo muito próprio e identitário, onde o traço e a cor se fundem para criar narrativas visuais únicas. Este percurso levou-a a realizar mais de duas dezenas de exposições, tanto em Portugal como no estrangeiro. Destacam-se as cinco presenças no prestigiado Salão Internacional de Arte Contemporânea no Carroussel du Louvre em Paris, além de exposições em Espanha, Itália, Luxemburgo, Dubai, Qatar e Mónaco. O reconhecimento do seu trabalho traduziu-se em vários prémios de mérito internacional, em Itália (Sicília), Mônaco, Luxemburgo e no Qatar. A sua expressão criativa não se esgota na tela.  Ilustradora e escritora, contando já com três livros editados, um dos mais quais " A COR DAS PALAVRAS", onde assina tanto os poemas como as ilustrações. Participou ainda em Antologias coletivas, como a V Antologia de Poesia pelo CNAP (Lisboa) Círculo Nacional de Arte e Poesia e outra pela Kreamus (Fundão). No campo da ilustração guarda o convite do saudoso poeta albicastrense, António Salvado para ilustrar uma das suas obras com quase setenta aguarelas de autoria. No registo do cartoon, deu vida ao tema "Tó Avarias" para o Jornal Reconquista. A partilha de conhecimento é outra das suas paixões. É professora de artes na Usalbi - Universidade Sénior Albicastrense onde acompanha atualmente seis turmas. A sua formação é vasta e certificada, sendo detentora do curso de formador pelo IEFP e certificada como Artesã pela UPA (Unidade Produtiva Artesanal) com actividade reconhecida pelo IEFP e CEART em Pintura Cerâmica. Esta base técnica que inclui a Modelagem (formação CIVEC/IEFP em 1990), é hoje complementada com a sua arte aplicada à pintura à mão em têxtil. O seu nome faz agora parte em livro, dos artistas contemporâneos certificados La Cote de Peintre 2023-2024 por Jacky Armand Akoun.

Hoje a sua obra encontra-se representada em inúmeras coleções particulares e instituições, tanto a nível Nacional e Internacional. Mais do que uma profissão, a arte é a sua forma de estar no mundo, um diálogo constante entre a tradição artesanal e a contemporaneidade da pintura.

A Exposição “UM OUTRO OLHAR ", de Rosário Bello, fica patente até dia 30 de abril de 2026 com o seguinte horário:

- Dias úteis das 9h às 17h30 e ao sábado, das 14h às 17h30.

ARRONCHES: II Festival de Migas


Dia 11 de abril (sábado), a partir das 20H00, no edifício 'O Celeiro', em Arronches.

Organização: Associação Freestyle Iceshow Arronches.

OPINIÃO: Obrigado, Donald!


Devemos agradecer a Donald Trump. Em primeiro lugar, ele permitiu que aqueles que lutam contra a extrema-direita renovassem seu discurso. Eles não precisam mais se referir a eventos de um século atrás, que ocorreram em um contexto muito diferente do atual, para ilustrar os múltiplos perigos associados à ascensão da extrema-direita ao poder, para os direitos e liberdades dos cidadãos, para a harmonia civil em nossas sociedades ou para a paz mundial.

Para tirar proveito do desastre do trumpismo.

Agora, basta que usem o desastre do trumpismo para ilustrar seu ponto e combater as ilusões que os esforços da extrema-direita para ocultar sua agenda e parecer respeitável possam ter fomentado em alguns. Donald Trump poderia, assim, nos ajudar a finalmente evitar a esperada vitória dessa extrema-direita na França no ano que vem, assim como já contribuiu significativamente para sua derrota nos últimos meses na Holanda, Eslovênia e Itália. E em breve, esperamos, na Hungria.

Graças a ele, até os mais ferrenhos atlantistas — e Deus sabe que eram — finalmente compreenderam que não se pode mais confiar plenamente nos Estados Unidos e que a Europa precisa se tornar capaz de defender seu modelo social, ambiental e democrático por conta própria contra os regimes autoritários que querem destruí-lo. Certamente ainda há um longo caminho a percorrer nesse sentido, mas o movimento finalmente começou.

O risco de dependência nos Estados Unidos

Da mesma forma, graças a Trump, todos agora puderam compreender plenamente os enormes riscos para nossas economias, nossas finanças públicas, nossas liberdades, nossas democracias e o futuro de nossos filhos… riscos que resultam de nossa dependência excessiva das gigantes americanas de plataformas e mídias sociais. Aqui também, a alternativa ainda precisa ser construída, mas pelo menos o primeiro passo essencial — a conscientização — já foi dado.

Graças a ele, os europeus finalmente entenderam que o livre comércio de bens e serviços e a livre circulação de capitais não eram uma panaceia universal, e que os produtores europeus precisavam de maior proteção contra o dumping social, ambiental e fiscal, bem como que nós também precisávamos, finalmente, desenvolver uma política industrial genuína. Mais uma vez, persiste um grande abismo entre as intenções e as ações na escala necessária, mas a atmosfera opressiva foi dissipada.

Trump vai salvar o Pacto Ecológico Europeu.

Apesar de todas as mortes e destruição que causa, a guerra que Donald Trump lançou ilegalmente contra o Irã com seu cúmplice de extrema-direita, Benjamin Netanyahu, talvez possa também nos ajudar a salvar o Pacto Ecológico Europeu, que a direita e a extrema-direita europeias pretendem desmantelar juntas nos próximos meses.

Este conflito demonstra vividamente o quão absurdo e perigoso seria para os europeus adiar ainda mais a sua transição para longe dos combustíveis fósseis. O fato de Donald Trump, negacionista das alterações climáticas e fantoche do lobby do petróleo, estar por trás desta improvável reviravolta é um daqueles truques famosos que a história parece dominar…

O problema: as políticas de imigração de Trump

Infelizmente, há uma área essencial em que a vacina de Trump ainda não produziu seu efeito protetor na Europa, apesar de seus inúmeros abusos nesse campo específico: a das políticas de imigração.

Apesar de todos os crimes cometidos pelo ICE e das ameaças que essa milícia representa para as liberdades de todos do outro lado do Atlântico, embora a interrupção abrupta da imigração enfraqueça significativamente a economia americana e prejudique severamente sua capacidade de inovação tecnológica, embora a caça a estrangeiros corra o risco de afundar as universidades que garantiram uma parte essencial da influência cultural dos Estados Unidos, embora essa política racista e supremacista esteja isolando cada vez mais os Estados Unidos e fortalecendo a China e a Rússia no mundo, a direita europeia continua a perseguir a extrema-direita para importar políticas migratórias trumpistas para a Europa.

Isso se demonstra diariamente pelas ações do "bloco central" na França, que corta os auxílios-moradia (APL) para estudantes estrangeiros e questiona o Sistema Nacional de Saúde (ANS). Também se demonstrou mais uma vez a nível da UE com a votação do Regulamento de Retorno no Parlamento Europeu em 26 de março, onde o tradicional Partido Popular Europeu (PPE), de direita, aliou-se a três grupos de extrema-direita para promover uma Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE).

Para salvar nossos valores humanistas, defender nosso modelo social, ecológico e democrático aberto ao mundo, e afrouxar o controle exercido sobre nós pela aliança entre Donald Trump e Vladimir Putin, que nos aproxima dos países do Sul Global, já passou da hora de a Europa finalmente decidir romper com o trumpismo, inclusive no campo das políticas migratórias.

·         Guilherme Duval – in savonsleurope.eu – 7.04.2026

AMIEIRA DO TEJO: Lembrando a dimensão cultural de Jorge Pires

 





6.4.26

OPINIÃO: SEJAMOS PESSOAS QUE GOSTAM DE PESSOAS


Depois de cerca de quarenta anos de lutas difíceis pelo aproveitamento integral do sangue, lideradas pelo Comendador Joaquim Moreira Alves, tivemos a oportunidade de em 2018, pela primeira vez em Portugal, ter medicamentos plasmáticos, obtidos através do fracionamento de plasma recolhido em Portugal.

Tal foi possível através do Programa Estratégico Nacional para o Fracionamento do Plasma Humano 2015 - 2019[1], pela mão do professor Adalberto Campos Fernandes, ministro da saúde na altura. Depois de ameaças de morte e situações complicadas que envolveram alterações profundas, até no movimento associativo/federativo – o esforço e o sacrifício foram recompensados, com esta mudança.

Para a transfusão de plasma, o nosso país já era autossuficiente, mas milhares de doentes em Portugal dependem dos medicamentos derivados do plasma, em especial a Albumina Humana, a Imunoglobulina e o Fator VIII, medicamentos críticos e essenciais. Nesta nova fase, os concursos para fracionamento foram de trinta mil litros, quinze mil e o mais recente de sessenta mil litros, mas Portugal precisa de cerca de cento e oitenta mil litros / ano. Isto significa que temos tido apenas 11% dos medicamentos plasmáticos necessários.

Por isso, Portugal e a Europa, dependem quase na totalidade do que importa dos Estados Unidos, que detêm a maior fatia do comércio mundial em mais de sessenta por cento. O custo destes medicamentos já representava, em 2022, cerca de cem milhões de euros por ano e a tendência é de crescimento.

Estamos a falar de tratamentos para doentes com imunodeficiências primárias e outras patologias graves e esses medicamentos não se fabricam em laboratórios; apenas são possíveis através da dádiva de braço estendido e o mesmo se passa com as plaquetas. Qualquer um de nós pode vir a precisar. Estima-se que uma em cada cinco pessoas, podem vir a contrair cancro e uma em cada dez, pode morrer de cancro e o cenário não está fácil.

E quando falamos de importar, temos de perceber o impacto. Não investimos em unidades separadoras celulares, para termos colheitas de aférese no plasma e nas plaquetas, tão necessárias em oncologia, dos cem milhões de euros gastos, podíamos poupar de imediato cerca de quarenta milhões de euros. Contudo o Hospital de São João no Porto, a maior referência no serviço de imunohemoterapia em Portugal[2],  estimou uma poupança anual de cerca de 200.000 euros se deixarmos de desperdiçar o plasma dos nossos dadores.

Mas a poupança não é tudo e a ciência comprova que devido ao meio-ambiente, alimentação, etc., o plasma de cada região do mundo varia e só temos a ganhar em qualidade se aproveitarmos o plasma recolhido em Portugal. E o que dizer da origem de grande parte do plasma que chega até à Europa proveniente do sul dos Estados Unidos em que pagam a pessoas que vivem miseravelmente e em condições de saúde duvidosas para vender plasma… e é esse plasma que exportam.

Os EUA, que para muitos é considerado um estado amigo e parceiro estratégico, foi até hoje o único país que utilizou a bomba atómica para dizimar japoneses inocentes com sequelas até hoje. Na apelidada maior potência do mundo, milhões de pessoas recorrem à dádiva de plasma remunerada para sobreviverem, para não falar da venda abominável de partes dos seus corpos, até ao negócio de “peças de cadáveres”.

Quanto ao plasma, que é pago nos E.U.A. conforme a condição física do dador, é exportado o que é de menor segurança e “qualidade”, estamos perante um mercado deplorável e perigoso.

E no momento que atravessamos, Portugal e a Europa, dependentes dos E.U.A. podem sofrer um revés, se por razões geopolíticas, for cortado o fornecimento ou aplicado entraves ao plasma. Mais uma razão para se trabalhar na autossuficiência europeia, respeitando o princípio plasmado no recém-aprovado regulamento europeu (SoHO), da não compensação financeira que vai ao encontro do que defendemos como dádiva benévola e não remunerada.

No entanto, regista-se uma redução do número de dadores. São quase menos dez mil desde 2017 para cá. Daí a necessidade da aposta de sensibilização nas escolas, junto dos deputados, governantes e Presidência da República. Esta, tem sido a preocupação por parte da Federação das Associações de Dadores de Sangue – FAS-Portugal. É importante reforçar o investimento no serviço de sangue e garantir mais apoio ao movimento associativo que tem ajudado a garantir as reservas nacionais, para que não faltem componentes sanguíneos a quem deles necessite. Como dizia o grande Joaquim Moreira Alves – “SEJAMOS PESSOAS QUE GOSTAM DE PESSOAS”!

·         Paulo Cardoso in 03-04-2026 - Programa Desabafos Rádio Portalegre

FESTAS E TRADIÇÕES: Procissão das “Tochas Floridas»


Considerada a grande celebração pascal desta típica vila serrana, remonta, supostamente, ao século XVII. Recuperada em 1981, nunca mais deixou de realizar-se, com o maior esplendor, na manhã de domingo de Páscoa.

A Festa das Tochas, ou Procissão da Ressurreição, tornou-se, ao longo do tempo, numa das mais expressivas e imponentes procissões de toda a província algarvia, para isso contribuindo as suas características religiosas, populares e festivas.

Conhecida, antigamente, por Procissão das Três Marias (em alusão às três mulheres que se deslocaram ao túmulo de Jesus, na manhã da Sua Ressurreição), era, igualmente, designada por Procissão das Flores (pela ornamentação floral das «tochas», das cruzes, dos pendões, das lanternas, e também das ruas, dos caminhos e outros locais).

No início do século XX, a Procissão das Tochas perdeu algum do seu brilho, devido à extinção das confrarias. Por outro lado, foram-lhe introduzidas algumas alterações.

As «tochas floridas» (velas grossas) acabaram substituídas por paus ornamentados com flores, vendo-se, nos finais do século XIX, já algumas feitas de cana (ao que parece, devido à escassez de cera).

De acordo com o preceito, as «tochas» são transportadas apenas por homens (vestidos a rigor: fato, camisa e gravata ou calça e casaco).

São eles que abrem a procissão, após a missa na igreja matriz (cerca das onze horas), formando alas e precedendo o andor do Senhor Ressuscitado.

Ao longo do percurso formam-se pequenos grupos, que, alternadamente, elevam o grito de «aleluias», seguido, aqui e além, por outras vozes masculinas, sonoras e fortes, que exclamam: «Ressuscitou como disse!». Nessa altura os grupos erguem bem alto as «tochas floridas» e respondem com entusiasmo: «Aleluia, aleluia, aleluia!». É a voz do povo a manifestar na sua fé a grande alegria em Cristo Ressuscitado.

Tem havido, entretanto, a preocupação de fazer ressurgir a tradição do antigo percurso do cortejo processional que voltou a realizar-se nos últimos anos como antigamente. O mesmo acontece com a igreja e as ruas que se apresentam de novo engalanadas, assim como vários locais do concelho, quer com «tochas», quer com arcos floridos e arranjos florais, a lembrar as celebrações do passado.

Com efeito, em tempos idos, o aparato era maior. As ruas eram varridas e atapetadas com alecrim, «rosmonos» (rosmaninho), alfazema e flores silvestres (costume recentemente retomado). As pequenas casas térreas algarvias, mais humildes, apareciam enfeitadas com grinaldas de flores, enquanto as famílias de mais posses mandavam erguer junto das suas casas grandes arcos de verdura com flores e fitas coloridas.

O próprio interior da igreja apresentava-se ornamentado de modo esmerado e solene. Desciam damascos e veludos vermelhos pelas colunas, em cujas bases se depunham palmas e ramos de oliveira.

De Faro e de Tavira vinham propositadamente os «armadores» para «armar» os altares e os retábulos com panos brancos, vermelhos e azuis. A imagem do Senhor Ressuscitado era exposta no altar-mor, debaixo de um dossel, e resplandecia sob as luzes. Após as «laudes» (oração da manhã), saía a procissão enquanto os sinos repicavam festivamente, sem parar. Todo o clero participava na celebração e os cantores do coro, incorporados no cortejo entoavam a «Antífona» de Ressurreição; «O Senhor Ressuscitou no Sepulcro, aleluia, aleluia, aleluia!». E o povo, em uníssono, respondia: «Que por nós esteve suspenso na Cruz, aleluia, aleluia, aleluia!». E tornavam os cantores: «O Senhor ressuscitou como disse, aleluia, aleluia, aleluia!». E o povo voltava a responder: «E apareceu a Simão, aleluia, aleluia, aleluia!»

Por essa época eram as confrarias que abriam a procissão, envergando as suas opas e «tochas floridas» (algumas com o peso aproximado de seis quilos). Seguiam-se os turiferários, a oscilar nas mãos os turíbulos, onde ardia o incenso que perfumava as ruas, e os acólitos, com salvas de prata cheias de pétalas de flores que espalhavam ao longo do percurso..

Actualmente, tudo se simplificou. Só a fé e a tradição popular se mantêm com a mesma verdade, feita de alegria e de fraternal convívio.

Quando o cortejo regressa à igreja, onde se procede à celebração da missa, parte dos homens (respeitada a praxe de outrora) retira as flores das «tochas» para espalhá-las no chão num preito de homenagem ao Senhor Ressuscitado, permitindo, assim, que o Seu andor passe sobre elas.

Refira-se que até 1910 todas as paróquias do Algarve organizavam a «Festa das Flores», tradição que se conservou, unicamente, em São Brás de Alportel. Contudo, ainda hoje em Olhão (e um pouco em Portimão) as crianças desfilam na Procissão da Ressurreição, levando nas mãos um círio enfeitado no topo com um laço de seda e um arranjo floral na base.

A São Brás de Alportel chegam nesta data milhares de pessoas, vindas um pouco de todo o lado, incluindo aqueles que se encontram fora da terra e que não faltam ao encontro com os seus familiares, amigos e conterrâneos, para matar saudades, levar na procissão a sua «tocha florida», ou, simplesmente, para assistir, conviver e comprar as tradicionais «amêndoas de pinhão», um dos manjares tradicionais da doçaria pascal de São Brás, confeccionadas, ainda hoje de modo artesanal.

A festa prolonga-se depois pela tarde e noite no adro da igreja com prémios atribuídos aos «Jogos Florais de Aleluia» e à «tocha florida» que, pela sua ornamentação, se revelar mais artística e dentro das praxes estabelecidas, a manter viva a ancestral tradição da Festa das Tochas em São Brás de Alportel.

Há que referir uma outra praxe bem mais recente. Trata-se do uso da «garrafinha da aguardente de medronho» (uma especialidade algarvia), levada na algibeira do fato, que os homens, ao longo do percurso, parecem fazer alarde em utilizar, discretamente ou não, bebendo-a, trago a trago, por entre as flores da «tocha».

Quanto à origem da festa estará ligada à invasão de Faro por piratas ingleses em 1596. Após saquearem algumas localidades, acabaram os piratas por ser repelidos em São Brás de Alportel, graças aos elementos da «Confraria do Nome de Jesus», munidos de varapaus (simbolicamente revistos depois nas mãos dos homens, transformados em «tochas floridas».

O prato cerimonial destes dias é o borrego assado com batatas, acompanhado com ervilhas. O tradicional folar fica para sobremesa

Em São Brás de Alportel, diz a tradição popular que «na Páscoa não deve comer-se animal de penas, porque o galo, por três vezes, denunciou a negação de Pedro».

Soledade Martinho Costa

Do livro festas e Tradições Portuguesas, Vol. III - Ed. Círculo de Leitores

Foto : pormenor da Procissão das Tochas Floridas

 

 

PORTALEGRE: Espectáculo Multidisciplinar no CAEP


11 ABR. SÁB. 21.30H

Nas Mãos de Uma Força Qualquer

Multidisciplinar | GA | 5€ | M/6 anos

Duração do espetáculo: 45 minutos

"Aconteceu uma coisa. E não foi por acaso. Mas parecia sem querer.

Fez-me correr, sonhar, fugir e conquistar. Fez-me perder, parar, olhar e desentender.

Fez um corte aqui, outro corte ali e só vi uma parte dessa coisa. E só vivi um pedaço dessa coisa.

Tropeço no acaso do que enfim... tem um propósito. E foi o quê? Foi o mundo que deu a volta, foi o mundo de pernas para o ar e que voltou à posição inicial, à posição fundamental.

Aquela onde, não por acaso, os pedaços se juntam para que aconteça alguma coisa de novo.

Aconteceu outra coisa. Parecia por acaso mas era... mas foi... e agora é... é sem querer que escrevo? Guiada pelas mãos do acaso? Sou eu?...

Por acaso sou. Mas podias ser tu, e essa coisa que te aconteceu.

Mais um corte aqui, outro corte ali... as partes dessa coisa e os pedaços soltos do que É. Ou foi. Ou será que um dia?...

Por acaso É! Nas mãos de uma força qualquer, como aquela que não se vê nas asas de uma borboleta.

Por acaso não. Não se vê. Mas não é por acaso que existem as asas das borboletas."

Bruna Carvalho

Criação e Interpretação: Bruna Carvalho

Interpretação e Composição Musical: Bruna Carvalho

Cenário: Bruna Carvalho, Zeca Iglésias

Desenho de Luz: Zeca Iglésias, Bruna Carvalho

Figurino/Casaco Bordado à Mão (linha metalizada e vidrilhos): Vanessa Carvalho

Imagens e Vídeos: Tomás Pereira

Coprodução: Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre, Alma D’Arame, A Moagem - Município do Fundão

Apoios: Centro de Experimentação Artística e Fórum Cultural José Manuel Figueiredo - Município da Moita; MãoSimMão Associação Cultural; BLX - Biblioteca de Marvila

 

ESPECTÁCULO MUSICAL: Tributo a Adriano Correia de Oliveira

 


5.4.26

OPINIÃO: Violência no namoro: a banalização do inaceitável


Há realidades que não admitem indiferença. O facto de uma percentagem significativa de jovens - sobretudo raparigas - relativizar ou até justificar comportamentos violentos nas relações de namoro não é apenas alarmante: revela uma transformação profunda na forma como a violência é percecionada. Não estamos perante casos isolados, mas diante de um problema estrutural que expõe fragilidades na educação, na cultura e na construção das relações.

Os dados mais recentes mostram um cenário inquietante. Muitas jovens continuam a interiorizar a culpa por atos que constituem claras violações da sua intimidade e dignidade. A partilha não consentida de imagens íntimas é disso exemplo: em vez de ser reconhecida como abuso, é frequentemente interpretada como consequência de uma decisão individual. Esta inversão de responsabilidade evidencia que o problema não está apenas nos comportamentos, mas na forma como são compreendidos e legitimados.

A normalização da violência constrói-se de forma silenciosa, em vários contextos: em dinâmicas familiares fragilizadas, em padrões culturais ainda marcados por desigualdades, em conteúdos mediáticos que romantizam o controlo e, de forma particularmente relevante, na ausência de uma educação afetiva e sexual consistente. Quando o controlo, o ciúme ou a manipulação são confundidos com amor e/ou cuidado, estamos perante uma distorção perigosa do significado de uma relação saudável.

O problema não é apenas a existência da violência, mas a sua aceitação. Quando deixa de ser reconhecida como tal, deixa também de ser combatida.

É neste contexto que surge o projeto-piloto europeu dedicado à promoção do consentimento - "Vamos falar sobre consentimento - Rede Europeia do Consentimento" - uma iniciativa relevante e necessária, que representa um passo importante no reconhecimento deste problema. O facto de arrancar em países como Portugal, Irlanda e Suécia demonstra a intenção de testar soluções em diferentes realidades e de caminhar para uma abordagem europeia mais consistente.

Assente em três pilares - a utilização da arte como forma de sensibilização, o diálogo e ação local em escolas e comunidades, e a intervenção estratégica nas redes sociais -, o projeto revela uma preocupação fundamental: comunicar eficazmente com os jovens, utilizando os códigos e os espaços onde estes constroem hoje as suas referências.

Importa reconhecer o mérito desta abordagem. Num contexto em que as redes sociais desempenham um papel central na formação de atitudes e comportamentos, procurar intervir nesses mesmos espaços é não apenas pertinente, mas indispensável. Este tipo de iniciativas constitui um contributo valioso para contrariar tendências preocupantes e promover uma cultura de respeito.

Contudo, a sua eficácia dependerá sempre de uma transformação mais ampla. Falar de consentimento implica educar para a liberdade, para os limites e para a responsabilidade. Implica afirmar, de forma clara, que o "não" não é negociável, que o silêncio não é consentimento e que o amor não se confunde com controlo ou posse.

Nenhuma política pública será suficiente sem um compromisso coletivo. A escola tem um papel essencial, mas não exclusivo. As famílias, os meios de comunicação social, as plataformas digitais e a sociedade em geral são igualmente responsáveis pela construção de referências saudáveis.

Também do ponto de vista jurídico, importa não desvalorizar esta realidade. A violência no namoro não é um fenómeno menor. Trata-se de uma forma de violência que pode e deve ser enquadrada no âmbito da violência doméstica, sob pena de se perpetuarem, quer a não denúncia destes fenómenos, quer a sua impunidade.

Mas talvez o aspeto mais inquietante seja este: quando a violência deixa de ser reconhecida, deixa de ser contestada. E uma sociedade que não identifica a violência está mais próxima de a aceitar. Perante isto, a questão é inevitável: que referências estamos a transmitir? Normalizar é, em última análise, tolerar. E tolerar a violência - ainda que nas suas formas mais subtis - é comprometer o futuro coletivo.

Educar para o consentimento é essencial. Mas é igualmente necessário educar para a igualdade, para o respeito e para a dignidade. E isso exige mais do que medidas pontuais - exige um compromisso sério e continuado.

·         Mariana Roque Caetano – Jornal de Notícias - 2 de abril, 2026

 

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXX) - Padre Alfredo Magalhães


Enganaram-se no número da porta

 Não me procures onde não estou:

na música e nas festas de salão,

nos votos formalistas dum cartão,

na iluminação feéricas das ruas e das praças,

nas prendas valiosas que te dão

e avaramente sobraças.

Aí não me procures!

Estou algures,

mas não aí.

 

Não me procures:

no calor das brasas incendidas,

no calor das famílias reunidas

se apenas as juntam sangue e tradição,

nas mesas bem sortidas

de iguarias, de doces e de vinho,

nem mesmo num presépio lindo, maneirinho,

se não palpita nele um coração.

 

Procura-me onde na verdade estou:

naquela inóspita, lúgubre choupana

igual aquela cabana

onde nasci.

Estou aí.

 

Naquela chaga nojenta,

naquela pobreza muda,

naquela tortura lenta,

naquela cruz ignorada,

naquela alma desnuda,

naquela dor que não chora,

naquela vida parada

que uma doença devora.

Aí me encontrarás a toda a hora.


* Pe. Alfredo Magalhães

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Ensaio sobre a cegueira | cartoon editorial da revista de Domingo do @correiodamanhaoficiaVasco Gargalo


4.4.26

Exposição revela o legado do Arquivo Leisner e a riqueza arqueológica de Reguengos de Monsaraz

 



Partindo do arquivo dos investigadores alemães Georg e Vera Leisner, o Município de Reguengos de Monsaraz vai mostrar os primórdios da arqueologia no concelho na exposição “O Casal Leisner – Entre Antas e Arquivos”, que vai estar patente de 2 de abril a 2 de maio, no Auditório António Marcelino da Biblioteca Municipal de Reguengos de Monsaraz. A mostra destaca a relevância que este casal de arqueólogos teve no estudo do património megalítico do Alentejo durante a primeira metade do século XX e pode ser visitada de segunda-feira a sábado, entre as 10h e as 12h30 e das 14h às 17h30.

Com esta exposição, a autarquia assinala o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrando a proteção e a divulgação patrimonial, assim como na manhã do dia 18 de abril, com a projeção do documentário “Paisagem Ancestral: Recintos Cerimoniais de Terras do Guadiana”, da ERA Arqueologia, que parte do Complexo Arqueológico dos Perdigões para uma viagem por outros recintos de fossos cerimoniais e de agregação comunitária constituídos durante o Neolítico e a Idade do Cobre. Após a visualização do documentário, haverá uma visita à exposição, para explorar e desvendar curiosidades sobre o património arqueológico do concelho.

Mais do que um conjunto de documentos e fotografias, o Arquivo Leisner constitui um testemunho único de um olhar pioneiro sobre a paisagem arqueológica da região. Através do seu trabalho sistemático, foram fixados no tempo monumentos, contextos e interpretações que continuam a ser essenciais para o conhecimento atual da História de Reguengos de Monsaraz.

O percurso expositivo constrói-se a partir de registos fotográficos, explorando não só o processo de registo e interpretação desenvolvido pelos Leisner, mas também a relação estabelecida com os entusiastas locais, evidenciando como estas dinâmicas contribuíram para moldar o presente e o futuro da Arqueologia reguenguense. Na mostra podem também ser vistas placas de xisto gravadas, típicas dos contextos funerários megalíticos de Reguengos de Monsaraz, que pertenceram à coleção de Pires Gonçalves, aproximando-nos do universo simbólico e religioso das comunidades pré-históricas que povoaram a região durante milénios.

A exposição abre ainda caminho à descoberta da riqueza arqueológica do território, materializada em produções bibliográficas, onde a presença humana se manifesta de forma contínua ao longo de milénios, afirmando Reguengos de Monsaraz como um verdadeiro “Paraíso Megalítico”. Ao cruzar o passado da investigação com o conhecimento atual, esta mostra propõe uma reflexão sobre o papel da Arqueologia na valorização do património e na construção da identidade coletiva, destacando o Arquivo Leisner como ponto de partida para compreender o que já foi estudado, mas também o que permanece ainda por revelar.

 


GALVEIAS: Galcanta – Entre cantos e gargalhadas!


Domingo 12 abril 2026, 16:00

Prepare-se para uma tarde diferente, cheia de boa disposição, música e muitas gargalhadas!

Sessão de Riso em Galveias com a líder de Yoga do Riso, Marília Estrada.

Uma experiência única que combina o canto com o riso, promovendo o bem-estar, a alegria e o convívio.

Inscrições até 10 de abril.

Torneio AADP Kids Athletics leva desporto, alegria e formação a Alter do Chão


A Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP), em parceria com os Alter Runners e com o apoio do Município de Alter do Chão, promove no próximo dia 19 de abril de 2026, pelas 10h30, o Torneio Kids Athletics – Alter do Chão, a realizar-se no Estádio Ferragial d’El Rei.

A iniciativa destina-se a crianças entre os 5 e os 12 anos, filiadas ou não filiadas, podendo participar em representação de clubes, escolas ou de forma individual. O evento integra o Circuito Estrelas do Amanhã, sendo mais uma etapa importante na dinamização e promoção do atletismo jovem no distrito.

Com um formato inovador e inclusivo, o Kids Athletics aposta numa abordagem lúdica à modalidade, promovendo o contacto com as diferentes disciplinas do atletismo corridas, saltos e lançamentos através de jogos e desafios adaptados às idades dos participantes. As equipas serão constituídas de forma mista, incentivando o convívio, o espírito de grupo e a entreajuda.

Para além da componente desportiva, o evento promete um ambiente festivo, com música e animação ao longo de toda a manhã, criando uma experiência envolvente e marcante para todos os participantes. No final, todos os jovens receberão um brinde de participação, reforçando o caráter inclusivo e motivador da iniciativa.

Outro dos pontos de destaque é a valorização dos atletas federados, cuja participação permitirá somar pontos para o Circuito Estrelas do Amanhã, contribuindo para o seu percurso desportivo ao longo da época.

A participação no evento é gratuita, sendo, no entanto, obrigatória inscrição prévia, que deve ser realizada até ao dia 16 de abril de 2026, através da plataforma oficial.

Com esta iniciativa, a AADP reforça o seu compromisso com o desenvolvimento do atletismo de base, promovendo hábitos de vida saudáveis, a prática desportiva regular e a formação de novos talentos, num ambiente de alegria, inclusão e partilha.

2.4.26

PORTALEGRE: Cooperativa Operária promove Visita Cultural às Caldas da Rainha e à Nazaré, dia 29 de abril


A Cooperativa Operária Portalegrense tem o prazer de convidar V. Exas., no âmbito das comemorações do seu aniversário, para uma Visita Cultural às Caldas da Rainha e à Nazaré, a realizar-se no dia 29 de abril de 2026, conforme cartaz em anexo.

Esta iniciativa tem como objetivo proporcionar momentos de convívio, bem como a valorização do património histórico e cultural, promovendo a aquisição de novos conhecimentos sobre a história e cultura do nosso país.

📝 Condições de inscrição, só até dia 22 de abril

O pagamento deve ser efetuado no ato da inscrição;

Associados: 30 ondas (inclui almoço, seguro e entradas nos museus), com quotização em dia

Não associados: 36 ondas (inclui almoço, seguro e entradas nos museus);

Atividade aberta a toda a comunidade;

Prazo de inscrição: até dia 22 de abril.

Horários:

Partida de Portalegre: 06h00, em frente ao CAEP;

Chegada a Portalegre: 19h00, no CAEP.

OPINIÃO: Enquanto o pau vai e vem, folgam as costas israelitas


A sensação de déjà vu é assustadora. Há pouco mais de quatro anos, víamos uma suposta potência global a cometer um erro de cálculo gigantesco, com uma "operação militar especial" rápida e eficaz para derrubar o Governo de Kiev. Ainda não acabou e a Ucrânia está a transformar-se num laboratório fantástico para a indústria da Defesa, pela experiência em novas táticas e técnicas low cost.

Mais a sul, um mês volvido sobre o início do conflito no Irão, uma "excursão", nas palavras de Donald Trump que claramente não percebeu o briefing que lhe fizeram, não há luz ao fundo do túnel que indique como se vai sair de um buraco cujo tamanho a administração americana ainda não percebeu. Agora, aguarda-se pelas operações terrestres. O mundo está em suspenso à espera do próximo passo de Donald Trump nesta guerra onde não parece haver uma rampa de saída óbvia e que está a minar os interesses de Trump e dos EUA na região. Uma lição de relações internacionais. O único ponto positivo é que parece que está a destruir as hipóteses eleitorais dos republicanos, nas eleições intercalares de novembro.

Enquanto isso, Israel aproveita para expandir território na Cisjordânia com violência e atitudes de regime totalitário de fazer inveja ao iraniano e ao norte-americano. Mortes, agressões, ultimatos, até jornalistas abatidos no Líbano e um repórter da CNN imobilizado com uma chave de pescoço, sob ameaça de armas. De Gaza, já pouco se lê. Curiosamente, só houve indignação geral no Ocidente por Telavive ter impedido a missa de Dia de Ramos. Prioridades... Mas não se esqueçam que criticar Israel é ser antissemita e é preciso ter cuidado. Ou pelo menos é essa a ladainha de sempre.

·     * Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 31 de março, 2026 

F   FOTO: UNICEF/Eyad El Baba