31.7.15

NISA: Freguesia de Santana tem novos símbolos heráldicos




A Freguesia de Santana (Nisa) tem novos símbolos heráldicos desde o passado dia 24 de Julho, data da publicação no Diário da República. A antiga heráldica estava incompleta, apenas dispunha de bandeira e carecia ser legalizada, uma vez que teve parecer desfavorável das entidades responsáveis.
A nova proposta, que incluiu brasão, bandeira e selo, depois de obter parecer favorável da Associação dos Arqueólogos Portugueses, foi discutida e aprovada em sessões da Junta e da Assembleia de Freguesia, como a lei determina, terminando o processo com a publicação em Diário da Republica.

30.7.15

TOLOSA: Festas em honra da Senhora da Encarnação


NISA: Presidente da Câmara reúne com presidente da Diputación de Cáceres


Ponte internacional sobre o Sever em discussão
A Presidente da Câmara Municipal de Nisa, Idalina Trindade, recebeu, no passado dia 28 de julho, no Salão Nobre dos Paços do Concelho a recém-eleita Presidente da Diputación de Caceres, Rosario Cordero, tendo como objetivo primordial o reatamento de conversações institucionais. O principal ponto da agenda da Presidente do Município de Nisa incidiu sobre o projecto de construção da ponte sobre o rio Sever, que ligará Montalvão a Cedillo, separadas por escassos quilómetros, considerada como fundamental para o desenvolvimento integrado da zona raiana. Recorde-se que este projeto mereceu desde o inico do mandato da Presidente da Câmara de Nisa especial atenção tendo desencadeado diversos contatos com o Governo de Espanha tendentes a ultrapassar uma questão problemática que tem resultado num impasse e que urge resolver. Atualmente a ligação entre Montalvão (concelho de Nisa) e Cedillo (Provincia de Caceres) realiza-se através da barragem gerida pela Iberdrola, na qual apenas se pode circular aos sábados e domingos, estando os restantes dias da semana encerrada obrigando as populações a percorrer uma distância de cerca de cem quilómetros.
CMNisa

28.7.15

NISA: Exposição "Memórias" sobre os 25 anos da geminação com vilas francesas


OPINIÃO: Samba de uma nota só

Por várias vezes manifestei aqui a minha oposição à chamada mobilidade no trabalho. Porque as pessoas têm família, porque têm a casa para pagar, etc.
Mas tenho que dar os parabéns aos dirigentes do PSD porque dão o exemplo. Vejamos, Teresa Leal Coelho era deputada pelo Porto, vereadora na Câmara Municipal de Lisboa e vai encabeçar a lista da Coligação por Santarém. Mais mobilidade que esta?
Por vezes, os políticos espertalhões para caírem nas boas graças do povo, pegam num assunto popular e fazem um projecto de lei em teoria para o combater, mas pelo meio, introduzem duas ou três normas inconstitucionais para que o diploma não passe no crivo desse tribunal.
Foi o que aconteceu com os partidos da maioria e a lei do enriquecimento injustificado, ao escreverem no diploma determinadas normas, até o presidente Cavaco sentiu dúvidas, e o diploma foi chumbado pelo tribunal constitucional.

Assim, a maioria passou por querer combater o enriquecimento injustificado mas mais uma vez os malandros do tribunal constitucional não deixaram.
Jaime Crespo

NISA: Sessão Pública da CDU sobre a Revisão do Plano Director Municipal (PDM)



NISA: Apresentação de livro de Cristina Mira Luís


26.7.15

MÚSICA: Pedro Rufino em destaque no Jornal do Fundão

Pedro José Rufino Mendes Toucinho, professor na Academia de Música e Dança do Fundão, natural de Nisa, “tomou um café” com a jornalista Lúcia Reis do “Jornal do Fundão” e fez, para os leitores daquele semanário regional, uma sinopse do que tem sido a sua actividade, desde que aos 11 anos iniciou a aprendizagem na Sociedade Musical Nisense, primeiro com o clarinete, depois com a guitarra.
Foi ainda em Nisa que percebeu que queria ser músico profissional, contando com a compreensão dos pais que não lhe colocaram entraves. Fez os estudos secundários e o Conservatório em Castelo Branco, tendo depois rumado ao Porto onde frequentou a Escola Superior de Música. Concluiu a licenciatura em guitarra na Escola Superior de Música de Lisboa na classe do prof. António Jorge Gonçalves. Em 1996 rumou à Cova da Beira após o convite para leccionar na Academia de Música e Dança do Fundão, que dava então os primeiros passos..
Na altura, revela Pedro Rufino, a aprendizagem da música ainda era um pouco elitista. Tinha meia dúzia de alunos na aula de guitarra e hoje é o instrumento com maior procura. (ver gráfico).
No Fundão, em 2000, criou com outros colegas a Orquestra de Guitarras, um projecto pioneiro em Portugal, e mais tarde o projecto Guitarrafonia, de abrangência regional e que envolve além da AMDF os Conservatórios de Castelo Branco e Guarda.
Pedro Rufino tem um percurso artístico com actuações por todo o país, com destaque para o 3º Festival Internacional de Guitarra (Tomar) e a nível internacional, salientando-se a participação nos festivais internacionais de Novosibirsky (Rússia), Varsóvia (Polónia) Domingos Martins (Brasil), país onde foi convidado pela Camerata de Violões do Conservatório Brasileiro de Música para um concerto em Petrópolis.
Pedro Rufino é o director artístico e membro do júri do concurso internacional para jovens guitarristas do Fundão, membro do conselho pedagógico e coordenador das classes de conjunto na AMDF, desempenhando ainda o cargo de professor de guitarra no Conservatório de Música de Ourém/Fátima.
Da conversa com Lúcia Reis, não constam alguns destes dados biográfico, que apenas facultamos para um melhor conhecimento do professor e do guitarrista nisense, bem como outros retirados do site da Academia de Música e dança do Fundão, uma instituição cultural exemplar e pioneira, principalmente a nível do interior, nascida no seio da Santa Casa da Misericórdia do Fundão.
Homem de mil e um projectos, Pedro Rufino não poupa algumas críticas aos objectivos actuais do sistema de ensino, deixando no final uma mensagem que, sintetiza a sua filosofia de acção: “O mais fascinante de tudo isto é a possibilidade de continuar a aprender até ao fim.
O relato integral está na edição desta semana do “Jornal do Fundão”, de que deixamos uma imagem. Aproveitem-na!
Mário Mendes
Instituição cultural pioneira no interior

 A Academia de Música e Dança do Fundão nasceu no seio da Santa Casa da Misericórdia do Fundão no ano de 1994 como um Projecto de sensibilização dos jovens para as artes, tendo já no início a adesão de 106 alunos. O passo seguinte foi então o reconhecimento da Academia pelo Ministério da Educação a 6 de Dezembro de 1996. Presentemente, com Autonomia Pedagógica, são ministrados cursos de Iniciação, Básicos e Complementares. 
Esta Academia, embora jovem, tem tido um papel decisivo no Desenvolvimento Cultural da Região intervindo em actuações públicas através de Concertos, Intercâmbios, Audições, Ciclos Musicais.
Em paralelo e no resultado de uma parceria com a Câmara Municipal de Penamacor criou-se nesse Concelho uma secção da Academia. No ano lectivo de 2004/2005 foi criada a Orquestra de violinos: “½’s Violinos”. Inicialmente começou na Freguesia de Benquerença tendo-se alargado em 2005/2006 à Freguesia de Aldeia do Bispo e agora também em Penamacor e no Fundão.
Em resultado de todas estas actividades a Academia é responsável pelo ensino artístico a mais de 400 alunos dos quais cerca de 50 estão na Secção de Penamacor.

São de realçar os já tradicionais concertos do dia mundial da música, de Natal e de final do ano lectivo onde há a participação não só dos alunos como também dos professores integrantes da Academia e também os espectáculos de Dança, o “Estágio de orquestra juvenil de Cordas”, o Concurso Internacional “Cidade do Fundão” (para jovens Pianistas, Guitarristas e Violinistas). No presente ano, 2013, foi criada uma nova variante no concurso: “Canto”.
Os alunos da Academia têm participado em diversos Concursos Internacionais de Música realizados em Portugal, Espanha, França, Polónia e Rússia onde foram galardoados com mais de 100 prémios.
Na diversidade destas acções procuramos enriquecer sempre os nossos alunos alargando os seus horizontes no campo das artes.

25.7.15

OPINIÃO: Ó Cavaco, ó Cavaco olha a boina...

Cavaco Silva tomou sempre ao longo deste mandato, a defesa das posições do governo.
Nada que espante, Cavaco Silva sempre foi politicamente de direita.
No entanto, enquanto Presidente da República, tem o dever da neutralidade e o papel de mediador nas causas fraturantes.
E foi a neutralidade e a mediação que foram por ele esquecidas, o que o levou a que nas suas últimas intervenções tenha despudoradamente tomado partido pelos partidos do governo e pelas suas "ideias para o país"
Ontem, falando no distrito de Portalegre, em vez de explicar porque ao longo de um mandato de oito anos, apenas agora, a meses de o terminar, quando já não aquenta nem arrefenta, veio visitar o distrito, resolveu apoiar o Ministério da Educação e a Câmara Municipal do Crato, no diferendo que vem mantendo com os professores os quais renegam a municipalização do ensino.
Há meses, os sindicatos de professores promoveram um referendo perguntando aos professores quem de entre eles está a favor da municipalização do ensino e quem está contra. Obviamente este referendo não tem valor legal, é apenas indicador da vontade dos professores. E a vontade dos professores revelou-se numa esmagadora maioria contra esta medida.
No concelho do Crato (PS) o presidente e vereação resolveram avançar com a municipalização do ensino, já em setembro.
De notar que neste concelho, o referendo obteve 100% de negativas.
Tem pois havido um braço de ferro entre presidente da câmara e os professores e as estruturas que os representam.
Digamos que no Crato os professores tem estado em luta.
E foi neste contexto que Cavaco Silva proferiu (mais ou menos) o seguinte:
"- neste país, sempre que é necessário modernizar há sempre forças de interesses corporativos que se lhe opõem. É urgente descentralizar imediatamente o ensino!"
(Alguns dirão que descentralizar não é municipalizar. E renhonhonhó, pardais ao ninho).
Ou seja, além de se colar às teses do ME e de algumas Câmaras, Cavaco Silva ofende os professores em dose dupla:
1. Nos últimos anos se houve classe profissional que investiu na inovação e na modernização foram os professores. Frequentando ações de formação pagas na maioria do seu próprio bolso, fora do horário de trabalho, portanto no horário em que devia estar a descansar e a conviver com a família, aos sábados e domingos.
2. Quanto aos interesses corporativos, idem aspas, não há classe profissional que tanto tenha prescindido e perdido dos seus direitos. Inclusivamente como já referi, o direito a estar com a família.
Ainda por cima estas falácias não batem certo com certa propaganda: "Portugal está a formar as melhores gerações de sempre. Vão lá para fora e competem de igual para igual com os seus coetâneos dos países desenvolvidos".
Em que ficamos? Formamos as melhores gerações de sempre mas os formadores (professores) estão caducos? E o sistema necessita ser deitado abaixo para fazer outro.
Temo que já não seja possível atender ao conselho de António Costa "vamos todos ajudar o senhor presidente da república a terminar o seu mandato com dignidade":.
E já não é possível cumprir este conselho porque sua excelência o senhor Presidente da República, a cada intervenção tem o rancor de confrontar franjas da sociedade portuguesa, franjas essas que ele tem o dever de também defender pois seria o presidente de todos os portugueses, caso não se tivesse transformado apenas no presidente da direita revanchista portuguesa.
O que ele está a merecer é uma enorme manifestação, dos ofendidos pelo dr. Cavaco e assim terminar o seu mandato conforme merece: ouvindo uma enorme vaia!
Jaime Crespo
Cabeça de lista por Portalegre pelo Livre / Tempo de Avançar

24.7.15

USNA: Documento entregue ao Presidente da República denuncia a degradação das condições de vida no Norte Alentejano


Sobre a visita do Presidente da República ao distrito de Portalegre
Com um nível de desemprego total a rondar os 10 mil desempregados, um empobrecimento escandaloso com cerca de 60% da população a auferir mensalmente menos de 300 euros e um aumento de 18% de insolvências desde o início do ano, o distrito de Portalegre encontra-se, em julho de 2015, no período em que recebemos a visita do Sr. Presidente da República, numa situação de acentuada degradação das condições de vida da sua população.
Anos de ausência de investimento do estado na nossa região, acentuados a pretexto da crise nos últimos 4 anos, que se pautaram pela total indiferença do governo pelas dificuldades sentidas pela população, conduziram à situação aqui por nós denunciada, a que se soma:
- A degradação dos serviços públicos, com encerramentos e redução de horários e falta de meios materiais e humanos;
- Dificuldade e em muitos casos impossibilidade na mobilidade de mercadorias e pessoas, com a destruição da ferrovia;
- Ausência de um serviço público, abrangente e eficiente de transporte;
- Degradação das vias de comunicação existentes e ausência de novos traçados que permitam aproveitar as potencialidades do distrito como principal meio de ligação entre Badajoz e Lisboa;
- Acentuação do aumento dos custos de produção devido ao aumento do isolamento das nossas povoações fruto da situação atrás descrita.
A municipalização da educação e a possibilidade de alargar essa transferência de competências do estado para as autarquias à saúde constitui mais um passo na clara ofensiva de destruição do estado social que este governo tem levado a cabo. O mais claro sinal de que este processo de municipalização da educação foi conduzido em segredo e à revelia da vontade das populações é o facto do Sr. Presidente da Republica acompanhado do Sr. Ministro da Educação, virem inaugurar um Centro Escolar em Sousel, um projeto piloto, depois da esmagadora maioria dos professores do agrupamento ter votado contra e em pleno período de férias dos alunos! Trata-se de um engodo apresentado às autarquias que se encontram numa situação financeira difícil, degradada pelo próprio governo que as alicia e as limita na sua autonomia! O “incentivo à eficiência” fica dependente da redução de pessoal, docente e não docente, e das despesas de funcionamento das escolas. A autarquia passará ainda a gerir 25% do currículo, situação que irá agravar ainda mais a situação de desigualdade de oportunidades e de acesso a uma educação pública, gratuita e de qualidade.    Uma nova escola em Sousel era necessária e exigida pela comunidade educativa desde 2001. Apesar disto, o novo centro escolar de Sousel, construído no âmbito do FEDER, não pode significar o encerramento de mais escolas no nosso distrito! As escolas básicas das freguesias são indispensáveis e temos de travar o seu encerramento sob o risco de se avançar ainda mais no processo de desertificação a que a nossa região tem sido sujeita. Tendo em conta a situação que os sucessivos governos PS, PSD e CDS criaram para o nosso distrito, contando sempre com o apoio dos sucessivos Presidentes da Republica que nada fizeram para impedir o rumo de desastre a que o país tem sido conduzido, a União de Sindicatos do Norte Alentejano:
- Exige a suspensão imediata do processo de municipalização da educação;
- Contesta qualquer processo de transferência de competências sociais do estado para as autarquias;
- Exige a revogação da lei das 40 horas na administração pública;
- Solidariza-se com a luta dos trabalhadores em funções públicas e sociais, exigindo mais meios, materiais e humanos, a dignificação e a melhoria dos serviços públicos no distrito;
- Exige mais investimento do estado na nossa região;
- Exige uma alternativa e diz não ao empobrecimento e à exploração, aos cortes salariais, à delapidação da segurança social ao desinvestimento na educação e saúde.
 Portalegre, 24 de Julho de 2015

A USNA

USNA/CGTP-IN em protesto em Sousel

A União dos Sindicatos do Norte Alentejano esteve presente, hoje 24 de julho, num protesto junto ao Centro Escolar de Sousel por ocasião da sua inauguração pelo Sr. Presidente da República.
Não foi permitido entregar o documento anexo em mão ao Sr. Presidente pelo que se entregou a um assessor.
Os professores da escola foram convocados, contra a sua vontade, a chamarem as crianças que estavam de férias para estarem presentes na inauguração oficial. Recorde-se que na consulta nacional sobre a municipalização da educação 91,3% dos professores do agrupamento que votaram se pronunciaram contra a municipalização. O município de Sousel está envolvido na assinatura do contrato de delegação de competências apesar da contestação dos seus professores.
Aos trabalhadores da câmara e população convidada não foi permitida a entrada no edifício para assistir à cerimónia.

A Comissão Executiva da USNA/CGTP-IN

IEFP eliminou dos ficheiros dos centros de emprego 338.093 desempregados só no 1º semestre de 2015

Neste momento assiste-se a uma polémica entre o governo e os partidos da oposição sobre os números do desemprego.
O Diário Económico on-line de 23 de Maio de 2015, divulgando uma notícia da Lusa, já tinha referido a seguinte afirmação de Passo Coelho: " O desemprego registado homólogo - comparado com o que se passou há um ano atrás - baixou 14%", afirmou Pedro Passos Coelho, na sessão comemorativa do aniversário do PSD do distrito de Leiria, realçando que as ofertas de colocação bem-sucedidas aumentaram 20%".
Na entrevista dada à SIC em 14 de Julho de 2015, Passos Coelho torna a abordar a mesma matéria gabando-se nessa ocasião de que o seu governo tinha descoberto um “modelo económico criador de emprego” e apresentava como prova o facto de ter sido criado “175.000 empregos entre Janeiro de 2013 e Abril de 2015”. No entanto, “esqueceu-se” de dizer que, entre Junho (2º Trimestre) de 2011 e Maio de 2015, portanto durante o seu governo, foram destruídos em Portugal 434.400 empregos, pois o emprego passou, naquele período, de 4.893.000 para 4.458.600 segundo dados do INE. Interessa por isso analisar com objetividade esta questão mostrando como os dados do desemprego são manipulados. Para isso vai-se utilizar os próprios dados oficiais.

NO 1º SEMESTRE DE 2015, O IEFP ELIMINOU DOS FICHEIROS DOS CENTROS DE DESEMPREGO 338.093 DESEMPREGADOS, REDUZINDO ASSIM O DESEMPREGO REGISTADO
Neste estudo, para não ficar muito longo, vai-se apenas analisar o chamado desemprego registado, ou seja, aquele que é divulgado mensalmente pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), e que apenas inclui os desempregados que se inscreveram nos Centros de Emprego (os desempregados que não se registaram nesses centros não são considerados). Os dados do quadro 1, são os divulgados mensalmente na publicação do IEFP: “Informação Mensal do Mercado de emprego”.

Em relação a cada mês, na 1ª coluna está o número de desempregados que existia no início de cada mês inscritos nos Centros de Emprego; na 2ª coluna está o total de desempregados que se inscreveram nesse mês; na 3ª coluna, o número de desempregados para os quais os Centros de Emprego arranjaram trabalho nesse mês, ou seja, o número de colocações feitas no mês. É fácil de concluir que no fim de cada mês o número de desempregados devia ser igual ao número que existia no início do mês mais os novos desempregados inscritos no mês menos os desempregados que foram colocados pelos Centros de Emprego nesse mês.
Se compararmos o total assim obtido com o total de desempregados existentes no fim do mês que consta da “Informação Mensal do Mercado de Emprego” do Instituto de Emprego e Formação Profissional, e que depois é utilizado pelo governo, conclui-se que o 1º total é superior ao divulgado pelo IEFP. Por ex., em Janeiro de 2015, o número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego no início desse mês (é o total que transitou de Dez.2014) era 598.581. Nesse mês inscreveram-se mais 68.881 desempregados o que somados ao valor anterior dá 667.462 desempregados. Durante Janeiro de 2015, foram feitas 10.703 colocações de desempregados pelos Centros de Emprego, o que reduz o valor de 667.462 para 656.759 desempregados. Era este o número de desempregados que devia existir no fim de Janeiro de 2015. No entanto, segundo a “Informação Mensal do Mercado de Emprego” divulgada pelo IEFP, existiam apenas 615.654 desempregados, portanto foram eliminados dos ficheiros dos Centros de Emprego 41.105 desempregados.
Fazendo as mesmas contas para os restantes meses conclui-se que “desapareceram” dos ficheiros dos Centros de Emprego 58.256 desempregados em Fevereiro; 63.969 desempregados em Março; 58.858 desempregados em Abril; 55.859 desempregados em Maio; e 60.046 desempregados em Junho de 2015. Portanto, fazendo a soma conclui-se que só nos primeiros seis meses de 2015 foram eliminados dos ficheiros dos Centros de Emprego 338.093 desempregados sem que o IEFP e o governo tenham dado qualquer explicação para esse facto. Esta eliminação tão elevado de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego pelo IEFP permite uma fácil manipulação dos dados dos números do desemprego registado, adaptando-os facilmente aos objetivos dos governos. Para que o leitor fique com uma ideia da dimensão como os dados do desempregado registado são alterados basta que faça a seguinte conta. No início de Janeiro de 2015 existiam 598.581 desempregados inscritos nos Centros de Emprego (era o total que tinha transitado de Dez.2014). Nos primeiros seis meses de 2015 inscreveram-se mais 340.733 desempregados nos Centros de Emprego, o que somado aos que existiam no início de janeiro de 2015 (598.581) dá 939.314 desempregados. Durante os primeiros seis meses os Centros de Emprego arranjaram trabalho para 64.565 desempregados. Deduzindo este valor aos 939.314 ficam 874.749, que era o total de desempregados inscritos nos Centros de Emprego que devia existir no fim do mês de Junho de 2015. No entanto, a “Informação Mensal do Mercado do Emprego” referente a Junho de 2015 do IEFP informa que apenas existiam 536.656 desempregados inscritos nos Centros de Emprego. Fica assim claro e provado que foram eliminados dos ficheiros dos Centros de Emprego, só no 1º semestre de 2015, 338.093 desempregados. E como refere no “meu facebook” um leitor já atingido por três vezes por esta “limpeza de ficheiros” feita pelo IEFP, depois de abatido é necessário esperar 90 dias (antes eram 60 dias) para se poder inscrever novamente no Centro de Emprego e é preciso ir durante longas horas para longas filas. É evidente que muitos desempregados desistem de se reinscreverem nos Centros de Emprego até porque estes, pouco emprego arranjam. Mas é desta forma que são construídos os números do desemprego registado que servem para o governo e, nomeadamente Passos Coelho, utilizar na propaganda oficial para manipular a opinião pública.

“OCUPADOS”: uma outra forma de esconder o desemprego
De acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional, os “ocupados” que aparecem na “Informação Mensal do Mercado de Emprego” são desempregados “integrados em programas de emprego ou formação profissional “ Tanto uns como outros, terminado o Contrato de Emprego Inserção (CEI), ou o estágio ou o curso de formação profissional, regressam à situação de desempregado, mas enquanto estão nas situações anteriores não são considerados nos números do desemprego registado. Em junho de 2015, o número de “ocupados “ em Portugal atingia 155 892. Desta forma também se esconde o número total dos desempregados, pois se estes fossem somados aos 874.749 obter-se –ia 1.030.641 de desempregados que é um número enorme e chocante, mas que certamente está muito mais próximo da verdade que o governo e os seus defensores procuram esconder. E também revela uma outra forma como se pode manipular os números do desemprego registado.

 Eugénio Rosa, edr2@netcabo.pt - 21.7.2015

23.7.15

ALPALHÃO: Exposição de Pintura e Bordado de Ana Maria Mourato


Livre - Tempo de Avançar solidário com os professores do Crato

O Grupo do Livre / Tempo de Avançar - Portalegre, está totalmente solidário com os professores do Crato que não só lutam contra a imposição camarária de avançar para a municipalização do ensino, mas também contra o espezinhamento, por parte da Câmara, do exercício de cidadania, exercício esse que os professores afirmaram ao terem rejeitado a municipalização do ensino, em eleições livres organizadas pelos sindicatos.»
Jaime Crespo

22.7.15

NISA: A morte de um poeta

 Em Nisa, morreu um poeta. Morreu o Camões, poeta das palavras, dos mil sorrisos, dos gestos simples e afáveis. Morreu um homem incomum, portador de uma alma generosa e uma dimensão humana cada vez mais rara, nos dias que correm.
O Zé Camões veio para Nisa com os pais e irmãos aquando da construção da Barragem do Fratel no início da década de 70 e aqui conheceu a mulher com que viria a casar e a constituir família.
Figura popular pelo seu trato fácil e permanente bom humor, exibia a boa disposição como traço fundamental do seu carácter, sobrepondo, por vezes, esse estado de espírito às tristezas e amarguras de que a vida é, também, feita.
Era essa a imagem que mais o vincava. Com o Zé Camões por perto ninguém estava triste. Ele tinha o condão, apenas com uma palavra ou uma tirada alegre e brejeira, de quebrar o gelo, de demolir os muros da indiferença e da desconfiança que estivessem à sua volta. Mesmo quando a palavra dita, pudesse parecer inconveniente ou fora da razão.
José António Costa Lopes, o Camões, partiu do nosso convívio. Deixou-nos de uma forma abrupta e inesperada, depois do fatal acidente que sofreu no final da passada sexta-feira na sua residência. Acidente de trabalho, de um poeta que não sabia estar parado. Que fez da sua vida de quase 60 anos, um poema de trabalho, amor e luta.
Foi sepultado há instantes e recordo, parece que o estou a ver, há anos, na sua oficina, rodeado da família e amigos, feliz e radiante, após ter concretizado um dos maiores sonhos da sua vida: a inauguração de uma unidade industrial de serralharia e a formação de uma empresa de cariz familiar, empreendimento a que o Zé Camões se entregou de corpo e alma, granjeando a satisfação de clientes e muitas amizades.
Não se estranhou, por isso, que a Praça do Município fosse pequena para albergar tantas e tantas centenas de amigos de Nisa, do concelho e de outras regiões.
Um mar de gente que o acompanhou à sua derradeira morada e lhe tributou uma sentida homenagem e despedida.
Em Nisa morreu um “poeta”. Um poeta da vida, da amizade, da fraternidade. O mundo seria muito melhor (quantas vezes?) se todos fôssemos assim.
Recordemo-lo como exemplo a seguir!
Repousa em paz, Zé Camões!
Mário Mendes

NISA: 1º Concurso de Bordado Antigo


21.7.15

PÉ DA SERRA (Nisa): Festas de S. Simão - 125 Anos


CRATO: Conselho Geral do Agrupamento de Escolas contra municipalização da educação

O Sindicato dos Professores da Zona Sul saúda a decisão do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas do Crato que no dia 20 de Julho tomou posição contra a municipalização da educação.
O Conselho Geral é o órgão máximo de gestão das escolas, nele têm assento os representantes dos Pais e Encarregados de Educação, do pessoal docente e não docente e de outras entidades locais. O Conselho Geral do Agrupamento de Escolas representa toda a comunidade educativa e cabe a este órgão a aprovação e definição das linhas estratégicas de atuação das escolas.
Foi precisamente este órgão de gestão que chumbou por maioria o projeto de municipalização da educação no concelho do Crato.
 Com esta votação no Conselho Geral ficou também expressa a indignação, partilhada por muitos outros docentes, pela forma precipitada, a ausência de debate e o desrespeito pela comunidade educativa, que parecem marcar a ambição deste Governo de celebrar contratos de delegação de competências que ameaçam a estrutura da Escola Pública Democrática e Inclusiva. 
O SPZS congratula-se com esta decisão do Conselho Geral, que vem dar alento a todos os que têm contestado o desenvolvimento do processo de municipalização, em curso em vários municípios.
Sindicato dos Professores da Zona Sul (membro da Fenprof)

21 de Julho de 2015

V Convívio de Pára-Quedistas do concelho de Nisa


NISA recebe a visita do Presidente da República

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, visita o Concelho de Nisa no próximo dia 24 de Julho, com o seguinte programa:
16h15: Complexo Termal da Fadagosa de Nisa
17h00: Museu do Bordado e do Barro - Núcleo Central.

20.7.15

OPINIÃO: As urgências do Hospital de Portalegre

De acordo com a Ordem dos Médicos, as urgências do hospital da capital do distrito estão “permanentemente sobrelotadas”.
No Hospital de Portalegre, os maiores problemas têm a ver com constrangimen-tos de espaço e organização envolvendo, principalmente o Serviço de Medicina e a Urgência.
Os doentes (a grande maioria da Medicina Interna) ficam internados na Urgência em corredores e compartimentos esconsos e alguns chegam a ter alta daí, sem serem transferidos para o serviço de internamento. Este é um problema permanente desde há vários anos que, naturalmente, se agrava durante os picos. Infelizmente este cenário já faz parte dos hábitos dos utentes e dos profissionais.
Com causas principais apontam-se são a redução do nº de camas da Medicina (o 7º piso foi ocupado pelos serviços de conva-lescença e paliativos), a desestruturação do serviço de Medicina onde não há hie-rarquia nem liderança (os directores de serviço sucedem-se) e o efeito perverso da actividade clínica dos tarefeiros, onde falta o espírito de equipa resultante do horizonte temporal da sua tarefa.
As sucessivas administrações querem resolver este problema crónico construin-do “enfermarias” no espaço físico da Ur-gência (as obras irão permitir o interna-mento de 18 doentes mas a média de doentes internados ronda os 30, pelo que continuará a haver doentes internados em macas nos corredores).
As políticas praticadas nos últimos anos centraram-se na redução drástica do número de camas de internamento e na desvalorização das Carreiras Médicas, em que as hierarquias garantiam uma flexibilidade e compliance dos serviços que asseguravam as respostas adequadas às situações excepcionais, sem interferências administrativas.
Agora com a excessiva burocratização, constata-se a incapacidade das administra-ções das unidades, das ARS e da própria tutela na resolução do problema.
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses defende que o descongestionamento das urgências hospitalares passa pelo alargamento dos horários de funcionamento dos centros de saúde, mas considera que a medida tem que ser acompanhada pelo reforço de médicos e de enfermeiros nos serviços de urgência.
Estas realidades resultam da sucessiva redução do horário de atendimento dos centros de saúde e a falta de médicos são resultantes de politicas destrutivas que desde há anos vem destruindo o Serviço Nacional de Saúde.

Eugénia Palha Ferreira | CDU Alter do Chão

17.7.15

NISA: Sabe onde mora? (1)

LARGO HELIODORO SALGADO
Iniciamos o nosso passeio pela toponímia de Nisa pelo Largo do Boqueirão, ou mais propriamente designado Largo Heliodoro Salgado. Quem foi este Heliodoro (se tem nascido em Nisa seria chamado de Lidó) e o que fez para merecer o nome num dos largos da nossa terra?
O antigo Largo do Boqueirão, era um dos principais largos da vila, logo a seguir, em importância, ao Rossio. Ali teve a sua primeira sede, em 1916, a Associação dos Bombeiros Voluntários de Nisa. Ali se implantou, na década de 40, a primeira bomba de abastecimento de combustível, a Central de Transportes que fazia a ligação com os Caminhos de Ferro e, mais tarde, a Repartição de Finanças. No largo funcionou também os serviços de assistência anti-tuberculosa, doença que grassou de forma quase impiedosa no concelho até ao final dos anos 60, num pequeno edifício encostado à Igreja do Espírito Santo, actualmente afecto ao Município.
O Largo Heliodoro Salgado é um dos espaços aprazíveis de Nisa, dispondo de um pequeno jardim e oferecendo boas condições como zona comercial, nomeadamente, para a restauração. As placas toponímicas que identificam o largo carecem -  como muitas outras na vila -  de informação mais detalhada e precisa sobre os nomes que ostentam. No caso em apreço, bastaria inscrever por baixo do nome “Escritor e Jornalista/1864 – 1908”.
Heliodoro Salgado

Heliodoro Salgado nasceu em São Martinho de Bougado, concelho de Santo Tirso, em 8 de Julho de 1891, era filho do escritor e jornalista portuense Eduardo Augusto Salgado.
Começou a sua carreira profissional como professor primário para rapidamente a trocar pela de jornalista, colaborando em vários títulos. Começou por escrever no jornal socialista portuense O Protesto e também n’ O Operário, já que nessa altura estava inscrito no Partido dos Operários Socialistas.
No final da década de oitenta do século XIX Heliodoro começou a aproximar-se cada vez mais das ideias republicanas, tendo vindo a aderir ao Partido Republicano Português em data próxima do Ultimato inglês de 1890. Daqui decorreu a sua colaboração em quase todos os jornais republicanos como “O Século”, o ter dirigido a revista “A Portuguesa” bem como a coleção «Biblioteca do Livre Pensamento» e, ser um orador apreciado nos comícios organizados pelos republicanos. Refira-se que no jornal “O Mundo” usou os pseudónimos de Ivanhoé e Ismael.
A partir de 1897 instalou-se em Lisboa ganhando proventos a dar aulas de Português, Francês, Literatura, História e Filosofia em regime livre e, logo no ano seguinte, já integrava a Comissão Municipal Republicana de Lisboa. Presidiu também ao Centro Republicano Pátria e à Assembleia-geral da Associação Propagadora do Registo Civil, para além de exercer funções como secretário da associação Vintém das Escolas e sendo ainda redator da publicação homónima. No final da sua breve vida de 45 anos também desempenhou as funções de arquivista do Directório do Partido Republicano.
Heliodoro Salgado escolheu o nome de Lutero para ser iniciado na Loja lisboeta Obreiros do Trabalho, em 1890. Mais tarde também pertenceu às lojas União Latina do Porto (1893) e, Elias Garcia, de Lisboa (1897) e foi um dos participantes na Conferência Nacional Maçónica da Figueira da Foz em Setembro de 1906.
O seu enterro, a 14 de outubro de 1906, foi acompanhado por mais de 50 mil pessoas de todas as classes sociais e, o seu nome ficou lembrado na toponímia de múltiplas cidades e vilas portuguesas como Almada, Amadora, Barreiro, Lourinhã, Nisa, Portimão, Póvoa de Varzim, Sintra ou Trofa.
Foto de Heliodoro Salgado publicada na revista O Occidente, 20.10. 1906

15.7.15

POSTAIS DE NISA: O Menir do Patalou

O Menir do Patalou, descoberto pelo homem que está na foto - João Francisco Lopes - vai, finalmente, ser levantado e colocado na posição onde já deveria estar, há muito.A história do menir vai acabar por ter um final feliz, apesar do  seu desenvolvimento algo atribulado. Coisa de que o menir não tem a menor culpa.
Tenho ouvido, a propósito do menir e dos trabalhos de revitalização do local, as mais díspares opiniões. Algumas, não são bem contra o Menir, mas contra o "momento", a "oportunidade", os "custos" quando tanto falta para desenvolver Nisa e o concelho.
As mesmas "vozes" de oposição que nada disseram sobre o Conhal - uma iniciativa oportuna e de grande alcance, tal como a classificação das Portas de Ródão, para a visibilidade do concelho e da Naturtejo - e outros projectos de intervenção histórica e cultural a que o Município de Nisa meteu ombros (não interessa se com uma maioria azul, vermelha ou amarela) visando, exactamente, o desenvolvimento sustentável e integrado do concelho. Um desenvolvimento que não deve passar só e exclusivamente por obras farisaicas (o território municipal já tem algumas, infelizmente) mas contemplar o todo concelhio e as potencialidades que ele pode proporcionar para a melhoria das condições de vida de quem aqui continua a viver.
O Menir do Patalou, as Antas que urge recuperar, tal como os Percursos Pedestres, o Tejo que ainda não conseguimos ou soubemos "captar" para a esfera concelhia, a gastronomia, o artesanato, numa palavra o património e a cultura são indissociáveis dessa perspectiva de desenvolvimento que defendo, mas na qual não entra as plantações indiscriminadas de eucaliptos e, muito menos, a "hipotética" exploração do urânio.
E, sobre esta questão, os munícipes e os eleitos locais têm uma importante - e decisiva - palavra a dizer.
O Menir do Patalou vai ser levantado. Passa a ser uma mais valia turística e monumental do concelho, a exemplo que já acontece com o Menir da Meada, próximo da vizinha Póvoa e Meadas.
Congratulemos-nos  com a iniciativa e com o esforço desenvolvido por quem a tornou possível.
Mário Mendes

Apontamentos sobre a Queijaria de Nisa e Castelo de Vide (2) - O Passado e o Presente

 Na época a que me venho reportando, nos concelhos de Nisa e Castelo de Vide, faziam-se três tipos de queijo de leite cru:
- O de ovelha extreme, de dois tamanhos
- O mestiço, da mistura do leite de ovelha e de cabra, em proporções variáveis;
- O dos Montes, também de mistura do leite de ovelha e cabra, com predomínio mais frequente do cabrio.
O queijo de Ovelha era o característico de Nisa. O queijo que mais se impôs e afamou foi o de tamanho grande – 1.100 a 1500 gr de peso. Pela sua apresentação e qualidade ombreava com os queijos de ovelha do país do seu tipo. Esse deu nome a Nisa. Assim era conhecido.
O queijo de menor tamanho – 700 a 900 gr de peso – tinha qualidade, mas era absorvido pelo consumo local e regional.
O queijo Mestiço imperava no concelho de Castelo de Vide, tinha qualidade e reputação e tanto que pouco excedia o consumo local e as encomendas. O que sobrava tinha procura, logo no fim das queijeiras. O peso oscilava entre 600 e 800 gramas.
Como não havia regra sem excepção, a progressiva Casa Fragoso de Póvoa e Meadas (Castelo de Vide), só fazia queijo de ovelha dos dois tamanhos, do leite dos seus três rebanhos. O amor à árvore do proprietário não consentia a presença da cabra. Como dizia : “é bicho daninho, pasta alto, rói tudo onde chega”.
O queijo dos Montes, mais pequeno – 300 a 500 gr. De peso – era muito apreciado na zona, era praticamente absorvido pelo consumo local. Como mais pequenos, eram mais acessíveis no preço e como me dizia um ganhão, “condutavam bem”.
Noto que os produtores do autêntico queijo de Nisa, o grande, residiam em Nisa e lembro-me que nesse tempo se falava nalguns produtores fora de Nisa desse tipo de queijo. Apenas me vem à idia que um era de Arez, o lavrador Bastos, a Casa Rasquilho da Amieira e a Casa Correia, de Gáfete.
Os queijos de ovelha e os mestiços de Castelo de Vide eram consumidos curados. Os queijos de ovelha de maior tamanho também se consumiam, por vezes, na fase da pasta semi-mole, como acontecia com os seus congéneres de Serpa e Beira Baixa.
Lembro-me, porque assisti várias vezes, que os queijos guardados para consumo da casa eram mantidos em asados vidrados, tratados semanal ou quinzenalmente, para serem limpos, lavados com água ligeiramente salgada, secos a pano e untados no fim com azeite, para de seguida entrarem novamente nos asados.
Os queijos dos Montes eram consumidos, por via de regras, na fase de meia cura, com a massa, por vezes de consistência pastosa. Estes queijos depois de curados e pouco cuidados com o tempo secavam, engelhavam a casca, adquiriam sabor picante e activavam o cheiro, por vezes com exuberância.
Ainda me recordo das mulheres dos Montes e de Montalvão andarem de cesta na mão para venderem os queijos, de porta em porta, na minha aldeia.
Os queijos dessa época tinham características próprias, qualidade e reputação. Fartavam o consumo local e da região. Os excedentes tinham procura e aceitação nos mercados distantes.
Acentuo que na região não se vendia leite para queijar. Apenas nos Montes, segundo constava, num ou outro caso, o queijo era feito em regime de parceria entre vizinhos, quase sempre familiares.
Neste breve e singelo apontamento tentei recordar os queijos de Nisa e Castelo de Vide dessa época.
Nos tempos de estudante universitário, dois tipos de queijo tinham grande fama em Lisboa: o Serra e o Serpa. Na época própria enchiam as montras das mercearias finas da Baixa e do Chiado.
Curiosamente, o preço do queijo de Serpa era superior ao do queijo da Serra, ao invés do que acontece nos últimos vinte anos em que o preço do queijo da Serra, certificado ou só com o rótulo dessa região, supera bastante o preço do queijo de Serpa.
O queijo de castelo Branco ou da Beira Baixa, do mesmo tipo e apresentação dos referidos acima, aparecia menos nos mercados da capital.
O queijo de Nisa, idêntico aos anteriormente citados, no tamanho e características organoléticas, era o que tinha presença mais apagada no mercado lisboeta. A mais reduzida produção e a sua quase absorção pelo consumo local e regional, parecem explicar a sua mais parca presença.
A semelhança entre os quatro tipos de queijo é, a meu ver, inegável. As diferenças que se notam entre eles, filiavam-se, sobretudo, na fase de cura em que são lançados no mercado, portanto, na textura da massa. A mais reconhecida é a do queijo da Serra, com a sua pasta mole – de entorna – ou semi-mole com que aparece no mercado.
O hábito e o gosto dos consumidores, marca a sua preferência na escolha.
A semelhança reside na matéria-prima originária, na tecnologia de fabrico, no tamanho, na apresentação e nas características fundamentais.
Os técnicos e cientistas que se têm ocupado do estudo desses queijos são unânimes em afirmar que a raiz tecnológica dos queijos de ovelha focados é a do queijo da Serra e que os preceitos seguidos no fabrico na região da Serra da Estrela, foram divulgados e ensinados pelos pastores que acompanhavam os rebanhos em transumância pela Beira Baixa e pela faixa interior do Alentejo.
Neste grupo de queijos de ovelha, uma característica os distingue: a qualidade.
O queijo de Azeitão, igualmente de leite de ovelha extremes apareceu e ganhou fama mais tarde, depois de sofrer aperfeiçoamentos tecnológicos no fabrico e de ter sido fixado o formato e o tamanho. Entrou com galhardia no grupo de queijos de ovelha do país de alta qualidade.
Abro dois parêntesis: um para referir que comi em Espanha – Saragoça, Burgos, Talavera, Aranjuez, etc., o queijo Manchego, o mais corrente no país como queijo de ovelha. A qualidade era banal, ia do bom ao sofrível. Não impressionava e estava longe da qualidade dos queijos de ovelha citados.
Há três anos tive no Pavilhão de Espanha, na Feira Nacional de Agricultura (Santarém), a grande surpresa de ver e provar o novo queijo Manchego, feito para concorrência no mercado dos países da CEE.
Um queijo com rica apresentação, de tamanho grande, de bonito formato, com grande qualidade. Um progresso tecnológico notável, que muito dignifica os técnicos espanhóis.
O outro para anotar que a França é, na Europa e no mundo, o país mais rico em queijaria. São múltiplas e notáveis, pela constância do tipo e da qualidade, as variedades de queijo: o Roquefort, o Brie, o Point Levéque, o Camembert, o St. Lazaire, o Cantul, as Chévves (piramidal, cilíndrico, cúbico, o pequeno, etc.) eu sei lá quantas mais variedades.
Por isso os franceses se orgulham de ter o “rei dos queijos”, o Roquefort, e o “queijo dos reis”, o Camembert.
Portugal bem podia orgulhar-se de ter o “rei dos Queijos” , o Serra, e os queijos dos príncipes – o Serpa, o Beira Baixa, o Nisa , o Azeitão. São queijos de ovelha ímpares no mundo. A eles só se assemelha o Belle Daise italiano, sem os superar em qualidades sápitas.
Carrilho Ralo
NR - Este é o segundo texto do trabalho que temos vindo a publicar, da autoria do Dr. José Carrilho Ralo (já falecido) e foi entregue num caderno, escrito à mão, em Junho de 1997. Julgamos importante a sua divulgação, tanto pelo tema como pela autoridade profissional e científica do conhecido veterinário natural de Póvoa e Meadas

14.7.15

Empreendimento turístico de 1,5 milhões de euros nasce em Vila Velha de Ródão

Um empreendimento de turismo rural orçado em 1,5 milhões de euros e que aposta no turismo relacionado com a fileira do azeite é inaugurado em Vila Velha de Ródão no dia 25.
“Está a ser uma aventura das grandes, mas este projeto é a concretização de um sonho antigo”, disse hoje à agência Lusa o mentor do projeto, Carlos Lourenço.
Um dos objetivos passa pela aposta nos produtos da terra e da própria produção de Carlos Lourenço, que vai desde os ovinos, queijos e azeite e que já lhe valeram a conquista de vários prémios a nível nacional.
“O potencial associado à fileira do azeite é hoje reconhecido por todos os agentes económicos. Apesar da sua exploração tendencialmente agrícola, o azeite tem vindo a estruturar-se em novos segmentos de negócio, dos quais o olivoturismo é uma das faces mais visíveis”, constatou Carlos Lourenço.
E, neste âmbito, refere que o projeto da Herdade da Urgueira terá no olivoturismo um dos seus principais eixos de ação.
“Instalámos na herdade uma réplica de um lagar de azeite que servirá de mote para o desenvolvimento de um conjunto de iniciativas que visam o aproveitamento turístico deste produto”, disse o empresário.
Para concretizar este sonho, o empresário e a irmã, Fátima Lourenço, ambos naturais de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, decidiram avançar com o projeto, cujo início remonta a 2010.
O investimento total no projeto é de 1,5 milhões de euros e vai criar numa fase inicial seis novos postos de trabalho.
O dinheiro vem de capitais próprios e de três candidaturas ao programa Leader.
O complexo turístico da Herdade da Urgueira conta com 620 hectares e disponibiliza uma vasta área reservada ao contacto com a fauna e a flora.
Na zona envolvente à herdade é possível praticar atividades de lazer ao ar livre, como caça, pesca, canoagem, fotografia ou desportos aventura.
O empreendimento disponibiliza uma zona habitacional com sete habitações (três T1, dois T2, um T3 e um T2+1), quatro quartos individuais, uma suite, receção, um restaurante e piscina.
Carlos Lourenço disse que chegou a hora de diversificar a atividade e decidiu avançar naquilo que considera ser um complemento à atividade agrícola.
A Herdade da Urgueira foi adquirida em 1993 e as condições ímpares para o turismo rural e a procura, que no concelho de Vila Velha de Ródão tem vindo a aumentar, serviram como estímulo para avançar com o projeto.
Este promotor tem ideias bem definidas no sentido de aproveitar o enorme potencial, não só da herdade mas de tudo aquilo que Vila Velha de Ródão proporciona aos turistas e visitantes, nomeadamente a gastronomia local.
in Lusa -13/7/2015
Foto de Nuno Veiga - Lusa

A ponte sobre o Sever na Assembleia da República



A ponte internacional sobre o rio Sever ligando Montalvão a Cedillo volta a estar na ordem do dia após a vitória do PSOE nas recentes eleições autonómicas e municipais em Espanha. O PSOE venceu as eleições na Extremadura e consequentemente vai querer pôr em marcha o processo que leve à construção desta importante infra-estrutura, não por ser e para ser a “ponte do Miguel”, mas por se tratar de uma antiga e justa aspiração dos povos de um e outro lado da fronteira.
Uma obra desde há muito desejada e que tão mal compreendida e tratada tem sido pelos políticos centralistas que têm detém as rédeas do poder em Lisboa e em Madrid.
Em 23 de Fevereiro de 2000 o deputado do CDS/PP, Narana Coissoró, apresentou um requerimento na AR dirigido ao Ministério do Equipamento Social sobre a construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo na confluência deste com o rio Sever. À parte o deputado ter “colocado” o concelho de Nisa no distrito de Castelo Branco – erro menor e perfeitamente desculpável – a resposta, quatro meses depois, do Ministro é, no mínimo, estranha, pois refere que "o local referenciado para a reclamada ponte sobre o o rio Tejo na confluência deste com o rio Sever, não é servido por nenhuma estada incluída no Plano Rodoviário Nacional 2000".
Ora, é sabido que a Barragem de Cedillo, na confluência dos rios Tejo e Sever era, à data, e contrariamente à versão do Ministério do Equipamento Social, servida por estrada municipal, com perfil adequado a uma futura ligação a Espanha através da ponte.
Por outro lado, o requerimento fala numa ponte sobre o rio Tejo e não numa ponte sobre o rio Sever, situação a que não será alheia alguma estratégia desencadeada a partir de Castelo Branco, distrito a que o requerimento faz referência.
Curiosa, no entanto, é a resposta do Ministério, "retirando" ao concelho de Nisa a estrada de ligação à Barragem de Cedillo e com isso, "matando" desde logo, as pertinentes questões levantadas pelo deputado Coissoró.
A ponte, essa, continuou adiada. Quem sabe até ser construída uma nova estrada a incluir no Plano Rodoviário Nacional de.... 2025. 

13.7.15

“Nisa em Festa”: Animação musical, artesanato, produtos tradicionais e gastronomia regional

A Câmara Municipal de Nisa promove de 13 a 16 de Agosto o evento “NISA EM FESTA 21015”. A praça da República, espaço central da vila de Nisa vai acolher durante quatro dias um programa de animação musical, exposição e venda de artesanato e de produtos regionais, tasquinhas e restaurante com petiscos e pratos da gastronomia regional.
No que respeita à animação musical, há a destacar os concertos com Richie Campbell & 911 Band (no dia 14/agosto) , B4 (15/agosto) e José Cid (16/agosto). No dia de inauguração do NISA EM FESTA 2015, desfila a Marcha de Santo António, de Nisa e atuam a Banda Municipal Alterense e a Banda da Sociedade Musical Nisense. No dia 14 de agosto, antes do concerto de Richie Campbell & 911 Band, exibe-se a Orquestra Pimbólica Abrantina. A 15 de gosto, atuam The Peakles-Tibuto ao Beatles, antes do concerto dos B4. No dia 16 de agosto, o grupo de música popular Domingos & Dias Santos ocupa o palco antes do espetáculo de José Cid.
Todas as noites, no seguimentos das atuações e dos concertos, a animação do espaço do NISA EM FESTA 2015 prossegue com as escolhas musicais de consagrados DJs, designadamente DJ Babanz, DJ Morais, Dj Borrego, DJ Rafael PAP, DJ Oni e o consagrado DJ Eddie Ferrer ( na noite de 15 para 16 de agosto).
No espaço do NISA EM FESTA 2015 os visitantes poderão apreciar o artesanato de Nisa nas suas múltiplas expressões - olaria pedrada, bordados, alinhavados, aplicações em feltro... Estarão igualmente disponíveis queijos, doces, bolos, mel, vinhos, licores e salsicharia tradicional. Os petiscos e pratos da gastronomia regional poderão ser saboreados nas tasquinhas das associações locais e no restaurante da Festa!
CMN