26.3.10

NISA: Convívio dos Zés com grande animação



Os indivíduos de nome José, juntaram-se no passado sábado na Horta do senhor José Perfeito em convívio onomástico e evocando o dia de S. José (19 de Março).
Foram trinta e cinco os José(s) que se predispuseram para passar um dia de amizade e convívio, onde a gastronomia teve as honras principais.
Feita e servida no local por dois afamados cozinheiros nisenses, senhores Parente e José Poeiras, os Zés de Nisa não perderam a oportunidade de saborear os antigos comeres tradicionais de Nisa, desde a sopa da panela, ao sarapatel, à carne de molho e aos enchidos, não faltando o queijinho de Nisa.
O dia foi preenchido com jogos, entre este o da malha e com a animação musical, a cargo do conhecido acordeonista José Casimiro que arrastou para a música outros convidados e artistas na arte de bem cantar o fado.
Foi um dia bem passado, como conta José Poeiras.
“Fazemos todos os anos o nosso encontro, vem quem pode vir, aqui passamos o dia em convívio e todos ficamos satisfeitos. Claro que dá sempre trabalho a alguns, mas sem isso nada se faz. Este ano, dedicámos um minuto de silêncio em memória de um Zé que sempre nos acompanhou e que faleceu no ano passado, o senhor José Vilela Mendes. A festa também serve para evocarmos os amigos que nos deixaram.”

24.3.10

AMIEIRA DO TEJO: Procissão do Senhor dos Passos






Domingo 21 de Março, chegava a Primavera e com ela mais um dia, em mais um ano em que se iria realizar a procissão do Senhor dos Passos. A pacata aldeia de Amieira do Tejo amanhecia com um imenso nevoeiro serrado, mas quis o Senhor dos Passos que o seu dia se torna-se num lindo dia de Sol radioso, e foi o que aconteceu, o nevoeiro levantou e o Sol raiou, brilhou diante dos nossos olhos aquecendo-nos a alma e o coração, transformando esta linda tradição religiosa num acto de fé contagiante e sereno.
Eis que saia então o Senhor dos Passos por volta das 16:30h da capela do calvário até á igreja matriz, onde se realizou a simbólica missa. Pouco tempo depois saia da igreja ao encontro de sua mãe, e este encontro estava cada vez mais perto, teria lugar na praça Nun’ Alvares Pereira junto ao Castelo, foi o que aconteceu, e como sabeis não há encontro mais doloroso, comovente e emocionante do que o encontro de uma mãe com um filho que está em sofrimento.
É no fundo o que simboliza este acto diante de nós e nos transmite sentimento de tristeza, dor, saudade e arrependimento, mas acima de tudo, amor a Jesus, à sua mãe e ao próximo.
E a via-sacra continuava…
Saindo da praça Nun’ Alvares Pereira o senhor dos Passos já caminhava junto de sua mãe numa caminhada dolorosa até ao Calvário, nesta caminhada juntaram-se novos e velhos, todos eles num grande acto de fé e amor ao senhor Jesus, a grande razão do nosso existir.
Foi lindo e comovente de ver os jovens e amigos da terra carregarem o andor do Senhor Dos Passos desde o começo ao fim da caminhada. Com isto mostra que afinal os jovens também nutrem de verdadeiros sentimentos de responsabilidade, respeito e amor, ao contrário do que muitas vezes lhes atribuem.
Deste modo, a todos eles muito obrigado e um grande bem-haja pela presença e preciosa ajuda na contribuição deste acto religioso, e a todos os que estiveram presentes para que esta tradição tão desejada e amada se mantenha até ao fim da nossa existência, mesmo aos que apenas estiveram presentes somente de coração, o meu (nosso) muito obrigado ficando aqui desde já um pedido caloroso para que voltem sempre!!!
Texto e fotos de Ana Paula Mendes Nunes da Conceição Horta

22.3.10

NISA:Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (11)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 11/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
Património fotográfico
Perdeu-se o riquíssimo espólio fotográfico de Antero Gomes (Ti Antero Coxo, como era vulgarmente conhecido. Natural de Montalvão, onde nascera em 14 de Dezembro1906, faleceu em Nisa, onde vivera e exercera a sua profissão, em 1 de Abril de 1981). Fotógrafo profissional teve casa estabelecida no Rossio de Nisa, actual n.º 41. Por ali passaram quase todas as famílias do concelho, nomeadamente para o retrato para o Bilhete de Identidade, que se tirava um pouco mais acima.
Ver fotografia autenticada da autoria de Antero Gomes, meados dos anos 50 do século passado, e pormenor desta onde consta a assinatura (Figuras 8 e 9).
Figura 8 - Fotografia de Antero Gomes (Antero Coxo)
meados dos anos 50 do séc. XX
No Museu do Bordado e do Barro (núcleo central) encontra-se cópia ampliada desta foto, porém nela, infeliz e incompreensivelmente, não consta a identificação do autor. Porquê?
Figura 9 - Assinatura de Antero Gomes na fotografia da figura 8
A Santa Casa da Misericórdia de Nisa possuidora do acervo fotográfico do Prof. Barreto procede à digitalização das fotografias deste arquivo e já disponibiliza algumas na Internet. Ver: http://www.scmnisa.pt/ - galeria – fotos do Prof. Barreto (Manuel Joaquim Temudo Barreto nasceu em 23 de Novembro de 1911. Professor do Ensino Primário e Director Escolar do Distrito de Portalegre foi um exímio fotógrafo amador e legou um vasto espólio à Santa Casa da Misericórdia de Nisa onde foi provedor de 13 de Fevereiro de 1986 a 31 de Dezembro de 1994. Faleceu a 8 de Junho de 1998) (Figura 4, já apresentada anteriormente, mas que aqui se repete, para comodidade do leitor).
Figura 4 - Capela de S. Pedro (Nisa) - Fotografia de Temudo Barreto
A capela, derruída em meados do séc. XX, erguia-se no espaço
hoje ocupado pelo Centro Infantil de Nossa Senhora da Graça
da Santa Casa da Misericórdia de Nisa

Mas no concelho viveram e trabalharam outros fotógrafos. Sabemos que se têm feito algumas recolhas de fotografias, nomeadamente para digitalização, mas urge fazer mais por parte do município, pois possui tecnologia adequada para reprodução no caso de lhe não serem doados os originais.
Na Biblioteca Municipal Dr. Motta e Moura, no fundo local há também em arquivo fotografias (algumas da autoria do Prof. Barreto). Estão acessíveis na Internet: http://www.cm-nisa.pt/site_biblioteca/index.html
(continua em 12/17) - José Dinis Murta

17.3.10

OPINIÃO: O ARTESANATO DE NISA E A “VALQUÍRIA”

Foi apresentado no dia 6 de Março, um documentário, na RTP2, sobre a obra de arte denominada “Valquíria – O Enxoval”, que tem como tema principal a peça artística com 16 metros de comprimento construída pela artista plástica Joana Vasconcelos, com rendas, bordados e outros trabalhos de artesãs de Nisa.
O filme mostra a realidade nua e crua de como se destrói a memória de um povo, representado materialmente nas suas peças de artesanato, feitas com tanto carinho, pelas mãos sempre sábias, das artesãs nisenses. Penso que não era esta a ideia que a produção da película, desejava fazer passar, mas como uma imagem vale por mil palavras, e elas aí estão.
Joana Vasconcelos, até pode ser uma grande artista, e terá o seu valor como tal, mas daí a fazer uma obra de arte sobreposta noutra, isso não é nada, nem tão pouco arte, podemos pois chamar-lhe no mínimo destruição e atentado á cultura deste povo. Imaginem por breves minutos, que em vez de Joana Vasconcelos, pegar nas várias peças de artesanato nisense, pegava em vários quadros de pintores famosos e fazia uma enorme bola de trapos, que pensaríamos todos? E os críticos de arte que opinariam? E quem se daria ao trabalho de encomendar e financiar esta loucura? Pois bem, foi isto mesmo que foi feito em Nisa, de uma forma descarada e financiada com dinheiros públicos e encomendada pela própria autarquia.
A “Valquíria”, no meu entender representa: não o enxoval, mas a morte do artesanato de Nisa, uma morte com direito a documentário, como se tratasse de uma lápide, em que escrevemos as últimas e derradeiras palavras ao defunto.
Quanto ao custo da obra nem me vou pronunciar, mas posso-vos dizer que com oitenta mil euros, fazia-se uma campanha de divulgação do nosso artesanato, bem mais eficaz e junto de operadores turísticos com grande capacidade de decisão, para de uma forma mais directa promover esta terra, como “um produto único”, que é Nisa e as suas gentes – terra bordada de encantos.
Os recursos são sempre escassos, mas o artesanato de Nisa, terá que ser encarado como uma solução complementar, para o desenvolvimento sustentável desta terra, e como tal deverá ser abordado de forma clara, por quem de direito, quanto ao seu futuro. Sei que houve, em tempos, uma colaboração com a CENTA – Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas e a Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, talvez seja esta uma das vias, para pensar o futuro do nosso artesanato, e com elas apresentar projectos inovadores e empreendedores nesta área, e todos ficariam certamente a ganhar.
José Leandro Lopes Semedo

12.3.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (10)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 10/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.

Património artístico
Na pintura, Augusto Lopes Pinheiro (22/08/1905-18/10/1994) é figura maior da pintura naif. A sua vasta obra está dispersa por diversos espaços da Biblioteca Municipal Dr. Motta e Moura e da Santa Casa da Misericórdia de Nisa, Casa que tem em projecto (já esteve aprovado) uma galeria para este conceituado pintor. Algumas pinturas estão acessíveis no site desta instituição: http://www.scmnisa.pt/ - galeria – pintura naif de Augusto Pinheiro (Figura 7).

Figura 7 - Pintura de Augusto Pinheiro - 1988.
Está patente ao público na Biblioteca Municipal Dr. Motta e Moura de Nisa

Mas o concelho tem mais pintores. Já se pensou numa galeria, num espaço, onde estivessem representados? E quais são estes pintores? Qual é a biografia de cada um?
Há outras personalidades, além dos pintores, que deveriam ser conhecidas e biografadas. Motta e Moura e mais tarde José Francisco Figueiredo referem-se a algumas figuras ilustres de Nisa. De Amieira, Alpalhão e Montalvão também há obras que versam o tema. Todas se reportam a um passado já longínquo.
Património áudio-visual
Não há inventário do património áudio-visual concelhio, porém existem cassetes vídeo, CD.s, e DVD.s na Biblioteca Municipal de Nisa com interesse cultural relevante para o município. De um futuro inventário deverá constar o material que existe nalgumas associações concelhias.
Património bibliográfico
Na Biblioteca Municipal, na secção denominada fundo local encontram-se algumas obras, livros de referência sobre o concelho, e entre estes de autores do próprio concelho. Alguns estão disponibilizados na Internet em http://www.cm-nisa.pt/site_biblioteca/index.html
A biblioteca que pertenceu ao Dr. Adom Pimentel está em fase de catalogação, porém esta tarefa já está concluída no que diz respeito às obras da autoria do Prof. Cruz Malpique (Manuel da Cruz Malpique, Nisa, 28 de Setembro de 1902Porto, 6 de Setembro de 1992).
Património fonográfico
Também não há inventário do património fonográfico concelhio, porém existem cassetes áudio, CD.s, DVD.s na Biblioteca Municipal de Nisa com interesse cultural relevante para o município. De um futuro inventário deverá constar o material que existe nalgumas associações concelhias.
(continua em 11/17) - José Dinis Murta

DESPORTO: INICIADOS DO NISA FUTSAL CLUBE

Vice-campeões distritais da AFCB
A equipa de iniciados do Nisa Futsal Clube, a competir esta época pela primeira vez, atingiu a final da categoria no campeonato distrital de futsal da Associação de Futebol de Castelo Branco.
Depois de ter terminado a fase inicial do campeonato em 2º lugar, os Iniciados do Nisa Futsal disputaram a final com a ADR do Retaxo, em sistema de play-off sendo apurado o campeão após duas vitórias.
O Nisa Futsal não podia ter começado da melhor forma o play off pois no primeiro jogo, disputado no sábado, em Nisa, venceu a ADR Retaxo por 6 -3.
No segundo jogo da final, o Retaxo levou a melhor sobre o Nisa Futsal, vencendo por 6 – 2 pelo que houve necessidade de recorrer a uma finalíssima. Neste jogo, o Retaxo acabaria por vencer (6 – 4) sagrando-se campeão distrital.
A equipa de Iniciados do Nisa Futsal Clube foi inscrita na AFCB depois de obtida a autorização da AFPortalegre, dado não haver provas a nível do distrito nas chamadas camadas jovens, o que obriga as equipas que têm escalões de formação, a procurar outras associações para poderem dar algumas horas de competição aos seus atletas.
É o caso no nosso distrito da Escola de Futsal do SL Benfica em Sousel, que compete em vários escalões nos distritais de Évora e dos Iniciados do Nisa Futsal Clube no distrital de Castelo Branco.
Daqui se apela à Associação de Futebol de Portalegre para que comece, desde já, a sensibilizar os clubes filiados para esta realidade, visando, a curto prazo, as competições de futsal nos escalões de formação.
Num distrito despovoado como o nosso e com cada vez menos crianças e jovens, o futsal surge como uma boa alternativa para as associações que pretendam dinamizar o desporto sem que para tal seja necessário muitos elementos para formar uma equipa.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre"

11.3.10

OPINIÃO: COISAS DA CORTE DAS AREIAS (5)

Fábula: O falcão peregrino
Em dia impreciso, não recordamos se caía chuva ou brilhava o sol, olhámos o céu e demos por “ele”.
Envolto em auréola, qual Deus, por um momento pairou no espaço, agitando as asas e também o “rabo”, espreitando o chão.
Terá vindo do norte? Ou seria do sul? Bem tratado e emplumado ensaiou poisar. Agradava-lhe o sítio, de largos horizontes e sem concorrência à vista, logo anteviu caça abundante e vai dai, desceu. Era um tempo em que todas as aves falavam e não só os papagaios, assim ninguém na vila estranhou que este falcão, recém-chegado, o fizesse com excessiva vivacidade até, diz quem o ouviu.
Insinuante para os da sua natureza, era um “duro”: estabelecia regras que adorava romper, ainda assim era tolerante porque temido, no fim de contas era um milhafre.
Caprichoso quando voava alto e para longe, nem cuidava dissimular sentimentos emergidos da alma (têm alma os falcões?).
Do crepúsculo ao ocaso, adorava ouvir músicas este falcão peregrino, fossem elas sopradas, cantadas ou dançadas.
De intelecto apertado, este passarão não era dado, antes detestava, voar em grupo. Ao voo elevado, sublime, preferia o rasante, que impunha porque arrogante, incapaz de ser pioneiro, construindo um qualquer ninho, comportava-se como os cucos, sacudindo borda fora os indígenas, semente construtora, aos quais exigia, pasme-se, lhe piassem louvaminhas e pagassem tributo.
Nas suas deambulações pelo território, para poupar energias, tinha por hábito atrelar-se aos comboios já com estes a pleno vapor, não atinando depois com a “estação” certa para descer, viajando incomodado e incomodando.
A um papagaio seu conhecido, ouvimos nós dizer que era agora menos assíduo por aqui, que estará até perdendo o pio, bicadas já quase nenhumas, confessou até sentir-se menos apreciado, embora na mesma adulado.
Estará de regresso às origens? Muita sorte e votos para que conserve por muitos anos a “Plumagem”!
João Francisco Lopes

10.3.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (9)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 9/17

José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.

Foral Manuelino da Vila de Nisa (fólio 1)
- outorgado por D. Manuel I em 15 de Novembro de 1512
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)

Património de bens móveis
Património arquivístico – documental
Sabe onde está instalado o Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Nisa?
O arquivo, em termos físicos, é um espaço onde devem estar devidamente inventariados, organizados, catalogados e preservados em condições de segurança, temperatura e humidade e com fácil acesso e consulta documentos que nos possibilitam conhecer o passado, a nossa história, não só colectiva, mas até, em certa medida, pessoal.
No tocante aos documentos, há anos, desde os anos oitenta do século passado, que estão em organização, inventariação e catalogação. Muito já está feito, mas ainda não acabou. Em finais de 2003 a Câmara Municipal de Nisa aprovou um projecto de instalação do Arquivo Histórico no edifício dos Paços do Concelho (antigo hospital, no espaço do armazém) e aprovou também a candidatura deste projecto e a adesão do município ao PARAM (Programa de Apoio à Rede de Arquivos Municipais), porém decorridos 6 anos nada se concretizou e continua a haver dois espaços com documentação – um na Biblioteca Municipal (onde foi instalado ilegalmente à revelia do executivo camarário, mas onde é possível, ainda que em precárias condições, fazer consultas) e outro, com o grosso dos documentos do séc. XX, que permanece inacessível, no edifício da Cadeia Velha.
Como está a sua conservação?
No Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Gavião há documentos referentes aos extintos concelhos de Amieira e de Vila Flor (Vila Flor foi integrado no de Amieira e este, posteriormente, no do Gavião antes de ser no de Nisa) e no Arquivo Histórico da Câmara Municipal do Crato há documentação referente aos abolidos concelhos de Alpalhão e de Tolosa (estiveram anexados ao do Crato antes de passarem para Nisa). Já se tentou trazer esta documentação para Nisa?
Em Nisa guardam-se documentos da Câmara Municipal do extinto concelho de Gáfete (hoje, freguesia, faz parte do Crato) que poderiam servir de moeda de troca.
E os arquivos históricos das Juntas de Freguesia como se encontram? Sabemos que há documentos a criarem mofo. Felizmente, alguns, com o nosso contributo, já estão em lugar seguro.
Nalguns municípios já se digitalizam e disponibilizam documentos na Internet, mas por cá ainda estamos na inventariação!
Fora da esfera estatal registamos os arquivos das paróquias de Nisa e de Alpalhão e Tolosa e os arquivos das Misericórdias de Alpalhão, Amieira, Arez, Nisa e Montalvão. O arquivo da extinta Misericórdia de Tolosa perdeu-se e desta instituição resta apenas a bandeira.
arquivos privados cujos proprietários facultariam o seu acesso para estudo?
Conhece, já viu o foral manuelino de Nisa?
(continua em 10/17) - José Dinis Murta

8.3.10

NISA: NO RASTO DA MEMÓRIA

Em 1 de Março de 1970 (há 40 anos) o Cine Teatro de Nisa sob a batuta do empresário António Mendes, na realidade, do seu filho José Vilela Mendes, apresentava o filme "7 Contra o Mundo", espectáculo com a classificação etária para "Maiores de 12 anos".
José Vilela Mendes iniciara, três anos antes (1967) a actividade de empresário no Cine Teatro sob o nome do seu pai, por ser funcionário público.
Durante a sua actividade como gerente do Cine Teatro de Nisa, muitos foram os filmes e espectáculos de teatro, revista e musicais que passaram pela velhinha sala do "Nisense", alguns ainda hoje recordados com saudade e nostalgia por muitos cinéfilos.
Recordam-se filmes como "Ben Hur", "A Queda do Império Romano" e outras produções em Cinemascope (70 mm), ocupando todo o écram e que deleitavam os amantes nisenses da "7ª Arte".
Com a concorrência do vídeo, as salas de cinema têm perdido espectadores e actualmente em Nisa, a sala de espectáculos está fechada para obras.
Obras que se prometiam durar o mês de Janeiro, prolongaram-se pelo mês de Fevereiro e em pleno mês de Março ainda não há notícias sobre a reabertura do nosso Cine Teatro.
Até quando permanecerá o "Cinema" fechado?

5.3.10

NISA:Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (8)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 8/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
No tocante ao património militar, como têm sido divulgadas as fortalezas de Amieira, Nisa, Montalvão e Alpalhão e outros vestígios de estruturas militares às Portas de Ródão?
Qual é o destino do antigo e desactivado lavadouro municipal de Nisa? O sistema de cobertura (madeiramento em asnas) deverá ser preservado? (Figura 5)
Figura 5 - Estrutura em madeira (asnas)
cobertura do lavadouro municipal – Nisa
Faltam roteiros urbanos que, passo a passo, ao caminharmos na rua, chamem a atenção/informem acerca do património, que tantas e tantas vezes passa despercebido.
Está, pois, o inventário do património arquitectónico muito incompleto.
Vias e caminhos – património viário – geralmente são esquecidos e por cada ano que passa perdem-se no meio do silvedo e de prédios rústicos de proprietários gananciosos. É um levantamento a fazer a par dos diferentes tipos de muros que os limitam e das inúmeras fontes, que os bordejam (Figura 6).
Figura 6 - Fonte da Bica (Dezembro de 2009)
Margem direita do ribeiro de Santo André ou da Bruceira.
Foi recentemente liberta do silvedo que a escondia
Classificação dos bens imóveis. De acordo com a já mencionada Lei 107/2001 “os bens móveis e imóveis podem ser classificados como de interesse nacional, de interesse público ou de interesse municipal.” (artigo 15, n.º 2). Ver, a propósito, na revista Nisa Viva, n.º 6, de Setembro-Dezembro de 2004, págs. 4/6, os imóveis classificados do concelho (a classificação de bens já era legislada antes de 2001, todavia com outra nomenclatura). Dever-se-á acrescentar: Castelo de Montalvão, Ponte de N.ª Sr.ª da Graça, Sítio de N.ª Sr.ª da Graça/Nisa-a-Velha, Sítio do Conhal que estão em vias de classificação. Os imóveis classificados estão contemplados numa colecção de postais editada em 1992.
No dia 23 de Outubro do corrente ano foi publicado o Decreto-Lei n.º 309/2009 que, entre outras normas, define o procedimento de classificação de bens culturais imóveis.
(continua em 9/17) - José Dinis Murta

2.3.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (7)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 7/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
Património urbanístico e arquitectónico
Parece que, recentemente, no geral, as questões urbanísticas e arquitectónicas entraram no bom caminho, porém não nos podemos esquecer de casos flagrantes que até são exemplos de caos, como seja o da Rua Júlio Basso e da Rua 25 de Abril (Estrada de Alpalhão), em Nisa, e a descaracterização das nossas aldeias das quais Monte Claro é um exemplo flagrante! Ou não é, e antes se pretende harmonizar/contrastar o tradicional e o contemporâneo?
O que pensar da nova capela em Vila Flor de linhas modernistas construída sobre as ruínas da antiga Matriz de S. Bartolomeu onde nem se fez prospecção arqueológica (ou fez-se?) num espaço onde se sepultaram, até cerca de meados do séc. XIX, quer no interior do templo quer no adro adjacente, segundo os costumes, os habitantes de Vila Flor e Albarrol?
Recuperam-se casas deitando abaixo todas as características anteriores, porém a outras, nos mesmos sítios, exige-se o respeito pelo tradicional. Porquê? E fazem-se obras sem o cumprimento de preceitos legais, designadamente na recente recuperação do castelo de Montalvão.
O centro histórico de Nisa como se encontra? Com projecto aprovado há anos aguarda com casas degradadas e em ruínas e sem condições de habitabilidade a sua implementação.
Queremos ou não o centro histórico? Mas como o queremos? Parado no tempo? Habitado e vivo? E como? E com quem?
Há casas bem recuperadas mas também as há que se recuperaram adulterando a traça tradicional. Fios, cabos eléctricos, antenas de TV pululam a olhos vistos
Casas caídas e abandonadas, casas que pertenceram (ou foram simplesmente habitadas) a figuras ilustres não têm uma pequena referência aos seus antigos locatários/inquilinos. A toponímia antiga desapareceu e a actual pouco ou nenhum significado tem localmente, uma Travessa, carregada de significado, passou a rua, Rua de Moçambique, e a Rua de Angola substituiu, no nome, a Rua do Fundo, que realmente é a do fundo da vila murada. Tinha um poço, que, apesar de tapado, deveria ter alguma indicação.
No topo das muralhas crescem árvores, sim árvores, além das ervas.
Existem outros centros urbanos, que, apesar de não estarem classificados de históricos, também carecem de ser olhados atentamente, leia-se recuperados.
Quanto ao património construído no site do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) em http://www.monumentos.pt/Monumentos/forms/002_B.aspx poderá aceder ao inventário de alguns monumentos - arqueológicos de arquitectura funerária e outros de arquitectura recreativa, infra-estrutural, judicial, educativa, de comunicação e transportes, residencial, política e administrativa, jurisdicional, religiosa e militar e um conjunto urbano do concelho.
No site da Câmara - http://www.cm-nisa.pt/nisa_patrimonio.htm - mostra-se uma listagem de alguns dos imóveis/monumentos do concelho, por freguesia.
A Diocese de Portalegre e Castelo Branco vai proceder ao inventário do património religioso que tutela.
Conhece a igreja matriz de Nisa? Em cada uma das capelas há um inventário/descrição de alguns dos bens. Por que não se estende este tipo de informação, valorização, divulgação a outros templos?
Retomando o que foi dito atrás acerca dos bens perderem valor ou virem a ser valorizados, saiba que a comunidade religiosa de Nisa recuperou a abandonada e centenária ermida de S. Lourenço e esta está novamente aberta ao culto; por sua vez, a Associação Nisa Viva tem em curso uma campanha de angariação de fundos para reabilitar a também centenária ermida de Santo André (Nisa), que se encontra em ruínas.
Por outro lado, em meados do século passado a capela de S. Pedro, de características góticas, como a de Santo André, erguida extra-muros da vila de Nisa, foi derruída. Foi um erro, um atentado ao património, dirão, porém não se critique com os saberes de hoje os actos do passado, o conceito de património evoluiu. Quais foram as circunstâncias e as motivações que ditaram a destruição? Muitos outros templos desapareceram ou deixaram raros vestígios (Figura 4).

Figura 4 - Capela de S. Pedro (Nisa) - Fotografia de Temudo Barreto
A capela, derruída em meados do séc. XX, erguia-se no espaço hoje ocupado pelo Centro Infantil de Nossa Senhora da Graça da Santa Casa da Misericórdia de Nisa
Sinais de tragédias, mas também de religiosidade são as cruzes que se ergueram um pouco por todo o território concelhio à beira de caminhos, poços ou cursos de água (Figura 1, já apresentada anteriormente, mas que aqui se repete, para comodidade do leitor.)

Figura 1 - A Cruz do Negro
(depois dos calamitosos incêndios do Verão de 2007. Outubro de 2007)
Esta cruz com 2,5 m (aproximadamente) de altura foi furtada em Fevereiro de 2008
Algum património religioso está musealizado (ver adiante em património museológico).
(continua em 8/17) - José Dinis Murta

NISA: Filme sobre o artesanato nisense estreia na RTP2

Chama-se “ENXOVAL”, o filme documentário sobre o artesanato nisense que vai ter estreia no próximo dia 6 de Março, pelas 21h00, na RTP2.
Estão ainda agendadas outras exibições: 20 e 21 de Março, 10 e 11 de Abril, 8 e 9 de Maio, no Auditório do Museu Colecção Berardo, onde Joana Vasconcelos tem (até 18 de Maio) uma exposição retrospectiva ("Sem Rede").
SINOPSE
A vila alentejana de Nisa convida a artista plástica Joana Vasconcelos a criar uma escultura em colaboração com os artesãos da região.
Como evoluíram as expectativas de Joana Vasconcelos e dos artesãos em relação à peça? Como interagiram ao longo deste processo?
O filme acompanha várias fases do processo de construção da obra, retrata o quotidiano de cinco ateliers onde ainda se borda em regime profissional e reflecte sobre a sui generis tradição do enxoval de Nisa.
Na primeira metade do século XX, a aprendizagem feminina dos bordados fazia-se nas mestras, a partir dos seis anos de idade. Ao longo da infância e adolescência, as raparigas trabalhavam afincadamente na concepção de exuberantes peças do seu enxoval, que era orgulhosamente mostrado e vendido na véspera do casamento. Com o dinheiro da venda destas obras bordadas, a noiva comprava – com os próprios meios – a habitação do casal.
Actualmente, as raparigas já não querem aprender a bordar e as laboriosas técnicas de Nisa arriscam-se a desaparecer. Que impacto terá a “Valquíria Enxoval” na vivência e significado sócio-cultural dos bordados, para o futuro desta vila alentejana?
Ficha Técnica:
Autoria: Kitty Oliveira, Pedro Macedo, Isabel Freire
Realização: Pedro Macedo
Direcção de Produção: Kitty Oliveira
Entrevistas e Guião: Isabel Freire
Imagem: Pedro Macedo
Música: Norberto Lobo
Captação de Som: Olivier Blanc / Filipe Tavares
Mistura de Som: Filipe Tavares
Edição de imagem: Micael Espinha
Motion Design: Pedro Rodrigues
Pós-Produção Vídeo: Rough Cut
Produtora: Framed Films