29.10.10

OPINIÃO: COISAS DA CORTE DAS AREIAS (1)

Algumas reflexões sobre o Voluntariado - João Francisco Lopes *
Há anos atrás, não muitos, foi criado em Nisa um “Banco de Voluntariado”.
Parabéns, são bem-vindos os voluntários, quando o são verdadeiramente...
Com qualidade e em quantidade, voluntários em Nisa sempre os houve, constam por aí na história das colectividades recreativas, desportivas ou culturais e até mesmo noutras instituições, mas, certo é, vão rareando e são hoje uma “espécie” em vias de extinção.
Temos para nós que se é tanto mais voluntário quanto mais “pobrezinha” for a dama servida. Estarão neste grupos os históricos Nisa e Benfica, a Sociedade Artística e a “Música de Nisa”.
Por lá passaram muitos voluntários ambicionando somente ver as “coisas” finadas renascer, ou ajudar na recuperação da saúde, esta ou aquela já enferma, para regalo e proveito da terra.
Ser voluntário é envolver-se em acção quase sem dar por isso, terão sido assim os voluntários de há muitos anos atrás, que criaram as associações referidas e que hoje ainda perduram, bem idosas, três associações que mexem connosco, sócio que somos de todas elas, que a todas servimos nos órgãos sociais, sendo que no velhinho Benfica demos até pontapés na bola e treinámos os miúdos e graúdos alguns anos.
Que conste, nunca um daqueles voluntários do antigamente, não poucos a “residir” já do lado de lá, pediu, muito menos exigiu, uma qualquer honra pública pela disponibilidade assumida, mas, quase o garantíamos, lá onde se encontram agora por certo não aprovariam os modernos voluntários que os ignoram e agridem a sua memória, legando espaços moralmente seus, ali descerrando empoladas lápides, legando ao futuro nula informação, somente nomes de gentes a quem as “suas” colectividades nada devem.
Manuel Granchinho - Um dos principais obreiros da construção do Cine Teatro de Nisa
Visite-se as sedes do Benfica, da Sociedade Artística, da Música ou do Cine Teatro para referir só alguns exemplos. Aponta-se ali um só que seja o nome de um Fundador, de um Presidente, de um qualquer associado? Claro que não! Terra estranha, ingrata, a nossa. E era tão fácil...
O Cine Teatro de Nisa vai completar 80 anos de vida e seria um bom motivo para comemorar sem custos, oportunidade excelente para recordar os fundadores que o construíram gastando do “seu” e não dinheiros públicos.
Que bem ficariam os seus nomes ali por perto daqueles outros famosos artistas que o inauguraram a 9 de Outubro de 1931.
Um dado curioso se retira do “Relatório e Contas” do Exercício de 1930 a 1946”: o simbolismo do lançamento da primeira pedra, também aqui aconteceu. Foi no dia 23 de Abril de 1930 e o documento citado refere que o início das obras teve lugar com os dois gerentes, António Paralta e José Vieira da Fonseca “dando-lhe as marretadas do estilo".
Fosse hoje e lá estariam, convidados, um presidente de Câmara ou Governador, manipulando a colher, aconchegando o cimento e botando o discurso da ordem, não poucas vezes, vazio.
* NOTA
"Coisas da Corte das Areias" da autoria de João Francisco Lopes foi uma rubrica publicada na maior parte das edições do "Jornal de Nisa" (1ª série) e que constituiu um enorme êxito. Temas como o património, o associativismo, os caminhos rurais e outros, ajudaram a conhecer um pouco melhor o concelho de Nisa e a revelar muitos aspectos desconhecidos da maioria dos seus naturais e residentes. A rubrica volta agora, periodicamente, ao blog do "Jornal de Nisa" fazendo jus ao seu autor e prosseguindo a redescoberta deste chão que é o nosso.
Mário Mendes

22.10.10

JOAQUIM MAURÍCIO: Um justo reconhecimento

Bombeiro de Nisa condecorado com Medalha de Mérito pelo Ministro da Administração Interna
O bombeiro Joaquim da Conceição Marques Maurício, do Corpo de Bombeiros de Nisa vai ser condecorado no dia 22 de Outubro na sede da Autoridade Nacional de Protecção Civil, em Carnaxide, numa cerimónia presidida pelo Ministro da Administração Interna, Rui Pereira. Joaquim Maurício vai receber a Medalha de Mérito de Protecção e Socorro, no Grau Cobre e Distintivo Azul por ter sido o bombeiro que em 2009 cumpriu mais horas de serviço operacional no distrito de Portalegre.
No despacho de atribuição das condecorações a 18 bombeiros de todo o país, o Presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil, Arnaldo Cruz, refere:
“ Durante o ano de 2009 dezoito bombeiros desempenharam, em regime de voluntariado nos vários corpos de bombeiros a que pertencem e em função das inúmeras missões que lhes estão cometidas, um conjunto de serviços excedendo largamente o limite mínimo de horas previsto no diploma que regula o cumprimento do “Serviço Operacional”.
Além da elevada dedicação e empenho que colocaram no trabalho desenvolvido, revelaram assinaláveis qualidades de competência, sentido de responsabilidade, rigor e total abnegação.
O profissionalismo destes voluntários, aliado à sua disponibilidade e entrega à causa pública, fazem deles um exemplo a seguir e uma mais -valia para qualquer organização no sector da protecção e socorro prestigiando, com a sua acção, as Associações a que pertencem e a própria Autoridade Nacional de Protecção Civil.”

12.10.10

NISA: Ex-Combatentes homenageiam camarada falecido






Foi no passado Sábado, 9 de Outubro, que os ex-Combatentes da “3ª Companhia de Alunos Pára-Quedistas da Comissão de Serviço do Ultramar - Moçambique/Angola” se reuniram no seu convívio anual, sendo Nisa o local de eleição.
Sob o lema “Famosa Gente, à Guerra Usada” os companheiros do ex-Ultramar, juntamente com os seus familiares, iniciaram o dia comemorativo pelas 9h30 no auditório da Biblioteca Municipal com uma pequena palestra moderada pelo nisense João Polido que organizou o encontro deste ano, havendo a oferta de lembranças do Município de Nisa, ao qual a organização agradece também a cedência do auditório. O grande momento deste encontro foi a homenagem póstuma no cemitério de Nisa aos antigos Combatentes, em especial ao nisense pára-quedista nº 1183/73 José Maria Pereira Mendes (José Galucho) com a colocação de uma coroa de flores e de uma placa de homenagem na sua campa.
O convívio culminou com os 120 participantes, vindos de todo o país, num almoço em Gáfete servido pelo restaurante “O Lagarteiro”, acompanhado pela animação musical dos “Domingos & Dias Santos” e que se prolongou pela tarde fora. Espera-se assim que se repita por muitos anos este convívio anual de confraternização e de reencontro entre os antigos companheiros da Guerra Colonial.
Nuno Cebola