24.6.17

A FOTO DA SEMANA no "Diário do Alentejo"

Era o desastre anunciado, mas, ano após ano, pouco ou nada se fez para o evitar. Foi em Pedrógão Grande, mas podia ter sido noutro qualquer concelho do pinhal interior onde o desordenamento florestal é a regra. Sessenta e quatro mortos, 157 feridos. Os números são brutais, como brutais são as imagens que passam nos noticiários, com destaque para as carcaças dos carros no cenário desolador da EN 236-1, onde famílias inteiras morreram a tentar escapar ao inferno. No “passa culpas” fica-se sem perceber se a estrada deveria e poderia estar encerrada ou se foi apenas azar. A tempestade perfeita, dizem. Desta vez não foi mão criminosa a atear o fogo. Foi uma conjugação de fatores: o calor extremo, o vento ciclónico, um raio. Um raio que os parta. 
Foto: Miguel A. Lopes - in "Expresso"
Texto:  Aníbal Fernandes in "Diário do Alentejo" - 23/6/2017

GÁFETE: Festas Populares de S. João

ADENDA AO PROGRAMA:
No dia 24 de junho, imediatamente a seguir á atuação do Grupo Coral "GÁFETE A CANTAR" será efetuado uma recolha de fundos pelos elementos do Grupo Coral em colaboração com a Junta de Freguesia de Gáfete com o objetivo de o valor angariado, nesta inicitiva, ser depositado numa conta bancária de SOLIDARIEDADE PARA COM AS VITIMAS DO INCÊNDIO DE PEDRÓGÃO GRANDE. Desde já agradecemos a colaboração, independentemente do valor que cada um possa contribuir. Posteriormente informaremos do valor que foi entregue a qual a conta bancária em foi depositado este donativo.

23.6.17

ATLETISMO: Paulo Guerra no Torneio de Encerramento da AADP


A Associação de Atletismo de Portalegre que organiza dia 01 de Julho de 2017 o Torneio de Encerramento – “ convive com o Atletismo”, irá trazer até à pista do Estádio Prof. Eduardo Sousa Lima em Portalegre o Ex internacional Português Paulo Guerra, que virá apadrinhar o evento, especialista em corta-mato e provas de 10.000, foi atleta do Sporting Clube de Portugal e do Maratona Clube de Portugal e no ano de 1999 foi lhe entregue a medalha Olímpica Nobre Guedes que é atribuída aos atletas Portugueses que mais se destacam pelos resultados alcançados.
O Paulo vem até Portalegre para colaborar na promoção da modalidade no distrito, e passar um pouco da sua experiencia a todos aqueles que participarem na competição, gostaríamos de salientar também o facto de que assim que foi convidado a estar presente, o Paulo Guerra aceitou de imediato, demonstrando um enorme gosto pelo atletismo e pela sua divulgação enquanto promotor de um estilo de vida saudável.
A AADP endereça também um agradecimento especial ao IPDJ na pessoa do seu Diretor Regional Miguel Rasquinho, que tem desde o primeiro momento, colaborado de forma inexcedível com a AADP promovendo o atletismo por todo o distrito de Portalegre
Junta-te á AADP nesta festa da família do atletismo e inscreve-te através do formulário Google em : https://goo.gl/forms/WpbKmTQinw5djwXs2

7 Sóis 7Luas: O Festival que une os povos completa 25 anos

Estávamos em 1993 quando um grupo de jovens estudantes italianos chegou a Portugal para preparar um espetáculo de Teatro. Procuravam um espaço no qual encontrassem inspiração e paz e deram com Montemor-o-Novo, onde as pessoas falaram de um escritor que aí tinha passado uma pequena temporada e,  se ainda por lá estivesse, teria certamente gostado de os conhecer. Sim, porque eles eram estranhos, faziam exercícios bizarros rodando braços e pernas pelo ar, e para além disso eram italianos – nunca antes tinham visto italianos – e é certo que isso seria inspirador para a pena de um escritor. Esse escritor era o José Saramago, e encontrou-se com esses rapazes daí a pouco tempo e, como é evidente, ficou impressionado. Cedeu-lhes os direitos italianos para o livro “O Ano de 1993” e o nome para o seu novo projeto Sete Sóis Sete Luas (as personagens visionárias de “Memorial do Convento”, romance que o fez conquistar em 1998 o Prémio Nobel da Literatura), um Festival que iria crescer até abraçar dez países do Mediterrâneo e do mundo lusófono. De um encontro casual, de uma troca de afetos nasceu o Festival que hoje completa 25 anos e que, desde o começo, tem feito com que os povos se encontrem, difundindo a cultura de cada um dos países e promovendo o diálogo. Um projeto ambicioso, mas bem sucedido, que todos os anos move artistas de todo o mundo, e que é embaixador de uma cultura muito pouco conhecida, ou por vezes olhada com desconfiança, mas que consegue sempre surpreender o público, envolvendo-o e fazendo-o aproximar-se. Estes artistas quebram as fronteiras físicas e mentais, animando as praças de verão com sons, cores e, por vezes, até cheiros e sabores. O projeto Sete Sóis Sete Luas reúne, efetivamente, não apenas músicos, mas também artistas plásticos e chefes de cozinha, porque a cultura passa pela totalidade dos cinco sentidos.
Para o público português a viagem sensorial e cultural começou este ano nos Açores onde, na povoação de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, entre 10 e 16 de junho, o street artist toscano Zed1 criou uma pintura mural inspirada no mar que rodeia a ilha, mural que foi inaugurado a 17 de junho, no Edifício da Banda 15 de agosto. Esta colaboração com Vila do Porto é nova, e começou graças ao encontro com o talentoso e multipremiado fotógrafo Pepe Brix que, em 2016 e 2017 mostrou o seu trabalho nos Centrum Sete Sóis Sete Luas (centros para as artes do Mediterrâneo e do mundo lusófono) existentes em Portugal, Itália, França e Cabo Verde. Outra ótima novidade deste ano é a colaboração com a vila de Mafra, onde se passa a ação de o “Memorial do Convento” e onde se consuma o amor entre Baltasar (Sete Sóis) e Blimunda (Sete Luas) que, com o padre Bartolomeu de Gusmão, construíram a primeira máquina voadora (símbolo e logótipo do Festival). Diz-se mesmo que esta máquina é anterior à dos irmãos Montgolfier. Um regresso a casa dos dois apaixonados que, a bordo da sua máquina voadora, a 24 e 25 de junho lançarão como flores, no Jardim do Cerco, os ritmos e as danças bascas dos Korrontzi e os sons e as palavras em sabir – antiga língua franca mediterrânea, que reúne vários idiomas, falada nos portos e usada para estabelecer trocas comerciais – da Piccola Banda Ikona (Itália). A Piccola Banda Ikona e o sabir, no qual se misturam italiano, francês, espanhol e árabe, irão igualmente abrir a edição 2017 do Festival na histórica localidade de Ponte de Sor a 23 de junho e em Pombal a 24 de junho.
Pombal, que entrou na rede Sete Sóis Sete Luas em 2015, acolhe uma programação que abrange tanto a música como o teatro de rua. A não perder a 30 de junho o espetáculo de teatro de rua da companhia L’Avalot que irá, literalmente, pôr a cidade em combustão, mas não menos relevantes serão as atuações a 2 de julho do grupo Kalascima, que vem da Apúlia (sul de Itália), com os ritmos hipnotizantes da taranta, e a companhia basca de teatro de rua Deabru Beltzak – os diabos negros – que, com efeitos de pirotecnia e ao som de tambores, irão invadir as ruas de Pombal.
A 7 de julho começam as sextas-feiras musicais de Oeiras, outra sede histórica do Festival, com o grupo Il Parto delle Nuvole Pesanti (Itália) que canta viagens e emigrações. Prossegue a 14 com o grupo de culto da música étnico-eletrónica italiana, os Agricantus, que chegam de Palermo e que cantam a paz entre os povos e as culturas dos cinco continentes. A 25 de julho a Fábrica da Pólvora receberá um dos mais famosos artistas da música popular espanhola, o Eliseo Parra, que renovou o património tradicional com influências de jazz e do rock. Ainda este ano não poderia faltar uma das produções musicais originais do Festival; desta vez cabe aos Les Voix des 7Lunes a plena expressão deste projeto de diálogo cultural. Os músicos que compõem a banda são El Wafir, fundador do grupo histórico Rádio Tarifa do norte de África, com o oud e o violino, a voz de Éden Holan de Israel, Kafmaron da Ilha da Reunião com as tammorre (espécie de pandeiro da região de Nápoles), a voz de Valentina Ferraiuolo do sul de Itália e a voz e o contrabaixo de Sofia Neide, de Portugal. Sob o sol leonino de agosto, o público de Oeiras poderá apreciar na sexta-feira dia 4 a música tradicional do Magreb, que se associa aos ritmos da música balcânica, hindustani, raï e gnawa, que o grupo Aywa mistura com a música contemporânea amplificada até atingir um enérgico ambiente de festa e de encontro. A 11 a música será a da ilha das flores (Ilha Brava, Cabo Verde), conhecida pelas mornas e pela poesia de Eugénio Tavares, com a Brava 7Luas Band, outra produção musical original do Sete Sóis Sete Luas. A grande conclusão será com os ritmos da rumba, rock, pop e flamenco de El Chinchilla, artista de Castela-Mancha, a terra de Dom Quixote. Os amantes deste género musical poderão igualmente acompanhar El Chinchilla, no dia 22 de julho,  ao esplêndido cenário de Elvas, cidade que foi declarada património da humanidade, e com a possibilidade de degustar os sabores valencianos trazidos pelo chefe Victor Basset, que vem de Tavernes de la Valldigna, outra das cidades pertencentes à rede Sete Sóis Sete Luas. Baltasar e Blimunda também voarão sobre Elvas a 15 de julho e farão as delícias do público com os sons dos Agricantus e os sabores da Sicília preparados pelo chefe Matteo Cangilleri. Ainda em Agosto vão passar por Castelo Branco, com o espírito de partilha e de diversidade que define a abordagem musical e multi-étnica o grupo Aywa, dia 5, e a Brava 7Luas Band dia 16.
Entre 23 de julho e 8 de setembro será possível acompanhar a irresistível viagem de Sete Sóis e de Sete Luas na cidade de Ponte de Sor, entre a música, o teatro de rua e a arte contemporânea. Um calendário muito preenchido que também dará conta da residência musical de uma nova orquestra do Festival, que será dirigida pelo mestre da guitarra portuguesa Custódio Castelo e é composta por jovens talentosos provenientes de diversas cidades da rede: Toscânia, Sicília, Pombal, Alcázar de San Juan e Ponte de Sor. La Jeunesse II du 7Sóis, assim se chama a orquestra, apresentar-se-á em estreia absoluta no anfiteatro da zona ribeirinha a 5 de agosto. A 22 de julho o Centrum Sete Sóis Sete Luas receberá a exposição do artista cabo-verdiano Tchalé Figueira, que poderá ser visitada até ao dia 4 de setembro. Cereja no topo do bolo da programação é o excecional gaiteiro Budiño a 14 de julho. A sua música vai beber à tradição galega para depois a misturar com sons mais contemporâneos. Drum and bass, rock, new age e música tradicional constituem um catálogo variado e extenso de ritmos e de timbres que fazem dos seus concertos performances inolvidáveis, onde toda a gente começa a dançar num turbilhão musical indomável. E porque o verão não termina em agosto, setembro oferece ao público português outras extraordinárias oportunidades de poderem acompanhar este festival, que é único no mundo. Setembro começa logo no primeiro dia do mês, em Alfândega da Fé, onde a companhia L’Avalot procurará a incendiar os ânimos – e não só – com os seus dinossauros que regressarão à terra para esta ocasião. Les Voix des 7Lunes, a 8 de setembro, tentarão apagar o fogo com os seus instrumentos saídos das ondas do Mediterrâneo, mas também das de outros mares. No mesmo dia, em Ponte de Sor, inaugura a exposição do artista toscano Madiai e os diabos negros (Deabru Beltzak) chegam do País Basco para sacudir as almas.
Como já é habitual, será em Castro Verde e em Odemira que se puxam os cordelinhos deste incrível e popular festival durante o mês de setembro, com uma programação que não irá desiludir o público. Esta é uma viagem extraordinária de Sete Sóis Sete Luas, que vem confirmar um projeto e uma valência cultural raros nos tempos que correm. Num panorama geral onde se produz maioritariamente um entretenimento cru e despojado, o Festival Sete Sóis Sete Luas reafirma-se, por oposição, como um projeto de qualidade que também veicula valores. Como fruto da sua qualidade cultural, devemos recordar que, para além de José Saramago e Dario Fo – outro Prémio Nobel da Literatura – acreditaram neste projeto, a ponto de se tornarem seus presidentes honorários, o Presidente da República de Cabo Verde Jorge Carlos Fonseca e o Prémio Nobel da Paz de 2015 Mohamed Fadhel Mahfoudh.

IMPRENSA REGIONAL: "Alto Alentejo" - 21/6/2017


22.6.17

População de Nisa tem excesso de peso

Revela estudo de estagiárias de Enfermagem
A população da vila de Nisa tem excesso de peso, de acordo com um estudo realizado por quatro alunas do Curso de Enfermagem da Escola Superior de Saúde de Portalegre e que teve lugar no dia 2 de Novembro, no auditório da Biblioteca Municipal de Nisa.
Por um dia, parte das instalações da antiga Escola Dr. Graça, serviu como sala de estudo e consultório a quatro futuras enfermeiras, Ana Pinto, Carla Martins, Cláudia Henrique e Marlene Ferreira, no âmbito de um estágio de Cuidados de Saúde Primários que decorreu no Centro de Saúde de Nisa, durante nove semanas.
O excesso de peso e a obesidade, visível, de uma parte considerável da população, motivou as jovens estagiárias de enfermagem para uma acção prática que visava, por um lado, fazer um rastreio e conhecer a percentagem da população com excesso de peso e ao mesmo tempo aproveitar a presença do público para uma sensibilização sobre os cuidados e a necessidade de uma alimentação saudável.
A iniciativa decorreu no horário de funcionamento da Biblioteca Municipal, até às 18,30h, num dia de chuva, circunstância que terá afastado muitas pessoas. Ainda assim foram mais de centena e meia os homens e mulheres, adultos, sobretudo, que afluíram ao auditório da Biblioteca, fizeram a medição da altura, peso e da tensão arterial. Os dados destas operações indicavam, por fim, o Índice de Massa Corporal, que eram comunicados e acompanhados de diversos esclarecimentos e distribuição de folhetos informativos que abrangiam os problemas de saúde desta área em estudo.
No que se refere a algumas conclusões, temos que os indivíduos do sexo masculino são aqueles que apresentaram valores de tensão arterial, de acordo com o preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como Elevados – Hipertensão Arterial.
São também os indivíduos de sexo masculino, ainda segundo os parâmetros da OMS, que apresentam Excesso de Peso, tendo em conta a tabela de classificação do Índice de Massa Corporal.
É na freguesia do Espírito Santo que residem os indivíduos que, na sua maioria têm Excesso de Peso, e na de Nossa Senhora da Graça os indivíduos que, maioritariamente, têm Obesidade.
O rastreio mostrou que é o grupo dos indivíduos reformados aquele que apresenta maiores riscos quer relativamente ao excesso de peso (30%), quer em relação à obesidade (27%), com apenas 10% dos indivíduos desta categoria, presentes no rastreio, a terem uma situação Normal na classificação do Índice de Massa Corporal.
Valores muito semelhantes foram os obtidos para a faixa etária da população com mais de 65 anos, que evidencia Excesso de peso (23%) e Obesidade (18%), sendo apenas de 6% os indivíduos com uma situação Normal, de acordo com os parâmetros já referidos. Note-se que, tanto no grupo dos Reformados como no da faixa etária > 65 anos não há situações de Magreza. Aliás, cabe referir que, da população presente no rastreio, apenas 1% se insere no conceito de Magreza, de acordo com a classificação do Índice de Massa Corporal, não se registando em Nisa, latu sensu, alguns dos fenómenos característicos dos grandes centros urbanos e que atingem, sobremaneira, adolescentes e jovens.
Ana Pinto, Carla Martins, Cláudia Henrique e Marlene Ferreira mostravam satisfação e o sentimento do dever cumprido, no final desta verdadeira acção de saúde pública e de contacto com a população.
“Foi muito gratificante este contacto com as pessoas” – começou por dizer Ana Pinto, natural de Nisa e a “jogar em casa”.
“Estas acções inscrevem-se no âmbito do estágio de Cuidados de Saúde Primários no Centro de Saúde de Nisa e nós tivemos esta ideia, mais abrangente e voltada para o exterior, uma forma de conhecermos os outros e de nos conhecermos a nós próprias. Esta acção era para ser feita na rua, mas acabámos por realizá-la aqui face às condições do tempo. “
De entusiasmo, era a expressão de Cláudia Henrique quando lhe perguntámos se tinha valido a pena esta iniciativa.



“Foi muito bom, pois apesar do mau tempo ainda veio muita gente. Foi pena não terem vindo mais crianças e jovens. Os que vieram mostraram curiosidade e atenção às mensagens que procurámos transmitir, principalmente os relacionados com a alimentação. Pensamos em qualquer coisa para nos aproximarmos da população e este objectivo foi alcançado”.
No âmbito do estágio de nove semanas em Nisa, as quatro jovens passaram por todas as valências do Centro de Saúde, desde o Internamento, às Urgências, Consultas e Extensões locais. O rastreio da Obesidade foi o culminar deste trabalho e aquele que, porventura, mais as terá motivado.
“Os resultados do rastreio, são o espelho do Alentejo, que tem uma população idosa e hábitos alimentares enraizados” – concluem Carla Martins e Marlene Ferreira.
“As pessoas fazem uma alimentação pouco equilibrada e pouco variada, à base de enchidos e gorduras, para além dos estilos de vida, sedentários, e sem actividade física regular. As consequências são as doenças como a hipertensão e a diabetes. A mensagem que procurámos transmitir, a nossa sensibilização, foi no sentido de procurarem ter uma alimentação saudável e variada.
Nota-se que as pessoas têm consciência que são obesas, mas depois não agem em conformidade, não se preocupam em ter comportamentos mais saudáveis, não só no aspecto da alimentação, mas interiorizando a importância do exercício físico, os passeios, uma vida menos sedentária.”
A terminar, as alunas da 4ª Licenciatura B em Enfermagem, fizeram questão de deixar expresso o seu agradecimento às seguintes entidades:
ARS de Portalegre, Engª Gabriela Tsukamoto, presidente da Câmara de Nisa, Equipa de Enfermagem do Centro de Saúde de Nisa, Sr. Bento Semedo, responsável pela Biblioteca Municipal, SPEO – Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, e a todas as pessoas que directa ou indirectamente proporcionaram a realização deste trabalho.
Mário Mendes in “Jornal de Nisa” nº 219 – 2006

21.6.17

VIDAS: Joaquim Louro e o futebol em Nisa

“No meu tempo a bola era "quadrada""
 Do futebol de hoje ao futebol, tal e qual se praticava em Nisa, há 60 anos, no tempo de andar “com as balizas às costas”, vai uma grande distância: o “salto” das transformações que abalaram o mundo e do poder do dinheiro, que se instalou na designada “indústria do futebol".
Joaquim da Cruz Ribeirinho Louro, nisense, 85 anos, lembra, com uma memória, por vezes ténue, outras, empolgante, o que foram esses tempos e as paixões que o futebol despertava em Nisa. Ouçamo-lo:
“ Nasci em Nisa e andei na escola do Rossio e fiz a 4ª classe, sendo aprovado com distinção. O meu professor era o senhor José Dinis Paralta e quando queria dar reguadas dizia: xi, xi, xi, . Nunca levei reguadas, mas uma vez livrei-me de levar uma quantidade delas. O professor estava a fazer perguntas a um colega e eu antecipei-me e comecei a responder por ele. Diz-me, então o professor: “Ai sabes muito? Pois vais responder a seis perguntas e se não souberes podes preparar as mãos. Eu respondi, com grande alívio, às perguntas.
Quando saí da escola estive até aos 14 anos a ajudar o meu irmão Xico, que era alfaiate e barbeiro. Fiz ainda outros trabalhos e depois fui para o Grémio da Lavoura, onde estive mais de 20 anos, como contabilista.
Trabalhei também na Barragem do Fratel, na firma Vaz Guedes, Serra e Fortunato, em Nisa na Padaria do sr. Virgílio, era eu que passava as facturas e dava alguma assistência na contabilidade, para além de ter trabalhado ainda na Seprol, uma empresa que andava a instalar a rede de esgotos em Tolosa.”
E não me falou no Cine Teatro, onde esteve alguns anos…
" Fui o bilheteiro do cinema. Antes de mim era o senhor Moniz que lá estava, era empregado do Alcobia, que trouxe e cinema à renda durante anos. O Moniz passou-me a pasta a mim quando a exploração do Cine Teatro passou para a firma António Mendes, que era o pai do senhor Vilela.
Vendi bilhetes durante muitos anos, recebíamos uma bagatela, 3 ou 4 escudos. O cinema também não dava para mais e sempre víamos algum filme. Antigamente havia muita gente a ir ao cinema. Filmes de cowboys  e de romanos era sempre casa cheia. Isso hoje acabou e eu nunca mais fui ao cinema, a não ser a alguns espectáculos ou iniciativas da Câmara para idosos.
Vamos lá então ao futebol…
" Comecei a jogar aos 18 anos no Sport Lisboa e Nisa (Benfica). Os jogos eram no campo do Alto de Palhais e ali jogávamos com o Alpalhão, Ponte de Sor, Alter e outras equipas. Havia muita gente a ver os jogos, era um disparate.

Quando apareceu o Sporting em Nisa, nos finais dos anos 30, a direcção disse-nos: “rapaziada, aqueles que são sportinguistas e quiserem sair, podem sair à vontade”. E eu, o Jaime Matutino e outros fomos jogar para o Sporting. E foi pelo Sporting que nós ganhamos ao Benfica de Nisa por 4-3 na inauguração do Campo do Sobreiro. O campo estava cheio, eu jogava a interior-direito. Nesse tempo, não era como agora. As equipas jogavam “à inglesa”, com cinco avançados, para marcar muitos golos.
O Sporting de Nisa teve uma existência muito curta?
" Sim, durou pouco tempo. Quando comecei a jogar já havia campo. O terreno no Alto de Palhais era do sr. Júlio Bento e do pai do sr. Isaac. Eram pessoas muito bairristas e também gostavam de futebol.
O Campo do Sobreiro esteve primeiro cedido ao Sporting, pois o Dr. Carlos Bento estava casado com uma filha do sr. Aníbal Vieira, o dr. Graça. Como o Sporting acabou, o campo continuou a ser utilizado pelo Benfica até hoje.
O Sporting tinha uma sede na rua do Mártir, por cima da casa do sr. Mário Bicho, numa casa do sr. Passinhas. O contínuo era o ti Manuel Marzia e a casa tinha um grande quintal onde se faziam bailes com muita gente. Naquela altura, o povo era quase todo sportinguista."
Quantos anos jogou à bola?
" Joguei futebol durante 15 anos. No Benfica e no Sporting. Gostava muito de jogar e era essa paixão que nos motivava. Nunca ganhámos nada. Uma vez, quando me mudei do Benfica para o Sporting ainda levei uma estalada do meu pai, lembro-me bem, à lareira, pois ele queria que eu jogasse no Benfica, não por ser benfiquista (era do Sporting) mas por respeito e afeição ao dr. Granja, um grande benfiquista que Nisa teve.
Nunca tive problemas com o futebol. Jogava-se rijo, corria-se muito, havia por vezes umas cacetadas, no calor dos jogos, mas depois tudo serenava. Era tudo boa gente. Jogava-se mais com o físico, não havia a técnica que há agora. Nem a técnica, nem os treinos e muito menos as condições que há hoje.
Uma vez fomos jogar ao Crato e viajámos numa carroça do ti Zé Moleiro. Demorámos 3 ou 4 horas daqui para lá e chegámos a casa já bem de noite."
Como foi o seu percurso de treinador?
" Eu propriamente treinador encartado nunca fui. Sendo sportinguista e sócio do Nisa e Benfica dei sempre a minha melhor colaboração a qualquer das direcções que me pediram para eu treinar, fosse a equipa de juniores, fosse a dos seniores. Treinava sem qualquer manual, baseava-me mais naquilo que eu sabia e na minha experiência pessoal. O que eu exigia era a preparação física. Esta é a base principal de qualquer jogador. Futebolista mal preparado não pode competir e não pode dar bom resultado."
Futebol de ontem, futebol actual. Quais as semelhanças e diferenças?
" Gosto muito de futebol e sempre que possível vou acompanhando. As arbitragens não condizem com aquilo que o futebol precisa, tem de haver mais verdade no jogo. O futebol agora é muito mais técnico, no geral. Privilegia-se a defesa, não sofrer golos, no meu tempo era ao contrário: marcar quantos mais melhor.
Em Nisa, tenho pena do que se está a passar, sem termos uma equipa sénior de futebol. No meu tempo tivemos duas, duas grandes equipas e lastimo bastante que não haja futebol em Nisa. As pessoas têm que acordar.
Eu joguei futebol, o que dei ao futebol foi de vontade e por prazer. Posso não ter agradado a muitos, mas nem eu nem os meus colegas desse tempo tiveram qualquer benefício em serem jogadores. Só um grande prazer e uma forte paixão.”
Se calhar é o que falta a muitos dos nossos “ídolos” com pés de barro…
Mário Mendes in "Jornal de Nisa" nº 219- 2006

19.6.17

ALPALHÃO: Vem aí a 1ª Feira Equestre e Agrícola


NISA: Academia de Férias escolares


CASTELO DE VIDE: Noivas de S. João


Palco Tejo recebe Pedro Abrunhosa, Diogo Piçarra e David Carreira na IV Edição da Feira dos Sabores do Tejo

A Feira dos Sabores do Tejo, que decorre de 23 a 25 de junho tem já confirmadas as atuações dos artistas Pedro Abrunhosa, Diogo Piçarra e David Carreira, que atuarão no Palco Tejo, no recinto do certame, em Vila Velha de Ródão.
Os concertos, com entrada gratuita, são uma referência do evento que promete juntar milhares de pessoas em Vila Velha de Ródão.
No primeiro dia do certame, pelas 24H00, sobe ao Palco Tejo, Pedro Abrunhosa. Após o concerto do artista português será a vez do DJ Edie Ferrer animar a noite.
No sábado, o Palco Tejo pertence a Diogo Piçarra que fará o seu espetáculo a partir das 24H00, seguindo-se, à 01H30 a atuação da DJ Isabel Figueira.
A Feira Sabores do Tejo encerrará no domingo, com um espetáculo de David Carreira, a partir das 23H30, também no Palco Tejo.
Luís Pereira, presidente da Câmara, considera que "a Feira dos Sabores do Tejo tem vindo a assumir-se como um espaço de afirmação da visão estratégica para o desenvolvimento do território, da capacidade e do valor dos agentes económicos que, nos últimos anos, têm vindo a investir em Vila Velha de Ródão, a gerar riqueza e a criar postos de trabalho".

A Feira dos Sabores do Tejo, promovida pelo Município de Vila Velha de Ródão, assume-se como um dos mais importantes certames da região e pretende valorizar as vertentes económica, cultural, associativa e gastronómica do concelho. 

PORTALEGRE: "Algumas histórias mínimas e outras pulgas" pelos alunos da Escola dos Assentos

Realiza-se no próximo dia 21 de junho de 2017, pelas 21h, no Pequeno Auditório do CAEP, a apresentação "Algumas histórias mínimas e outras pulgas", que resultou da dinamização da atividade extra curricular "Animação de Leitura", com os alunos de 4.º ano da EB de Assentos.
Para a referida apresentação, o responsável pela AEC, docente António Pascoal, contou ainda com a colaboração da animadora sócio educativa Sandra Miguel e dos docentes António Boinas e Paula Parreira (EB de Monforte).
A entrada é gratuita!
Contamos com a sua presença!

Banda de Nisa no Festival Internacional de Bandas Filarmónicas do Alto Alentejo

A banda da Sociedade Musical Nisense é uma das participantes no Encontro Internacional de Bandas do Alto Alentejo, a realizar em Monforte no dia 2 de julho de 2017.
Apelamos à divulgalção do festival e convidamos as bandas que não irão marcar presença e as diferentes entidades a marcarem presença.
Apela-se ainda à imprensa para marcar presença. Refira-se que as 8 bandas irão interpretar em conjunto o Hino da Federação, de Sílvio Pleno e o Paso Doble, João Moura, de Alexandre Ribeiro (homenageado) e que os dois temas serão acompanhados por um espetáculo pirotécnico.

18.6.17

"A Bilha Quebrada" estreia pelo Teatro da Terra em Ponte de Sor



Venho por este meio enviar em anexo o press release e três fotos de ensaio de A BILHA QUEBRADA de Heinrich Von Kleist, uma encenação de João Didelet para o Teatro da Terra, com estreia marcada para quarta-feira 21 de Junho às 21h30, e para a qual solicito a vossa melhor atenção.

17.6.17

MORA: VIII Festival Música no Rio, os Outros Sons do Fluviário

O Parque Ecológico do Gameiro, junto ao Fluviário de Mora, localizado na freguesia de Cabeção, recebe pela oitava vez consecutiva o Festival "Música no Rio – Os Outros Sons do Fluviário", que decorre todos os anos no mês de Julho.
O evento inicia-se no dia 14 de Julho, num ambiente tranquilo junto ao rio, com a Sinfonietta de Lisboa a interpretar compositores franceses dos séculos XIX a XX. No dia seguinte, 15 de Julho, sobem ao palco LST – Lisboa String Trio, que proporcionarão a todos os presentes um espectáculo de música instrumental portuguesa, no qual actuará como convidada a cantora Cristina Branco.
A música volta ao rio no fim-de-semana seguinte, com a actuação da fadista Carminho na Sexta-feira, 21 de Julho. No dia 22, a encerrar a VIII edição do Festival “Música no Rio – Os Outros Sons do Fluviário", um espectáculo de música tradicional portuguesa com a Brigada Victor Jara.
O Festival integra quatro temáticas diferentes – fado, jazz, clássico e música popular de qualidade – apostando numa oferta musical de prestígio, aliada ao cenário idílico em que o mesmo acontece. Trata-se de um evento que se tem vindo a afirmar no panorama nacional dos festivais de Verão, onde não falta dinâmica e música de qualidade.
A organização é da Câmara Municipal de Mora, com o apoio da EDP. Uma aposta na promoção e divulgação do Concelho de Mora e de todos os seus atractivos.

NISA: Festas de S. João na sede da Banda


16.6.17

O Andanças'17 em Castelo de Vide!

Em 2017 o Andanças acontecerá durante 4 dias, de 8 a 11 de agosto, na vila de Castelo de Vide,  assinalando a sua vigésima segunda edição, sob o tema Andanças, em Redor da Vila – Castelo de Vide.
A realização do Andanças 2017 em Castelo de Vide nasce da vontade de garantir o futuro do festival, após o incêndio que ocorreu em 2016, tendo a PédeXumbo, a associação organizadora, decidido realizar uma edição num formato mais reduzido, tanto em número de dias, como em número de públicos.
A bonita vila de Castelo de Vide será assim o cenário da nova edição do Andanças, onde as danças e as músicas tradicionais do mundo, as diversas oficinas, os passeios, os bailes, os concertos,  as sessões de cinema, a programação especialmente dedicada a crianças e famílias, animarão as ruas e os espaços da vila do Alto Alentejo.
O Andanças 2017 manterá o mesmo formato e continuará a ser um festival onde o público deixa a típica postura de espetador para assumir um papel ativo, participando nas dezenas de oficinas e atividades que preenchem cada dia.
Entre os vários espaços programados destaca-se o recinto do festival no antigo campo de tiro, a oferecer vistas panorâmicas da paisagem circundante e das montanhas que envolvem a vila, assim como diversos recantos com sombras e árvores. Nesta área estarão três palcos de bailes e oficinas, o Espaço Crianças e Famílias, o Espaço das Atividades Paralelas assim como várias áreas lounge e um bar.
Estreitando laços com a comunidade que o acolhe, está prevista programação aberta e gratuita a todos, que acontecerá no Coreto do Jardim Público no Cineteatro Mouzinho da Silveira, na Igreja de S. Francisco, nas ruas da vila de  Castelo de Vide e também em Póvoa e Meadas, com um dia de Andamentos. O Mercado de Artesanato e os Espaços de Restauração também estarão acessíveis a todos.
No Andanças 2017 não faltará dança e música, um convite constante para experimentar e partilhar através destas formas de expressão e para viajar por universos sonoros e sensoriais de outras partes do mundo. Haverá mais de 40 oficinas, 30 atividades para crianças e famílias, 30 bailes, 10 concertos, 20 atividades de relaxamento e desenvolvimento pessoal, assim como vários passeios e atividades locais.
Continuaremos a manter o espaço livre de poluição, promovendo e disseminando boas práticas sociais, económicas e ambientais, como o uso da caneca, o apelo para a escolha de formas mais sustentáveis de transporte, a compra de produtos produzidos localmente, entre outras. 
Este ano a caneca Andanças, ex-libris do festival, para além de ajudar a manter o festival livre de plásticos e descartáveis, transformar-se-á num símbolo da solidariedade. A venda das canecas Andanças reverterá a favor da AJUDADA Andanças 2016 – movimento espontâneo, informal e independente de solidariedade e entreajuda, baseado numa rede alargada de grupos locais e regionais de voluntários, criado para dar apoio aos lesados do incêndio no Andanças em 2016.
Como em anos anteriores o campismo será gratuito, embora limitado por se encontrar também na vila. Ofereceremos, também gratuitamente, a possibilidade de acantonamento no Pavilhão Gimnodesportivo, para o qual será necessário reservar espaço.
Este ano será mais fácil chegar até ao Andanças de transporte público. Já foram criadas parcerias com a CP e a Rede Expressos, com descontos para quem apresente bilhete válido, e transferes gratuitos a partir de Vila Velha de Ródão. Apesar de não haver um parque de estacionamento oficial, serão criadas várias bolsas de estacionamento em diferentes pontos da vila.
O voluntariado  continuará a pautar e a distinguir o festival, que é de todos os que o ajudam a fazer.
Em 2017, o Andanças continuará a ser um laboratório de ideias, experiências, criações, como génese de sonhos e momentos de sinergias, assentes nos pilares da música e da dança, do voluntariado, da sustentabilidade e da comunidade - que este ano estará ainda mais presente!
O Andanças, mais do que um Festival de Música e de Dança, pretende continuar a ser um festival onde se é, se dança, se aprende, se está em família e se faz parte!
O Andanças é organizado pela PédeXumbo – Associação para a Promoção de Música e Dança.
A PédeXumbo (PX) é uma associação portuguesa que trabalha desde 1998 a promoção da música e dança tradicional, não apenas de Portugal, mas também de outras origens. Uma equipa profissional dedica-se à recuperação e divulgação destas práticas culturais, através de registos, coproduções, criações artísticas, investigação e através do ensino formal e informal destinado a todas as idades. A PédeXumbo também organiza festivais em todo o país e programa regularmente no seu próprio espaço, em Évora, oficinas, concertos e bailes para vários públicos.

15.6.17

MONTALVÃO: Recordações da casa amarela




Ai que saudade eu já tinha
Da minha alegre casinha
Tão modesta como eu
Meu Deus, como é bom morar,
Numa aldeia onde o luar
Parece uma bênção do Céu...

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

Meio caminho andado
Cartoon de Henrique Monteiro in http://henricartoon.blogs.sapo.pt

SANTANA (Nisa): O cultivo do linho como fonte de receita

Sabia que…
… O linho foi no passado a maior fonte de receita dos lavradores do Arneiro, Duque e Pardo? No ano de 1855 “…os Montezinhos se adiantavam um pouco mais, por não terem terras de safra , mas n´estes últimos tempos, como tem deixado bons proventos, e é muito perguntado, todos em geral o semeiam, e em quantidade, que n´este anno, houve lavrador, que semeou 40 alqueires de linhaça e mais e o preço regulou por oitocentos réis a pedra (oito arráteis) (1), e produziu por um cálculo aproximado sete a oito pedras por alqueire, e recolheram-se em todo o concelho para mais de 10,000 pedras".(Motta e Moura, 1855).
Do linho faziam-se as melhores peças do enxoval e as camisas domingueiras do vestuário masculino. Mas antes de o tecer havia que o semear em fins de Outubro, que o mondar pela Primavera, e que o arrancar ao princípio do Verão. Durante os cinco dias seguintes dormia sobre a terra para perder o viço. Depois era vê-lo, louro, atado em molhos que secavam ao alto para amadurecer a semente, a linhaça. Alagava-se, mais tarde, no Tejo, junto aos Moinhos, aí permanecendo cerca de nove dias, altura em que de novo se erguia em molhos para enxuga. A seguir era colocado em cima de uma pedra e com um pau redondo era batido até que a casca do linho ficasse moída. Enquanto os homens maçavam, as mulheres, com gramas, limpavam-no de cascas e arestas. Em seguida era penteado no sedeiro e finalmente, já separado da estopa, era enrolado numa roca, fiado e feito em meadas que, depois de lavadas em água corrente, eram mergulhadas na barrela, numa calda com água e cinza. Escorridas as meadas, eram estas levadas a um forno tépido, sobre pedaços de cortiça, e tapadas com um pano embebido na mesma calda. Tapavam-se bem todas as fissuras do forno (usando cinza e bosta de boi) e aí ficavam durante três ou quatro dias. Uma vez retiradas do forno, lavavam-se nos ribeiros e coravam-se em cima de junco ou palha e, depois, fazia-se a barrela: metiam-se as meadas num cesto, e cada camada era aspergida com cinza e água quente. Aí ficavam de um dia para o outro, até serem de novo limpas pelas águas correntes dos ribeiros. Por fim eram dobadas e levadas a tecer A cultura do linho foi das primeiras a ser abandonada quando começaram a escassear os braços para a agricultura, e os seus tecidos frescos, de brancura imaculada, tornaram-se luxos ciosamente guardados para os filhos e os netos.
(1) - Arrátel, antiga medida de peso, equivalente a 459 gr.
Texto e foto retirado de "O Montezinho" - Boletim da freguesia de Santana

ALPALHÃO: Largo do Calvário vai ser palco da primeira feira equestre e agrícola

Exposições de gado e maquinaria agrícola; demonstrações com cavalos; tasquinhas e animação musical compõem o programa da ALFAGRI, a primeira feira equestre e de agricultura de Alpalhão.
O certame, agendado para os dias 14,15 e 16 de julho, no Largo do Calvário, vai contar com mais sessenta expositores, todos do Alto Alentejo.
Em declarações à rádio Portalegre, Alcina Batista, uma das promotoras do evento, explicou que na primeira edição da ALFAGRI as entradas vão ter um preço simbólico de forma a assegurar a continuidade da feira, naquela freguesia do concelho de Nisa.

Carla Aguiã in "Rádio Portalegre"

14.6.17

MONTALVÃO HOMENAGEOU ANTÓNIO CARDOSO MOURATO

Professor, humanista e defensor do património











A antiga Escola de Montalvão acolheu no passado sábado, uma Festa e Homenagem ao Dr. António Cardoso Mourato, organizada pela Associação Vamos à Vila e distinguindo uma das personalidades que se evidenciaram no campo da Salvaguarda do Património Cultural de Montalvão.
Numa sala cheia, coube à classe de acordeão do Conservatório Regional de Castelo Branco, dirigida pelos professores Carisa Marcelino e Horácio Pio, dar as boas vindas aos convidados e ao homenageado, com um concerto musical de grande qualidade que prendeu e entusiasmou a assistência.
José Maria Belo, fez o elogio do Dr. António Cardoso Mourato, um dos compiladores de "Montalvão, Elementos para uma monografia desta freguesia do concelho de Nisa", e autor de importante recolha gravada em Montalvão, Nisa e Póvoa e Meadas, que abrange diversas áreas da Cultura, desde a Literatura Tradicional, a Linguística e a Antropologia.
José Belo justificou a homenagem como uma prova de respeito e admiração a um montalvanense de elevado mérito, sempre arreigado á sua terra, aos seus valores e tradições.
Destacou o percurso de vida do homenageado, de origem humilde, o Curso de Enfermagem, através do qual evidenciou a sua capacidade de se dar aos outros em hospitais como o de S. José e outros, destacando ainda a sua ânsia de conhecimentos que o levou a frequentar e a concluir o Curso de Letras da Universidade de Lisboa, após o qual enveredou pela carreira profissional no Ensino, leccionando em diversas escolas da Grande Lisboa e mostrou o seu carácter de grande professor e humanista.
Entre 1965 e 1976 foi assistente de programas de âmbito cultural na EN (Emissora Nacional) procurando dar sentido ao lema “instruir e educar”, que prosseguiu mesmo após a aposentação, mostrando a sua ânsia de servir, como sempre fizera com os seus doentes e alunos. Esta homenagem é, pois, inteiramente merecida e justa”.
João Caixado, presidente do Casal Popular da Damaia, associação de solidariedade social à qual António Mourato, desde há cerca de 20 anos presta valiosa colaboração como voluntário, disse que “o professor Mourato é bem o exemplo daquilo que nós, que gerimos um Centro de Dia, defendemos para a chamada “3ª idade”, que é o conceito de “Envelhecimento Ativo”.
Há pessoas que estariam dispostas a gastar rios de dinheiro, pelo “elixir da eterna juventude”, por medicamentos que lhes garantisse uma vida longa e saudável, quando a solução está ao alcance de todos, e é gratuita.
Com 85 anos continua a colaborar com o Casal Popular, animando, todas as semanas, tertúlias literárias, com um papel activo de grande humanista e sendo um exemplo de solidariedade para com os outros.”
António Mourato agradeceu a iniciativa da Associação Vamos à Vila, considerou que a noção de valor é relativa, e que tudo o que fizera na vida tinha uma “marca”, a da terra onde nascera: Montalvão.
Prometeu continuar a trabalhar, pois “parar é morrer” e na forja está já a preparação de um livro sobre poetas populares montalvanenses.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 14/6/2017

Sermão de Santo António aos Peixes (Reflexão)

O sermão de Santo António aos Peixes constitui um documento da surpreendente imaginação, habilidade oratória e poder satírico do Padre António Vieira. Todo o sermão é uma alegoria, porque os peixes são uma metáfora dos homens. Foi pregado em S. Luís do Maranhão, a 13 de Junho de 1654. Um sermão com mais de 360 anos e que é de uma actualidade extraordinária.
Ora vejam: 
Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. (...)
Tão alheia cousa é, não só da razão, mas da mesma natureza, que sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer! Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens. (...)
O Polvo
O polvo com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo desta aparência tão modesta, ou desta hipocrisia tão santa, testemunham constantemente os dois grandes Doutores da Igreja latina e grega, que o dito polvo é o maior traidor do mar.
Consiste esta traição do polvo primeiramente em se vestir ou pintar das mesmas cores de todas aquelas cores a que está pegado. As cores, que no camaleão são gala, no polvo são malícia; as figuras, que em Proteu são fábula, no polvo são verdade e artifício. Se está nos limos, faz-se verde; se está na areia, faz-se branco; se está no lodo, faz-se pardo: e se está em alguma pedra, como mais ordinariamente costuma estar, faz-se da cor da mesma pedra.
E daqui que sucede? Sucede que outro peixe, inocente da traição, vai passando desacautelado, e o salteador, que está de emboscada dentro do seu próprio engano, lança-lhe os braços de repente, e fá-lo prisioneiro. Fizera mais Judas? Não fizera mais, porque não fez tanto. Judas abraçou a Cristo, mas outros o prenderam; o polvo é o que abraça e mais o que prende. Judas com os braços fez o sinal, e o polvo dos próprios braços faz as cordas.
Judas é verdade que foi traidor, mas com lanternas diante; traçou a traição às escuras, mas executou-a muito às claras. O polvo, escurecendo-se a si, tira a vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz, é a luz, para que não distinga as cores. Vê, peixe aleivoso e vil, qual é a tua maldade, pois Judas em tua comparação já é menos traidor!
Padre António Vieira, 1654.