28.6.14

NISA: 25 de Abril - 40 Anos - Documentos (2)


Dádiva de sangue em Nisa



A segunda visita de 2014, em termos de localidades onde Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – realiza colheitas, teve lugar em Nisa. Foi no primeiro sábado de Verão e no quartel dos Bombeiros, onde surgiram 29 voluntários, entre eles 17 do sexo feminino (58,6%).
Após avaliação dos presentes, em termos do seu estado clínico, alguns não puderam cooperar. Mas sempre se efectuaram 26 dádivas.
Uma mulher doou sangue pela primeira vez.
A Câmara Municipal de Nisa comparticipou o almoço convívio que teve lugar num restaurante local.
António Eustáquio, da ADBSP, constata que as ultimas participações em Nisa foram mais expressiva. E desta vez também se esperava a presença de mais dadores. Os homens, nesta oportunidade, estiveram em minoria. Mas saúda quem compareceu, em especial a dadora estreante.
Mais acções em Julho
A ADBSP leva a efeito as suas acções em sábados entre as 09.00 h e as 13.00 horas.
Destaque para as próximas brigadas a terem lugar: No Centro de Saúde de Castelo de Vide, a 12 de Julho; No Lar de São Salvador da Aramenha, a 19 de Julho.
Esperamos tê-lo como visita activa, nestas ou noutras oportunidades!
JR

27.6.14

NISA: Rancho Típico das Cantarinhas - Efeméride

50 anos a promover as tradições do concelho
O Rancho das Cantarinhas
Onde vai faz sensação
Cumpre bem o seu dever
E tudo gosta de o ver
Rancho do meu coração.
Manuel Carita Pestana – Maio 1966
 Em Junho de 1964, as festas dos santos populares estiveram na génese da criação de um grupo musical e etnográfico que viria a tornar-se num caso sério de sucesso e um dos maiores divulgadores das tradições etnográficas desta "terra bordada de encantos": o Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa.
O seu principal obreiro e dinamizador foi Rodrigues Correia, um nortenho, artista amador de teatro que no início dos anos 60 tinha chegado a Nisa com a família, no roteiro de uma itinerância pelo país.
As Maneirinhas
"Nas marchas de Santo António, véspera da Feira das Cerejas, o ti Dionísio Calhabré e a senhora Teodolinda começaram as cantar as marchas", recorda Maria Dinis Pereira, que anos mais tarde viria a ser ensaiadora do rancho.
"Ela cantava e o ti Dionísio tocava o banjo. Deu-se em juntar muita gente. O senhor Rodrigues Correia, que estava em Nisa há pouco tempo e morava na Rua Direita, ouvi-os e juntou os gaiatos que por ali havia e começou a marchar com eles. O Rancho, a bem dizer, começou com uma marcha. Divulgou-se esta iniciativa e começaram a vir crianças de vários sítios da vila. Aí ele pensou em fazer uma marcha. Com a "Nisa Velhinha" e "A Porta da Vila", que são marchas, é assim que começa o Rancho."
Dinis Pereira ainda se lembra de, na véspera da Feira, à noite, os gaiatos andarem a marchar pelo recinto da feira e de o ti Fantocha, que tinha um botequim, começar a dar massa frita e pirolitos às crianças.
Por ocasião da inauguração da Casa do Povo de Nisa, Rodrigues Correia lembra-se de se apresentar com os miúdos trajados a rigor, no acto solene, presidido pelo ministro Gonçalves Proença. No início, o Rancho chamava-se Rancho Infantil de Nossa Senhora da Graça e manteve este nome quando apareceu o das Cantarinhas. Foi uma grande apresentação e a partir daqui as bases da criação do Rancho adulto estavam lançadas.
"No início não havia músicas, nem letras e muito menos recolha de modas tradicionais, explica Maria Dinis e foi o vizinho, senhor Luís Félix que se encarregou de fazer as músicas e ao Dr. José Gomes Correia ficou a incumbência das letras. Foi assim que nasceram "As maneirinhas", Passinhos da Fonte da Pipa", "Bailarico da Senhora da Graça" , "As brincadeiras da Devesa" e "A moda dos estralos" (popular /antiga)".
Nascia assim, na Rua Direita, numa rua de músicos e quase por um feliz acaso, o embrião de um grupo popular e etnográfico que iria divulgar e projectar o nome de Nisa e das suas cantarinhas pedradas pelo país inteiro, exibindo-se com arte e esplendor nos mais conceituados palcos de festas e festivais para que era convidado.
Em poucos meses e mercê da capacidade dinâmica e organizativa de Rodrigues Correia e de vários músicos que emprestaram generosamente a sua disponibilidade e o seu talento a esta causa bairrista, os Ranchos de Nisa (Nossa Senhora da Graça (infantil) e Típico das Cantarinhas (adulto) granjearam tal fama que se tornou difícil responder a tantas solicitações.
Marca indelével de graça e beleza
Foi tal a projecção do Rancho, num tão curto espaço de tempo, que Abel Monteiro, director do “Correio de Nisa” não resistiu a dedicar-lhe um editorial na primeira edição de 1965 (9 de Janeiro) com o título “Progresso”, do qual respigámos algumas nótulas:
“Nisa pode já hoje orgulhar-se de possuir um rancho típico, agrupamento constituído por gente moça da nossa Terra, que tem agido em várias localidades e é, sem dúvida, uma verdadeira embaixada da Corte das Areias, a difundir arte, costumes e tradições duma vila tipicamente alentejana, onde não faltam heranças estéticas do passado que muito a nobilitam.
Gente de acentuada paixão pela música e pelas práticas coreográficas, sabe com desusada mestria, manter um ritmo perfeito entre a epopeia rude do trabalho campestre e o expandir da sua sensibilidade bem portuguesa; entre o arado que rasga a terra e a melodia dos seus cantares que embala corações.
Este “Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa” leva consigo a impetuosidade de alma às almas de todos os nisenses que vivem longe da sua Terra-Mãe; e já tem feito brotar lágrimas de amor e de saudade. Por toda a parte, onde o Rancho tem exibido as suas danças tradicionais, deixa marca indelével de graça e de beleza.
E, ainda considerado noutro sentido, é uma forma eficiente de cultura popular e de educação cívica.”
Os ecos dos êxitos dos Ranchos de Nisa chegavam a todo o lado e o entusiasmo mantinha-se até nos ensaios, a que assistia muita gente interessada, numa terra que em termos culturais pouco mais tinha que oferecer. O Rancho Típico das Cantarinhas, as suas actuações e o impacto que gerava à sua volta, funcionou também como uma “pedrada no charco” que agitou o marasmo e a indiferença que imperava na vila.
A direcção e organização de Rodrigues Correia, secundada pelo apoio de José Gomes Correia e de Luís do Rosário Matias (Félix) e de músicos como Adolfo Bugalho, no saxofone e José Augusto Cebola, no flautim, garantiram, numa primeira fase, a existência de um grupo cultural e etnográfico com uma qualidade de que todos se orgulhavam, num tempo em que havia dificuldades e falta de apoios, mas em que sobrava a carolice e um espírito bairrista assinalável. Era este “espírito de grupo” ou como alguém lhe chamou, a “alma nisense”, que conseguia pequenos “milagres”, fosse no arranjo ou aquisição de trajes, na cedência e preparação do espaço de ensaio ou ainda na resolução de outros problemas.
Maria Dinis não resiste a contar um episódio que esteve na origem da criação de mais uma moda.
" O senhor Rodrigues Correia viu que as moças escorregavam no sobrado e lembrou-se de pedir aos seus colaboradores (Luís Félix e Gomes Correia) para lhe fazerem uma música em que dançassem descalços. É assim que nasce o estribilho, muito conhecido de: "Ai, ai eu de Nisa sou / Sapatos não tenho, ao balho (baile) não vou".
Outra curiosidade, residia na florinha que ornamentava os sapatos das raparigas.
"Os sapatos tinham uns pompons, umas bolinhas de lã, porque cá em Nisa dizia-se que quando as cachopas calçavam umas galochas, que era do mais barato que havia, as mães punham-lhe essa bolinha para dar mais graça e importância aos sapatos. No Rancho, usavam-se as bolinhas vermelhas porque destacava no sapato preto e combinava com a cinta do traje masculino."
Brilhantismo no Pavilhão dos Desportos de Lisboa

Os primeiros anos de existência do Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa foram anos de grandes êxitos e de intensa actividade. A brilhante actuação no Pavilhão dos Desportos de Lisboa em Julho de 1967 no Festival Nacional de Folclore constituiu, talvez, o ponto mais alto na primeira fase da sua existência. Outras actuações como a da Casa do Alentejo, em Março de 1966 e nas festas populares de S. Pedro (Montijo) ou na Feira de Santiago, em Setúbal, entre muitas outras pelo país, mostraram a popularidade do Rancho e a qualidade dos seus dançarinos e músicos, bem como o trabalho desenvolvido, em autêntico amadorismo e por amor à camisola, a de Nisa.
Os ranchos folclóricos como todas as associações, têm os seus ciclos de vida, mais intensa ou de menor fulgor, conforme os tempos e as circunstâncias. O serviço militar, que mobilizou milhares de jovens ou a procura de melhores condições de vida fora da terra e do país, obrigou o Rancho das Cantarinhas a uma paragem forçada no final dos anos 60. Rodrigues Correia, rumou com a família a outras paragens. Deixou a semente e o fruto, e a vontade de seguir em frente ressurgiu com outros actores, dirigentes, músicos e dançarinos. O nome do Rancho manteve-se, os trajes e as modas também.
Numa terra de músicos, faltavam os instrumentistas, mas acabaram por aparecer, agora com novos instrumentos. As concertinas substituíram o saxofone e o flautim dos primeiros anos do Rancho.
Os tempos são outros. Há ainda carolice, vontade, apoios das autarquias, mas os jovens passaram a ter mil e uma solicitações e “ofertas” de ocupação dos tempos livres. Os ranchos folclóricos como outros grupos, começam a sentir dificuldades no recrutamento de dançarinos ou bailadores.
Nova vida para o Rancho das Cantarinhas
Joaquim Martins Rebelo, actual presidente da direcção do Rancho fala-nos do passado e antevê o futuro deste agrupamento folclórico.
“Estou ligado ao Rancho desde 1978 tendo integrado como tesoureiro a direcção presidida por João Videira Belo e José Luís Palheta Mendes, secretário.
Na altura o Rancho estava parado há alguns anos e resolvemos reactivá-lo, dando resposta a muitos pedidos que foram feitos.
Houve dificuldades mas conseguimos pôr o Rancho de pé, mantendo no essencial o trabalho feito anteriormente.
Em 1986, como presidente da direcção, que integrava António Manuel Bizarro e João Miguéns convidámos a senhora D. Maria Dinis Pereira para ensaiadora e foi por sugestão dela que iniciámos as recolhas etnográficas por todo o concelho de Nisa, com vista a inscrevermo-nos na Federação do Folclore Português, formalidade sem a qual não podíamos participar nem organizar festivais de folclore. Foi um trabalho cansativo mas bastante profícuo que fica para memória futura e com o qual conseguimos o nosso objectivo em 1990. A filiação obrigou-nos, entre outras coisas, a mudarmos, radicalmente, os trajes. O traje antigo, uniforme, composto de saia encarnada e xaile branco bordado, deu origem a um outro, em que sobressai a variedade."
Maria Dinis Pereira lança-se na tarefa de reconstruir o Rancho, como ensaiadora. As marchas e as modas mais antigas, de autores nisenses, vão coexistir com outras que irão aparecer fruto da recolha feita em todo o concelho.
A dinâmica e o entusiasmo levam a direcção a pensar na reactivação de um grupo de antigas tradições e representação original: os Corcovados.
São feitas algumas apresentações na vila de Nisa que suscitam curiosidade e agrado por parte da população. Mas os recursos humanos são escassos e a ideia é abandonada.
Medalha de Mérito Municipal
Actualmente, o Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa é constituído por 12 pares (bailadores) um grupo de instrumentistas e um grupo de divulgação etnográfica, que integra uma ceifeira, lavadeira, mondadeira, azeitoneiro e manajeiro. A ensaiadora é D. Joaquina Bizarro Rebelo, esposa do presidente da direcção.
Fundado em 1964, o Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa foi agraciado pelo Município de Nisa com a Medalha de Mérito Municipal como reconhecimento pelo trabalho desenvolvido na promoção cultural e etnográfica do concelho e região, ao longo de meio século de existência.
“A medalha de Mérito Municipal é uma distinção que muito nos honra e orgulha, dando-nos mais força para continuar”, reconhece Joaquim Rebelo.
“Temos conseguido com empenho e dedicação, manter o grupo em funcionamento, pesem embora as dificuldades sentidas, pois as nossas actuações são gratuitas e é através de intercâmbios com outros grupos que mantemos a actividade. As despesas vão desde o pagamento aos músicos, calçado, trajes e sala para ensaios. Temos um contrato de comodato com a Câmara que nos cedeu instalações no antigo parque de máquinas e aguardamos que haja algumas obras de beneficiação para podermos aí ensaiar.”
Questionado sobre os apoios que o Rancho recebe, Joaquim Rebelo destaca o que é concedido pela Câmara em transportes e alguns subsídios para pagamentos dos instrumentistas e material, bem como o das Juntas de Freguesia da sede do concelho e alguns comerciantes.
Estamos a comemorar 50 anos de existência e quero aqui publicamente agradecer a todos (homens e mulheres) que durante estas décadas fizeram parte do Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa, muitas vezes com grande sacrifício pessoal e familiar.
Agradeço também a todas as entidades que ao longo destes 50 anos ajudaram a manter e a dinamizar este projecto cultural, que procurou desde a primeira hora, engrandecer e levantar mais alto o nome de Nisa, das suas gentes e tradições.”
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 25/6/2014

MÚSICA: Rota dos Coretos do Norte Alentejano 2014


25.6.14

RANCHO DAS CANTARINHAS: Ecos de Meio Século de Vida (1)

Milagre!
O espectáculo que o Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa nos ofereceu na noite da quinta-feira passada, apesar de todas as reservas que sempre pomos quanto a actuações de amadores, e demais crianças, não constituiu para nós verdadeira surpresa.
Contávamos com a vitória de um trabalho honesto e concebido para progresso e elevação mental desta notável Vila.
É caso para dizer, parafraseando o grande António Vieira, que o Sr. Rodrigues Correia, com a sua dignidade e a sua arte, foi buscar à montanha a rocha adusta; desbastou, corrigiu, aperfeiçoou, aqui usa o escopro, além o cinzel; aqui marcou um sorriso, além uma gentileza; e, por todo o roble espalhou prodigamente vida e beldade. Logrou almas e corpos e modelarmente fez surgir uma alma colectiva que é a alma do seu Rancho, o Rancho das Cantarinhas de Nisa.
O espectáculo decorreu célere e bem nos pareceu que foi momento rápido, de fugida, tal o encanto, ternura e a beleza dos bons sentimentos que se evolou em todo o ambiente da sala, perante a numerosa assistência que o aplaudiu.
Por outro lado, as peças apresentadas foram prova segura duma técnica que bastante completa se revelou; e foi pena, muito lamentável, que uma parte do público não tivesse sabido interpretar vários passos da primeira peça, rindo, quando devia calar, farfalhando, quando devia abortar a traição dos soluços.
Rodrigues Correia tem mostrado até aqui – e esperamos que o continue a demonstrar no futuro – que é merecedor dos nossos aplausos, do nosso carinho, do nosso amparo. E, sendo assim, ele e sua digna família, cujo trabalho de execução foi de mérito, tornar-se-ão credores dos nossos agradecimentos, e do reconhecimento de todos os nisenses.
E nós cá estamos para defender a sua obra, a obra dum artista e dum incansável lutador.
“Correio de Nisa” – 23/1/1965

24.6.14

NISA: Presidente da Câmara contesta encerramento das escolas de Alpalhão e Tolosa

NOTA DA PRESIDÊNCIA
"Foi com perplexidade que tomamos conhecimento da inclusão das Escolas de Alpalhão e Tolosa na listagem de Escolas do 1º Ciclo a encerrar no concelho de Nisa.
Todas as reuniões de trabalho realizadas entre a Delegação Regional de Educação do Alentejo e o Município de Nisa tiveram como pressuposto a manutenção, pelo menos durante o ano letivo 2014/2015, das Escolas do 1º Ciclo nas freguesias de Alpalhão e Tolosa. Aliás, a obra do Centro Escolar de Nisa não se encontra ainda concluída e os concursos públicos para a empreitada dos respetivos Arranjos Exteriores bem como para o Fornecimento do Material Informático, Escolar e Didático encontram-se ainda a decorrer, sendo impossível que no início no novo ano letivo o Centro Escolar esteja em condições de funcionar na sua plenitude.
Acresce referir que em Alpalhão foi realizado investimento municipal na ordem de 1 milhão de euros num Centro Cultural Polivalente de apoio à escola, dotado de equipamento de cozinha, refeitório e espaços multiusos sendo certo que o número de alunos se mantém equivalente ao do ano letivo que ora terminou (35 alunos), e em Tolosa estão neste momento matriculadas 23 crianças.
As escolas constituem importantes elementos identitários das comunidades e a expressão de proximidade do último reduto dos serviços públicos nas freguesias rurais. Entendemos que encerrar escolas que asseguram as condições lúdico-pedagógicas é um caminho errado na reorganização da Rede Escolar, por isso, contestamos a intenção de encerramento das Escolas de Tolosa e de Alpalhão."
Nisa, 24 de junho de 2014
A Presidente da Câmara Municipal de Nisa,
(Maria Idalina Alves Trindade)

Alpalhão e Tolosa na lista das escolas que o governo quer encerrar

COMUNICADO DA FENPROF
A Esperança em Portalegre é a primeira a morrer
O Ministério da Educação e da Ciência divulgou a lista de Escolas do 1ºCiclo do Ensino Básico que pretende encerrar este verão. No caso de Portalegre é de um interioricídio de que se trata, é do homicídio do interior do país.
A confirmar-se este cenário serão comunidades inteiras que ficarão privadas de mais um serviço público. É também o fim de vários postos de trabalho num interior já fustigado pelo desemprego. Em vários municípios significa o fim da única ou das últimas escolas em meio rural, ficando só a escola da sede do concelho. Nalgumas localidades é a escola que mantém os avós ativos, pois têm a tarefa de acompanhar os netos à escola e apoiar nas refeições ou em situação de doença repentina. Se a criança adoece tem familiares por perto e não está entregue a estranhos a quilómetros de distância. Com o encerramento das escolas os idosos ficam desocupados e deixam de se sentir úteis.
A par do encerramento de Centros de Saúde, de Postos Médicos, de Postos dos Correios, de Postos da Guarda Nacional Republicana, de serviços de Finanças, de Tribunais, de Juntas de Freguesias, das Estações e Apeadeiros de Caminhos-de-ferro e de inúmeras empresas é a vez de fecharem mais 12 escolas no distrito.
O Ministro mente
Quando o Ministro da Educação diz que fazem isso pelas crianças, que as crianças vão ficar melhor, pois em vez de ficarem em turmas mistas, de vários anos em cada sala, as crianças iriam ficar em turmas homogéneas, com um só ano por sala, sabe que não é verdade: basta ver que em escolas grandes, como na EB1 do Atalaião ou na EB 1 dos Assentos, em Portalegre, há várias turmas mistas impostas pelo Ministério às escolas, de que os pais e os professores só souberam no primeiro dia de aulas.
Os alunos e os pais irão ficar pior servidos, pois para além de as crianças terem de ser transportadas a vários quilómetros, em muitas localidades os pais não têm transportes públicos para irem reunir e falar com os professores. As comunidades sem escola ficam desfavorecidas.
Algumas das escolas a fechar têm mais de 21 alunos
O «número mágico» para fechar escolas já foi de 10 alunos, agora dizem que é de 21. Mas cada escola é um caso, e há escolas que eventualmente com menos alunos tenham de ser manter abertas e outras escolas com mais alunos, mas com alternativas tenham de fechar.
As comunidades, os pais, os professores, as freguesias e as autarquias têm de ter uma palavra a dizer e não podem ser confrontadas com uma imposição sem diálogo.
Escolas com as de Tolosa ou Alpalhão, com mais de 21 alunos, que nem faziam parte da lista inicial de escolas a fechar, confrontam-se com a possibilidade de fechar portas.
Lista de escolas que o MEC o pretende fechar em Portalegre:
O SPZS/FENPROF não baixa os braços
O Sindicato dos Professores da Zona Sul, membro da Federação Nacional dos Professores, tem andado em contactos por todo o distrito com Associações de Pais, Autarquias, Professores e com as Comunidades para que não se baixem os braços.
O SPZS continua empenhado em colaborar para a resolução destes problemas e está disponível para participar em todas as formas de luta que se entendam necessárias. Nesse sentido está disponível para participar em manifestações em Évora, frente à DGEST, tal como já foi declarado por várias entidades.
A Direção Distrital do SPZS/FENPROF,
Portalegre, 23 de Junho de 2014

1964-2014: Rancho das Cantarinhas de Nisa - 50 Anos



Marcha das Cantarinhas
 O Rancho das Cantarinhas
É um rancho muito alegre;
Há nele rapariguinhas
Que são as mais bonitinhas
Das terras de Portalegre.

Sempre que saem á rua
Tudo fica encantado.
Com seus trajes multicolores
Algumas com seus amores
Deixam tudo enfeitiçado.

As bem formosas nisenses
Actuam pelo país.
Com as suas cantarinhas
Tudo se sente feliz.

E elas lá vão andando
Com o povo que as rodeia
Ouvindo de quando em quando
Oportuna explicação
Do bom Rodrigues Correia.

Todos são muito engraçados
Tudo já gosta de os ver
“As Cantarinhas de Nisa”
Com quem tudo simpatiza
Acreditem, podem crer.

O seu grande ensaiador
Que segue boa divisa
Se lhe entrega com amor
E bem merece o valor
Dos habitantes de Nisa.

Senhor Rodrigues Correia
Vai o Rancho acompanhar,
É o seu ensaiador
Ao Rancho tem muito amor
Nunca o pode abandonar.

O Rancho das Cantarinhas
Onde vai faz sensação
Cumpre bem o seu dever
E tudo gosta de o ver
Rancho do meu coração.
Manuel Carita Pestana – “Correio de Nisa” – 4/5/1966 

23.6.14

OPINIÃO: Solstício de Verão

São muitos os que ainda acreditam no poder divino do deus sol e na sua força cósmica, aliada a um lado místico e sobrenatural, que lhe advém, em certa medida, das lendas e dos mitos criados e contadas pelos antepassados perdidos num tempo, em que o tempo era rei.
Reza a lenda, que era na noite do solstício de verão, que a magia andava perdida pela imensidão dos campos floridos, contando com presença de muitas fadas e gnomos, seres oriundos de um mundo longínquo, belo e fantástico, os quais tinham como principal função nessa noite, distribuir pelas diversas ervas medicinais, os verdadeiros poderes mágicos da cura de muitos males.
A posição do sol marca no tempo a nossa posição em relação à vida, a uma vida cada vez mais ausente de valores, a uma vida marcadamente desigual entre seres da mesma espécie, enfim, a uma vida sem a parte fantástica do conto das fadas.
O mundo desigual que vos falo, é o mesmo que está presente no livro de Thomas Piketty, em Capital do Século XXI (edição inglesa) – bestseller nos Estados Unidos, com mais de 100 mil cópias vendidas em 2014, e que nos refere, após um estudo académico de mais de 15 anos, sobre a distribuição da riqueza e do rendimento no mundo nos últimos 300 anos, com dados, gráficos e tabelas, que um por cento da população mundial – cerca de 45 milhões de pessoas, possui mais de 50% da riqueza do planeta.
Perante a confirmação destes dados, ficamos com o olhar turvo, como que querendo contemplar uma outra realidade, a onde o sol quando nasce é para todos, mas mais para uns do que para outros.
É na construção dessa mesma realidade falsa e ilusória, que depositam as nossas esperanças, numa sociedade especulativa, sem ética e fortemente capitalista, em que os mais pobres têm que suportar os mais ricos, prova disso mesmo é a atual crise financeira em que estamos fortemente embrulhados. Salvam-se os bancos, mas afundam-se as famílias.
Enquanto no hemisfério norte se festeja a chegada do verão, olhando para os céus e agradecendo ao deus sol o alívio das políticas de austeridade, no hemisfério sul, com o aproximar do Inverno, olha-se para um campeonato ou “Copa” do mundo de futebol e somos presenteados com os protestos de pobres contra um mundial de ricos.
Sinal dos tempos, e o que pode fazer a diminuição das desigualdades é isto! O cidadão comum, a partir do momento que passa a ter acesso a um conjunto de bens e serviços aos quais lhe estavam vetados, por imposição económica, tem mais poder de decisão e passa a ter mais voz.
Por isso, o tempo das grandes amplitudes da desigualdade tem que chegar ao término, alterando as severas políticas neoliberais dos barões da alta finança, senão um dia corremos o risco de ficarmos sem sol! E sem solstício de verão!
JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO

22.6.14

"Contos Montesinhos" vão ser apresentados em Vila Velha de Ródão

O livro "Contos Montesinhos" da autoria de Joaquim Marques, vai ser apresentado em Vila Velha de Ródão, no próximo sábado, dia 28, por ocasião da Feira dos Sabores do Tejo.
A apresentação irá decorrer na Biblioteca Municipal, a partir das 20,30h, numa sessão que conta com a presença do autor e que será ainda aproveitada para a apresentação dos nºs 7 e 8 da revista Açafa Online, publicação da Associação de Estudos do Alto Tejo.

NISA: 40 anos do 25 de Abril - Documento (1)


20.6.14

NISA: Festa dos 50 anos do Rancho das Cantarinhas


PORTALEGRE: Bloco de Esquerda contra o Encerramento de Escolas

COMUNICADO
"O governo PSD/CDS quer avançar novamente para mais encerramentos de Escolas, indo para além do estipulado (regra dos 21 alunos mínimo). Depois de, ter encerrado estações de CTT, valências na área da saúde, postos da G.N.R. e com as repartições de finanças na mira, pretende agora prejudicar as crianças do nosso Concelho, colocando o ónus na decisão camarária.
No dia 18 de Junho de 2014 em Portalegre, a Câmara Municipal de Portalegre comunicou a sua oposição ao encerramento de escolas. Pais, associações de pais, sindicalistas, professores, autarcas e representantes de partidos políticos, marcaram presença na manifestação de protesto contra o encerramento de Escolas no Concelho de Portalegre.
Estão em causa as Escolas de Alagoa, Alegrete e de Vale de Cavalos que a fechar, iriam prejudicar gravemente estas populações e em especial as suas crianças, as quais seriam obrigadas a desgastantes deslocações, representando isso mais gastos e perda de qualidade no ensino.
Não estamos perante reforma nenhuma e todas as entidades presentes, se manifestaram contra, pelo que, o Bloco de Esquerda considera que o Ministério da Educação não tem legitimidade para encerrar estas Escolas. Estamos perante uma medida meramente economicista à margem de uma verdadeira reorganização escolar e com impactos bastante negativos.
Numa altura em que se fala de coesão nacional, desertificação e envelhecimento da população, as palavras têm que fazer sentido com a realidade e o Governo, no lugar de esvaziar o interior, deve, ao contrário, promover medidas de descriminação positiva para inverter o processo destrutivo que assola o Alto Alentejo.
O Bloco de Esquerda apela a todas as forças políticas, instituições, associações, sindicatos, população e autarcas que se unam contra estas medidas. Devemos estar todos unidos na defesa da população, no acesso à Educação e não permitir que destruam mais o nosso Concelho."
A Coordenadora Concelhia de Portalegre do Bloco de Esquerda
Portalegre, 19 de Junho de 2014

OPINIÃO: A propósito de duas homenagens

 Nossa Senhora da Graça induz uma tónica nova na introdução às festas de Nisa deste ano, lembrando o papel primordial das pessoas, e inspirando uma natural homenagem  a dois seres, duas figuras que ultrapassaram o simples lugar comum, e com valor extra serviram a sua terra de forma que justifica grato reconhecimento público, e são exemplo para nós.
1. FERNANDO EDUARDO CARITA
A Câmara de Nisa (com a presidente da Câmara actual… as suas importantíssimas palavras…e o ilustríssimo Presidente da Assembleia Municipal rendem-lhe homenagem.
Apesar da doença (“O poeta é um fingidor que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”, como em outro Fernando, Pessoa), uma elevação excepcional como pessoa, um professor que deixa marcas de grande afecto nos alunos, nos colegas, nos amigos…nos pais, nos irmãos, uma dor… apenas pela ausência física, tantas vezes que falei com o senhor professor…via-lhe sempre, desde há anos, essa dor, mas como que sublimando ainda mais a sua crescente adoração pelo elevadíssimo valor intelectual, emocional, poético do filho…
Perante a doença que o persegue responde de forma superior…
Força espiritual que pessoalmente compreendo: seus pais e avós, quer maternos, quer paternos, faziam o exemplo, deixam-nos esta compreensão…
Nunca esqueceu por certo os ensinamentos de sua querida avó Guiomar, uma senhora cujo bem-querer chegava para todos… a sua extrema bondade.
Fernando, um intelecto superior, uma poesia que adentra um nível superior que fica connosco, para a aprofundarmos.
Apenas como disse de si alguém, retratando-lhe a alma:
“Vens do Altíssimo, Fernando
Por Ti rezo uma prece
Por Ti só por Ti
Por Ti rezo muitas preces
Por ti muitas preces
Por Ti.

Por Ti rezo uma prece com os Teus lábios
Uma única prece com os meus lábios
Uma única prece com os lábios

Meu Anjo que me foste anunciado numa noite
…………………………………………………….
………………………………………………..
-------------------------------------------------
Eu por Ti dava a minha vida, por Ti dava a minha vida
Meu anjo por Ti, dava toda a minha vida.

Meu Anjo que vens do Altíssimo, meu anjo que me beijas
Meu Anjo que vens do Altíssimo e me beijas e me beijas
Vens do Altíssimo.
…………………………….
Meu Anjo
Eu quero estar contigo no Céu
…………………………………………….
Meu Anjo
………………………………..
Quero estar contigo na terra e no Céu
Na Terra e no Céu

Meu Anjo tão terno que me beijas todas as noites meu Anjo  
Meu Amor
………………………………………………………………………
E nunca na terra se viu um Amor assim
E nunca na terra se viu um Amor assim
……………………………………………………
És um Anjo do Céu
Meu Amor
Todos os dias e todas as noites eu digo-Te é divino este Amor
Todas as noites todas as noites
Todas as noites
Todas as noites
Todas as noites
Meu Amor
Meu Amor
………………………………………….
Meu Amor, em quantas noites tivemos de estar separados
Para estarmos um com o outro
Meu Amor vem comigo esta noite
……………………………………..
Meu Amor Meu Amor”
Estas palavras de uma alma gémea do Fernando, a quem Tu, Senhora da Graça segues com a Tua Graça, pintam ainda de oiro mais fino o riquíssimo universo espiritual de Nisa.
Com a Tua Graça, Senhora da Graça, presença permanente (também não damos pela Tua Presença constante?), disfarçámos a injustiça de não termos admirado tal ser, tal  Figura que honra a Nossa Terra, neste  Universo periespitual que que Tu Senhora da Graça não descuras, Nossa Padroeira  que proteges  milagrosamente a Nossa Terra, num aparente não existir mas que atravessa todo o Tempo, numa incessante escolha da melhor parte …
Não é pois justa esta homenagem, Senhora da Graça? A que estás associada?
Não estive por razões de saúde, reitero o meu maior agradecimento, comovido, aos Senhores, à Senhora Presidente da Câmara Municipal (num crescendo de empatia com a nossa gente ao que me dizem) e da Assembleia Municipal, extensivo à oportunidade do lançamento do livro do também homenageado:
2- JOÃO FRANCISCO LOPES (o nosso João Francisco).
È enorme a admiração que tenho pelo João Francisco. É para mim e para muitos um exemplo de trabalho cívico.
Estará para toda a vida ligado ao grande Sport Nisa e Benfica dos bons velhos tempos.
Sempre aprendi com ele.
Vi-o em conversas pluridisciplinares surpreender muitos com a maneira como recolhia o essencial e a maneira ágil como mentalmente organizava a crítica ou a defesa, um equilíbrio notável.
Jamais o vi dividir, antes compreender, opinar com subtileza.
Meteu-se em cruzadas difíceis, esteve sempre à altura das circunstâncias.
Sei de factos de uma ajuda desinteressada, ter vergonha de se por em bicos de pés, mesmo sabendo, seria como aquele menino que perguntado se sabe, ele sabe, porventura humilde e envergonhado em saber.
Porventura, o João Francisco no convívio que teve com os seus padrinhos foi determinante.
Lembro muito o seu padrinho que era um gentleman, e entendo que as melhores pessoas que conheci na minha terra eram pessoas como o seu padrinho.
Foram os companheiros de meu pai, semelhantes ao seu padrinho, que rodeando-me me consolaram perante a grande dor da sua partida... perder o meu melhor amigo.
Compreendo o João Francisco que soube colher o melhor da nossa gente, e este livro reflecte um trabalho que só por amor se pode explicar.
Este livro é um trabalho interessantíssimo.
E o curioso é que a Senhora da Graça se serve dele para concomitantemente o perfilar como guarda de honra na homenagem ao nisense anterior.
Direi, sem qualquer receio de errar que os seus nomes, os dos dois homenageados honram Nisa e são razão da maior alegria por ver os seus nomes, as suas figuras relevadas pelos seus valiosos contributos.
Sei ainda que o João Francisco representa também um grupo de gente a quem respeitamos desde pequenos e a quem muito devemos.
O João Francisco autor? Como nos outros aspectos da vida ele é suficientemente inteligente e organizado para servir a nossa terra, o que continuará a fazer como sempre fez: bem.
O lançamento desta obra merece todos os louvores, cria um sentimento de crescimento e é o reconhecimento e o reposicionamento devido a uma grande figura da nossa terra.
João Castanho

17.6.14

NISA: Marchas populares brilharam nas festas de Santo António





Realizaram-se em Nisa, durante três dias, os festejos populares em honra de Santo António, numa organização da respectiva Associação dos Amigos.
A festa teve início na sexta-feira, dia 13, com a procissão da Igreja do Espírito Santo até à Ermida de Santo António, onde teve lugar uma missa solene.
Na sexta-feira, sábado e domingo, a música e a animação encheram de cor e movimento o Largo da Fonte da Cruz, uma animação que teve o seu ponto alto com o desfile das Marchas Populares, desde a Praça da República até ao recinto das festas, seguida de estrondosa actuação dos cerca de oitenta marchantes que trouxeram para as ruas a alegria das canções antigas de Nisa e desfilaram com os originais trajes, de uma beleza ímpar.
O tempo ajudou à festa e esta redundou numa iniciativa de grande êxito.