A
Comissão Promotora: Marco Oliveira, Fernando Gomes, Pedro Barreto
8.4.26
LANÇAMENTO da PLATAFORMA “Alentejo Pela Regionalização”
PORTALEGRE: Maratona “Mil e Uma Noites” no CAEP
Maratona:
Mil e Uma Noites - Um projeto UMCOLETIVO
Teatro Radiofónico | PA | entrada livre | M/6 anos
“Mil e Uma Noites” é um programa radiofónico sobre a literatura escrita por mulheres no século XX. Ao longo de um dia, faremos 9 sessões dirigidas a públicos diferenciados, assinalando o Dia Mundial da Voz e afirmando a importância das vozes femininas no espaço público.
Na
senda da linha de investigação que o UMCOLETIVO desenvolve desde 2022, em
parceria com rádios, a “Maratona: Mil e Uma Noites” propõe-se fazer
levantamento, reflexão e criação sobre a produção literária feminina - erudita,
informal e de matriz oral — frequentemente secundarizada, fragmentada ou
invisibilizada nos cânones e nos arquivos oficiais.
Em
simultâneo, procura experimentar novas formas de leitura, escuta e inscrição
dessas vozes no espaço público contemporâneo, cruzando investigação académica,
arquivo sonoro e criação artística.
Em
palco, estarão duas atrizes e dois sonoplastas que criam as atmosferas para que
o público possa escutar poemas, lengalengas, rimas, estórias... E em cima de
cada cadeira está uma venda, para que cada pessoa escolha a melhor forma de
mergulhar imaginação adentro. No final, conversamos, para sabermos mais sobre
as autoras e encontrarmos novos nomes para a teia de mulheres.
Sessões
para Públicos-Escolares:
10:00
- 11:30 | Sem papas na língua, com Cátia Terrinca e Sara Cravo
11:30
- 13:00 | Noite de máscaras, com Cátia Terrinca e Maria d’Alegria
13:00
- 14:30 | Voo feminino intemporal, com Cátia Terrinca e Teresa Machado
14:30
- 16:00 | O vento era como uma pessoa viva, com Cátia Terrinca e Madalena
Pombeiro
16:00
- 17:30 | A seiva pelo meu corpo em viagem, com Cátia Terrinca e Elizabeth
Pinard
Sessões
para Públicos em Geral:
17:30
- 19:00 | Uma finíssima neblina, com Cátia Terrinca e Soraia Branco
19:00
- 20:30 | Nenhuma construção domina a paisagem, com Ana H Delgado e Cátia
Terrinca
20:30
- 22:00 | Imensa pluralidade das palavras, com Cátia Terrinca e Luísa Demétrio
Raposo
22:00 - 23:30 | Talvez renasça um dia numa saga, com Cátia Terrinca e Surma
* ilustração
de Raquel Pedro
OPINIÃO: O esgoto do machismo
Uma
"trend", conhecida como "se ela disser não", espalhou-se no
TikTok através de vídeos curtos e ganhou dimensão por altura do Dia
Internacional da Mulher. A narrativa assenta em pedidos de namoro ou de
casamento. Os homens (com "h" pequenino) encenam um momento romântico
e imaginam a possibilidade de ser rejeitados. Quando surge o hipotético não,
fingem agressões físicas. Espancam bonecas, manequins, simulam disparos com
armas de brincar ou mostram-se a treinar o corpo para estarem em forma no
momento da agressão. A moral da história é simples: um não justifica violência.
É
difícil decidir o que é mais perturbador. Se são as redes sociais coniventes
com este tipo de conteúdos ou se é a cultura machista a ganhar espaço na
sociedade. Pior, se normaliza de tal forma a violência de género que a
apresenta como uma simples piada.
No
Brasil, o caso já está na Justiça. A Polícia Federal abriu uma investigação
para identificar os autores dos vídeos, depois de um grupo de jornalistas ter
identificado publicações deste género com milhares de interações. O TikTok
também foi intimado a fornecer informações sobre os sistemas de moderação
automática de conteúdos.
Os
vídeos em causa remetem o machismo para outra dimensão. Agora com música
ambiente, com filtros bonitos e hashtags. Podemos culpar as redes. Mas, neste
caso, o TikTok é apenas o esgoto por onde a água passa.
Manuel
Molinos – Jornal de Notícias -13 de março,2026
CASTELO DE VIDE: Exposição 𝐀𝐪𝐮𝐞𝐝𝐮𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥
O
Museu Garcia de Orta recebe a exposição Aquedutos de Portugal – Água e
Património da autoria de Pedro Inácio, Vice-Presidente da Direção da Associação
Portuguesa de Museologia.
O
autor esteve presente na inauguração realizada
no dia 𝟮𝟮 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰̧𝗼
– 𝗗𝗶𝗮 𝗠𝘂𝗻𝗱𝗶𝗮𝗹 𝗱𝗮 𝗔́𝗴𝘂𝗮 – 𝗽𝗲𝗹𝗮𝘀 𝟭𝟱𝗵𝟬𝟬.
Esta
é uma exposição temporária que retrata a importância, preservação, valorização
e divulgação dos aquedutos históricos e resulta de um levantamento fotográfico
e de trabalho de inventário.
A
exposição “Aquedutos de Portugal – Água e Património” fica patente no Museu
Garcia de Orta entre 22 de março e 30 de abril.
𝗔 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗱𝗮 𝗲́
𝗹𝗶𝘃𝗿𝗲.
7.4.26
Vale de Cavalos recebe colheita de sangue
Fomos recebidos na sede do Grupo Desportivo Cultural e Social de Vale
de Cavalos para onde se encaminharam os voluntários. Contámos uma dúzia de
inscrições, sendo três de mulheres.
De Vale de Cavalos saíram 11 unidades de sangue total, já que um dos
presentes não pôde doar tecido sanguíneo.
Não faltou o habitual, e sempre bem servido, almoço convívio que teve
como palco o local da colheita e que contou com o apoio da Junta de Freguesia
de Alegrete e do Grupo Desportivo Cultural e Social de Vale de Cavalos.
Sousel
A ADBSP tinha prevista para abril uma ida até Arronches mas, por
motivos inultrapassáveis, o evento teve de ser adiado (em seu tempo
informaremos a nova data).
Sousel irá receber mais uma brigada a 18 de abril. Um sábado de manhã e
no centro de saúde local.
Já sabia que a idade limite para se fazer uma doação agora passou a ser
aos 70 anos?
Visite:
https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/
JR
MAÇÃO: Inauguração da Exposição de Rosário Bello “Um outro olhar”
ROSÁRIO BELLO nasceu em Nisa, a 4 de abril de 1972, mas é em Castelo
Branco que o seu percurso se tem consolidado ao longo dos últimos 28 anos.
Artista plástica de profissão com uma carreira de 31 anos, a sua arte é o
reflexo de um estilo muito próprio e identitário, onde o traço e a cor se
fundem para criar narrativas visuais únicas. Este percurso levou-a a realizar
mais de duas dezenas de exposições, tanto em Portugal como no estrangeiro.
Destacam-se as cinco presenças no prestigiado Salão Internacional de Arte
Contemporânea no Carroussel du Louvre em Paris, além de exposições em Espanha,
Itália, Luxemburgo, Dubai, Qatar e Mónaco. O reconhecimento do seu trabalho
traduziu-se em vários prémios de mérito internacional, em Itália (Sicília),
Mônaco, Luxemburgo e no Qatar. A sua expressão criativa não se esgota na
tela. Ilustradora e escritora, contando
já com três livros editados, um dos mais quais " A COR DAS PALAVRAS",
onde assina tanto os poemas como as ilustrações. Participou ainda em Antologias
coletivas, como a V Antologia de Poesia pelo CNAP (Lisboa) Círculo Nacional de
Arte e Poesia e outra pela Kreamus (Fundão). No campo da ilustração guarda o
convite do saudoso poeta albicastrense, António Salvado para ilustrar uma das
suas obras com quase setenta aguarelas de autoria. No registo do cartoon, deu
vida ao tema "Tó Avarias" para o Jornal Reconquista. A partilha de
conhecimento é outra das suas paixões. É professora de artes na Usalbi -
Universidade Sénior Albicastrense onde acompanha atualmente seis turmas. A sua
formação é vasta e certificada, sendo detentora do curso de formador pelo IEFP
e certificada como Artesã pela UPA (Unidade Produtiva Artesanal) com actividade
reconhecida pelo IEFP e CEART em Pintura Cerâmica. Esta base técnica que inclui
a Modelagem (formação CIVEC/IEFP em 1990), é hoje complementada com a sua arte
aplicada à pintura à mão em têxtil. O seu nome faz agora parte em livro, dos
artistas contemporâneos certificados La Cote de Peintre 2023-2024 por Jacky
Armand Akoun.
Hoje a sua obra encontra-se representada em inúmeras coleções particulares
e instituições, tanto a nível Nacional e Internacional. Mais do que uma
profissão, a arte é a sua forma de estar no mundo, um diálogo constante entre a
tradição artesanal e a contemporaneidade da pintura.
A Exposição “UM OUTRO OLHAR ", de Rosário Bello, fica patente até
dia 30 de abril de 2026 com o seguinte horário:
- Dias úteis das 9h às 17h30 e ao sábado, das 14h às 17h30.
ARRONCHES: II Festival de Migas
Organização: Associação Freestyle Iceshow Arronches.
OPINIÃO: Obrigado, Donald!
Para tirar proveito do desastre do trumpismo.
Agora, basta que usem o desastre do trumpismo para ilustrar seu ponto e combater as ilusões que os esforços da extrema-direita para ocultar sua agenda e parecer respeitável possam ter fomentado em alguns. Donald Trump poderia, assim, nos ajudar a finalmente evitar a esperada vitória dessa extrema-direita na França no ano que vem, assim como já contribuiu significativamente para sua derrota nos últimos meses na Holanda, Eslovênia e Itália. E em breve, esperamos, na Hungria.
Graças a ele, até os mais ferrenhos atlantistas — e Deus sabe que eram — finalmente compreenderam que não se pode mais confiar plenamente nos Estados Unidos e que a Europa precisa se tornar capaz de defender seu modelo social, ambiental e democrático por conta própria contra os regimes autoritários que querem destruí-lo. Certamente ainda há um longo caminho a percorrer nesse sentido, mas o movimento finalmente começou.
O risco de dependência nos Estados Unidos
Da mesma forma, graças a Trump, todos agora puderam compreender
plenamente os enormes riscos para nossas economias, nossas finanças públicas,
nossas liberdades, nossas democracias e o futuro de nossos filhos… riscos que
resultam de nossa dependência excessiva das gigantes americanas de plataformas
e mídias sociais. Aqui também, a alternativa ainda precisa ser construída, mas
pelo menos o primeiro passo essencial — a conscientização — já foi dado.
Graças a ele, os europeus finalmente entenderam que o livre comércio de
bens e serviços e a livre circulação de capitais não eram uma panaceia
universal, e que os produtores europeus precisavam de maior proteção contra o
dumping social, ambiental e fiscal, bem como que nós também precisávamos,
finalmente, desenvolver uma política industrial genuína. Mais uma vez, persiste
um grande abismo entre as intenções e as ações na escala necessária, mas a
atmosfera opressiva foi dissipada.
Trump vai salvar o Pacto Ecológico Europeu.
Apesar de todas as mortes e destruição que causa, a guerra que Donald
Trump lançou ilegalmente contra o Irã com seu cúmplice de extrema-direita,
Benjamin Netanyahu, talvez possa também nos ajudar a salvar o Pacto Ecológico
Europeu, que a direita e a extrema-direita europeias pretendem desmantelar juntas
nos próximos meses.
Este conflito demonstra vividamente o quão absurdo e perigoso seria
para os europeus adiar ainda mais a sua transição para longe dos combustíveis
fósseis. O fato de Donald Trump, negacionista das alterações climáticas e
fantoche do lobby do petróleo, estar por trás desta improvável reviravolta é um
daqueles truques famosos que a história parece dominar…
O problema: as políticas de imigração de Trump
Infelizmente, há uma área essencial em que a vacina de Trump ainda não
produziu seu efeito protetor na Europa, apesar de seus inúmeros abusos nesse
campo específico: a das políticas de imigração.
Apesar de todos os crimes cometidos pelo ICE e das ameaças que essa
milícia representa para as liberdades de todos do outro lado do Atlântico,
embora a interrupção abrupta da imigração enfraqueça significativamente a
economia americana e prejudique severamente sua capacidade de inovação
tecnológica, embora a caça a estrangeiros corra o risco de afundar as
universidades que garantiram uma parte essencial da influência cultural dos
Estados Unidos, embora essa política racista e supremacista esteja isolando
cada vez mais os Estados Unidos e fortalecendo a China e a Rússia no mundo, a
direita europeia continua a perseguir a extrema-direita para importar políticas
migratórias trumpistas para a Europa.
Isso se demonstra diariamente pelas ações do "bloco central"
na França, que corta os auxílios-moradia (APL) para estudantes estrangeiros e
questiona o Sistema Nacional de Saúde (ANS). Também se demonstrou mais uma vez
a nível da UE com a votação do Regulamento de Retorno no Parlamento Europeu em
26 de março, onde o tradicional Partido Popular Europeu (PPE), de direita,
aliou-se a três grupos de extrema-direita para promover uma Iniciativa de
Cidadania Europeia (ICE).
Para salvar nossos valores humanistas, defender nosso modelo social,
ecológico e democrático aberto ao mundo, e afrouxar o controle exercido sobre
nós pela aliança entre Donald Trump e Vladimir Putin, que nos aproxima dos
países do Sul Global, já passou da hora de a Europa finalmente decidir romper
com o trumpismo, inclusive no campo das políticas migratórias.
·
Guilherme Duval – in savonsleurope.eu – 7.04.2026
6.4.26
OPINIÃO: SEJAMOS PESSOAS QUE GOSTAM DE PESSOAS
Tal foi possível através do Programa Estratégico Nacional para o
Fracionamento do Plasma Humano 2015 - 2019[1], pela mão do professor Adalberto
Campos Fernandes, ministro da saúde na altura. Depois de ameaças de morte e
situações complicadas que envolveram alterações profundas, até no movimento
associativo/federativo – o esforço e o sacrifício foram recompensados, com esta
mudança.
Para a transfusão de plasma, o nosso país já era autossuficiente, mas
milhares de doentes em Portugal dependem dos medicamentos derivados do plasma,
em especial a Albumina Humana, a Imunoglobulina e o Fator VIII, medicamentos
críticos e essenciais. Nesta nova fase, os concursos para fracionamento foram
de trinta mil litros, quinze mil e o mais recente de sessenta mil litros, mas
Portugal precisa de cerca de cento e oitenta mil litros / ano. Isto significa
que temos tido apenas 11% dos medicamentos plasmáticos necessários.
Por isso, Portugal e a Europa, dependem quase na totalidade do que importa dos Estados Unidos, que detêm a maior fatia do comércio mundial em mais de sessenta por cento. O custo destes medicamentos já representava, em 2022, cerca de cem milhões de euros por ano e a tendência é de crescimento.
Estamos a falar de tratamentos para doentes com imunodeficiências
primárias e outras patologias graves e esses medicamentos não se fabricam em
laboratórios; apenas são possíveis através da dádiva de braço estendido e o
mesmo se passa com as plaquetas. Qualquer um de nós pode vir a precisar.
Estima-se que uma em cada cinco pessoas, podem vir a contrair cancro e uma em
cada dez, pode morrer de cancro e o cenário não está fácil.
E quando falamos de importar, temos de perceber o impacto. Não
investimos em unidades separadoras celulares, para termos colheitas de aférese
no plasma e nas plaquetas, tão necessárias em oncologia, dos cem milhões de
euros gastos, podíamos poupar de imediato cerca de quarenta milhões de euros. Contudo
o Hospital de São João no Porto, a maior referência no serviço de
imunohemoterapia em Portugal[2], estimou
uma poupança anual de cerca de 200.000 euros se deixarmos de desperdiçar o
plasma dos nossos dadores.
Mas a poupança não é tudo e a ciência comprova que devido ao meio-ambiente, alimentação, etc., o plasma de cada região do mundo varia e só temos a ganhar em qualidade se aproveitarmos o plasma recolhido em Portugal. E o que dizer da origem de grande parte do plasma que chega até à Europa proveniente do sul dos Estados Unidos em que pagam a pessoas que vivem miseravelmente e em condições de saúde duvidosas para vender plasma… e é esse plasma que exportam.
Os EUA, que para muitos é considerado um estado amigo e parceiro estratégico, foi até hoje o único país que utilizou a bomba atómica para dizimar japoneses inocentes com sequelas até hoje. Na apelidada maior potência do mundo, milhões de pessoas recorrem à dádiva de plasma remunerada para sobreviverem, para não falar da venda abominável de partes dos seus corpos, até ao negócio de “peças de cadáveres”.
Quanto ao plasma, que é pago nos E.U.A. conforme a condição física do
dador, é exportado o que é de menor segurança e “qualidade”, estamos perante um
mercado deplorável e perigoso.
E no momento que atravessamos, Portugal e a Europa, dependentes dos E.U.A. podem sofrer um revés, se por razões geopolíticas, for cortado o fornecimento ou aplicado entraves ao plasma. Mais uma razão para se trabalhar na autossuficiência europeia, respeitando o princípio plasmado no recém-aprovado regulamento europeu (SoHO), da não compensação financeira que vai ao encontro do que defendemos como dádiva benévola e não remunerada.
No entanto, regista-se uma redução do número de dadores. São quase menos dez mil desde 2017 para cá. Daí a necessidade da aposta de sensibilização nas escolas, junto dos deputados, governantes e Presidência da República. Esta, tem sido a preocupação por parte da Federação das Associações de Dadores de Sangue – FAS-Portugal. É importante reforçar o investimento no serviço de sangue e garantir mais apoio ao movimento associativo que tem ajudado a garantir as reservas nacionais, para que não faltem componentes sanguíneos a quem deles necessite. Como dizia o grande Joaquim Moreira Alves – “SEJAMOS PESSOAS QUE GOSTAM DE PESSOAS”!
·
Paulo Cardoso in 03-04-2026 - Programa Desabafos
Rádio Portalegre
FESTAS E TRADIÇÕES: Procissão das “Tochas Floridas»
A Festa das Tochas, ou Procissão da Ressurreição, tornou-se, ao longo
do tempo, numa das mais expressivas e imponentes procissões de toda a província
algarvia, para isso contribuindo as suas características religiosas, populares
e festivas.
Conhecida, antigamente, por Procissão das Três Marias (em alusão às
três mulheres que se deslocaram ao túmulo de Jesus, na manhã da Sua
Ressurreição), era, igualmente, designada por Procissão das Flores (pela
ornamentação floral das «tochas», das cruzes, dos pendões, das lanternas, e
também das ruas, dos caminhos e outros locais).
No início do século XX, a Procissão das Tochas perdeu algum do seu
brilho, devido à extinção das confrarias. Por outro lado, foram-lhe
introduzidas algumas alterações.
As «tochas floridas» (velas grossas) acabaram substituídas por paus
ornamentados com flores, vendo-se, nos finais do século XIX, já algumas feitas
de cana (ao que parece, devido à escassez de cera).
De acordo com o preceito, as «tochas» são transportadas apenas por
homens (vestidos a rigor: fato, camisa e gravata ou calça e casaco).
São eles que abrem a procissão, após a missa na igreja matriz (cerca
das onze horas), formando alas e precedendo o andor do Senhor Ressuscitado.
Ao longo do percurso formam-se pequenos grupos, que, alternadamente,
elevam o grito de «aleluias», seguido, aqui e além, por outras vozes
masculinas, sonoras e fortes, que exclamam: «Ressuscitou como disse!». Nessa
altura os grupos erguem bem alto as «tochas floridas» e respondem com
entusiasmo: «Aleluia, aleluia, aleluia!». É a voz do povo a manifestar na sua
fé a grande alegria em Cristo Ressuscitado.
Tem havido, entretanto, a preocupação de fazer ressurgir a tradição do
antigo percurso do cortejo processional que voltou a realizar-se nos últimos
anos como antigamente. O mesmo acontece com a igreja e as ruas que se
apresentam de novo engalanadas, assim como vários locais do concelho, quer com
«tochas», quer com arcos floridos e arranjos florais, a lembrar as celebrações
do passado.
Com efeito, em tempos idos, o aparato era maior. As ruas eram varridas
e atapetadas com alecrim, «rosmonos» (rosmaninho), alfazema e flores silvestres
(costume recentemente retomado). As pequenas casas térreas algarvias, mais
humildes, apareciam enfeitadas com grinaldas de flores, enquanto as famílias de
mais posses mandavam erguer junto das suas casas grandes arcos de verdura com
flores e fitas coloridas.
O próprio interior da igreja apresentava-se ornamentado de modo
esmerado e solene. Desciam damascos e veludos vermelhos pelas colunas, em cujas
bases se depunham palmas e ramos de oliveira.
De Faro e de Tavira vinham propositadamente os «armadores» para «armar»
os altares e os retábulos com panos brancos, vermelhos e azuis. A imagem do
Senhor Ressuscitado era exposta no altar-mor, debaixo de um dossel, e
resplandecia sob as luzes. Após as «laudes» (oração da manhã), saía a procissão
enquanto os sinos repicavam festivamente, sem parar. Todo o clero participava
na celebração e os cantores do coro, incorporados no cortejo entoavam a
«Antífona» de Ressurreição; «O Senhor Ressuscitou no Sepulcro, aleluia,
aleluia, aleluia!». E o povo, em uníssono, respondia: «Que por nós esteve
suspenso na Cruz, aleluia, aleluia, aleluia!». E tornavam os cantores: «O
Senhor ressuscitou como disse, aleluia, aleluia, aleluia!». E o povo voltava a
responder: «E apareceu a Simão, aleluia, aleluia, aleluia!»
Por essa época eram as confrarias que abriam a procissão, envergando as
suas opas e «tochas floridas» (algumas com o peso aproximado de seis quilos).
Seguiam-se os turiferários, a oscilar nas mãos os turíbulos, onde ardia o
incenso que perfumava as ruas, e os acólitos, com salvas de prata cheias de
pétalas de flores que espalhavam ao longo do percurso..
Actualmente, tudo se simplificou. Só a fé e a tradição popular se
mantêm com a mesma verdade, feita de alegria e de fraternal convívio.
Quando o cortejo regressa à igreja, onde se procede à celebração da
missa, parte dos homens (respeitada a praxe de outrora) retira as flores das
«tochas» para espalhá-las no chão num preito de homenagem ao Senhor
Ressuscitado, permitindo, assim, que o Seu andor passe sobre elas.
Refira-se que até 1910 todas as paróquias do Algarve organizavam a
«Festa das Flores», tradição que se conservou, unicamente, em São Brás de
Alportel. Contudo, ainda hoje em Olhão (e um pouco em Portimão) as crianças
desfilam na Procissão da Ressurreição, levando nas mãos um círio enfeitado no
topo com um laço de seda e um arranjo floral na base.
A São Brás de Alportel chegam nesta data milhares de pessoas, vindas um
pouco de todo o lado, incluindo aqueles que se encontram fora da terra e que
não faltam ao encontro com os seus familiares, amigos e conterrâneos, para
matar saudades, levar na procissão a sua «tocha florida», ou, simplesmente,
para assistir, conviver e comprar as tradicionais «amêndoas de pinhão», um dos
manjares tradicionais da doçaria pascal de São Brás, confeccionadas, ainda hoje
de modo artesanal.
A festa prolonga-se depois pela tarde e noite no adro da igreja com
prémios atribuídos aos «Jogos Florais de Aleluia» e à «tocha florida» que, pela
sua ornamentação, se revelar mais artística e dentro das praxes estabelecidas,
a manter viva a ancestral tradição da Festa das Tochas em São Brás de Alportel.
Há que referir uma outra praxe bem mais recente. Trata-se do uso da
«garrafinha da aguardente de medronho» (uma especialidade algarvia), levada na
algibeira do fato, que os homens, ao longo do percurso, parecem fazer alarde em
utilizar, discretamente ou não, bebendo-a, trago a trago, por entre as flores
da «tocha».
Quanto à origem da festa estará ligada à invasão de Faro por piratas
ingleses em 1596. Após saquearem algumas localidades, acabaram os piratas por
ser repelidos em São Brás de Alportel, graças aos elementos da «Confraria do
Nome de Jesus», munidos de varapaus (simbolicamente revistos depois nas mãos
dos homens, transformados em «tochas floridas».
O prato cerimonial destes dias é o borrego assado com batatas,
acompanhado com ervilhas. O tradicional folar fica para sobremesa
Em São Brás de Alportel, diz a tradição popular que «na Páscoa não deve
comer-se animal de penas, porque o galo, por três vezes, denunciou a negação de
Pedro».
Soledade Martinho Costa
Do livro festas e Tradições Portuguesas, Vol. III - Ed. Círculo de
Leitores
Foto : pormenor da Procissão das Tochas Floridas
PORTALEGRE: Espectáculo Multidisciplinar no CAEP
Nas Mãos de Uma Força Qualquer
Multidisciplinar | GA | 5€ | M/6 anos
Duração do espetáculo: 45 minutos
"Aconteceu uma coisa. E não foi por acaso. Mas parecia sem querer.
Fez-me correr, sonhar, fugir e conquistar. Fez-me perder, parar, olhar
e desentender.
Fez um corte aqui, outro corte ali e só vi uma parte dessa coisa. E só
vivi um pedaço dessa coisa.
Tropeço no acaso do que enfim... tem um propósito. E foi o quê? Foi o mundo
que deu a volta, foi o mundo de pernas para o ar e que voltou à posição
inicial, à posição fundamental.
Aquela onde, não por acaso, os pedaços se juntam para que aconteça
alguma coisa de novo.
Aconteceu outra coisa. Parecia por acaso mas era... mas foi... e agora
é... é sem querer que escrevo? Guiada pelas mãos do acaso? Sou eu?...
Por acaso sou. Mas podias ser tu, e essa coisa que te aconteceu.
Mais um corte aqui, outro corte ali... as partes dessa coisa e os
pedaços soltos do que É. Ou foi. Ou será que um dia?...
Por acaso É! Nas mãos de uma força qualquer, como aquela que não se vê
nas asas de uma borboleta.
Por acaso não. Não se vê. Mas não é por acaso que existem as asas das
borboletas."
Bruna Carvalho
Criação e Interpretação: Bruna Carvalho
Interpretação e Composição Musical: Bruna Carvalho
Cenário: Bruna Carvalho, Zeca Iglésias
Desenho de Luz: Zeca Iglésias, Bruna Carvalho
Figurino/Casaco Bordado à Mão (linha metalizada e vidrilhos): Vanessa
Carvalho
Imagens e Vídeos: Tomás Pereira
Coprodução: Centro de Artes do Espetáculo de Portalegre, Alma D’Arame,
A Moagem - Município do Fundão
Apoios: Centro de Experimentação Artística e Fórum Cultural José Manuel
Figueiredo - Município da Moita; MãoSimMão Associação Cultural; BLX -
Biblioteca de Marvila
5.4.26
OPINIÃO: Violência no namoro: a banalização do inaceitável
Os dados mais recentes mostram um cenário inquietante. Muitas jovens
continuam a interiorizar a culpa por atos que constituem claras violações da
sua intimidade e dignidade. A partilha não consentida de imagens íntimas é
disso exemplo: em vez de ser reconhecida como abuso, é frequentemente interpretada
como consequência de uma decisão individual. Esta inversão de responsabilidade
evidencia que o problema não está apenas nos comportamentos, mas na forma como
são compreendidos e legitimados.
A normalização da violência constrói-se de forma silenciosa, em vários
contextos: em dinâmicas familiares fragilizadas, em padrões culturais ainda
marcados por desigualdades, em conteúdos mediáticos que romantizam o controlo
e, de forma particularmente relevante, na ausência de uma educação afetiva e
sexual consistente. Quando o controlo, o ciúme ou a manipulação são confundidos
com amor e/ou cuidado, estamos perante uma distorção perigosa do significado de
uma relação saudável.
O problema não é apenas a existência da violência, mas a sua aceitação.
Quando deixa de ser reconhecida como tal, deixa também de ser combatida.
É neste contexto que surge o projeto-piloto europeu dedicado à promoção
do consentimento - "Vamos falar sobre consentimento - Rede Europeia do
Consentimento" - uma iniciativa relevante e necessária, que representa um
passo importante no reconhecimento deste problema. O facto de arrancar em
países como Portugal, Irlanda e Suécia demonstra a intenção de testar soluções
em diferentes realidades e de caminhar para uma abordagem europeia mais
consistente.
Assente em três pilares - a utilização da arte como forma de
sensibilização, o diálogo e ação local em escolas e comunidades, e a
intervenção estratégica nas redes sociais -, o projeto revela uma preocupação
fundamental: comunicar eficazmente com os jovens, utilizando os códigos e os
espaços onde estes constroem hoje as suas referências.
Importa reconhecer o mérito desta abordagem. Num contexto em que as
redes sociais desempenham um papel central na formação de atitudes e
comportamentos, procurar intervir nesses mesmos espaços é não apenas
pertinente, mas indispensável. Este tipo de iniciativas constitui um contributo
valioso para contrariar tendências preocupantes e promover uma cultura de
respeito.
Contudo, a sua eficácia dependerá sempre de uma transformação mais
ampla. Falar de consentimento implica educar para a liberdade, para os limites
e para a responsabilidade. Implica afirmar, de forma clara, que o
"não" não é negociável, que o silêncio não é consentimento e que o
amor não se confunde com controlo ou posse.
Nenhuma política pública será suficiente sem um compromisso coletivo. A
escola tem um papel essencial, mas não exclusivo. As famílias, os meios de
comunicação social, as plataformas digitais e a sociedade em geral são
igualmente responsáveis pela construção de referências saudáveis.
Também do ponto de vista jurídico, importa não desvalorizar esta
realidade. A violência no namoro não é um fenómeno menor. Trata-se de uma forma
de violência que pode e deve ser enquadrada no âmbito da violência doméstica,
sob pena de se perpetuarem, quer a não denúncia destes fenómenos, quer a sua
impunidade.
Mas talvez o aspeto mais inquietante seja este: quando a violência
deixa de ser reconhecida, deixa de ser contestada. E uma sociedade que não
identifica a violência está mais próxima de a aceitar. Perante isto, a questão
é inevitável: que referências estamos a transmitir? Normalizar é, em última
análise, tolerar. E tolerar a violência - ainda que nas suas formas mais subtis
- é comprometer o futuro coletivo.
Educar para o consentimento é essencial. Mas é igualmente necessário
educar para a igualdade, para o respeito e para a dignidade. E isso exige mais
do que medidas pontuais - exige um compromisso sério e continuado.
·
Mariana Roque Caetano – Jornal de Notícias - 2 de
abril, 2026
NISA: Conheça os poetas do concelho (LXX) - Padre Alfredo Magalhães
na música e nas festas de salão,
nos votos formalistas dum cartão,
na iluminação feéricas das ruas e das praças,
nas prendas valiosas que te dão
e avaramente sobraças.
Aí não me procures!
Estou algures,
mas não aí.
Não me procures:
no calor das brasas incendidas,
no calor das famílias reunidas
se apenas as juntam sangue e tradição,
nas mesas bem sortidas
de iguarias, de doces e de vinho,
nem mesmo num presépio lindo, maneirinho,
se não palpita nele um coração.
Procura-me onde na verdade estou:
naquela inóspita, lúgubre choupana
igual aquela cabana
onde nasci.
Estou aí.
Naquela chaga nojenta,
naquela pobreza muda,
naquela tortura lenta,
naquela cruz ignorada,
naquela alma desnuda,
naquela dor que não chora,
naquela vida parada
que uma doença devora.
Aí me encontrarás a toda a hora.
* Pe. Alfredo Magalhães
HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA
Ensaio sobre a cegueira | cartoon editorial da revista de Domingo do
@correiodamanhaoficia – Vasco Gargalo
4.4.26
Exposição revela o legado do Arquivo Leisner e a riqueza arqueológica de Reguengos de Monsaraz
Com esta exposição, a autarquia assinala o Dia Internacional dos
Monumentos e Sítios, celebrando a proteção e a divulgação patrimonial, assim
como na manhã do dia 18 de abril, com a projeção do documentário “Paisagem
Ancestral: Recintos Cerimoniais de Terras do Guadiana”, da ERA Arqueologia, que
parte do Complexo Arqueológico dos Perdigões para uma viagem por outros
recintos de fossos cerimoniais e de agregação comunitária constituídos durante
o Neolítico e a Idade do Cobre. Após a visualização do documentário, haverá uma
visita à exposição, para explorar e desvendar curiosidades sobre o património
arqueológico do concelho.
Mais do que um conjunto de documentos e fotografias, o Arquivo Leisner
constitui um testemunho único de um olhar pioneiro sobre a paisagem
arqueológica da região. Através do seu trabalho sistemático, foram fixados no
tempo monumentos, contextos e interpretações que continuam a ser essenciais
para o conhecimento atual da História de Reguengos de Monsaraz.
O percurso expositivo constrói-se a partir de registos fotográficos,
explorando não só o processo de registo e interpretação desenvolvido pelos
Leisner, mas também a relação estabelecida com os entusiastas locais,
evidenciando como estas dinâmicas contribuíram para moldar o presente e o
futuro da Arqueologia reguenguense. Na mostra podem também ser vistas placas de
xisto gravadas, típicas dos contextos funerários megalíticos de Reguengos de
Monsaraz, que pertenceram à coleção de Pires Gonçalves, aproximando-nos do
universo simbólico e religioso das comunidades pré-históricas que povoaram a
região durante milénios.
A exposição abre ainda caminho à descoberta da riqueza arqueológica do
território, materializada em produções bibliográficas, onde a presença humana se
manifesta de forma contínua ao longo de milénios, afirmando Reguengos de
Monsaraz como um verdadeiro “Paraíso Megalítico”. Ao cruzar o passado da
investigação com o conhecimento atual, esta mostra propõe uma reflexão sobre o
papel da Arqueologia na valorização do património e na construção da identidade
coletiva, destacando o Arquivo Leisner como ponto de partida para compreender o
que já foi estudado, mas também o que permanece ainda por revelar.
GALVEIAS: Galcanta – Entre cantos e gargalhadas!
Prepare-se para uma tarde diferente, cheia de boa disposição, música e
muitas gargalhadas!
Sessão de Riso em Galveias com a líder de Yoga do Riso, Marília
Estrada.
Uma experiência única que combina o canto com o riso, promovendo o
bem-estar, a alegria e o convívio.
Inscrições até 10 de abril.
Torneio AADP Kids Athletics leva desporto, alegria e formação a Alter do Chão
A iniciativa destina-se a crianças entre os 5 e os 12 anos, filiadas ou
não filiadas, podendo participar em representação de clubes, escolas ou de
forma individual. O evento integra o Circuito Estrelas do Amanhã, sendo mais
uma etapa importante na dinamização e promoção do atletismo jovem no distrito.
Com um formato inovador e inclusivo, o Kids Athletics aposta numa
abordagem lúdica à modalidade, promovendo o contacto com as diferentes
disciplinas do atletismo corridas, saltos e lançamentos através de jogos e
desafios adaptados às idades dos participantes. As equipas serão constituídas
de forma mista, incentivando o convívio, o espírito de grupo e a entreajuda.
Para além da componente desportiva, o evento promete um ambiente
festivo, com música e animação ao longo de toda a manhã, criando uma
experiência envolvente e marcante para todos os participantes. No final, todos
os jovens receberão um brinde de participação, reforçando o caráter inclusivo e
motivador da iniciativa.
Outro dos pontos de destaque é a valorização dos atletas federados,
cuja participação permitirá somar pontos para o Circuito Estrelas do Amanhã,
contribuindo para o seu percurso desportivo ao longo da época.
A participação no evento é gratuita, sendo, no entanto, obrigatória
inscrição prévia, que deve ser realizada até ao dia 16 de abril de 2026,
através da plataforma oficial.
Com esta iniciativa, a AADP reforça o seu compromisso com o
desenvolvimento do atletismo de base, promovendo hábitos de vida saudáveis, a
prática desportiva regular e a formação de novos talentos, num ambiente de
alegria, inclusão e partilha.

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