28.1.15

MONTALVÃO: Presidente da Junta demite-se



A notícia é da edição desta semana do jornal "Alto Alentejo" e nela se dá conta da demissão de Francisco Almeida, presidente da Junta de Freguesia de Montalvão, eleito pela CDU.
De acordo com a informação veiculada pelo semanário, Francisco Almeida justificou a demissão alegando motivos familiares e de saúde.
O autarca já havia presidido ao executivo da Freguesia de Montalvão em anterior mandato, eleito pelo PS.

Designer dinamarquês Niels Fischer morreu, aos 78 anos, em Setúbal

 O designer dinamarquês Niels Fischer, radicado em Portugal desde a década de 1970, morreu no sábado aos 78 anos no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, onde estava internado há cerca de dois meses.
Niels Fischer, que em 2012 foi distinguido pela Câmara Municipal de Setúbal com a Medalha da Cidade, onde passou a residir no verão de 2013, divulgou a obra de Hans Christian Andersen em todo o território português, através de exposições baseadas nos contos do autor dinamarquês, financiadas pelo próprio em colaboração com os serviços culturais de várias câmaras municipais.
Através do Montepio Geral, colaborou com a UNICEF, Ministério da Saúde, Casa Pia, várias associações e Universidade Popular de Setúbal Bento de Jesus Caraça. Alguns dos seus trabalhos estão expostos em permanência em painéis instalados na placa central da Avenida Luísa Todi, em Setúbal, em frente ao Fórum Municipal.
O corpo de Niels Fischer, viúvo da pintora portuguesa Maria Amélia dos Santos Ribeiro, com a qual casou na Dinamarca, antes de se mudar para Portugal, vai estar em câmara ardente no Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, das 11:00 às 20:00 de segunda-feira e das 09:00 às 17:00 de terça-feira, dia durante o qual lhe vai ser prestada uma homenagem por parte de várias instituições com que colaborou.
Lusa 25 Jan, 2015
Hans Christian Andersen - Exposição / Exhibition
HANS CHRISTIAN ANDERSEN (1805 - 1875) foi um escritor e poeta de histórias infantis, nascido na atual Dinamarca. Escreveu peças de teatro, canções patrióticas, contos, histórias, e, principalmente, contos de fadas, pelos quais é mundialmente conhecido. A exposição itinerante "Hans Christian Andersen" percorre2014 a exposição está patente na Galeria de Exposições "Armazém das Artes", em Alcobaça. Esta exposição é uma iniciativa de Niels Fischer - ideia, design, produção,
Portugal desde 2005, e conta já com mais de 50 edições. Até 2015 deverá ter passado por 57 localidades. De 31 de maio a 3 de agosto deorganização e financiamento - e tem como objetivo único a divulgação da obra do escritor dinamarquês, na sua forma original, generosa e sem fins lucrativos. Na exposição encontram-se quadros, livros e esculturas, bem como tapeçarias inspiradas nos contos de Hans Christian Andersen, elaboradas por utentes de instituições de todo o País.
A exposição esteve em Nisa, por iniciativa de Niels Fischer a que deram a sua adesão os municípios de Nisa, Gavião e Vila Velha de Ródão. No concelho a exposição esteve patente na Biblioteca Municipal, Cine Teatro e Centro Cultural de Alpalhão, espaços culturais que passaram a mostrar, como ainda hoje se pode observar, as ilustrações de Fischer dedicadas às obras de Andersen, sendo, talvez a mais visível e ilustrativa, aquela que se encontra na Praça da República junto à Biblioteca Municipal.
Como Niels Fischer viu e sentiu o Casal Popular da Damaia
No mês de Outubro de 2010, convidámos Niels Fischer a visitar o Casal Popular. Mostrámos-lhe a Associação, os espaços, as actividades…

Pedimos ao designer que nos fizesse um “boneco”, uma imagem que pudesse simbolizar o Casal Popular da Damaia, para a podermos usar como logótipo da Associação.
Com um sorriso misterioso, aceitou o desafio e, passado uma semana, apresentou-nos, um projecto, acompanhado de um texto, que nos levou à comoção. De facto, o génio de Niels Fischer traduziu numa imagem aparentemente simples, toda a dimensão do Casal Popular: a pessoa humana na sua diversidade a dominar as atenções, envolta numa nuvem de sonho e poesia, que são as diversas actividades da Associação.

27.1.15

POLÍTICA: Luís Moreira Testa e Sandra Cardoso reuniram com a Ordem dos Médicos

"A Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista quer mudar a tendência de degradação dos serviços de saúde na região e sustenta que é preciso voltar a investir no Serviço Nacional de Saúde para garantir os cuidados de que as pessoas necessitam. No âmbito de uma acção nacional desenvolvida pelo Grupo Parlamentar do PS, o Presidente da Federação Distrital do PS, Luís Moreira Testa, e a deputada do PS pelo Círculo Eleitoral do distrito, Sandra Cardoso, reuniram-se com o Presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Médicos, Jaime Azedo.
 Este encontro foi uma das acções do Federação Distrital do PS Portalegre para perceber com mais precisão quais as reais necessidades do sistema de saúde público no distrito e a conclusão é simples. É necessário apostar numa melhor organização, criar infraestruturas e dotar as equipas de mais recursos humanos para fazer face às necessidades das populações.
 “Quisemos auscultar o verdadeiro estado do Serviço Nacional de Saúde e a conclusão a que chegamos é óbvia. O ministério não dá as respostas necessárias às populações”, afirmou o responsável distrital do PS, Luís Moreira Testa. “É preciso inverter rapidamente o ciclo a que assistimos. Temos uma resposta menos qualificada, menos organização, menos investimento. O país precisa de mais cuidado com o Serviço Nacional de Saúde, porque essa é a resposta pela qual as pessoas mais anseiam. Para nós é óbvio que é necessário dotar os equipamentos de saúde do distrito de Portalegre de mais condições físicas e humanas”, sublinhou.
Sandra Cardoso, deputada do PS por Portalegre na Assembleia da República, realçou, por sua vez, a necessidade de ouvir as várias organizações ligadas à Saúde em Portugal. “Tive o cuidado de tentar obter um diagnóstico, uma informação precisa e fundamentada sobre o estado da Saúde no distrito de Portalegre”, explicou.
 A reunião realizou-se nas instalações do Conselho Distrital de Portalegre da Ordem dos Médicos. Uma das preocupações transmitida pelo presidente da organização, Jaime Azedo, é a sobrelotação dos serviços, em especial das urgências do Hospital de Portalegre. “O serviço de urgência medico-cirúrgica do Hospital de Portalegre está permanentemente sobrelotado”, afirmou.

 O Partido Socialista, em particular a Federação Distrital de Portalegre, vai continuar este trabalho de proximidade junto da sociedade civil para encontrar as melhores respostas e soluções em busca da melhoria da qualidade de vida das populações."
Federação Distrital de Portalegre do PS

26.1.15

PERDIDOS & ACHADOS: Esplendor do Episcopado

Regressamos a 1953, através de um filme. Há 60 anos, a diocese de Portalegre/Castelo Branco recebia um novo bispo e o momento foi registado. A SIC seguiu agora o mesmo roteiro e revê um país marcado pelas desigualdades sociais, com uma vida religiosa e económica que entretanto se perdeu.

OPINIÃO: O Peso da estação




Dois anos e meio depois do encerramento do ramal de Cáceres, uma das ferrovias portuguesas construída em bitola ibérica, na distância de 72,4 Km, ligando a estação da Torre das Vargens a Marvão-Beirã, volta a ser notícia no site da REFER, na secção REFER-Património, dando assim início à venda do espólio ainda existente desta linha centenária. Estamos a falar da venda da estação de Caminhos de Ferro de Vale do peso, inaugurada no longínquo ano de 1880, associada ao valiosíssimo património do nosso Alto Alentejo.
Não conheço pessoalmente a estação que está à venda, mas após uma pequena pesquisa, fiquei a saber um pouco mais sobre a sua beleza arquitetónica, mais precisamente dos seus belos painéis de azulejos estampados nas suas paredes pintadas de cal, alusivos em grande parte ao concelho de Nisa, uma homenagem muito elegante, a esta gente da “terra bordada de encantos”, a uma terra que não teve caminhos-de-ferro, mas que tem outro património, e esse está lá representado nas paredes da estação de Vale do Peso.
Fiquei com o desejo de conhecer esta estação, ver os seus painéis, tal como outrora, talvez tenha reparado o Rei D. Luís I, quando por ela passou a caminho de Valência de Alcântara, em 1881, para a festa de inauguração desta mesma linha de caminho-de-ferro.
A Refer, proprietária da estação, pretende vende-la, não necessita mais deste imóvel, é um peso enorme para a sua administração, mas provavelmente não irá usufruir de valor pecuniário elevado que a satisfaça, portanto, o que se sugiro é que a Câmara do Crato e a Câmara de Nisa, entrem em contacto com a administração da Refer-Património e façam uma proposta, para ficar com o imóvel em regime de comodato durante um período, com opção de compra. Por exemplo a instalação de um pólo cultural, porque não?
O curioso é que a mesma REFER, que em 2014, foi distinguida com o prestigiado prémio Brunel, um dos mais prestigiados prémios de arquitetura, engenharia e design ferroviário internacionais, pelo seu projeto de reabilitação dos painéis de azulejo da Estação de Porto – São Bento, seja a mesma que pretende vender uma estação, no interior do Alentejo profundo, com tão belas pinturas em azulejo.
Enfim, é o peso de uma estação, que deixou de ter vida…
 JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO

25.1.15

MÚSICA: Federação de Bandas com novos corpos sociais

A FBFDP – Federação das Bandas Filarmónicas do Distrito de Portalegre reuniu em Assembleia-geral no domingo, 18 de janeiro, no Auditório do Centro de Artes de Ponte de Sor, gentilmente cedido pelo município local.
A assembleia contou com a presença da maioria das filiadas e para além da eleição dos corpos sociais para o triénio 2015/17, aprovou o relatório de contas e o da atividade de 2014 assim como o Plano de Atividades para 2015. Para além destes documentos, foi aprovada por unanimidade a entrada da Banda dos Bombeiros Voluntários de Sousel como filiada.

A direção não irá sofrer alterações. O mesmo não se poderá dizer da Assembleia-geral onde Martinho Dimas cede o seu lugar a Francisco Rabaça Madeira (Alter). O cessante presidente da Assembleia, Martinho Dimas, foi o único a ocupar esse cargo desde a fundação da Federação, em 1999, e foi um dos seus principais, senão mesmo, o pai desta estrutura. O momento de transição do cargo foi emocionante. Martinho Dimas, depois de ter deixado o cargo de Animador Cultural da Fundação INATEL há alguns anos, deixa agora mais uma função, por motivos de saúde. Como o próprio informou, também irá deixar brevemente a nossa congénere dos Folcloristas.
A Federação de Bandas agradece penhoradamente a atuação do seu Presidente da Assembleia-geral ao longo de todos estes anos. O mesmo foi sempre muito ponderado, crítico (no bom sentido), exigente, prestável e, acima de tudo, cumpridor. Em toda a sua atividade nunca cobrou um cêntimo, pelo contrário, deslocava-se a expensas próprias e nunca apresentou despesas para o material inerente às suas funções.
Eis a lista dos eleitos, por filiadas:
ASSEMBLEIA-GERAL
Presidente: Banda Municipal Alterense – Prof. Francisco Manuel Rabaça Madeira
1º Secretário: Filarmónica do Crato – Filipe Lopes da Conceição
2º Secretário: Banda 14 de Janeiro (Elvas) – Enfº. Luís Filipe Rosa Brazão
DIRECÇÃO
Presidente: Filarmónica do Crato – Prof. Miguel Romão Caldeira Baptista
Vice-Presidente: CCD da Banda Juvenil do Município do Gavião – Prof. Paulo Manuel Alfaiate Pires
Secretário: Sociedade Filarmónica Galveense - Carlos Manuel Casaca Valente
Tesoureiro: Associação Recreio Musical 1º de Dezembro (Campo Maior) - Manuel Francisco Grilo Paixão
Vogal: Sociedade Musical Nisense - João Manuel Palheta Maia
CONSELHO FISCAL
Presidente: Associação Recreio Musical 1º de Dezembro (Campo Maior) - João Valentim Rosinha Almeida
Secretário: Sociedade Filarmónica Alpalhoense – João Pedro Ventura Mergulhão
Relator: Sociedade Recreativa e Musical Alegretense – Armindo Martins Santana

21.1.15

OPINIÃO: Montalvão- Cedillo: La frontera más absurda

 Pasar de España a Portugal en coche por Cedillo, en Cáceres, es un follón que no aclara ningún mapa: de lunes a viernes, cuando el puente privado de la presa está cerrado, son cien kilómetros, y los fines de semana, catorce.
Hay dos cosas que acompañan al alcalde 'Botines' desde hace por lo menos 19 años: su pequeño morral de cuero cruzado al cuello y la ilusión de que su pueblo tenga un puente. Uno de verdad. De los que cruzan ríos. Quiere un puente como Dios manda, no como el de ahora. A Antonio González Riscado, 54 años, socialista de ideales comunistas, alérgico a las corbatas, diputado provincial que dejó de serlo porque le aburría tanta reunión, alcalde por goleada cada cuatro años, le llaman 'Botines' hasta los íntimos. La culpa la tiene su madre, que le compró unas botas de excelso tacón y el niño las estrenó un domingo en misa, tan rotundo y sonoro el caminar que esa mañana se ganó el apodo con el que sus vecinos se referirán a él hasta el día de su entierro.
En Cedillo (497 habitantes), todos tienen una historia así. Porque todos, sin excepción, se llaman entre sí por el mote. Tan naturalizado está el asunto que aquí, lo importante no es tener junto al teléfono las páginas blancas de Telefónica, sino el listín del Ayuntamiento, ordenado por calles y motes. Lo que no acaba de asumir este pueblo cacereño rodeado de alcornocales, ni tampoco su vecino portugués de Montalvao (375 vecinos), es lo de los mapas. El de la Guía Repsol dice que para ir de un pueblo a otro en coche hay que hacer un viaje de 14 kilómetros que dura 24 minutos. El de la web de Michelin alarga el tiro hasta los 100 kilómetros y la hora y tres cuartos. El del iPhone 4S le da la razón al primero, pero el iPad 1 se la quita. Lo peor, y lo que más cabrea a quienes viven a un lado y otro de La Raya, justo en ese punto del mapa en el que Extremadura pincha a Portugal, es que todos los mapas tienen razón. Y ninguno a la vez. Todos aciertan y todos fallan, que viene a ser lo lógico tratándose de la frontera más absurda de España.
De las 00.01 horas de cada lunes a las 9.59 de cada sábado, de Cedillo a Montalvao hay 100 kilómetros. De las 10.00 horas del sábado a las 22.00 horas del domingo, hay 14. La clave que lo explica todo es la central hidroeléctrica. Atravesarla es la forma más recta, corta y sensata de ir de una localidad a otra. Pero solo está abierta los fines de semana. El resto del tiempo, una valla a prueba de valientes impide el tránsito. Iberdrola, dueña de la presa, explica que la central no fue concebida como lugar de paso y que hay motivos de seguridad que conviene tener muy presentes, porque todo lo que suceda en esa carretera que cruza el Tajo es responsabilidad suya.

«No tiene razón de ser a estas alturas de la vida, es algo que no pasa en ningún sitio », se queja 'Botines'. Con la verja echada, no hay más forma de ir de Cedillo a Montalvao, o al revés, que por Valencia de Alcántara y Marvao, por vías de un carril por sentido. Es eso o cruzar el río en barca. Si es una lancha inflable con un motor de cinco caballos de potencia, ocupada por cuatro personas delgadas y una más bien oronda, y la conduce Roberto Ramallete, bastan seis minutos para pasar a Portugal.
El alcalde 'Botines' lo hace cada vez que le citan a una reunión en la otra orilla, pese a que el agua -así, en términos generales- no le hace ninguna gracia. Hoy espera al otro lado Antonio Semedo Cruz, alcalde de Montalvao, una freguesía -pedanía en su equivalente español- dependiente de Nisa. A veinte metros del embarcadero, Roberto apaga el motor, la lancha se acerca despacio, Antonio Semelo se agacha, coge la soga blanca y la ata al cabo. «Bom dia», dice justo antes de tenderle la mano a 'Botines', que la toma como ha hecho cien, doscientas veces, quinientas, ajeno al significado de ese gesto, el de un alcalde portugués tendiendo la mano a uno español para ayudarle a dejar atrás el río que les separa, una frontera en sentido estricto.
A partir de este encuentro, cambia el idioma. Como un guiño irónico a esos mapas que ni yerran ni aciertan, lo que hablan no es ni español ni portugués. «Es 'portuñol'; en esta zona lo habla todo el que tiene más de sesenta años», precisa 'Chirri', el alguacil de Cedillo, casi un 'Botines' sin morral de cuero cruzado al cuello ni cigarrillo Camel entre los dedos. «No lo hemos estudiado, pero lo hemos mamado desde críos, se lo hemos escuchado a nuestros padres, a nuestros abuelos», abunda 'Botines', que lee a Saramago en portugués y saluda en esa misma lengua a un vecino de Montalvao que pasa montado en su bici junto a la puerta de 'O rei do camarao'.
Cerveza y langosta
La elección de Semelo para tomar una cerveza Sagres y hablar del puente que no acaba de construirse no es casual. Aparte de ser la publicidad que luce en la camiseta del equipo de fútbol de Cedillo, el hijo del dueño del restaurante -60 euros el kilo de langosta o bogavante, seis euros la ración de berberechos, sesenta céntimos la caña de cerveza- tiene una barca, que es la que el alcalde de Montalvao utiliza cada vez que tiene que pasar el río. «Yo no pierdo la esperanza», dice Antonio Semelo, socialista, agente jubilado de la Guardia Fiscal -más o menos como la Guardia Civil-. Hace solo tres meses, él no habría utilizado la palabra esperanza. Porque a principios de año, todos daban por hecho que el puente internacional de Cedillo se iba a construir. Por primera vez veían cerca el punto y final a 19 años de lucha.
«En 1994 -recuerda 'Botines'- reforzaron la seguridad de la presa, instalaron un circuito cerrado de televisión y desde entonces lo controlan todo desde Alcántara». Eso significa que con puntualidad inglesa, a las diez de la noche de cada domingo, alguien en las instalaciones del embalse cacereño de Alcántara -el más grande de España tras el de La Serena, en Badajoz- pulsa un botón y la verja se cierra en los dos países. A esa hora, el guardia de seguridad se va a su casa. El Ayuntamiento tiene contratados para esta tarea a dos paisanos, a los que paga 700 euros al mes a cambio de que se turnen durante las 36 horas del fin de semana en que la presa está abierta y de que recojan la basura en el pueblo los lunes, miércoles y viernes. Entre sus cometidos no está abrir o cerrar la verja. Solo vigilan que ningún conductor se pare, que nadie cruce andando porque está prohibido, y que no haya problemas si dos coches coinciden a la vez, que la presa tiene planta curva y no anda sobrada de anchura.
Este despliegue ha enterrado la picaresca a la que recurrieron españoles y portugueses durante años para pasar de un lado a otro. «Yo iba en bici hasta allí y después pasaba colándome por un agujero que había en la malla metálica», recuerda con media sonrisa Hernani Henriques, 43 años, moreno de albañil, nacido y residente en Montalvao, donde se gana la vida con su empresa de servicios para obras y como tesorero municipal. «Yo llevo escuchando lo del puente desde chico», dice en perfecto español. «Es que llevo yendo a Cedillo desde que tenía 13 años», explica. Al otro lado del Tajo está su hermano Carlos, también nacido en Montalvao pero que vive de alquiler en Cedillo, donde trabaja como pastor y peón agrícola. «Si hubiera puente, podría ir a dormir todos los días a casa de mi madre, por lo menos en verano, y también podría ir con más frecuencia a ver a mi ganado, que lo tengo en Montalvao», cuenta Carlos Henriques, que le menta a 'Botines' la madre del cordero: la UE y la Diputación de Cáceres. «¡Pero si ya teníamos el dinero, 'Boti!'», le lanza. Y lleva razón. Hace dos años, la Unión Europea aprobó una subvención de 3,5 millones de euros para construir el puente, pero la Diputación de Cáceres alega ahora que a ese dinero habría que sumar otros seis millones para construir los accesos en las dos vertientes, y que con la que está cayendo, existen inversiones más prioritarias. «Eso es mentira, los accesos ya existen, no lo hacen porque no quieren», zanja 'Botines', que alude también a razones políticas, al hecho de que fuera un proyecto del PSOE y que ahora en la Diputación manda el PP.

Los músicos en la barca
Las siglas sobrevuelan un conflicto que pagan vecinos con pasaportes diferentes pero vinculados desde hace siglos. Cedillo-Montalvao fue durante décadas la ruta del contrabando, campo abonado al estraperlo. Al menos, el puente que nunca llega ha dejado un tráiler de anécdotas. 'Botines' recuerda el miedo que pasaron una noche de tormenta cruzando en una barca sin motor, a remo. Y el día que esperaban para unas fiestas a una orquesta que venía de Sevilla. «Alguien les dijo que tenían que hacer el viaje por Montalvao -relata el alcalde-, y al llegar allí se encontraron con la verja porque no era fin de semana; nos avisaron y nos tocó ir a buscarlos. No veas la que liamos para pasar en barca a los músicos y los instrumentos». Tan acostumbrado está al ninguneo institucional, que el alcalde 'Botines' se tomó con sorna la inesperada aparición del puente de sus ilusiones en una edición del mapa oficial del Ministerio de Fomento. «Era la época de Aznar -echa la vista atrás-, y le mandé a la ministra una carta que por supuesto no me contestó. Le decía que como ya no podían borrar de los mapas un puente que no existía, lo mejor que podían hacer era construirlo y asunto solucionado». No lo hicieron. Y pinta que nadie lo va a hacer ahora.
'Botines', como su colega Antonio Semelo, no pierde la esperanza. Añadirá este reportaje a la pila de documentación sobre el tema. Una página más para el cajón de las ilusiones. Quizás algún día, alguien importante vea el 'Pase sin llamar, está en su casa' que luce en un folio pegado con celofán en la puerta de su despacho, y entre a darle la noticia que lleva 19 años esperando. Y por si ese momento no llega nunca, en el almacén municipal de Cedillo, el pueblo de los motes que da nombre a un puente inexistente, siguen guardando una vieja barca.
La zona. Cedillo (a 110 kilómetros de Cáceres) y Montalvao están en La Raya hispano-lusa, y forman parte del Parque Natural del Tajo, un área de unas 25.000 hectáreas que aspira a ser declarada Reserva de la Biosfera. Está despertando al turismo y a él confían su futuro económico los pueblos de la zona. Hace dos años entró en servicio un barco que da paseos por el río Tajo.
60 coches atraviesan cada sábado o cada domingo la carretera de la central hidroeléctrica de Cedillo, según el recuento que hacen los vigilantes de seguridad contratados por el Ayuntamiento. En días señalados (fiestas locales, fundamentalmente), la cifra sube hasta los 200.
De cañas al otro país. Es costumbre arraigada en algunos vecinos de Cedillo y de Montalvao ir a tomar una cerveza el sábado o el domingo al otro pueblo. Más común es que los españoles vayan a Portugal y no al revés. La razón es de peso: una caña en Montalvao vale sesenta céntimos, un precio difícil de encontrar en España.
 * Artigo de Antonio Armero in "Hoy" - 5/5/2013

OPINIÃO: Segurança e patetice

Na ressaca dos massacres de Paris, ainda desconcertados e emocionados, começámos a ouvir as vozes da segurança. Vozes que, na sua maior parte, nem sabem como se organiza um serviço de polícia e tem nas informações, e dos serviços secretos, as verdades apreendidas de romances e filmes de espionagem. E tem sido um chorrilho de disparates que projecta sobre quem ouve um falso sentimento de insegurança, subjectivo, mais ou menos translúcido, sem se saber de onde vem o inimigo e a que horas vai atacar. Só há uma certeza: vai atacar! Depois chegam as barbaridades do género de que estamos na idade dos choques civilizacionais, da nossa cultura de liberdade contra a opressão islâmica, da nossa tolerância contra a intolerância dos outros. Ou então a culpa é da austeridade e das políticas de direita, ou de esquerda, conforme a posição ideológica de quem clama segurança e apela à vingança.
Em primeiro lugar, não violo nenhum segredo de Estado quando se deve recordar que, quer a Al-Qaeda quer o Estado Islâmico foram produções da CIA, armados e treinados pelos Estados Unidos, financiados por países da NATO, no tempo em que eram “amigos”. Não foram uma produção árabe. Foram organizações geradas e paridas por nós. Importantes, para a luta contra a União Soviética no Afeganistão, na invasão desvairada do Iraque, na Síria, nas Primaveras Árabes e outros palcos de conflito, tendo por pano de fundo o controlo do petróleo e de zonas estratégicas do globo.
Segundo ponto. Apesar de tudo, quer os serviços de política criminal, quer de informações, a nível europeu, incluindo Portugal, têm respondido com competência ao ricochete destes disparates políticos. Têm anulado centenas de ameaças e controlam a maioria destes movimentos dos potenciais terroristas. Mas não fazem milagres. Tal como os bons automóveis e as boas estradas não evitam que haja mortos na circulação rodoviária.
Terceiro ponto. É possível melhorar alguns aspectos da operacionalidade policial. Porém, as ideias securitárias que se vão construindo tendem a policiar-nos cada vez mais, a reforçar o autoritarismo, a impor limites à liberdade. É um absurdo e uma factura que se paga cara no que respeita ao exercício das liberdades, direitos e garantias. Poderá permitir bons negócios de armamento e protecção, mas não reiventa espaços sem ameaças. É impossível. É uma mera patetice, própria de medrosos.

Francisco Moita Flores – Impressão Digital – “Correio da Manhã” 18/1/2015
* Cartoon de Hermínio Felizardo in http://felizardocartoon.blogspot.pt

ALPALHÃO: Festa do Mártir Santo (S. Sebastião)

Festejos em honra de S. Sebastião no dia 25 de Janeiro em Alpalhão no Largo Detrás do Adro.

Organização a cargo do Grupo Ciclo Alpalhoense e MTA Centro de Alpalhão com o apoio da Freguesia de Alpalhão e Câmara Municipal de Nisa.

20.1.15

ALPALHÃO: Baile de Máscaras a 14 de Fevereiro na Tapada das Safras


TRIBUNAIS: Os Verdes questionam Governo sobre falha em equipamentos fundamentais ao seu funcionamento

A Deputada Heloísa Apolónia, do Grupo Parlamentar “Os Verdes”, entregou na Assembleia da República uma pergunta em que questiona o Governo, através do Ministério da Justiça, sobre a falha no funcionamento de equipamentos fundamentais nalguns Tribunais do país, nomeadamente os elevadores, que estão parados, aparentemente por não serem feitas as necessárias inspeções prévias, por falta de pagamento das mesmas.
Pergunta:
A Reforma do Mapa Judiciário, levada a cabo em 2014 por este Governo, para além de constituir uma desqualificação de dezenas de Tribunais, convertendo-os em meros balcões de atendimento onde nada se resolve, e determinando a perda de valências em muito mais Tribunais concentrando nas capitais de distrito um volume astronómico de processos sem qualquer complacência com a residência das partes, conduz a um afastamento da justiça do cidadão, a um agravamento dos custos no acesso à justiça para todos, integrado num processo mais amplo de ataque aos serviços públicos constitui mais um passo no enfraquecimento do Estado e no despovoamento do território.
Contudo, a pretexto desta reforma, levou-se a cabo um conjunto de intervenções em edifícios antigos para sua adaptação às novas alterações aproveitando-se para a modernização nalguns casos. Sucede que chegou ao conhecimento deste Grupo Parlamentar que existirão Tribunais onde essas obras já cessaram há alguns meses, os mesmos já se encontram em pleno funcionamento, e, contudo, alguns equipamentos continuam sem trabalhar: referimo-nos aos elevadores que, não obstante se encontrarem em condições funcionais e serem fundamentais para garantir, nos termos legais, o acesso a salas de audiências ou aos serviços do Ministério Público pela parte dos cidadãos com mobilidade reduzida, e ajudar os funcionários judiciais e os magistrados no seu dia-a-dia, mormente quando se criam gabinetes no sótão, ainda não se encontram a funcionar. No entanto, aparentemente ainda não se encontrarão a funcionar por não ter sido feita a prévia e necessária inspeção técnica por falta de pagamento da mesma.
Assim, nos termos constitucionais, legais e regimentais aplicáveis, solicito a S. Exa. A Presidente da Assembleia da República que remeta a presente Pergunta ao Ministério da Justiça para que me possa responder às seguintes questões:
Em quantos (e quais) Tribunais, que tiveram obras recentemente, existem elevadores a aguardar, para a sua entrada em funcionamento, uma inspeção/vistoria técnica por entidade terceira?
O que justifica que existam elevadores em Tribunais há meses sem funcionar por falta da dita inspeção /vistoria técnica?
Corresponde à verdade que esses elevadores ainda não entraram em funcionamento por falta de previsão financeira do montante necessário para a adjudicação desse serviço de inspeção/vistoria técnica?Corresponde à verdade que esse serviço tem que ser feito por uma empresa estrangeira?
É essa empresa estrangeira a mesma que instalou ou que forneceu os elevadores comprados?
Para quando se prevê a adjudicação e a execução desse serviço, bem como a entrada em funcionamento desses elevadores?
O Grupo Parlamentar “Os Verdes”

19.1.15

Nisa recebe o Corta-Mato Escolar Distrital no dia 2 Fevereiro

No âmbito do Desporto Escolar, vai a nossa escola, em parceria com a Coordenação Local do Alto Alentejo, organizar e realizar o Corta-Mato Escolar Distrital. Este evento será realizado no dia 2 de Fevereiro de 2015, entre as 9:00 e as 13:00 e irá contar com a presença de 23 escolas prevendo-se um total de cerca de 900 alunos / atletas participantes. O local escolhido para a realização do evento será a Zona de Atividades Económicas de Nisa (ZAE), mais concretamente, nos seus novos loteamentos.

Atleta nisense Ricardo Mateus ganha Corrida das Linhas de Elvas

Raquel Trabuco, do Clube Elvense de Natação, foi a primeira classificada no escalão feminino.
O atleta Ricardo Mateus, do Sporting, venceu hoje a 23.ª edição da Corrida das Linhas de Elvas, ao cumprir os 7.500 metros da prova em 24.42 minutos.
Bruno Paixão, do Benaventense, cortou a meta - no Estádio Municipal de Atletismo de Elvas, no distrito de Portalegre - seis segundos depois do vencedor, enquanto o individual Alex Scutaru completou o pódio, percorrendo a prova em 25.42 minutos.
Raquel Trabuco, do Clube Elvense de Natação, foi a primeira classificada no escalão feminino, completando o percurso em 27.36 minutos.
A individual Verónica Scutaru, foi segunda, com 29.15 minutos, e a espanhola Tina Ramos, da A.D. Marathon, de Espanha, garantiu o terceiro posto, com 29.32.
A corrida, que integra o circuito de corridas da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre, contou com a participação de cerca de 120 atletas dos escalões juniores, seniores e veteranos.
A iniciativa, organizada pelo município de Elvas, decorreu no âmbito das comemorações dos 356 anos da Batalha das Linhas de Elvas e contou com a colaboração técnica da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre.

18.1.15

NISA VIVA: Saiu a público a edição nº 26 - Dezembro 2014

Saiu a público a edição o nº 26 da “Nisa Viva” – revista de cultura e desenvolvimento local -, respeitante a Dezembro de 2014.
O Quintal da Festa é o tema central desta edição, com interessantes artigos e fotos, antigas, desta tradição de origem árabe, num número em que destaca também o artesanato de Nisa e o cante alentejano, elevado a Património da Humanidade.
A História da Ermida de Santo André num artigo (conclusão) de José Dinis Murta, e a Inauguração da Iluminação Eléctrica em Nisa, são dois textos sobre a história local, a que se junta a secção Gente, com um artigo (saboroso) de João Pinheiro sobre o seu avô “Candeia Acesa”.
A Nisa Viva evoca e homenageia o nisense João Manuel Polido Lopes Mourato, falecido no passado mês de Novembro, e “levanta o véu” sobre a próxima grande conferência promovida pela associação, tendo como conferencista o prof. Freitas do Amaral e que terá lugar num dos sábados de Abril. Revelação é, também, a notícia de que o Menir do Patalou irá (finalmente) ser levantado. Para esse fim decorrem conversações entre a Câmara de Nisa e diversas entidades, sendo de esperar que a iniciativa se realize no próximo Verão.
Os habituais espaços de Notícias, ViváVida e as Cartas do Dr. Fadagosa, integram esta edição da Nisa Viva, cuja capa reproduzimos.

Boa leitura!

17.1.15

NISA: Já abriram as inscrições para a Rota do Contrabando 2015 da Inijovem

As inscrições para a "XVI ROTA DO CONTRABANDO - RUTA DEL CONTRABANDO" já abriram. Chamamos a atenção para o facto de o número de inscrições ser limitado a 250 portugueses e 250 espanhóis, num total de 500 participantes.
A data limite para as inscrições em Portugal é o dia 15 de Março de 2015.
DATA LIMITE DE INSCRIÇÕES
ESPANHA - 13 de Março (ou 250 Caminheiros)
PORTUGAL - 15 de Março (ou 250 Caminheiros)
INSTRUÇÕES
Vá a http://inijovem.blogspot.pt e Seleccione a Ficha que pretende descarregar;
A Ficha abrirá numa nova janela;
Imprima a Ficha, preencha e envie para:
Por e-mail: inijovem@gmail.com
Por carta: Inijovem - R. Marechal Gomes da Costa, Apartado 66 - 6050-999 NISA
Por Fax: 245 413 671

16.1.15

NISA: Lançamento do livro "Portugal para Crianças"

A Biblioteca Municipal de Nisa acolhe no próximo dia 30 de janeiro pelas 10,30h, a sessão de lançamento do livro "Portugal para Crianças" da autoria de Joana Paz e Danuta Wojciechowska, que estarão presentes na iniciativa. Após o lançamento do livro haverá lugar a uma sessão de autógrafos.
Idêntica sessão se realiza mais tarde, pelas 14,30h no Centro Cultural de Alpalhão e que conta igualmente com a presença das duas autoras.

15.1.15

IX Norte Alentejano “O” Meeting - 31 Janeiro e 1 Fevereiro

 Líder do ranking mundial de orientação em Marvão
O norueguês Olav Lundanes, líder do ranking mundial de orientação pedestre, é a grande atracção da IX edição do Norte Alentejano "O" Meeting. No dia 31 de Janeiro, a vila de Marvão recebe uma etapa de Sprint WRE, pontuável para o respectivo ranking da Federação Internacional de Orientação.
Olav Lundanes já conseguiu três medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze em campeonatos do Mundo, e duas de ouro, uma de prata e uma de bronze em campeonatos da Europa, e lidera o ranking mundial desde o dia 11 de Julho de 2014, altura em que venceu a prova de distância média do Campeonato do Mundo, em Itália. Olav terá forte oposição, neste evento, do 5º classificado do ranking mundial, o ucraniano Oleksandr Kratov. Em femininos, a figura de cartaz da IX edição do evento é a ucraniana, Nadiya Volinska, 12ª do ranking mundial.
O evento realiza-se nos dias 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro, e é organizado pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, em parceria com os municípios de Castelo de Vide e Marvão, Federação Portuguesa de Orientação e Federação Internacional de Orientação.

 PROGRAMA
 31 Janeiro
10h – Distância Média – Vale da Silvana
15h30 – Sprint pontuável ranking Mundial (WRE) e Circuito Nacional Urbano – Marvão
1 Fevereiro
10h – Distância Média – Quinta das Lavandas
Com início em 2007, o Norte Alentejano O' Meeting teve no romeno Ionut Zinca e na finlandesa Riina Kuuselo os seus primeiros vencedores. Os franceses Thierry Gueorgiou e Amélie Chataing são os mais recentes vencedores, numa lista que inclui ainda nomes como os da suíça Simone Niggli, do ucraniano Oleksandr Kratov, da checa Eva Jurenikova, do actual líder do ranking mundial, o norueguês Olav Lundanes, da sueca Helena Jansson e dos portugueses Tiago Romão, Maria Sá e Joana Costa, entre outros.
Estão já inscritos 330 atletas, provenientes de doze países (Portugal, Espanha, Grã-Bretanha, Noruega, Finlândia, Rússia, Israel, Alemanha, Brasil, Bélgica, Suécia e Estónia).

14.1.15

OPINIÃO: Somos todos o quê?

A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau. O endurecimento contra imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre em Paris.
O emblema totalizante, ‘somos todos Charlie’ teve curta unanimidade no ambiente trincado de uma Europa onde, de fato, não há lugar para todos serem a mesma coisa em parte alguma.
Os números da exclusão em marcha no continente são suficientes para esfarelar essas ‘uniões’ nascidas da emoção da tragédia,  como é o caso, mas que historicamente se mostram insuficientes para regenerar as partes de um  todo que já não se encaixava mais.
Como recompor o cristal da liberdade, da igualdade e da fraternidade, diante de uma Europa unificada pela lógica do  mal estar social?
Com políticas pública que hoje  irradiam chantagem, regressão , niilismo, intolerância  e medo diante do futuro rarefeito?
Somos todos o quê?
É justo perguntar quando o Estado a serviço dos mercados  mastigou  todas as pontes para a construção de uma cidadania convergente e soberana.
A polêmica linha de humor do ‘Charlie Hebdo’  deve seu sucesso, em grande parte, justamente   à acentuação dessa rachadura em uma  chave religiosa.
Deve-se respeitar a sua liberdade. Mas a forma como escolheu exerce-la fez do jornal parte do estilhaçamento  que procurava  criticar;  tornou-se assim mais um referido do que  referência.
Não necessariamente nessa ordem, mas com essa octanagem abrangente.
A imponente marcha em Paris neste domingo não escapou do liquidificador de nitroglicerina.
Seria irônico, não fosse trágico.
Na  comissão de frente da principal coluna da manifestação, que reuniu um milhão de pessoas,  ao lado do presidente François Hollande , e de Merkel, lá estava Benjamin Netanyahu.
Sim,  o premiê de Israel.
Ele que  acaba de se aliar à extrema direita para transformar o Estado israelense em um estado religioso.
Responsável por alguns dos mais impiedosos massacres do século XXI, contra populações civis encurraladas por Israel  na  Faixa de  Gaza, a presença de Netanyahu a engrossar o  ‘somos todos Charlie’ convida a pensar sobre o alcance das unanimidades.
É  um silogismo barato afirmar  que a recusa  ao bordão dominante endossa o abismo ensandecido  do terrorismo.
Num texto de 1911, ‘Porque os marxistas se opõem ao terrorismo individual’,  e quando ainda nem desconfiava que ele próprio seria uma vítima futura, León Trostsky  criticou exemplarmente aquilo que, nas suas palavras, ‘mesmo que obtenha "êxito" (e) crie confusão na classe dominante (...)  terá vida curta; o estado capitalista não é eliminado; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento. Todavia, a desordem que  um atentado terrorista produz  nas fileiras da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido?’, criticava o líder da Revolução de Outubro, banido e assassinado por Stálin, para concluir em seguida: ‘Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência e (desvia)  seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador, que algum dia virá cumprir sua missão’.
Cento e quatro anos depois, o alerta ganha atualidade diante das medidas cogitadas após o massacre em Paris.
Os indefectíveis Le Pen, pai e filha, pedem, nada menos que a restauração da pena de morte, abolida em 1981.
A nostalgia da guilhotina é  só o primeiro degrau do patíbulo.
O endurecimento contra os imigrantes, na verdade,  já avançava em marcha batida antes do massacre da quarta-feira (07/01) .
Agora, porém, que  ‘somos todos Charlie’, quem irá detê-lo –se até Netanyahu  aderiu?
Ofuscados habilmente pelo ‘consenso’, os antecedentes da tormenta esticam o elástico de uma gigantesca armadilha histórica.
Desemprego com deflação e captura do Estado e da política pela alta finança.
É disso que se trata a tragédia europeia, vista de corpo inteiro.
A zona do euro enfrenta deflação recessiva; a Itália tem desemprego recorde; Alemanha e França assistem a uma espiral de xenófobia; Grécia tem 59% da juventude fora do mercado; Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social.
Assim por diante.
Foi preciso que um economista moderado, Thomas Piketty, coligisse uma enciclopédia estatística  do avanço rentista sobre a riqueza da sociedade para que o tema da desigualdade merecesse algum espaço –fugaz—  no debate econômico e midiático sobre a crise europeia.
E mesmo assim colateral às decisões da troika, que estala o relho no lombo da cidadania e exige ordem unida ao abismo.
É sobre essa base de rigidez que a  alavanca da tragédia move o curso da história.
Não Maomé, não Charlie Hebdo, não a juventude niilista.
Não os  filhos de imigrantes pobres , que se convertem  cada vez mais ao islamismo como ponto de fuga à meia cidadania da desordem neoliberal  que nada tem a lhes propor hoje.
E  não o fará amanhã também.
Entregue aos ajustes fiscais, na ressaca dos mercados após o fastígio neoliberal, a Europa é hoje um museu de lembranças do acolhimento humanitário e político, que a transformaria em legenda da civilização e da fraternidade.
Na Itália, sob o afável Berlusconi, o Estado elevou para seis meses o tempo que imigrantes ilegais podem ser detidos em ‘ centros especiais’ e autorizou a criação de falanges civis para “ajudar a polícia a combater o crime nas ruas”.
Na Grécia, onde as taxas de desemprego triplicaram sob o chicote de Frau Merkel, os integrantes do partido Aurora Dourada sequer dissimulam a inspiração nazista: sua faxina étnica avança contra árabes, africanos, ambulantes, ciganos e homossexuais.
‘Somos todos Charlie’?
As notícias contraditórias que chegam dos EUA, surfando em uma recuperação feita de empregos com salários aviltados, e da Europa sem Estado à altura para reagir, evidenciam a profundidade de uma desordem  que não cederá tão cedo, nem tão facilmente.
A consciência dessa longa travessia é um dado fundamental para renovar a ação política em nosso tempo.
Recuos e derrotas acumulados pela esquerda mundial desde os anos 70, sobretudo a colonização de seu arcabouço pelos interditos neoliberais, alargaram os vertedouros ao espraiamento de uma dominância financeira que  agora produz  manifestações mórbidas em todas as esferas da vida.
Quando a economia se avoca  um templo sagrado, dotado de leis próprias, revestido de esférica coerência endógena, avessa ao ruído das ruas, das urnas e das aspirações por cidadania plena, o que sobra à democracia?
A pauta dos mercados autorregulados revelou-se uma fraude.
Gigantesca.
Era o  fim da história, replicava o colunismo áulico.
Não era, mostrou setembro de 2008.
Pior que isso.
O sete de janeiro francês avisa que se a sociedade continuar apartada do seu destino, os próximos capítulos serão dramáticos.
No Brasil, os que incitavam o governo a jogar o país ao mar em 2008, retrucam que o custo de não tê-lo afogado na hora certa acarretou custos  insustentáveis.
E eles terão que ser pagos agora.
Na forma de um afogamento incondicional.
Recomenda-se vivamente beber a cota do dilúvio desdenhada em 2008 em uma talagada única.
Não há alternativa, diria Margareth Tatcher.
As escolhas intrínsecas a uma repactuação do desenvolvimento brasileiro, de fato, não são singelas.
Nada que se harmonize do dia para a noite.
Por isso, o crucial é erguer linhas de passagem, repactuar  metas,  ganhos, perdas, salvaguardas e prazos.
Mas há um requisito para isso: tirar a economia do altar sagrado da ortodoxia e expô-la ao debate democrático do qual participem todas as forças sociais.
Quando a mídia conservadora tenta tropicalizar  o bordão ‘somos todos Charlie’, seu objetivo mal disfarçado vai no sentido oposto.
Tenta-se  reduzir uma  tragédia ciclópica a um atentado à liberdade de expressão.
E de forma rudimentar desdobrar a comoção aqui em um veto ao projeto de regulação da mídia brasileira.
Para quê? Justamente para interditar o debate sobre o passo seguinte do desenvolvimento do país.
O apego da emissão conservadora à liberdade de expressão, como se sabe, é relativo.
No dia seguinte ao massacre em Paris, a Folha de São Paulo, por exemplo, dedicou 256 palavras,  uma nota de rodapé,  para tratar do caso do blogueiro saudita, Raif Baddawi.
Baddawi dirigia o fórum on-line ‘Liberais Sauditas Livres’;  foi condenado por isso a dez anos de prisão e  multa de US$ 260 mil.
Seu caso é uma referência do padrão de justiça que impera na democrática sociedade saudita, principal aliada dos EUA no mundo árabe, onde mulheres não podem dirigir sequer automóveis  e inexiste judiciário independente da vontade dos mandatários.
Além de dez anos de prisão, Baddawi também será punido com mil chibatadas por "insultar o Islã" – 50 por semana, durante 20 semanas.
A primeira cota foi aplicada na última 6ª feira.
Uma nota com 256 palavras foi tudo o que o liberal Baddawi obteve de um dos principais veículos de informação do país.
Compare-se com as cataratas de tinta, imagem e som dedicadas à blogueira  cubana Yoani Sánchez que, livre, leve e solta, viajando pelo mundo, mereceu da mesma Folha de SP mais de 90 mil  citações; 155 mil no Globo e 110 mil no Estadão.
É difícil imaginar algo do tipo ‘somos todos Baddawi’ alastrando-se pelo colunismo pátrio que dispensou às visitas de Yoani um tratamento de chefe de Estado.
São dois pesos e mil chibatadas.
Uma diferença sugestiva.
Que recomenda cautela com as unanimidades produzidas pela mesma fonte.
Aqui ou em Paris.
Saul Leblon - Editorial - Carta Maior - 12/1/2015 in www.cartamaior.com.br

NISA: Evocação da vida e obra de Fernando Portugal


13.1.15

OPINIÃO: Nisa, Turismo & Desenvolvimento

Ao longo destes anos, tenho aqui deixado em forma de letra, algumas ideias e opiniões que me parecem poder ajudar a construir uma nova visão para o desenvolvimento do nosso concelho (Nisa).
Também sei que são apenas pequenos apontamentos e notas soltas, que me vão saltando para a folha, semana após semana, em jeito de recados ou mesmo mensagens mais diretas, a alguns decisores locais. (ver, por exemplo: a moção politica apresentada no XVI congresso do PS – Portalegre, em Outubro de 2014, intitulada “A força do turismo” - uma estratégia de desenvolvimento regional”- http://psnisa.blogspot.pt/2014/09/mocao-sectorial-forca-do-turismo-de.html).
E, esta semana, gostava de voltar ao tema do turismo versus desenvolvimento, principalmente como fator económico para a região de Nisa.
Logo no início do ano 2015, ainda se ouviam as doze badaladas, e a região do Alentejo já era destaque internacional, em termos de turismo, no prestigiado jornal americano “New York Times”, que coloca este nosso pedaço de terra, como um do locais mais belos do mundo, destacando o vinho, a gastronomia e o céu estrelado como três boas razões para merecer uma visita.
Um dia antes, a CIMAA – Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, reforçou a aposta, mais que certa, na vertente do turismo de natureza, na região de Portalegre, com a assinatura do Auto de Consignação da empreitada Alentejo Feel Nature, com o consórcio Senpapor, no valor de 650 mil euros, e que prevê no prazo de dois anos a criação de 21 novos percursos pedestres, num total de 335 quilómetros.
Neste ponto, percursos pedestres, o concelho de Nisa é líder, com os mais de 100 Km, dos nove percursos pedestres reconhecidos oficialmente no distrito. Mas, o que se fazem com eles? Têm sabido tirar partido desta vantagem?

Primeiro, para responder a estas questões, temos que saber se existem infraestruturas de apoio (hotéis, residenciais ou pensões) a estas iniciativas, como todos sabemos, no concelho de Nisa não existem camas em número suficiente. E é urgente retomar a questão da albergaria da Penha, que seria a meu ver, uma das primeiras medidas sensatas a tomar, por quem de direito, podendo mesmo concessionar as mesmas a uma entidade idónea, para dinamizar e revitalizar a mesma, a custo simbólico.
Quanto á promoção do destino Nisa, temos ainda um longo percurso a percorrer. No entanto, aconselho desde já uma pequena presença do Município de Nisa, na próxima BTL 2015 – feira de turismo, a realizar em fevereiro, que tem como tema central a região do Alentejo. Este pode ser o primeiro passo, para delinear uma política de desenvolvimento real do concelho de Nisa, assente fundamentalmente no recurso mais valioso de atualmente dispomos: a paisagem (incluindo as suas gentes, saberes e sabores).
Quando uma das mais importantes e mais bem organizadas caminhadas que se realizam no concelho de Nisa, denominada por “rota do contrabando”, que envolve mais de 500 participantes anualmente, só podemos mesmo concluir que estamos na presença de um potencial filão turístico, com elevadas qualidades a explorar.
Para os mais distraídos deixamos aqui apenas este número, 250 milhões de euros, que foi a receita gerada este ano (2014) só em dormidas, na região do Alentejo, segundo a Agência de Promoção Turística do Alentejo. E digam lá se não é um sector com futuro.
Por isso, o concelho de Nisa, não pode e não deve deixar fechar, mais uma vez, a janela do desenvolvimento sustentável. Sejamos realistas, não serão fábricas que vão trazer emprego e bem-estar a esta região, pelo menos enquanto houver este mercado global, tal como o conhecemos, assente num principal fator: a mão-de-obra barata.
JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO