14.3.26

ABRANTES: Passagem de nível eliminada após investimento de 2,2 milhões


O Presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, diz que "é uma obra há muitos anos prevista e vai reforçar significativamente a segurança na travessia da ferrovia".

O trânsito vai estar condicionado a partir de segunda-feira e durante sete meses na Estrada Nacional 118 (EN118) em Abrantes, devido às obras na nova passagem inferior rodoviária na Linha da Beira Baixa, informou a Infraestruturas de Portugal (IP).

“É uma obra há muitos anos prevista e vai reforçar significativamente a segurança na travessia da ferrovia”, disse esta sexta-feira à Lusa o Presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, destacando a importância da intervenção para proteger automobilistas e peões.

Reconhecendo que “as obras criam sempre alguns condicionalismos, algumas restrições”, o autarca disse acreditar que “depois das obras a situação ficará melhor e sobretudo as questões de segurança de quem ali transita vão ser melhoradas”.

Ainda segundo o Presidente da Câmara de Abrantes, no distrito de Santarém, trata-se de um “investimento relevante” que “está de acordo com normas europeias relacionadas com as passagens de nível” na via férrea.

Em comunicado, a IP informou que o condicionamento de trânsito na EN118 abrange o troço entre os quilómetros 135,250 e 135,850, com limitação da velocidade máxima a 30 quilómetros/ h.

Na nota, a IP indicou ainda que os condicionamentos irão começar na segunda-feira, com uma duração prevista de sete meses.

A empreitada foi consignada em janeiro de 2026 e representa um investimento de 2,2 milhões de euros.

A nova passagem inferior ficará localizada ao quilómetro 2,528 da Linha da Beira Baixa, na União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, e permitirá suprimir a passagem de nível existente ao quilómetro 2,488.

A intervenção insere-se no Plano para a Redução da Sinistralidade em Passagens de Nível 2024-2030, no qual a IP prevê investir mais de 300 milhões de euros até 2030, com o objetivo de suprimir 135 passagens de nível e reclassificar outras 237.

A estratégia visa reforçar a segurança dos atravessamentos rodoviários e pedonais, reduzir acidentes e garantir condições adequadas de acessibilidade, incluindo para pessoas com mobilidade condicionada.

UGT Portalegre promove formação de técnicos especialistas em Turismo Cultural e do Património

 


13.3.26

Sines vai ter Ensino Superior público

 


A decisão de criar a Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais em Sines foi recebida com entusiasmo pelo presidente do Município, que cedeu terrenos e vai cofinanciar o projecto.

A partir do próximo ano lectivo, o concelho de Sines passará a contar com uma oferta continuada de Ensino Superior público. O Governo aprovou a criação de uma nova escola do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) na cidade, que terá como foco a formação de quadros qualificados para sectores estratégicos como a energia, a logística e a indústria.

O presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, congratulou-se com a decisão, sublinhando a importância da medida para o desenvolvimento local. «A notícia de que a escola superior em Sines vai finalmente avançar é muito positiva. A dinâmica económica do concelho precisa de recursos humanos qualificados. A escola superior vai criar mais oportunidades de formação para os jovens de Sines», afirmou o eleito em nota publicada pela autarquia.

Álvaro Beijinha considera que se trata de «uma decisão histórica para Sines e para o Alentejo Litoral», que «deve ser acompanhada por investimentos em habitação e no reforço dos serviços públicos», garantindo assim condições para acolher os futuros estudantes e docentes.

A nova Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais surge da necessidade de dar resposta à procura de profissionais altamente qualificados para as grandes infra-estruturas logísticas, energéticas, digitais e industriais já instaladas na zona. E a autarquia assume uma «posição de parceria estratégica». Depois de já ter cedido o terreno para a construção de uma residência de estudantes — actualmente em curso —, o Município assegurou também o terreno para as futuras instalações da escola e comprometeu-se a cofinanciar o projecto.

«Pela primeira vez, será disponibilizada no Alentejo Litoral uma oferta formativa pública e continuada, que incluirá microcredenciais, Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), licenciaturas, pós-graduações, mestrados e a possibilidade de programas de doutoramento», lê-se na nota.

A nova escola deverá ter capacidade para acolher 600 alunos em regime presencial e outros 600 em regime de ensino à distância, afirmando-se como um polo de conhecimento e inovação numa das regiões de maior dinâmica industrial do País.

AbrilAbril - 13 de Março de 2026


11.3.26

OS TUBARÕES | Banda histórica de Cabo Verde actua no LAV dia 29 de Março


Lisboa recebe, no próximo 29 de março, um dos acontecimentos musicais mais relevantes do ano: o regresso de Os Tubarões, banda histórica de Cabo Verde, para um concerto exclusivo no LAV – Lisboa Ao Vivo, a única data anunciada em Lisboa.

Formados em 1969, na cidade da Praia, Os Tubarões são muito mais do que uma banda, são um símbolo identitário, um movimento cultural e uma das formações mais influentes da história da música moderna de Cabo Verde. Ao longo de mais de cinco décadas, construíram um repertório que atravessa gerações e geografias, afirmando a morna, o funaná, a coladeira e a tabanka como linguagens universais.

Temas como “Tunuca”, “Labanta Braço”, “Djonsinho Cabral” e “Tabanka” tornaram-se hinos da cabo-verdianidade, ecoando tanto nas ilhas como na diáspora. Canções que falam de identidade, resistência, pertença e esperança, e que continuam hoje a emocionar públicos de diferentes idades.

No período pós-Revolução dos Cravos, a banda teve um papel determinante na afirmação cultural de Cabo Verde, acompanhando o processo de independência e projetando internacionalmente uma nova consciência artística africana. O reconhecimento consolidou-se com o álbum Tabanka e com atuações memoráveis em vários continentes, incluindo o histórico concerto no Festival do Avante! perante cerca de 300 mil pessoas, um dos maiores momentos da presença cabo-verdiana em palcos europeus.

Após uma longa pausa, o regresso aos palcos em 2015 confirmou aquilo que o público sempre soube: Os Tubarões não pertencem apenas ao passado, são património vivo.

Num tempo em que as raízes culturais ganham nova centralidade, este concerto representa um reencontro entre Lisboa e uma das suas mais profundas ligações atlânticas. Será uma noite de celebração coletiva, memória e afirmação cultural. Um momento que ultrapassa o formato de concerto para se afirmar como acontecimento histórico.

Para a comunidade cabo-verdiana, para a diáspora, para os amantes da música africana e para o público que reconhece a importância da herança cultural lusófona, este é um espetáculo absolutamente imperdível.

Os bilhetes estão disponíveis em bol.pt e nos locais habituais e já estão a esgotar!

ATLETISMO: Espanha e Portugal unem-se através de protocolo AADP transfronteiriça entre a federação Extremenha e a AADP


A Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP) e a Federação Extremenha de Atletismo deram um passo significativo no reforço da cooperação desportiva entre Portugal e Espanha, através de um acordo de colaboração centrado no desenvolvimento do atletismo nas regiões do Alto Alentejo e da Extremadura.

A primeira iniciativa no âmbito desta parceria teve lugar no passado dia 7 de março, durante o XIII Corta-Mato Cidade de Elvas, que contou com a presença de cerca de 70 atletas, técnicos, juízes e dirigentes em representação da Seleção da Extremadura. A participação da comitiva espanhola transformou a competição numa verdadeira jornada de desporto, convívio e partilha entre agentes do atletismo dos dois lados da fronteira.

A iniciativa proporcionou uma tarde de competição participada, mas também um importante momento de aproximação entre comunidades desportivas vizinhas, permitindo que atletas de diferentes escalões, desde os mais jovens até aos veteranos, partilhassem a mesma experiência competitiva e reforçassem os laços entre as duas regiões.

Este acordo de cooperação entre a AADP e a Federação Extremenha de Atletismo pretende promover o intercâmbio desportivo e institucional, incentivando a participação de atletas, técnicos e juízes em iniciativas além-fronteiras e criando novas oportunidades de desenvolvimento para o atletismo regional, em linha com os princípios de cooperação territorial europeia.

No seguimento desta parceria, está já prevista a constituição, pela primeira vez, de uma Seleção da AADP composta por atletas de todos os escalões, que representará o Alto Alentejo em competições na Extremadura espanhola. Esta iniciativa assume particular relevância no caso dos escalões de séniores r veteranos, que tradicionalmente não integravam seleções regionais, abrindo agora novas oportunidades de participação e representação para atletas de todas as idades.

A AADP acredita que esta colaboração constitui um passo importante para o crescimento do atletismo no território, reforçando a ligação entre regiões vizinhas e criando novas experiências competitivas, formativas e humanas para atletas, técnicos e juízes de ambos os países.

 

NISA: União de Freguesia organiza Feira dos Vinhos e Sabores

 




PONTE DE SOR: Caminhada pela Floresta | Dia Mundial da Árvore e da Floresta


O Comando Territorial de Portalegre, através do Destacamento Teritorial de Ponte de Sor vai realizar, no próximo dia 20 de março, pelas 09h00, uma “Caminhada pela Floresta”, com concentração, partida e chegada no Posto Territorial de Ponte de Sor da GNR.

Estão disponíveis dois percursos com um grau de dificuldade baixo e uma distância aproximada de 3 e 8 km, sendo que no final da caminhada vão ser plantadas duas árvores, como ato simbólico alusivo ao Dia Mundial da Árvore e da Floresta, que se comemora a 21 de março.

Convidam-se todos os interessados, bem como os Órgãos de Comunicação Social, a participar nesta caminhada, e a assinalar este dia especial para a Floresta, com a prática de exercício físico em grupo e em segurança.

As inscrições são gratuitas, através do código QR presente no cartaz anexo.

Para mais informações contactar o Comandante do Destacamento Territorial de Ponte de Sor, Capitão Magrinho – 961 193 078.

 

PORTALEGRE: Encontro com o Escritor Angolano Ondjaki

 


O escritor angolano Ondjaki estará no CAEP, em Portalegre, no dia 11 de março, para um encontro aberto ao público com os alunos das escolas do concelho, integrado nas celebrações do Mês da Leitura nas Bibliotecas Escolares.

Premiado a nível nacional e internacional, Ondjaki foi escolhido pela atualidade e transversalidade da sua obra, que dialoga com leitores de diferentes idades. A sua escrita tem conquistado leitores em vários países, estando já traduzida para francês, espanhol, italiano, alemão, inglês, sérvio, swahili e polaco.

Este encontro, organizado pela Rede de Bibliotecas Integradas de Portalegre (BIP), em colaboração com a Câmara Municipal de Portalegre, proporciona uma oportunidade de contactar diretamente com o escritor contemporâneo, ao mesmo tempo que promove o gosto pela leitura e possibilita a partilha e a reflexão conjunta sobre a obra.

Para dia 11, quarta-feira, estão marcadas três sessões a que o público se pode juntar: às 10h30, para os alunos do Secundário; às 11h30, para os 2º e 3º Ciclos e às 14h30, para o 1º Ciclo.

 

SARDOAL: 𝑺𝒉𝒐𝒖𝒕 𝒆𝒎 𝑪𝒐𝒏𝒄𝒆𝒓𝒕𝒐!


Os Shout! vão estar no nosso palco com um concerto especial que celebra os seus 30 anos de carreira, no dia 28 de março, às 21h30m.

Formado por 12 cantores, os Shout! são o primeiro grupo Gospel português, fundado em maio de 1995 para acompanhar Sara Tavares. Esta parceria resultou no lançamento do primeiro álbum em Portugal com uma sonoridade marcadamente Gospel.

Embora as influências do Gospel tradicional estejam bastante presentes no trabalho dos Shout!, o grupo mistura outros estilos, como o funk, o soul e até mesmo a pop, criando uma sonoridade única e inovadora.

A celebrar 30 anos de existência, o grupo tem participado em diversos projetos de renome, tanto a nível nacional como internacional. Um destaque especial foi o convite, em 2023, da artista internacionalmente reconhecida como Rainha do Gospel e Soul, Queen E. Marrow, que consolidou o grupo como uma referência musical em Portugal.

Os bilhetes podem ser adquiridos na bilheteira do Centro Cultural Gil Vicente e na ticketline.pt.

 O espetáculo, que integra a programação cultural da Semana Santa de Sardoal, conta com o financiamento da Direção-Geral das Artes, ao abrigo do Apoio à Programação da RTCP, rede de equipamentos da qual o CCGV faz parte desde 2021.

“Vai mas é para a tua terra!”: mês da história negra e misturas na Calçada do Combro


O grito era sincero mas desnecessário. No 12º episódio da série Fala-me de ti, Lisboa, uma viagem em exposição, a lisboetas misturados, que estão, mesmo, na cidade deles, país delas, terra dos doze.  A Black History Month na Calçada do Combro, na Junta de Freguesia da Misericórdia.

Há dias, 5 de fevereiro, 4 da tarde, inverno desgraçado, pela Calçada do Combro abaixo, adivinhando o Tejo enevoado, não cheguei lá. Não por os avisos prevenirem mais chuva, vento, inundações, mas porque eu tinha um encontro luminoso com meus patrícios mais queridos.

Daqueles de chegar perto deles e apetecer-nos sempre um abraço de agradecimento. Bem-vindo à tua pátria da Outra Banda, General! Por que partiste tão cedo, Lena? Meus respeitos, ó mãe de todos os repórteres portugueses, Senhora Dona Virgínia! Que saudades, Pantera! Olá, Tito Lisboa, tão Mindelo, quer dizer, tão nosso…

E, assim, repetida, uma homenagem a cada um e a todos, prestada a uma dúzia de personagens, que me são muito, muito queridas.

Nessa quinta-feira, às 4 da tarde, uma dúzia exata de ilustres lisboetas juntaram-se ao fundo da Calçada do Combro. Ali onde ela bifurca: ir pelo Poço dos Negros, travessa de nós todos, ou para a casa de todos nós, o Parlamento – uma, ou outra rua? Os doze ficaram ali mesmo (dizia a pretensiosa tabuleta: “Largo Doutor António de Sousa Macedo”), com dois palácios fronteiros e fidalgos, o Mesquitela e o Cabral. Entraram, à direita, no Palácio Cabral, nº 7 D, a porta larga da Junta de Freguesia da Misericórdia. Eu segui-os.

Foi lá que eles se transformaram, todos, em quadros-retrato e se penduraram nas paredes centenárias. Na verdade, se nos quadros estavam todos, os doze, presencialmente faltavam alguns que eu, podia jurar, vi descer juntos, pela calçada. Fica o leitor prevenido de que o aqui se vai contar é a Lisboa real, a eterna e extraordinária.

E há ainda quem diga: “Tanto mestiço, mas isto é Lisboa?…” Claro que é. Ele há outra coisa?

Estávamos no andar térreo, nas duas salas de exposição do Espaço Santa Catarina, com arcadas sem estuque para mostrar tijolos anteriores ao terramoto. Doze quadros-retrato expostos ao nosso agradecimento. E alguns dos retratados, como já referi, também em presença física e orgulhosa. Apeteceu-me, emocionado, gritar a todos e a cada um:

“Vai mas é para a tua terra!”

O grito era sincero, embora, evidentemente, desnecessário. Os doze retratados já lá estavam, na cidade, país, amor que tanto honraram. Cidade deles, país delas, terra dos doze. 

A inaugurada homenagem – a exposição decorre até 19 de fevereiro – traz este ano quatro novos quadros que se juntam aos das edições anteriores da Black History Month, em 2024 e 2025. Três edições, quatro pinturas por cada uma delas, doze quadros, a aritmética é a única coisa enfadonha nesta história.

A iniciativa Mês da História Negra veio de longe, de muito longe. Do Canadá, país do rio Saint-Laurent, ainda mais largo que o nosso Mar da Palha e que por esta altura está gelado (até abril). As fragatas e faluas de lá, se as houvesse, nem com quebra-gelo ousariam navegar. Mais uma razão por a oferta, vinda de tão longe, nos aquecer o coração.

Foi proposta canadiana celebrar-nos a presença e o contributo histórico das comunidades afrodescendentes em Portugal. O Canadá contribui oferecendo-nos quadros de figuras portuguesas de origem africana, pintadas por artistas deles, afro-canadianos.

Assim de repente, poderia parecer isto: eles (os canadianos) querem que nós celebremos, na nossa casa, o que se passa com gente que não tem, necessariamente, nada a ver com eles. Não seria de desconfiar, uma interferência de país estrangeiro em assunto interno nacional? Não, pelo contrário. É um abraço de dois países, ambos honrados pelos abraços que acontecem, todos os dias e de há muitos séculos, nesses dois países.

No Palácio Cabral, eu vi e ouvi a embaixadora Elise Racicot, em Lisboa desde 2022, a dizer que nos conhece. Diplomata gentil e inteligente, logo que chegou, ela pensou: que posso oferecer a um país cujos cidadãos, mais de meio milhão, tanto fazem no Canadá? Que podia fazer ela, em Portugal, para mostrar quanto estava agradecida?

Podia, por exemplo, servir nas receções da embaixada de Lisboa xarope de ácer, que é especialidade canadiana. Mas ela queria mais do que isso.

Elise Racicot começou por nos lembrar que no Canadá, desde 1970, há o festival tradicional Black History Month e esse Mês da História Negra, realizado sempre em fevereiro, consiste em homenagear os seus compatriotas de origem africana.

Uma história de viagem, de lá para cá e de cá para lá, que Portugal tão bem conhece. Daí que, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, a Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA) e várias associações de portugueses afro-descendentes, ela nos tivesse incentivado a homenagem também por cá.

·       *   Ferreira Fernandes

·         ** Ilustração: Nuno Saraiva

OPINIÃO: A guerra que cabe no bolso


Há outras guerras a serem travadas. Não nos apercebemos delas, mas estão a decorrer. Fazem parte das peças do novo xadrez geopolítico mundial. E cada vez que enviamos uma mensagem pelo smartphone ou cada vez que contamos um pouco de nós e partilhamos excertos dos nossos dias numa plataforma de "social media", estamos a entrar, sem nos darmos conta, no campo de batalha.

Nesta semana, uma pequena notícia passou relativamente discreta. O TikTok confirmou que não vai adotar a tecnologia de encriptação "End-to-End" nas suas mensagens diretas, ao contrário do que já fazem Instagram, WhatsApp, Facebook Messenger, entre outros. É relevante? Bastante.

A tecnologia "End-to-End" significa que apenas quem envia e quem recebe as mensagens pode ler o conteúdo. Ora, o TikTok argumenta que se implementar aquela medida impede que as autoridades policiais consigam aceder às mensagens quando estão a investigar atividades ilegais. Se a própria plataforma não pode consultar o conteúdo das mensagens, também não terá como entregá-lo às autoridades, justifica.

Porém, a decisão da empresa, elogiada até por várias organizações de proteção de menores, é vista como uma prova de que a China continua a querer ter acesso aos dados dos utilizadores do TikTok, mesmo depois da empresa dona da rede, a ByteDance, ter sido multada em 530 milhões de euros por enviar informação para Pequim.

É esta guerra de dados que deixa o Ocidente muito desconfortável. Saber que a China tem nas mãos o maior e mais poderoso algoritmo, que lhe permite analisar o comportamento de milhões de pessoas, é a prova de que as batalhas de hoje se disputam também nas aplicações que usamos diariamente.

Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 6 de março, 2026

 

SINES: EmCena: “Lá” | Teatro Meridional e Teatro do Montemuro


O Centro de Artes de Sines recebe o espetáculo “Lá”, pelo Teatro Meridional e Teatro do Montemuro, no dia 12 de março de 2026.

Dois homens e uma rapariga querem mais da vida. Do interior para a cidade, nos anos sessenta do século passado, da cidade para o interior, na atualidade, a sua história é uma metáfora das migrações nas últimas décadas e, também, das desigualdades territoriais neste canto da Europa.

Espetáculo com texto de José Luís Peixoto e encenação de Miguel Seabra.

📍 Centro de Artes de Sines - Auditório

🗓 12 de março de 2026

🕒 21h30

🎟 Bilhetes:

5€ (público em geral)

3€ (menores de 21 anos e maiores de 65 anos)

Gratuito (sócios AJAGATO)

A venda de bilhetes decorre na semana do espetáculo.

Duração: 70’

Classificação etária: M/12

Org. Associação Ajagato

Parceria: Câmaras Municipais de Sines e Santiago do Cacém

10.3.26

S. SIMÃO _ Histórias do Povo - José Hilário


TARDES DE DOMINGO 

Acto contínuo à assinatura do tratado de paz, entre os países beligerantes, envolvidos na primeira guerra mundial, os militares portugueses, regressaram garbosamente à sua terra natal, com muitas histórias para contar a um povo sedento de as ouvir e de as memorizar.

            É certo que, poucas vezes saíram das trincheiras, mas aperceberam-se das potencialidades de um país chamado França.

            Por volta de 1925, saíram do Pé da Serra, os primeiros emigrantes de que há conhecimento, rumo a França, emanados de uma esperança de enriquecimento fácil e rápido.

            Uns regressaram à aldeia que os viu nascer, poucos anos depois, com os bolsos mais vazios, do que quando partiram, outros de França, rumaram à descoberta de terras do Novo Mundo, acreditando que desta vez é que a sorte não lhes iria ser madrasta.

            Ti Ambrósio foi um dos que regressou à santa terrinha, mais “liso” do que quando deixou os seus, mas ficou para sempre, sendo um admirador fanático da França, à qual chamava ironicamente “País de Gente”.

            O largo principal da aldeia, “O Largo das Carretas”, era o centro do mundo. Era ali que a rapaziada praticava futebol, pé descalço, com dois punhados de farelos, dentro de uma meia velha, enrolada diversas vezes sobre si mesma, à cabra-cega, ou se entregava a correrias loucas sem nexo.

            As meninas adolescentes, disciplinadamente dançavam modas de roda, o giroflé-giroflá, sob atenta vigilância das mães.

Era ali que no Verão, as carretas carregadas de trigo ou palha, ou no Inverno com enormes “bidons” de azeite, faziam uma breve paragem, para que as vacas pudessem restabelecer energias.

Os funerários, tinham e têm ainda hoje, paragem obrigatória, de modo a permitir a reunificação de todos os acompanhantes e rezar o padre-nosso em uníssono.

No Verão, época de casamentos, acordeonista em cima de uma carroça, “farrom-fom-fom”, vai de baile até ás tantas, envoltos num espoginho poeirento, transformado em lama depois de misturado com o suor dos bailadores.

Por ali acampavam ciganos, malteses sem “eira nem beira”, comediantes sem graça alguma, a troco de uma tigela de azeitonas.

Por ali permaneciam pacientemente, homens sem trabalho, ouvindo e transmitindo as novidades, mudando-se lentamente do sol para a sombra, ou vice-versa e muitas das vezes discutindo raivosamente, uns com os outros “por dá cá aquela palha”.

Todos os sábados à tardinha, lá estava a carrinha da Gulbenkian, cheia de livros, para ajudar a passar os longos serões de Inverno, àqueles que gostavam de ler.

           Ganhei o prazer de ler devido a esta biblioteca itinerante.

Era no Largo das Carretas que o “Ti Ambrósio”, homem normalmente de poucas palavras, sorumbático, que aos domingos à tarde, mais borracho que um pipo de carvalho, direito que nem um fuso, se colocava na parte mais alta do muro e transformava a sua personalidade tal e qual como a noite se transforma em dia.

Silêncio sepulcral em todo o largo.

As meninas paravam com as danças, os rapazes colocavam-se à sua volta, formando um semi-círculo, equidistante dele, aproximando-se ou afastando-se como se fossem atraídos ou repelidos por um íman, cujas linhas de força comandavam os seus movimentos.

Os homens adultos fingiam não ligar ao que o tonto do Ambrósio apregoava, as mulheres formavam pequenos grupos, cochichando, e de vez enquando riam desalmadamente.

E o discurso continuava alto e bom som.

-Isto é um país de merda…

“O Salazar é o maior ladrão deste mundo, só sabe roubar aos pobres para dar aos ricos.

Cerejeira e padralhada fora…rua!”

A mulher e a filha, desde o início do espectáculo, fechavam-se em casa, fechadura “rota à chave”, postigo ligeiramente aberto, ouvidos bem sintonizados, com o coração apertado, os minutos pareciam horas, esperavam ansiosamente  que o discurso terminasse, antes que o tenente Abóbora, comandante da GNR de Nisa, aparecesse e mandasse levar o único ganha-pão daquela pobre casa.

-Parvalhões! Levam livros para casa, para ler ao serão.

Alguém lhe lembrou:

- Ó “Ti Ambrósio”, os livros são muito úteis e além disso são de graça.

-Basta que sim - retorquiu o orador convictamente. De graça uma ova. Então esse tal Gulbenkian não é o rei do petróleo?

-Parece que sim.

-Pois é ! É de graça, é de graça, mas para lerem um livro, os palermas têm de gastar pelo menos cinco litros de petróleo.

Risada geral do Zé Povinho.

Os temas dos seus discursos não incidiam simples e unicamente na religião, nos governantes, no seu Benfica, ou na sua querida França.

Certa vez abordou um tema diferente dos habituais.

-Andam para aí a dizer que a terra se move, que anda, se assim fosse quando eu chegasse ao Azinhal já a panela dos feijões pretos estava em Alpalhão.

Gargalhadas novamente.

Segunda-feira bem cedinho, fatada aviada para uma semana de trabalho duro, seis dias sem vir a casa, alforges ás costas, lá partia sem responder ás ralhações da mulher.

Em toda a semana ninguém lhe ouvia fosse o que fosse, os companheiros bem puxavam por ele, mas dali não ouviam nem um ai.

* José Hilário - Junho de 2002

** Pintura de José Malhoa

DESPORTOS MOTORIZADOS: GafeTTe 2026


14 de março de 2026

Apesar das adversidades causadas pelas sucessivas intempéries, que obrigaram a organização a proceder a algumas alterações, a V edição do GafeTTe promete ficar na história!

A uma semana do término das inscrições, a organização já conta com mais de uma centena de inscritos. Com um percurso remodelado, mais explosivo e menos técnico, a verdadeira nata do TT nacional marcará presença nos trilhos do concelho.

Nesta edição, o paddock, as assistências, os tempos, o secretariado e a restauração estarão localizados na antiga estação de Vale do Peso.

A Mini Baja GafeTTe, que abre o Campeonato Nacional de Mini Bajas, já regista um recorde de inscritos desde que esta competição foi criada.

Horários

9h15 - Mini resistência

(4-10 anos)

10h00 - Camp. Nacional Mini Bajas - motos 65cc, 85cc e 125cc

11h00 - Troféu Nacional Mini - Bajas

 quads e mini ssvs

12h30 - Motos

(Resistência 1:30)

16h00 - Quads

(Resistência 1:30)

Sábado, 14 de março, não faltes!!

AVIS: 𝐄𝐱𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 | 𝐑𝐞𝐭𝐫𝐚𝐭𝐨𝐬 𝐞𝐦 𝐂𝐚𝐫𝐯ã𝐨, 𝐝𝐞 𝐑𝐮𝐭𝐞 𝐏𝐢𝐧𝐭𝐨


Está patente ao público, até 31 de março, na Biblioteca Municipal José Saramago, a exposição “Retratos em Carvão”, da autoria de Rute Pinto.

Inaugurada no passado dia 2, pelas 14h00, a mostra apresenta uma seleção de desenhos em carvão, a par de outros trabalhos realizados em acrílico, evidenciando a sensibilidade artística e a expressividade da obra da autora.

Convidamos toda a comunidade a visitar e a apreciar esta exposição, durante o horário de funcionamento da Biblioteca: de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00.

9.3.26

CRATO: Rota das Romarias 2026


O Município do Crato volta a promover, entre os dias 22 de março a 18 de outubro, a Rota das Romarias, um programa de caminhadas temáticas que alia o desporto à história dos locais a visitar.

A Rota das Romarias é, assim, um programa de caminhadas – muito além das romarias - que procura proporcionar ao caminhante o contacto, de perto, com aquilo que tece a mais profunda identidade do nosso Concelho, desfrutando das nossas paisagens e caminhos ou apreciando os nossos monumentos e vestígios arqueológicos, sempre com um enquadramento dedicado a cada uma das temáticas. É a melhor oportunidade para ficar a conhecer, passo a passo, o Crato e o seu Concelho.

A 1ª etapa da edição 2026 é já no dia 22 de março com a caminhada à Ponte da Decosta. As inscrições são gratuitas através do n.º 245990136 ou por email desporto@cm-crato.pt.

Vamos caminhar? Venha connosco.

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Adestramento - Cartoon de Vasco Gargalo

8.3.26

NISA: União de Freguesias – Saudação ao Dia Internacional da Mulher

 


Neste Dia Internacional da Mulher, a União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão presta uma sentida homenagem a todas as mulheres, mas em especial às mulheres da nossa freguesia.

Mulheres essas que, com a sua força, dedicação e generosidade, são o coração das nossas famílias, das nossas tradições e da nossa sociedade.

Cada gesto de cuidado, cada desafio superado e a cada sonho construído, está presente a coragem e a determinação que tanto nos inspiram e vão continuar a inspirar.

Hoje celebramos o papel fundamental das mulheres na construção de uma sociedade mais justa, solidária e humana.

Celebramos o passado que honraram, o presente que transformam todos os dias e o futuro que continuam a ajudar a construir.

A todas as mulheres, o nosso profundo reconhecimento, respeito e gratidão.

Feliz Dia da Mulher!

O Executivo da

União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão

 

VILA VELHA DE RÓDÃO: 𝗝𝗲𝗹 𝘁𝗿𝗮𝘇 𝘀𝘁𝗮𝗻𝗱-𝘂𝗽 𝗰𝗼𝗺𝗲𝗱𝘆 à 𝗖𝗮𝘀𝗮 𝗱𝗲 𝗔𝗿𝘁𝗲𝘀 𝗲𝗺 𝗺𝗮𝗿ç𝗼


No dia 28 de março, às 21h30, a Casa de Artes e Cultura do Tejo recebe Jel, nome artístico do comediante, músico, produtor e realizador Nuno Duarte, que traz até Vila Velha de Ródão o seu espetáculo de stand-up comedy.

Popular pelos seus sketches e personagens humorísticas em programas como “Cabaret da Coxa”, “Vai Tudo Abaixo”, “Gosto Disto” e “Sábado à Luta”, na SIC, e “A Revolta dos Pastéis de Nata” e “Bairro do Humor” na RTP, Jel deu centenas de concertos com as bandas satíricas Homens da Luta e Kalashnikov e, mais recentemente, com o personagem Tio Jel e o seu Sal Grosso, que o apresentaram a uma nova geração de público.

O seu stand-up comedy é uma mistura de humor de observação com storytelling sempre carregado de ironia, sarcasmo, surrealismo e, sobretudo, muita boa disposição e alegria. Com milhões de visualizações e centenas de milhares de seguidores de todas as idades nas várias redes sociais, Jel é sem dúvida um dos comediantes mais versáteis, acarinhados e reconhecidos pelo público português.

Os bilhetes para este espetáculo têm um custo de dez euros e podem ser adquiridos no balcão da Casa de Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Ródão, a partir do dia 9 de março, ou em ticketline.sapo.pt.

CASTELO DE VIDE: Exposição “𝐎 𝐌𝐚𝐬𝐬𝐚𝐜𝐫𝐞 𝐝𝐞 𝟏𝟓𝟎𝟔”


𝑻𝒓𝒆̂𝒔 𝑫𝒊𝒂𝒔 𝒅𝒆 𝑴𝒆𝒅𝒐 𝒆 𝑻𝒆𝒓𝒓𝒐𝒓

A Casa da Inquisição- Castelo de Vide recebe a exposição 𝗢 𝗠𝗮𝘀𝘀𝗮𝗰𝗿𝗲 𝗱𝗲 𝟭𝟱𝟬𝟲 - 𝗧𝗿𝗲̂𝘀 𝗗𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗠𝗲𝗱𝗼 𝗲 𝗧𝗲𝗿𝗿𝗼𝗿, uma exposição temporária que convida à reflexão sobre um dos episódios marcantes e trágicos da nossa História.

𝙊 𝙈𝙖𝙨𝙨𝙖𝙘𝙧𝙚 𝙙𝙚 𝟭𝟱𝟬𝟲, também conhecido como o "Massacre de Lisboa", terá levado à morte mais de quatro mil pessoas, quase todas cristãos-novos, assassinadas por uma multidão que tomou conta das ruas da cidade nesse ano.

Um episódio negro e de violência que marcou profundamente a memória coletiva, promovendo a importância da tolerância, do respeito e da diversidade.

A abertura da exposição aconteceu no passado dia 𝟓 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐜̧𝐨 pelas 𝟏𝟔𝐡𝟎𝟎.

𝗔 𝗲𝗻𝘁𝗿𝗮𝗱𝗮 𝗲́ 𝗹𝗶𝘃𝗿𝗲.

 

 

8 DE MARÇO - Dia Internacional da Mulher


Calçada de Carriche

Luísa sobe,

sobe a calçada,

sobe e não pode

que vai cansada.

Sobe, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe

sobe a calçada.

 

Saiu de casa

de madrugada;

regressa a casa

é já noite fechada.

Na mão grosseira,

de pele queimada,

leva a lancheira

desengonçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas,

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu da sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.


 Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada;

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce a calçada,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga;

toca a sineta

na hora aprazada,

corre à cantina,

volta à toada,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga,

puxa que puxa,

larga que larga.

Regressa a casa

é já noite fechada.

Luísa arqueja

pela calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada. 

António Gedeão, in 'Teatro do Mundo'