30.12.14

CRÓNICAS DE LISBOA: O Vazio do Pós Festas Natalícias

 Neste Natal, S. Pedro bafejou-nos com temperaturas amenas e soalheiras, mais parecendo uma primavera extemporânea. Então o dia pós Natal foi um dia radiante de sol, permitindo a muitos cidadãos e muitos turistas usufruírem desse privilégio. Fui daqueles que ousei deixar o meu bairro, onde parecia pairar um “ar de tristeza” e viajar até à beira-rio (mar), onde poderia encontrar, o sol de inverno e espraiar os já muito vistos horizontes, mas sempre diferentes porque diferente é sempre o nosso estado de alma. Escolhi um dos destinos e a opção tomada recomendava mesmo a utilização dos transportes públicos, em vez do automóvel. Planeei, sem grande rigor, o percurso que iria fazer, tentando descobrir coisas novas, apesar dos cinquenta e dois anos a viver na cidade, e revisitar espaços renovados que vão embelezando a cidade, sem , contudo, esta deixar de exibir muitas das coisas que nos deveriam envergonhar, como seja prédios devolutos e a ameaçar ruínas em zonas nobres e turísticas, cenários idênticos a muitas das nossas vilas e cidades, cujos centros históricos mais parecem ruínas duma qualquer guerra ou bombardeamentos. Fiquei surpreendido com a imensidão de gente, de várias idades e nacionalidades que passeavam pela zona ribeirinha e pela baixa da cidade e eu, turista solitário na minha cidade, ia observando, como se fosse a primeira vez, e fotografando, ao mesmo tempo que sentia alegria, mas também uma certa vergonha pelas coisas feias que ofuscam as nossas belezas.
Cansado e porque estava na hora do regresso a casa, preparava-me para esperar pelo autocarro, quando deparei com um antigo colega da faculdade que, como eu, tinha descido até à baixa para matar saudades dos tempos em que ali trabalhávamos, porque era ali o centro de negócios da cidade, hoje deslocado para várias zonas novas, deixando a baixa numa espécie de cidade morta. Depois do olá como estás e tens passado, logicamente teria que vir à baila o tema das festas de Natal e notei um certa tristeza na voz do meu amigo. Desafiei-o a abrir-se e, então, lá foi dizendo que, afinal, este dia de Natal tinha sido complicado para ele e quase que se arriscou a passar o dia sozinho, porque esta nova realidade dos modelos de famílias alterou-se profundamente, isto é, famílias reagrupadas, monoparentais, uniões de facto, etc, que obriga os diversos elementos (netos, filhos, genros, noras, sogros, ex-sogros, novos cônjuges, etc) a gerirem, às vezes com dificuldade, as presenças nos diferentes lares, por força dos  cruzamentos conjugais e familiares, por vezes, geradores de conflitos familiares, porque a homogeneidade tornou-se  mais difícil. Em muitas ceias ou almoços de Natal o stress pode ser difícil de gerir e nalguns emergem conflitos latentes.
Mas voltando aquilo que o meu amigo ia contando, dizia ele que o que o salvou da solidão em dia de Natal foi lembrar-se de que um seu amigo, também ele divorciado, tinha um problema semelhante porque desejava almoçar com os seus filhos adolescentes e não o podendo fazer na casa da sua ex-mulher, já a viver uma nova relação, também não o poderia fazer na casa onde vive com a nova companheira, porque os filhos não aceitam essa relação.Tinha que encontrar um restaurante aberto no dia de Natal e, para isso, percorreu, uns dias antes, uma parte significativa da cidade à procura dum que estivesse aberto nesse dia e ali pudesse levar os filhos para o almoço de Natal. Acabou por encontrar um, bastante simples, e lá foram os quatro almoçar, cumprindo um dever paternal.

Depois da despedida dos filhos, ficaram ambos os amigos a falar dos velhos tempos, mas o tema natal também foi abordado. Desabafou-lhe o amigo que a refeição lhe “caiu mal”, talvez porque as lágrimas invisíveis, aquelas que são geradas na alma, lhe “azedaram” o estômago, porque, disse com mágoa, o almoço não terá despertado entusiasmo nos filhos, porque as roturas familiares, por divórcio, são feridas difíceis de sarar. Continuou o meu amigo a dizer que no período de Natal, com um stressante frenesim, tentamos fazer crer, aos outros e a nós mesmos, que é a festa da alegria, da família, do amor, do perdão, da solidariedade, etc . Pura hipocrisia, porque é um período para dar largas ao consumismo, ao materialismo, às gulas gastronómicas e ao faz de conta de falsos perdões e amizades, porque o espírito genuíno do Natal assenta noutros valores que se foram perdendo. Como disse o Papa Francisco, há católicos incoerentes, porque se dizem cristãos, mas vivem como pagãos, porque o Natal está transformado numa festa pagã, pois não assenta nos valores originais da família, muito bem “retratada” pelo presépio, paradoxalmente, agora muito na moda, talvez para contra balançar essa carga pagã do Natal, mesmo nos seio dos cristãos. Por isso e antes que se percam ainda mais os valores que vão resistindo, é urgente que o espírito de Natal deixe de ter esse cunho vincadamente mercantilista, acabando por sermos vítimas desse culto do consumismo, porque sofremos com a ansiedade da festa pagã e depois arriscamos a sentirmos um vazio posterior. Essa frustração, para não lhe chamarmos mesmo revolta ou egoismo, é também visível em muitas crianças, para muitas famílias e onde elas existem, o centro do Natal, mas cuja mente já foi por nós pervertida.
Acabei por compreender a tristeza revelada pelo meu amigo, que só é uma doença se ela for causa e efeito em simultâneo. Ela faz parte da lista das emoções humanas e estar triste pode até ser salutar porque nos permite dar valor a certas coisas que não temos ou já tivemos e perdemos. Ademais, ela molda os nossos sentimentos humanos e só é doença se for persistente e ou patológica. Nesse caso, deve ser objecto de diagnóstico das causas e do respectivo tratamento nas área das “psico” (Psicologia ou Psiquiatria), conforme a gravidade da situação. Contudo, numa época em que vivemos o Natal apenas durante dois ou três dias, menosprezando, nos restantes dias do ano, os valores do natal, é um indicador de doença que urge curar, para defesa da humanidade, porque o Natal deve ser vivido o ano todo, nos valores que ele encerra. Só poderemos viver normalmente o Natal, se o vivermos o ano todo.
Anima-te, disse-lhe, na despedida, porque a seguir vêm as festas da “passagem de ano”, com um cariz diferente, mas com a mesma loucura dos “faz de conta”, em vez de se aproveitar para fazer o balanço dum ano que acaba e projectar objectivos para o outro que começará. Haja “festas”, porque o povo gosta e o mercantilismo agradece, mesmo com a crise e o elevado endividamento de muita gente.
Serafim Marques - Economista

28.12.14

Ricardo Mateus vence S. Silvestre de Avis

Ricardo Mateus, do Sporting, em masculinos, e Raquel Trabuco, do Clube Elvense de Natação, em femininos, venceram hoje a 32.ª edição da corrida de São Silvestre de Avis, no distrito de Portalegre.
Mateus completou o percurso de 6.600 metros em 19.21 minutos, batendo Bruno Paixão, do Benaventense, que terminou em segundo lugar, com 19.34 minutos, seguido de Miguel Marques, do Benfica, com 19.46.
Raquel Trabuco foi a primeira classificada na prova feminina, completando os 3.300 metros em 11.01 minutos.
Raquel Cabaço, do Grupo Desportivo Diana, de Évora, foi segunda, com 11.34 minutos, e a individual Verónica Scutaru garantiu o terceiro posto, com 11.39.
Esta prova foi organizada pela Associação Desportiva e Recreativa ‘Amigos do Atletismo de Avis’ e Câmara Municipal de Avis, com o apoio técnico da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP).

27.12.14

AMIEIRA DO TEJO: Passagem de Ano na Casa do Balcão

Se ainda não se decidiu sobre o local onde vai fazer a festa da Passagem de Ano 2014/2015, o Bar da Casa do Balcão em Amieira do Tejo pode ser uma boa escolha. Menu simples e acessível, sem grandes sofisticações, animação QB, dão a entender que em termos de custos, os preços serão módicos.
Tem é que se inscrever até ao dia 29 de Dezembro. Os organizadores querem saber com o que contam para, a tempo e horas, fazerem os preparativos da festa, com o devido preceito e a contento dos convivas.

25.12.14

OPINIÃO: Contributo para uma poética em Fernando Carita…profundo encontro e amor com Deus

Poema 6
O que é a experiência
De longínquos ramos de sol
Sem abeirar-me do êxtase não sei a extensão de um cabo de telefone
Na adormecida noite

Tudo é paz e saudade
Para que possam adormecer os nossos olhos

Numa árvore arrancada ao terreno por uma rajada
De aragem estrondosa neste Natal

Lá fora o vento pia e já nasce uma criança
És o recém -nascido para a tua mãe
Desdobrada em amor

São assim as mães que perdem um filho
Mães da ternura com que acalentam o coração de todos
Mães nascidas renascidas ouvidas por todos nós
E também pelos que já pairam noutra esfera

Mães que só falam de Amor com as mãos erguidas
Para o sacrário que se dilata pela terra inteira

Mãe tua mãe nossa
a quem quero dar um abraço ainda assim
E chamar-lhe “minha filha” 
(in Jornal de Nisa)
Talvez na sua humildade não se considerasse um escritor, ou um poeta, mas como os grandes esta mistura de mística e poesia roça sempre o Absoluto!
“São  assim as mães que perdem um filho….mães de ternura que acalentam o coração de todos…”
Mas os seus versos ultrapassam a lógica e a razão e tornam-se alma e chave da sua vida, numa mística impressionante que lhe é essencial, quase música.
Se a inspiração pode refletir esta dimensão humana, da ordem da alegria, da festa, há planos em que  vai tão fundo que se entrecruzam realidade humana transformada em divina tal a proximidade com que a  deseja e trata…”és o recém nascido para a tua mãe Desdobrada em amor.”, à semelhança de Maria, a Mãe do Senhor.
O Mistério, derradeiro encontro espiritual com Deus tratado com esta ternura pelo poeta.!
Talvez o segredo do Fernando esteja em dizer tão bem o amor divino com esta expressão humana.

João Castanho

23.12.14

NATAL em NISA: Descrito na "Monografia" de José Francisco Figueiredo

“Chegada a véspera de Natal, logo ao princípio do serão, começava a festa familiar. Preparava-se a massa para as filhós e azevias e, pouco depois, todo o pessoal feminino estava em actividade, ou tratando da doçaria ou vigiando a preparação da consoada.
Às dez horas, tocava a primeira vez para a Missa do Galo; às onze, a segunda, e à meia-noite em ponto, o vigário acercava-se do altar, depois de, à custa de porfiadas diligências, se fazer calar as inúmeras galinhas (filete de tripa de vaca interposto a dois pedacitos de cana) com que a rapaziada serrazinava e importunava toda a gente durante a época e de cujo abuso nem mesmo na igreja se abstinha.
Terminavam as cerimónias cultuais quando o pároco, de capa de asperges, dava o Menino Jesus a beijar. Então a confusão e o alarido não havia admoestações que os dominassem.
E, pouco depois, a população – ao brasido da lareira ou à mesa da consoada – acabava de celebrar em doce intimidade a santa Festa da Família, cujo último eco se traduzia na garrulice e alegria da pequenada, quando no outro dia, ao saltar da cama, ia recolher as prendas que o Menino Jesus lhe deixava nos sapatinhos.
Sem Pai Natal e sem estrangeirice inclimatada de árvores frias e inexpressivas, o Natal em Nisa – com a gracilidade dos cristianíssimos presépios – foi sempre e é ainda uma festa genuinamente portuguesa.”

Figueiredo, José Francisco Monografia de NisaINCM – CMNisa, 1989

22.12.14

OPINIÃO: O Natal do mexilhão

 Pertencente ao grupo dos moluscos, o Mytilus galloprovincialis, vulgarmente conhecido por mexilhão, apresenta-se com a sua casca escura em tons azulados e no interior um miolo alaranjado, podendo ser encontrado em toda a costa portuguesa.
Esta nota introdutória, com a qual iniciei este artigo de opinião, poderia muito bem fazer parte de um documentário dedicado à vida marinha, mas não, serve apenas para dar o mote para mais um desbravar temático do discurso politico em que este governo nos tem enleado, e que mais não é do que uma fraca “caldeirada”, que nos está a ser servida diariamente, em pequenas doses, através de intitulados discursos político-partidários.
Num desses momentos, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, discursando em Braga, no início de Dezembro, num seminário sobre Economia Social, organizado pela União de Misericórdias de Portugal, referiu que, na atual crise "quem se lixou não foi o mexilhão". Mas, claro que não Pedro! Então, o meu amigo sabe o que é um mexilhão? Tu que lidas diariamente com tubarões e baleias, apesar de não seres nenhum Biólogo Marinho, nem homem do mar, mas diz-nos, alguma vez viste mesmo um mexilhão de verdade. Sê sincero. Não me refiro à espécie marinha em si, mas aos mencionas no teu discurso, ao popular “mexilhão tuga”, que é usado para descrever uma boa parte da população portuguesa.
Provavelmente, o Pedro não se estaria a referir ao mexilhão-reformado, ao mexilhão-desempregado, ao mexilhão-emigrante, ao mexilhão-jovem, ao mexilhão-trabalhador, ao mexilhão-recibos verdes, aos milhares de mexilhões que “esgravatam” diariamente para ter uma vida digna e um futuro de verdade, mas afinal quem são esses, senão mexilhões afetados pela crise atual. E, mesmo assim, diz-nos que "quem se lixou não foi o mexilhão"? Então quem foi, Pedro?
Neste natal o mexilhão não se lixa, certamente! Porque, segundo a tradição, na mesa de natal, primeiro vem o bacalhau e depois o polvo.
 O mexilhão, esse, pode esperar em lume brando, até às próximas eleições, para que haja tempo suficiente para cozer bem, para depois, se poder desfrutar da sua real frescura, escolhendo apenas as concha fechadas e rejeitando-se os que não abrirem após a cozedura, tal como nos é descrito no livro das receitas tradicionais, dos grandes cozinheiros da política nacional.
Portanto, desejo a todos os “mexilhões” um bom natal e umas boas festas.
José Leandro Lopes Semedo

Faleceu Manuel Milhinhos, dirigente da USNA/ CGTP-IN

A Direcção da União dos Sindicatos do Norte Alentejano -USNA/CGTP-in - cumpre o doloroso dever de vos informar do falecimento do camarada Manuel Milhinhos, hoje, no Lar Alcântara Botelho, onde estava.
Morreu hoje o Manuel Milhinhos. Tinha sido Presidente do Sindicato dos Corticeiros do Distrito de Portalegre e da Comissão Executiva da União dos Sindicatos do Norte Alentejano durante vários mandatos, até a doença o impedir de continuar.
O corpo está em câmara ardente na Igreja de S. Tiago em Portalegre.
O seu funeral realiza-se amanhã, 23 de dezembro, às 10h30.

Até sempre!
Pl' a CECO da USNA/cgtp

NISA: Dezembro de 2000- Grande animação desportiva

 GDRC de Tolosa - Campeão distrital de 2ª Divisão - 1999/2000
 Em Dezembro de 2000 o concelho de Nisa tinha três equipas a competir no campeonato distrital de seniores da AFP: Nisa e Benfica, GDR Alpalhoense e GDRC de Tolosa. A estas juntava-se a equipa de seniores de futsal do Nisa e Benfica, a disputar o campeonato nacional da 3ª divisão – série B, após ter disputado e vencido o respectivo campeonato distrital.
No campeonato distrital de futebol, ao Nisa e Benfica e Alpalhoense, clubes habituais nestas “andanças” juntava-se o nóvel Grupo Desportivo Recreativo e Cultural de Tolosa que sucedera ao Grupo Desportivo da Sociedade Filarmónica de Tolosa.
O GDRC de Tolosa ascendeu à 1ª divisão distrital após vencer o campeonato distrital da 2ª divisão na época 1999/2000.


Havia, na altura, diversos clubes a disputar os campeonatos distritais, muitos mais do que actualmente, situação que obrigou a AFP a organizar duas provas distintas, 1ª e 2ª divisão distritais, o que era também um factor de nivelamento das provas de seniores.
Com o decorrer dos anos clubes como o Alegrete (regressou mais tarde), Póvoa e Meadas, Foros do Arrão, Elvenses, Avisenses, Tramaga,Arenense, Castelo de Vide, o próprio Campomaiorense, Portalegrense, Estrela (regressou esta época através de patrocinadores estrangeiros) deixaram de competir a nível de futebol sénior, agrupando-se todas as equipas numa só divisão e campeonato, ainda assim bastante exíguo e pouco exigente.
Alguns desses clubes optaram pelos escalões de formação ou, a nível de seniores, voltaram a competir nos distritais de futsal, modalidade menos dispendiosa quer em termos de custos quer, sobretudo, no recrutamento de atletas.
Dos três clubes do concelho, actualmente, o Nisa e Benfica participa nas provas da AFP em três escalões de formação (benjamins, infantis e iniciados); o Alpalhoense tem apenas em actividade e esporádica o Núcleo de Veteranos e do GDRC de Tolosa não mais tivemos notícias. Em Tolosa, o gosto pelo futebol foi “reacendido” nos escalões de formação pela APTOS – Associação de Pais de Tolosa, enquanto em Nisa e dinamizada pela Inijovem tem havido, com sucesso, participações nos campeonatos regionais de andebol. Isto para além do ténis de mesa e da pescas desportiva, modalidades onde a associação tem alcançado apreciáveis êxitos.
 Os tempos que correm são de "vacas magras". Os jovens e menos jovens olham com esperança, para outras latitudes e horizontes. Poucos são os que ficam e resistem. Há cada vez mais dificuldade em recrutar crianças e jovens para a prática do desporto.
A Câmara anunciou, recentemente, a intenção de proceder à beneficiação do campo de jogos D. Maria Gabriela Vieira e a implantação de um piso sintético, a exemplo do que dispõe recintos desportivos em todo o distrito.
A melhoria de equipamentos pode fazer surgir, esperamos, o gosto pelo futebol e a médio prazo a constituição de equipas de seniores que sejam a natural sequência de um processo de formação no qual os clubes têm investido sem dele tirarem o indispensável aproveitamento.

21.12.14

NISA: Dezembro de 2000- Um mês cheio de animação

 Há 14 anos, o concelho de Nisa viveu um mês de Dezembro repleto de animação, com inúmeras iniciativas de carácter cultural, desportivo e recreativo, a que não faltaram, sequer, as diversas festas natalícias, dinamizadas um pouco por todas as freguesias e que puderam alegrar crianças e adultos, os idosos de um modo particular, transmitindo um pouco da magia desta época e fazendo esquecer as agruras dos restantes dias do ano.

Os calendários de iniciativas que, aqui, recordamos, passados 14 anos, prestam-se, também para uma leitura e análise, uma visão, se quisermos, sobre o concelho, o dinamismo de colectividades e instituições, os espaços de cultura, educação e da própria autonomia política que, ao longo destes anos fomos perdendo.
Podendo não dizer muito, os quadros remetem-nos ainda, em termos comparativos, para analisarmos a actividade desportiva, cultural e institucional, em relação à actualidade, com o foco, por exemplo, na redução drástica do número de espectáculos cinematográficos no Cine Teatro, números a que não serão alheios, certamente, factores como a diminuição da população, o aumento do custo de vida e ausência de hábitos culturais regulares. Mas, este último, é um ciclo “vicioso”: as pessoas não vão ao cinema porque “não há” ou porque, havendo, a programação não é (será) atractiva.
Pena é termos uma infraestrutura, uma sala de espectáculos deste nível e não ser devidamente utilizada.

Com regularidade e rigor.

20.12.14

CANTINHO DO EMIGRANTE: O Natal

O mês de Dezembro com o frio e a neve a bater-nos à porta, com o dia 25 a anunciar-nos o nascimento do Menino Jesus e a encher os lares de paz, amor e alegria, festejando-se em todo o mundo há vários séculos, como sendo o símbolo da união da família.
A árvore de Natal com as grinaldas e coberta de brinquedos é a alegria das crianças, dando luz e cor a esta noite fria de Inverno.
Esta noite não se trata apenas de um dia de festa, só por se comer uma refeição mais requintada ou estrear um fato novo no outro dia. Esta data deve chocar o coração das pessoas boas para poderem mostrar a sua solidariedade com os mais necessitados, ajudando os hospitais e as instituições de beneficiência, para que os doentes, as crianças abandonadas e os sem abrigo, possam passar este dia com dignidade. Sim, porque a solidariedade existe, pois “quem dá aos pobres empresta a Deus”.
E a melhor prenda de Natal seria o nosso Governo pudesse combater a pobreza, o desemprego, a droga e a exclusão e que pudesse também haver paz no mundo.
Veio-me à memória o Natal dos soldados na guerra, por vezes conflitos quase intermináveis, como foram aqueles por que passei em Angola, longe dos meus afectos, oprimidos pela polícia política e a censura, sem que nós pudéssemos exaltar os nossos pensamentos nacionais, as nossas ideias de paz e liberdade.
Agora e como não podia deixar de ser, não queria terminar sem desejar a todos os nisenses, em nome de toda a comunidade emigrante de França, os votos de um Bom Natal e um Próspero Ano Novo, aproveitando também para homenagear todos aqueles que têm espalhado a Portugalidade nos cinco cantos do Mundo.
António Conicha – in “Jornal de Nisa” – 22/12/ 2004

NISA: Iniciativa solidária da Inijovem - Correr em Nisa


19.12.14

OPINIÃO: A morte de Vítor Crespo

 Morrem os bravos, ficam os bárbaros.
Um a um, os heróis de Abril vão perecendo e Portugal fica mais pobre, carecido de referências, entregue à comissão liquidatária que escondeu a agenda ideológica durante a campanha eleitoral.
Vão-se os bravos e ficam a uivar os lobos nesta melancólica quadra em que os próximos voos da TAP são de aves migratórias que não regressam mais, obrigadas a levantar voo, expulsas do seu habitat.
Como o crocodilo, ficam a voar baixinho os membros da comissão liquidatária do país que nunca sentiram seu. Falam grosso, como se as polícias estivessem ao seu serviço, o poder fosse um direito e a governação uma viagem ao passado.
Vítor Crespo foi um dos melhores. Vai a sepultar enquanto ficam os que nos enterram e preparam campanhas sujas para se perpetuarem.
Em Abril, Vítor Crespo estava na Pontinha, depois esteve na transição da independência de Moçambique e continuou a servir Portugal sem se servir da Pátria que amou.
A mágoa pela perda de um herói só tem paralelo na que permanece pelos cobardes que ficam.
Há luto em Portugal e Moçambique. Em Belém e S. Bento a vida continua indiferente à perda que os democratas sentem.
Carlos Esperança in http://ponteeuropa.blogspot.pt 18/11/2014
Associação 25 de Abril manifesta profundo pesar


O antigo oficial da Marinha Vítor Crespo, que participou no 25 de Abril de 1974, morreu hoje aos 82 anos, anunciou a Associação 25 de Abril.  "É com profundo pesar que vos comunico o falecimento do militar de Abril, ocorrido hoje, almirante Vítor Manuel Trigueiros Crespo.
Nascido em Porto de Mós, em 21 de março de 1932, Vítor Crespo foi um militar de Abril de todas as horas, um dos principais dirigentes da Marinha no Movimento das Forças Armadas, integrando a equipa do Posto de Comando da Pontinha, nas operações militares do 25 de Abril", pode ler-se no comunicado, assinado pelo presidente da associação, Vasco Lourenço.
A Associação 25 de Abril lembra ainda que Vítor Crespo foi membro do "primeiro Conselho de Estado, após o 25 de Abril" e assumiu o cargo de Alto-Comissário de Moçambique até à independência deste território. "Regressado a Portugal, mantém-se no Conselho da Revolução (...) sendo o único dos membros da Armada a integrar os primeiros subscritores do Documento dos Nove", lembram.
Crespo integrou depois como ministro da Cooperação o VI Governo Provisório (setembro de 1975 a julho de 1976), chefiado por Pinheiro de Azevedo. "Após a extinção do conselho da revolução, volta à Armada, onde (...) assume o cargo de Director do Serviço de Justiça (...) até à sua passagem à situação de Reserva", pode ler-se no comunicado da associação, destacando o facto de Vítor Crespo ter "sócio fundador nº 2" da organização.
"Com o seu falecimento, Portugal perde um dos seus melhores cidadãos, a Associação 25 de Abril fica bastante mais pobre e, pessoalmente, vejo partir um dos meus melhores amigos", lamentou Vasco Lourenço.
O velório de Vítor Crespo realiza-se na Basílica da Estrela, quinta-feira, a partir das 17h00. Na sexta-feira, realiza-se uma cerimónia de homenagem às 12h, que antecede o funeral, no cemitério do Alto de S. João.

QUERCUS denuncia: Código da Estrada assombra a reutilização e reciclagem de automóveis

O IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes, I.P.) continua a cancelar matrículas de automóveis sem o Certificado de Destruição (CD), previsto na legislação sobre Veículos em Fim de Vida (VFV), nomeadamente pela ordem do proprietário.
 Em 2013 foram canceladas 245 966 matrículas, onde 35% (85 853) foi sem CD. Quase tantas como aquelas com CD.
A continuação desta situação vai comprometer seriamente a meta para 1 de Janeiro de 2015, onde a “reutilização e a valorização” de todos os VFV deve aumentar para um mínimo de 95 % em peso, em média, por veículo e por ano, sendo que a “reutilização e a reciclagem” deve ter um mínimo de 85%.
 Atualmente a Valorcar, a única entidade gestora existente para VFV licenciada pelo Ministério do Ambiente, apresenta o seguinte desempenho, 92,7% para “reutilização e valorização” e já cumpre os 85% para a “reutilização e a reciclagem”. O que pode significar, se não existirem esforços em contrário, que o cumprimento da futura meta “reutilização e valorização” venha a ser à custa da queima de materiais dos VFV.
Grande parte dos veículos cuja matrícula é cancelada por ordem do proprietário, e que a Quercus e a Valorcar acreditam estarem a alimentar o mercado paralelo de sucateiras, são viaturas sinistradas e relativamente recentes, o que significa que o seu potencial de reutilização e reciclagem é elevado.
Sendo assim, os 35% de viaturas canceladas pela ordem do proprietário são determinantes para o cumprimento da meta de reutilização e reciclagem, a partir 1 de Janeiro de 2015, respeitando o espirito da legislação.
As diferentes possibilidades de cancelamento de matrícula previstas no novo Código da Estrada, sobre o qual a Quercus oportunamente deu parecer, tendo-se envolvido ativamente na discussão da respetiva proposta, continuam a ser utilizadas abusivamente e permitindo assim que viaturas cujo destino natural seria um operador de desmantelamento de VFV estejam a ser negociadas, em muitos casos através de leiloeiras (com participação ativa das seguradoras), perdendo-se a rastreabilidade das mesmas e dos respetivos materiais. Esta situação lesa o País em termos económicos, sociais e apresenta altos riscos ambientais e de saúde pública, pois os VFV contêm muitos componentes perigosos (ex: óleos, baterias, fluidos diversos, airbag, etc.).
Segundo o Código da Estrada (Lei n.º 72/2013) o cancelamento da matrícula pode ser requerido sempre que o veículo se encontre nas situações previstas no artigo 119 e 119-A do Código da Estrada, em relação às situações em que este diploma fomenta a gestão ilegal de VFV voltamos a destacar as seguintes 6:
1) “O veículo haja desaparecido, sendo a sua localização desconhecida há mais de seis meses”: Esta disposição possibilita a entrega dos veículos em sucatas ilegais ou o seu abandono na via pública. Assim, propõe-se o alargamento do prazo para aumentar a responsabilização do proprietário e garantir pelo menos o pagamento de um ano de Imposto Único de Circulação (IUC);
2) “O veículo deixe de ser utilizado na via pública, passando a ter utilização exclusiva em provas desportivas ou em recintos privados não abertos à circulação”: Este motivo não deve constituir fundamento para cancelamento da matrícula, dado que o veículo continua a existir. Com esta redação viabiliza-se a entrega dos veículos em sucatas ilegais ou o seu abandono na via pública, dado que os serviços não terão capacidade de fiscalizar a veracidade das informações prestadas;
3) “O veículo falte à inspeção referida no n.º 2 do artigo 116.º, sem que a falta seja devidamente justificada.”: A punição pela falta injustificada a inspeção já se encontra prevista no art. 116.º do Código da Estrada. Este motivo não deve constituir fundamento para cancelamento da matrícula, dado que o veículo continua a existir (se tal acontecer está-se a beneficiar o infrator porque o proprietário deixa de pagar o IUC e pode entregar o veículo a uma sucata ilegal ou abandoná-lo);
4) “Quando o veículo fique inutilizado ou atinja o seu fim de vida mediante apresentação da documentação legalmente exigida nos termos do disposto no Decreto-Lei n.º 196/2003, de 23 de agosto”: Deve ser explicitamente mencionado o CD, dado que se trata do documento comunitário criado para este efeito no âmbito da Diretiva 2000/53/CE;
5) “Quando o veículo deixe de ser utilizado na via pública, mediante apresentação de requerimento justificando os motivos e o local onde o mesmo é utilizado ou guardado”: Ver justificação mencionada no Ponto 2);
6) “Assume ainda caráter temporário o cancelamento de matrícula previsto nas alíneas e) e g) do n.º 1 do artigo 119.º, pelo prazo máximo de cinco e um ano respetivamente, ficando os seus proprietários obrigados à entrega da documentação dos veículos nos serviços competentes, onde o processo de cancelamento da matrícula tiver lugar.”: Estes motivos não devem constituir fundamento para cancelamento da matrícula, mesmo que temporária, dado que o veículo continua a existir. Tal como está, esta disposição viabiliza a entrega dos veículos em sucatas ilegais.
Lisboa, 10 de Dezembro de 2014
A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

17.12.14

NISA: Concerto de Boas Festas da Sociedade Musical Nisense


Natal é quando um homem quiser


NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
O Natal é quando um Homem quiser!
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
ARY DOS SANTOS

16.12.14

"Nisa, História e Tradição" - Novo livro de Carlos Cebola é apresentado no sábado


Vai ter lugar em Nisa o lançamento e apresentação do livro "Nisa, História e Tradição" do autor Carlos Dinis Tomás Cebola, numa edição da União de Freguesias de Espírito Santo, Nª Srª da Graça e São Simão - Nisa.
O evento terá lugar no Salão Nobre da Santa Casa da Misericórdia de Nisa, no próximo Sábado, dia 20 de Dezembro, pelas 15 horas.

ALPALHÃO: VII Presépio Vivo no dia 25 de Dezembro


14.12.14

OPINÃO: As falácias de alguns políticos (sugilação para uma política de ética)

Outro dia, numa das rádios locais, um senhor da política julgou analisar ponto por ponto a análise de um comentador jovem de outra sede ou matriz partidária.
No final o “ criterioso “ político julgou esgotado o tema em voga das subvenções vitalícias com o pressuposto de que o ratio da lei se mantinha, proferindo a sua decisão inabalável.
No pressuposto de que políticos há, que, desde a juventude, que nunca tendo conhecido profissão ou atividade senão a política, caiam no âmbito da lei .
Ora nada de mais errado sobretudo numa época  em que  o seguro obrigatório segue rumos novos- cumpre aos próprios  interessados  recorrerem ao seguro privado, e têm condições financeiras para o fazer, acautelando o futuro.
E, mesmo os senhores deputados poderão sempre acautelar o futuro recorrendo aos seguros privados, (facultativos) bem como os demais lugares da atividade política, remunerados quase todos.
De modo que a lei é naturalmente inválida, e não tem qualquer razão de existir, sendo inútil.
Por mais embrulhadas que sejam as palavras nem sempre é razoável chamar à colação éticas políticas desadequadas, desde logo de racionalidade lógica sem qualquer sustento.
Uma coisa é termos o direito de escolher o o caminho a seguir na vida, outra é a exclusão de privilégios, mormente quando não têm qualquer fundamento.
Esta bem diferente é abordada em jeito de... falácias e peca por parcialidade.

João Castanho

CRÓNICAS DE LISBOA: A Falta do Pai

 Quando caminhamos, pelas ruas, dominados pelos nossos  sentimentos e problemas, normalmente com a cabeça baixa, nem nos damos conta dos dramas de muitos com quem nos cruzamos, mas, se mais libertos dos nossos “egocentrismos”, poderemos olhar no rosto dos transeuntes com quem nos cruzamos e tentarmos “ler” o que lhe vai na alma, sim porque “o rosto são os olhos da alma” de cada um de nós, que pode ser de felicidade ou tristeza ,de angústias ou reflexo dos problemas que as afligem. Por mim, e porque me apaixonei pela Psicosociologia, essa parente pobre das ciências (sociais,) e cujo atraso, em relação às demais ciências, provoca muitos  “danos” nas pessoas, essa percepção das emoções e sentimentos, dizia eu, é feita sem qualquer sentido de “voyerismo”, mas apenas porque me apaixona observar as pessoas e tentar penetrar na sua alma que, mesmo pela observação, não é assim tão difícil de se conseguir. Pelo menos, poderemos ler no rosto o seu “mundo”. Não destaco, no meu interesse de observação, qualquer faixa etária em especial, porque cada uma tem o seu interesse psicosociológico de observação. Da pureza e ingenuidade das crianças, do desabrochar dos adolescentes, da maioridade ou maturidade dos jovens adultos, até aos idosos, muitos deles duma ternura comovente, são todos universos de interesse de observação.
Mas nem tudo são rosas, porque a “ruindade” é, muitas vezes,  detectada à vista de desarmada, isto é, pela simples observação, ou então cruzarmos-nos com um deficiente e, neste saco, é como se a nossa alma fosse trespassada por um punhal e nos provoca uma enorme dor, sentimento esse atenuado ao olharmos-nos ao espelho ou em redor e darmos graças a Deus, ao Deus de cada um e eu tenho o meu, por termos tido bafejados pela sorte de, pelos menos, não termos uma enfermidade tão grave, embora possamos “esconder” as nossas doenças. Tocam-me bem fundo, no coração e na alma, muitos dos casos dramáticos que observamos ou nos são mostrados pelos “medias” e  deixam-nos confusos e ousamos perguntar a Deus, porquê, ainda mais quando as vítimas são crianças!
Há dias, já em plena época natalícia, propícia ao desabrochar de sentimentos de fraternidade, de solidariedade, de família, etc, muitos deles genuínos mas outros autêntica manifestação de “faz de conta” ou mesmo de hipocrisia e frieza, em crescendo nas sociedades modernas dominadas pelo “ter” (consumismo e materialismos) e não pelo “ser”, não pude ficar indiferente ao que ia ouvindo, ao mesmo tempo que me aproximava duma jovem senhora que, ao telemóvel, falava alto para alguém que estava do outro lado. Já mais próximo, foi-me possível ouvir algumas das palavras que ela proferia e também verificar que ela tinha no seu colo, dentro do “canguru”, uma criança de poucos meses que, dormia como um anjo, indiferente ao que a mãe dizia. Deu para ouvir que ela protestava contra o pai do seu filho, dizendo ; “esqueceste-te que tens um filho e há dias que não apareces para o ver, nem neste fim de semana te dignaste fazê-lo”. Conjuntamente com a cena que observei, as palavras ainda me comoveram mais e não pude ficar indiferente, mas também nada podia fazer, senão reprimir o impulso de confortar aquela mãe e abraçar, no meu colo aquela criança, porque não há nada mais gratificante do que sentir o corpo frágil duma criança bem colocada ao nosso peito, de modo a que “penetre” a nossa alma. Assim tenho a felicidade de o fazer com os meus netos, tal como o fiz com os meus filhos. Fiquei a pensar se aquela não seria uma mãe solteira ou uma daquelas mães em auto-gestação, mas essas não protestam pela falta do pai, porque, muitas vezes, ele serviu apenas para fecundar, às vezes anonimamente, o desejo materno, talvez num gesto egoísta.
A matutar ainda naquela situação, e nem por coincidência, cruzei-me, com uma vizinha,  mãe e o seu filho André, um menino com pouco mais dum ano, fruto do amor de duas mulheres, cuja mãe, que conheço há anos, decidiu casar-se, oficialmente, com a companheira e engravidar, como qualquer mulher que sente o desejo da maternidade. Pelo que vou observando, e por vezes em diálogos próprios dos encontros à porta ou no elevador, parece-me ser uma mãe extremosa para com o seu filho. Mas mais do que a curiosidade de saber como foi o André gerado e de viver com duas “mães”, embora a “mãe-pai” seja bastante mais ausente, talvez por questões profissionais, dou comigo a pensar como será o crescimento do André e do seu futuro, quando souber que não tem pai nem nunca o teve, não porque ele o tenha abandonado ou ter sido vítima duma fatalidade, mas porque é fruto do amor de duas mulheres, embora uma delas o tenha trazido no seu ventre a ela seja tão devotada ao ponto de sacrificar a sua profissão, cuidando dele.

A gestação, a adopção e a criação duma criança por um “casal”  do mesmo sexo, é um tema fracturante da sociedade portuguesa, mas vale a pena pensarmos no que é (será)  melhor para as crianças institucionalizadas, isto é, crianças internadas nas instituições, muitas delas desde o nascimento até atingirem a maioridade e que ali foram parar por razões já de si “desumanas”. Fazerem um percurso de vida triste, sem afectos e amor e, muitas vezes, vítimas de violência dos cuidadores , ou serem criadas com amor por duas “mães” ou por dois “pais”?  E o que dizer do “horror” da pedofilia e da violação de muitas crianças, mas cuja sociedade, todos nós, vai assobiando para o lado, sem que se “ataque” este drama que nos deveria envergonhar a todos, mas que estamos mais preocupados com a “proteção” dos direitos dos violadores, muitos deles da própria família,  do que com as vítimas indefesas?
Estes dois exemplos, aqui relatados, são, talvez, o espelho de que a família tradicional está em profunda crise e, paradoxalmente, numa época em que o presépio, como símbolo dessa “tríade” (pai, mãe e filho) está na moda, grandes, pequenos, simples ou sumptuosos, mas fazendo parte desta festa natalícia convertida mais numa manifestação de consumismo, apesar dalguns gestos puros e genuínos. Paradoxos, mas é inquestionável que um pai, tal como a mãe, faz falta na educação e formação humana de qualquer criança e jovem, pelo que o presépio deveria ser visto e interiorizado na plenitude da sua simbologia e mensagem, sejamos ou não cristãos. A sociedade ainda não se questionou de que a educação e a formação, desde o infantário, escola primária e o ensino secundário é, maioritariamente, feita no feminino. Quais as consequências,  nos “fomandos” sem pai (presente ou um avô que seja a referência masculina) que “compense” esta realidade? Estudos e factos têm revelado pesadas heranças e vítimas, piores do que nos casos de orfandade, porque, nestas situações, a falta do pai não é imputável a outrem, mas a um “Deus” ou algo semelhante.
Serafim Marques - Economista

11.12.14

ALPALHÃO: II Natal Luz com Árvore Cantante no Largo do Coreto

O Natal aproxima-se a passos largos e com ele mais uma edição do Natal Luz em Alpalhão, uma actividade organizada pela AJAL e MTA, com a total colaboração da Junta de Freguesia de Alpalhão, à qual desde já agradecemos o apoio prestado.
A II ediçao do Natal Luz irá contar também com a IIi edição do Concurso de Decorações das ruas de 8 de dezembro a 6 de janeiro.
Este ano será atribuído um prémio para melhor decoração de rua e melhor presépio (50 luzes) - os prémios serão entregues na tradicional festa do Mártir Santo que se realiza em janeiro junto à Igreja Matriz.
Júri: Os representantes de cada rua/ présepios.
Votação: Cada rua poderá atribuir um voto a outra rua/presépio que não a sua, a mais votada ganha.
Árvore Cantante - dias 14,21 e 28 de dezembro - Largo do Coreto
Presença do Pai Natal - Música - Teatro ATL - Dance kids - Coros de música e muitas outras surpresas!!!
Recolha de bens alimentares/ vestuário
Durante os espectáculos na Árvore Cantante haverá uma espaço destinado à recolha de donativos para crianças, que podem ser desde alimentos, a produtos de higiene e/ou vestuário.
- Os donativos angariados serão entregues na Loja Social em Portalegre, instituição que ajuda as famílias carenciadas do distrito.
Não percas os espectáculos e não deixes de contribuir com o teu donativo!!!
Contámos com a tua presença!!!

— Com MTA - Centro de Alpalhão.

NISA: Inijovem promove Jantar de Natal


10.12.14

SAÚDE: 10 Mandamentos para um Envelhecimento Activo




NAOM 2015: De regresso a Marvão e Castelo de Vide

 Reconhecidamente um dos mais importantes eventos da temporada, o Norte Alentejano O' Meeting está a chegar. Distribuindo as suas atenções pelos municípios de Castelo de Vide e Marvão, o NAOM 2015 repete o modelo de sucesso da edição anterior, dando início a uma série de quatro fins de semana consecutivos nos quais Portugal será a Meca dos orientistas de todo o Mundo.
Pela terceira vez em nove edições, Castelo de Vide volta a ser o epicentro da Orientação à escala mundial, acolhendo o Norte Alentejano O' Meeting 2015. Desta feita, porém, não colhe o exclusivo, já que o programa prevê uma incursão no município vizinho de Marvão. Organizado pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, numa parceria com os municípios de Castelo de Vide e Marvão, Federação Portuguesa de Orientação e Federação Internacional de Orientação, o evento terá lugar no fim de semana de 31 de janeiro e 01 de fevereiro de 2015, atraindo uma vez mais as atenções de atletas portugueses e estrangeiros.
Como habitualmente, a organização vai preparar uma ação de formação em Castelo de Vide, para todos aqueles que desejam tomar contacto com a modalidade de uma forma pedagógica. A ação realiza-se nos dias 20 e 21 de Dezembro, nas instalações do centro Municipal de Cultura, (parte teórica) e nos mapas de Póvoa e Meadas e Castelo de Vide (parte prática).


O evento dará o pontapé de saída no Vale da Silvana - que alguns recordarão ainda como tendo sido o palco da derradeira etapa da segunda edição do NAOM disputada em 2008 –, num mapa novo assinado por Raquel Costa e Tiago Aires. Os percursos têm desenho de Victor Delgado e João Alves para uma etapa de Distância Média a fazer adivinhar desafios de elevada exigência técnica e física. Da parte da tarde do primeiro dia, as atenções irão estar centradas na encantadora Vila de Marvão para uma etapa de Sprint WRE, pontuável para o respetivo ranking da Federação Internacional de Orientação. Trata-se do regresso a um dos melhores e mais desafiantes mapas de Sprint existentes em Portugal, depois de aqui se ter assistido, no início de Junho de 2012, à decisiva etapa do Campeonato Nacional de Sprint. Distinguido no concurso “Percurso do Ano” com o 15º lugar a nível mundial pelo seu traçado da prova de Sprint WRE do NAOM 2014, Hugo Borda d'Água é novamente o responsável pelo traçado de percursos, sobre mapa de Armando Rodrigues, atualizado “de fresco” por Tiago Aires. O NAOM 2015 encerra no dia 01 de fevereiro com nova etapa de Distância Média no mapa novo de Vale D'Ornas, em terrenos com tanto de beleza como de desafio técnico. Raquel Costa foi a cartógrafa do mapa, sendo o traçado de percursos da autoria de Tiago Leal. Importa referir que Luís Sérgio é o responsável pela Supervisão FPO e que as etapas de Distância Média pontuam para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre nível 1 e a prova de Sprint faz parte do Circuito Nacional Urbano CiNU 2015.
Com início em 2007, o Norte Alentejano O' Meeting teve no romeno Ionut Zinca e na finlandesa Riina Kuuselo os seus primeiros vencedores. Os franceses Thierry Gueorgiou e Amélie Chataing são os mais recentes vencedores duma lista que inclui ainda nomes como os da suiça Simone Niggli, do ucraniano Oleksandr Kratov, da checa Eva Jurenikova, do atual líder do ranking mundial, o norueguês Olav Lundanes, da sueca Helena Jansson e dos portugueses Tiago Romão, Maria Sá e Joana Costa, entre outros. A menos de dois meses do evento e quando o número de inscritos se cifra ainda em 84, provenientes de seis países (Portugal, Espanha, Grã-Bretanha, Noruega, Finlândia e Rússia), é absolutamente prematuro estar a vaticinar o que quer que seja. Que muitos e bons atletas – alguns deles ocupando os lugares cimeros do ranking mundial – irão estar em Castelo de Vide e Marvão no virar do próximo mês de janeiro, disso ninguém duvide. E com eles todos os melhores valores nacionais da modalidade.
Joaquim Margarido

9.12.14

NISA: Tégua promove acção solidária na Devesa


OPINÃO: Aos meninos da minha terra, porque é Natal!... Ser (não Ter, nada ter ) como Jesus….

Viver livre das coisas, de todas  as coisas...necessariamente precárias. Não viver prisioneiro de nada nem da própria mente. Desejos sinceros para os meninos da minha terra... E viva Jesus... o menino Deus feito homem, sempre pobres em espírito...( no sentido religioso do termo), nada de coisas inúteis apropriar como coisas  próprias, libertos de qualquer sentimento de coisas que gostariam de ter...onde quer que estejam não sejam prisioneiros de nada, não dependerem de nada, não ser prisioneiro de nada nem de ninguém, como Jesus, Jesus que ninguém foi capaz - com inultrapassável e inigualável espírito de síntese - foi capaz de erguer um tal código com as doze normas  com relevo para a abnegação e o sacrifício (os doze mandamentos) de tal código lhes sirva de paradigma  axiológico: Descobrir esse doce Jesus, arquétipo, mais  serenos, que como Paulo de Tarso, grego de nascimento mas culturalmente romano (culturalmente mergulhado nas declinações do latim e no  latim erudito e  na filosofia de Aristóteles) soube encontrá-lo para nunca mais o largar. A lógica era outra  e Paulo culto e erudito  soube distinguir: Jesus mudara a cultura de todos os valores. Jamais a vingança, antes o perdão. Os heróis de Jesus eram outros: a justiça, o contrário da arbitrariedade de Herodes e mesmo Octaviano Augusto  já sofria a influência  do mestre da vida, não agindo à romana...
 “Que queres que eu faça...senhor.?”.Culto e generoso, Paulo abraça os princípios revolucionários dum certo Galileu... capaz de revolucionar a história da Humanidade.
Lembro neste Natal todos os meninos da minha terra, os recém nascidos e os demais...ainda pequenos.
As preocupações dos pais  perante o quadro  económico e social  horrível não pode desviá-los do ensino  e da responsabilidade conexa de transmitir  aspectos educacionais fundamentais e conexos  àqueles,  em que se alicerçará a sua verdadeira felicidade.
Normalmente pensa-se no TER, um curso, uma casa, casar com uma mulher bonita... TER, sempre TER!, quando  a verdadeira  felicidade parece assentar em parâmetros mais de SER, saber o que é supérfluo e não o necessário.
A vida real demonstra que a  muitas pessoas com dinheiro são infelizes.
O segredo é, pois, outro.
Donde ser imprescindível apetrechar, melhorar nos nossos pequeninos estes aspectos emocionais. Será essencial dotá-los desses conhecimentos e capacidades para serem criaturas aptas a compreender a vida e a ultrapassar pequenos problema que a vida lhes irá trazer.
Melhor Paradigma que  Aquele  cujo Nascimento  vamos proximamente celebrar?
Viva JESUS ! Que  mesmo selvaticamente assassinado e arbitrariamente julgado ousou perdoar, institucionalizando uma cultura nova, uma contra cultura de valores morais assente  no Amor, no perdão...no acolhimento fraterno dos que sofrem a qualquer título.
No ser...nunca no ter.
Também como a Senhora da Graça. Vazia de si...e cheia de toda a graça, caridade, bondade para nós nisenses.
BOM NATAL
João Castanho

ALPALHÃO: Passeio à Vila Natal - Óbidos


8.12.14

OPINIÃO: “Toca a Todos”

Uma em cada três crianças, em Portugal, vive em situação de pobreza.
 E, como as políticas sociais, neste momento, são praticamente inexistentes, houve a necessidade da sociedade civil assumir o papel de protagonista nesta luta, que competia ao estado executar através das suas transversais políticas socioeconómicas, através deste governo democraticamente eleito.
A iniciativa denominada “Toca a todos”, foi uma ação solidária da Rádio Pública – Antena 3, com o objetivo de chamar a atenção para este flagelo que assola a nossa comunidade, mas também, para angariar fundos para a Cáritas Portuguesa – uma das entidades que combate a pobreza infantil em Portugal (foram angariados mais de 350 mil euros).
Mas, voltando à questão propriamente dita, da pobreza infantil, a qual é tratada como um não problema por parte dos nossos governantes, com pouca sensibilidade para as questões de índole social, como se tem visto, nestes últimos três anos.
Como todos sabemos esta questão é transversal, não pertence exclusivamente a um só Ministério, mas no entanto é na educação que eles melhor são detetados, através dos inúmeros apoios sociais que os alunos recebem ao longo da sua formação académica.
 E, nessa perspetiva somos surpreendidos com os dados revelados na semana passada, e apresentados no ranking das escolas, mais propriamente, na coluna que diz respeito à percentagem de alunos que beneficiem de apoios, chamados de alunos carenciados.
Pois bem, segundo parece, no concelho de Nisa, apenas 26,3% da população escolar (até ao 9º ano de escolaridade) é alvo de apoio social, a taxa mais baixa do distrito de Portalegre, contrariamente ao que sucede no concelho de Marvão onde o apoio ascende a 63,8% dos alunos (o mais elevado), e por ironia, até obtêm melhores resultados escolares. A primeira análise que poderíamos tirar destes números, era que as famílias no concelho de Nisa, com filhos a frequentar o ensino oficial, têm mais posses (económico-financeiras) que as restantes a viver no distrito de Portalegre, e por isso, estão em vantagem, o que não me parece! Mas, dados são dados.
Portanto, partindo do princípio que estes dados não estão errados, uma das duas, ou são mesmo alunos sem necessidade de apoio, o que me enche de orgulho por ser oriundo da região mais rica do distrito de Portalegre, ou então, existe falta de informação ou inércia, por parte dos profissionais da ação social escolar, junto das famílias, não informando estas dos seus reais direitos (na ajuda para o preenchendo de formulários e encaminhando-os por entre a imensa burocracia), onde existe um vasto campo iliterário.
Mas, esperamos que esteja tudo certo!
E também que, fosse bom não haver necessidade para fazer estas campanhas… mas enfim! É esta a nossa sina. Que saibamos saltar, pelo menos!
Como diz a canção dos “Clã”, hino oficial da campanha “toca a todos”:
“Ei, tenho asas nos pés
Tenho asas
Ei, tenho molas nos pés
E salto.”
JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO

NISA FUTSAL: Calendário dos Jogos em Dezembro (Nisa)