30.7.09

Apresentação de obra de Joana Vasconcelos "Valquíria - Enxoval"

No dia 1 de Agosto, pelas 17H30, no Complexo Termal de Nisa a artista plástica Joana Vasconcelos fará a apresentação da sua obra "Valquíria Enxoval", uma criação inspirada no artesanato de Nisa e nos enxovais que tradicionalmente integravam os dotes das noivas nisenses. A apresentação da obra integra-se no acto de inauguração oficial do novo Complexo Termal de Nisa.
Joana Vasconcelos iniciou em 2004 uma série de trabalhos inspirados nas Valquírias. Estas personagens femininas da mitologia nórdica, encarregues de seleccionar os mais bravos e valorosos guerreiros mortos em batalha, sobrevoavam os campos de batalha montadas em cavalos alados com o objectivo de recrutar os futuros guerreiros de Odin, soberano do reino dos deuses. Suspensos a partir do tecto, os enormes, estranhos e invulgares corpos têxteis das "Valquírias" de Joana Vasconcelos parecem também sobrevoar os espaços em prospecção de matéria nobre para tarefas "divinas". A constituição de um "enxoval" capaz de reinterpretar o artesanato de Nisa resgatando-o de um abandono anunciado pela distracção e indiferença das gerações mais jovens em relação aos valores de um património rico, único e insubstituível parece ser o magno destino de Valquíria Enxoval.
Conhecedora da riqueza e da importância que a olaria pedrada e os bordados de Nisa atingem nas suas máximas expressões, Joana Vasconcelos propôs-se, em estreita colaboração com as artesãs e artesãos locais, a criação de uma obra que reúne alguns dos melhores exemplares dos bordados e olaria pedrada do concelho. Deslocando estes objectos ímpares das suas habituais funções e subvertendo a familiaridade e domesticidade com que habitualmente nos são apresentados, Joana Vasconcelos interpreta à luz da contemporaneidade os valores estéticos evidenciados através das diferentes técnicas e temas relacionados com a flora local – sobretudo representação de flores, parras, folhas ou cachos de uva – característicos do artesanato nisense. Alinhavados, aplicações em feltro, rendas de bilros, frioleiras, pontos de cadeia, xailes bordados e a olaria pedrada são simbolicamente sintetizados numa obra festiva que homenageia interrogando a cultura e a identidade da região.
A obra que agora vai ser apresentada nas instalações das Termas de Nisa, integrará posteriormente a colecção no Museu do Barro e do Bordado de Nisa.

27.7.09

NISA: Cegonhas passeiam e vão ao restaurante


Fotos retiradas de http://valkirio.blogspot.com
O atrevimento das cegonhas de Nisa, no distrito de Portalegre, não pára de surpreender a população local. Primeiro, começaram por tomar de assalto o jardim público. Agora, para comer, já fazem fila à porta do restaurante.
"Passeiam-se entre as pessoas com naturalidade, partilhando os mesmos espaços, sem medo. Os turistas que passam por aqui fartam-se de tirar fotografias. É engraçado, invulgar", contou ao JN uma funcionária da Junta de Freguesia local, acrescentando que, em Nisa, sempre houve muitas cegonhas, mas raramente se afastavam dos ninhos.
Não há memória de alguma vez ter havido tamanha proximidade entre este bicho e os humanos. Parecem animais domésticos, disputando o mesmo espaço a cães e a gatos. "Será fome? Não encontro explicação", refere a mulher. Certo é que as cegonhas já conquistaram a simpatia das pessoas.
O "fenómeno" começou há cerca de duas semanas, quando uma cegonha passou a estar mais tempo no jardim público do que no ninho. Os alentejanos acharam graça à ousadia da cegonha - que até pousa para as máquinas fotográficas" - e baptizaram a ave com o nome de "Maria".
Dias depois, outras cegonhas passaram a acompanhar a Maria, nos passeios pelo centro de Nisa, que inclui uma paragem para refeições. Quando não é o povo a oferecer comida, as cegonhas vão até ao restaurante mais próximo.
É à porta do "As Três Marias" que as cegonhas vão pedinchar comida. "Por vezes, andam entre as pessoas, mas geralmente ficam à porta e esperam. Já sabem que alguém lhes dará comida", revelou ao JN Tiago Carriça, um dos proprietários do restaurante.
Não é que sejam exigentes com o repasto, até porque saem sempre sem pagar a conta. No entanto, o JN soube que o prato favorito da Maria e das suas companheiras é carapau. Pouco interessa o modo como é confeccionado. São de boa boca...
Telma Roque - in "Jornal de Notícias"
Cegonhas na Praça da República
Em Nisa dois jovens filhotes de Cegonhas já quase adultos, abandonam o ninho com fome e sede e procuram na Praça da Republica de Nisa a sobrevivência.
Parece que um dos progenitores se encontra morto no ninho junto ao edifício dos Correios, ontem um dos filhos atirou-se “ás quedas de água” onde era o antigo “repuxo” com sede e sem forças tendo permanecido durante a noite encharcado de água.
Fernando Bizarro deu com a ave logo pela manhã de domingo, encharcada e sem forças, “somente com a cabeça fora de água” palavras dele e levou-a para o sol junto ao Calvário, no inicio da manhã deste domingo.
Contactado Nuno Sequeira do Núcleo da Quercus Castelo Branco, foi-nos dito que o Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) já estava a par da situação, assim como a GNR de Nisa. Procedendo-se de seguida á entrega da cegonha na Guarda que fará a entrega ao centro de estudos em Castelo Branco.
Quanto ao outro jovem "Cegonho", que também desce ao espaço público principal da Vila de Nisa onde é alimentada e vai sobrevivendo, parece que se encontra bem, com a "muleta" humana.

17.7.09

À DESCOBERTA DO PATRIMÓNIO DE NISA (II)

Banda da Sociedade Musical Nisense em França - 1989
- As Bandas Filarmónicas: O Festival
Aconteceu em Nisa e teve lugar a 4 de Julho de 2009, aquele que foi o 1º Encontro de Bandas Filarmónicas sob a égide da recém nascida associação Além Tejo Música.
Perfeição, é o termo adequado para nos referirmos às bandas participantes, de bom nível, e que no encerramento nos deliciaram com actuação conjunta sob a direcção do maestro António Maria Charrinho.
Na ocasião foi distribuído um livrinho/programa informativo sobre o historial das bandas presentes e dos respectivos maestros, bem como de algumas instituições organizadoras do evento, casos das Juntas de Freguesia de Nª Srª da Graça e do Espírito Santo e também da Sociedade Musical Nisense.
Se no conteúdo musical nada há a opor, bem pelo contrário, já o mesmo não diremos da informação prestada no pequeno opúsculo distribuído, em referência às duas freguesias da sede do concelho e à Sociedade Musical Nisense.
De uma vez por todas, tenham os copistas mais cuidado e “coragem” de expurgar as inverdades no que escrevem, pois não cremos serem elas filhas da falta de conhecimento ou da ingratidão cultivada.
Um conselho, nos permitimos dar: se o que escrevem não é “fruta” produzida no vosso quintal, por favor citem, que só vos fica bem, porque é mau, muito mau mesmo, pegar num texto escrito vão precisamente 20 anos e acrescentar-lhe à partes... insinuando ou ignorando propositadamente a verdade.
Se cada um de nós assumir e exigir unicamente o que seu é, não procurando furtar “bens alheios”, võ ver que todos lucrarão, inclusive o concelho de Nisa, a precisar cada vez menos de “ver passar navios” ao largo, a desaparecerem no horizonte.
Muito do que está errado, por excesso ou por defeito, nos textos escritos sobre as duas freguesias da sede (Nisa) e inseridos no programa do festival, acontece porque o mal vem detrás, está lá escrito de há muito tempo nos sites oficiais e não oficiais da nossa Câmara, que se recopiam uns aos outros.
E quando assim é, quando a “fonte” da notícia não jorra informação coerente, todos os que bebem nela erram, o que não é nada bom, mas assim sendo, limpe-se a fonte e torne-se mais pura, não a água, mas a informação oferecida.
Quando atrás nos referimos a um texto escrito vão já passados 20 anos e incluído agora no livrinho/programa, amputado aqui e ampliado ali, obviamente que aludimos aos desdobráveis turísticos editados, mil exemplares, em 1989, levados connosco e distribuídos em França, aquando da primeira deslocação da Sociedade Musical Nisense àquele país, deslocação essa que esteve na génese da geminação Nisa – Azay le Rideau e já “desaparecida” vítima de maus tratos.
Para bem da saúde desta última instituição e de quem a dirige, seguem os votos para que a espinha vertical se mantenha, não se curvando perante quem nunca nada de seu legou à “nossa” Sociedade Musical Nisense.
João Francisco Lopes in "O Distrito de Portalegre"

5.7.09

NISA: Quando o culto da personalidade e a teimosia se sobrepõem aos interesses dos Munícipes


Democracia é participar não só em voto mas em qualquer momento fora do período eleitoral
(...) O culto da personalidade é um fenómeno negativo que comporta inevitavelmente pesadas consequências no partido em que se verifique.

(...) É a prática da direcção individual e da sobreposição da opinião individual (mesmo que errada) à do colectivo. É a aceitação sistemática, cega, sem reflexão crítica, das opiniões e decisões do dirigente.
Álvaro Cunhal - O partido com paredes de vidro
Não podemos deixar de ouvir considerações que se tecem na praça pública sobre a actuação dos nossos órgãos representativos a nível de poder local.
Algumas foram as obras que se fizeram de grande impacto, como o arranjo da Praça da Republica, a substituição da rede de distribuição da água e consequente repavimentação, também consequente estudo rodoviário com colocação de sinalização. Não falando nas grandes termas de sonho e outras mais, muito dinheiro se gastou em benefício da nossa terra. Bem-haja o esforço!
Não encarem este texto como só parte de uma critica destrutiva, ouvimos as pessoas no dia, participamos no debate e acreditem que há quem vos defenda. Estamos todos na vossa mão, porque temos a filha, filho ou genro que depende da "fábrica" Câmara, e ela não vai fechar tão depressa!
Façam as obras que fizerem, não conseguem mudar nada de substancial, não promoveram o emprego. Os nossos jovens continuam a ter que partir deixando cada vez mais definhado este concelho abandonado. Vão sempre arranjando tachinho alguns amiguinhos da linha dura desta ditadura estalinista que de momento já controla quase tudo e todos. Quando muitos dos nossos jovens têm que emigrar para arranjar trabalho, ter um carrito, arrendar casa, constituir família. Muitos destes já conseguiram subir na vida, ter o trabalho nem que seja temporário, mal pago e a recibos verdes.
Alguns deles aparecem só na altura da época festiva, bem formados e qualificados. Basta ir aos bares existentes junto ao jardim nestas alturas, muito álcool jorra por estas alturas convivendo com os colegas de escola, embora alguns a trabalhar em qualquer coisa que dependa da Câmara, directa ou indirectamente! Planos de formação, associações geridas pelos amigos, etc. etc. Porque o afastamento dos pais é difícil, mas também o é daqueles com quem crescemos, na cumplicidade da descoberta, da partilha, de construção da personalidade.
De início começam por vir quase todos os meses, depois nas festas, no verão, e um dia já não fazem parte do nosso imaginário…
Qualquer obra que se fizesse na Praça da República seria boa, independentemente do que fosse. Parabéns finalmente.
Desgosta-nos a solução adoptada. Em primeiro lugar patrimónios não são só os aglomerados e prédios urbanos, também o são os jardins, mesmo as árvores! A tão emblemática “arvore da mentira” morreu, e quase todas as tílias, que pena! Onde nos escondíamos para dar o primeiro beijo perto dos pais na pastelaria jardim. Onde fumamos o tão mal fadado primeiro cigarro. A sua copa era enorme, chegava até ao chão, linda mesmo. O nosso jardim tinha cheiro, tinha peixes no “repuxo”, era enorme! Tinha buganvílias que se entrelaçavam nas grades de protecção e a ornamentavam em todo o seu comprimento do lado nascente. Estas já tinham muitos anos pois pareciam as latadas das parreiras, magnífico. Quanto brincamos naquele jardim, vinha o verão e com ele centenas de emigrantes, era o auge da vivência do jardim. Os moçoilos com fisgas de arame atiravam umas bolinhas que caíam das arvores ás moças de mini saia, as meninas “francesas”.
O nosso jardim também tinha muita vida na Páscoa, não só por ser uma época da família, mas porque passavam centenas de autocarros para a Serra da Estrela e era na praça que estacionavam os autocarros para dar inicio ao piquenique, á festa!
Nada disto foi tido em conta, faz-se uma obra sem pressupostos do cliente, sem o conhecer, sem dialogar, que bom exemplo nos dão os nossos representantes. Pior, e por birra muda-se a emblemática fonte contra um abaixo-assinado, a decorrer. Outra lacuna em como foi um projecto de brincadeira de estirador, brincando com o compasso tal menino na aula de desenho, algures bem longe de Nisa. É quando pretendemos atravessar de uma maneira rápida o jardim, tal não é possível. Não houve estudo da saída das ruas para o jardim, foi pensado no que estava a dar, uma pequena expo das muitas que se têm feito pelo País. A quantidade de candeeiros plantados nas superfícies bem impermeabilizadas junto com os sinais enterrados já com bom porte parecem crescer na paisagem da linda praça tal e qual centro urbano de muito tráfego.
A destruição do jardim público de Nisa, continua a ser um crime sem castigo. O povo tem memória e um dia vai despertar...
Gema