31.3.13

Agradável afluência de dadores de sangue em Alpalhão




Para uma Freguesia de um concelho do interior: o que se pode dizer é que decorreu com agradável afluência a colheita que a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – levou a efeito, a 23 de Março, em Alpalhão, concelho de Nisa. Isto mesmo nos disse António Eustáquio que também salientou a presença de cinco novos dadores de sangue, entre eles um jovem casal.
A brigada teve lugar na sede do Grupo Ciclo Alpalhoense e reuniu 39 voluntários, dos quais 13 mulheres.
Os exames médicos preliminares ditaram que nem todos poderiam estender o braço, sendo certo que foram armazenadas 33 unidades de sangue
No local da colheita foi servido o almoço convívio patrocinado pela Junta de Freguesia de Alpalhão.
 Em Abril três colheitas
As próximas acções da ADBSP têm lugar aos sábados, entre as 09.00 h e as 13.00 horas: Sousel vai receber uma brigada, a 6 de Abril, nos Bombeiros; Arronches será brindada a 13 de Abril, nas instalações do Rancho Folclórico; Vale de Cavalos tem data marcada para 20 de Abril, na sede do Grupo Desportivo Cultural e Social desta Freguesia de Portalegre.
Certamente que aguardamos a presença de todos!
JR

30.3.13

NISA: Romaria de Nossa Senhora da Graça


AREZ: Festa e Romaria de Santo António


OPINIÃO: Contra -barreiras (e sem lógica !!!)

Alpalhão, hoje, 30 de Março, véspera de Páscoa, antevéspera da Sra da Redonda. Muita gente na terra, seus filhos (e netos), os das diásporas, vêm ver os seus. Dezembro deu lugar a Março/Abril. A visita à família, para a comunhão da festa, passou-se para a «ressurreição», perdendo quase totalmente o anterior peso natalício...
1. Nas últimas semanas, algumas paredes, de tão sujinhas, foram coloridamente embelezadas pelos cartazes das corridas de touros agendadas para a nossa região. Cabeço de Vide, Elvas, Alpalhão, Sousel, Redondo, etc. O arranque da época taurina aí está, a comprovar a força da «aficcion» norte-alentejana.
Cartazes de grandes dimensões, superam muito o aparato dos multicolores folhetos das grandes superfícies, nestes dias a encher as caixas do correio de quem não recusa a publicidade. Mesmo o arsenal propagandístico das campanhas políticas locais que se avizinham, em época de contenção (será mesmo assim?), devem ser mais modestas...
A imagem dos candidatos (salvo, talvez os cabeças de cartaz) será, certamente, uma miniatura do formato e imagem taurina das Anas, Sónias, Ritas, Ruis, Marcelos, Migueis e tantos outros...
2. Nos cartazes das touradas é bem visível a data e hora do espetáculo, nome dos artistas (incluindo, merecidamente, a forcadagem), empresa organizadora, patrocinadores, outros apoiantes, que a coisa não é barata!
Entre os cartazes referentes aos espetáculos previstos para este arranque primaveril (em que o clima assumiu papel anti-taurino), só um não traz impresso o brasão autárquico demonstrativo do apoio concedido pelo município. Em todos os outros, poder local na primeira fila do apadrinhamento das farpas e de quem as espeta.
3. O município que prima (uma vez mais) por esta falta de comparência aos toiros é o nosso, o de Nisa, o que teria, em princípio, a ver (terá?) com a iniciativa que, em Alpalhão, também serve para homenagear um alpalhoeiro cinquentão que se notabilizou como forcado.
Neste caso, em vez do brasão (ou outro símbolo, eles são tantos!) do município de Nisa, tem forte presença (com grande destaque), em Alpalhão, o novíssimo hotel do Monte Filipe... Repete-se: em Cabeço de Vide, Elvas, Redondo e Sousel, é a cor do emblema da freguesia e município que marcam pontos. E trata-se de municípios de espectros políticos multicolores. Para completar o leque das «cores» autárquicas, por exemplo, Moita e Salvaterra de Magos, tratam as touradas como Alberto João acarinha o Marítimo ou o Nacional (ressalve-se o exagero, que, obviamente, os dinheiros públicos em jogo não são comparáveis).
4. Até aqui tão perto, o Crato, integrando a «corrida» no prestigiado festival musical de agosto, aproveita para, com grande visibilidade, encher as paredes duma parte do país com a afirmação de que é «um município com história». Com história e com o vermelho bem vivo na marca de gestão autárquica que imprime no seu território, tornando-o, sem favor, a marca de poder local que faz exemplo no distrito de Portalegre. Vermelho vivo mantido para lá da linha do comboio. Ultrapassando-a, a caminho de Alpalhão, com o espetáculo cancelado pelo mau tempo (será castigo da Sra da Redonda?!) avista-se todo um espaço marcado por um grená que, de tão debutado, se diferencia completamente do vermelho que escorre do cachaço do animal.
5. O município de Nisa, como tantos outros, pode, por opção, não apoiar a «festa» dos touros. O que não é bonito é, goste-se ou não do espetáculo, os titulares da nossa câmara, institucionalmente, nos lugares que lhes reservam, deixarem naquelas três horas o presidente da junta a falar sozinho com o governador civil (agora já nem esse, extinto ainda antes das touradas!!! ), primando sempre pela ausência. A presidente da câmara é a presidenta de todos os nisenses (e alpalhoenses) e não dos que gostam ou não de ir aos touros.
6. Como remate deste supra-arrazoado tauromáquico, o que queremos transmitir de indignação é a incoerência e a hipocrisia política e institucional de um município que, em sede de sessão plenária da sua assembleia, aprovou uma resolução com toda a pompa declarando esta arte como «património cultural municipal». Então assume -se este compromisso perante o povo, a «aficcion» nacional, como moda que correu na ocasião uma parte do país, e depois não se apoia, em concreto, os ditos espetáculos exuberantemente exaltados oficialmente no forum municipal de excelência, quando eles ocorrem no nosso concelho?
O ridículo é de tal ordem que um município que aprovou tal proclamação, ainda não teve vagar de se tornar membro da secção de municípios com atividade taurina, onde, naturalmente, estão todos os outros que aprovaram essa do «património cultural municipal». Como se pode, aliás, estranhar tais incongruências, quando a ANMP tem duas secções (Barragens e Áreas Protegidas) de que Nisa também não tem interesse em participar e defender, nesses domínios, os nossos interesses... Lá vemos (obviamente) Mação, V.V.Ródão, Castelo de Vide, C.Maior (nas barragens) ou Portalegre, Arronches, Marvão (nas áreas protegidas). Nós por cá, já não é só a falta de veia desenvolvimentista e a traição quotidiana ao mais básico sentido de nisorrismo. É o absoluto desleixo, o «deixa andar», o cinzentismo que já nem deixa que haja touros na Páscoa !!!
Luís Miranda

O BORREGO NA GASTRONOMIA ALENTEJANA (1)

Cabeça de Borrego com Arroz de Vinagre (Nisa)
Em tempo de Páscoa, o borrego faz as delícias da cozinha tradicional portuguesa. Confeccionado de mil e uma maneira, encontrámos no jornal regionalista “Brados do Alentejo” esta receita, simples, que partilhamos com os visitantes do Portal.
Preparação
Cozem-se as cabeças dos borregos só com sal. Refoga-se cebola, alho, azeite e salsa e junta-se a água onde as cabeças cozeram. Deixa-se ferver e deita-se o arroz.
Depois de cozido rega-se com vinagre a gosto. Um bom tinto da região de Portalegre é acompanhamento indicado. Para rebater aconselha-se um chá de fel-da-terra bem quente. É divinal.
Costeletas de borrego panadas (Alto Alentejo)
Ainda da nossa região, uma receita fácil de preparar e com todo o cabimento na época que corre.
Ingredientes: 850g de costeletas; 5 dentes de alho; 0,5 dl de vinho branco; sal e pimenta; 2 ovos; farinha; pão ralado.
Preparação: Achatam-se ou batem-se as costeletas, temperam-se com os dentes de alho pisados com sal, pimenta e vinho branco. Deixam-se um bocado em repouso. Depois envolvem-se em farinha, passam-se pelos ovos batidos e por fim pelo pão ralado. Fritam-se em óleo ou azeite. Servem-se com puré de batata ou azeitonas.
Bom Apetite!

29.3.13

NISA: Os "Artilheiros de 1953"

Esta foto foi tirada há mais de 40 anos. Os jovens que nela aparecem, irreverentes e alegres, completam em 2013, sessenta primaveras. Alguns dos "Artilheiros de 53" já não estão, fisicamente, entre nós. 
Mais do que uma lembrança, a foto é, também, uma homenagem a esses nossos conterrâneos que um dia foram chamados para tirar "sortes" e pela crueza do destino, não puderam escolher a sua "sorte"...

Nisa: Exposição de Pintura de António Maria Charrinho

"Imagens da Minha Terra" é o título da exposição de pintura de António Maria Charrinho que estará patente ao público na Biblioteca Municipal de Nisa de 2 a 30 de Abril. Oportunidade para apreciar os trabalhos pictóricos deste artista nisense.

28.3.13

Orfeão Universitário do Porto actuou em Nisa











... E Viva a Música!
O Orfeão Universitário do Porto, no âmbito da digressão que fez ao Alto Alentejo (Nisa) e Beira Baixa, actuou na passada sexta-feira, 22, no Cine Teatro de Nisa, oferecendo um espectáculo musical de excelente qualidade.
Durante duas horas, os espectadores que trocaram o aconchego do lar por uma deslocação ao Cine Teatro, numa noite fria e desagradável, não deram o seu tempo por mal empregue, antes pelo contrário, assistiram a uma demonstração portentosa por parte dos artistas universitários do Porto, que homenagearam as nossas raízes musicais e etnográficas, num espectáculo colorido, cheio de vida e de canções que percorreram o país, desde o Algarve a Trás-os-Montes, passando pelos Açores, a Beira Baixa e pelo cante alentejano, com trajes, danças e coreografias que primaram pela autenticidade e respeito pelas suas origens.
Foi um espectáculo de rara beleza e categoria, proporcionado por mais de cinquenta jovens estudantes e que merecia mais público, para mais tratando-se de um espectáculo com entrada livre.
Ficaram a perder, aqueles que por comodismo ou desinteresse não compareceram, sendo certo que as más condições de acolhimento da sala – que continuam por resolver – não serve para explicar este alheamento de uma oferta cultural, a todos os títulos, de grande mérito e oportunidade.
Mais do que merecidos foram os aplausos com que o público presente tributou a actuação do Orfeão Universitário do Porto e alguns nisenses não deixaram de exprimir um apelo e convite: venham mais vezes!
Mário Mendes

27.3.13

500 Caminheiros na Rota do Contrabando












Cerca de 500 caminheiros de Portugal e Espanha animaram os antigos caminhos e veredas da raia por onde passavam as Rotas do Contrabando. A iniciativa, organizada pela Inijovem (Nisa), realizou-se no sábado, dia 23, entre Cedillo e Montalvão. A chuva, o frio, o vento e a lama, não desmobilizaram as centenas de homens e mulheres de todas as idades que, todos os anos, compartilham o prazer do convívio e da aventura. As imagens, magníficas, de Jorge Nunes, falam por si... 

ALPALHÃO: MTA apresenta curta-metragem O Salvador


26.3.13

NISA: Animação e convívio no Encontro dos José(s)






É já tradicional no mês de Março, o convívio onomástico dos José(s), este ano realizado no sábado, dia 23, na horta do senhor José Perfeito.
Cerca de quarenta indivíduos de nome José não olharam para o tempo chuvoso e frio, juntando-se para desfrutarem esta festa da amizade, da gastronomia e da boa disposição, tendo o nome como motivo.
A gastronomia tradicional fez as honras do encontro, através do saber experiente dos mestres cozinheiros, José “Parente” e José Poeiras, superiormente ajudados por outros Zés de indiscutível qualidade e com mãozinha para os temperos.
Este ano, a equipa dos sabores, apresentou uma soberba sopa de peixe do rio, com aroma e paladar divinais que a todos deliciou. De tarde, os grelhados foram servidos e apreciados de igual modo, num convívio onde não faltam os momentos de boa disposição, a música e os jogos tradicionais.

24.3.13

NISA: Memória do Cine Teatro (Março 1942)



“Peço a Palavra” (Mr. Smith Goes to Washington, no original) foi considerado pelo jornal norte-americano The Nation, o melhor filme de Hollywood de 1939 e foi exibido em Nisa no dia 8 de Março de 1942. Realizado por Frank Capra e interpretado por Claude Rains, Edward Arnold, Guy Kibbee, James Stewart, Jean Arthur,  Thomas Mitchell, o filme conta a história de Jefferson Smith, um homem simples de uma pequena cidade, enviado como senador a Washington por um grupo de políticos que o querem transformar numa marionete ao serviço dos seus interesses. Smith iniciará uma solitária batalha contra a corrupção e contra um grupo de senadores sem escrúpulos. James Stewart, com uma interpretação magistral, Jean Arthur e Claude Rains protagonizam este clássico da história do cinema.
No dia 21 de Março desse ano, o Cine Teatro de Nisa abriu as suas portas para uma Récita de Estudantes de Portalegre, a favor da sua Caixa Filantrópica, espectáculo em que obtiveram uma receita total de 1240 escudos, revertendo para a empresa do Cine Teatro Nisense Lda a quantia de 343 escudos e cinquenta centavos.
Como balanço do mês de Março de 1942, o Cine Teatro de Nisa registou a presença de 1127 espectadores nos quatro espectáculos realizados.

CRÓNICAS DE LISBOA: O barulho das carroças vazias


“Uma certa manhã, o meu pai, homem muito sensato, convidou-me a darmos um passeio pelo pinhal e que , com alegria, eu aceitei. Ele deteve-se numa clareira e depois de um pequeno silêncio, perguntou-me: filho, além do cantar dos pássaros, ouves mais alguma coisa? Apurei os ouvidos e respondi-lhe: oiço o barulho duma carroça. Isso mesmo, disse-me ele, mas é uma carroça vazia. Surpreendido, perguntei-lhe, como sabia ele que a carroça vinha vazia, se ainda não a tínhamos avistado! Respondeu-me que é muito fácil saber que uma carroça circula vazia por causa do seu barulho. Quanto mais vazia a carroça vier, maior é o barulho que ela faz”.
Tornei-me adulto, e sempre que vejo uma pessoa a falar demais, gritando para intimidar os outros, com prepotência e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, lembro-me logo do que o  meu pai me disse:”Quanto mais vazia a carroça anda, mais barulho ela faz”. Aquela lição de vida, leva-me a fazer a analogia com os “barulhos ensurdecedores” ,emitidos por muitos dos nossos políticos, ex-governantes, empresários, sindicalistas, comentadores, etc, e agora também o povo que, com razão ou sem ela, também recorre a esta forma de protesto, gritando e verbalizando ofensas graves e ameaças ao direito dos outros, sejam eles governantes eleitos ou simples cidadãos, que a democracia tolera mas que a fere nos seus princípios e valores.
Os meios de comunicação social, todos eles com papeis imprescindíveis nas sociedades modernas e democráticas, exercem um enorme poder, ou não fossem considerados o 4º. poder sobre os agentes políticos, cidadãos, etc. A concorrência entre eles, especialmente as televisões e na luta pelas audiências que lhes permite melhores contratos na obtenção das receitas financeiras, necessários à sua sobrevivência, leva-os a adoptar diversas estratégias, visando o domínio sobre os seus concorrentes. Se aos privados se compreende estas guerras, já à RTP (televisão e rádio), que tem vivido com as receitas provindas das contribuições, forçadas, dos consumidores de electricidade e das subvenções do OE (dos nossos impostos), bem como das receitas da publicidade, se exige que se norteie por outras práticas e objectivos, isto é, pela “prestação do serviço público” de rádio e televisão, duma forma isenta, informativa e também formativa. Numa palavra, que seja diferente dos outros dois operadores de televisão, estes tendo como objectivos finais a rentabilidade dos capitais investidos pelos seus accionistas. Obviamente que nem oito nem oitenta, isto é, nem como defendia Salazar (“Um Estado nacional deve vigiar a sua imprensa e conduzi-la na direcção dos interesses comuns”), nem com uma certa irresponsabilidade e manipulação das massas.
A produção televisiva, necessita também  de “vedetas” e no que aos comentadores de política diz respeito, tentam contratar os melhores “papagaios”, de modo a abafarem os seus concorrentes, com o   ”barulho” emitido pelos mesmos. Têm sido muitas as doutas personalidades que, aos longo dos anos  “botam palavra” nas televisões e por ali têm passado homens e mulheres de vários quadrantes politico e partidários, com elevado nível e isenção n esse importante papel de debate, de informação e formação, mas,  também com muito joio à mistura, isto é, alguns que ali exibem a sua incompetência, mas acima de tudo, a sua falta de ética e de isenção. Mais preocupante é ainda o facto de muitos desses comentadores terem exercido o poder e, alguns, serem também responsáveis pelo estado a que o nosso país chegou. Querem fazer crer de que são os donos da razão e do saber e em vez de (in)formarem os expectadores, convertem-se em verdadeiros intoxicadores das mentes menos preparadas, provocando-lhes estados de revolta e sofrimento, enquanto eles, pagos a peso de ouro, observam da sua cátedra dourada. É revoltante e o cúmulo está agora a acontecer, o anúncio de que a RTP, contratou José Sócrates para voltar ali, como comentador político. Será convertido em vedeta para combater os craques da SIC e da TVI na mesma área televisiva, isto é, “botar palavra”, sem qualquer responsabilidade dos seus actos políticos passados e dos efeitos, no presente e no futuro, tal como outros o fazem nos canais privados. Mas não vem só e, pasme-se, parece que Ferreira Leite irá para a TVI! De acordo com a imprensa, Dias Loureiro terá sido convidado, mas recusou, atitude que Sócrates entendeu não fazer, porque, tal como está a situação no nosso país, não há ainda espaço para os seus comentários políticos. O que irá comentar, ele que  teria mais a que responder, em vez de comentar? Fará como os outros, vindo aumentar ”o barulho das carroças vazias” e provocar mais fracturas no espectro político português, tão carecido de consensos e duma conjugação de esforços, que a própria UE exige. Contudo, custa mais aceitar e a entender a atitude da RTP que, ou não avaliou bem os efeitos, já em efervescência, ou tem objectivos escondidos. Será para fragilizar José Seguro, ele o agitador-mor do estado social, laboral e politico-partidário? Mas há também responsáveis no PS que estão contra este regresso e consideram ”uma má ideia” ou “uma decisão pouco prudente”. Isto é mais um mau exemplo da politica à portuguesa e que o povo não merece ou será um castigo por causa da qualidade dos políticos que gera?
Serafim Marques – Economista

22.3.13

ALPALHÃO: José Cid na Tapada das Safras


VELADA: População organiza almoço convívio com Borrego da Páscoa

A População de Velada vai organizar, no dia 6 de Abril de 2013 pelas 13h00, um almoço convívio com o Borrego da Páscoa.
Colaboram na organização deste almoço convívio, o Centro Social de São Matias, a Junta de Freguesia de São Matias e a Electro Narciso.
O Almoço, que vai ter na ementa Sopas de Sarapatel e Ensopado de borrego, terá a importância de 2,50 sopas.
A organização solícita aos convivas que levem, talher e prato e que colaborem com um doce.
Contactos e Inscrições:
Velada: Armando Simões e Pereira Louro;
Nisa: José Francisco Patrício;
Monte Claro: Olga Ferrer.

21.3.13

TOLOSA: Iniciativas na Páscoa 2013


OPINIÃO - Francisco Bergoglio: Ver para crer

1. A eleição do cardeal de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, para bispo de Roma, tratamento por ele preferido em vez de papa da igreja católica apostólica romana, gerou uma onda de simpatia e expetativa no pontificado agora iniciado, tanto para fiéis como para muitos não crentes.
  Um acontecimento desta natureza tem, naturalmente, repercussões no futuro da humanidade. Além do poder religioso, o papa tem o estatuto de chefe de estado, o Vaticano, indiscutivelmente, na conjugação de múltiplos aspetos, um dos mais poderosos do mundo. Em poucos casos de tomadas de posse de chefes políticos estão 132 delegações ao mais alto nível. Desta vez, com o acréscimo (muito positivo) da presença de quase todas as correntes do cristianismo e outras religiões. Ortodoxos, hebraicos, islamitas, etc,etc., a antever salutar aprofundamento do diálogo ecuménico.
2. Conhecida a escolha do colégio cardinalíssimo, saído o fumo branco da pequena chaminé,impressionou o ar simples como o novo papa se dirigiu aos milhares presentes na praça de São Pedro. A origem latino-americana, a ascendência familiar humilde, o gesto (pouco usual) de utilizar transportes públicos e o hábito de confecionar as suas refeições, entre outros atributos empáticos, criaram, de imediato, enorme  onda de simpatia, levada ao «rubro» quando proclamou que quer «uma igreja pobre, para os pobres».
3. Sem perda de tempo,as correntes mais «duras» da esquerda latino-americana lançaram a acusação da conivência de  D. Jorge com crimes da ditadura argentina, nomeadamente na perseguição a padres mais progressistas. Em simultâneo, critica-se-lhe a posição conservadora a propósito da aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, o que terá levado a fortes tensões com a presidente do país. Pelos documentos disponíveis, são acusações verdadeiras, sendo irrazoável a tentativa do porta-voz do Vaticano em desmenti-las, atacando logo correntes de opinião e jornais «esquerdistas».
4. Estes aspetos do passado, que não podem, naturalmente, ser escondidos, não devem, contudo, ser sobrelevados. Primeiro, porque uma das principais vítimas já veio dar o assunto por «encerrado». Depois, porque, na lógica religiosa do perdão há que saber ser tolerante, mesmo por parte daqueles que não seguem a doutrina. Mal comparado (pelo alto cargo que está em causa) conhecemos regedores do antigamente que, «regenerados» pela democracia, realizaram notável trabalho como presidentes de junta da sua freguesia ou jovens que serviram (de forma autêntica, sem oportunismo) o regime democrático decorrente da revolução de abril e tinham «pertencido» à «mocidade portuguesa » salazarenta. Há que saber atender à reconversão quando ela é genuína.
5. Não se pode  pretender que o novo papa (ou qualquer outro) venha defender a «liberalização» do aborto como livre opção da mulher ou a adoção de crianças por dois homens. Não queiramos o impossível. Era negar os próprios princípios da igreja. O que há que reclamar de um papa, isso sim, se quer ser levado a sério quando diz «ser sensível ao sofrimento dos mais fracos» é ser tolerante e aceitar a interrupção da gravidez em situações como, por exemplo, a brutalidade da violação da mulher. Um papa carinhosamente «amigo das pessoas», a quem quer «assegurar a beleza da criação», não pode mais considerar a homosexualidade com doença, levantar objeções morais ao uso do preservativo como forma de planeamento familiar e prevenção de doenças, enfim, conflituar com progressos civilizacionais elementares. Tem que lutar corajosamente (não apenas em discursos de circunstância) por uma paz autêntica e duradoura, contra a selvajaria e desumanidade do capitalismo que escraviza tantos seres humanos, pelo desenvolvimento harmonioso, incluindo no plano ambiental, do planeta, em todos os seus lugares, insurgindo-se contra o individualismo sem valores e o «salve-se quem puder».
6. Nos atos que se esperam, para dar coerência às palavras do arranque do pontificado, as mudanças no seio da igreja serão a pedra toque determinante. O anacronismo do celibato dos sacerdotes, muito na origem das perversões sexuais que têm constituído escândalo, a ordenação das mulheres, que são largamente maioritárias no envolvimento religioso e o envolvimento alargado dos fiéis leigos numa nova estrutura que se quer mais aberta, livre e democrática. Nesse sentido, é urgente retomar de forma corajosa as conclusões (muitas por impulsionar) do concílio  Vaticano II e avançar para a realização de um outro conclave com novo espírito e ligação efetiva à sociedade. Deseja-se que a próxima eleição de um papa não seja privilégio de 115 cardeais, mas participação eleitoral de todo o corpo de sacerdotes, incluindo os leigos. Importante que daí resulte um papa com idade muito inferior a Francisco. Sem ofensa ao caráter ativo que deve marcar um envelhecimento saudável, certas funções requerem o impulso de adultos seguramente, mas mais jovens. Não é razoável o bispo de uma diocese resignar obrigatoriamente ao completar 75 anos e o chefe máximo da igreja iniciar a missão já com essa idade ultrapassada. É uma contradição etária que também terá que ser resolvida no futuro.
José Manuel Basso

AMIEIRA DO TEJO: II Evento de Recriação Histórica

Cortejo fúnebre da Rainha Santa Isabel, Mercado Medieval, Torneio Medieval, Exposições
 A 29 e 30 de março decorre em Amieira do Tejo (Nisa) o II Evento de Recriação Histórica, organizado pelo Grupo Desportivo e Cultural de Amieira do Tejo.
Na edição deste ano, o Evento de Recriação Histórica continua a divulgar a nossa história! Depois de em 2012, ter recriado a entrega do castelo no contexto das lutas pela independência, em 2013 será recriada a passagem do cortejo fúnebre da Rainha Dona Isabel pelas terras de Amieira do Tejo, no seu percurso entre Estremoz e Coimbra, tendo atravessado o rio no local designado por Barca da Amieira,
Com os Eventos de Recriação Histórica procura-se dar a conhecer uma perspetiva da vida na Idade Média. Serão recriados o ambiente e as vivências, com o desempenho ao vivo de atividades desta época histórica, como: trabalhos em couro, costura, carpintaria, monge escriba, tiro com arco, treino de escudeiros, danças medievais e espetáculos com saltimbancos. A recriação histórica é apresentada ao público tendo como pano de fundo o cenário único das muralhas e torres do Castelo de Amieira do Tejo, complementado com o visual das tendas multicoloridas que acolhem os elementos recriadores.
A parte da animação e da diversão estará presente e será possível aos visitantes experimentar jogos de tabuleiro e outros e participar em brincadeiras e divertimentos que faziam parte do quotidiano medieval. O evento integra ainda um animado mercado medieval com grande variedade de artigos que os visitantes poderão apreciar e adquirir. No mercado medieval  participam mercadores, artesãos, produtores locais e artífices. que num espaço de animação e convívio promovem a recriação das artes e ofícios e do comércio característicos da Idade Média, e em particular do Seculo XIV.
 Decorrerão ainda exposições de equipamentos militares e de imagens dos diversos Forais Manuelinos do Concelho de Nisa.
PROGRAMA - HORÁRIOS E ACTIVIDADES
6ª feira – 29 de Março
 12H00 –Abertura do evento e do mercado medieval.
 13H00 – Almoço
 14H00 – Apresentação dos grupos recriadores participantes na escadaria da Igreja de S.João Baptista.
15H00- 17H00 – Tiro com arco (disponível para experiência dos visitantes)
15H30- 16H30 – Treino de escudeiros (junto ao acampamento do grupo Guildas Áureas)
18H00 – Danças medievais (com possível participação dos visitantes)
17H00- Espetáculo com o Saltimbanco da Charneca
19H00 – Chegada do arauto às portas do castelo, anunciando a morte da rainha D. Isabel.
19H30 – Teatro: Saltimbanco da Charneca
20H30 – Jantar
22H00 – Chegada do cortejo fúnebre da rainha D. Isabel às ruas de Amieira, à luz de archotes. Encaminhamento para o castelo.
24H00 – Encerramento das actividades.
Sábado, 30 de Março
11H00 – Abertura do evento. Saída do cortejo fúnebre da rainha D. Isabel para a travessia do rio Tejo.
12H30 – 13H30 – Tiro com arco (disponível para experiência dos visitantes)
13H30 – Almoço
14H30-15H45 – Tiro com arco (disponível para experiência dos visitantes)
16H30 – Treino de armas – Torneio
17H00 – Conferência pelo Dr. Francisco Isaac do Instituto Prometheus na Igreja de S. João Baptista. Tema: “ A presença dos cruzados na Península Ibérica” ( entrada gratuita e aberto ao público em geral)
18H30 - Danças medievais (com possível participação dos visitantes)
20H30 - Jantar
22H00 – Atuação do Grupo “Manta de Ourelos”. Teatro: Saltimbanco da Charneca
24H00 – Encerramento das atividades.
Ao longo de todo o evento:
- Desenvolvimento de diversas atividades de recriação ao vivo
- Exposição de equipamento militar de diversos séculos na torre S. João
- Jogos tradicionais da Idade Média
-Exposição de imagens dos diversos Forais Manuelinos do Concelho de Nisa (Torre de Menagem)

20.3.13

AREZ REAVIVA TRADIÇÃO


 Os cânticos na noite da Encomendação das Almas 
Mário Mendes
Em Arez, as noites de sextas-feiras da Quaresma ganharam, desde há 11 anos, um outro encanto e mistério. Um grupo já identificado como o dos “Encomendadores” percorre as principais ruas da antiga vila e em locais estabelecidos, na encruzilhada de caminhos, dispõe-se em círculo e entoa os cânticos da “Encomendação das Almas”.
É uma tradição muito antiga, que remonta à Idade Média e praticada em Arez até início dos anos sessenta do século passado. Depois, por falta de “encomendadores” ou de vontade, o ritual perdeu-se e foi sendo esquecido na poeira do tempo. Até que...
“ Em Março de 2002, - relembra Rosa Metelo, professora e presidente da associação ACESA – “no âmbito do projecto local “Seres e Saberes” da antiga Escola Básica de Arez, a que pertencia como professora, os alunos resolveram entrevistar e filmar o senhor José que, entre várias histórias e costumes antigos, lembrou a tradição que era feita em Arez, nas sextas-feiras pela Quaresma e que se chamava “Encomendar as Almas”. Professores, alunos e senhoras de várias idades ensaiaram, então, a letra e os cânticos. Às 11 horas da noite saímos da escola e em silêncio caminhamos até às encruzilhadas onde antigamente se encomendavam as almas. Terminámos o percurso à meia-noite, depois de termos cantado a “Encomendação” em sete locais da aldeia. A tradição era reposta e assim tem sido desde essa altura”.
Na noite da passada sexta-feira, estivemos na sede da ACESA – Associação da Cultura e Saberes de Arez – e ficámos a conhecer o grupo de “Encomendadores”: Idalina Vaz, 72 anos; João Lourenço, 68 anos e a esposa Maria de Fátima Lourenço, de 66; Rosa Metelo, 57 anos, a mentora do projecto e o filho Ricardo Metelo, 18 anos.
O grupo chegou a ter, no início, 20 elementos, constituído na sua maioria por mulheres. Hoje, devido a doença, não pode contar com Antónia Vaz, 74 anos, e uma das vozes mais sonantes. Não se trata de um grupo completo, fechado. O apelo da ACESA dirigido aos habitantes de Arez é que mais homens e mulheres, idosos ou jovens, participem, mantendo e divulgando esta tradição.
Saímos para a rua. A aragem da noite é fria, mas parece ter passado a ameaça de chuva. A primeira paragem é junto à Igreja Matriz. Dispostos em círculo, os encomendadores puxam das vozes e, em sintonia, lançam em cântico, os apelos à quietude das almas.
São sons pungentes, um cantochão vibrante que quebra o silêncio quase sepulcral da aldeia. Não se vê vivalma. Pressente-se, porém, através da luz vinda de algumas frestas de portas e janelas que os cânticos não passam indiferentes. Diz a tradição e, talvez, a superstição das gentes, que “enquanto as almas são encomendadas não se deve abrir portas ou janelas, para impedir a entrada de alguma alma desencaminhada”.
Eu vos peço aos meus irmãos
Que rezeis um padre-nosso
Àquelas benditas almas
Que andam sobre as águas do mar
Que Deus chegue a ponto d`as salvar
Seja pelo amor de Deus
Pelo amor de Deus seja
O cântico é repetido mais duas vezes, com ligeira alteração no começo do primeiro verso “Mais vos peço...” e na intenção “Que rezeis uma Ave-Maria” e “Que rezeis uma Salve-Rainha”. O ritual termina, em cada paragem, com os elementos do grupo a benzerem-se, fazendo o sinal da cruz.
Chegámos ao alto do Rossio, junto ao cruzeiro. O grupo procura o melhor sítio para difundir a mensagem, mas o frio e o vento são cortantes, gélidos. Agasalham-se como podem, tentando proteger as vozes e as gargantas. Não é um exercício fácil, esta prática que vem desde a longínqua noite dos tempos e que em algumas aldeias do norte é, de quando em vez, “condimentada” com um copinho para retemperar as forças. Aqui, domina a vontade, a religiosidade, inquebrantável destes homens e mulheres.
Entoam, a uma só voz, os apelos em forma de música, para serenarem as almas.
Repetem, ao longo da noite, fria e silenciosa, em mais cinco locais da aldeia, as mesmas palavras e preces, irmanados num desejo comum que junta a fé, a cultura e a tradição.
Na próxima sexta-feira, e até à sexta-feira santa, sairão, novamente, para a rua e irão “Recomendar as Almas”, porque “há almas que precisam de luz” e o objectivo da associação é manter ACESA na comunidade, a chama da esperança e do respeito pelas tradições. 
O Encomendar das Almas no concelho de Nisa
A tradição “Encomendar as Almas” remonta à Idade Média e ainda hoje é praticada em muitos locais do país, principalmente no norte e na Beira Baixa e até no Brasil, principalmente nas regiões onde mais se fez sentir a presença colonizadora portuguesa, nomeadamente, no Estado de Minas Gerais, de onde nos chegam vários relatos sobre esta prática ancestral.
No concelho de Nisa caiu, há muito, em desuso, havendo notícia de que era um rito corrente em Nisa, Montalvão e Amieira do Tejo.
Em Nisa e de acordo com José Francisco Figueiredo (1) era uso pela Quaresma “especialmente na Semana Santa, encomendar as almas. Um terceto ou quarteto de executantes da filarmónica, acompanhados de várias cantoras, percorria as ruas da localidade a altas horas da noite, entoando, em funéreo acento, algumas quadras alusivas às penas sofridas pelas almas do Purgatório. Este costume acabou por completo, assim como o de rezar o terço com acompanhamento de vários cânticos, que diariamente congregava, em casas particulares, dezenas de mulheres da vizinhança.”
Não menos importante e pelo seu valor religioso e etnográfico, deixamos para registo o ritual da “Encomendação das Almas, em Amieira do Tejo, tal qual nos é descrito no livro “Amieira do antigo priorado do Crato” (2)

 A Encomendação das Almas – Amieira do Tejo
Durante a Quaresma, geralmente nas terças ou sextas-feiras de cada semana, grupos de rapazes e raparigas, chefiados por algumas pessoas de mais idade, que antes tinham sido os seus ensaiadores, percorriam, por volta da meia-noite, todos, ou pelo menos, os principais Passos, como o da porta da Igreja, o da Praça, e o do Calvário, onde, numa toada plangente e sentimental, cantavam em coro, algumas vezes acompanhados por um pífaro pastoril ou harmónio, as quadras que se seguem, assim falando àquela hora e por aquela forma aos sentimentos de piedade das pessoas que, nas suas camas, as escutavam, rezando, quando eles o pediam, um Padre-Nosso e Ave-Maria:
Cristandade tão unida:
Ouvi gritos e ais
Dos que estão na outra vida,
As almas dos nossos pais

Toda a noite e todo o dia,
Sempre estão numa agonia,
Pedindo que lhes rezem
Padre-Nosso e Ave-Maria.
E após uma pausa para se rezarem o P.N e A.M., prosseguiam:
Gritam contra os seus herdeiros
A quem os seus bens deixaram,
Gritam contra seus parentes,
Que neste mundo ficaram,
E contra o seu amigo,
Que nem sequer o alivia
Com um Padre-Nosso e Ave-Maria.
 Faziam, em seguida, momentos de silêncio, para dar tempo a que todos, encomendadores e ouvintes, rezassem cinco P. N. ao Santíssimo Sacramento e três Salve-Rainhas a Nossa Senhora, assim seguindo de um para o outro Passo.
NOTAS
(1) José Francisco Figueiredo“Monografia da Notável Vila de Nisa”
(2) Tude de Sousa e Francisco Vieira Rasquilho“Amieira do Antigo Priorado do Crato”
in "Alto Alentejo" - nº 320 - 20/3/2013