28.4.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (16)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 16/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
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Deixamos mais algumas perguntas e sugestões para quem de direito:
Será muito difícil evitar que os fios/cabos eléctricos prejudiquem a imagem visual e degradem o brasão do bispo de Portalegre, D. Manuel Tavares Coutinho e Silva, sito na frontaria do edifício n.º 13 (foi paço, palácio episcopal), na Rua do Mourato, ao Palácio (Nisa)? Foi este bispo que, em visita, achando a capela de S. João Baptista de Monte do Claro já era muito pequena … e arruinada a mandou ampliar através de alvará passado nesta sua residência de Nisa em 5 de Maio de 1795 (Figura 12).
Figura 12 - Brasão do Bispo de Portalegre D. Manuel Tavares Coutinho e Silva (1788)
Na frontaria do edifício que foi palácio episcopal - Rua do Mourato, n.º 13 (ao Palácio), Nisa
Para que servem as escadas que contornam a Torre das Portas de Montalvão em Nisa? Por um lado conservam-se e preservam-se as ruínas de antigas habitações (algumas servem de lixeira), que se adossaram às muralhas e por outro introduz-se a vulgaridade da moda da modernice de umas desnecessárias e deselegantes escadas que distorcem a leitura arquitectónica, histórico-militar e estética deste monumento nacional.
A Praça do Município não é aviltada na sua beleza pelo desordenado estacionamento? E o pelourinho (Imóvel de Interesse Público) não merece ser dignificado com o corte dos cedros que com ele concorrem em altura? (Figura 13)
Onde estão as floreiras que embelezavam o Jardim Municipal de Nisa? Quem disse que não eram património cultural?
Por que foi trasladada a Fonte do Rossio e não se deu uma resposta ao abaixo-assinado que pedia a não deslocação?
Sabemos que as lápides que estiveram na Porta da Vila já estão no Museu do Bordado e do Barro (núcleo do bordado), à chuva e ao sol, às baixas e altas temperaturas, sem qualquer tipo de informação. Se estão ao relento porque não a sua recolocação na Porta da Vila?
Por que não há um plano/programa de acções de carácter patrimonial (anual, quadrienal/mandato autárquico) – limpeza de monumentos, pinturas/caiações, desinfestação, sinalização, informação … nas quais, por exemplo, os jovens participariam?
Por que é que não se realizam debates, conferências sobre o património e a cultura? (a Associação Nisa Viva tem promovido alguns).
Hoje fala-se muito no orçamento participativo. A autarquia nisense já pensou na participação dos munícipes (foram eleitores e não perderam a cidadania nas urnas) na elaboração do orçamento, mormente no que concerne ao património cultural e natural?
As comissões municipais têm-se multiplicado porém não há nenhuma de Cultura, Património … Porquê?


Figura 13 - Pelourinho de Nisa – Imóvel de Interesse Público
Já se pensou numa Carta Municipal ou num Livro Branco sobre Património e Cultura?
O que é que nós, cada um de nós, pode fazer pelo nosso Património?
Para que servem os painéis de suporte pintado de amarelo erguidos junto de alguns monumentos?
Por que não tem o Jornal de Nisa, propriedade da Associação para o Desenvolvimento de Nisa (ADN), que é presidida pela presidente da Câmara (ou é pela Câmara representada pela presidente do executivo?), uma secção sobre Património? As recentes intervenções no castelo de Montalvão (Agosto/Setembro), da responsabilidade do Município, foram esquecidas pelo jornal. Porquê?
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Dia Nacional dos Centros Históricos e o Dia Nacional dos Castelos são olvidados, não constam do calendário municipal. Porquê?
No Cine-Teatro, antes da projecção de cada um dos filmes, não seria interessante publicitar algo sobre o património - fotos, pequenos filmes, música, recomendações, ditos populares, novidades, informações ...
Como se tem reagido à campanha que se implementou a nível nacional para acabar com as marquises e caixas de ar condicionado exteriores?
A afixação de cartazes, painéis de propaganda/publicidade política não deveria respeitar o património?
A Nisa-Agenda (periodicidade mensal, edição da Câmara Municipal de Nisa) raramente agenda actividades associadas ao património cultural, em flagrante contraste com as desportivas. Porquê? Não há?
A ocupação dos jovens nas férias de Verão em actividades promovidas pelo município não poderia contemplar as de carácter patrimonial?
Quais os projectos desenvolvidos pela autarquia para aproximar as escolas do património cultural?
Houve recentemente escavações arqueológicas no Conhal (Arneiro). Noticiou-se a priori para que as escolas, e não só, pudessem tomar contacto in situ com esta realidade?
(continua em 17/17) - José Dinis Murta

23.4.10

NISA: Delegação de Azay le Rideau (França) visitou o concelho


De 16 a 19 de Abril, uma delegação de Azay Le Rideau esteve de visita ao concelho de Nisa, no âmbito da geminação existente entre os dois municípios.
A Delegação francesa foi presidida pelo Maire daquela localidade do Vale do Loire, Michel Verdier e integrou 18 personalidades do Comité de Geminação entre as quais o Maire de Cheillé, Jean Serge Hurtevent. O objectivo desta visita a Nisa foi o de fortalecer os laços que unem as duas localidades e revitalizar o processo de Geminação formalizada com a assinatura do Protocolo em Abril de 1990.
Os elementos da delegação de Azay Le Rideau, durante a sua estadia, foram acolhidos em casa de famílias nisenses, tendo o programa da visita incluído, uma recepção no salão nobre dos Paços do Concelho, no sábado, 17 de Abril, pelas 10 horas, seguindo-se um almoço na zona da ermida de Nossa Senhora da Graça.
Durante a tarde efectuou-se uma visita ao Complexo Termal de Nisa e à noite a delegação francesa assistiu ao XVI Festival de Folclore organizado pelo Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa. No domingo, 18 de Abril, durante a manhã, ocorreu uma visita às Portas de Ródão e um passeio de barco no Rio Tejo. O almoço teve como ponto de encontro a aldeia de Monte do Arneiro, sendo a tarde preenchida com uma visita ao Museu do Bordado e do Barro, e a assistência ao documentário “Enxoval”, exibido no âmbito do 7ªartINdoc - Festival de Cinema Documental. Não faltou, por último uma visita à Adega “Terras de Nisa”.

17.4.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (15)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 15/17
José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
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Património natural
Do nosso património natural destacam-se as Portas de Ródão, classificadas como Monumento Natural na reunião do Conselho de Ministros de 26 de Março de 2009 atendendo aos seus valores naturais (geológicos, geomorfológicos, paleontológicos, biológicos, paisagísticos) e culturais (a presença humana está documentada desde o Paleolítico Inferior até aos dias de hoje).
Rio Tejo
Vista tirada do alto das Portas de Ródão, margem esquerda – 25 de Julho de 2005
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)

Estão incluídas no primeiro Parque Geológico Natural Português – Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, parque que integra os concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão. De Nisa, além das Portas de Ródão e da mina de ouro romana do Conhal do Arneiro (em vias de classificação como Imóvel de Interesse Público), fazem parte os blocos pedunculados de Arez.
Ver a propósito: http://www.naturtejo.com/conteudos/pt/home.php e http://www.naturtejo.com/naturtejo/
Mas, por exemplo, o bloco pedunculado (penedo bicudo, tortulho - nomes curiosos para o mesmo penedo!) nos limites de Tolosa, muito perto do cruzamento rodoviário da Lameirancha (IP2/estrada Nisa-termas da Fadagosa e Comenda) não tem qualquer tipo de informação a localizá-lo.
Há outras pedras que devido às suas características mereciam ser devidamente valorizadas e divulgadas – pedra da menacha (Nisa), pedra dos cinco dedos, pedra do focinho de porco (Alpalhão), entre outras, às quais estão associadas, muitas vezes, lendas. A bienal da pedra e a casa da pedra em Alpalhão parece terem ficado acidentadas num caminho pedregoso, todavia salvam-se as esculturas, fruto da Bienal da Pedra (1.ª edição em 2001), que embelezam a freguesia (povoação e campo).


Zimbro (planta que vegeta no alto das Portas de Ródão) e ramo de zimbro com frutos
(Fotografias não incluídas no texto original de “Retratos …”)

O concelho de Nisa está integrado na Rede Natura 2000 com os sítios Lage da Prata e S. Mamede cujo objectivo primordial é a conservação sustentada do património natural, que urge preservar atendendo à grande diversidade de habitats e paisagens. O projecto é desenvolvido pela Associação dos Municípios do Norte Alentejano (AMNA), que representa os municípios de Nisa, Marvão e Castelo de Vide, com a colaboração do Parque Natural da Serra de S. Mamede (PNSSM), a Flora Sul e a Universidade de Évora.
Na Net, veja http://www.cm-nisa.pt/redenatura2000.htm (informação não actualizada), pesquise rede natura 2000 Lage da Prata e S. Mamede Nisa e encontrará muita informação.

Flor da esteva (pormenor)
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)

Campo com giestas floridas
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)
A prestimosa edição/traçado dos 8 percursos pedestres de Nisa dão a possibilidade de conhecer parte do concelho (o norte, infelizmente não cobrem todo o território) não só nos aspectos naturais (paisagens, fauna, flora) mas também na grande diversidade cultural.
Consulte-os em http://www.cm-nisa.pt/desporto_percursospedestres.htm mas o melhor é calcorreá-los, adquirindo gratuitamente, para o efeito, o suporte em papel no Posto de Turismo, Biblioteca …Património natural é também o centenário eucalipto do Rossio (Nisa), mas há outras árvores que são dignas de divulgação.

Rela (ranacho)
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)
O buraco da Faiopa, património espeleológico envolto em lendas desde longa data, merecia uma visita de estudo científica.
O município de Nisa integra a Associação Amigos do Tejo?
Mas, como não há bela sem senão, o Tejo está poluído, esgotos, sem tratamento, são lançados directamente nos cursos de água e lixeiras nascem e crescem como cogumelos gigantes à beira de estradas e caminhos. Contradições! (Figura 11).


Figura 11 - Pormenor de lixeira à Fonte Seca,
à beira da estrada Nisa-Monte Claro (Outubro, 2009)

(continua em 16/17) - José Dinis Murta

16.4.10

AMIEIRA DO TEJO: 77º Aniversário da Sociedade Educativa Amieirense




Foi no passado dia 3 de Abril de 2010 em plena época pascoal que em Amieira do Tejo em grande ambiente de confraternização entre os filhos e amigos da terra se comemorou os 77 anos da Sociedade Educativa Amieirense, tendo sido inaugurada uma placa decorativa em homenagem a todos os associados fundadores da sociedade.
Nesta inauguração e nos 77 anos da Sociedade, marcaram presença, muitos associados e não só, a presidente da Câmara Municipal de Nisa, engª. Gabriela Tsukamoto, o presidente da Junta de Freguesia de Amieira do Tejo, Rogério Dias e como não podia faltar, o presidente da direcção da Sociedade Educativa Amieirense, Fernando Trindade entre muitos outros.
O convívio entre o povo deu-se ao fim da tarde onde houve comes e bebes á descrição, tendo-se prolongado até por volta das 22h, hora essa que deu início a um baile que se arrastou noite dentro.
O ambiente esteve ao rubro e todo o povo cantava, dançava e encantava. Entre risos, sorrisos, bebidas para cá e para lá entre a correria das crianças, houve ainda a venda das tradicionais rifas onde todos eram contemplados com prémios! E claro que não podia faltar o tradicional bolo, uma gostosa e enorme boleima, para cantar os parabéns a esta associação, já com alguns aninhos, a nossa Sociedade.
Foi um fim de tarde e noite bem passada que presumo quem esteve presente já mais irá esquecer, sendo este o meu sentimento e de muitos mais. Um muito obrigado e um grande bem-haja a todos os que estiveram presentes, desejando desde já os sinceros votos de muitos parabéns à Sociedade Educativa Amieirense bem como a todos aqueles os que ajudam a manter esta grande casa.
Ana Paula Mendes N.C. Horta

13.4.10

MÚSICA: Carlos Alves e Caio Pagano lançam CD "Recital in the West"

Lançamento do CD “Recital in the West”, em Portugal, um trabalho coproduzido pela Universidade do Arizona nos Estados Unidos da América e a Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco.
Este concerto é coincidente com os 70 anos do Pianista e Professor Caio Pagano.
Concerto inserido no programa da Primavera Musical do Conservatório Regional de Castelo Branco.

Carlos Piçarra Alves, nasceu em 1972 na cidade de Portalegre, iniciando os seus estudos musicais aos 7 anos na Sociedade Artística Nisense (Nisa).
Licenciado pela Escola Superior de Música do Porto e «Prix de Perfectionement» no «Conservatoire de Versailhes», na classe do Prof. Philippe Cuper (Super-Solista da Ópera de Paris). Fez Master Classes com Walter Boykens, Guy Deplus, Philippe Cuper, Guy Dangain, Michel Arrighon, Michel Collins e Paul Meyer. Obteve o 1° Prémio nos seguintes Concursos Nacionais:
Prémio Jovens Músicos, Juventude Musical Portuguesa e Festival Costa Verde.
Em Concursos Internacionais obteve, o 3° Prémio no Concurso Aurelian Octav Popa e ficou entre os cinco primeiros classificados no Concurso Internacional de Roma.
Foi 1° Clarinete da Orquestra Portuguesa da Juventude e da Orquestra das Escolas de Música Particulares.
Em 1991, fez parte das escolas da Orquestra Juvenil da Comunidade Europeia.
Colaborou com a Orquestra Gulbenkian, Régie Sinfonia, Orquestra do Norte e é actualmente Solista-A na Orquestra Nacional do Porto. Tocou a solo com a Orquestra Sinfónica de Constanza, Orquestra Clássica do Porto, Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Clássica da Madeira e Orquestra Nacional do Porto.
Professor Principal de Clarinete na Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco. Ex-Professor nas Escolas Superiores de Musica de Lisboa e do Porto e Universidade Católica Portuguesa. Leccionou Master Classes em Portugal, França (Toulouse) e em Itália (Bolonha). Tem-se dedicado ao desenvolvimento da Música Contemporânea integrado no grupo Oficina Musical.
Concertista de reconhecido mérito, actua regularmente como solista nas principais salas de concerto portuguesas. A sua actividade internacional expande-se por países como: Alemanha, Itália, França, Espanha, Rússia, Roménia, Noruega, Macau e Cabo Verde.
Gravou para a Emi Classics o Concerto de Mozart para Clarinete e Orquestra.
As suas incursões mais recentes prendem-se com o teatro, musicou ao vivo as peças de teatro Figurantes de Jacinto Lucas Pires e D.Juan de Moliere ambas com encenação de Ricardo Pais, no Teatro de S.João.
Carlos Alves é doutorando na Universidade de Aveiro.
Toca com Clarinetes Buffet Crampon, modelo Tosca.
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Caio Pagano
tem sido Coordenador do Curso de Piano do Instituto Politécnico de Castelo Branco desde 2001. Aquando da breve existência do centro de Belgais (fundado por ele e por Maria João Pires), Maria João e Caio leccionaram os primeiros alunos do Instituto.
Em 2003, já desligado de Belgais, o pianista Caio Pagano pode se dedicar à classe de piano de Castelo Branco.
Em poucos anos esta classe conseguiu, por seus alunos, marcar uma forte presença em Portugal; dois alunos, Renato Aranha e Yara Gutkin, venceram concursos Internacionais e Nacionais e seguem Cursos Universitários Superiores em outros países; outros estão a levar nosso nome às Escolas Superiores de Paris, Londres e Colonia, com imenso sucesso. Em 2007 a classe tocou todos os Preludios de Debussy, e em 2008 todos os Estudos de Chopin.
Caio Pagano tem participado de concertos com seus colegas do Politécnico de Castelo Branco, Carlos Alves e Daniel Rowland no Porto e em Castelo Branco, entre os quais em S. Bento da Vitoria, encenado por Ricardo Pais, no Festival de Paços de Brandão, e um CD com obras de Bartok e Messiaen sob o patrocinio da ESART foi lançado em 2008. O pianista Paulo Alvares,
Professor da Hochschule de Colonia, e’ colega e foi aluno de Caio Pagano, e com ele tem participado de inumeros concertos a dois pianos na América e no Brasil, além de Portugal.
Caio Pagano tocou com as principais orquestras de Portugal, e nas principais salas do país, inclusive Gulbenkian, Teatros S.Luis, Tivoli, Império,
S.João do Porto, Sala Mourisca da Bolsa do Porto, Ateneu Comercial do Porto, Europarque, Aula Magna da Universidade de Lisboa, CCB, Palácio da Ajuda, Queluz, Olga Cadaval e em Festivais do Algarve, Açores, Óbidos, etc.
A carreira solista e cameristica de Caio Pagano o tem levado aos quatro cantos do mundo, e sua contribuição para com a arte pianistica em Portugal o levou a ser chamado por Maria João Pires para coordenar e ser o Director Artístico do centro de Belgais. Com ela tocou inúmeros concertos
em Espanha, França e Portugal, alem de gravar um disco “ Os sons de Belgais” para a Deutsche Gramophon.
Caio Pagano lançou em 2008 um CD com obras que recordam sua juventude, intitulado “Remembrances”.
Em 2009 Carlos Alves e Caio Pagano foram convidados para se apresentar nos Estados Unidos e gravar um recital de clarinete e piano para o selo Soundset, que será lançado em 2010, durante o Festival Internacional de Musica Steinway.
Caio Pagano é chamado para bancas de provimento de posições universitárias e doutorados em toda Europa e América, inclusive no Porto, em Sion (Suiça) em Cáceres e Castelo Branco, e é Professor Regente da Arizona State University (USA).

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (14)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 14/17

José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
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Património cultural imaterial
Ver para o efeito: Decreto-Lei n.º 139/2009, de 15 de Junho de 2009, que desenvolve o legislado na já citada Lei 107/2001, de 8 de Setembro, nomeadamente nos seus artigos 91.º e 92.º, e na Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (foi adoptada na 32.ª Sessão da Conferência Geral da Unesco – Conferência Geral das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura -, em Paris, a 17 de Outubro de 2003. Encontra-se em vigor em Portugal desde Agosto de 2008, na sequência da sua ratificação, conforme Resolução da Assembleia da República n.º 12/2008, de 24 de Janeiro, e respectivo Decreto do Presidente da República n.º 28/2008, de 26 de Março de 2008).
No tocante ao património imaterial há muito para inventariar e registar, para estudar, salvaguardar e divulgar: o falar de Nisa, poesia popular oral, contos, lendas associadas, ou não, a determinados lugares, bruxas e lobisomens, descantes, ditos populares, Janeiras, Entrudo, Dia das Comadres, alcunhas, gastronomia, mezinhas, manifestações de religiosidade, festas populares, casamentos, baptizados, festas dos artilheiros, matança do porco.
A missão de desenvolver e executar a política cultural nacional no domínio do Património Cultural Imaterial (PCI), cujo regime jurídico de salvaguarda se encontra estabelecida pelo recente Decreto-lei n.º 139/2009, de 15 de Junho, está acometida ao Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) através da promoção do respectivo estudo, preservação, conservação, valorização e divulgação, bem como da definição e difusão dos normativos, metodologias e procedimentos relativos às diversas componentes da sua salvaguarda.
A Direcção Regional de Cultura do Alentejo (DRCA) já tem em desenvolvimento o Programa Identidades – Salvaguarda do Património Imaterial do Alentejo, em parceria com várias entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, tendo como objectivo implementar na região o espírito da Convenção para a salvaguarda do património cultural imaterial.
A DRCA já assinou diversos protocolos com diferentes autarquias. Vai a autarquia nisense celebrar algum protocolo com esta Direcção para o desenvolvimento de projecto dedicado ao estudo e salvaguarda de, por exemplo, aspectos linguísticos de Nisa?
Património gastronómico
Infelizmente não temos nenhuma publicação que compile as receitas, retrate em fotos os típicos pratos e mostre quem são os cozinheiros e boleiras da nossa rica gastronomia - afogado, sarapatel, sopa de cachola, sopa de peixe, feijão das festas, empadas, maranhos… - e doçaria - cavacas, nisas, tigeladas, rebuçados de ovos…. Há, todavia, algumas receitas dispersas.

Broas dos Santos - Nisa.
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)



Cavacas – Monte Claro.
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)
Quem vai recolher as receitas? Quem vai fazer o inventário deste riquíssimo património imaterial?
Quais são as ervas aromáticas utilizadas no concelho?
Património linguístico
O falar de Nisa é muito característico, é uma das marcas identitárias. Quem não foi já confrontado com a identificação das suas origens só pelo simples falar? Há quem filie o sotaque e determinadas palavras ou expressões utilizadas em Nisa, com ou sem razão, na língua francesa. Há quem estabeleça relações de proximidade linguística dos nisenses com os açorianos. Quais são os estudos científicos que existem que fundamentem, ou não, estes simples pareceres? Com quem se poderia estabelecer uma parceria para esse estudo? Nós tentámo-lo nos idos anos de 90 do século passado, mas as mentalidades políticas foram-nos adversas. Por cada ano que passa, na era da globalização, este falar vai-se perdendo! Quem o agarra?
Património toponímico
Os topónimos dão-nos informações de carácter arqueológico e/ou histórico. O levantamento toponímico rural está realizado e publicado, porém carece de actualizações.
Nos limites de Monte Claro existiu uma anta. Assim o diz um topónimo, topónimo sem registo actual – Tapada da Anta. Ficou surpreendido?!
Os topónimos urbanos, os nomes das ruas alteram-se muitas vezes ao sabor das vontades e dos interesses políticos. Querem homenagear ou recordar alguém ou algo e esquecem (ou desconhecem) o passado, a história, que, frequentemente, nada lhes diz.
Recorde-se o caso apontado para o Centro Histórico de Nisa (referido atrás), e em Montalvão deram, por questões de relações transfronteiriças, o nome de Passeio de Cedillo à Rua da Carreira. Em Nisa, a Porta da Vila, espaço carregado de história, que merecia ser dignificado (o estacionamento, caótico, por vezes, “fere” o Monumento Nacional), tem três nomes. Sabe quais são? Dir-lhe-ei que um se reporta ao local, outro a uma figura nacional e o terceiro a uma personalidade nisense. Qual deles prevalece? Porquê?
(continua em 15/17) - José Dinis Murta

10.4.10

RELIGIOSIDADE: VIA-SACRA AO VIVO NA VILA DE NISA





“Com Cristo percorremos o caminho do Calvário”
A Vila de Nisa assistiu no passado dia 2 de Abril (Sexta-Feira Santa) pelas 21:00h à representação da Via-Sacra ao Vivo. Com início no Jardim Municipal e termo na Igreja do Calvário, o cortejo percorreu vários pontos históricos da Vila, assinalando as 14 Estações da Via-Sacra. Esta iniciativa promovida pela Paróquia de Nisa reuniu cerca de 70 figurantes, oriundos de vários movimentos católicos, em especial da catequese paroquial (crianças e pais) que depois de cerca de 2 meses de ensaios, com a sua participação ajudaram a Comunidade a percorrer um caminho espiritual, a compreender melhor a pessoa de Jesus e o amor que teve por cada um de nós, ao ponto de se deixar matar.
A Via-Sacra ao Vivo foi exercício de piedade segundo o qual os fiéis percorreram com os figurantes o caminho que levou o Senhor do Monte das Oliveiras até o monte Calvário. Ao longo das 14 estações os moradores onde passou o cortejo não deixaram de embelezar as etapas, assim como as próprias ruas colocando as suas colchas e velas às varandas e janelas
Depois da grande receptividade por parte das 700 pessoas que assistiram, vindas de muitos locais das redondezas, fica a promessa de para o ano voltarmos a repetir. Em nome da Paróquia de Nisa quero expressar o meu obrigado a todas pessoas que directa e indirectamente contribuíram para o êxito desta iniciativa, que a partir deste ano, será um marco na caminhada de cada cristão para a Páscoa do Senhor.
David Esteves in "O Distrito de Portalegre"

6.4.10

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (13)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 13/17
José Dinis Murta, in Nisa VivaRevista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.
Património museológico – artesanal, etnográfico, religioso e arqueológico
O Museu do Bordado e do Barro (núcleo central e núcleo do bordado) é um caso muito feliz, uma coroa de glória, no panorama cultural do concelho de Nisa. Como o próprio nome indica, o seu acervo é, essencialmente, sobre os característicos bordados e barros de Nisa. Acessível na Internet, poderá conhecê-lo, como recurso, em http://www.museubordadoebarro.pt porém esta visualização não dispensa uma minuciosa visita ao museu e aos centros de artesanato.
Aí, em exposição, existem diversos artefactos ligados aos usos e costumes concelhios, e alguns trajes tradicionais, trajes que, felizmente, ainda se guardam em muitas casas e que a Associação Nisa Viva teve a meritória ideia de os trazer até à rua em Cortejo Etnográfico, por duas vezes. Riquíssimos são os trajes e adornos dos grupos Contradanças de Alpalhão, Rancho Saias Bordadas da Falagueira, Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa e Tocá Marchar de Tolosa.
Arte sacra musealizada pode admirar-se em museu de Amieira do Tejo e nos museus da Santa Casa da Misericórdia de Nisa e da sua congénere de Alpalhão e, ainda, na sacristia da capela de S. Francisco na Igreja Matriz de Nisa.
Prato comemorativo – Sétimo centenário-Santo António – 1195/1895)
Museu da Santa Casa da Misericórdia de Alpalhão
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)
Pequenas mostras de algumas alfaias religiosas poder-se-ão ver nas igrejas de Monte Claro e de Pé da Serra.
Em Alpalhão a Casa Museu, criada por iniciativa local, justifica uma visita atenta e demorada. Quem disse que tudo depende da autarquia nisense?
Mas Nisa, terra de queijo famoso internacionalmente, ainda não ergueu um museu ao queijo e afins, e o museu de apicultura/mel, que o deputado (na anterior legislatura) e apicultor Luís Carmo Marques tentou implementar junto da autarquia nisense, jaz esquecido.
Saiba que na freguesia de Montalvão, ainda hoje profícua na produção de mel, um só indivíduo possuía, em 1811, 140 colmeias, e um outro do Monte de São Pedro (aldeia extinta da freguesia de S. Matias) oitenta em 1806.
Parece estarem também perdidas, entre outras, as oficinas de ferreiro e de siderotecnia (ferra de animais).
Mãos habilidosas que trabalham o ferro (Nisa, Montalvão), a madeira (Nisa), os fósforos (Nisa), a cortiça (Nisa) e a pedra (Alpalhão) não deveriam ter um espaço para as suas obras?
bens móveis de natureza arqueológica no Núcleo Museológico José Fraústo Basso na Santa Casa da Misericórdia de Nisa e no Museu do Bordado e do Barro (núcleo do bordado), mas o espólio que há anos foi recolhido em escavações arqueológicas, nomeadamente em antas permanece sem divulgação (José Augusto Fraústo Basso – 22/08/1901-07/09/1987 -, jurista de formação, tinha uma grande predilecção pela história e pelo património concelhio o que o levou a recolher alguns artefactos arqueológicos, que se encontram no citado núcleo da Misericórdia nisense, onde foi provedor vários anos).
Há bens móveis de natureza arqueológica na posse de particulares que pretendem entregá-los como oferta ao município para este os musealizar, conforme dizem de viva voz a quem de direito, porém … a cavalo dado parece olhar-se ao dente.
Ainda e a propósito de exposições temporárias estas fazem-se na sede do concelho, na Biblioteca Municipal. Por que não se levam até às aldeias? Por que não se diversificam os espaços?
Por exemplo, na dependência da Caixa Geral de Depósitos, na Loja do Munícipe, nas sedes das juntas de freguesia.
Fomos às Termas, apenas a Valquíria-enxoval! E ali perto as antas de S. Gens e o Poço da Lança com realidades históricas e lendas!


Carroça, que foi de Nisa. Hoje pára algures, no país ou no estrangeiro.
E por cá existe alguma carroça musealizada a par de outras alfaias agrícolas?
(Fotografia não incluída no texto original de “Retratos …”)
Neste aspecto, está de parabéns Alpalhão com as frequentes mostras temáticas, a última das quais, a vigésima, titulada de Pedra com Arte, esteve patente ao público no pretérito mês de Outubro. Registam-se também exposições recentes (Setembro) em Amieira e Montalvão (esta de iniciativa local).
(continua em 14/17) - José Dinis Murta

1.4.10

Dia Nacional do Dador de Sangue comemorado em Alpalhão

A Associação de Dadores Benévolos de Sangue do Distrito de Portalegre aproveitou a recolha de sangue em Alpalhão, no passado sábado, para assinalar na terra do seu presidente, António Eustáquio, o Dia Nacional do Dador de Sangue (27 de Março).
Tratou-se de uma coincidência de calendário juntar a recolha de sangue programada para esse dia com a comemoração de uma efeméride, criada, justamente, pelo Instituto Português do Sangue, por um lado, para acabar com as dádivas renumeradas e sensibilizar para as dádivas voluntárias e por outro para reconhecer o esforço, a dedicação e o espírito solidário de todos os dadores do país que se juntam numa causa de amor ao próximo e nas dádivas de um elemento tão essencial à vida como é o sangue.
Fosse pela primeira recolha do ano em Alpalhão ou pelo assinalar do Dia do Dador de Sangue, certo é, que no passado sábado, as dádivas de sangue nesta localidade alcançaram um número muito significativo, atingindo as seis dezenas de dadores, cinco dos quais pela primeira vez.
Se é verdade que nestas acções de recolha de sangue são os homens que comparecem em maior número, não deixa de ser digno de registo a participação das mulheres, neste caso 23 e também a presença significativa de um crescente número de jovens, como que a dar razão a António Eustáquio quando diz que “esta é uma causa a que vêm aderindo cada vez mais pessoas”.
Foi a pensar na auto-suficiência dos serviços hospitalares e nas pessoas que na contingência de serem submetidas a intervenções cirúrgicas tinham que apelar aos amigos e familiares para doarem o sangue que lhes era exigido, que há cerca de 20 anos, António Eustáquio meteu mãos à obra e fundou a Associação de Dadores Benévolos de Sangue do Distrito de Portalegre.
Mais de 90 dadores inscritos em 3 meses
Uma associação que anualmente percorre quase todos os concelhos do distrito, por duas vezes, em acções de recolha voluntária do precioso líquido, iniciativas a que não são alheias as Câmaras Municipais, as Juntas de Freguesia, as colectividades e os bombeiros que colaboram, quer na confecção e oferta do almoço convívio ou na cedência de instalações, como sucedeu em Alpalhão, com o Grupo Ciclo Alpalhoense.
A parte mais importante fica à responsabilidade dos dadores e da sensibilização que é feita pelos dirigentes da associação.
António Eustáquio reconhece a importância deste Dia Nacional e da associação que lidera, apesar dos seus 83 anos.
“O mais importante neste processo são os dadores, pois sem a associação isto podia funcionar, sem os dadores é que não. Quando começámos apareciam meia dúzia de pessoas e hoje não há recolhas de dádivas no distrito em que não participem mais de 40 dadores.”
Realçando o aumento de dadores, Eustáquio aponta, com orgulho para os 479 dadores inscritos pela primeira vez em 2009 e reforça “ este ano, em três meses, já se inscreveram 91 novos voluntários para doarem sangue”.
Um esforço da Associação de Portalegre que como reafirma o seu presidente “tem sido reconhecido pelo Instituto Nacional do Sangue que nos atribuiu a Medalha de Prata e pela Câmara Municipal de Portalegre com a Medalha de Ouro da Cidade. É um reconhecimento pelo trabalho que a Associação tem feito em prol dos outros, em prol de pessoas que nem sequer conhece e este é o aspecto mais solidário e humano da nossa acção: fazer o bem sem olhar a quem”.
Sobre o futuro da Associação, António Eustáquio mostra-se confiante e exprime um desejo.
“ Gostava que a Associação mantivesse este espírito de bem-fazer, de contribuir para ajudar as pessoas e a suprimir a carência de sangue para que toda a gente o possa ter quando dele necessita. Mas é cada vez mais difícil encontrar gente com disponibilidade e espírito de voluntariado. Acredito que não há ninguém insubstituível e que hão-de surgir outras pessoas impregnadas do mesmo sentimento de contribuir para o bem-estar humano.”
“O sangue não se pode comprar na farmácia ou na mercearia”
As acções de recolha de sangue são também espaço de encontros e de muitas histórias, algumas exemplares.
São aqueles dois irmãos, jovens, da Alagoa, que aqui encontrámos o ano passado e que vêm outra vez até Alpalhão doar o seu sangue, porque “é uma forma de ajudarmos que precisa”, ou José Canatário, aposentado da função pública, 62 anos e já com um “currículo” de mais de 20 anos a doar sangue que aqui vem “para ajudar o próximo, pois o sangue não se pode comprar na farmácia ou na mercearia”.
José Canatário lembra outros tempos em que eram as pessoas com familiares doentes que vinha pedir e recorda a dádiva ao Mestre Armando como uma das que deu devidamente direccionada.
Sobre o Dia Nacional do Dador reconhece que “faz sentido porque mostra que há pessoas que sem interesse monetário se disponibilizam para ajudar o próximo. É uma efeméride de louvar e que serve para juntar os dadores em convívio”.
Paula Cristina Caetano é uma jovem de 26 anos e que deu sangue pela primeira vez o ano passado. Enaltece estas acções de recolha e confessa-se feliz por ter contribuído par ajudar quem precisa.
A motivação não varia muito de dador par dador, com mais ou menos idade. Estão ali por um imperativo de consciência, na resposta ao apelo e neste local, é bom dizê-lo, há também um certo respeito e admiração pelo trabalho desenvolvido pela associação dirigida por um conterrâneo.
A festa que se seguiu, foi um convívio diferente. Provou-se a cozinha tradicional alpalhoeira, repartiram-se experiências entre os dadores, e repartiu-se o bolo de aniversário.
Cantaram-se os parabéns e aproveitou-se a ocasião para reflectir sobre o papel dos dadores de sangue e das associações que os representam.
António Eustáquio deixou uma mensagem de confiança no futuro. O sangue não faltará enquanto houver homens e mulheres de boa vontade, irmanados nesta causa comum, humana e solidária. Dar sangue é salvar vidas!
O exemplo da família Becho
A mãe, a filha e o filho, todos três, deitados lado a lado na marquesa, ofereciam um cenário que não podia ser ignorado. Têm um sobrenome tipicamente alpalhoeiro, Becho.
A mãe, Maria Tomásia, tem 43 anos, trabalha na Santa Casa e é dadora há 18 anos. Incentivou os filhos, a Susana, 25 anos, professora, e o Ricardo, 19 anos, estudante na Etaproni.

Vieram juntos, sorridentes, disponíveis para compartilhar um pouco do seu sangue, com outros que dele necessitem. Para completar a família, falta o pai. Veio uma vez, tinha os valores do colesterol um pouco altos e não tentou mais vezes. A mãe e os dois filhos, compensam e bem a sua ausência. Não são dadores “normais”. A Susana, por exemplo, viajou de noite desde Aljustrel, onde lecciona, para dizer presente e integrar o número de 60 dadores que se dispuseram a doar sangue no sábado em Alpalhão.
São exemplos destes que ajudam a compreender o papel da Associação de Dadores e constituem, ao mesmo tempo, um estímulo para os seus dirigentes.
O Dia Nacional do Dador de Sangue, só por isso, não podia ter uma mais feliz comemoração do que aquela que aconteceu em Alpalhão.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre"

OPINIÃO: COISAS DA CORTE DAS AREIAS (7)

Dia de Romaria
É Dia da Senhora da Graça. Como em tantos outros anos, o dia amanheceu cinzento, nuvens altas correndo mansas, não prenunciavam muita chuva, ainda assim os mais prudentes dos romeiros que meteram pés a caminho, cumprindo a tradição, vão munidos do inseparável guarda-chuva que para alguns dos caminhantes adquire também o estatuto de bengala.
Passo cadenciado, não muito rápido, vão os mais jovens gastar cerca de 40 minutos, já os mais idosos vão gastar um pouco mais de tempo, tempo que irá ampliar-se de ano para ano, logicamente.
Percorrer aquele caminho em dia de festa é um prazer, um regresso ao passado que nenhum nisense esquece, além do mais é um exercício que permite olhar a natureza de perto, o horizonte ao longe, contemplar as flores, as cores, cheirando-lhe os aromas. E se elas são lindas, no desabrochar da Primavera, vivendo isoladas ou em grupo.
São as giestas de amarelo dourado vestidas, o branco e amarelo da camomila, o branco matizado da flor da esteva, o roxo do rosmaninho e tantas outras plantas.
Mas, não vão mais os romeiros olhar e “sentir” no Sítio do Encontro, a milenária oliveira de “pé de zambujo”, suporte de muitas cruzes ali deixadas por gente de fé, revivendo os “encontros” ali acontecidos com procissões vindas da Senhora da Graça e idas de Nisa.
Segundo José Francisco Figueiredo na Monografia da Notável Vila de Nisa – pág. 318, pelo menos vinte vezes após 1791 (220 anos) aquela velha árvore apadrinhou aquelas “procissões de penitência”, mas nem por isso a pouparam, sendo abatida, desnecessariamente e transformada em cinza, a 5 de Agosto de 2004, por gente sem fé, sem respeito pelo passado, pela tradição, gente difícil de entender. (1)Cerca de quatro quilómetros separavam Nisa do “Cabecinho da Senhora da Graça”, sua padroeira, distância que permite, para além do exercício e contemplação do horizonte, fruir a história, provavelmente, por aqui, neste caminho, terão transitado, vindos do sul, muitos peregrinos a caminho de Santiago, na Galiza.
No alto do “Retiro” quilómetro segundo, vão sentir a falta do “Penico do Pastor”, tronco piramidal de um cruzeiro dali roubado em 1929.
Percorridos mais 500 metros e eis-nos cruzando com a “Carreira Velha” (2) no sítio do Cancelão, seguindo para poente. Deste local até ao “Cabecinho” o espaço percorrido é agora pela “Estrada Romana da Ammaia” vinda de São Salvador da Aramenha (Marvão) procurando o Tejo em Vila Velha, via Monte Cimeiro.
Com a igreja da Padroeira à vista, as vistas são outras, mais alegres, mais a condizer com o sentimento de quem para lá caminha.
S. Miguel está em frente, exposta ao sol, a intervalos uma ou outra nuvem no céu projecta na seara a sombra, correndo. No alto, planando, os grifos espreitam, curiosos.
O São Lourenço é já ali, ao quilómetro terceiro. Ermida bonita mas azarada, já em 13 de Abril de 1987, em sessão da Assembleia Municipal denunciávamos a terraplanagem do adro e a abertura de duas porteiras, nunca ali existentes, o derrube e soterramento do marco quilométrico, que recuperámos e colocámos onde agora se encontra.
A pia da água benta era uma obra de arte lindamente trabalhada e que viria a ser roubada na semana de 20 a 26 de Setembro de 1992. Informado do sucedido, o sr. padre João Avelino e nós próprios participámos o acontecimento na GNR de Nisa no dia 26/9/92, sabendo-se que uma tentativa de roubo anterior tinha sido gorada devido à intervenção do sr. padre Assunção.
No ano seguinte (1993), coube a vez à cruz de pedra que encimava a porta, sendo roubada, facto divulgado pelo jornal “O Pregão” de Castelo de Vide. Na semana de 21 a 28 de Outubro de 2002, a fechar, alguém levou “a passear” as ombreiras da porta. Ei-la, agora, linda e restaurada, reinaugurada a 10 de Agosto de 2005, sendo responsável pela paróquia o sr. padre Horácio.
Da Igreja de S. Tiago resta um muro e dois contrafortes. A imagem do apóstolo, disse quem a viu numa arca da sacristia da ermida da Senhora da Graça, era, na iconografia, a do “Santiago Mata Mouros”, a cavalo, feita em barro.
Já nos Fiéis de Deus olhamos e damos pela falta. A calçada romana no caminho da ponte não está lá, foi destruída aquando do corte e recolha de eucaliptos que crescem junto à “Fonte Coberta”.
Na altura, convidámos um vereador da Câmara, nosso amigo, fomos lá e observámos o “crime”, cometido a 11 de Abril de 2003. Um terço da madeira estava por recolher, um terço da calçada romana por destruir. A questão foi levada à Câmara, disseram-nos que houve participação à GNR. Houve? A 16 de Maio, trinta e cinco dias depois o terço da madeira por apanhar estava apanhada, o terço da calçada por destruir, estava destruída.

Estrada romana da Srª da Graça foi destruída
Os nisenses ficaram mais pobres de património, quem devia agir não agiu, poupou energias...
Há que seguir em frente. Lá no alto, a sineta do campanário repica, serpenteando, os fiéis vão subindo ao cabecinho, vão tomar lugar, vão ouvir a missa. Entretanto, chega a banda de música tocando, vão ouvir, olhar o horizonte em redor.
Ali, no sopé do monte a lindíssima aldeia do Pé da Serra, ao longe, Montalvão acena. Mais longe, ainda, terras de Espanha. Para sul, S. Mamede e para norte, a Gardunha, a Estrela, um “espanto de vistas” lá no alto, reacção dos turistas que ali ocorrem numa primeira vez.
No fundo, bem lá no fundo, dando voltas e mais voltas, vai correndo a Ribeira de Nisa.
Notas(1) Águas do Norte Alentejano? Câmara de Nisa? Quem responsabilizar?(2) Já referenciada em 1412 (600 anos). Neste local, muito provável, a “Estrada Mourisca de Cória a Santarém”, segundo o itinerário do geólogo árabe Al-Istakhri (séc. X) como informa Carlos Tomás Cebola na “Revista Cultural de Nisa – 2001”
João Francisco Lopes - in "O Distrito de Portalegre"

NISA: Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural (12)

Continuação da divulgação do original
“Retratos Pequenos e Breves do Património Cultural e Natural do Concelho de Nisa” – 12/17

José Dinis Murta, in Nisa Viva – Revista de Cultura e Desenvolvimento Local, n.º 17, Dezembro 2009, págs. 3/14.

Património histórico
Da nossa história algo se tem escrito e, recentemente, até a genealogia veio dar o seu contributo. Muito há para fazer, mas sem os ovos documentais dos arquivos fechados não se fazem omeletes, passe a comparação mal comparada, pois a história não é uma mistura de ovos, azeite e sal q. b.
Ocorre o bicentenário das invasões francesas. O que foi feito para recordar a passagem das tropas aliadas inglesas por Nisa e à ponte velha da Ribeira de Nisa (estrada real Nisa/Vila Velha), ponte de pilhares de pedra e tabuleiro de madeira. O tabuleiro actualmente é de vigotas de betão e, facto curioso, o monumento é dado como propriedade privada (Figura 10).

Figura 10 - Passagem do exército aliado na Ribeira de Nisa, finais de 1808
Estrada real Nisa/Vila Velha
Água-tinta da autoria de William Bradford

Mas há outras pontes esquecidas – Pontão do Figueiró (Arez), Ponte de Albarrol/Vila Flor, Ponte de N.ª Sr.ª da Graça, para apenas citar algumas.
Vem aí para comemorar, ou não, o centenário da implantação da República! Se houver interessados em investigar este período, em consultar os documentos que estão na Cadeia Velha como o fará? Os documentos vão continuar na cadeia?
(continua em 13/17) - José Dinis Murta