30.1.14

CRÓNICAS DO REGABOFE (20): Um nó na alma

 Portugal, país sério e circunspeto.
Povo de circunstâncias.
Inapelavelmente exigente com os outros e os fracos, mas absurdamente libertino para com os fortes e consigo próprio.
Desprovido de qualquer sentido de humor, sisudo, macambúzio, ensimesmado, triste... Mas com jeitaço para a piadola mais vil, soez e fácil.
Vai muito à bola, menos à missa, usa crucifixo na pescoceira e adora ir fazer piqueniques a Fátima, até gosta de ir a pé... bebe o seu copito, fuma cada vez menos, pela surrelfa dá umas facadas no matrimónio, completamente servil perante a autoridade.
Uns assobiam, outros cantam o fado.

A sua melhor qualidade é o lambebotismo. A segunda, a passividade. Estou em crer que um português, sentado na cadeira elétrica e com a corrente voltaica a passar por ele, manter-se-á totalmente impassível.
Lamechas, nada assume, tudo aponta. Irresponsável por natureza, queixinhas por feitio e saudosista por tradição...
Enfim, "o sol da nossa simpatia". Uma casinha caiada de branco, pão e vinho sobre a mesa. Fundilhos nas calças, dentes podres. O estômago colado às costas, inda assim, não calado.
É este o meu Portugal, o bom povo português...
Porra! Façam alguma coisa, c'um caneco! Nem que seja retirar macacos dos narizes avermelhados e atirá-los uns aos outros.
Mas isso já exigiria um incómodo demasiado.
Jaime Crespo

LPCC inicia 9ª volta do Programa de Rastreio de Cancro da Mama no Concelho de Nisa


A Liga Portuguesa Contra o Cancro irá iniciar a 9ª volta do Programa de Rastreio de Cancro da Mama no Concelho de Nisa, realizando rastreio na Freguesia de Alpalhão, entre 29 de Janeiro e 4 de Fevereiro.
Se tem entre 45 e 69 anos de idade, responda ao nosso convite. O exame é simples e gratuito!
A Unidade Móvel encontra-se estacionada junto às antigas instalações da Galp e o horário de funcionamento é o seguinte: de segunda a quinta-feira das 9h às 13h e das 14h às 17h30 e, às sextas-feiras das 9h às 13h.
Para mais informações, contacte:
- Grupo de Apoio de Portalegre: 245 330 989
- Unidade Móvel de Rastreio: 915 999 896
- Coordenadora Adjunta do Rastreio de Cancro da Mama: 915 999 889

- olinda-paz@ligacontracancro.pt

29.1.14

AREZ: Misericórdia com novos projectos

A Santa Casa da Misericórdia de Arez conta com novos dirigentes.
A nova provedora, Maria José Mandeiro, identifica várias prioridades para desenvolvimento de um plano estratégico que conta com vários eixos orientadores, como «Identificar áreas em que seja possível poupar recursos sem interferir na qualidade do serviço prestado», sublinhando «a escassez de utentes com que a Misericórdia se debate».
Em simultâneo a instituição pretende «melhorar a produtividade e a qualidade da obra social em curso - Centro de Dia, Serviço de Apoio Domiciliário e Cantina Social), dotar a Misericórdia de instalações modernas e mais adequadas ao exercício da sua obra social, já que as instalações se encontram num edifício antigo sem possibilidade de ampliação e a Misericórdia é proprietária de um terreno adquirido para o efeito».
Para além disto, a Santa Casa estará «atenta às necessidades dos irmãos» pretende agir em função dessas necessidades «directamente ou através da celebração de protocolos com outras instituições, dentro das suas possibilidades financeiras e vocação social», para além de «reforçar e alargar a componente de animação local, reforçando a coesão interna e externa podendo envolver utentes, famílias, funcionárias, corpos sociais, irmandade da Misericórdia e a comunidade em geral».
Em sínteses, a provedora adianta que o objectivo é «transformar progressivamente a Misericórdia de Arez num pólo de intervenção mais alargada, nomeadamente através do estabelecimento de parcerias a identificar em função do plano estratégico já em elaboração, visando combater o isolamento, a desertificação humana existente e reforçando a sua autosustentatabilidade, podendo alargar o seu âmbito de intervenção.
Corpos Sociais
Mesa da Assembleia Geral
Presidente - Paulo José Casimiro Felício;
Secretários - Ana Cristina Encarnação Santos Leitão e Ricardo Manuel Pereira
Sousa Reis; Suplentes - António da Conceição Leitão, Artur da Rosa Dias, José Lopes
da Cruz, José Maria Mandeiro da Silva
Mesa Administrativa
Provedora – Maria José Silva Martins Marques Mandeiro; Vice-Provedor – José
António Morujo Ambrósio; Secretário – Rui Faia da Costa Biscaia; Tesoureiro – António Albino Faia Andrade Pires; Vogal – Maria da Graça Esteves Nazaré Lopes da Cruz
Conselho Fiscal
Presidente – Júlio Mendes Lino; Vogais - Joaquim Belo da Anunciada e Jorge
Manuel Camilo Vitorino.
in "Alto Alentejo" - 29/1/2014

28.1.14

Presidente da Câmara reúne com autoridades espanholas e portuguesas


Em causa a Ponte sobre o obre o Rio Sever (ligação Espanha-Portugal)
A Presidente da Câmara Municipal de Nisa, promoveu, no dia 22 de janeiro, uma reunião, nos Paços do Concelho, com a Diputación de Cáceres e a Comissão de Coordenação da Região Alentejo para tentar inverter a decisão das autoridades espanholas de cancelar a construção da ponte que deveria ligar Cedillo (Cáceres) a Montalvão (Nisa) e manifestar formalmente a discordância da alternativa apresentada em janeiro de 2013 ao anterior executivo que consiste na ligação dos dois territórios através de uma barcaça a funcionar entre Herrera de Alcântara e Monte Fidalgo, no distrito de Castelo Branco.

A construção da ponte sobre o rio Sever, em benefício do desenvolvimento das regiões Alentejo e Extremadura espanhola (as mais fustigadas pelos efeitos negativos da interioridade) deve, segundo a Presidente da Câmara de Nisa, continuar a constituir um objetivo comum, num esforço concreto e conjunto de execução da candidatura aprovada para a construção da infraestrutura.

TRADIÇÃO ORAL: As Alcunhas de Nisa (2)



27.1.14

CRÓNICAS DO REGABOFE (19): Protestamos para quê?

Em França, jovens dos bairros periféricos, ou os esquecidos de Deus, manifestaram-se violentamente incendiando carros nas ruas.
Na Grécia, já se fizeram cerca de 30 greves gerais e as manifestações prosseguem ao ritmo de cada dia e com cariz violentíssimo.Em Espanha e em Portugal, manifestantes de todas as idades, etnias e convicções políticas tem enchido ruas e praças em muitas cidades.
Para mudar o quê?
Em França, realizaram-se eleições, ganhou o Partido Socialista e Hollande foi eleito presidente prosseguindo uma política com raras nuances da política seguida por Sarkozy.
Na Grécia, as eleições contemplaram alguns dos responsáveis pelo seu afundamento, a direita que trouxe mais cortes e austeridade.
Em Espanha também ganhou a direita agravando ainda mais a impopular política de Zapater e pois claro, mais cortes e austeridade.
Agora, na Itália, assistimos incrédulos ao regresso de Berlusconi em grande, legitimado pelo voto popular.
Em Portugal, volto a perguntar: protestamos para quê?
Cansamo-nos em marchas e manifestações, enrouquecemos a voz a entoar a Grândola vila morena para em eleições tro(i)carmos o coelho pelo (in)seguro e este continuar com estas políticas?
Penso que a intenção de quem se manifesta e de quem canta não será essa mas de boas intenções está o inferno cheio.
Ou encontramos rapidamente a resposta à minha pergunta ou então respondo por antecipação: protestamos para que tudo muda, para que tudo fique na mesma, o mesmo será dizer, para nada.
Decidamo-nos!
Jaime Crespo

TRADIÇÃO ORAL: As Alcunhas de Nisa (1)

     
 PRÓLOGO
Este pequeno trabalho do meu saudoso pai, não tem pretensões algumas a ser incluído na arte poética, pois é destituído das normas clássica ou académica.
Este conjunto de quadras é um modo vulgar e anedótico de apresentar as alcunhas da nossa terra destas últimas quatro décadas.
É um trabalho original que a pesquisa de alcunhas e para com elas constituir uma versalhada, revelam algum trabalho e paciência.
É com muito prazer que ofereço às gerações actual e posteriores, esta modesta e simples obra.
Que a vossa generosidade, perdoe algum erro que nele possam encontrar. Obrigado.
Nisa, 27 de Maio de 1982.
Aníbal Bernardes Pestana Goulão 

24.1.14

OPINIÃO: O Mercado Municipal de Nisa

A Assembleia Municipal de Nisa, em reunião extraordinária de 17 de Janeiro, aprovou por maioria, com onze votos a favor e onze abstenções, as “Grandes Opções do Plano” e o “Orçamento da Receita e Despesa do Município”, para o ano de 2014.
Neste ano financeiro de 2014, ressalta a importância para uma obra que merece sem dúvida ser a capa das Grandes Opções do Plano, que é o projeto de Requalificação do Mercado Municipal de Nisa e Áreas envolventes, uma infraestrutura que pelo seu valor representativo na economia local nestes últimos cinquenta anos, já merecia ser alvo de um digno tratamento pela sua administração, o que se vem a comprovar no conteúdo deste documento, com uma verba de 320 mil euros para a requalificação e mais 19 mil euros para a zona envolvente.
Leva-me este artigo a uma viagem ao passado, finais dos anos 50 e início dos anos 60 do seculo XX, através do relato de um conjunto de documentos oficiais, fruto de uma pequena investigação sobre investimentos públicos no concelho de Nisa, que pode contribuir para um melhor conhecimento da verdadeira história deste bem físico duradouro, que é o Mercado Municipal de Nisa.
Decorria o ano de 1956, quando foi publicado no Diário do Governo, II Serie de 31 de Outubro, a autorização para a Câmara Municipal contrair um empréstimo de 600 contos, para o projeto de construção do Mercado Municipal desta vila, orçado inicialmente em 930 contos.
Dois anos e meio depois, a 22 de Junho de 1959, as obras iniciam-se….
Mas, em Novembro de 1961, a obra ainda estava por concluir, tal como relata o seu presidente da Câmara, Mário Relvas Fraústo, num ofício datado de 21 de Novembro de 1961, dirigido ao Ministro das Finanças, solicitando novo empréstimo de 380 contos, para fazer face a um conjunto de imprevistos:
- O “mais curioso” é o lapso de se não se ter incluído no orçamento inicial a compra do terreno, no valor de 185 contos;
- O outro imprevisto, são devidos a trabalhos não previstos inicialmente, no valor de 440 contos (+47% do orçamento inicial) – e que hoje em dia chamam pomposamente de derrapagens financeiras, mas já nessa altura havia…
O Mercado Municipal de Nisa é finalmente inaugurado no dia 28 de Julho de 1962, seis anos depois do primeiro empréstimo de 600 contos, aos quais se acrescem mais 279 contos da comparticipação direta (30%) do Estado, dos 187 contos do reforço da comparticipação direta do Estado (trabalhos não previstos), mais 380 contos do segundo empréstimo e finalmente 109 contos de receitas próprias (ordinárias) da autarquia, totalizando 1550 contos (+ 60% que o orçamento inicial) – que a preços atuais (2014) rondariam a modica quantia de 413 mil euros, a sua execução.
Olhando para estes números e comparando-os com os valores previstos para a requalificação atual (339.610 euros), sem derrapagens, estamos na presença, cinquenta anos depois, na construção de um novo mercado municipal. Obra essa que se impõem que seja um espaço novo, em todos os sentidos, aberto a novos conceitos, novos públicos – mais jovens com novas dinâmicas e que faça a diferença acontecer permanentemente (ver exemplo do mercado de Campo de Ourique, em Lisboa).
Por isso, em paralelo com o lançamento do concurso para a requalificação, devia-se ter aberto um outro, para o desenvolvimento da dinamização da marca “Mercado Municipal” – através de um concurso de ideias.
JOSE LEANDRO LOPES SEMEDO

22.1.14

Exposição ao Ministro da Agricultura (Fevereiro 1934)

O ministro Passos tirou da cartola, não um coelho, mas mais uma das suas ideias luminosas para extorquir dinheiro aos mais pobres. Exige o ministro Coelho e a sua vistosa parceira da Agricultura, que os pequenos agricultores se inscrevam nas Finanças, para lhe poder controlar os passos e a produção de couves e nabiças.
Vem a propósito, por isso, uma “Exposição” dirigida ao Ministro da Agricultura, em Fevereiro de 1934 e que com toda a actualidade que mantém, pode ser endereçada também à Luisinha das Finanças e ao próprio primeiro-ministro.

Exposição

Porque julgamos digna de registro
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente,
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.

Senhor! Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.
 

Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca.
- A matéria, em questão, chama-se caca.

Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

Se os membros desse ilustre Ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.


E mijem-nos, também, por caridade!

O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
Venha até nós!...

Solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado
e,... como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!

A Nação confiou-lhe os seus destinos?...
Então, comprima, aperte os intestinos;
se lhe escapar um traque, não se importe,
... quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?
Quantos porão as suas esperanças
num traque dos Ministro das Finanças?...
E quem viver aflicto, sem recursos,
Já não distingue, os traques, dos discursos.

Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
 desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos nelas.

Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

... Adubos de potassa?... Cal?... Azote!?...
Tragam-nos merda pura, de bispote!

E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos, uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!

Terras alentejanas, terras nuas,
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda...

Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

Ah!... Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!...
Como é triste saber que todos vós
andais cagando sem pensar em nós!
 

Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.

Venham todas as merdas, à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena póia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.

Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.

Évora, 3 de Fevereiro de 1934
Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos do Norte, Centro e Sul do Alentejo
O Presidente,
Dom Tancredo (o Lavrador)

INIJOVEM: Abertas as inscrições para a XV Rota do Contrabando

As inscrições para a "XV ROTA DO CONTRABANDO - RUTA DEL CONTRABANDO" já abriram. Chamamos a atenção para o facto de o número de inscrições ser limitado a 250 portugueses e 250 espanhóis, num total de 500 participantes.
A data limite para as inscrições em Portugal é o dia 16 de Março de 2014.
DATA LIMITE DE INSCRIÇÕES
ESPANHA - 14 de Março (ou 250 Caminheiros)
PORTUGAL - 16 de Março (ou 250 Caminheiros)
INFORMAÇÕES: Contacte a Inijovem por e-mail: inijovem@gmail.com; por carta: Inijovem - R. Marechal Gomes da Costa, Apartado 66 - 6050-999 NISA ou ainda por Telefone e Fax: 245 413 671

21.1.14

CRÓNICAS DO REGABOFE (18): Das touradas – contradizendo os seus defensores

Argumento 1 – da tourada como tradição:
O argumento em defesa das touradas porque são uma tradição enraizada no povo, não é um argumento válido nem aceitável. Para isso teríamos que aceitar como boas todas as atividades que por terem sido exercidas ao longo de um período de tempo entraram na tradição dos povos em geral ou de um povo em particular.
Depois, teríamos que negar a mudança como fator inerente à condição humana, ou seja, teríamos que aceitar como verdade que uma determinada coisa depois de ser feita de certa maneira, será sempre executada ad eternum dessa maneira. como se vê esta asserção é falsa, se o homem não fosse por excelência um ser dado à mudança, hoje ainda vivíamos em cavernas e andaríamos nus ou quanto muito, usando umas decrépitas peles de animais cobrindo-nos o corpo e suas vergonhas.
E porque não encaixa a tradição como argumento de defesa das touradas? Porque nem todas as tradições são boas!
No mundo clássico, Grécia e Roma, e mesmo no Renascimento, era comum, aceite e tradicional a prática da pedofilia, vamos aos compêndios de história e não raro encontramos descrições pormenorizadas de como os filósofos gregos, aqueles que sustentam todo o nosso pensamento, os senhores romanos, ou os bispos da igreja e os grandes escultores e pintores renascentistas, se entregavam alegremente a práticas sexuais com os seus discípulos de mais tenra idade. Essas práticas são hoje aceites como naturais e normais? Não. Pelo contrário, um adulto que tenha práticas sexuais com menores, não só é condenado a pesadas penas pelos tribunais como ainda terá que enfrentar a indiferença e o olvido por parte dos seus semelhantes.
Outro exemplo, ainda hoje, nalguns países, ou tribos, africanos é prática corrente, exatamente por ser tradicional, a excisão do clítoris quando as jovens mulheres atingem a idade fértil, prática que quando não causa a morte da mulher logo ali, durante o ato, lhe vai proporcionar uma vida inteira de dor e privada de sentir prazer sexual. Devemos acatar esta prática e condenar milhares de mulheres ao sofrimento? É claro que não!
Mas se uma atividade não deverá ser continuada pelo facto de ser tradicional, como fazer se também é ponto consensual que há tradições boas e que nos movem no dispêndio de todo e qualquer esforço para não as deixar fenecer?
É uma questão de bom senso, de gosto, de juízos de valor, de moral, de ética...
Como todos estes valores atrás enunciados contém uma grande dose de subjetividade, o que é bom para mim pode não ser para ti, teremos inevitavelmente que ter em conta o impacto que determinada prática tem na opinião pública.
Pelo que só poderão ser aceites como boas práticas tradicionais aquelas que não levantem contestação da parte de um grupo significativo de cidadãos, o que não é claramente o caso das touradas, hoje em dia já não se trata de uma ou duas dúzias de maluquinhos que são contra, atualmente a contestação a esta prática abrange milhares de cidadãos, independentemente das suas convicções políticas religiosas, culturais, etc.
Querem exemplos de práticas tradicionais boas e as quais urge dar continuidade e manter?Os bordados, a cerâmica, os enchidos e o queijo de Nisa.
Os dois primeiros, tendem a desaparecer, os dois últimos demonstram vitalidade mas produzidos de modo industrial originando produtos que de tradicional tem apenas o nome.
Poderão aqui os defensores das touradas alegar, mas porque é que os bordados são defensáveis e as touradas não? Como você gosta de bordados, eu gosto de touradas.
Reparem que não é bem a mesma coisa, enquanto contra os bordados apenas conseguirá argumentar com o gosto, as touradas ferem sentimentos, torturam animais, ofendem outras culturas, religiões, sentimentos morais ou éticos de terceiros.
Caso me não tenha feito entender, agradeço o contraditório, acredito que é da discussão que pode nascer a luz.
Argumento 2 – da tourada como economia mola de desenvolvimento do interior
Este é de todos o argumento mais badalado pelos defensores das touradas mas é também o mais perigoso. Perigoso porque pode e leva os mais incautos ao engano e a arrostarem com dívidas, por vezes elevadas. Por uma razão muito simples, o espetáculo tauromáquico, por si mesmo, não dá lucro, salvo raras exceções dá elevados prejuízos.
A não ser assim, como se explica que praticamente todas as praças de touros do país sejam equipamentos públicos?
Exatamente porque a sua construção manutenção e exploração dão prejuízo, caso dessem lucro estariam nas mãos de investidores privados. Investidores que cavalgando a galope o seu empreendedorismo não deixariam escapar para o setor público os ganhos que poderiam ser apenas deles.
Não conheço a situação da praça de touros de Vila Franca de Xira nem da Moita, mas tirando o Campo Pequeno, não conheço mais nenhuma praça que seja posse de privados e mesmo o Campo Pequeno sobrevive graças ao centro comercial construído nas suas galerias e vê acontecerem lá mais espetáculos musicais que corridas de touros.
Ou seja, as touradas só são lucrativas quando acompanhadas por outras atividades paralelas, no interior costumam ser os comes e bebes a cobrirem o saldo negativo da bilheteira da tourada. ainda assim, na minha terra natal, organizaram há bem pouco tempo uma tourada na qual apenas os cavaleiros e salvo erro o ganadeiro cobraram caché e nem com o dinheiro do bufete se safaram. tiveram forte prejuízo.
Mesmo verificando-se prejuízo financeiro da tourada, ainda se pode clamar no desenvolvimento do moribundo comércio local pela grande afluência de forasteiros no dia da corrida. Também não me parece que seja chão digno de ser trilhado, não vão ser duas dúzias de enchidos e queijos, meia dúzia de peças de olaria e duas ou três de bordados que virá revitalizar o comércio local. Arranjem, se fazem favor outras e novas ideias.
Concluindo: a tourada é desde sempre uma atividade subsidiária do Estado, da Monarquia primeiro, é aliás a principal demonstração do marialvismo da fidalguia, quase desaparece na 1ª República e ressurge como esteio do estado-novo salazarista, sempre com o Estado como patrono e mecenas, agora não será diferente.
Em termos económicos teremos pois na tourada um espetáculo que findo o último passodoble entoado pela banda musical, terminadas as cortesias e as lides, ao deixar de se ouvir o último estralejar do foguete largado pelo João Adriano, acaba a festança, ficam as contas por acertar e essas já sabemos quem é sempre o pagador, nem mais nem menos que o zé povinho, ou seja, todos nós.
Argumento 3 – dos touros de lide como meio de preservar de forma sustentada e ecológica o meio ambiente:
E eis-nos chegados ao argumento que parece decisivo em favor das touradas e até dá para os seus mais acérrimos defensores fazerem figura de bons rapazes, que o são certamente, dizem eles: “o touro bravo só subsiste porque há touradas, assim, as touradas permitem a preservação de mais uma espécie e como o touro bravo exige um determinado meio ambiente para sobreviver, ao mantê-lo, estamos também a contribuir um planeta mais ecológico”.
Falso!
O touro bravo existe muito antes de existirem touradas e espero, continuará para muito depois delas. O touro bravo não existe em função da lide, esta sim existe em função do touro bravo.
Esta espécie é facilmente convertível à alimentação humana como demonstra anualmente a feira gastronómica promovida pelo município de Mora, o touro bravo pode entrar na ementa humana; se passar por uma praça e for lidado, com os produtos químicos que lhes enfiam no bestunto e com as infeções ganhas na corrida é que só serve para o crematório.
A criação do touro bravo, por si só, não é rentável, por isso os ganadeiros não se dedicam apenas a esse tipo de criação, os que são aficionados criam-nos para a lide mas como complemento de uma outra atividade, agrícola ou empresarial.
Numa exploração agrícola, respeitadora do meio ambiente, diversificada e ecologicamente sustentável, cabe perfeitamente a criação do touro bravo como interveniente da cadeia alimentar humana.
Ainda há dias vi na televisão uma herdade, salvo erro da família Brito Pais, algures entre Évora e Beja, as minhas desculpas mas a memória já não é a dos tempos de juventude, na qual coexistiam culturas de regadio, culturas de sequeiro, vinha, criação de touros bravos e de porco preto alentejano, tudo cultivado e criado segundo modelos da agricultura biológica. Esta herdade não existe assim desde sempre, foi a iniciativa, no caso empresarial privada que a reconverteu numa herdade moderna e ecologicamente sustentada. Poderão dizer-me, está bem mas a família Brito Pais (desculpem-me se não for pois não me recordo, mas o nome é meramente ilustrativo) cria os touros porque estes vão ser lidados nas corridas de touros. Sim, fazem isso se não tiverem outra alternativa para colocar no mercado a carne dos animais, pois se a tiverem eles deixarão de se preocupar com as touradas.
Quanto ao meio ambiente do touro bravo, no caso, constituído por sobreiro e pequenos arbustos é exatamente o mesmo do porco preto pelo que não corre perigo. Pelo menos enquanto não se considerar que o eucalipto tem as mesmas condições para ser cultivado que as árvores autótones.
Essa dos eucaliptos é que foi um par de bandarilhas mal colocado.
Concluindo: não sendo a tourada uma tradição arreigada ao povo português, antes uma barbaridade rejeitada por muitos; não sendo as touradas uma atividade economicamente viável, sem apoios de dinheiros públicos; sendo possível manter o ambiente natural e o touro bravo sem a existência de touradas; não há motivos para que as mesmas se continuem a realizar, para lá é claro, do prazer pessoal que alguns retiram daquele “espetáculo” triste.
Nota: Este texto foi enviado pelo autor ao “Jornal “da câmara” de Nisa” como resposta a um texto de Marco Oliveira aí publicado e em sequência à apresentação e aprovação pelos deputados municipais do P.S. da proposta de considerar as touradas “património cultural imorredoiro”, neste concelho. O jornal não publicou o texto e ao autor, disse nada.  
Jaime Crespo

20.1.14

NISA: Roubo de seis mil euros a funcionário de gasolineira

Cerca de seis mil euros foram roubados hoje a um funcionário de um posto de abastecimento de combustíveis em Nisa, Portalegre, quando se dirigia para uma agência bancária para fazer um depósito, disse fonte da GNR.
A mesma fonte adiantou à agência Lusa que o funcionário da gasolineira foi intercetado ao final da manhã por três homens encapuzados que o ameaçaram com um ferro, tendo "sido forçado" a entregar o dinheiro.
Os assaltantes puseram-se em fuga numa carrinha, onde estavam mais dois homens e que foi posteriormente encontrada incendiada na zona.
A GNR está a efetuar investigações.
Fonte: Notícias ao Minuto

ALPALHÃO: Festejos em honra de São Sebastião


SANTANA: Junta divulga horários e preço da barcagem


19.1.14

NOVO CANTINHO DO EMIGRANTE (1): Sonhar para acreditar ...

Eu quando era pequenino, via descargas selvagens por todo o lado, sem tão pouco imaginar, que um dia, eu viria a ser vítima destes abusos. Eu ignorava, que as tecnologias teriam um avanço tão acelerado, e nunca pensei também, que o "ambiente" estava em perigo! Hoje, e com as informações que possuímos, verificamos que o nosso belo planeta "Terra", está condenado...
Sobre a forma de modelo, queria aqui lembrar, as frases da GREENPEACE:
“ Quando a última árvore estiver cortada; quando o último rio estiver poluído; quando o último peixe for pescado: vocês vão entender que o dinheiro não se come!”
Ora! Para que não vivamos mais na intolerância, seria bom, que todos nós, se mobilizássemos em defesa daquilo que foi construído para nós com Amor.
Lembrando que a desflorestação e a poluição, são os maiores inimigos, dando origem às mais diversas catástrofes, em que o homem, é o maior responsável desta "Hecatombe"...
Por isso, enquanto cá estivermos, vamos todos desfrutar do mar, das montanhas, das paisagens, que nos levam aos confins dos nossos sonhos...
António Conicha - França

18.1.14

CRÓNICAS DO REGABOFE (17): Do patriotismo como estranha forma de vida

De quando em vez, assistimos a ondas de patriotismo, acalentadas por quem afinal não passa de interesseiro patrioteiro.
Foi assim com Vaz Guedes e a Somague, dias depois de ter aparecido, no seguimento de um encontro do grupo "Compromisso Portugal", falou e veio defender a proteção das empresas e empresários portugueses. Passados dias, vendia a sua participação maioritária na "Somague" a investidores espanhóis...
Aquando estudante na Escola Industrial e Comercial de Portalegre, o ilustre professor de matemática, dr. José Nunes, contava, história cuja veracidade nunca pude confirmar, mas pela idoneidade do locutor poucas dúvidas deixa, que Georges Robinson, inglês e industrial da cortiça em Portugal, que muito ajudou no desenvolvimento de Portalegre, passou a sua herança às suas três filhas, as quais, venderam todo o património que tinham em Portalegre para ajudarem a Inglaterra no esforço de guerra (salvo erro, 2ª guerra mundial).
Há tempos, começou a aparecer diariamente no e-mail e no facebook, mensagens apelativas ao consumo de produtos portugueses, fabricados ou distribuídos por empresas portuguesas como caminho para combater e sair da crise. Dei o destino, que este tipo de revivalismos nacionais me merecem: o caixote do lixo.
Há pouco tempo atrás, uma das vozes que mais fortemente fazia este mesmo apelo era a do empresário gerente, da Jerónimo Martins, Soares dos Santos que vivazmente nos alertava para a necessidade de apostarmos em empresas portuguesas e moralizava sobre a nossa produtividade.
Agora, parece que para pagar menos impostos, tornou o grupo que gere holandês. Tudo legal como outra coisa não seria de esperar.
Mas enquanto estes patriotas de pacotilha vão continuando a engordar as suas contas bancárias, o pobre emagrece e mesmo sem conhecer o significado de pátria, é ele que é obrigado a pagar a crise.
Vão-se mas é foder!
Jaime Crespo

15.1.14

CRÓNICAS DO REGABOFE (16): Desespero.1

Ida ao hospital. Santo António dos Capuchos. Consulta de oftalmologia. 4ªfeira, cerca das 8:45 horas. Sala cheia. As pessoas estendem-se pelo corredor. No qual, as cadeiras existentes estão todas ocupadas. Escolho uma parede e encolho-me. Sem querer, oiço as conversas dos outros. Dois homens, conhecidos cá de fora, ou das idas às consultas, ainda sonham com o jogo de véspera da seleção nacional de futebol.
"- E o jogo de ontem? Que espetáculo!" "- Não fosse o árbitro e tinham sido 7-1. O Ronaldo é um grande jogador. O melhor do mundo, se calhar." "- Ele e o nani..." "- Sim, esse também. e o Fábio. Eles todos. Ali só há primeira água. Não há ali lixo." "- O Paulo Bento limpou o lixo todo. E é um grande treinador!" "- Sim. O gajo é bestial!" Até passar a besta, penso eu. Viro a atenção para a conversa entre três senhoras idosas que ocupam, lado a lado, desconfortavelmente, as cadeiras.
"- Como é que isto não há-de estar assim? Com estes políticos a roubarem como roubaram durante estes anos todos!..." "- Os políticos e não só. Lá em Torres, muitos pequenos que eu conheço, fazem vidas de grandes! Onde vão eles buscar o dinheiro?" A terceira, com ar de pessoa mais humilde e também mais idosa, retorquiu: "- Ai filhas! para fezes já chegam as minhas..."
O altifalante anunciou o meu nome e exigiu a minha presença no gabinete 7.
Lá fui para mais uma compressão que terminará com o meu dia em depressão.

Jaime Crespo

MEMÓRIA HISTÓRICA: Doenças venéreas, armadilhas para caçar e o direito ao voto

As actas e outros documentos do Arquivo da Câmara Municipal constituem um acervo documental de grande relevância para conhecermos situações, histórias, o modus vivendi, em diversos domínios, da população do concelho e das instituições. Hoje, transcrevemos aqui alguns documentos datados de 1901, tendo o cuidado de modificar alguns nomes de pessoas para não ferir susceptibilidades.
Moléstias venéreas (I)
Carta ao Dr. João Moraes, Facultativo Municipal do Crato e que presta serviço em Toloza
Tendo recebido queixa n´esta Administração de que Genoveva Romão *, solteira, da Villa de Toloza d´este Concelho, se acha atacada de molestia venerea e que contaminou a menor Maria Isabel *, de 6 annos de edade, filha de João Caldeira *, casado, carpinteiro da mesma Villa, vou rogar a Vª Exª se digne examinar as pessoas a que me refiro e communicar-me com a brevidade possivel o que ha de verdade sobre tal molestia.
Deus guarde a Vª Exª / Niza, 22 de fevereiro de 1901
* Estes nomes são fictícios
Moléstias venéreas (II)
Carta ao Delegado do Procurador Regio n´esta Comarca
Para os fins convenientes tenho a honra de passar às mãos de Vª Exª o incluso auto de noticia. N´esta data officio ao Snr. Facultativo, Dr. Moraes que presta serviço clinico em Toloza, a fim de me informar se a arguida e a menor Maria Isabel a que se refere o mesmo auto, estão ou não contaminadas de molestia venerea. Da informaçãoque obtiver darei conta a Vª Exª.
Deus guarde Vª Exª. / Niza, 22 de fevereiro de 1901.
A propósito do Direito ao Voto
Carta enviada ao Governador Civil
Em resposta à circular sob o nº 1068 que Vª Exª se dignou enviar-me no dia 21 de dezembro de 1900, tenho a responder que a minha fraca e humilhissima opinião junctamente com a pouca experiencia que tenho em assumptos eleitoraes, me ditam o seguinte: As varias reformas por que tem passado a lei eleitoral, comquanto tenham tendido a dar a mais ampla liberdade ao voto, e se funda em theorias, mais ou menos em harmonia com os principios liberaes não se coadunam com a practica no todo, porque emquanto houver homens, ha de haver interesses, luctas pelos mesmos e grande dependencias, d´onde de ahi aquella não harmonia. A ultima lei eleitoral parece-me sufficiente, porquanto nas passadas eleições, a bôa vontade, energia, competencia e moralidade do homem que preside à Administração Superior do nosso Paiz, mostraram eloquentemente que com ella se podem fazer eleições, com a maxima liberdade, compativel com os interesses partidários e sem violencias. Comtudo, como esta circunstancia é puramente eventual, porque depende das qualidade moraes do individuo que preside ao governo do Paiz, é minha opinião e de harmonia com os principios que deixo expostos, que o direito ao voto seja restringido, mais do na actual lei, facultando-se apenas a individuos que pela sua illustração e condições de fortuna pessoal, offereçam mais garantias de independencia.
Deus guarde Vª Exª. / Niza, 12 de fevereiro de 1901
Apanhado a armar ferros
Carta ao Delegado do Procurador Regio n´esta Comarca

De harmonia com o preceituado no artigo 278 nº 27 do Codigo Administrativo, cumpre-me participar a Vª Exª que Jose Constança *, solteiro, pastor, ao serviço de Manoel da Martinha foi encontrado no dia 17 por 7 horas da tarde no sitio denominado barroca do Valle Louro freguezia do Espirito Santo d´esta Villa, a armar trez ferros ou armadilhas aos coelhos, que n´essa ocasião lhe foram apprehendidos. Os apprehensores são Jose Maria Nunes e Jose da Cruz Miguens, cabos de policia e guardas da Associação protectora da caça em tempo defezo. Com este meu officio serão apresentados a Vª Exª os trez ferros apprehendidos. O arguido é natural d´esta Villa.
Deus guarde a Vª Exª. / Niza, 19 de Abril de 1901
* Nome fictício
Toleradas
Carta ao Sub-Delegado de Saude n´este Concelho
Accusada a recepção do officio que Vª Exª se dignou dirigir-me datado de 27 do corrente mez, cumpre-me dizer-lhe que não existindo n´esta Administração matricula ou qualquer registo de toleradas d´este Concelho, e, não indicando Vª Exª os nomes das pessoas que deseja inspeccionar torna-se-me completamente impossivel dar cumprimento ao citado officio de Vª Exª.
Deus guarde a Vª Exª. / Niza, 30 de Abril de 1901

14.1.14

FUTEBOL: João Vitorino volta ao comando do FCCrato

A derrota em Fronteira terá sido a “gota de água”. Chicotada psicológica no FC Crato com João Vitorino a substituir Ricardo Canelas, conhecido por Caracol.
Trata-se de um regresso de Vitorino, de 56 anos, a uma casa que bem conhece e onde trabalhou nas últimas temporadas.
No seu palmarés o técnico que começou a sua carreira no Nisa e Benfica e passou pelo Mação, tem uma Taça distrital de Portalegre e uma Taça distrital Santarém.
O Crato é 4º classificado no campeonato distrital de Portalegre, com 12 pontos. Lidera o Eléctrico de Ponte de Sôr, tem 21 pontos.
Texto e foto de http://alentejoedesporto.blogspot.pt

NISA: 17º Rally Paper no sábado de Carnaval


CRÓNICAS DE LISBOA: Eusébio e os Castigos dos Deuses

Obviamente que um país necessita de símbolos e ídolos, mas, infelizmente, é no desporto, em geral, e no futebol, em especial, que estes são mais globalizadores, porque, havendo-os também noutras áreas, é no desporto que eles alcançam uma maior notoriedade e universalidade, porque estas actividades são seguidas pelas grande massas humanas e muito heterogéneas. Alem disso, os medias dão maior projecção aos feitos atlético-desportivos desses ídolos e, infelizmente, alguns deles acabam por se revelarem  “ídolos com pés de barro”, mas são esses medias que acabam, muitas vezes, por “fabricar” também esses ídolos, em proveito e benefício próprio, porque são outros os interesses a sobreporem-se à ética, à verdade desportiva e ao “homem/mulher”.
O Portugal futebolístico, bem como o “mundo da bola”, acabam de ver partir um grande futebolista da sua época e que foi um ídolo para milhões de portugueses, e não só, nas décadas de sessenta e setenta. Graças a Eusébio e companhia, porque uma equipa de futebol é composta por muitos outros jogadores, no Benfica e na selecção nacional, o nome de Portugal galgou fronteiras, mesmo aquelas que, politicamente, estavam fechadas, por força do isolacionismo a que o nosso país tinha sido votado, devido ao regime ditatorial vigente à época. Futebolisticamente falando, Eusébio era um “monstro”, isto é, um jogador dotado de qualidades físico-atléticas próprias dum fora de série, e que tinha nascido, para o futebol, com a bola de trapos e cresceu no futebol de rua, como era habitual naquele tempo. As suas qualidades futebolísticas, permitiram-lhe alcandorar-se para a galeria dos craques do seu tempo, e eram muitos, embora o futebol dessa época fosse muito diferente daquele que hoje se joga, mas Eusébio destacava-se de todos os demais futebolistas. Era uma “máquina de fazer golos” e o terror dos defesas e dos guarda-redes das equipas adversárias, que o temiam. Aquela força da natureza e a sua técnica característica desequilibravam a balança, não só no futebol doméstico, a favor do Benfica que, com ele, ganhou onze campeonatos nacionais, falhando apenas para o Sporting os de 1962, 66, 70 e 74. Vi, com tristeza clubística, os muitos golos que Eusébio marcou ao meu Sporting e retenho, na retina e na memória, um enorme duelo que ele travou, no estádio de Alvalade, com um outro ídolo e que, na minha opinião, foi o melhor guarda-redes português que até hoje vi actuar. 
Foi épico, na óptica futebolística, esse  jogo entre o Sporting vs Benfica que, de facto, mais pareceu um duelo entre Victor Damas e Eusébio. Contudo e apesar do meu sportinguismo, habituei-me a considerar Eusébio, mais velho do que eu oito anos e mais um dia, como um “português de bandeira” e a agradecer-lhe tudo o que ele fez por Portugal, bem como outros ídolos o fizeram e fazem.
Na hora da morte, costumam chover os elogios e os agradecimentos àqueles que partem, mas muitos desses gestos e atitudes vêm daqueles que o deveriam ter feito em vida dos que partem. É um defeito dos homens e a Eusébio também foram cometidas algumas injustiças, por parte do seu clube. Lembram-se que Eusébio acabou a sua carreira, “arrastando as botas” pelos USA, Canadá, México e por clubes de menor dimensão, porque no seu clube já não havia lugar para velhos e, ainda por cima, cheio de mazelas adquiridas ou agravadas ao serviço e em benefícios directos do Benfica. Mais tarde, os dirigentes do clube e da FPF, deram a mão a Eusébio, para desempenhar a função de embaixador daquelas duas entidades e, embora à distância e porque padeço da mesma patologia que o afectava (doença do foro cardíaco), pareceu-me que Eusébio foi “explorado” nessa função, pois o seu estado de saúde desaconselhava certas viagens e eventos.
No dia da sua morte e nos dias subsequentes, não foi só a comunicação social que se aproveitou desse nefasto acontecimento, mas também todo o tipo de “figurantes”, incluindo actuais e ex-políticos e governantes do nosso país. É, de facto, uma perda, mas o país não parou e, infelizmente, muitas outras perdas, materiais e humanas, ocorreram por aqueles dias. Por exemplo, no dia anterior, foram muitos os cidadãos que, afectados pelos temporais, sofreram enormes perdas materiais e psicológicas mas aí e apesar das coberturas dos medias os políticos e os governantes não compareceram. Até o presidente duma autarquia (Paredes), na qual duas aldeias foram muito afectadas por um tufão, se fez representar por uma vereadora! No dia seguinte ao funeral e querendo aludir à chuva copiosa que caiu todo o dia do enterro, um jornal desportivo titulava, na primeira página: “ E o céu chorou, no adeus ao rei”. Mas, nesse dia de Reis, com cujo funeral quiseram fazer coincidir, a nossa orla marítima estava a ser fustigada por ondas gigantes, deixando, atrás de si, um rasto de destruição de enormes prejuízos para os afectados, mas também para o nosso país. Era  o castigo da natureza, porque: “A natureza não se queixa dos erros dos humanos. Vinga-se”!
“O futebol é apenas a coisa mais importante das coisas menos importantes”, mas, infelizmente e num país com enormes défices de outros valores, incluindo as lideranças políticas, empresariais, sociais, etc, o futebol e tudo a ele ligado, adquirem uma relevância desmesurada e Eusébio, na sua simplicidade e se fosse vivo, reprovaria estas atitudes, porque é nos dramas, mesmo que seja a morte dum simples operário da empresa, que se vêem os grandes líderes e o seu humanismo. Ai a falta que eles fazem a este país, embora seja o mesmo povo que reprova estas falhas e omissões que alimenta o “mundo das coisas menos importantes”.
Parece que até Eusébio ajudou Cristiano Ronaldo a ganhar mais um prestigiado troféu pessoal - melhor jogador do Mundo em 2013 -, pelo que lá em cima, o “King” sentirá orgulho neste “novo Eusébio”, que, também ele, tem feito “flutuar no mundo da bola” o nome de Portugal e duma forma que vai surpreendendo os mais eruditos, dando mostras de que não é só bom “com a bola nos pés”. Mas, por cá, muitas são as dores, provocadas pelos temporais e ainda por sarar, mas que as “festas da bola”, mesmo que sejam, predominantemente, à custa de jogadores estrangeiros, nos fazem esquecer ?
Serafim Marques - Economista

IN MEMORIAN : Joaquim da Graça Correia Matias

Faleceu no dia 9 de Janeiro em Nisa, o senhor Joaquim da Graça Correia Matias (Félix), com 86 anos de idade e um percurso de vida de cidadão probo e popular em todo o concelho.
Comerciante com loja de ferragens, vidros, drogarias e tantos outros produtos, na Praça da República, primeiro no local onde está hoje o restaurante “3 Marias” e mais tarde, nos baixos do prédio do dr. Durões Correia, próximo dos Correios, o senhor Joaquim Félix – alcunha que herdou do pai, o mestre carpinteiro e das artes musicais, Luís do Rosário Matias (Félix) – pautou toda a sua vida pela seriedade e pelo fino trato e atenção que dedicava a todos os seus inúmeros clientes.
Homem de cultura, tomou parte enquanto jovem, nalgumas das representações populares de teatro que tiveram lugar na vila, nos anos quarenta e cinquenta, mantendo, mesmo após se ter reformado, o gosto pela leitura, sendo um frequentador assíduo da Biblioteca Municipal de Nisa.
Morreu, subitamente, durante a noite, e o seu funeral realizado no dia 10 de Janeiro constituiu uma grande manifestação de dor e pesar.
Nisa despediu-se de um homem bom, um cidadão sério e íntegro, que deixa saudades pela forma como registou a sua passagem por este mundo terreno.
Que repouse em paz, na mesma paz com que viveu e que procurou transmitir aos outros.
Mário Mendes  

13.1.14

1º Corta-Mato do Sporting Clube de Nisa

O 1.º Corta-Mato do Sporting Clube de Nisa é uma prova de atletismo (corta-mato) e realiza-se no dia 1 de Fevereiro de 2014, entre as 15h00 e as 17h00, nos terrenos da Zona de Atividades Económicas, organizado pelo Sporting Clube de Nisa com o apoio da União de Freguesias do Espirito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão e da Câmara Municipal de Nisa e a colaboração técnica da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre.
Nesta competição será disputado o Campeonato Distrital de Corta-Mato que se regerá pelo regulamento em anexo.
A competição integra a Liga AADP Corridas.