29.4.17

NISA: Cuide do seu cão e da... Saúde Pública

A campanha de sensibilização é da iniciativa do Município de Barrancos, um dos mais pequenos do país, mas devia ser seguida por todas as autarquias do território nacional (Câmaras e Juntas de Freguesia) particularmente em Nisa.
O que se passa no Bairro da Cevadeira, a zona onde moro e conheço melhor, é deveras vergonhoso. Indigna e revolta ver o estado de alguns passeios e arruamentos, mesmo junto à GNR, depois do "passeio higiénico" que certos donos de canídeos, proporcionam, diariamente, aos seus animais. Permitem que estes defequem em plena via pública, por vezes à luz do dia e quase sempre a dois passos do contentor do lixo, deixando no chão as "marcas" da incivilidade e do desrespeito pela saúde dos seus semelhantes.
Fala esta gente na Europa, quando, a nível local dão exemplos nada edificantes da sua condição de cidadãos, que não merecem esse nome, pois não respeitam, minimamente, o direito dos seus conterrâneos a usufruírem do espaço público que é de todos, principalmente das crianças, obrigadas a "conviver" com os dejectos de animais em zonas ajardinadas.
Tal prática é lesiva da saúde pública e, deste modo, punida por lei. Quem passeia os seus canídeos  em zonas urbanas, com o fito de estes fazerem as suas "necessidades" devia pensar, primeiro, que a via pública não é sua propriedade exclusiva nem é uma estrumeira municipal e que é obrigatório por lei e pela moral, possuir e utilizar, sempre que necessário, o indispensável equipamento para a recolha dos dejectos dos animais. Pesará assim tanto no bolso, dois ou três saquinhos de plástico? Custará assim tanto apanhar os "cagalhões" deixados no chão, a maior parte das vezes longe da residência e dos olhares das pessoas, cumprindo, aliás, uma obrigação de cidadão responsável e respeitador da salubridade pública.

GNR alerta para os Incêndios causados por queimas

No decurso deste ano tem sido registado um elevado número de incêndios ocorridos na sequência da realização de queimas de sobrantes, sejam elas derivadas da atividade agrícola ou florestal (sobrantes cortados e amontoados).
A realização de queimas de sobrantes apenas é permitida fora do período crítico e desde que a classe de risco de incêndio seja igual ou inferior ao nível elevado.
Recomenda-se a consulta prévia do Risco de Incêndio Florestal no site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. (http://www.ipma.pt/pt/ambiente/risco.incendio/), ou através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (http://www.icnf.pt/portal/florestas/dfci/risco-temporal-de-incendio), podendo também contactar a GNR local, a fim de saber se é possível a sua execução na data pretendida.
No caso de estarem reunidas as condições legais para a sua realização, recomenda-se ainda que se tome a máxima prudência na sua execução, efetuando pequenos amontoados de sobrantes devidamente afastados, com uma faixa de terreno limpo à sua volta, em vez de um único amontoado e escolhendo dias nublados, húmidos e com pouco vento (abaixo do moderado). Tenha um telemóvel consigo para dar o alerta em caso de incêndio e mantenha-se vigilante até à completa extinção da queima, nunca abandonando o local. Tenha em consideração  que os trabalhos só devem ser considerados terminados, quando a queima esteja completamente extinta.
Tenha ainda em atenção que, mesmo que cumpra todas as obrigações legais para a execução de uma queima de sobrantes, caso esta origine um incêndio pode vir a ser responsabilizado por crime de incêndio e pelos danos causados.

NISA: Lembrando o poeta nisense José Gomes Correia





À minha terra
I
Qual namorado, que na campa estreita,
Onde descansa uma mulher amada
Encosta a fronte num sonhar distante
E deixa perpassar visões diversas,
Também eu, ao longe, ó minha terra,
Sinto meus olhos pobres de te verem,
De contemplar, à tarde, os teus vergéis
E a boca sequiosa dos teus beijos!
II
Aqui, longe de ti, ó berço amado,
Não há canções em bocas campesinas,
Nem contos de rainhas ao luar
A ruminar na mente das crianças!
É inverno em abril... e quando as flores
Vêm por graça algumas nas janelas,
Distrair nosso olhar neste vazio
Mais se aviva em meu peito a saudade!
III
E quando busco o pálido reflexo
Da tua formosura, ó Nisa minha,
Julgo encontrá-lo em terras ignoradas,
Em mundo que ninguém jamais verá!...
Tu és a flor nascida entre o deserto,
És a eterna canção maravilhosa,
Que aos meus ouvidos soa qual segredo,
Que só eu compreendo, ó minha terra!
José Gomes Correia (Nisa 22/6/1922 - 2/7/1983


28.4.17

Marcha do Clima, iniciativa mundial contra as alterações climáticas.

Este ano a Marcha tem especial atenção à ameaça das políticas de Trump e aos prometidos furos para exploração de petróleo em Portugal.
Junta-te a uma das marchas este sábado, 29 de Abril, às 15h:
Lisboa: Terreiro do Paço
Porto: Avenida dos Aliados
Aljezur: Câmara Municipal de Aljezu
Manifesto
A eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA provocou ondas de resistência em várias frentes, dos direitos humanos à igualdade de género, dos serviços públicos à justiça climática. Trump defende explicitamente o fracking e o carvão. Ao mesmo tempo autorizou o muito contestado oleoduto de Dakota (Dakota Access Pipeline) e o gasoduto Keystone XL, travados na administração anterior. A agenda petrolífera de Trump levou o movimento “People’s Climate Movement”, dos EUA, a lançar o apelo a uma manifestação internacional no próximo dia 29 de Abril.
Em Portugal, o governo tem passado mensagens contraditórias. Em Novembro de 2016, em Marraquexe, na COP22, o Primeiro-Ministro António Costa declarou que Portugal seria carbono neutro em 2050. Dois meses depois, o mesmo governo deu licença à GALP/ENI para avançar com a prospeção de gás e de petróleo no mar de Aljezur, ignorando as mais de 42 mil pessoas que se manifestaram contra o furo, durante a consulta pública. O governo cancelou dois contratos da Portfuel no Algarve, mas mantêm-se 13 outras concessões petrolíferas em Portugal. No entanto, no Parlamento Europeu a maioria dos eurodeputados portugueses assinou o tratado de comércio livre com o Canadá (CETA), que potenciará o aumento das emissões de gases com efeito de estufa, bem como privilégios acrescidos para as grandes companhias.
O aquecimento global antropogénico está a ser provocado pelas elevadas emissões de gases com efeito de estufa, cuja fonte principal são os processos de combustão de hidrocarbonetos, associados à produção e consumo de energia. A magnitude das emissões de gases com efeito de estufa já ultrapassou a capacidade natural do planeta para remover esses gases da atmosfera. O consenso quanto à existência das alterações climáticas e ao gigantesco perigo que representam para os ecossistemas e para a Humanidade, em particular para as camadas mais desprotegidas da população, tarda em produzir respostas políticas concretas numa economia viciada em emissões e poluição desregulada.
Para combater as alterações climáticas é preciso levar a cabo uma mudança que tenha como objectivo a transição justa para as energias renováveis, diminuindo progressivamente o uso de combustíveis sujos e perigosos como o petróleo, o gás natural, e o carvão, ao mesmo tempo que se recusam soluções insustentáveis como a energia nuclear e as grandes barragens.
Para isso, uma das prioridades tem de ser o anulamento imediato de todas as concessões de prospeção e exploração de gás e de petróleo ao longo da costa portuguesa, do Algarve à Beira Litoral, do Oeste à Costa Alentejana. Na nossa opinião, estão baseados numa lei inválida. Não é possível uma política climática coerente que possa coexistir com estes contratos de petróleo e gás natural.
Enquanto cidadãos e coletivos queremos um país e um planeta em marcha para um novo paradigma energético, que respeite os direitos humanos, que ponha as pessoas e a natureza acima dos interesses da indústria petrolífera. Queremos uma outra economia, livre de conceitos e práticas que nos arrastam para a catástrofe.
Dia 29 de Abril, juntando-nos à People’s Climate March internacional, sairemos à rua em vários locais do país para exigir uma resposta séria às alterações climáticas e a recusa da exploração de hidrocarbonetos em Portugal.
Subscrevem: Academia Cidadã; Alentejo Litoral pelo Ambiente; Amnistia Internacional; ASMAA – Associação de Surf e Actividades Marítimas do Algarve; Bloco de Esquerda; Campo Aberto; Cidadãos pela Pressão Climática; Climáximo; Coletivo Clima; Coopérnico; Futuro Limpo; GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA – Grupo de Ordenamento do Território e Ambiente; Hidrosfera Portugal; Livre; Movimento Alternativa Socialista; MIA – Movimento Ibérico Anti-nuclear; Partido Ecologista "Os Verdes"; PAN – Pessoas, Animais, Natureza; Peniche Livre de Petróleo; Plataforma Não ao Tratado Transatlântico; Porto Sem OGM; Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza; Sciaena; Sindicato dos Professores do Norte; Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

Há malta com uma imaginação incrível. Estes personagens bem merecem o perdão de Sua Santidade, pelos notáveis serviços prestados à Nação. Se até o Cavaco os condecorou...

27.4.17

ALPALHÃO: III Prova de Vinhos na Sociedade Recreativa

A Sociedade Recreativa Alpalhoense vai promover a sua III Prova de Vinhos e conta consigo para fazer parte do júri.
Basta aparecer e adquirir a caneca alusiva ao evento, e poderá saborear à sua vontade todos os vinhos a concurso.
A prova decorrerá durante o almoço que será servido na sede da nossa coletividade a partir das 13 horas.
Se for vinicultor e quiser participar, traga-nos um garrafão com o seu vinho até às 12 horas do mesmo dia (30 de abril).
ESTE DOMINGO ESTAMOS À SUA ESPERA!!
APAREÇA E TRAGA AMIGOS!!

4º Trail Vila de Nisa realiza-se em 5 de Novembro


OPINIÃO: Matar ou morrer

Marco Ficini era um adepto profissional do futebol. No que isso tem de salutar e de nefasto. Morreu de madrugada numa rua de Lisboa, atropelado e abandonado por aquele ou aqueles que o atingiram e por todos os que, supostamente, estariam a seu lado aquando da batalha campal entre elementos das claques do Benfica e do Sporting. Cobardes uns, cobardes outros. As circunstâncias em que ocorreu este trágico episódio ainda estão por apurar. Mas, ainda assim, não ouvi ninguém admitir a possibilidade de o dérbi entre os clubes da capital poder ser adiado. Já não falo por respeito, mas para dar o exemplo, para suster a espiral de alucinação coletiva que varre o futebol português. E isso, esse silêncio, a simples convicção de que nem era preciso admitir a hipótese, diz muito (diz tudo) da gente que habita esse admirável mundo.
Ainda assim, o que mais me (ia escrever chocou, mas honestamente já nada me choca nesse universo paralelo), mas dizia, o que mais me inquietou foi o clamor daqueles que, no resto do ano, agem como pirómanos insaciáveis e agora se mostraram ao país como virgens impolutas e ofendidas, distorcendo a moral a seu favor para agradar à numerosa turba que os idolatra.
O cadáver de Mário Ficini ainda estava morno e já ecoava na arena pública o som insuportável dos insultos entre dirigentes. Alheios às circunstâncias, alheios à normalidade, alheios à fase adulta e ao bom senso. Alheios à sua responsabilidade e às consequências dos seus atos. O silêncio é respeitoso em todo o lado menos no futebol, onde até palmas se batem nas homenagens caladas aos mortos.
Este é o país onde, quase todos os dias, se incita, na televisão, à clubite primária e virulenta, se agitam teorias da conspiração, se repetem repetições para (de)formar juízos. Horas e horas de programas sobre futebol onde não se fala de futebol, num campeonato alternativo onde os pontos são as audiências. Mas ao futebol perdoa-se tudo, não é verdade? Porque faz parte da trilogia mágica a que se somam fado e Fátima. É uma força indomável. E as forças indomáveis não andam de trela curta. O povo quer, o povo tem.
O pior do futebol não é o futebol. Não o que se disputa num retângulo verde, 11 para cada lado, uma bola saltitante e um desejo ardente de golo. Isso é um desporto apaixonante. Ganhar ou perder. Falo do resto. E o resto é um prolongamento doloroso sem dignidade ou brilho. Não é ganhar ou perder. É matar ou morrer. De uma coisa podemos estar certos: nesse terreno pérfido onde pululam egos maiores do que o corpo, as virgens que nunca o foram derramarão sempre as lágrimas típicas da primeira vez. Faz parte da enorme encenação em que está transformado o jogo.

Pedro Ivo Carvalho in "Jornal de Notícias" - 26/4/2017

IMPRENSA REGIONAL: "Alto Alentejo" - 27/4/2017


Casas de Acolhimento da SCMP apresentam boas práticas nas I Jornadas Plataforma PAJE

O Diretor das Casas de Acolhimento da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre vai apresentar as boas práticas de gestão destas instituições, nas I Jornadas Plataforma PAJE que se realizam, dia 28 de abril, no Auditório da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.
O convite para estar presente neste evento partiu da organização das Jornadas com o objetivo de abordar as temáticas da infância e juventude e, nesse sentido, divulgar as práticas de sucesso das Casas de Acolhimento da Santa Casa de Portalegre que passam por exemplo por reuniões comunitárias semanais com os jovens sobre vários temas da atualidade; Inclusão dos jovens mais velhos em voluntariados com ligação a algumas áreas do interesse dos jovens; Sinergias entre antigos alunos (bons exemplos) e os jovens acolhidos; Encaminhamento dos jovens acolhidos para práticas desportivas, culturais e cívicas como atividades extracurriculares; Sinergias com as forças de segurança (GNR e PSP) através de várias ações de sensibilização (violência no namoro, perigos da internet, consumos de drogas e estupefacientes, etc…); Sinergias com o Ministério Público – assistir a julgamentos sobre temas relacionados com os jovens; Sinergias com a Escola Superior de Saúde sobre temas como a higiene oral, hábitos tabágicos, doenças sexualmente transmissíveis etc.
Além disso as Casas de Acolhimento da Santa Casa da Misericórdia de Portalegre contam também com um Programa de Desenvolvimento de Treino de Competências de Autonomia, assim como com uma Casa de Autonomia, onde os jovens iniciam a sua vida adulta e onde alguns têm experiências de autonomia de vida com bastante sucesso.
São também políticas de gestão destas instituições, premiar o esforço, o bom comportamento e o bom desempenho escolar; integrar os elementos da sociedade civil nas dinâmicas do acolhimento residencial e realizar festas, aniversários e eventos.
Filipe Serrote, Diretor das Casas de Acolhimento da Santa Casa da Misericórdia, afirma “Foi com enorme alegria, que aceitámos o convite da direção da Plataforma PAJE para partilhar a nossa experiência de sucesso com todos os que vão assistir a estas Jornadas. Estamos orgulhosos do trabalho que desenvolvemos todos os dias e que se traduz, basicamente, em intervir de forma terapêutica e com amor. Esperamos que as nossas práticas possam inspirar outras instituições, e contribuir para que mais jovens venham a ter um futuro de sucesso.”
Acerca das I Jornadas Plataforma PAJE
As I Jornadas Plataforma PAJE – Apoio a Jovens (Ex)acolhidos onde “Vivenciar… Partilhar… Sorrir…” são o mote para uma reflexão partilhada entre diversos players envolvidos na problemática das crianças e jovens em risco, da fase pré-acolhimento, até ao seu termo e sequente integração social. Estas Jornadas propõem colocar na agenda dos decisores, através da comunidade científica e da opinião pública, a preocupação com vítimas precoces, oferecendo um contributo na análise das questões da infância e suas implicações ao longo da vida, através de uma abordagem multidisciplinar. Mais informações e programa em http://www.paje.pt/i-jornadas/

AVIS: Concurso Nacional de Leitura (fase distrital)

A fase distrital da 11.ª edição do Concurso Nacional de Leitura (CNL), cuja promoção e coordenação é da responsabilidade da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), na qualidade de parceira do Plano Nacional de Leitura (PNL), vai decorrer, no dia 28 de abril, na Biblioteca Municipal José Saramago, numa organização do Município de Avis, que contará com a colaboração da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, da Rede de Bibliotecas Escolares [RBE], da RTP, da Fundação José Saramago, da Biblioteca Escolar Mestre de Avis e do Agrupamento de Escolas de Avis.
A iniciativa, integrada na Semana da Leitura que decorre, de 24 a 28 de abril, na E.B. 2,3 Mestre de Avis, vai abrir, às 10h30, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Avis, Dr. Nuno Silva, e do Subdiretor Geral da DGLAB, Dr. Luís Santos.
Às 11h00, os alunos inscritos prestarão provas escritas sobre a leitura que efetuaram das obras Marido e Outros Contos, de Lídia Jorge, e O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago, destinadas ao 3.º ciclo, e A Viagem do Elefante, de José Saramago, e Livro, de José Luís Peixoto, para o ensino secundário.
Participam nesta prova 28 alunos do 3.º ciclo do ensino básico (7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade) e 3 alunos do ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade) que representam 9 municípios da NUT III Alto Alentejo.
O Júri designado para presidir às provas, escritas e orais, constitui-se de três elementos: Nuno Silva (Presidente da Câmara Municipal de Avis), Margarida Neves (Diretora do Agrupamento de Escolas de Avis) e Sérgio Letria (Direção da Fundação José Saramago), a quem caberá a supervisão de todo o processo de realização e avaliação das provas, bem como o apuramento dos concorrentes vencedores que representarão o distrito na Fase Final do Concurso Nacional de Leitura.
Ainda durante a manhã, acompanhantes e convidados irão "Descobrir Avis", numa visita guiada pela zona histórica de Avis, ao Centro Interpretativo da Ordem de Avis e ao Museu do Campo Alentejano. E, despois do almoço, servido a alunos e professores, no refeitório do Agrupamento de Escolas de Avis prosseguem as provas, desta vez as orais.
Às 16h00, antes mesmo da apresentação dos resultados, com da atribuição de prémios aos três primeiros classificados em cada categoria e Certificados de Participação a todos os concorrentes e escolas, que dará por terminada a fase distrital da 11.ª edição do Concurso Nacional de Leitura (CNL), haverá um momento musical, a cargo de Carlos Poeiras, Campeão Nacional de Acordeão e professor na Escola de Música de Avis.

PORTALEGRE: Fim de semana com boa música e comédia à la carte no CAEP

28 ABR. SEX. 22H
Tour Commedia A La Carte - Circus
Comédia de Improvisação | GA | 18€ Plateia / 16€ Balcão | M/12 anos
Senhoras e senhores, meninas e meninos, bem-vindos ao maior espetáculo do mundo!
Talvez não seja o maior! Nem possivelmente seja um espectáculo!
E para vos dizer a verdade, nem sequer são bem-vindos.
Circus! A nova digressão dos Commedia a la Carte vai percorrer o país, e a caravana tem paragem marcada numa cidade perto de si.
Cuspidores de fogo, homem bala, a mulher barbuda, trapezistas, malabaristas,  ilusionistas, domadores de leões... Nada disto poderão ver!
Já palhaços, somos três!
Pam pararapam pam pam!
29 ABR. SÁB. 21H
Banda Euterpe “Concerto de Primavera”
Música Ligeira | GA | 5€ | M/4 anos
A diversidade espelhada na Natureza é uma das marcas da chegada da Primavera e a música é uma das melhores formas de a celebrarmos.
Em abril, a Euterpe regressa ao grande auditório do CAEP com um espetáculo que reúne algumas das grandes obras compostas ou adaptadas para banda filarmónica. Pasodobles, musicais, medleys de canções que ficaram para a história. Sons para todos os gostos, num “Concerto de Primavera” que não vai querer perder.
28 ABR. SEX. 23H
Beatriz Pessoa
Pop / Jazz | CC | 4€ | M/12 anos
Cantora e compositora de registo intimista, fresco e suave, Beatriz Pessoa tece os seus temas originais no universo da pop e do jazz.
Fazendo-se acompanhar por um grupo de músicos talentosos, que desde cedo fazem parte do seu percurso, Beatriz apresenta em concerto o seu primeiro EP, “Insects”, de 2016.

26.4.17

NISA: O 15º Aniversário do 25 de Abril (1989)

São documentos para a história do concelho de Nisa e da sua vivência democrática. O programa do 15º aniversário da Revolução dos Cravos, 250 exemplares impressos na Tipografia Nisense, número um pouco superior à "tiragem" do recente Boletim Presidencial com que os nisenses foram mimoseados. Deixemos as coisas tristes...
O programa das Comemorações do 25 de Abril de 1989 privilegiou a diversidade de iniciativas e a descentralização das mesmas. Este é um dos "pecados", uma das situações negativas do 25 de Abril em Nisa. A sede do concelho monopoliza todas as realizações e não há uma centelha de imaginação (numa Câmara que tanto apregoa as "ideias") para contemplar, num programa cultural, a diversidade das povoações do concelho, ao longo de todo o mês de Abril.
E, tudo isto, porque a própria concepção do "programa" é em si mesmo centralizadora. Parte de uma só cabeça, bem ou mal pensante, e copia-se o programa do ano anterior. As associações, quais súbditos, virão à sede do concelho desfilar, actuar, pagando o "tributo" dos apoios que a Câmara (que tem essa obrigação e não um favor) lhes presta ao longo do ano.
Esqueceu-se o Feriado Municipal como data nobre e própria para as homenagens a pessoas e instituições. Homenagens que não são, não representam o corolário de discussão e apreciação entre os munícipes e associações do concelho, mas são o resultado de um "rasgo" individual de um qualquer eleito, ou em retribuição de um favor ou empunhando a "bandeira" de um ou mais atributos no currículo, para justificar, tantas vezes, o injustificável.
Há 40 anos (1987)- à parte a homenagem, indiscutível e justa, ao Dr. António Granja, realizada anos antes, em 1981- houve um programa de homenagens a personalidades do concelho, escolhidas pelos seus próprios méritos, escolhas essas que foram precedidas de um processo, exemplar, de auscultação da opinião das instituições concelhias e de pessoas, a nível individual. 
Sobre este assunto, dada a sua importância, iremos elaborar outro texto. Mas, que fique o essencial: é preciso regatar as Comemorações do 25 de Abril. A Revolução dos Cravos é do Povo. Não pode ser encerrada dentro de uma sala, com discurso mais ou menos engravatados, que não respeitam, sequer, a pluralidade dos eleitos no poder local, nem ser um desfile "folclórico" para mostrar à população que manda no burgo.
Mário Mendes

PORTALEGRE: Fundação Robinson e IPP assinalam 25 anos do Curso de Design


NISA: Comemorações do Dia Distrital do Bombeiro


NISA: Mensagem da CDU no 25 de Abril

O presidente da União das Freguesias de Nossa Senhora da Graça, Espírito Santo e S. Simão, João Malpique interviu na Sessão Solene comemorativa dos 43 anos do 25 de Abril, em nome dos eleitos da CDU - Coligação Democrática Unitária, tendo produzido a comunicação que a seguir transcrevemos.
Senhores eleitos na Assembleia Municipal
Senhores eleitos na Câmara Municipal e nas Freguesias
Caros Concidadãos
Mais uma vez, neste dia 25 de Abril, aqui estamos para falar EM NOME DE ABRIL!
“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial, inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.”
Pelas palavras de Sophia de Mello Breyner, renovamos o significado da esperança!
Convictos dos valores de Abril, no momento em que se assinalam os 43 anos de DEMOCRACIA, reafirmamos a confiança de que é possível abrir caminho para o progresso!
Parecia impossível… o feito notável de deixar para trás um dos períodos mais negros da nossa história! Não foi apenas um dia … foi o resultado de lutas e, sob o regime da ditadura, construiu-se o caminho da LIBERDADE!
A madrugada de que fala Sophia não foi um mero acontecimento… foi o resultado de grandes e históricas conquistas no plano local, nacional e internacional. Um grande feito na história contemporânea: foi a FESTA COM A NOSSA GENTE, que Chico Buarque cantou!
Significou o PROGRESSO da sociedade portuguesa!
Saudemos esses homens e essas mulheres que hoje nos permitem estar aqui a comemorar Abril!…
Mas… ONDE ESTÁ ABRIL?
Para além de Trump, para além das ameaças internacionais e da escalada de conflitos em todos os continentes, temos em Portugal, no nosso Concelho, populações mais pobres, empurradas para o desemprego por políticas seguidas por sucessivos governos, pela submissão do país aos interesses internacionais que afundam a economia e endividam o país e pela destituição de direitos sociais!
E perguntamos:  ONDE ESTÁ ABRIL?
Abril não pode servir para invocar a desertificação do interior como responsável pela estagnação e aumento do desemprego!
Abril não pode servir para gritar “viva a liberdade” mas mentir ao povo, aprisionando-o nas grilhetas da ignorância, ocultando a verdade e o direito à informação!
Abril não pode servir para que, nos órgãos máximos do poder local, se insultem eleitos, em nome da liberdade de expressão!
Abril não pode servir para, em nome do povo, haver eleitos que abusam do poder para tomar decisões unilaterais, só …  porque sim!
Abril não pode servir para enganar o povo, com sorrisos e festas, em nome da fraternidade!
Abril não pode servir para dizer democracia, quando na prática se exerce a ditadura!
CONTINUAREMOS O CAMINHO DE ABRIL!
Volvidos que estão quase 4 anos de trabalho autárquico, estamos convictos de que tomámos as decisões que melhor respeitam os interesses dos que acreditaram em nós, porque aqui estamos para os servir, não para nos servirmos:
Zelámos pelo bem estar económico, social e cultural das populações;
Defendemos o funcionamento dos serviços públicos, na área da saúde, justiça e educação;
Defendemos a necessidade da reorganização das freguesias;
Denunciámos injustiças para com os trabalhadores do município;
Apresentámos e aprovámos moções nos órgãos de poder local, apelando à resolução de  problemas ambientais como foi o caso da qualidade das águas do Tejo e pelo encerramento da Central de Almaraz.
Aos que hoje são idosos e que “não tiveram tempo de ser meninos” diremos que merecem o nosso maior respeito e por eles lutaremos para a garantia de dias mais felizes!
Aos que constituem a força de trabalho e viram negados direitos fundamentais, diremos que o povo ainda é quem mais ordena e lutaremos pela dignificação de todas as áreas profissionais, sem exceção!
Principalmente, aos jovens, queremos dizer que lutaremos para lhes dar mais vida neste Concelho, para que não abandonem o sitio onde nasceram, onde cresceram, onde aprenderam e onde querem, naturalmente, viver com as suas famílias, impedindo e invertendo a desertificação a que assistimos e que o Concelho de Nisa não é exceção.
Estaremos sempre do lado certo, do lado dos trabalhadores. É com eles o nosso compromisso! Damos rosto à luta na defesa dos interesses das populações. Hoje, estamos mais fortes, para podermos avançar nesta encruzilhada!
Se há quem apresente 5 milhões de obra feita e paga, propagandeada no jornal regional, também há quem com uma única obra tenha feito um investimento de igual valor, garantido o seu financiamento, obra esta que será o pilar da educação deste nosso concelho e que irá permitir à atual edil utilizar como cartão de visita para receber o Primeiro Ministro no final da semana em Nisa.
Se criarmos a marca É Nisa, é Nosso, valorizamos a nossa terra, mas só faz sentido se a partilharmos e de forma integrada a oferecermos ao mundo na promoção dos recursos endógenos e não ficarmos isolados.
A descentralização e delegação de poderes agora tão em voga foi sempre uma realidade neste concelho, na valorização do trabalho das freguesias dando a possibilidade a investimentos comuns que de forma concertada resolviam o problema das populações. Hoje, estas obras de capital são feitas exclusivamente pelo Município sem auscultar tão pouco os Presidentes de Junta, negando apoios e utilização de recursos que são de todos e só a alguns disponibiliza; será que existe receio de perder o protagonismo?
Há quem tenha ideias! Nós temos um rumo!
Contra a insensatez que conduziu o nosso Concelho ao retrocesso e ao isolamento,
temos sentido de ética e integridade!
Temos espírito de sacrifício, de missão…
Temos espírito de serviço público e a coragem de continuar a acreditar, a agir  e a construir  um Futuro melhor para o Concelho de Nisa!
Porque o Concelho de Nisa merece!
VIVA O PODER LOCAL DEMOCRÁTICO!
VIVA O 25 DE ABRIL!
VIVA PORTUGAL!
VIVA O CONCELHO DE NISA!
Nisa, 25 de Abril de 2017
João Malpique - Eleitos pela CDU na Assembleia Municipal de Nisa

NISA: A Festa dos Cebolas em 2008









Nove anos se passaram desde a 1ª e julgo, única, Festa dos Cebolas, um convívio de âmbito familiar que pretendia juntar pessoas de várias gerações com o apelido Cebola. As fotos registam aspectos dessa Festa realizada no dia 26 de Abril de 2008 e que juntou novos e menos novos, idosos, alguns dos quais já não estão entre nós e a quem prestamos homenagem.
Recuperámos a efeméride, a data, a festa e, sobretudo, o convívio que então foi estabelecido entre famílias com esse denominador comum: o apelido.
Podem partilhar as fotos à vontade.

25.4.17

DEZ POEMAS PARA O 25 DE ABRIL (8)

FLOR DA LIBERDADE
Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.

Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.
Poema de Miguel Torga (in "Orfeu Rebelde", Coimbra: Edição do autor, 1958 – p.52-53; "Poesia Completa", Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2000, 2.ª edição, 2002 – p. 560)
Neste aniversário (o quadragésimo terceiro) da eclosão da Revolução dos Cravos, que devolveu a Liberdade a Portugal, apresentamos o poema "Flor da Liberdade", de e por Miguel Torga. O texto veio a lume no ano de 1958, em plena autocracia salazarista, mas a mensagem não perdeu actualidade. Se "recusar", naquele tempo, significava contestar e resistir à opressão, hoje consiste em exercer plenamente a Liberdade. Deixar de exercê-la – por medo, comodismo ou apatia –, é abrir caminho ao despotismo de uns quantos sobre todos.

OPINIÃO: A liberdade a que temos direito

Abril foi muitas coisas. Coisas que cada um de nós carrega. Uns, como os meus pais, porque tanto o desejaram e viveram. Outros, como eu, porque transportam e reclamam orgulhosamente a memória coletiva que insistem, que insistimos, em não querer reduzir a mera celebração de dia feriado.
Abril foi rutura e foi fim. Libertou os prisioneiros, acabou com a tortura e a censura, remeteu o colonialismo ao vergonhoso lugar da História onde sempre pertenceu. Mas foi também começo, e disputa, num momento em que a liberdade significava poder esgotar todas as possibilidades da democracia, sem chantagens.
E quando hoje nos querem fazer acreditar que toda a democracia tem de caber nos confinados parâmetros da União Europeia, do euro e das suas regras, é chantagem que estão a fazer. Quando confundem o inconfundível, e nos dizem que tudo o que questiona o sistema é populismo de extrema-direita, é chantagem que estão a fazer. Quando querem tornar "normal" que as nossas escolhas soberanas sejam avaliadas por agências de rating privadas, é chantagem que estão a fazer. E a democracia não pode ser chantagem, sob pena de não ser democracia.
O país mudou nos últimos dois anos. Respira-se melhor porque os acordos entre o Bloco, o PCP e o PS alargaram o campo das possibilidades políticas. Estamos a cumprir o que prometemos, e todos os dias nos batemos por direitos e rendimentos. Mas isso não basta.
O Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo a Bruxelas é um futuro certo de desinvestimento no país e no Estado social em nome do cumprimento de regras orçamentais absurdas.
De todas as coisas que Abril foi, talvez a mais importante seja a liberdade para escolher um futuro. Exercê-la exige a possibilidade de questionar e rejeitar futuros tornados inevitáveis por regras emanadas de instituições que pouco carinho têm pela democracia. Depois de Abril, essa é a liberdade a que temos direito.
Viva o 25 de Abril!
Mariana Mortágua in "Jornal de Notícias" - 25/4/2017

NISA: Na Senhora da Graça em 25 de Abril







Foi no dia 25 de Abril, mas há seis anos atrás (2011) que se realizou a Romaria à Senhora da Graça.
Recuperámos a foto e a data de tão simbólica comemoração que encerra outra "lição": Comemorar o 25 de Abril e honrar, com fé e devoção, as celebrações da Padroeira de Nisa, não são actos e atitudes inconciliáveis. A "Revolução dos Cravos" respeitou sempre a liberdade religiosa inscrita no primeiro D do seu programa de acção: Democratizar.
Em Nisa, foi assim com a Revolução Liberal (1820), com a Implantação da República (1910) e mais recentemente com o 25 de Abril. Quem sustentar o contrário está a faltar à verdade histórica.

OPINIÃO: Valorizar escola e professor

No discurso político e social sobre a educação, o ensino e a formação, desde logo dos jovens, existe unanimidade quanto ao reconhecimento de que essa deve ser uma área prioritária de investimento para se alcançar o desenvolvimento da sociedade e do país.
Entretanto, quando observamos a forma como diversos governos trataram a escola e os professores, somos levados a concluir que a bota não dá com a perdigota. Também já constatámos que a aposta numa maior escolaridade e formação é sempre um ganho para quem as faz, mas se o país não tiver uma matriz de desenvolvimento que integre as formações adquiridas, pouco ganha numa perspetiva estratégica. As jovens gerações, com mais conhecimento e preparação, são "convidadas" a emigrar acabando por ir dar contributo ao desenvolvimento de outros países.
A escola pública portuguesa no global é uma boa escola, tem dado contributos extraordinários para avanços do país em múltiplos campos. O que nos tem faltado é um projeto de desenvolvimento que, por um lado, seja capaz de integrar formações e qualificações adquiridas e, por outro, seja gerador de dinâmicas propiciadoras de acertos (organizacionais, curriculares, pedagógicos e outros) em todo o sistema de ensino.
A escola portuguesa aguentou-se, apesar do chorrilho de suspeições e ataques aos professores ao longo dos anos. Tais práticas, prosseguidas por governantes obcecados por projetos pessoais prenhes de determinismos, mas sem sustentação empírica e científica, e apoiadas por formadores de opinião sempre ao serviço das "propostas inovadoras" do poder e da cartilha neoliberal, desgastaram violentamente uma geração de professores, facilitaram a amputação de meios humanos e materiais à escola, prejudicaram a necessária renovação do quadro de professores nos diversos graus de ensino, alimentaram perigosas roturas entre gerações, complicaram as condições necessárias para uma boa gestão das escolas.
O contexto político que se tem vivido nestas quase duas décadas que já levamos no século XXI e a panóplia de fundamentalismos transportados pela "crise" conseguiram distanciar os portugueses de uma observação objetiva sobre os rumos e opções seguidas. Entretanto, aquando do confronto de posições em torno da questão dos Contratos-Programa, sentiu-se um interessante despertar dos portugueses e das famílias que, de forma esmagadora, souberam rechaçar interesses egoístas (privados) e apoiar os interesses coletivos e a escola pública. Parece-me que, nas últimas semanas, a propósito de novas questões e de movimentações dos professores e seus sindicatos, esses sinais mostram amadurecimento e uma perceção bem melhor sobre como estão a funcionar as escolas, sobre as condições de trabalho e o papel dos professores.
O Ministério da Educação está sob fogo das forças de Direita e conservadoras, exatamente porque intervém numa área estratégica para o modelo de desenvolvimento do país. É por isso também que, ciclicamente, os sindicatos e, em particular, a FENPROF são vilipendiados e insultados, sendo as suas propostas, no fundamental, muito válidas. Será que o Governo e aquela equipa ministerial em particular, estão capazes de ultrapassar hesitações e, com coerência, coragem e empenho, encetarem paulatinamente a necessária correção de políticas?
A discussão do "Perfil do Aluno" pode constituir uma reforma de interesse se não ficar pela apresentação; se entretanto forem encetadas respostas que melhorem a rede escolar e tratem, nomeadamente, do número e rejuvenescimento dos professores, dos currículos, do sistema de avaliação; se for garantida autonomia às escolas e não mudança de subjugações.
É insustentável a precariedade de trabalho que afeta cerca de 20 000 dos professores tutelados pelo Ministério e milhares e milhares de outros trabalhadores das escolas - alguns destes pagos a menos de 3 euros por hora, mas a desempenharem importante papel de acompanhamento de crianças e adolescentes. Não se pode ter apenas 451 professores com menos de trinta anos num universo de 110 000. Os professores não podem continuar a trabalhar, em média, 46 horas por semana entre atividade letiva e não letiva e sem carreiras dignas.
Manuel Carvalho da Silva in “Jornal de Notícias” – 23/4/2017

24.4.17

DEZ POEMAS PARA O 25 DE ABRIL (7)

Poema ao cavador
Das tuas mãos cavador
Sai o pão que vai prá mesa
Que é feito do teu suor
Para ter mais fortaleza
I
Trabalhas a vida inteira
Mesmo "sendos" reformado
Teu companheiro é o cajado
Tua sombra a da azinheira
Dotado de tais maneiras
Não te renegam louvores
Mas não te dão o valor
Que tu tens e que te sobra
Saem as mais belas obras
Das tuas mãos cavador
II
Passas a vida nos montes
E nunca aprendeste a ler
Mas é grande o teu saber
E de rasgados horizontes
O ribeiro é a tua fonte
O sofrer é a tua nobreza
Que és útil tens a certeza
Mesmo com poucos proventos
E dos teus conhecimentos
Sai o pão que vai prá mesa
III
Trabalhas na agricultura
Começaste muito novo
És feito no meio do povo
Nomeio da gente mais pura
Sofres ofensas e agruras
Dos que se julgam superiores
Podes crer que és dos melhores
Porque é bom e tem beleza
O perfume da natureza
Que é feito do teu suor
IV
És tu que guardas o gado
E que semeias o trigo
És sempre o maior amigo
De quem te tem explorado
Todo o campo que é regado
Fica com mais realeza
As tuas mãos com destreza
Fazem um mundo diferente
Mais justo, mais belo e quente
Para ter mais fortaleza

Manuel Luís Ribeiro de Pavia