30.6.12

Fortificações de Elvas classificadas Património Mundial pela UNESCO

As fortificações de Elvas foram hoje classificadas como Património Mundial pela UNESCO, agência da ONU para a Educação, Ciência e Cultura.
Trata-se da maior fortaleza abaluartada da Europa - tem forma de estrela e é formada pelo castelo, pelas fortalezas secundárias de Santa Luzia e da Graça.
O local das fortificações, fundadas no reinado de D. Sancho II, assistiu ao desenrolar das guerras de fronteira, após a Restauração da Independência, em 1640.
Na proposta enviada à UNESCO em 2009, evocava-se «um dos mais importantes casos de sobreposição de funções e de evolução das concepções estratégicas e militares ao longo da História».
Note-se que a estrutura atravessa o período muçulmano, medieval e inclui inovações renascentistas.
30-06-2012 - A Bola

29.6.12

À FLOR DA PELE - Bombeiros de Nisa: Honrar a história ou apagar a memória? (I)

Os Bombeiros Voluntários de Nisa receberam, recentemente, um louvor do Governo, a propósito dos 75 anos de existência. O acto público de reconhecimento, justo, peca, no entanto, por residir num erro histórico, que sucessivos elencos directivos desta Associação Humanitária não têm querido rectificar. Uma vez mais e para alertar consciências "adormecidas", aqui deixamos, devidamente documentada, a história da fundação dos Bombeiros Voluntários de Nisa, uma associação que nasceu em Outubro de 1916, estando a 4 anos de completar um centenário de existência.
A história dos Bombeiros Voluntários de Nisa é rica em acontecimentos e exemplos de dedicação. Há 96 anos, mais de três dezenas de homens metia ombros à tarefa de criar uma associação voltada para o socorro e a protecção de pessoas e bens, uma iniciativa que, para a época, foi uma verdadeira aventura colectiva.
Notícia da fundação dos Bombeiros de Nisa
José Francisco Figueiredo, na sua "Monografia da Notável Vila de Nisa", aponta como razões para a criação dos Bombeiros, "um incêndio de grandes proporções, ocorrido a 18 de Outubro de 1915 e que muito impressionou a população da vila". O fogo destruiu uma dependência da casa agrícola do lavrador Augusto Serralha e de imediato, de acordo com o mesmo autor, " a firma Almadanim e Bento tomou a iniciativa de angariar fundos para adquirir o material indispensável a tais corporações".
Uma iniciativa que mereceu o melhor apoio, de tal modo que "em Setembro de 1916, já os Bombeiros de Nisa recebiam instrução, ministrada por um técnico da Corporação de Portalegre".
Nessa altura e de acordo com José Figueiredo, foi comandante e seu imediato, respectivamente, Aníbal da Graça Vieira e Albano Curado Biscaia. E, poucas mais informações, adianta sobre os Bombeiros de Nisa, além de tecer elogios à sua acção ao longo de mais de três décadas, até 1951, ano da morte do autor da "Monografia".
Documentação não falta, no entanto, para atestar a fundação e actividade dos Bombeiros de Nisa, nos primeiros anos da sua existência. Conhecemos o teor (e reproduzimo-lo, aqui) da carta enviada ao Governador Civil de Portalegre em 9 de Novembro de 1916 e na qual se dá conta da criação da Associação dos Bombeiros de Niza que tem por fim "socorrer e prover tudo quanto respeita a incêndios e calamidades". Na carta, a que se juntou um exemplar dos Estatutos, se informa ainda que "a sede é no largo Heliodoro Salgado". Foi aí, efectivamente, no largo do Boqueirão, num espaço que serviu de garagem aos Bombeiros até finais dos anos 70 e onde hoje está instalada a Caixa de Crédito Agrícola, a primitiva sede dos Bombeiros de Niza.
Em Outubro de 1916 e no auge do entusiasmo com a criação desta associação, o maestro Joaquim Augusto da Silva Aveleira, dedicava-lhe uma obra sua "Hino dos Bombeiros Voluntários de Niza", como "homenagem à briosa Corporação dos Bombeiros Voluntários de Niza"
Quem foram os primeiros bombeiros 
Bombeiros Voluntários de Nisa - Março de 1922
À excepção dos indivíduos assinalados, os restantes elementos que integraram a Corporação dos Bombeiros Voluntários, tem registada a data de admissão em 30/7/1916. Nesta data, há 96 anos, nasciam, no terreno, os Bombeiros de Nisa. A fundação oficial remonta a Outubro de 1916. Aqui ficam os seus nomes:
Aníbal Dinis da Graça Vieira, proprietário - 1º Comandante; Albano da Cruz Curado Biscaia, proprietário - 2º Comandante; Júlio Pires Bento, comerciante - Chefe de Viatura; Leandro Diniz Melato, sapateiro - Chefe de Viatura; António Henriques da Silva, comerciante - Chefe da Viatura; José Dinis da Graça Vieira, proprietário - Chefe do Corpo de Salvados; João da Graça Reizinho, barbeiro - Chefe de Ambulância.
Bombeiros Activos
: Leonardo Alvega de Matos, empregado (1); José Alves Mouzinho Almadanim, regente agrícola; Francisco da Graça Zacarias (2); José Araújo Baptista, comerciante; António Tremoil, empregado público; António Bernardo Duarte Tonilhas, proprietário; António Rosário Figueiredo, sapateiro; Adelino Henriques da Silva, alfaiate; Júlio Tavares da Silva (o Marzia) (2); Joaquim Maria Pereira, alfaiate, João Diniz Correia, empregado (2); José Maria Thomaz, seleiro; Manuel Carita Gomes, alfaiate, Carlos da Graça Figueiredo, sapateiro, José Bizarro Serra (Ranisca), jornaleiro; António da Graça Maia, alfaiate, Adelino da Cruz Salgueiro (Canatário), António Maria Gonçalves, comerciante; Francisco Marquito Júnior, proprietário; João Maria Grave, proprietário - 1º Clarim (corneteiro); João Emílio Figueiredo Salgueiro - 2º Clarim (corneteiro) (3); Alberto Thomaz de Faria, empregado público; Aníbal Goulão (4); Manuel da Graça Charrinho (Bonita), jornaleiro; Jeronymo da Cruz Pimpão, albardeiro; José Maria Grave (4), Joaquim Dinis Bagulho(4), José Fernandes Grave(4) e Viriato Dinis Correia. (5)
Notas
(1) - Admitido a 11/2/1917 ; (2) - Admitidos a 12/6/1917; (3) - Admitido a 15/12/1917; (4) - Admitidos a 2/2/1920; (5) Admitido a 1/6/1924
Bombeiros por profissões
Entre os primeiros homens de Nisa que integraram a Corporação de Bombeiros, num total de 35, a maior representação (6) é de proprietários rurais, o que não será de estranhar, tendo em conta que a actividade agrícola era a principal actividade económica do concelho e que ocupava a quase totalidade da força de trabalho. Seguem-se as profissões de "artistas" como os alfaiates (4), sapateiros (4) comerciantes (4) empregados públicos (3) e um barbeiro. Há ainda 2 jornaleiros, 1 regente agrícola, um seleiro e albardeiro, para além de 8 indivíduos sem indicação, específica, da ocupação.
Os meios de intervenção dos Bombeiros
Na listagem do material de intervenção dos Bombeiros de Nisa, encontrámos:
- Carro da Bomba; Carreta, espia de lança, estrado, machado de arrombamento, quatro lances de mangueira, dois francalotes para suster os archotes, corpo de bomba, braços de picotas, dois varaes das picotas, duas correntes para suster o braço das piscotas, uma escada de ganchos, dois francalotes para suster a escada de ganchos, quatro archotes, um tubo aspirador, um ralo de cobre, duas chaves para as rodas das carretas.
Notícias de Incêndios
Nos documentos consultados há notícia dos seguintes incêndios:
Rua da Devesa, em 1 de Junho de 1920; Palheiro do sr. José da Cruz Nunes (Africano) em 9 de Junho de 1920; Palheiro do sr. António Tonilhas em 26 de Setembro de 1920; Casa do sr. Joaquim Mendes Lopes em 8 de Janeiro de 1923; Forno do sr. Visconde em 19 de Abril de 1924.
Receitas e despesas dos Bombeiros
Nos primeiros anos de vida, a Associação dos Bombeiros Voluntários de Niza (esta era grafia da época) quase se bastava a si própria, muito por força dos jogos na sede (e para os quais se regista a compra de tremoços) do voluntariado, puro, dos seus elementos, da escassa quotização que não chegava á centena de sócios, e ainda das contribuições monetárias de alguns proprietários rurais, os mais atingidos pelos incêndios.
O apoio da Câmara e das Juntas de Freguesia (Paróquia) era, no início, irrisório e foi aumentando gradualmente, à medida que os Bombeiros iam adquirindo novos equipamentos e viaturas. Como curiosidade e como elementos que mostram aspectos da sociedade nisense dos anos 20, publicam-se alguns dados relativos a receitas e despesas.
As curiosidades não terminam por aqui. No mapa de receitas de Maio de 1917, constata-se que a receita foi de1.308$70,5 para uma despesa de 1.209$67,5, registando-se o saldo de 99$03. Neste ano, assinala-se ainda uma "despesa da mudança com a sede da Corporação" no valor de $20. Imagine-se, por aqui, o valor do dinheiro no início do século passado...
No ano seguinte (1918) a Câmara garantia o subsídio anual (24$00) e regista-se como receita a "venda de um balcão à Cooperativa Nisense", no valor de 20$00. Em 1919, há uma oferta extraordinária (pelo valor) aos Bombeiros. Por ofício de 16 de Agosto, regista-se "uma oferta do sr. Aníbal Diniz da Graça Vieira - 1º commandante d´esta Corporação", no valor de 120$00.
Esta atitude, por exemplar, não pode deixar de ser assinalada. Além de servir a Corporação como comandante, com todas as responsabilidades inerentes a tal cargo, Aníbal Vieira, ainda contribuía, do seu bolso e com elevadíssimo montante, para o sustento da Corporação que comandava. Além do lema "Vida por Vida", estes eram exemplos de bombeiros que punham bem alto, um outro, "Servir e não servir-se", como os princípios éticos da época.
No início de 1920 (Janeiro) a Corporação devia ter mais do que uma viatura, a avaliar por uma despesa de 14$760 de "pintura das viaturas, tintas e trabalho". A juntar ao subsídio da Câmara, há ofertas de Francisco da Cruz Gaspar e de José da Cruz Nunes, ambas de 20$00.
Atentos à sua missão humanitária, os Bombeiros não esqueciam a sua própria limpeza e registavam: "uma mulher caiando a sede da Corporação e um pincel 1$500; 5 Kg de cal branca 1$500."
Em 1923 o subsídio da Câmara aumenta para 100$00. Esta verba não chegou para pagar a despesa feita com a representação dos Bombeiros de Nisa aos festejos do Barreiro. O contínuo começa a receber pela percentagem da cobrança de quotas realizada.
Em 1924 há registo do pagamento da assinatura do Jornal dos Bombeiros e a quota da Federação dos Bombeiros Portugueses, no valor de 16 escudos que correspondiam a 16 bombeiros federados
De 1923 a 1931 não encontrámos documentos de receita e despesa. A falta destes elementos pode indiciar um período de relativo apagamento dos Bombeiros Voluntários de Nisa, embora no livro de actas da direcção ("Hade servir este livro para se lavrarem as actas das sessões da Corporação dos Bombeiros, assinado em 1 de Janeiro de 1923 pelo secretário, Leandro Diniz Melato, se possa ler que, relativo ao ano de 1924, foi apurado um saldo de 933$92, os "quaes foram entregues ao novo tesoureiro, sr. Júlio Pires Bento."
É este mesmo tesoureiro que, a 29 de Abril de 1931, "fará entrega da quantia de seiscentos cinquenta seis escudos noventa dois centavos, saldo existente nesta data, da antiga Corporação dos Bombeiros Voluntários de Nisa, em virtude da referida Corporação passar a ser municipalizada."
Há, também, aqui, um hiato de seis anos (1931-1937) dos quais pouco se sabe sobre os Bombeiros, agora, já, municipais.
Honrar a memória dos Bombeiros
Os valorosos "soldados da paz" de Nisa prestam um serviço inestimável, nem sempre reconhecido e às vezes, até, mal reconhecido pelos seus semelhantes. A sua coragem e determinação, a sua disponibilidade para acudir, seja a quem for e em que condições forem, merecem os maiores louvores e a homenagem devida.
Motivo ainda mais extraordinário para que não se lhes encurte e apague a sua história, ou se lhes diminua um período de existência em que a sua actividade, por não estar documentada, nem por isso, pode deixar de ser enaltecida.
Nas primeiras décadas do século vinte, as condições em que exerceram a sua acção, não podiam, nem de longe ser comparadas com as existentes nos dias de hoje.
Os homens que serviram os Bombeiros de Nisa, há quase um século, não podem ser esquecidos, apagados da memória e da nossa história colectiva.
Cumpriram o seu dever, deram o melhor de si enquanto bombeiros e cidadãos desta terra, desenvolveram uma abnegada acção humanitária de que os seus conterrâneos e familiares se podem orgulhar.
Só por isso, temos o dever de os respeitar, enaltecer e dar-lhes o lugar que merecem na história de Nisa.
Nada mais se pede, aos homens que parecem não ter memória...
Mário Mendes
Nota: Agradeço ao José Dinis Murta, a disponibilidade e colaboração na cedência dos documentos "Carta ao Governado Civil" e capa do "Regulamento dos Bombeiros", ambos de 1916

28.6.12

OPINIÃO: NÃO BATAM MAIS . . .

Perante a inoperância da «nossa» agremiação municipal, além dos malefícios que tal causa à população e a hipoteca que faz do futuro do concelho, a situação proporciona cenas que fariam rir se não fossem a expressão última de uma verdadeira desgraça que parece não ter fim...
A «presença» de municípios vizinhos, invadindo o nosso espaço, num quadro destes, não se pode estranhar, muito menos levar a mal...
Quando o presidente de uma junta de freguesia que faz fronteira com outro concelho (PSD) espera demais e entra em desespero pela cedência por parte da câmara de um equimento elementar para uma intervenção elementaríssima de melhoria de caminhos vicinais, nada como ser a câmara amiga vizinha a substituir se à de Nisa e emprestar a Montalvão uma retroescavadora...
Se o cine teatro de Nisa deixou de cumprir a mais básica das suas funções (exibir filmes e outros espetáculos, ao menos ao fim de semana), município beirão(PS) que pega com o nosso território enche os «locais do costume» da nossa vila sede de concelho com os cartazes que divulgam o cinema, o teatro e os concertos musicais que à beira Tejo têm lugar...
O que nos causou (ainda) espanto e surpresa foi o município da pousada mais próxima (gestão de influência comunista digna desse nome) encher os espaços públicos de Alpalhão com um edital a divulgar concurso para atribuição de lotes de terreno (em Gáfete, pois claro!!! ) . Seguramente não por orientação da câmara mas (queremos dar o benefício da dúvida ) por excesso de zelo de quem andou a distribuir os editais...
Dinis de Sá

27.6.12

AREZ: Acesa dinamizou actividades em Junho

Junho mês de festejos populares, o que quer dizer mês de romarias e tradições com raízes muito antigas para festejar o solstício de verão. Celebrações da passagem de tempos de sementeira, para tempos de colheita, o adeus dos dias amenos da primavera com as suas flores, para os dias quentes de verão com os seus deliciosos frutos, resumindo, o fim de pesados trabalhos exteriores agrícolas para o confortável armazenamento interior dos celeiros.
Também a ACESA – Associação da Cultura e Saberes de Arez recebeu o mês de junho com festejos, primeiramente com uma atividade de "Saberes, Sabores e Sons" (15-06-12), de seguida com o "Arraial 2012 da ACESA" (22-o6-12). Comparando um pouco com descrito, foi também na ACESA, o expor confortável dos vários produtos que ao longo dos meses foram elaborados por muitos associados, uns de fabrico completo na sede da associação, outros iniciados nas "Oficinas", acabados em casa e orgulhosamente oferecidos para às "Oficinas"
Mais uma vez associados e amigos conviveram saudavelmente neste excelente espaço reinando a boa disposição e alegria, quer na execução dos eventos, quer na sua preparação.
Foi bonito ver crianças e adultos fazerem as tradicionais flores e bandeiras para ornamentar o espaço exterior, assim como sentir a disponibilidade dos associados para participarem ativamente em todas as tarefas, desde a confeção dos excelentes "Sabores" (o arroz doce foi confecionado pelas crianças na Ludoteca), à colocação de mesas e cadeiras, assim como na colheita de rosmaninho e marcela (para a tradicional "fogueira" embora "pequenina").
Nas Oficinas igualmente foi muito boa a participação dos associados no "S" de "Saberes". Os trabalhos executados nas várias Oficinas estão maravilhosos! Desde o crochet à costura, passando pelo tricot e bijuteria (novidade) todos são dignos de serem apreciados. A Oficina de Pesca foi fundamental para os que não dominavam as técnicas de pesca se sentirem motivados (e sem medos), para colocarem em "prática" a "teoria" que o associado António do Rosário com muito entusiamo transmitiu na sua Formação. Sobre a Oficina de Informática temos a referir que tem funcionado bem e muito brevemente, teremos um computador para apoio exclusivo desta oferta formativa, para os associados que ainda não possuem computador.
Ainda este mês a Exposição dos "SS" da ACESA (que tem sido muito visitada e elogiada) vai receber o Saber do Mês de Junho pelas mãos habilidosas da nossa amiga Lucília Paulino.
Para os nossos associados nascidos no mês de junho, muitos parabéns. Para todos os que tiveram curiosidade e leram as nossas notícia saudações carinhosas e para as todas as crianças, jovens e menos jovens Boas Férias…
Presidente da Direção da ACESA
Rosa Metelo

26.6.12

OPINIÃO: Para acabar de vez com a Nisartes (1)

No passado dia 11 de Junho, no Portal de Nisa, e enviado por um "Munícipe revoltado com politicos do nosso concelho", publicámos um texto de opinião sob o título "Festas, festinhas e festanças".
Não se tratou, como alguém insinuou, de um "naco de prosa com pérfidas intenções" - sic - nem o autor do texto tem algo a ver com a minha pessoa. O que escrevo - basta procurar neste blog, os diversos artigos produzidos sobre a Nisartes - assino e assumo como produção própria.
A mensagem que reproduzimos, integralmente, deste nosso conterrâneo, que pediu para não ser identificado, entendi-a mais como um desabafo, conotado com determinada posição política, como era fácil de depreender pelo próprio texto.
Sendo legítimas as suas preocupações e até a indignação vertida para o texto, já não o será, todavia, a relação de causa e efeito que estabeleceu para justificar a sua crítica às "festas, festinhas e festanças", no caso concreto à Nisartes.
E, por isso, remeti para mais tarde, a elaboração de um texto de opinião, que pudesse contribuir para fazer alguma luz sobre uma questão, a Nisartes, a um tempo pertinente e complexa, mas muito menos urgente e premente do que a defesa da manutenção do nosso Tribunal e a da deficiente prestação de cuidados de saúde, problemas que a população do concelho e os seus órgãos representativos têm, com urgência, enfrentar.
Compreendemos a indignação do autor, que é, também, a nossa, no que se refere ao progressivo esvaziamento da prestação de cuidados de saúde e que culminou, drasticamente, com o encerramento de extensões de saúde em diversas aldeias, não se oferecendo aos utentes, como alternativa, transportes para se deslocarem ao Centro de Saúde. Até aqui, estamos de acordo.
Estes factos, esta realidade, foram determinações do governo, apoiado ou não nas imposições da troika, pelo que não é legítimo trazer a terreiro a Nisartes, para justificar não só estas medidas lesivas, como até, a inércia, a inoperância, o silêncio e a aceitação passiva destas medidas por parte de muitos autarcas, desde as freguesias à Assembleia Municipal passando pela Câmara, sem terem esboçado, sequer, um gesto de protesto, de indignação ou revolta, como a situação exigia.
Não é legítimo estabelecer uma relação de causa e efeito, em realidades que não se prestam a esse tipo de comparações.
Não se pode responsabilizar as autarquias locais pelas falhas, má prestação de serviços e até liquidação, pura e simples, de serviços públicos essenciais, como é o caso da prestação de cuidados de saúde, um direito constitucional consagrado e que, paulatinamente, vem sendo restringido e negado como direito fundamental. Não são da sua responsabilidade e competência, são obrigações do Estado que as implementa através do governo.
Seguindo o raciocínio do autor das "festanças", caberia perguntar: a não realização da Nisartes reporia, por ventura, o Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito, tal como foi concebido na sua génese? A ausência de Nisartes, em 2010 e 2011, acabou, de vez, com as taxas moderadoras? Repôs o SAP - Serviço de Atendimento Permanente, tal como o conhecemos? Reforçou a componente de saúde pública, com mais consultas e disponibilidade de médicos no concelho? Garantiu o transporte de doentes, urgentes e não urgentes, tal como existia?
Que fique claro: a saúde, a educação, a justiça, a segurança e a autoridade do Estado são competências do poder central, isto é, do governo.
Podemos e devemos questionar, se, no campo das prioridades e da disponibilidade orçamental do Município, a Nisartes - com este ou outro nome - deve ou não realizar-se, questões essas que deveriam ser colocadas em Outubro ou Novembro de 2011.
A Nisartes foi, na minha opinião, um sorvedouro de dinheiro, de propaganda e desfile de vaidades.
Podemos concordar (ou não) com esta ideia, mas apontá-la - quando dá jeito - como a mãe de todos os males do concelho e até como "maléfica" para os idosos das freguesias é, não só despropositado, como injusto, mormente quando se pretende retomar um evento que é essencial ao concelho de Nisa, em vários aspectos, com uma nova filosofia, em moldes de construção e participação democrática, envolvendo todos os eleitos, com objectivos claros e à vista, sustentados num planeamento e orçamento de rigor, sem a exigência do faustoso e do supérfluo . Para derrapagens já chegam os exemplos anteriores.
Não deixa de ter razão quanto à "engenharia" financeira - o tira daqui, reduz acolá, apaga além, põe nesta rubrica, elimina aquela, etc. - que se procura fazer para que a Nisartes (com este ou outro nome) se torne, este ano, realidade.
As autarquias locais devem programar, com a devida antecedência, as verbas a aplicar e as obras a fazer, incluindo nestas, as iniciativas culturais, desportivas ou outras. Para isso servem (ou devem servir, pois mal são aprovados já estão a ser alterados) os Planos de Actividade e o Orçamento.
São estes documentos previsionais que regulam o funcionamento da autarquia ao longo do ano e, pela sua importância, não podem ser analisados, discutidos e aprovados de ânimo leve. O executivo e a Assembleia Municipal têm a responsabilidade de providenciar, a tempo e horas, o que é melhor para o concelho, numa perspectiva de serviço e desenvolvimento que sirva as populações e nunca como meros instrumentos de políticas e estratégias partidárias. As prioridades devem ser, mesmo, prioritárias!
Parece que, a realização da Nisartes foi descurada, intencionalmente ou não, calendarizada para quando dava especial jeito (2013, ano de eleições autárquicas) e toda esta discussão que vai na praça - e já chegou, infelizmente, a causar danos físicos e psicológicos a uma das funcionárias da autarquia - mais não é do que um braço de ferro entre duas posições antagónicas, sendo que, uma delas contraria a deliberação tomada por unanimidade (é bom recordá-lo) no próprio executivo camarário.
Por esta altura, a Nisartes - e torno a repetir, com este ou outro nome - já deveria "estar na rua", divulgada em programas e passada a mensagem para os nossos conterrâneos ausentes, em Portugal ou no estrangeiro. Para saberem, pelo menos, com o que podem contar.
A prosa vai longa - deixou, por isso, de ser um "naco" - e noutro texto, a publicar amanhã, remeterei para algumas ideias e sugestões sobre a Feira de Artesanato e Gastronomia.
Mário Mendes

25.6.12

OPINIÃO: Quem quer matar o Serviço Nacional de Saúde (SNS)?

O SNS tem cinquenta anos de luta cívica persistente.
Ideia surgida em fins dos anos cinquenta, liderada pelo Prof. Miller Guerra, então dirigente da Ordem dos Médicos, apoiada por jovens médicos que rapidamente foram criando um rede de militantes em todo o país, culminou com a apresentação de um relatório, o Relatório das Carreiras Médicas em que, pela primeira vez uma classe universitária, defensora da medicina como profissão liberal entregava ao Governo um projecto politico em que propunha, por dever patriótico e sentido de missão, um programa de ação, de organização e de financiamento de um serviço público de saúde com quadros profissionais de funcionários em carreiras de Estado.
Salazar opôs-se, apesar da simpatia de muitos dos políticos mais directamente implicados na balbuciante política de Saúde. e tivemos que esperar quase dez anos para que se começasse a executar com medo e sem foguetes algumas das propostas do Relatório das Carreiras.
Foi sobretudo na era Marcelista e no Ministério da Saúde de Baltasar Rebelo de Sousa que um grupo notável de médicos de Saúde Pública e de gestores, altos funcionários do Ministério da Saúde iniciaram a grande transformação da politica de saúde do País com a publicação e execução de dois célebres diplomas: os decretos 413 e 414 de 1971.

A criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS)
Foram estes homens, que por sorte eram dirigentes do Ministério ( por distracção da PIDE?) que, não, só acataram a decisão revolucionária da inscrição na nossa Constituição democrática do direito à Saúde, como foram eles que, nos 1º e 2º Governos constitucionais, orientaram, e participaram no estudo do Diploma criador do Serviço Nacional de Saúde que em 79 o Dr. António Arnaut, apresentou, defendeu e conseguiu fazer aprovar no Parlamento:
Um SNS tutelado pelo Estado, gratuito para todos os cidadãos no ato da prestação, mantido por profissionais de saúde de formação superior, assente em carreiras profissionais de acesso e progresso por concursos públicos hierarquizados, onde o mérito é o garante da dignidade de pertencer a uma carreira de Estado.
Em trinta anos o S N S transformou a saúde de Portugal.
Dispondo sempre de financiamento "per capita" para a saúde inferior à média dos seus parceiros europeus e dos países da OCDE, o SNS conseguiu trazer-nos para o grupo dos países com os melhores serviços de saúde do Mundo, ocupando lugares de distinção no ranking mundial dos serviços públicos
E a crise que nos últimos anos se abateu sobre nós veio encontrar-nos na situação paradoxal de possuirmos uns serviços de saúde se não exemplares, pelo menos de qualidade, quase gratuitos para o cidadão, bem distribuídos, equitativos e de eficácia reconhecida e invejada, dos mais baratos da Europa mas, segundo os políticos, demasiado caros para a riqueza do País!
E assim, os políticos que tinham falhado em toda a Europa na previsão da crise, que se entregaram de mãos atadas às sociedades financeiras que incentivaram gastos e dívidas para depois virem obrigar ao seu pagamento, vieram obrigar Portugal a gastar menos na saúde, considerada área de desperdício e de gastos exagerados pela "Troika".
Mito grosseiro porque Portugal tem dos melhores índices sanitários do Mundo com custos incomparavelmente menores.
Mas mito que ganhou raízes e os cortes na saúde passaram a ser brutais, obrigatórios e impostos.
Os ataques ao SNS
Como não podia deixar de ser, os cortes, apesar de feitos tentando poupar as classes mais pobres e menos protegidas, são difíceis de suportar por muitos milhares de doentes que têm no SNS e nos seus benefícios a ajuda indispensável aos seus tratamentos.
Situação dramática, porque inevitável enquanto o país não superar a crise catastrófica que as políticas recentes criaram.
Mas a penúria atual que torna a penúria histórica da saúde parecer abastança, não pode levar à morte do programa de saúde que o Portugal democrático iniciou há quarenta anos com sucesso por todos reconhecido.
Bem sabemos e sentimos que durante a crise não podemos continuar a desenvolver serviços e a aumentar apoios e orçamentos, mas podemos e temos o dever de preservar as traves mestras do SNS: a dignidade das suas carreiras de Estado baseadas na excelência da formação e progressão dos seus profissionais pelo mérito de concursos públicos, a maior atenção e apoio á autonomia e responsabilidade dos serviços prestadores, Hospitais, Centros de Saúde e USF, essenciais servidores dos doentes, cuja proteção tem que ser constante.
Temos dois ou três anos para pensarmos a política pós-crise que queremos para o nosso SNS, que a Constituição consagra e que só poderá acabar se esta for alterada, o que não será o caso.
E muita coisa deverá ser desde já estudada e corrigida.
O financiamento sa Saúde tem que ser repensado, a organização dos Hospitais públicos em serviços deve ser abandonada, a sua gestão tem que ser mudada, diria mesmo invertida, passando do figurino de empresa industrial para o de centro comercial, o hospital empresa (EPE), maravilha de gestão que o Tribunal de Contas denuncia deve acabar e voltar à gestão pública com enquadramento jurídico próprio.
As convenções e contratos de funções com o sector privado têm que ser fomentados e organizados com o S.N.S. como cliente exigente, referência de qualidade e guardião do interesse do cidadão e não em parcerias sempre ruinosas.
O cidadão tem que ser o centro indiscutível de todo o sistema, pelo que todas as medidas que melhorem a acessibilidade dos serviços, o conforto das instalações, a delicadeza do atendimento, a pormenorizada informação ás populações interessadas, o incentivo e convite à participação nos movimentos de Voluntariado em Saúde, a liberdade de escolha do médico de família e os serviços de proximidade são objectivos essenciais que tempos de crise devem considerar ainda mais prioritários, porque exigindo poucos investimentos.
Toda a minha vida profissional e política esteve associada á execução do programa de saúde que a democracia escolheu.
Participei no movimento das Carreiras Médicas em 1959, ano da minha inscrição na Ordem.
Fiz toda a minha vida como funcionário público, em carreira de Estado, cumprindo as suas regras e batendo-me pela sua melhoria.
Após Abril, fui Secretário de Estado da Saúde em 76-77 e em 81-83 e Ministro da Saúde em 1993-1995, fui Director do primeiro Serviço de Neurorradiologia do País e Director do Hospital Geral de Santo António de 1987 até ser convidado para Ministro.
Conheço e respeito o actual Ministro da Saúde cuja tarefa é, ainda há dias o afirmou, salvar o SNS da falência, o que tem feito com muita coragem e bom senso.
Não sendo um profissional de Saúde os seus objectivos à frente do Ministério são naturalmente orientados para a recuperação financeira do SNS, a racionalização dos custos e o cumprimento dos cortes impostos brutalmente à Saúde e que atingem mais de mil milhões de euros.
Tarefa dificílima para a qual foi escolhida a pessoa mais competente, corajosa e bem preparada do País.
O que a minha consciência e a minha experiência politica não aceita é a justificação, pela crise, do abandono dos princípios basilares e fundadores e. pelo contrário, se assista, por parte dos órgãos técnicos de apoio ao Ministro, à desvirtuação do SNS que a Constituição consagra até chegarmos ao ponto inaceitável e "assassino" de contratar por empresas privadas lucrativas de recursos humanos o fornecimento de profissionais médicos…pelo preço hora mais baixo!
Tentativas de desmembramento e liquidação do SNS
Deixou de haver algum pudor e o ataque ao SNS passou a ser à bruta e às claras..
Por isso o meu mais veemente protesto contra a execução cada vez mais frequente, de medidas que vão, sistemática e deliberadamente, destruindo o património imenso de experiência, satisfação do doente, competência e dignidade que se tem acumulado na política do sector.
Hospitais EPE, parcerias público privadas, concentração de hospitais em Centros Hospitalares geridos à distância sob pretexto nunca provado de melhor gestão, rede centralizada de cuidados continuados que só tem sentido ético e humano na proximidade da família, contratações sem concursos, destruição das carreiras (e do orgulho de sermos servidores do estado), a burocratização que ameaça as USF e muito mais, tudo se insere num ambiente geral de destruição sistemática do melhor serviço público da democracia portuguesa.
Coroando este ataque sistemático aos fundamentos do SNS público, iniciado após o Ministério de Maria de Belém e continuado e persistentemente prosseguido pelos Governos socialistas, com o incrível pretexto de que é para o salvar, assistimos agora, perplexos e revoltados, como já referi, à abertura de um concurso para as agências de emprego colocarem mais de mil médicos no SNS, sem concurso, sem análise curricular de qualidade, sem inserção em carreiras ou programas de ação, sem participação dos serviços prestadores e em que a condição prioritária de colocação é …o preço hora de trabalho mais barato!
É o "assassinato" da alma e da qualidade de um serviço público que os frios técnicos de gestão desprezam e que querem entregar ao privado numa persistente operação onde as parcerias publico privadas já feitas, que são uma vergonha nacional, valerão tostões, comparadas aos custos que pagaremos no futuro às empresas que se preparam para liderar um sistema em que o sector público garante e paga e o sector privado executa e mete a conta.
Porque eles sabem que a Saúde tem já, no mundo, um volume de negócios superior ao do petróleo
Ao SNS talvez lhe entreguem a execução dos internatos e a preparação dos profissionais atendendo a população mais pobre e desprotegida.
Um SNS para os pobres e a liberdade de escolha para os ricos que irão ao sector privado prestador que o Estado pagará será o projecto a desenvolver.
Como posso eu ficar calado!
Paulo Mendo / 07-06-2012
NOTA: Os subtítulos, a vermelho, são da responsabilidade da redacção do blog

“Movimento Urânio em Nisa, Não!” e Gabriela Tsukamoto galardoados com prémio internacional

Por oposição à exploração de urânio em Nisa e defesa da sustentabilidade
O Movimento Urânio em Nisa, Não! (MUNN) e Gabriela Tsukamoto, presidente da Câmara Municipal de Nisa, foram distinguidos com "Nuclear-Free Future Award" de 2012, um prémio internacional atribuído a ativistas, personalidades ou instituições que se tenham distinguido na luta por um mundo sem o desenvolvimento da energia nuclear, em qualquer das suas componentes, e que em alternativa se tenham empenhado pela cidadania e sustentabilidade.
O prémio "Nuclear-Free Future" é atribuído por um júri internacional e reconhece o empenho cívico do M.U.N.N. na oposição ao desenvolvimento da mineração de uranio em Nisa e também da Presidente de Câmara, na sustentabilidade do concelho e na criação de condições que impossibilitem o desastre social e ambiental que seria o desenvolvimento desta atividade industrial, contra a terra e os que a ocupamos.
Os "Nuclear-Free Future Awards" são atribuídos desde 1998 pela Fundação Franz Moll para as Futuras Gerações, criada com o objetivo de alertar para os perigos do nuclear e para o avivar da consciência de que as ações tomadas hoje têm de ter em conta a forma como vão afetar as gerações futuras, defendo por isso a necessidade de mudança do paradigma energético atual.A cerimónia oficial de entrega dos prémios ocorre a 29 de setembro em Heiden, na Suíça.
Mais informação em:


Fonte: CM Nisa

Nisa com dadores de sangue estreantes



No sábado, 16 de Junho, principiou a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP - a segunda parte das colheitas referentes a 2012 e levadas a cabo um pouco por toda a região norte alentejana. Foi Nisa a terra contemplada nesta data.
António Eustáquio da ADBSP mostrou-se muito satisfeito pelo modo como a jornada decorreu. E começou logo por elogiar a presença de nove novos dadores, dos quais duas mulheres. Ainda para mais o Registo Português de Dadores de Medula Óssea passou a contar com mais cinco voluntários.
Ao quartel dos Bombeiros de Nisa compareceram 42 pessoas disponíveis para estender o braço. Destas: 22 eram do sexo feminino que esteve, pois, em maioria (52,4%). A adesão foi também bastante recompensadora.
Por razões de saúde alguns dos potenciais dadores foram para casa mais cedo. Mesmo assim foram recolhidas 37 unidades de sangue.
Tratou-se portanto de uma brigada digna de realce.
Colheitas em tempo de Verão
Sempre aos sábados e da parte da manhã estão previstas as seguintes colheitas da responsabilidade da ADBSP: 14 Julho, no quartel dos Voluntários de Monforte; 21 de Julho nas instalações do Centro de Saúde de Castelo de Vide
Colabore e um dia destes conceda um pouco de si!
JR

NISA: Memória do Cine Teatro - Junho de 1942



No mês de Junho de 1942 (há 70 anos), o Cine Teatro de Nisa projectou três filmes, a que assistiram 842 espectadores que deixaram na bilheteira uma receita total de 2.123 escudos.
Mais de metade dos espectadores neste mês de Junho, assistiram ao filme " A Rival de Mata Hari", uma produção francesa dos estúdios da Pathé Cinema (Paris) - 1937 e com o título original de "Marthe Richard au Service de la France", uma história de espionagem que estreou em Portugal em 16 de Maio de 1941, com Edwige Feuillére e Erich von Stroheim nos principais papéis.
No mês de Junho de 2012, os "filmes" são outros. Metem valquírias, fadas encantadas e por encantar, discussões e outras confusões sobre o artesanato e a feira do dito, as verbas do pocal e do arraial, a ficção e a realidade. Há quem lhe chame, agora, a feira das vaidades, esquecidos que estão de outras feiras e outros arrotanços de autoritarismo em tempos de vacas que não eram, afinal, tão gordas quanto pareciam...
Tal qual nos filmes, o actor ganha sempre e sai no final, a sorrir, com aquele sorriso malandro que enche a tela e parece dizer-nos: não levem isto a sério, a vida é um filme...
Que segue, dentro de momentos!

22.6.12

CRÓNICAS NIZORRAS (2): Estradas, Camiões e Comboios

1. O nosso artigo anterior apontava para, desta vez, analisarmos, o problema ( no desenvolvimento da região) da valorização do «tecido humano» e, em particular, os designados «quadros», isto é, aqueles que, aos vários níveis, desenvolvem funções de direção, nomeadamente em organismos do estado (local e central).
Para honrar a condição em que o diretor nos coloca, apresentando o opinador como «médico termalista», ao lermos a última newsletter ( bem comprida ) da «Turismo do Alentejo », sem uma linha sobre promoção termal, em junho, quando se gastaram na região, no setor, seguramente qualquer coisa que se aproxima dos 50 milhões de euros, a vontade foi denunciar este escândalo (por omissão ...). Bem, mas não perde pela demora, face à gravidade da situação...
2.Vamos falar, conforme o título, dos camiões (tantos,demais) que circulam nas nossas estradas em consequência de anos e anos de desvalorização do comboio como meio de transporte mais adequado para as mercadorias. Muitas das nossas vias férreas, também e especialmente aqui na região, estão pior do que há cinquenta anos atrás ...
O investimento realizado no aproveitamento dos fundos europeus teve forte desiquilíbrio entre construção e beneficiação de estradas e ferrovias. Por opção política e pressão de vários tipos de «lobys» foi assim. Ninguém pode, de forma séria, negar a significativa melhoria das nossas estradas nos últimos quase 30 anos. Só foi pena o dinheiro utilizado não ter dado (também) a devida atenção aos comboios.
3.Efetivamente, nos países mais desenvolvidos da união europeia, o comboio assume papel primordial no transporte de passageiros (servindo comodidade e velocidade atrativas ) e mercadorias. Além das vantagens económicas e (mais importante) ambientais, uma aposta séria na ferrovia tirava essa avalanche de camiões que encharcam as nossas estradas e levam, pelas dificuldades de circulação que provocam, muitos atores locais a, apressada e ( a nosso ver ) erradamente, aspirarem e mesmo reclamarem mais e mais auto-estradas, mesmo onde o tráfego automóvel é bastante reduzido.
4. O fundamental é garantir, com linhas modernizadas, ligação em tempo razoável entre as capitais de distrito do Alentejo e, subregionalmente, entre as outras localidades economicamente mais importantes. Importa ainda garantir ligação articulada entre as estações de comboio e as povoações mais próximas, por carreiras públicas acessíveis aos cidadãos. Não se pode descurar também ligação (ões ) de comboio em condições (de velocidade e conforto) para serem alternativa aos «expressos» nas viagens para Lisboa.
Sem descurar, nos termos e oportunidade adequados para a luta a travar ser vitoriosa, a retoma do que deve ser bandeira alentejana a não deixar cair em meia-haste - a construção do TGV e espaço de apoio logistico que, muitos kms em redor de Elvas / Caia / Badajoz, seguramente irá gerar reordenamento urbanístico, fixar população, proporcionar emprego...
JMBasso

NISA: Memória do Cine Teatro- Junho de 1940

1940 foi Ano dos Centenários e de grande exaltação nacionalista. Comemorou-se, por todo o país, a fundação da nacionalidade (1140) e da Restauração nacional (1640). Mal sabiam os "nacionalistas" daqueles tempos, que anos mais tarde (2012) um ultra-nacionalista e liberal vestido e ornamentado com as vestes troikanas iria liquidar, sem apelo nem agravo, uma data (feriado de 1 de Dezembro) com tanto simbolismo histórico para os portugueses.
Recordamos o duplo centenário porque, em 1940, no dia 2 de Junho, o Cine Teatro de Nisa foi requisitado pela Câmara Municipal para nele ter lugar a sessão comemorativa de tão importantes efemérides. A sala de espectáculos foi cedida gratuitamente, tendo a empresa do Cine Teatro Nisense Lda recebido a importância de vinte escudos (20$00) como comparticipação das despesas.
No dia 5, nova sessão tendo por lema os mesmos altos desígnios de "instrução do povo" . Tratou-se de uma "soireé para convidados", tal como reza o registo, promovida pelo Secretariado de Propaganda Nacional, organização que antecedeu o  SNI (Secretariado Nacional de Informação), uma "coisa" parecida com a actual ERC que ilibou o Relvas, ministro. Ah! O Cine Teatro foi cedido gratuitamente, mas desta vez a Câmara foi um pouco mais "generosa": contribuiu com cinquenta escudos (50$00) para as despesas de utilização da sala.
Nos dias 9 e 30 de Junho houve, finalmente, projecção de filmes e pelo meio (dia 16) um espectáculo misto (música, teatro e cinema) promovido pela Banda Municipal de Nisa com a colaboração do Grupo Folclórico das escolas primárias, tendo a banda angariado o valor de 674$00.

21.6.12

NISA: Côr, brilho e animação nas festas de Santo António






Mais um vez em NISA nos dias 13 (Procissão), 15, 16 e 17 de Junho 2012 foram realizadas as festas em honra do SANTO ANTÓNIO organizadas pela ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO SANTO ANTÓNIO DE NISA.
Os festejos populares contaram com a presença dos DOMINGOS E DIAS SANTOS (Nisa) que actuaram no sábado, NUNO JOSÉ (Fortios), no Domingo, os BOMBOS de NISA e o regresso do conjunto musical DILEMA (Nisa) que animou a noite de sexta-feira.
No Domingo as MARCHAS POPULARES e os trajes tradicionais de Nisa iluminaram as festas com as suas cores e danças lideradas pela nossa festeira DULCE.
Não faltaram as sardinhas, frangos assados, bolos, manjericos e prendinhas no bazar...
População e visitantes colaboraram para que a festa, uma vez mais, tivesse o êxito e o brilho a que já nos habituou.
As fotos que seguem e as que pode ver em http://nisaempormenor.blogspot.com foram gentilmente cedidas pela Sónia Marques a quem agradecemos.

19.6.12

NISA: Morreu a senhora Isabel “do Pão”

Isabel Maria Carita, a senhora Isabel do pão ou do Gabriel, como era conhecida em Nisa, faleceu nesta segunda-feira, em Lisboa, após doença prolongada.
Pessoa popular e de trato afável, manteve durante muitos anos uma típica venda de pão e bolos, onde atendia com um sorriso, gente de todas as proveniências e feitios.
Há cinco anos e quando o fecho do seu estabelecimento era já uma evidência face aos requisitos e exigências da ASAE, entrevistei esta mulher de olhar sereno e sorriso espontâneo.
O fecho da loja precipitou o vazio dos dias e da doença. A senhora Isabel, aos 84 anos de uma vida de trabalho e canseiras, faleceu e com ela parte um pouco da memória de Nisa e do comércio tradicional.
O funeral realiza-se hoje, terça-feira, pelas 9 horas, em Nisa.
Que repouse em paz, e em paz, recordaremos a sua memória.

16.6.12

NISA: Memória do Cine Teatro - Junho 1944


Quatro sessões de cinema animaram a sala de espectáculos de Nisa no mês de Junho de 1944. O filme Carmen, a de Triana, estreado em Portugal em Novembro de 1938, teve a maior enchente, com cerca de 500 espectadores. Para além do afamado filme espanhol,  o facto de ser exibido em dia de feira - Feira das Cerejas - muito contribui para o êxito alcançado e para a excelente receita que a Empresa do Cine Teatro Nisense arrecadou.
No total das 4 sessões registou-se a presença nos espectáculos de 1090 espectadores. O poder de compra era fraco, os preços populares, mas acima de tudo, os nisenses gostavam de cinema.
Um gosto e prazer que nos tempos actuais lhe têm sido negados. Não há dinheiro para "fitas", mas há fitas para se verem em Paris... Sinais dos tempos!

13.6.12

NISA: Exposição no Museu do Bordado e do Barro

Centro de Artesanato de Nisa: O sonho, o Projeto e a Realidade
No Museu do Bordado e do Barro em Nisa está patente a exposição "Centro de Artesanato de Nisa
- O sonho, o Projeto e a Realidade" dedicada à história e atividade de uma oficina de artesanato que há quatro décadas se dedica à produção de bordados.
Com esta mostra no Núcleo Central do Museu Bordado e do Barro (instalada edifício da "Cadeia Nova", no Centro Histórico de Nisa) pretende-se dar a conhecer o percurso de um grupo de pessoas, encabeçado por um casal de professores - Júlio e Celeste Alvega de Matos - que nos anos 60 tinham um sonho.
A produção dos bordados de Nisa era meramente particular e desenvolvia-se no âmbito das famílias, não existindo qualquer estrutura empresarial. A situação alterou-se em 1969 com o surgimento do Centro de Artesanato de Nisa, iniciando-se então um longo percurso na produção e na divulgação essencialmente do bordado de faixa. Em 1984, foi formalizada em termos jurídicos a associação denominada Centro de Artesanato de Nisa, com a missão de defender e valorizar o artesanato como património cultural, apoiar a formação profissional dos artesãos e promover cursos de aprendizagem.
Ao longo destes últimos 40 os seus trabalhos foram divulgados em dezenas de feiras e certames onde, a qualidade foi reconhecida com a atribuição de prémios e foram um exemplo para muitas mulheres e artesãs. Atualmente, no Centro de Artesanato trabalham 3 artesãs a tempo inteiro, sendo que a mais velha, D Lurdes está no Centro desde a sua constituição, o que a faz lembrar de muitas histórias e de muitos trabalhos que foram marcantes e responsáveis pelo no sucesso do Centro de Artesanato de Nisa.
Na exposição no Museu são exibidos trabalhos das artesãs, é recriado o ambiente da oficina de artesanato e são documentados momentos da história da associação.

11.6.12

OPINIÃO: Crónicas Nizorras (1)

MARIA & JOSÉ: DOIS EXEMPLARES, OBRAS ÀS MOSCAS
José Fernando abandonou o barco há já muito tempo, entregando o comando a uma senhora. Justamente a esposa do presidente da Assembleia Municipal. Que, entretanto, manteve o cargo, garantia extrema de uma boa fiscalização da atividade da Câmara e, em especial, da presidenta...
Maria Gabriela é mais persistente e não desiste, continuando a fazer as vezes de presidenta. Mentindo sistematicamente, gritando vezes de mais, ameaçando quem não deve, lá vai arrastando a função até que chegue o outono de 2013...
No período áureo de ambos na(s) cadeira(s) do poder, em alta consideração mútua, reciprocamente se consideravam (um ao outro) como os «autarcas modelo » do distrito.
Aliás, numa linha de reverência para com a capital, Maria dava a mesma distinção e honra ao Amilcar, antecessor de José (na altura) no largo da Sé.
Em coincidência nada abonatória para o «modelo» que partiu e a que se arrasta na missão, ambos ergueram obra física que pronta há anos (no caso de Nisa quase dois ) ainda estão por cumprir a função para que foram concebidas. Em Portalegre (neste caso já «inaugurada») o que deveria estar há muito a funcionar como centro de camionagem continua um espaço sem uso. Em Alpalhão ergeu-se um edifício, nunca explicado à população local (nem à do próprio largo onde construiram ), ao que diz a placa justificativa do dinheirito recebido da Europa, destinado a centro cultural... Igualmente fechado, sem animar ou dinamizar qualquer aspecto cultural, absolutamente às moscas...
Convenhamos que não temos memória muito longínqua, mas pelo menos nos últimos 50 anos não há memória de coisa igual. Em pleno período áureo do fascismo, quando se enterraram os tubos para trazer a água da Galiana, quando se construi uma Casa do Povo, um Tribunal ou um Hospital, assim que a obra ficou pronta tudo se articulou para ser logo posta ao serviço da comunidade local...
Luis Miranda

OPINIÃO: Festas, festinhas e festanças...


Será que saíu o euro-milhões à Câmara e Assembleia Municipal de Nisa ou estão metendo a mão nos bolsos do contribuinte?
Foi aprovado em reunião de Câmara e da Assembleia Municipal a organização da FESTANÇA ""NISARTES"". Tudo bem,  mas verba para a mesma? Fácil, altera-se aqui e ali e num zás temos 250.000 euros.Tudo certo, mas esquecem-se os politicos caseiros que fecharam as extenções médicas de Velada, Monte Claro, Pé da Serra, Salavessa e Arêz.
Posição dos politicos locais: "é ordem do governo é ordem daqui dacolá"" e agora os idosos das povoações que venham a Nisa .
Senhores politicos que defendem os idosos na semana das eleições façam algo por aqueles que fizeram algo por nós: 250.000 euros (a dividir por 2.500 euros, ordenado de um médico) teriam as povoações acima citadas médico durante 100 meses, a dividir por 12 meses teriam médico durante 8 anos e 3 meses.
ISTO SIM É APLICAR O DINHEIRO EM BENEFÍCIO DOS CONTRIBUINTES. Mas se os politicos em quem votámos acham melhor gastá-lo em festanças, força!
Munícipe revoltado com politicos do nosso concelho.
NR: Reproduzimos, integralmente, a mensagem deste nosso conterrâneo, que pediu para não ser identificado e noutro espaço voltamos a este assunto.
Mário Mendes

10.6.12

ARNEIRO: Caminhada "3º Aniversário do Montesinho" - Reportagem









Para assinalar o 3º aniversário da publicação de O Montesinho, boletim noticioso e cultural da freguesia de Santana, o seu promotor, Joaquim Rodrigues, organizou no sábado, dia 9, um passeio pedestre pelas margens da ribeira de Nisa, desde a central da Velada até à Foz, no qual os participantes puderam observar as belíssimas paisagens e tomar conhecimento do valioso acervo patrimonial existente. Contactaram com a natureza, fomentaram o convívio e registaram magníficas imagens, entre as quais, as que aqui apresentamos, da autoria de Fernanda Cardoso a quem, por intermédio do Joaquim Rodrigues, agradecemos.
Findo o almoço e de acordo com o programa, os caminheiros tinham a aguardá-los um tradicional repasto, aproveitado para se lançarem as bases do próximo passeio e convívio.

9.6.12

NISA: Memória do Cine Teatro - Junho 1965



Em Junho de 1965, o Cine Teatro de Nisa promoveu quatro sessões de cinema, com alguns filmes que levaram boas assistências à "velhinha" sala de espectáculos. As cadeiras rangiam, os cortes nas fitas provocavam assobios de maior, a luz por vezes faltava e ainda havia pelo meio, um ou outro comentário, ao bom estilo nizorro. Mas tudo isso fazia parte do espectáculo e do gosto pelo cinema.

8.6.12

NISA: Postais do Concelho (6)

Fernando Pessoa escreveu: "O melhor do mundo são as crianças". No dia 1 de Junho, o Rossio de Nisa encheu-se de sorrisos, de cores, de animação e de vida. As crianças - cada vez menos, no nosso abandonado interior - ainda são a réstia de esperança que nos separa do deserto.
Por isso, comemorar um dia em muitos dias, todos os dias do ano, são promessas de futuro e de sonhos que políticos inconscientes vêm adiando.