29.11.13

Opinião: ECO MI… SOU EU….SENHOR !

Com N. Senhora da Graça - κεχαριτωμένη ( cheia de graça )
 Sou eu Senhor…não já fisicamente o menino de vinte anos que se cruzou tantas vezes Contigo…!
Que embevecido só a Ti Te Olhava….
A Tua Serenidade,…Os Teus Gestos,…A Tua Paz ,…..a Tua Componente Emocional, ..a Tua Doutrina!
Os meus pobres limites,..as minhas dúvidas …
Voltou a coragem …Tantas razões para me reaproximar …
Sou eu …Senhor, ainda afinal esse jovem…que Te visitava tantas vezes.
Afinal….eco mi.
O caminho seguro, a direcção dos Teus Passos não engana,…olha para Mim, não me deixes só nas passadas para Te alcançar.
Eco mi…reconhece todo o vazio quando não estás.
Sou eu….o menino que Te procura ,muitas vezes fraco….poucas vezes forte, emocionado Contigo, a tentar Seguir-Te, sem olhar mais uma vez para trás.
Sou eu …Senhor, olhos no chão destruído pelo Não Ser.
ECO MI…Não deixes que eu desapareça mais uma vez.
Perdoa-Me por Te ter abandonado quando mais precisavas de Mim.
Sou eu Senhor a procurar-Te na Certeza de Ti…da Tua Beleza…o vazio completo por não estares..
Reconhece-me, fala-me, segue-me,não me abandones.
Seguir com a Igreja o Teu Caminho…Coerência de 2000 anos…Jesus a intervir na Comunhão.
Procurar aí o silêncio para Te encontrar na profundidade desses momentos.
Com Nossa Senhora da Graça…protectora fiel…
κεχαριτωμένη ( cheia de graça) para Te reencontrar.

ECO MI…
João Castanho

NISA: A horta à porta de casa


Podemos classificá-la como a "nova" paisagem urbana e que reflecte a crise económica - a real e a fictícia - que grassa pelo país. Novos termos e conceitos definem e defendem a existência de "hortas comunitárias" uma ideia que não tem nada de novo, como bem o demonstram muitos moradores das zonas periféricas de Lisboa e de outras cidades que, sem dizerem água vai - porque as couvinhas, a salsa, os coentros, as favas, as cebolas e toda a variedade hortícola  fazem muito jeito para sustentar bocas e aliviar a "carga" da economia doméstica - trataram e muito bem, de aproveitar terrenos devolutos, junto às grandes urbanizações.
Em Nisa, já tínhamos dado conta da existência de uma couve, que brotou, espontaneamente, de entre a calçada da rua Capitão Pais de Morais. Uma rua que, noutros tempos, tinha a curiosa designação de Rua dos Chouriços e, assim, já se entende o "nascimento" da couve.
Recentemente, visitante atento do blog, mandou-nos esta belíssima foto de um imponente tomateiro na rua 31 de Janeiro, na esquina com a rua Dr. José Falcão.
Ora, sabendo que os homens que fizeram o 31 de Janeiro de 1891- a primeira tentativa séria de derrube da Monarquia - eram homens de rija têmpera com os ditos cujos no sítio, não custa acreditar que o cultivo do tomateiro e dos seus frutos tenham, também, uma "razão histórica".
Certo é que, um pouco por todo lado, a paisagem  e a cultura hortícola, na base da sobrevivência, vão-se multiplicando. Fruto dos tempos e da necessidade que, sem aviso de extinção, todos vão sentindo. 

AREZ: III Matança do Porco da ACESA

A ACESA _ Associação da Cultura e Saberes de Arez promove no próximo sábado, dia 30 de Novembro, a III Matança do Porco tradicional, iniciativa que decorrerá na sua sede, a antiga escola de Arez.
A Associação convida toda a comunidade a participar neste evento.

27.11.13

CRÓNICAS DO REGABOFE (5): Luís Miguel Rocha, o best-seller português

Pequeno ensaio de como escrever com prazer e para vender (Análise a partir das obras: “O Último Papa” e “A Mentira Sagrada”).
Os tempos em que se discutia o cânone literário à mesa dos cafés e nos botequins de Lisboa, Porto e Coimbra, por vezes terminando essas discussões na rua à bengalada, ou em menor caso, o assunto não era para tanto, na bazófia do duelo, já lá vão mas os puristas continuam por aí, melhor ou pior instalados, tentando impor aos outros o seu gosto leitor.
Não sei se o prazer, prazer em escrever, é motivação primeva a todos os que exercem e cultivam o ofício das letras, sem querer ser arrogante, para mim, esse estado, prazeroso, é a base de todo e qualquer texto literário. e desconfio que o prazer de foder os outros também está por detrás da escrita legislativa…
Se o comité Nobel recusou o prémio a Raymond Chandler apodando-o de “ser um escritor de policiais”, pior se desculparam a James Joyce, alegando em favor da recusa do prémio, tratar-se de um escritor marcado “pela inovação e pioneirismo na literatura”…
Portanto, o melhor é que cada qual leia o que lhe interessa e deixe as doutas opiniões para os enfatuados das academias.
De tal sorte que não sei quando a intriga, o romance, a traição, o crime, etc. que sempre constituíram a farinha, o sal e o fermento da urdidura literária, passaram a merecer o desprezo de todos os cânones.
A um amigo que escrevia razoavelmente bem, perguntei porque não se aventurava a escrever um livro? Respondeu-me “todos os temas estavam esgotados desde os gregos”.
Os temas talvez, que não a indomável vontade de escrever, a não ser assim, Shakespeare, que não era grego, seria um perfeito desconhecido.
O que é certo, é que os romances de intriga, traição, crime, foram banalizados e durante tempos apenas se consideravam para o ato literário os assuntos sérios, criando-se assim uma literatura aborrecida de morte.
Em boa hora, outros terão intentado sem obterem contudo sucesso, Umberto Eco, com o seu “Nome da Rosa” vem recuperar para a liça este género aviltado e abrir nova janela de oportunidades a escritores e leitores sedentos de diversão.
Neste contexto, passado que foi o tsunami “O Código da Vinci”, de Dan Brown, encontramos para melhor, em estilo, escrita, urdidura do romance e sobretudo com uma tecelagem policiaria aceitável, enquanto em Brown essa tessitura, de tão pueril chega a ser imbecilizante, o português Luís Miguel Rocha, oferece-nos obras sólidas, com horas de boa leitura e diversão pegada, provando que se pode escrever com classe e categoria sem que o assunto seja sério, a influência dos discursos de Barak Obama na alteração do clima, por exemplo, e ainda assim construir literatura.
E espero, a ganhar dinheiro.
Jaime Crespo

NISA: Celebração do dia de Santo André


25.11.13

ALPALHÃO: Concurso de Decorações Natalícias

A Associação de Jovens de Alpalhão - AJAL - e o Movimento Teresiano do Apostolado - MTA com o apoio da Junta de Freguesia de Alpalhão e da Câmara Municipal de Nisa promovem um Concurso de Decorações Natalícias com o objectivo de embelezar a vila de Alpalhão durante a quadra natalícia.
A organização propõe prémios a atribuir à Casa, Rua e Estabelecimento que um júri considere os melhores em matéria de embelezamento.
Os resultados serão conhecidos a 6 de Janeiro e até lá população e comerciantes de Alpalhão podem desde já começar a preparar a sua participação nesta iniciativa.

24.11.13

CRÓNICAS DO REGABOFE (4): Uma representação de pátria através de um poema de Miguel Torga

 Todos nós, assim como quem não quer a coisa, despercebidamente, vamos formando ao longo da vida uma imagem que corresponda, se vá adaptando, ao conceito de pátria, seja lá isso o que for. Pois bem, o que aqui proponho hoje aos leitores é um jogo de reconstrução desse conceito através de um poema de Miguel Torga, justamente titulado de “Pátria”. Melhor dizendo, vou reconstruir para vós a minha imagem de pátria, pois que apenas no conceito ela é uma forma coletiva, dado que quanto ao mais ela se espraia em tantos rios quantos somos cada um de nós, e partindo daqui que cada um imagine a sua que nesta coisa de pátrias cada qual tem a sua e sobretudo há de ter a que souber merecer...
“Soube a definição na minha infância”
E é na infância que se inicia a maravilhosa aventura de todas as descobertas.
Primeiro, livres como os bichos do campo, soubemos do mundo a conta que dele nos dá o império dos sentidos. Eram correrias intermináveis pelas redondezas, titânicos pontapés na bola que só acabavam aos dez, manipulações de tudo e nada, sobretudo das bugalhinhas telecomandadas por dedinhos tão frágeis quanto ágeis a caminho das três covinhas, é um constante sabor a fruta tirada à socapa entre dois olhares furtivos do dono da árvore, o nagalho para comprar um pião, tendas de índios erguidas entre carvalhos, o cheiro das chuvas de outono nas folhas caídas, o trote do burro por entre meia dúzia de ovelhas deslumbradas, os latidos do cão “fiel”...
O mundo constrói-se de dois palmos mal medidos em frente ao nariz e de uma enorme imensidão de espanto!...
Depois, sob a majestática batuta tutelar do mestre escola as coisas iam fiando mais finas. as corridas passaram a ter cem metros, o jogo da bola a chamar-se futebol e à medida que ia ganhando regras ia perdendo a gracinha toda. Enfim, por aí fora até aos cúmulos de encontrar livrescas explicações para a simplicidade da fruta a amadurecer nas árvores e o balir descontraído dos rebanhos.
Agora o mundo empinava-se por sobre cada vez mais vastas definições enquanto a sua compreensão se diluía entre os lábios salivados dos sucessivos mestres.

De morada da liberdade, a pátria, foi-se transformando no nicho oprimido de cegarregas forçadas e mal decoradas pela memória do corpo resistente às roupagens que a educação teima em lhe vestir.
“Mas o tempo apagou
as linhas que no mapa da memória
a mestra palmatória
desenhou”
E como quase tudo o que é apreendido pela repressão é rejeitado pelo mais íntimo do indivíduo, também aquela pátria bafienta e salazarenta que se dizia que ia do Minho a Timor e era impingida a quem das nossas cidades apenas tinha uma ideia nebulosa, e do Portugal atlântico e mediterrânico apenas conhecia o espaço do seu quintal, dele recebia por conhecimento os nomes dos lugares apenas da boca dos professores e dos manuais únicos da educação nacional. Era a pátria do medo suportada pelo saber da palmatória. E a esta pátria, o mais recôndito do nosso ser disse não!
No tempo de nos fazermos homens voltámos a apelar aos sentidos e ao mesmo tempo que esquecíamos irremediavelmente a outra, nessa partilha a dois do conhecimento do corpo, construímos em nossos corações a pátria do amor.
“Hoje
sei apenas gostar
duma nesga de terra
debruada de mar.”
Agora que o saber e o sabor dos sentidos nos trouxeram ao conhecimento da nossa verdadeira dimensão e a imaginação ficou liberta para diferentes lutas, disponível para as sete partidas da razão é bom não esquecer que outras pátrias existem para lá da nossa, a quem outros patriotas dão sentido e valor sabendo merecer o seu lugar na história.
Equipados com os instrumentos mentais que nos vêm com a serenidade dos tempos já vividos, descobrimos o mundo plural desenhado num mapa a muitas cores e podemos finalmente chegar à pátria dos poetas, a pátria onde mora a liberdade.
Jaime Crespo

OPINIÃO:Novas Tecnologias ao serviço da Assembleia Municipal de Nisa

Como o tempo passa… já estamos no fim do ano!
Em  política,  o tempo também é bom  companheiro, porque  ajuda­-nos a clarificar e a limpar alguns pensamentos  preconcebidos  e  enraizados  nas  nossas  mentes,  pouco  habituadas  ao arejamento, assim como, pouco preparadas para o surgimento de ideias “novas”, “diferentes”e inovadoras, que possam por aí aparecer.
E vem  isto  tudo  a propósito  dessas mesmas ideias  “novas”, ou talvez não, alguns preferem chamar de inovadoras, eu por mim ficaria mais, pelo conceito fazer “diferente”, porque é disso mesmo que se trata.
Como  estamos a entrar  numa época  em  que homens  e mulheres  de  boa vontade, trazem à superfície terrestre  uma  nova forma  de  comportamento, mais tolerante e mais solidária para com o próximo, não custa nada aproveitar a data e sugerir algumas alterações, inovações ou como diz  o  outro  “fazer diferente”, na divulgação  das atas  e  do funcionamento  dos órgãos municipais, principalmente da Assembleia  Municipal.
Sabemos que, o cidadão é o principal pilar de uma democracia participativa, mas como todos verificamos  tem­-se  afastado  cada  vez  mais  da  esfera  politica,  e  por  conseguinte  da  sua participação  cívica,  deixando  o  seu  lugar  vago,  abandonado,  e  empobrecendo  a  própria democracia.
 E para inverter este rumo, propõem-­se pequenas alterações ao funcionamento da Assembleia Municipal, usando para esse fim, as ferramentas das novas tecnologias ao seu dispor:
1. Gravação digital (sonora) das sessões e divulgá-­las através do sistema de Podcast;
2. Sessões comemorativas – com transmissão em livestream, através da internet;
3. Possibilidade  de  intervenção  através  de  videoconferência aos  cidadãos, que  não se podem deslocar à mesma;
4. Criar uma página oficial no facebook, para divulgação das suas atividades;
5. Fazer um  “selfie” (autorretrato)  dos membros da Assembleia Municipal,  para todos conhecerem os seus representantes.
Bem  sei,  são  apenas  cinco  pequenas  ideias,  talvez  até  loucas,  mas  que  podem  fazer  a diferença, entre a participação ou não dos cidadãos, na vida democrática deste município do interior. Os tempos são de mudança, e se assim é, que seja para melhor!
E aliando a inovação à criatividade, os resultados podem ser surpreendentes. Experimentem!
JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO

23.11.13

OPINIÃO: Quando a "crise" acabar...

Quando terminar a recessão, teremos perdido mais de 30 anos em direitos e salários...
Um belo dia em 2014, vamos acordar e nos anunciarão que a crise acabou. Correrão rios de tinta com escritos das nossas dores, comemorarão o fim do pesadelo, nos farão crer que o perigo já passou, mas, alertam que ainda há sinais de debilidade e que teremos de ter muito cuidado para evitar uma recaída. Conseguirão que respiremos aliviados, que celebremos o acontecimento, que deponhamos a atitude crítica contra os poderes e nos prometerão que, pouco a pouco, voltará a tranquilidade ás nossas vidas.

 Um belo dia em 2014, a crise terá terminado oficialmente e ficaremos com cara de estúpidos agradecidos, nos censurarão a nossa desconfiança darão por boas as politicas de ajuste e voltarão a dar corda ao carrossel da economia. Claro, a crise ecológica, a crise de repartição desigual, a crise da impossibilidade de crescimento infinito, permanecerão intactos, porém, essa ameaça nunca foi publicado ou difundida e os que de verdade dominam o mundo, terão posto um ponto final a esta crise estafada - metade realidade, metade ficção , cuja origem é difícil de decifrar, mas cujos objectivos eram claros e conclusivos : fazer-nos retroceder 30 anos nos direitos e salários.

Um belo dia em 2014, quando os salários forem mais baratos até aos limites terceiromundistas, quando o trabalho for tão barato que deixe de ser o factor determinante do produto, quando tiverem ajoelhado todas as profissões, de modo que o conhecimento se encaixe numa folha de pagamento esquálido; quando tiverem treinado a juventude na arte de trabalhar quase de graça , quando tiverem uma reserva de milhões de pessoas desempregadas dispostas  a serem polivalentes, móveis e moldáveis, para fugir ao inferno de desespero , então a crise terá terminado.
Um belo dia em 2014, quando os alunos que frequentam as salas de aula, se tenha conseguido reduzir o sistema educativo em 30% de estudantes sem deixar traço visível da façanha, quando a saúde se compre e não seja oferecida, quando o nosso estado de saúde se pareça com a nossa conta bancária, quando nos cobrarem por cada serviço, por cada direito, para cada prestação, onde as pensões sejam tardias e baixas, quando estivermos convencidos de que precisamos de um seguro privado para garantir as nossas vidas, então nos anunciarão que a crise terá terminado.
 Um belo dia em 2014, quando tiverem conseguido nivelar por baixo toda a estrutura social, excepto a cúpula cuidadosamente colocado com segurança em cada sector, pisemos os charcos da escassez e sintamos o alento do medo nas nossas costas, quando estivermos cansados de nos confrontarmos uns aos outros e ter quebrado todas as pontes de solidariedade, então nos anunciarão que a crise terminou.
Nunca em tão pouco tempo se terá conseguido tanto. Cinco anos terão bastado para reduzir a cinzas os direitos que levaram séculos a conquistar e espalhar. Uma devastação tão brutal da paisagem social, só se tinha conseguido na Europa através da guerra. Embora, pensando bem, também neste caso, foi o inimigo que ditou as regras, a duração dos combates, a estratégia a seguir e as condições do armistício.
Por isso, não só me preocupa quando sairmos da crise, mas como sairemos dela. O seu grande triunfo será não só, ficarmos mais pobres e desiguais, mas também mais covardes e resignados e que sem estes últimos ingredientes o terreno que tão facilmente ganharam estaria novamente em disputa.
Neste momento andaram para trás o relógio da história e ganharam 30 anos nos seus interesses. Agora, são dados os últimos retoques no novo contexto social: um pouco mais de privatizações aqui, um pouco menos nos gastos públicos acolá e voilá : a sua obra está concluída. Quando o calendário marcar um qualquer dia do ano de 2014, as nossas vidas terão retrocedido aos finais dos anos setenta, decretarão o fim da crise e escutaremos no rádio as últimas condições da nossa rendição.

Cha Caballero ( Baena , Córdoba , 1956)
Licenciatura em Filologia e professor de literatura numa escola pública.
- Cartoon de Saed Sadeghi  - "Recessão económica"

22.11.13

NISA: Exposição "Olarias do Alentejo"

Em Nisa, no Museu do Bordado e do Barro está patente a Exposição “Olarias do Alentejo”.
Esta mostra pretende dar a conhecer ao visitante a olaria tradicional do Alentejo, a partir de uma seleção de trabalhos produzidos nos centros oleiros de S. Pedro do Corval, Redondo, Estremoz, Viana do Alentejo, Flor da Rosa e Nisa.
As olarias destes centros representam realidades muito distintas: Em termos de produção, S. Pedro do Corval, no concelho de Reguengos de Monsaraz, destaca-se atualmente com 23 oleiros em atividade. No que refere á decoração, todas elas possuem características próprias e muito distintas, o que faz com que em conjunto representem a alma destes artesãos alentejanos.
Na exposição que agora está patente m Nisa no museu do Bordado e do Barro faz-se uma abordagem a partir da apresentação de imagens, de vídeos e da exposição de algumas peças, procurando-se que o visitante consiga identificar os tipos de olaria representados na exposição.

20.11.13

CRÓNICAS DO REGABOFE (3): João Paulo Guerra

Diz que é uma espécie de democracia... ou de país.
 João Paulo Guerra, um dos resistentes jornalistas de "j", ou seja, daqueles que não usam a profissão como entrega de encomendas e que gostam de investigar fatos e não se inibem de um olhar crítico sobre os acontecimentos que nos rodeiam.
Além de tudo o mais é uma pessoa bem disposta e humorada. ouvir a sua leitura dos títulos dos jornais, todas as manhãs pelas 8:20, na antena 1, o que seria um frete para muitos, é na voz de João Paulo Guerra um dos momentos do dia, para quem se dá, ou pode, ao privilégio de o ouvir. e constitui um bom antidepressivo para os maus tempos que vivemos. termina sempre com um remoque cheio de humor e atingindo o sítio certo, na "mouche".
Ao ler este conjunto de crónicas, escritas entre outubro de 1999 e dezembro de 2008, ficamos com o olhar e pensamento sobre uma panóplia de acontecimentos ocorridos neste país, alguns tão ridículos improváveis, kafkianos, que provavelmente já esquecemos, mas que a pena do João faz questão em recordar-nos.
Depois, o autor tem um estilo de escrita tão leve e prenhe de humor que o livro se eleva à categoria de antídoto contra qualquer espécie de olvido ou tentativa de cair no ensimesmamento.
E apesar de tudo, de compreendermos como o país e todos nós nos deixámos atolar nesta piscina de merda, por não darmos importância ao rol de pequenas coisas, aqui relembradas, constitui uma autêntica farra a leitura desta obra.
Aqui vos deixo a apresentação do livro disponibilizada pela livraria online "wook":
Jaime Crespo

NISA: Enove + - Feira do Emprego e Empreendedorismo


Com a Vossa presença vamos Enovar +
Reconhece-se a importância da participação no evento das empresas, das instituições de formação, das entidades de apoio e incentivo ao emprego e empreendedorismo e dos mais variados organismos públicos e privados que regulam e intervêm no sector empresarial. Assim, as mesmas devem ter um papel activo perante o conceito do evento, sendo do interesse de todos os envolvidos que estas estejam presentes para exporem as suas posições, necessidades e politicas de funcionamento.
A feira tem o intuito de ter enquanto participantes activos:
•Entidades empregadoras e mediadoras de emprego;
•Instituições de apoio ao emprego;
•Escolas de formação profissional;
•Instituições de ensino;
•Instituições de apoio à criação e desenvolvimento de empresas;
• Associações empresariais e comerciais;
•Associações de desenvolvimento regional;
• Autarquias;
• Instituições financeiras.
- Vantagens para as entidades participantes
•Divulgar a sua imagem institucional;
•Contactar com empresas do mesmo sector ou sectores complementares;
•Apresentar a organização e as suas políticas de recursos humanos;
•Conhecer potenciais colaboradores;
•Contactar directamente com candidatos adequados aos perfis requeridos;
•Divulgar oportunidades de emprego sem custos;
•Criar e desenvolver protocolos de colaboração ou parcerias;
•Conhecer formas de contratação;
•Desenvolver competências na área da empregabilidade;
•Participar e/ou assistir a conferências temáticas.
A todos os organismos interessados, incentivamos a participação neste evento, bastando preencher a ficha de inscrição disponível neste site ou entrar em contacto com a organização através do mail enovemais@ipportalegre.pt ou através do número 245 301 559.

“Projeto Alimentação Saudável nas Escolas do Concelho de Portalegre” do IPP foi premiado

 Desta vez foi classificado entre os quatro melhores, a nível nacional, com a 2ª Menção Honrosa, atribuída pela Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Escolar (SPESE), no “II Concurso Nacional de Boas Práticas em Saúde Escolar - 2013”.
A Cerimónia de entrega de prémios teve lugar, no dia 11 de novembro, na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica, no Porto.
 O “II Concurso Nacional de Boas Práticas em Saúde Escolar - 2013” contou com um número significativo de participantes, mas só 4 foram premiados. Os vencedores dos Prémios “Sociedade Portuguesa para o Estudo da Saúde Escolar (SPESE)  2013”  foram os seguintes: A 2ª Menção Honrosa coube ao “Projeto Alimentação Saudável nas Escolas do Concelho de Portalegre“ (do Instituto Politécnico de Portalegre); a 1ª Menção Honrosa foi atribuída ao “PIPAS” - Projeto de Intervenção para uma Alimentação Saudável”; O 1º Prémio foi atribuído ao “PODE – Projeto de Otimização das Dietas Escolares e o 2º Prémio foi atribuído ao “Conhece Melhor a Tua Refeição”.


Hermelinda Carlos (Professora na Escola Superior de Tecnologia e Gestão - IPP), Maria Margarida Malcata (Professora na Escola Superior de Saúde - IPP e Coordenadora do Projeto), Joaquim Mourato (Presidente do Instituto Politécnico de Portalegre), Ana Matos (Técnica de Nutrição no Serviço de Ação Social do IPP) e Fernando Rebola (Professor na Escola Superior de Educação -IPP).
 A implementação do Projeto teve início em 2009 e desde então várias têm sido as suas actividades. Estas actividades têm-se desenvolvido em sala de aula, nas escolas e jardins de infância, na formação, em ateliers de alimentação saudável, no envolvimento com a comunidade local e na criação de uma horta pedagógica. 

18.11.13

CRÓNICAS DO REGABOFE (2): Um nó na alma

Portugal, país sério e circunspeto.
Povo de circunstâncias.
Inapelavelmente exigente com os outros e os fracos, mas absurdamente libertino para com os fortes e consigo próprio.
Desprovido de qualquer sentido de humor, sisudo, macambúzio, ensimesmado, triste... mas com jeitaço para a piadola mais vil, soez e fácil.
Vai muito à bola, menos à missa, usa crucifixo na pescoceira e adora ir fazer piqueniques a Fátima, até gosta de ir a pé... bebe o seu copito, fuma cada vez menos, pela surrelfa dá umas facadas no matrimónio, completamente servil perante a autoridade.
Uns assobiam, outros cantam o fado.
a sua melhor qualidade é o lambebotismo. a segunda, a passividade. estou em crer que um português, sentado na cadeira elétrica e com a corrente voltaica a passar por ele, manter-se-á totalmente impassível.
Lamechas, nada assume, tudo aponta. irresponsável por natureza, queixinhas por feitio e saudosista por tradição...
Enfim, "o sol da nossa simpatia". Uma casinha caiada de branco, pão e vinho sobre a mesa. Fundilhos nas calças, dentes podres. O estômago colado às costas, inda assim, não calado.
É este o meu Portugal, o bom povo português...
Porra! Façam alguma coisa, c'um caneco! Nem que seja retirar macacos dos narizes avermelhados e atirá-los uns aos outros.
Mas isso já exigiria um incómodo demasiado.
Jaime Crespo
- O boca do inferno - Cartoon de Zé d´Almeida in http://pitecos.blogs.sapo.pt

HISTÓRIA: Brito Camacho no Alto Alentejo (1)

(...) Curta demora em Gafete, a visitar o dr. João de Morais, clinico da velha Escola, tão fora do seu tempo e da moderna deontologia médica, que pratica a medicina como se ela fosse um sacerdócio, a todos, pobres e ricos, prestando os mesmos inteligentes serviços com a mesma solicitude desinteressada.


 Continua sendo má a estrada, mas agora, bordada de eucaliptos e sobreiros, formando abóbada, ela torna-se interessante, distraindo-nos um pouco dos trambolhões que o carro dá, apesar dos cuidados e mestria com que é guiado.
Passámos por Alpalhão sem nos apearmos, nem sequer movidos pela curiosidade de vermos o lugar onde existiu o Castelo - ubí fiut Troja - que os romanos já encontraram quando vieram aqui. Pertencia este Castelo ao Mestrado da Ordem de Cristo, Ordem que bem merecia, como as outras ordens militares que ajudaram á formação e consolidação da nacionalidade, que o Estado, ontem monárquico e hoje republicano, as tivessem na devida consideração.
Tambem por Nisa passámos sem nos apearmos, informados de que a estrada velha, uma carreteira em que vamos entrar agora, realisa o milagre de ser pior que a estrada, primitivamente macdamizada, que deixamos, horrivelmente zurzídos.
Muros de pedra solta, aqui e além quasi estrangulando as azinhagas, talhadas á medida dum carro de parelha, carregado de produtos agricolas - cortiça, palha ou trigo em rama. Se nos aparece um destes carros pela prôa, teremos de recuar até que possamos sair do caminho, o que talvez me impeça de ainda hoje tomar o comboio para Lisboa, faltando, involuntariamente, a compromissos que obrigam.
Acabaram as azinhagas, os muros e os valados; mas não se pode romper a corta-matos, porque ou a terra é lavrada, ou as arvores são bastas.
Um bom ramo de montado de azinho, e lá em baixo, apertada entre modestos outeiros} uma ribeira que parece correr, á procura d'agua.
Conheço mal a bacia hidrográfica do Nisa, contribuinte ou afluente do Tejo, tão mal que se alguém me tivesse dito, ainda ha poucos anos, que represariam as suas aguas, em qualquer ponto, fazendo uma albufeira, eu riria do projecto, considerando-o irrealizável.
Pois a represa fez-se, e aqui estou eu sentado no paredão que lhe estanca as aguas, espesso de vinte e cinco e alto de vinte e oito metros, quando o altearem, como está projetado, sendo de trezentos metros o seu comprimento. Bem entendido, a espessura indicada é a da base, que a da crista será de cinco metros apenas.
Realisadas todas as obras projectadas, a albufeira terá seis quilometros de extensão por dois de largura, armazenando vinte e dois milhões de metros cubicos d'agua. Então a Hidro-Eléctrica, dispondo de 9.000 HP. de força, poderá abastecer de energia a parte mais importante dos distritos de Portalegre, Évora, Santarém e Castello Branco.
Já é grande o consumo de energia produzida ali, grande e progressivo, pois que sendo de 280.000 kw. no ano, em todo o ano de 1928, no ano corrente tem sido aproximadamente de 200.000 em cada mês.
A que preço?
Ao preço de $80 a energia luminosa e $40 a energia motriz.
Além de ser uma obra no Alemtejo, esta Hidro-Eléctrica tem para mim o particular merecimento de ser uma obra de alentejanos.
Diz-se, e é verdade, que o capital alentejano só vai de boa vontade para a terra, para a exploração agricola, segundo os moldes c1ássicos, lavrar e semear, considerando a pecuária como industria subsidiária da sua profissão.
Quaisquer que sejam as origens históricas dos latifúndios alentejanos, a coisa certa é terem eles resistido ao fraccionamento pela natural evolução da propriedade, mercê da paixão, da insaciável fome de terra que tem o homem do Alentejo, os remediados e os ricos, tão grande que os leva a empenharem-se sem remédio, enfeudando-se aos Bancos ou aos usurários, para adquirirem mais courelas ou mais herdades, pagando juros excessivos, que os seus rendimentos líquidos não comportam.
Empreendimentos dispendiosos, fora do labor agrícola, á maneira adamita, não o seduzem, e para eles não lança as suas disponibilidades monetárias, sempre á espera de lhe aparecer a oportunidade de adquirir mais algumas centenas ou milhares de hectares de terra para dar maior vulto á sua personalidade latifundista.
Sabendo que a Hidro-Eléctrica é obra de alentejanos, feita por alentejanos e destinada a servir uma vasta zona do Alentejo, eu tinha imenso desejo de a visitar, vendo-a com olhos de leigo, naturalmente, mas vendo-a com a simpatia com que vejo tudo quanto na minha província representa uma utilidade colectiva, concebida e realizada com inteligência e com probidade.


Nem já me lembro de que fui mantido dentro do automóvel, como o D. Quixote, numa estalagem manchega, por almocreves, satisfeito de ver este esboço, já muito adiantado, duma grande obra, que vale a pena inculcar, como exemplo e como incentivo, aos desalentados que nunca tiveram alento, aos descrentes que nunca tiveram crenças, aos desiludidos das ilusões que nunca tiveram.
Pois que a Hidro-Eléctrica é uma obra feita, embora ainda incompleta, como já não é uma tentativa em que se arrisque dinheiro, mas uma empresa em que se coloquem capitais, por seguro temos que lhe será fácil alcançar os recursos de que porventura ainda careça para levar a bom e definitivo termo a sua obra, quer os peça aos particulares, pessoas individuais ou colectivas, quer os peça ao Estado.
Num plano de reconstituição económica do País há que fazer uma larga parte ao aproveitamento da água, quer para serviços de irrigação agrícola, quer para a produção de energia eléctrica, de mais valor que a obtida pela combustão da hulha, que não temos, e das antracites e lenhites que não soubemos ainda utilizar na justa medida.
Como da Espanha, escreveu Sanchez de Toca Reconstituiçon de España en vida de Economia política actual - podemos e devemos dizer, relativamente ao nosso País. que - o interesse principal da nossa economia pátria assenta hoje em a nacionalização dos nossos organismos económicos.
Não pode considerar-se economia nacional a que vive invertebrada e com os seus elementos primários entregues á exploração do capitalismo estrangeiro ou alimenta monopólios rentisticos e as combinações das oligarquias financeiras e industriais.
Porque é genuinamente portuguesa esta peça, valiosa ainda que modesta, do nosso apetrechamento económico-portugueza pela origem dos capitais com que se fundou e quanto á nacionalidade dos técnicos que a conceberam, planearam e construíram; portuguesa, ainda, em relação ás pessoas que a administram, aqui fica expressa a enorme satisfação que nos causou a visita que fizemos á Hidro-Eléctrica e expressos os nossos votos pelas suas maiores prosperidades.
Para fugirmos ao mau caminho até Nisa, avançamos em direcção a Castelo de Vide, e logo constatamos que a inspiração foi boa, porque já o carro pode marchar mais depressa, e não se comparam os solavancos de agora com os trambulhões de ha bocado.
Não havendo demora no caminho, devemos chegar ao Crato a boas horas de jantar sem pressa, muito a tempo de apanhar o comboio. (...)
Punge-me um remorso, todavia.
Eu saíra de Lisboa no firme propósito de ser um mediador da paz entre Nisa e Alpalhão, firmar nas duas povoações, ha muito desavindas, os extremos de um arco de aliança, estabelecidas entre os dois povos relações de uma amizade sincera e duradoira!
Não imagine o leitor que os romanos de Alpalhão tinham raptado as Sabinas de Nisa. Tal não sucedeu, pelo menos não o conta a História nem o refere a tradição.
O caso foi que, num sermão da semana santa, em Nisa, um façanhudo pregador, ao reboar no templo o estrondo do caixão, fechado com violencia, depois de nêle metido o corpo do Senhor, exclamou, com fúria, como quem denuncia um crime horrivel : Ah! cães de Nisa, que mataram o vosso Deus. E a multidão que enchia o templo, una voce, mulheres; homens e crianças, apavorados como numa antevisão do Inferno, os olhos afogados em lágrimas, a voz cortada de soluços, gritaram em direcção ao pulpito : - Não fomos nós, foram os de Alpalhão.
A partir desse momento, um ódio de morte atira frequentemente os habitantes de Alpalhão contra os de Nisa e os de Nisa contra os de Alpalhão, como se uns fossem guelfos e outros gibelinos.
Ora eu, pela indiscrição de uma mulher a dias, vim a saber que um ilustre académico está na posse de documentos que provam á evidencia, de maneira irrecusável, documentos que brevemente serão lidos em sessão publica da Academia, que não foram os de Alpalhão nem os de Nisa que mataram o Senhor, mas sim um espanhol de Porriños, que ali costumava aparecer vendendo pastillas y bonbones de la fabrica Matias Lopez.
Pensei em reunir os bons e os velhos daquelas beetrías desavindas e com a notícia deste formidável sucesso reconciliar, desde já, aquelas duas laboriosas vilas alentejanas. fronteiriças e vizinhas.
Não o pude fazer; paciência.
Brito Camacho in "Por Cerros e Vales" (1931) - Págs 181 a 188
BRITO CAMACHO - Pequena biografia
Manuel de Brito Camacho nasceu em Aljustrel no dia 12 de Fevereiro de 1862. Depois dos estudos primários frequentou o liceu de Beja que terminou em 1880. Partiu para Lisboa ficando à guarda de um tio. Em 1884 concluiu o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Ingressou no Exército Português como cirurgião-ajudante, Em 1891 e começou uma carreira como médico militar que o levaria a Coronel.
Brito Camacho entrou na política em 1893 quando se candidatou a deputado pelo círculo eleitoral de Beja nas listas republicanas, mas nunca tomou posse porque escreveu um artigo contra as instituições monárquicas no periódico Nove de Junho, de Beja, tendo sido suspenso por um ano e depois transferido para os Açores, como penalização. Regressou ao continente em 1894 e em Abril fundou O Intransigente, um jornal de crítica política e propaganda republicana. Em 1902 abandonou a medicina e dedicou-se exclusivamente ao jornalismo e à política. Fundou o periódico A Lucta, que iniciou publicação no dia 1 de Janeiro de 1906, convertendo-se no mais influente jornal republicano e no órgão oficioso do Partido Unionista de que Brito Camacho foi fundador e líder.
Nas eleições realizadas depois do regicídio foi eleito deputado pelos republicanos e teve um papel muito importante na preparação do 5 de Outubro de 1910 sendo o elo de ligação entre republicanos e militares, dada a sua ligação ao exército.
A 23 de Novembro de 1910 foi nomeado Ministro do Fomento do Governo Provisório. Em 1912 reassumiu o cargo de director de A Lucta e foi um dos protagonistas da cisão do Partido Republicano Português liderando a facção mais à direita do novo Partido da União Republicana.
Passou a desenvolver uma intensa acção jornalística e política assumindo-se como o principal opositor dos sucessivos governos formados pelo Partido Democrático. Em 1918, depois da eleição de António José de Almeida para a Presidência da Republica, afastou-se da actividade política, abandonou os cargos de liderança partidária e em 1920 recusou o convite para formar um governo apoiado pelo Partido Liberal Republicano.
Entre Março de 1921 e Setembro de 1923 exerceu as funções de Alto-Comissário da República em Moçambique. Depois da revolução de 28 de Maio de 1926 abandonou definitivamente a actividade política, retirando-se para a vida privada.
Morreu em Lisboa no dia 19 de Setembro de 1934.
Para além de uma vasta obra jornalística e de comentário político, Brito Camacho é autor das seguintes obras: Impressões de Viagem, 1902. Contos e sátiras, 1920. A Caminho d'Africa, 1923. Os amores de Latino Coelho,1923. Quadros alentejanos, 1925. Moçambique, Problemas Coloniais,1926. Jornadas, 1927. D. Carlos, intimo, 1927. Gente rústica, 1927. Gente Vária, 1928. Cenas da Vida, 1929. De bom humor, 1930. Gente bóer, 1930. Por cerros e vales, 1931. A Linda Emília, 1932. Matéria vaga, 1934. Política Colonial, 1936. Rescaldo da guerra, 1936. Questões nacionais, 1937.

17.11.13

AREZ: A ASAA fez 3 anos!






O 3º Aniversário da ASAA - Associação Sócio Cultural Os Amigos de Arez" - decorreu no Sábado, dia 9 de Novembro e contou com a presença de cerca de 90 pessoas, sendo comemorado com uma Matança de Porco, um almoço e um lanche, onde estiveram presentes a Presidente da Câmara de Nisa, a Dr.ª Idalina Trindade e o Vice-Presidente, o Dr. Francisco Cardoso. Durante a tarde, nas instalações da sede da ASAA, houve ainda uma sessão de apresentação do livro “Arez da Idade Média à Idade Moderna”, com a presença da autora, Ana Leitão, aos sócios da colectividade. A ASAA agradece o habitual empenho e colaboração de todos os que ajudaram e participaram nestas comemorações.

16.11.13

CRÓNICAS DO REGABOFE (1) - Leituras: José Luís Peixoto, “O Livro”

Tal como o autor, também não gosto de ler novidades, isto é, livros que estão na moda, aqueles que vemos toda a gente no comboio a lê-los, ou a fingir que lê.
Gosto de os deixar pousar, que a fama passe e só então me dedicar a saboreá-los por aquilo que realmente são, significam e valem.
Talvez por isso as minhas leituras ainda andem pelo Camilo e Eça. com alguns Saramagos e Lobo Antunes à mistura.
De tal sorte ser este o primeiro livro de José Luís Peixoto que leio e empurrado para ele por um golpe publicitário da livraria Wook.
Mas em boa hora me deixei levar até ele porque francamente é do melhor que tenho lido de romancistas portugueses.
Desde logo, este “livro”, não é um livro, são vários livros formando um só, o livro, a epopeia de quão custoso é ser português.
O livro do amor e da paixão – tal como outros autores, também Peixoto cria e dá vida ao seu par amoroso, os inesquecíveis Ilídio e Adelaide, tal como os verdadeiros pares amorosos, este, igualmente é um amor infeliz. Ilídio filho sem pai e abandonado pela mãe, vem a ser pai sem filho e esposo sem esposa. Adelaide de uma tão grande família como a pobreza que de tão grande não tem lugar para ela, acaba por viver em família tão só como na sua origem. O resto faz o destino e as peripécias da vida, vida inexorável que não permite aos amantes mais que um breve momento de encontro. Par amoroso que confirma a regra “todos os amores felizes são felizes da mesma maneira, os amores infelizes são infelizes no seu modo único e original”.
O livro da epopeia da emigração portuguesa – uns em busca de melhores condições de vida, outros para fugir da guerra colonial, alguns correndo atrás da ilusão do amor.Madrasta terra esta que não dá aos seus filhos nem pão, nem paz, nem amor…
O livro do Alentejo “pró fundo” – a vida dificultosa na pequena vilória do Alentejo, julgando pelos traços de escrita de José Luis Peixoto, as casas caiadas, a luz natural, os sobreiros… não andará muito longe para onde hoje é empurrada a vida da mesma vila. Alentejo interior de onde quem manda teima em esquecer e votar ao abandono. Mesmo a retirar o que já havia sido conquistado. É o Alentejo antigo que se mistura com o Alentejo atual em o livro.
O livro da amizade e solidariedade – os laços que ligam a bondade do pedreiro Josué, “pai” necessário de Ilídio, a este e ambos ao infeliz Galopim e até mesmo ao gabarolas Cosme, vão para lá de uma simples amizade, entram no campo da solidariedade, daqueles que dão a vida pela do amigo.
Livro do abandono e da tristeza – há qualquer coisa nas personagens de livro que as faz tristes e dessa tristeza nasce um sentimento de abandono, mais que de solidão, são personagens ensimesmadas, trilhando a sua vida de uma forma de tal modo desamparado que as faz para ali estarem, abandonadas.
Muito podia especular mais e caso quisesse encontrar outros livros no “livro”, mas não vale a pena entrar mais por essa via.
Numa navegação (escrita) à vista, José Luis Peixoto ruma o seu barco entre os colossos Lobo Antunes e Saramago, quanto a mim mais rasante a Saramago, encontra, no entanto, o seu próprio mar criativo. e é um mar novo, de águas límpidas, frescas, puras e jovens, aquele que José Luis Peixoto nos oferece ao desfrute.
“Livro”, uma obra com lugar já marcado na literatura portuguesa.
 Jaime Crespo

Presidente da Câmara contra o encerramento do Tribunal de Nisa

Reunião sobre o encerramento e desqualificação dos Tribunais
 “Este é um ensaio para futuras extinções”, enfatizou o Bastonário António Marinho Pinto na abertura da sessão que reuniu Presidentes das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, e Delegações da Ordem dos Advogados, para a discussão do Mapa Judiciário e do Ante-Projecto de Decreto-Lei que estabelece o Regime de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais. A reunião teve lugar dia 14 de Novembro, na sede da OA, em Lisboa.
“É tão grave desqualificar um Tribunal como encerrá-lo”, sublinhou Elina Fraga, 1ª Vice-Presidente do Conselho Geral da OA. “Esta é uma luta que tem que ser travada e que pode ser vencida com a força da população”.
O descontentamento dos autarcas foi generalizado, que contestaram os critérios utilizados. “Não aceitamos nenhum argumento de proximidade. Quem tem de recuar é a Ministra”, enfatizou o Presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto. “O Município de Carrazeda de Ansiães não foi sequer contemplado com uma secção de proximidade, gostava que a Ministra nos explicasse porquê”, questionou o autarca daquele Concelho. A perplexidade foi partilhada pela autarca de Nisa. “O tribunal tem boas instalações. Gostávamos de saber porque é que não aproveitam as nossas valências. Se vão encerrando todos os serviços qualquer dia entregamos as chaves dos Paços do Concelho, pois na verdade ficamos a defender o quê?”.
No final da reunião Elina Fraga sublinhou que os advogados têm de assumir as suas responsabilidades e em conjunto com os autarcas informar as pessoas do impacto das medidas do Governo. “Será mais fácil mobilizar as populações se estas estiverem esclarecidas do que está verdadeiramente em causa, e perceberem que esta luta não é dos advogados mas das populações”. A 1ª Vice-Presidente enfatizou que apesar da tónica da discussão ser colocada nos Concelhos do interior pelas dificuldades nos transportes, o problema também se fará sentir nas áreas metropolitanas das grandes cidades, com a criação de tribunais de especialidade em Concelhos diferentes. “As pessoas vão ser martirizadas e vão ter de andar de um lado para o outro”.
“Devemos combater a perigosa ilusão daqueles que julgam que alguém vai beneficiar com estas medidas”, afirmou o Bastonário.
No final da reunião decidiu-se agendar uma “jornada de protesto” para dia 20 de Dezembro, cuja forma será decidida entre a Ordem dos Advogados e a futura direcção da Associação Nacional de Municípios Portugueses, logo após a eleição desta última. A proposta foi aprovada por maioria com uma abstenção.

 A reunião foi transmitida pela Justiça TV. http://www.justicatv.com/

14.11.13

Maria João Charrinho no Centro Cultural de Arronches


Durante todo o mês de Novembro, as galerias do Centro Cultural de Arronches voltam a realçar a beleza da região do Alentejo, com a exposição 'Terra da Cor dos Olhos de Quem Olha' de Maria João Charrinho.
A sala de exposições do Centro Cultural de Arronches volta a apresentar, durante o mês de Novembro, uma verdadeira pérola para os amantes de pintura e do Alentejo. Trata-se da exposição 'ALENTEJO: Terra da Cor dos Olhos de Quem Olha' de Maria João Charrinho, que sucede à exposição de seu pai António Maria Charrinho.
Composta por 15 quadros, esta exibição inaugurada nesta quinta-feira, dia 7 de Novembro, baseia-se muito em temas como "a árvore, Nisa e o Alentejo" e é composta por quadros em acrílico e quadros onde a artista mostra o seu gosto por "criar ambientes", jogando com cores e materiais, como areias e cordas, por exemplo. Alguns destes quadros são onde a artista põe em prática a "Técnica Mista" resultando em obras de belo efeito.
Maria João Charrinho, cujo nome da exposição deriva de um poema de Miguel Torga, referiu que as suas obras "têm de fazer sentido", estando algumas delas ligadas a acontecimentos da sua vida. A designer e professora do ensino básico/secundário, que apenas recentemente se sentiu encorajada a expor o seu trabalho, elaborou uma obra propositadamente para Arronches onde surgem as palavras que compõem o nome da exposição.
Perante o olhar atento de vários autarcas do concelho, a presidente do Município de Arronches, Fermelinda Carvalho voltou a mencionar a importância de mostrar o trabalho da região que se reveste de grande qualidade, fazendo também alusão às várias exposições, de vários temas e de diversos materiais, levadas a cabo no Concelho de Arronches.