27.6.11

NISA: Santo António com muita cor e música



O desfile e actuação das Marchas Populares de S. António culminaram quatro dias de festa em honra deste santo, em Nisa.
Os festejos tiveram início no dia 13 de Junho com as celebrações religiosas, realizando-se a procissão entre a Igreja do Espírito Santo e a capela de Santo António onde teve lugar a celebração de missa.
O arraial popular no largo da Fonte da Cruz animou o fim-de-semana, com música de baile, actuação de DJs e da jovem Salomé Silveira, uma das finalistas do concurso da TVI.
Um programa diversificado, a que o público correspondeu marcando presença em elevado número e que teve a principal expressão com o acompanhamento do desfile das Marchas de Santo António, entre a Praça da República e o recinto das festas, e depois a actuação, seguida com muito entusiasmo e na qual os “marchantes” puseram todo o seu brio e alegria para mostrar os vistosos trajes de Nisa e as músicas ensaiadas a preceito pela Dulce Vitorino.
Um fim de tarde de festa e de exaltação do bairrismo nisense, onde não faltou sequer uma antiga “Marcha de Nisa”, da autoria do Padre Alfredo Magalhães, já falecido.
Tiago Botas, elemento da Associação de Amigos de Santo António, organizadora das festas, mostrou-se muito satisfeito com o êxito das mesmas.
“ Houve muita participação de público, no sábado foi mesmo extraordinário, pela primeira vez em cinco anos não fomos “visitados” pela chuva, o tempo ajudou o esforço de todos quantos se empenharam na realização desta festa”.
Quanto aos lucros dos festejos, Tiago Botas, informou que depois de apurados os resultados, a Associação vai reunir com a Câmara e a Paróquia para verem qual a melhor aplicação.
“ Temos ideia de avançar com a reparação do telhado da ermida de Santo António, pois quando chove tem havido infiltrações pluviais. É uma obra com alguma envergadura e pretendemos analisar as formas de colaboração, entre as três entidades, para que a obra avance”, concluiu.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" 22/6/11

25.6.11

MEMÓRIA: O Baptismo em Nisa, no século XX.

Baptizado em Nisa. Largo 5 de Outubro. Anos 70 (Fotog. colecção de José M. Lopes)
São inúmeros os relatos sobre os casamentos tradicionais de Nisa, por vezes, profusamente documentados em fotos e vídeo. Acerca dos baptizados na nossa terra, tal e qual ocorriam no século passado, escasseiam as referências, motivo por que achamos do mais vivo interesse a reprodução da foto e do texto, enviados por um atento visitante deste blog e ao qual desde já agradecemos a colaboração.
Diz o nosso leitor/visitante que esta tradição, a dos baptizados, é " algo que tende a desaparecer com os anos. Os baptizados no seu, no nosso tempo, quando eramos petizes, eram uma enorme alegria para quem participava neles."
É verdade e todos aqueles que se juntavanm à porta da igreja tinham sempre a possibilidade de "arrabanhar" uns rebuçados, amêndoas, uns tostões, por vezes, moedas que eram quase raras, para nós.
«Antes do baptismo a criança era designada por mourinho. Hoje já assim não é: começam logo a dar-lhe o nome futuro – noutros tempos sempre escolhido pelos padrinhos, prerrogativa essa de que actualmente os pais não abdicam. Em geral, os primeiros filhos são apadrinhados pelos avós, irmãos ou parentes mais próximos.
O baptizado é sempre pretexto de alegre festa de família, e, para ela, principalmente nas classes menos abastadas, prefere-se um dos dias mais solenes do ritual católico. No domingo de Páscoa, Natal, ou Ano-Bom, os sinos das freguesias repicam quase continuamente quando da igreja sai mais um neófito. E, pela duração e floreado do repique, se avaliam as gorjetas que o sacristão embolsou.
Depois do baptismo – no percurso da igreja até à residência dos pais da criança – os parentes e famílias das relações mandam arramalhar o acompanhamento e, logo que este recolhe à casa em festa, juntam-se à porta centenas de garotos que, fazendo grande alarido, esperam que os padrinhos venham à janela despejar, às mãos cheias, cestos de maçãs, castanhas, nozes, etc., e mesmo dinheiro quando se trata de família de haveres. Aos convidados é oferecido um «copo-de-água» e, ao entardecer, lauto jantar.»
José Francisco Figueiredo - in “Monografia da Notável vila de Nisa”. 1956

2012 - 500 Anos dos Forais de Nisa e Montalvão

2012 é ano de comemorações dos 500 anos dos Forais de Nisa e de Montalvão. No caso de Montalvão, o processo de comemorações a realizar no próximo ano foi já iniciado através de duas associações daquela freguesia que marcaram para sábado, dia 25, sessões de esclarecimento, procurando envolver a população nas celebrações de tão importante acontecimento.
Assim, por iniciativa da Associação Salavessa Viva realiza-se uma sessão pelas 15 horas, no edifício da ex-Escola Primária em Salavessa.
Mais tarde, pelas 17,30 h na antiga Escola de Montalvão, organizada pela Associação Vamos à Vila terá lugar nova reunião, tendo por objectivo elucidar a população sobre a importância do documento, assinado em 1512 pelo rei D. Manuel I.
Ambas as sessões (em Salavessa e Montalvão) serão conduzidas por Carla Sequeira do Museu do Bordado e do Barro de Nisa.
A Carta de Foral de Montalvão foi concedida pelo rei D. Manuel I em 22 de Novembro de 1512, reconhecendo, assim, a importância desta vila.

21.6.11

MONTALVÃO: Roubo de sino da ermida da Senhora dos Remédios

Um sino em bronze foi furtado da ermida de Nossa Senhora dos Remédios, nas proximidades de Montalvão.
Alertado por um amigo sobre os roubos de sinos no concelho de Marvão, Joaquim Maria da Costa, da Comissão de Festas, dirigiu-se à ermida da Senhora dos Remédios e constatou que também aquele templo tinha sido “visitado” pelos amigos do alheio e que o sino da ermida havia desaparecido.
Os ladrões tiveram como único objectivo levar o metal do sino, uma vez que deixaram quase intacta, a estrutura de madeira que o suporta.
É um prejuízo enorme, segundo Joaquim Costa, tanto para a Comissão de Festas da Senhora dos Remédios, celebrada anualmente no dia 9 de Setembro como também para o património de Montalvão.
Foi apresentada queixa no posto da GNR de Nisa.

17.6.11

POETAS POPULARES DO CONCELHO

Vergonha de ser Português
Estou farto de o dizer
E há muita gente que diz
Tenho vergonha de ser
Cidadão do meu país
I
Nos tempos que já lá vão
Tínhamos tanta riqueza
Hoje só temos pobreza
E tínhamos tudo na mão
O ouro que tínhamos então
Começou a desaparecer
E sem lucros obter
Já se acabou a matéria
Vivemos nesta miséria
Estou farto de o dizer
II
O homem foi criticado
E tanto ouro cá deixou
O tempo em que governou
Deixou o país abastado
Mas tudo já foi roubado
Quem roubou seja feliz
O destino assim o quis
E rodeado de ladrões
Eu digo prós meus botões
E há muita gente que o diz
III
É uma vergonha afinal
Viver nestes desesperos
Terem que vir os Estrangeiros
Para mandar em Portugal
Presidente que nada vale
Mas que tudo quer vencer
Acreditem, podem crer
Não se compõe outra vez
Sou cidadão Português
Mas tenho vergonha de o ser.
IV
Agora para terminar
Temos o momento oportuno
Vai para lá outro gatuno
Para o povo não estranhar
Este vai mais devagar
É ele mesmo que o diz
Não vou meter o nariz
P´ra ninguém se aperceber
Tenho vergonha de ser
Cidadão do meu país.
António Elias Estróia

15.6.11

GENTE DA MINHA TERRA: Joaquim Maria da Costa

“ Construção do Lar da Terceira Idade foi a obra que mais orgulho me deu”
Tem 80 anos e mantém ainda uma energia que surpreende e contagia. Recorda a sua vida, realça o contacto com o país e a cidade de Portalegre, sua terra adoptiva, os amigos que fez, desde a escola e no calcorrear das suas andanças profissionais, na labuta diária pela modernização das redes de telecomunicações.
De permeio, foi sindicalista e político, como quem acredita que, não podendo transformar o mundo, pode melhorá-lo com a sua acção. Acabou por regressar às origens, a Montalvão, fez-se Provedor da Misericórdia um pouco a contragosto e quinze anos passados, olha para trás com um sorriso aberto e satisfeito pela obra realizada.
Caros leitores, apresento-vos Joaquim Maria da Costa, um montalvanense, na primeira pessoa.
“ Nasci em Montalvão no início de 1931. Andei na Escola Primária e fiz exame da 4ª classe na Escola do Rossio em Nisa. Depois fui estudar para Portalegre onde frequentei durante 5 anos o Curso Industrial de Mecânica e Desenho de Máquinas. Saia-se de lá com grandes conhecimentos técnicos e de projectos e muitos tiveram as bases para a vida de trabalho. Foi um erro muito grande acabar com as Escolas Industriais e Comerciais. Nós no 4º ano já tínhamos procura do mercado de trabalho. Fiquei a trabalhar em Portalegre numa oficina de mecânica até ir para a tropa para o Curso de Milicianos. Ainda na tropa concorri às Telecomunicações dos CTT e fui aceite. Frequentei um curso de seis meses e entrei para o sector das Telecomunicações. Mas surgiu um problema, pois fui mobilizado para ir para a Índia em 1952. No vai e vem entre Portalegre e Abrantes, o tempo foi decorrendo e acabaram por mobilizar outra Companhia.
Nos CTT fui colocado primeiro em Évora, onde estive 2 anos. Pedi a transferência para Portalegre e mandaram-me estagiar para Torres Vedras. Andei requisitado pelos Serviços Técnicos durante 12 anos e pouco vinha a Portalegre. Fiz trabalhos desde o Algarve ao Minho e na Madeira e praticamente só vinha passar umas curtas férias.
Estive 37 anos no sector das Telecomunicações dos CTT. Foi a minha equipa que automatizou o grupo de redes de Portalegre e lembro-me que a primeira estação a ser automatizada foi a de Castelo de Vide. Com algumas poucas excepções, fiz a automatização da maior parte das estações de telecomunicações do distrito.
O meu trabalho foi reconhecido e fui convidado pelo Director da Área de Telecomunicações de Évora, que abarcava todo o Alto Alentejo, para ser o SD Técnico (Chefe do Sector Automático). Estive 17 anos nesse cargo e do qual me reformei.”
Regresso às origens e o apelo da Misericórdia
O tempo da reforma, tantas vezes sonhada e aguardada. Para uns, o concretizar de alguns sonhos, o tempo para ter tempo, para a família, os amigos e o lazer.
Não para todos. Há apelos, fortes, da terra e das instituições, apelos que se aceitam ou recusam. Joaquim Costa aceitou o convite e de um momento para outro entrou na “reforma activa”.
“ Morei sempre em Portalegre, mesmo quando andava por fora e quando me reformei aos 61 anos, o meu irmão tinha falecido e com os meus pais estavam já com uma certa idade, entendi que devia olhar por eles e regressei a Montalvão.
A ideia inicial era tratar da horta, ir à pesca, fingir que caçava, ou seja, passar tranquilamente os anos de reforma. Mas o “tiro” saiu-me pela culatra.
Estava há pouco tempo em Montalvão quando o senhor Mourato, Provedor da Misericórdia veio ter comigo e pedir-me para eu o substituir. Disse-lhe que estava disponível para ajudar mas não para esse lugar, pois sabia que era um cargo muito trabalhoso. Fiquei como tesoureiro da Comissão da Senhora dos Remédios e durante cinco meses fui presidente da Assembleia-Geral.
Durante o mandato e por diversas vezes propus a compra de uma propriedade com casa, na Corredoura, já que tinha a garantia de entidades de comparticipação. Nessa altura já se fazia sentir a necessidade de novas instalações para o Centro de Dia, mas nunca aceitaram a proposta, o que me desiludiu um pouco.
Em Novembro de 1998 participei na reunião da Assembleia Geral, sem vontade de aceitar qualquer cargo, mas houve uma votação esmagadora que me fez pensar e acabei por aceitar ser Provedor.
Quando entrei para Provedor, a SC Misericórdia de Montalvão funcionava com 20 utentes e 4 funcionárias, sendo uma administrativa, 1 cozinheira e 2 auxiliares.
As condições não eram as melhores, pois o espaço era reduzido. Havia 50 pessoas em Montalvão e 20 na Salavessa em lista de espera, porque não havia condições para as admitir.
A primeira decisão que tomei foi conhecer a situação financeira e a regularização da contabilidade. Incomodava-me o facto de o Centro de Dia abrir às segundas e fechar às sextas-feiras. Durante o fim-de-semana os utentes ficavam entregues a si próprios. Era preciso inverter a situação e com a compreensão dos funcionários o Centro de Dia entrou em regime permanente, no dia 25 de Abril de 1999, o que obrigou a recrutar mais 5 trabalhadoras. Os utentes passaram a ter mais duas refeições quentes e a serem acompanhados mais duas vezes pelos funcionários.
A lista de espera não deixava de me preocupar, mas o pessoal dizia-me que não havia capacidade de resposta. Fui à Segurança Social falei com o Director fiz-lhe sentir a realidade de Montalvão e da sua parte houve sensibilidade para fazermos um protocolo que abrangeu 35 pessoas em centro de Dia e 60 em Apoio Domiciliário. Isso originou uma pequena “revolução”. Foi preciso adquirir novos equipamentos, utensílios de cozinha, remodelação de instalações, e aumentar o número de funcionários que passou de 9 para 17. Com esta “operação” ainda conseguimos manter mais 3 utentes fora do protocolo.
Fomos a primeira instituição a ter serviços médicos, porque o médico estava muito tempo sem ir a Montalvão e criámos um espaço para o Gabinete Médico, fazendo um protocolo com a ARS para que o mesmo fosse oficializado para os nossos utentes.”
Sonho e luta: a construção do Lar
Situada junto à fronteira, a freguesia de Montalvão sofreu como poucas o êxodo da população activa para o estrangeiro e para a Grande Lisboa. Os que ficaram, agarrados à ocupação do trabalho rural, envelheceram e necessitam de cuidados especiais. Os filhos e os familiares mais chegados estão longe, a solidão tomou conta das horas e dos dias.
O Centro de Dia preenchia um espaço, mas não chegava para todos. Joaquim Costa, também ele, idoso, pôs-se na “pele” dos seus conterrâneos e não parou de pensar e... agir.
“O primeiro passo estava dado, antes de mim. Havia um terreno adquirido pela Câmara presidida pelo Dr. José Manuel Basso e para o qual só faltava a escritura de doação. Foi assinada por mim e pelo presidente da Câmara e de imediato começámos a tratar do projecto do Lar. Quando as coisas pareciam encaminhadas para que o mesmo fosse apresentado como candidatura, verifiquei que, afinal, contemplava um Centro de Dia.
Deixámos passar o prazo para integrar o PIDDAC desse ano, mas no ano seguinte e com o projecto devidamente elaborado, “chateei” muitas pessoas que eu conhecia, bati a muitas portas e o certo é que entre 56 candidaturas, apenas duas foram aprovadas e uma delas era a do Lar de Montalvão.
Tinha a garantia da aprovação do projecto e em 29 de Agosto de 1999 a obra arrancou em força. Mesmo com alguns acidentes de percurso, que me escuso de referir, a obra nunca parou. Assim que tivemos oportunidade, antes da obra concluída, transferimos o Centro de Dia para as novas instalações. A construção do Lar e logradouros porque houve dificuldades, a partir de certa altura, na cedência de pedreiros da Câmara, optou-se por um empreiteiro (Armando Barrento), o que foi uma decisão acertada, tendo a obra sido concluída.”
Um sonho de muitos anos fora concretizado. Joaquim Costa podia, enfim, dormir descansado, mas o seu espírito activo “falou” mais alto.
“Inicialmente, estavam previstas 22 camas no piso de cima e pus-me a pensar porque não se aproveitava a parte de baixo. Falámos com a Câmara que aceitou a ideia e fez o projecto e conseguimos instalar mais 16 camas e dispensas. E ainda ponho a hipótese de arranjar mais camas, pois as necessidades são muitas.”
As condições modelares e de funcionamento do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão tem recebido elogios de muitas entidades. Louros que Joaquim Costa diz serem fruto do trabalho de equipa.
“É certo que todos os dias vou ao lar e acompanho a par e passo o funcionamento da Instituição, mas temos que dar valor aos funcionários e à encarregada que é uma pessoa competente e zelosa. Por outro lado, temos uma boa situação e estabilidade financeira. Não damos o passo maior que a perna e com a responsabilidade de todos temos conseguido realizar todas as metas a que nos propusemos.”
No aspecto patrimonial tem um grande significado a obra levada a cabo, sob os auspícios do Provedor, a restauração e remodelação da Igreja da Misericórdia de Montalvão.
“A igreja serve como Casa Mortuária e eu sentia-me incomodado cada vez que ia a um funeral. Achava indecente o aspecto do edifício religioso. Metemos mãos à obra, falei com um restaurador que conhecia de Portalegre, o senhor Joaquim Martins, ele entendeu o que pretendíamos e fez uma trabalho de restauro de altares e arte sacra, a todos os títulos notável. Para além disso, o edifício foi todo reparado. Substituímos os bancos, colocámos um piso novo, rebocaram-se as paredes, recuperaram-se os sobrados, instalaram-se sanitários, enfim, a igreja ficou com a dignidade que merecia e hoje pode ser visitada por quem o desejar.”
Joaquim Costa fala da Misericórdia e do Lar como da “menina dos seus olhos”.
Na extensa vida de 80 anos, este homem, fumador inveterado e de longas barbas como imagem de marca, pisou os palcos do sindicalismo, sendo um dos fundadores do Sindicato das Telecomunicações (SINTEL), e da política. Foi vereador durante dois mandatos na Câmara de Portalegre, eleito na Assembleia Municipal em Portalegre e Nisa, membro das Comissões Concelhias do Partido Socialista em Portalegre e Nisa.
Na sua terra, Montalvão, recusou, sempre, ser candidato e hoje é notório, que a freguesia e o concelho só ficaram a ganhar com essa decisão.
“ Não se pode ser duas coisas ao mesmo tempo. Dediquei-me à Santa Casa da Misericórdia. Foram 15 anos de esforço e muita luta para conseguir que a obra nascesse e se consolidasse. Ser Provedor exige muita dedicação e trabalho. Sempre gostei de resolver os problemas e nunca tive nada que me metesse medo, embora a idade já seja um pouco avançada, nunca digo que é o último mandato, pois todos somos substituíveis. Eu gostava e desejo que apareça alguém que possa tomar conta deste empreendimento, com a mesma força e determinação que eu tenho tido.”
* Mário Mendes in "Fonte Nova" - 14/6/2011

14.6.11

OPINIÃO: Notas sobre as eleições no concelho ( 2 )

1. As eleições de 5 de Junho, pela sua própria natureza, em Nisa como em todo o país, foram predominantemente influenciadas por motivações de ordem nacional.
No caso concreto, neste último acto de exercício do voto, os eleitores fizeram a sua apreciação (fortemente negativa) da acção governativa de Sócrates e seus pares. Os instrumentos dominantemente influenciadores do voto foram o acompanhamento continuado do que as TVs transmitiam, particularmente na recta final, com a revelação do estado a que o país chegou e as orientações contrárias aos direitos dos trabalhadores e reformados, em afronta a significativa parte da sociedade. Como remate de influência, naturalmente de ter em conta os caminhos seguidos na campanha eleitoral pelos diversos concorrentes.
2. Não se pode, porém, à escala de cada território, desprezar o efeito mobilizador para a captação de voto que constitui a capacidade dos activistas locais dos partidos em chegar junto dos cidadãos eleitores.Com muito maior efeito em meios pequenos com centenas ou escassos milhares de votantes.
Com expressões diferentes, o factor local tem efeito em eleições gerais e vice-versa.
3. Duas semanas antes os espanhóis foram a votos para escolha de representantes municipais e regionais. Vejamos o que se passou aqui ao lado em Cedillo. A votação foi praticamente a mesma para os dois níveis de escolhas em jogo. Era visível o empenho dos aderentes da força localmente dominante (o PSOE, correspondente ao nosso PS), com entusiástica acção de esclarecimento de todos os vizinhos, assegurando um contacto de proximidade quase total.
Recordamo-nos de os ver com igual procedimento e entusiasmo nas últimas eleições legislativas espanholas.
4. É nessa atitude que nos parece residir a abismal diferença de empenho dos aderentes e (mesmo) militantes no processo eleitoral português de há dias.
No nosso concelho é notável o envolvimento de candidatos (e famílias, mais ao nível de aldeias) na operação de «pedir o voto» quando se está à conquista da câmara ou da freguesia. Que contrasta completamente com o que se viu nesta campanha. Onde foram feitas sessões de esclarecimento? Onde aconteceram os contactos com a população nos seus espaços habituais de convívio e de trabalho?
5. Tristemente temos que concluir que, genericamente, num caso se intervém, independentemente do tipo de eleição, por motivação do ideal que se defende e, no caso português, os representantes locais dos partidos (com óbvias excepções, que seria injusto não ressalvar) se movem essencialmente pela busca dos lugarzitos na junta ou na câmara.
6. Isto é particularmente grave, no caso de Nisa, onde a influência militante dominadora deveria pertencer aos comunistas e seus aliados.
Primeiro porque continua a proclamar se um partido de massas. Que deveria ser imagem de marca a fazer a diferença em relação aos demais. Se isso ainda tivesse alguma coisa de verdade... Depois (não menos importante) porque tem responsabilidades políticas (pelo menos formalmente) ao nível da gestão do poder local no concelho. Onde o exemplo da maneira como os comunistas vêem a sociedade e a querem transformar deveria ser para todos visível com a maior das naturalidades. E é-o cada vez menos para cada vez mais nisenses...
7. Exercendo poder, em doses tão importantes a nível local, isso deveria ser uma alavanca para envolver e entusiasmar redobradamente os militantes a agir, em todas as circunstâncias, por valores e construção de um projecto democrático, participativo, plural, inovador.
Não é isso possível porque, em vez da lógica do envolvimento de todos, um pequeno punhado de «chefes» e «chefas» acha-se no direito (?!) de pôr e dispor, com práticas abusivas e burocratizadas cada vez mais distantes do povo, a quem se deveria estar permanentemente ligado.
Os comunistas no poder não podem ser «dirigidos» no seu mais duro e apertado núcleo de comando institucional por um qualquer G3 no feminino (Gabi2 / Gisa), limitando-se a levar (e trazer) o recado aos burocratas que se situam no nível partidário seguinte.
Este é, porém, pela sua gravidade e afronta aos genuínos comunistas e seus aparentados que fazem o percurso desinteressadamente desde pelo menos 1974, motivo para escrito posterior, específico e mais esclarecedor...
DINIS DE SÁ

11.6.11

Joaquim Maria da Costa homenageado em Montalvão




QUANDO O SONHO É DO TAMANHO DO HOMEM
Joaquim Maria da Costa, 80 anos, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão desde 1998, foi alvo de uma singular homenagem no passado dia 31 de Maio – Dia das Misericórdias – na sua terra natal, Montalvão.
A iniciativa partiu de uma proposta apresentada e aprovada na Assembleia Geral daquela instituição, visando, entre outros, tributar em vida e publicamente, o agradecimento ao trabalho desenvolvido por este Irmão da Misericórdia, nomeadamente, o seu decisivo contributo para a construção do lar da Terceira Idade de Montalvão, uma unidade modelar na prestação de cuidados e assistência aos idosos da freguesia.
José Roberto, presidente da Assembleia Geral da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão, explicou os motivos da homenagem e agradeceu às pessoas e entidades presentes, enquanto José Leandro, da Comissão de Honra, salientou os principais traços da obra solidária e do empenhamento que Joaquim Costa dedicou à realização de um grande sonho tido como quase impossível: a construção do Lar.
O presidente da Junta de Freguesia de Montalvão, realçou as qualidades do provedor, disse ser um orgulho da autarquia ter entre si um cidadão e uma obra a todos os títulos exemplar e mostrou disponibilidade para ajudar a instituição.
O representante da União das Misericórdia Portuguesas, destacou a “obra magnífica de um homem que dedicou a vida à causa social, apaixonado pela sua terra, pela qual tem demonstrado grande dedicação”.
Manuel Bichardo, vereador da Câmara de Nisa, disse que o Município estava ali para homenagear o senhor Joaquim Costa e também o relevante papel social e de empregabilidade desempenhado pelas Misericórdia, informando que a autarquia nisense iria propor a atribuição da medalha de Honra ao provedor da Misericórdia de Montalvão.
Jaime Estorninho, Governador Civil e amigo pessoal do homenageado, felicitou os voluntários das Misericórdias do distrito de Portalegre, “centenas de homens e mulheres que em cada Misericórdia trabalham em prol dos outros, dando-lhes um pouco de amor, carinho e dedicação”
Quanto ao homenageado disse estar “habituado a vê-lo sempre metido em actividades e a concretizar os sonhos mais difíceis”. Agradeceu ainda à Câmara de Nisa e ao Dr. Basso, que muito ajudou à construção deste Lar.
Joaquim Maria da Costa, visivelmente comovido, não foi de muitas palavras.
“Tenho fracos dotes oratórios, estou muito sensibilizado por ver aqui tantas pessoas amigas. Penso que não fiz nada de especial para merecer esta homenagem. Limitei-me a dar o meu melhor em prol de Montalvão, não fiz nada sozinho, a obra erguida e que continua, só foi possível com a ajuda de muita gente, com o apoio dos funcionários que são inexcedíveis no trabalho e carinho para os utentes.”
Após o acto de homenagem foi descerrada uma placa que juntou ao nome da instituição, o de Joaquim Maria da Costa. A Câmara Municipal de Nisa aprovou no dia seguinte (1 de Junho), por unanimidade, a atribuição da Medalha de Honra e a União das Misericórdia Portuguesas atribuiu-lhe uma condecoração.
Seguiram-se os abraços e parabéns de muitas pessoas, entidades, amigos, familiares, utentes e funcionários da Misericórdia, antes do almoço oferecido pela Instituição a todos os convidados.
A homenagem a Joaquim Maria da Costa teve ainda a especial contribuição de dois filhos da terra, José Roberto e António Sereno, que à viola e à guitarra acompanharam Rita Inácio num momento dedicado ao fado e à expressão da alma portuguesa.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 8/6/11

9.6.11

OPINIÃO: A festa das eleições

1. Com apenas duas semanas de intervalo realizaram-se eleições em Espanha e Portugal. Lá (a 22 de Maio), para escolher os novos titulares dos órgãos municipais e, simultaneamente, os deputados dos parlamentos regionais. Cá, elegemos dia 5, em cada círculo, os nossos representantes que irão ter assente na próxima legislatura nacional. No Alentejo (e cada vez mais por todo o país), numa prática, a nosso ver, negativa com as listas a integrarem «estrangeirados», para os quadros mais «fiéis», em cada partido, comporem o parlamento. Nalguns distritos, até os cabeças de lista não tinham qualquer ligação ao respectivo território. Não é seguramente assim que se reforça a ligação entre eleitos e eleitores e se levam capazmente os problemas da região à Assembleia da República...
2. Acompanhámos a noite eleitoral espanhola num «pueblo» próximo da (ex) fronteira, onde o Tejo faz entrada em Portugal. Naturalmente, como entre nós, a expectativa do povo é grande em conhecer os resultados da votação.
Só que há uma grande diferença na maneira de acompanhar a contagem dos votos. Durante o escrutínio a mesa eleitoral funciona de portas abertas, com os eleitores a ouvirem recitar em voz alta a atribuição de cada voto ao partido que preferem ou aos seus concorrentes. O processo de leitura dos boletins é passível de ser acompanhado por todos os cidadãos, como quem testemunha, livremente, o casamento de dois amigos na igreja ou no registo civil.
3. Em Portugal, como sabemos, quando batem as sete da tarde encerram-se as portas dos locais de voto. Uma prática iniciada na primeira eleição democrática em 1975 e que se tem mantido ao longo dos anos. Como que a resguardar os mesários e os boletins da arruaça de um qualquer embriagado ou tresloucado, numa atitude de desconfiança relativamente ao civismo dos eleitores.
4. Sobre esta prática de contagem de votos à porta fechada, interrogámos há já alguns anos um estimado amigo, membro destacado da comissão nacional de eleições, político e académico de grande brilhantismo, que, infelizmente para a causa pública, viu a vida terminada cedo demais.
Dizia-me o Luís, de forma bem simples, que a coisa funcionava assim, porque, tendo-se iniciado dessa maneira, nunca mais ninguém tomou a iniciativa de propor qualquer alteração que, obviamente, lhe parecia mais que razoável...
DINIS DE SÁ

7.6.11

OPINIÃO: NOTAS SOBRE AS ELEIÇÕES NO CONCELHO ( 1 )

1. À escala nacional, as eleições de domingo passado saldaram-se por rotunda derrota das esquerdas. Confirmou-se a expectativa decorrente do derrube do governo de Sócrates, com o caminho inexoravelmente aberto a uma maioria da direita, a apresentar-se com o programa mais conservador e liberal de sempre.
Sócrates, num assomo de dignidade elementar, apresentou a demissão da chefia do PS. No mínimo, Louçã deveria seguir-lhe o exemplo, face a uma perda de metade dos votos e do número de deputados...
O grave, na perspectiva de construção contínua de uma perspectiva real e ganhadora, é que, na noite de um desastre eleitoral globalmente terrível para as esquerdas, as «justificações» e até triunfalismos não auguram reflexão próxima séria que encaminhe, a prazo, as coisas para uma alternativa que (de vez sem aspas) seja patriótica e de esquerda. . .
2. Também no distrito de Portalegre o PSD foi o partido mais votado.Com a agravante de o CDS já se aproximar dos votos obtidos pelo PCP.
Com perdas brutais do PS e BE é preocupante que as deslocações de votos se encaminhem para a direita, já que, num quadro altamente favorável para tal, não há qualquer crescimento no voto comunista.
Quando Jerónimo de Sousa valorizou a recuperação de um deputado no círculo de Faro, é importante lembrar que as coligações integradas pelo PCP, neste distrito claramente de esquerda, já estiveram na disputa pela condição de força mais votada. Quando havia (mesmo) sentido unitário na intervenção eleitoral e não uma «CDU» que, além da «importação» da cabeça de lista (para fazer igual ao PS ), desta vez apresentava como candidatos praticamente só funcionários do partido.
Longe vão os tempos de intervenção genuinamente distrital e de abertura política de outras campanhas...
3. No concelho de Nisa a votação é globalmente negativa, mas particularmente escandalosa (no que respeita ao PCP) nalgumas mesas de votos.
Até o concelho vizinho de Gavião conseguiu um score eleitoral concelhio superior. Na vila sede do concelho o CDS teve uma votação superior, com a votação na lista comunista a ter pouco mais de 100 votos, numa percentagem inferior à que foi obtida a nível nacional.
Histórica e tradicionalmente, durante anos, duas freguesias (Montalvão e São Simão) tinham grandes votações nas (verdadeiras) coligações (FEPU e APU) que antecederam a actual.
4. Impressiona, por exemplo, olhar os resultados de dia 5 na Salavessa, com a «CDU» recolher a preferência de pouco mais de uma dúzia de eleitores em quase 70 votantes.
No conjunto da freguesia de Montalvão, só 1/4 do somatório dos votos obtidos pelos 3 partidos da troika. Como é possível?
Em Pé da Serra 20 «heróis» ainda resistiram, votando «CDU». Com o carinho e admiração que merecem os que desde sempre estiveram por ideal como comunistas na aldeia, é caso para glosar a derrocada (não fosse a coisa tão tristemente séria e grave!), dizendo que já nem as famílias de Júlio Pires e Zé Lopes, por inteiro, põem a cruzinha no sítio de sempre...
5. Esta eleição era de características nacionais, evidentemente. Seria injusto e demagógico atribuir excessivamente aos actuais protagonistas locais do PCP a responsabilidade destas votações que entristecem certamente todos aqueles que, no concelho, abraçam o ideal comunista, sem qualquer sentido de interesses pessoais e oportunismo.
Contudo, há sempre alguma influência (e grande) que não deve (não pode) ser iludida. Pelo menos em aldeias de pequena dimensão a intervenção política local de proximidade é tão decisiva como os debates televisivos ou os tempos de antena. Esta leitura fica para próximo escrito, dentro de dias...
DINIS DE SÁ

5.6.11

Eleições Legislativas 2011 - Resultados



No Rasto da Memória : A Imprensa em Nisa (1)

O 1º número da 2ª série do “Notícias de Nisa” saiu a público no dia 16 de Abril de 1997.
Com 10 páginas e a duas cores, o quinzenário regionalista e independente, seguia a linha de rumo do título criado e mantido desde 1995, por Francisco Narciso.
No primeiro número, dois artigos faziam a capa da notícia, o Editorial da autoria de Mário Mendes, o novo director do jornal e o destaque para um tema que na altura, assumiu especial importância: Barroca do Salgueiro – O Caminho da Discórdia.
No Editorial, explicavam-se as razões do ressurgimento do jornal, “um projecto que se retoma com os leitores, anunciantes e colaboradores que ao longo deste tempo nos fizeram chegar anseios, temores, a vontade de verem surgir uma voz própria, regionalista, não enfeudada a doutrinas e ideologias, pugnando pelo bem comum, com a verdade, o distanciamento e o sentido crítico que a prática da escrita jornalística impõem”.
O “Notícias de Nisa” com um reduzido número de colaboradores e nenhum deles a trabalhar, simultaneamente, na Câmara Municipal, manteve o contacto com os leitores ao longo de 19 edições e foi a semente embrionária do “Jornal de Nisa” , um quinzenário regionalista e não dependente da autarquia, que ao longo de 265 edições e quase 11 anos, levou a informação do concelho e região aos leitores e assinantes que o apoiaram.
O “Notícias de Nisa” acompanhou, deu voz a todas as candidaturas e pôs em debate os grandes temas do desenvolvimento concelhio nas Autárquicas 97; trouxe a público e denunciou muitas situações que lesavam as populações do concelho, contribuindo com o seu alerta e atenção para que muitos problemas fossem resolvidos.
Um deles, o da capa da primeira edição. O caminho público da Barroca do Salgueiro, o primeiro caso de usurpação de um bem de utilização colectiva foi julgado em Tribunal e a razão dada a quem a tinha: o povo do concelho e os proprietários rurais que mais utilizavam o caminho, desde o tempo dos seu antepassados.
Não deixa de ser preocupante verificar que, 14 anos passados e muitos abusos e esbulhos de caminhos públicos cometidos, não haja uma única denúncia dessas situações, algumas delas nas “barbas” dos próprios autarcas de freguesia, que preferem o silêncio e a cumplicidade, em troca de um voto na “hora certa”.
Claro que, com as novas “doutrinas” os jornais não servem para isso. Têm que noticiar o que acontece, as festas, os discursos, fotos a rodos, escrita feita na secretária, que isto de perguntar e tentar perceber o que não se mostra é coisa de polícia e de detectives.
Além de (poder) trazer incómodos, aborrecimentos, “abertura de olhos” quando os visados são o poder que tão bem nos (des)governa.
Em democracia, diz-se, não há intocáveis e a imprensa (comunicação social, parvo!) é um dos garantes do “estado de direito”. Adiante.
No 1º número – 2ª série - do “Notícia de Nisa”mantínhamos uma “coluna nobre” denominada “Canto do Saco” (no “Jornal de Nisa” passou a chamar-se “Pontá Bitéfes”) que, justamente, alertava para muitas situações anómalas que urgia corrigir.
Quantas e quantas, não foram resolvidas, muitas vezes após sistemáticas e persistentes denúncias do jornal? Algumas demoraram anos, não porque fossem obras de elevado gasto, mas que esbarravam na teimosia do poder instalado. (O poder, todo o poder – apesar de dizer o contrário – não gosta que os cidadãos chamem a atenção para o que está mal e pode ser resolvido).
Nesta primeira edição do NN o “Canto do Saco” denunciava os actos de vandalismo cometidos na Fonte da Tigela e que impedia o normal funcionamento da torneira (bica) existente, os problemas de circulação e trânsito na vila de Nisa e o horário desajustado do Cemitério Municipal.
Problemas que levaram o seu tempo, mas que foram resolvidos a contento das populações.
O jornal, cumpria o seu papel e quem nele colaborava sentia-se satisfeito por a sua voz ser ouvida, mesmo apesar de escreverem “de forma pouco séria, não isenta e apenas procurar protagonismo”.
Agora, felizmente, nada disso acontece. A seriedade caiu de pára-quedas na associação que se diz de “desenvolvimento” mas que na prática não é mais do que uma extensão do aparatchik instalado na Praça do Pelourinho.
Haja Deus!
Mário Mendes

2.6.11

JOAQUIM MARIA DA COSTA: Um homem de causas

Texto de José Leandro Lopes Semedo, a propósito da Homenagem prestada no dia 31 de Maio, a Joaquim Maria da Costa, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão.
"Boa tarde, Exmo. Senhor Provedor, todas as entidades convidadas e minhas Senhoras e meus senhores!
Estamos hoje aqui todos reunidos nesta jornada e neste convívio fraternal em torno de uma causa sempre nobre que é a solidariedade.
E a solidariedade só faz sentido quanto aplicada no terreno, isto é, quanto deixa de ser teórica e passa a ser um acto concreto, expresso de forma singular através das acções das pessoas na entreajuda no seio de uma comunidade.
E nestes dias que correm, com a constante perda de valores culturais e sociais a que estamos a assistir nesta sociedade globalizada em que o respeito pelo ser humano é mínimo, somos levados a questionar para onde caminhamos e o que pretendemos deixar como legado aos nossos filhos, que conceitos e que tipo de sociedade devemos construir e em que bases devem estar assentes?
Nunca como agora foi tão importante o chamado terceiro sector (ou economia social) como alguns especialistas falam, ou ainda IPSS, apesar de estar á muito tempo contemplada na Constituição da República Portuguesa, como forma de estrutura económica, parece estar agora a ter o merecido reconhecimento de toda a sociedade, perante esta grave crise económico-financeira. E é no aconchego destas instituições de solidariedade social que muitos portugueses encontram o seu verdadeiro “porto de abrigo”. É a elas que muitos recorrem e sentem o verdadeiro sentimento que é a mão amiga da solidariedade.
Mas como todos sabemos continua a ser na velhice que as necessidades mais básicas ficam por cumprir, fruto de um conjunto de situações que levam erradamente a considerar estas pessoas como sendo o elo mais fracos e desvalorizado no seio das famílias e das comunidades, e que por vezes são de tal forma esquecidos pelos familiares mais próximos que ficamos estupefactos perante certas e determinadas situações que são relatadas nos meios de comunicação social. Mas os idosos são apenas as pessoas com mais idade. Portanto, com mágoas de um passado nem sempre luzidio mas com mais vitórias, com mais experiência, com mais doação à família, à comunidade, ao mundo e a Deus. Provavelmente mais do que noutras fases da vida, são eles quem melhor sabe saborear e valorizar a vida. Quando a oportunidade lhes é dada, com espírito e com coração, como eles sabem dar vida à Vida! Até por isso, como eles são preciosos em dinâmicas favorecedoras da vida, como a família. Com a ciência feita na vida e com a serenidade que a idade muitas vezes favorece, ainda têm muito para dar. Certamente de um modo diferente, que não menos importante. Merecem ser ouvidos e são credores de atenção, de respeito e de gratidão. Carecem de seguimento e de acompanhamento. E como dizia o Padre Américo que “pior que não ter onde viver era não ter onde morrer”.
E isto tudo para vos falar da obra que tem vindo a ser construída à alguns anos nesta terra, de uma forma singular e com reconhecido mérito, pela Santa Casa de Misericórdia de Montalvão e na qual destacamos a figura de um homem, que pela sua capacidade superior em organizar, e delinear uma estratégia de planeamento para concretizar a obra final, que é este lar de idosos – reconhecido em todo o distrito de Portalegre, como um modelo a seguir, com a prestação de vários serviços de qualidade, onde se pode destacar o apoio domiciliário de estrema importância que serve mais de uma centena de utentes e é a maior entidade empregadora desta freguesia, desenvolvendo também nesta área um papel de estrema importância na economia local. E esse grande homem chama-se Joaquim Maria da Costa, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão.
E como representante da população nesta comissão de honra, quero aqui expressar o meu forte reconhecimento, pela sua constante e valorizada obra social em prol dos mais necessitados e dos mais idosos desta freguesia. Sei que o caminho não foi fácil para construir toda esta imensa obra, por isso estamos hoje aqui!
E termino louvando a iniciativa sempre difícil, de em Portugal homenagear uma pessoa ainda em vida, quando o mesmo ainda pode sentir todo este reconhecimento que a população lhe presta. A todos o meu mais sincero bem-haja. Em especial ao Sr. Provedor pela sua coragem e determinação em lutar pelas causas em que acredita.
Montalvão, 31 de Maio de 2011
José Leandro L. Semedo