31.10.12

NISA: Tarifas de água e saneamento sem alteração em 2013

NOTA DE IMPRENSA DA CMNISA
" Presidente da Câmara de Nisa propõe:TARIFAS DE ÁGUA, ESGOTOS E LIXO SEM ALTERAÇÃO EM 2013
A Presidente da Câmara Municipal de Nisa apresentou uma proposta, a submeter à apreciação da Assembleia Municipal, no sentido da manutenção no próximo ano da Tabela de Taxas e Licenças do Município sem o aumento da taxa de inflação e da manutenção das Tarifas de Águas de Abastecimento, Águas Residuais e Resíduos Sólidos.
A proposta tem em consideração que a CMN não está em situação de desequilíbrio financeiro e que no presente ano será cumprida a Lei do Orçamento do Estado e a Lei dos Compromissos. Foi ainda tido em consideração que os munícipes já se encontram sobrecarregados com o aumento de impostos, nomeadamente o valor do IMI definido pelo governo.
No ano de 2011, os encargos na área do abastecimento de água, do tratamento de águas residuais e da recolha de resíduos sólidos implicaram para o município o prejuízo de €1.104.289. No entanto, os custos da água, do tratamento e recolha de resíduos representam para os munícipes de Nisa encargos tarifários que já se situam acima dos indicadores recomendados pela ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos) para a sustentabilidade dos munícipes.
A proposta foi apresentada em reunião extraordinária do executivo municipal realizada a 31 de outubro, e mereceu os votos favoráveis da Presidente da Câmara e do Vice Presidente, os Vereadores do PS e do PSD recusaram-se a expressar o seu voto por não concordarem com os considerandos da proposta.

NISA: Memória do Cine Teatro (Outubro de 1939)


Em Outubro de 1939, o Cine Teatro de Nisa promoveu seis iniciativas, entre a exibição de filmes, os espectáculo de teatro e variedades, e ainda uma Conferência, esta da responsabilidade da Juventude de Acção Católica tendo como principal dinamizador o Padre Sebastião Martins Alves. A empresa do Cine Teatro Nisense recebeu sessenta escudos pelo aluguer da sala e nesta importância estvam incluídas todas as despesas.
Em 9 e 10 de Outubro voltavam as "grandes enchentes" próprias do dia de Feira. Dois espectáculos com de Variedades e Teatro com a Troupe José Dubini alegraram os 979 espectadores que a eles assistiram. No dia 1 de Outubro, exibiu-se o filme "Margarida Gautier" tendo no desempenho dois "monstros sagrados" do cinema: Greta Garbo e Robert Taylor. Ainda assim a assist~encia ficou um pouco abaixo das expectativas.

Maria João Charrinho mostrou as suas “Raízes”

 
 
 
Na Biblioteca Municipal de Nisa esteve patente ao público durante o mês de Outubro, a exposição de pintura "Raízes" da autoria de Maria João Charrinho e que contou com a colaboração das suas filhas, em alguns dos trabalhos expostos.
A artista plástica Maria João Charrinho, natural de Nisa, professora, é diplomada pelo IADE e desde pequena sente especial atracção pelo desenho e pintura, abraçando diversas técnicas e materiais.
"Raízes", apresentada na Biblioteca Municipal, é uma exposição de emoções e de múltiplos afectos, desde a terra, à família e aos lugares de infância.

30.10.12

NISA: MEMÓRIA DO CINE TEATRO (Outubro de 1938)


"A Rosa do Adro", a grande produção de Chianca de Garcia, foi o filme que animou a sala de espectáculos de Nisa em duas sessões, nos dias 10 e 11 de Outubro de 1938. Foram quase mil espectadores aqueles que assistiram a este filme português com Maria Lalande no principal papel.
No dia 9, véspera de Feira de S. Miguel, houve Cinema e Variedades com  o filme Porto Artur e o espectáculo "La Cucaracha". Um cartaz que levou à "velhinha" sala de Nisa, 626 espectadores.
Claro, os tempos eram outros, não havia a parafernália de inventos e aplicações tecnológicas que hoje estão ao alcance de qualquer um, via "made in PRC" (leia-se Popular Republic of China") e os filmes deixaram de suscitar a atenção e entusiasmo que outrora atraíam.
Cá para mim e pese embora tantos avanços da tecnologia, ainda continuo a pensar que filme de cinema é para ver ( e sentir, apreender) em sala de cinema. Por isso, a crítica insistente que faço ao mau uso ( ou nem sequer isso) do nosso CineTeatro. Há 5 anos, propagandeava-se "10 anos a Viver Cultura", esquecendo, propositadamente, toda a vida anterior desta sala e dos homens que ao longo de décadas proporcionaram prazer e fruição cultural a várias gerações de Nisenses.
Depois disso foi o "apagão" quase generalizado. Qual o "slogan" que irão utilizar agora?
Mário Mendes

VELADA (Nisa): Magusto dos Amigos da Velada

3 Novembro 2012 - Centro Comunitário
Os Amigos de Velada promovem no dia 3 de Novembro (Sábado) o tradicional Magusto para o qual convidam todas as pessoas interessadas.
A iniciativa integra o Almoço, às 13 horas, com inscrições grátis, a cargo de Pereira Louro, em Velada, devendo os participantes levar talher e prato.
Às 16 horas, começa o Magusto, com castanha assada, petiscos, bebidas frescas e música. As entradas serão grátis ou não se tratasse se um convívio popular tão ao jeito das gentes de Velada.
A organização é dos Amigos de Velada e conta com a colaboração da Freguesia de S. Matias, Câmara Municipal de Nisa, Centro Comunitário de Velada e Electro Narciso.
No sábado, dê um "pulo" à Velada e participe neste tradicional convívio!

29.10.12

NISA: MEMÓRIA DO CINE TEATRO (Outubro 1937)

 
Outubro era, por excelência, o "abono de família" para a empresa do Cine Teatro Nisense. A Feira de S. Miguel, a mais importante de Nisa e uma das mais concorridas da região, traziam à vila durante três e quatro dias (às vezes mais) uma autêntica multidão, multifacetada, de gente e de interesses.
As bilheteiras nos dois dias da feira não tinham mãos a medir e geralmente sessão de cinema ou de variedades, nos dias 9 e 10 eram sessões com lotação esgotada, garantida. Tal como nos anos 70 com os filmes do Gianni Morandi (o saudoso José Vilela costumava dizer, meio a sério meio a brincar, que as fitas do cantor italiano garantiam-lhe o sustento do Cine Teatro por alguns meses) esses dias´"mágicos" da Feira de S. Miguel levavam ao Cine Teatro verdadeiras legiões de cinéfilos, por vezes, com assistências records até para filmes portugueses. Se assim fosse por todo o país, o cinema português ( o "novo" e o antigo) tinham subsistência garantida e talvez nem a Tóbis chegasse ao estado de declínio a que chegou...
São enredos de outros filmes. Para o registo do mês de Outubro de 1937 (há 75 anos, onde é que isso já vai...) interessa-nos dizer que os espectáculos de variedades e cinema, nos dias 9 e 10, com Fernando Isidro e J. Martins registaram a afluência de mil cento e sessenta e oito (1.168) espectadores, que deixaram nas bilheteiras a importância de 5.362$50. Um "dinheirão" para a época.
Ainda como curiosidade, registe-se que ao filme português "Bocage" (estreado a 1 de Dezembro de 1936, no S. Luís, em Lisboa) assistiram, em Nisa, 370 espectadores.
Os nisenses gostavam de cinema. Pouco mais havia, como divertimento, é certo. Mas ninguém me convence que as actuais gerações, de um momento para o outro, deixaram de gostar, de amar, a chamada 7ª Arte que os seus antepassados tanto adoraram.
Há, por aqui, um mistério qualquer, a desvendar...
Mário Mendes

28.10.12

OPINIÃO: Portugal sem crise e a Árvore da Mentira


O texto que se segue foi retirado do blog " À volta de um Portugal sem crise" e escrito por Ricardo Braz Frade. Escrita escorreita, sem peias nem ameias, e aqui, gostosamente, transcrevemos a parte respeitante ao concelho de Nisa.
De Castelo de Vide a Nisa
"Alpalhão é ali bem perto, já excluído da zona do Parque da Serra de São Mamede. É o que ainda sobra do alentejo. Tenho pena de já não poder ouvir-lhe o Descante dos Noivos que o Giacometti gravou nas suas vastas recolhas musicais que fez pelo país. Ainda por cima, sendo Sábado, seria dia provável para o ter à mão. O casamento de Alpalhão tinha uma versão alternativa. Não era como os outros. No dia em que os noivos ficavam oficialmente casados, os convidados dirigiam-se à casa onde pernoitavam, já depois do jantar, e cantavam-lhes versos de boa fortuna, primeiro à mulher, depois ao homem: era o Descante. Segundo o que li, as pessoas só davam de frosques quando ele, o recém-casado, lhes trazia carne e vinho. Seria este, portanto, o preço para a noite bem passada - grande eufemismo, este - com a mulher que desposou. Há tradições que se perdem porque não têm a carga simbólica necessária para que novas gerações lhes peguem. Outras que têm tanta força que nem a tecnologia e décadas e décadas de velocidade industrial conseguiram abater. E ainda outras que se esquecem e se relembram anos mais tarde, ressuscitando com novo folgo. Em que categoria é que o Descante dos Noivos está, não consegui perceber. Espero que fique. Mesmo mudado, que vá ficando.

Entre Alpalhão e Nisa encontrei outra pedra que fala. Foi quase por engano. Fica numa propriedade privada, com acesso proibido, e que eu interpretei de outra forma. Passei por um muro de pedras soltas e saltei por cima de um arame farpado que me rasgou a camisa e feriu a barriga. Está a cerca de trinta metros da estrada principal, do lado esquerdo de quem se dirige para norte. A rocha tem uma forma arqueada, esquisita, e é bem larga. Está disposta na vertical, e tem uma cruz de ferro no topo. Não está cartografada, nem tem placas a indicar-lhe o caminho. Desconheço-lhe o nome e desconheço sequer se ela o tem. Mas há-de carregar alguma importância pelo crucifixo que lhe cravaram em cima.

Despeço-me hoje do alentejo, em Nisa. À hora de jantar, lá irei ao queijo, que é da praxe. Vou aproveitar para respirar os últimos ares alentejanos, que aqui já têm brisas beirãs. Falando de Nisa, é bom notar que há castelos que não fogem às pessoas, ou vice-versa. Aqui, o que resta das muralhas e torres castelares dissolve-se no quotidiano. E mais que a Igreja Matriz, espevitada nas torres de telhado cónico, é a torre do relógio que se faz notar. Vejo-a daqui. À noite, se a iluminarem, fica o sítio para onde todos olham, de certeza. Ficarei atento ao mudar da hora, daqui a pouco.
Para o fim guardo uma notícia triste. A Árvore da Mentira, ícone da vila, assim chamada por lá se juntarem pares de namorados, que ali debaixo, na sua sombra, diziam as maiores mentiras de amor uns aos outros, foi cortada. Agora está envernizada, feita unidade de exposição de arte contemporânea. Dar cabo de símbolos já é mau que baste. Terminar com a vida de uma árvore que tinha o bem humorado desplante de ser conhecida pelos maus namoros que abrigava, é crime. Se havia solução para ela que não a morte, tenho um pequeno e construtivo comentário a fazer a quem se lembrou de acabar com ela: vão bardamerda.

RESOLUÇÃO: Contra a extinção de Freguesias e dos Serviços Públicos

Resolução aprovada pelos participantes na Concentração/Manifestação ontem realizada em Portalegre e convocada pela Plataforma Norte Alentejana em defesa do Estado de Bem-Estar e dos Serviços Públicos.
RESOLUÇÃO
Contra a extinção de Freguesias e dos Serviços Públicos
Perante este brutal avanço na ofensiva global sobre o Poder Local Democrático, e os serviços públicos, a que outros certamente se seguirão, é necessário garantir a existência de um Estado Social e de Serviços Públicos de qualidade, que a nossa Constituição consagra.
Desta forma, é de realçar a importância de a maioria das Assembleias Municipais, em conformidade com o sentimento e as posições assumidas pela esmagadora maioria das freguesias, ter rejeitado a famigerada Lei 22/2012- Lei da liquidação de freguesias - não se pronunciando ou pronunciando-se contra a extinção de freguesias.
Esta rejeição por parte da maioria das Assembleias Municipais, é mais uma derrota do governo nesta ofensiva contra o poder local democrático e reforça o seu isolamento nos propósitos de extinguir freguesias, eliminar serviços públicos e reduzir os direitos das populações. Ao mesmo tempo, retira qualquer legitimidade e credibilidade aos projectos e objectivos do governo, pelo que se impõe o abandono do processo e a revogação da lei.
É de destacar que a luta travada ao longo deste ano, desde o Congresso da ANAFRE de Dezembro de 2011 em Portimão, não só valeu a pena, como importa prosseguir - com os eleitos locais, os trabalhadores e as populações - contra a extinção de freguesias e até à revogação da lei, e avançar desde já com o apelo a todos os órgãos autárquicos das freguesias para recusarem colaborar em todos os actos ou procedimentos administrativos, que eventualmente possam surgir, ligados a qualquer processo de liquidação de freguesias e de serviços públicos.
Assim, a PLATAFORMA NORTE-ALENTEJANA PARA A DEFESA DO ESTADO SOCIAL E DOS SERVIÇOS PUBLICOS, concentrada em Portalegre, a 27 de Outubro de 2012, aprova e defende o seguinte:
- Exigir o fim do encerramento, e a manutenção, dos serviços públicos de proximidade, fundamentais para a vida das populações.
- Apelar a todos os Partidos com assento parlamentar que rejeitem a intenção de destruição do Poder Local democrático contido nessa proposta de lei;
- Exigir o fim dos encerramentos, fusões e desactivações de centros de saúde e Hospitais, da Escola Pública e de qualidade, das vias de comunicação, tribunais, correios, e transportes rodo-ferroviários;
- Exigir o fim dos roubos contra quem trabalha e o empobrecimento generalizado da população e do distrito;
- Exigir o direito de viver e trabalhar no norte-alentejano;
- Impedir o estrangulamento e fecho do Distrito de Portalegre.
Esta moção será entregue às seguintes entidades: Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Partidos com assento na Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares.
Portalegre, 27 de Outubro de 2012
A Plataforma Norte-Alentejana para a Defesa do Estado Social e dos Serviços Públicos

27.10.12

MEMÓRIA NISENSE: Rodrigues Correia, Homem do teatro e da cultura



Rodrigues Correia marcou a vida cultural de Nisa dos anos sessenta. Autor, actor, encenador, músico e letrista, dinamizador cultural do teatro com "a casa às costas", teve um papel fundamental na criação do Rancho Típico das Cantarinhas de Nisa, em 1964, um agrupamento folclórico que chegou a "dar cartas" e ser considerado um dos melhores do país. As suas actuações no Pavilhão dos Desportos em Lisboa e em outras localidades próximas da capital granjearam-lhe apreciável fama e indiscutível mérito sob a superior orientação de Rodrigues Correia.
A estas iniciativas, juntava Rodrigues Correia um jeito nato para a música e letra de canções. A que transcrevemos, "Nisa Encantadora" tornou-se um hino desta terra bordada de encantos, trauteada por muitos e muitos nisenses, orgulhosos de pertencerem a este "quadro lindo para um pintor".
Os arranjos musicais ficaram a cargo da Troupe Jazz "Os Unidos", outra das celebridades culturais, como a Jazz Band "Os Fixes" e a orquestra "Atlântida Nisense", grandes animadores de bailes e festas populares em Nisa e arredores.
NISA ENCANTADORA (Canção-Bolero)
Letra e Música de Rodrigues Correia – Criação da Orquestra-Jazz "Os Unidos"
Entre Castelo Branco e Portalegre,
Há um quadro lindo para um pintor,
É Nisa com seu jardim florido,
Onde se fazem lá versos de amor.
Aos domingos as lindas raparigas
Com seus xailes bordados a passear,
São promessas de amor aos namorados
Que o dia mais feliz há-de chegar.
Refrão
Nisa encantadora
Tu tens graça e singeleza
És terra bem portuguesa
A sorrir sempre formosa
Nisa encantadora
Cantarinhas rendilhadas
Lembram bordados de fadas
Podes-te sentir vaidosa.
Ó Nisa orgulho de D. António
Duma beleza rara para quem passa
Deu aos seus pobrezinhos património
Asilo Nossa Senhora da Graça
Em Nisa quem passar pela tardinha
Pois dela nunca se pode esquecer
Quando quiser beber água fresquinha
À linda cantarinha vai beber.

CRÓNICAS DA TABANCA: Notícias da Terra

Notícia do Dia (1)
Contrariamente ao que tem sido propalado na praça pública, o PRM – Partido da Rainha e da Monarquia – ainda não tem candidato à presidência da Câmara de Nhabula.
A menos de um ano do abandono da actual presidente, a Baronesa da Fadagosa, figura que certamente irá deixar muitas saudades, o quinzenário "Gazeta Alentejana" divulgou que na primeira linha de sucessão à autarquia nhabulense se perfilaram já alguns pré-candidatos como são os casos de Malpica Bartolomeu, Bicharroco Giesteira e Cartaxinho Figueira Djaló.
Segundo informações fidedignas chegadas à redacção da "Voz da Tabanca", estamos em condições de garantir que Malpica Bartolomeu recusou, liminarmente, ser pré-candidato, uma vez que estará apostado na concretização de grandes projectos para a freguesia a que preside e para os quais apresentou candidatura ao PLORC – Plano de Liquidação das Obras Remetidas para as Calendas, como é o caso da requalificação dos antigos lavadouros municipais, da reconversão urbanística do Alto de Santa Luzia e da implementação da toponímia em diversos bairros e arruamentos da urbe nhabulense.
Malpica Bartolomeu quer ainda ver concretizado o projecto de transformação do Centro Histórico de Nhabula em estúdio cinematográfico, destinado, especialmente, à rodagem de filmes de longa-metragem e de documentários, tendo como pano de fundo a Idade Média.
Notícia do Dia (2)
Ainda sem candidatos às autárquicas de 2013 e de acordo com a "Gazeta Alentejana", estão também o PCP – Partido dos Coqueiros e das Palmeiras, o PS – Partido da Savana, e o PSD – Partido dos Sândalos e Damasqueiros.
No primeiro caso, a resposta pode estar no actual vereador, mas a decisão ainda não está tomada. Situação diferente é a do Partido da Savana (PS) partido onde a "Gazeta Alentejana" assegura, a luta está mais acesa, com quatro pré-candidatos a digladiarem-se pela conquista do primeiro lugar, não adiantando o quinzenário se a luta será resolvida a golpes de espadachim ou de biques de picaréta, nomeando como "acesos" intervenientes os nomes da Duquesa da Trindade, Visconde do Vale da Boga, o Conde de Vale Cardoso e o Marquês do Figueiró.
No Partido dos Sândalos e Damasqueiros, a situação parece mais difícil de resolver, depois de o Barão da Fonte da Cruz ter apoiado a decisão do Ministério da Justiça e defendido o encerramento do Tribunal de Nhabula, desde logo prometendo que não pagará nenhum almoço se na ementa constar as "favas à alentejana".
Notícia do Dia (3)
Em declarações à Rádio Talefe, da Vinagra, o regedor de Albarrol, Matias Baldé, desafiou a Baronesa da Fadagosa, presidente da Câmara de Nhabula e os eleitos na Assembleia Municipal a integrarem a PNRCTT – Plataforma Nhabuense para a Recuperação do Complexo Turístico do Tejo.
"Precisamos de todos e de todas as vontades para resolvermos, de vez, este problema "bicudo" que nos foi legado pela administração anterior e que a actual tem remetido para o rol das promessas eternamente por cumprir", disse Matias Baldé.
Não se conhece até ao momento qualquer reacção ao desafio do regedor de Albarrol, sendo de esperar que, a menos de um ano das eleições autárquicas, alguma coisa mexa para que tudo fique como dantes.
A não ser que...
Mário Mendes
 

22.10.12

Opinião: IN CLARIS, NO FIT INTERPRETATIO


... a grande amizade, estima e agradecimento por aquele que foi o meu grande companheiro de carteira entre o 1.º o 5.º anos do colégio em Nisa, José Maria de Oliveira Marquês, dar-lhe conta ... se é que é preciso, da amizade que me dedicou... estando eu largo tempo doente em ano de exame, no 2.º ano do colégio, dando-me conta da matéria dada diariamente, aquele que considero o ser mais inteligente que conheci até hoje, que poderia academicamente chegar a um ponto alto na qualquer área que escolhesse, com a sua extraordinária bondade, simplicidade, cuidado e inteligência... fazia-me o ponto da situação e informação escolar diários...
Estudar e partilhar com ele no lugar mais próximo a mesma carteira, foi para mim um privilégio, fica-me talvez melhor dizer... uma bênção.
Embora ausente pela distância sempre lhe dediquei o melhor dos sentimentos, quer de estima quer de agradecimento, da maior afetividade, permite-me....familiaridade.
Nas voltas da vida nunca esqueci aquele que haveria de ser o meu companheiro de carteira do 1.º ano ao 5.º ano do Colégio, das suas excecionais qualidades, do seu carácter, da sua nobreza de alma.
Nunca o esqueci.
Quando te encontrei, já depois do desaparecimento físico de tua mãe, cujo facto não me chegou ao conhecimento na oportunidade, fui incapaz de falar no assunto quando nos encontrámos, com receio de que nos emocionássemos.
Conhecia demasiado bem a mãe do Zé, da enorme capacidade de acolhimento da pessoa bondosa de tua mãe, um ser tão bom... tanta bondade, casa onde tantas vezes entrei, qualidades de acolhimento que já eram cultivadas pelos teus avós, e se estendiam ás tuas tias, pelo que se nos impõe o dever de lhes dedicar elevados sentimentos de respeito carinho e admiração.
O exemplo sereno de vida do Antero...
E no céu, onde está a tua mãe consentir-me-á, aprovará por certo, este meu reconhecimento público ..., agradecimento e estima pela tua beleza interior.
Como referido na epígrafe, foi o Zé, talvez o ser mais inteligente que conheci até hoje, com qualidades invulgares para poder ser tudo o que quisesse.
As pegadas, nas nossas almas, dos tempos em que companheiros vivíamos em proximidade ocupando a mesma carteira diariamente, durante cinco anos, deixam-me profundas saudades.
Igualmente dispensámos da prova oral do 2.º ano graças à qualidade das informações que me transmitias com rigor, visitando-me durante o período de doença, e em que te esmeravas e eras pontual, com as auas altas capacidades de aluno superior.
Ao rever-te há tempos a grande alegria da partilha do encontro.
A amizade... Zé, é como a fé... nem é mais nem menos... é simplesmente.
Embora nos diversos caminhos e viagens da vida sozinhos ... a nossa amizade segue igual à de ontem.
A nossa amizade foi, é, um ...abraço para sempre, e enriquece-nos, e é bênção que agradeço.
Vivemos no país um momento coletivo e individual de afrontamentos, de pobreza, de agressividade, de incompreensão pelas pessoas de bem que prosseguem a justiça mas não dispensam a humanidade das decisões, não aceitam a incompreensão pelos mais pobres.
Nós sabemos que tais tempos justificam, que não toleram as arbitrariedades, as certezas adquiridas da gente dos pequenos e grandes poderes que contrasta com as certezas das nossas dúvidas, do pouco que conhecemos e sabemos.
Este contexto social que começa a evidenciar-se ameaçador, bem ao nosso redor.
Porém, não nos amedrontemos, não poupemos a crítica que exige justiça, ajuda fraterna, compreensão, perdão em vez de perseguição....vectores que Nossa Senhora da Graça induziu nas nossas mães, e que se nos transmitiram.
Por isso me lembrei, da integridade do teu exemplo, nesta hora de exigência de um sentido
para a vida.
Não nos equivoquem, temos o direito de ser nós. Não achas Zé?
Com a mesma afetividade sincera de sempre
João Castanho

JOSÉ FRANCISCO FIGUEIREDO e o Traje de Nisa

Evolução do trajo e do penteado (camponeses, lavradores e artífices e suas famílias)
Em remotos tempos, as mulheres usavam saia de catimbé (au), fazenda espessa de lã, geralmente em azul escuro ou castanho, com barra amarela, cor de rosa ou encarnada. Estas saias tinham, de ordinário, três panos e eram demasiadamente compridas, passando mais tarde a usar-se por abaixo do joelho. Por baixo da saia de catimbé, faziam uma de estamenha, tecido de lã e linho; mas esta, em vez de barra, terminava por uma orla formada a pontos de trança de lã em espiral, distanciados de um centímetro pouco mais ou menos.
Usavam ainda, sob a estamenha, saias de beata de seda, uma espécie de flanela de algodão felpuda.
As camisas eram sempre de linho, sendo frequente encontrarem-se algumas em que a parte correspondente ao tronco era de linho e a inferior de estopa ou estopinha. Nas mangas, que quase todas tinham e nos ombros eram bordados com linha caseira, isto é, com fios de linha adrede preparados.
No peito, sobre a camisa, vestiam um colete de pano encarnado, enfeitado com fitas de cor diferente e sobre a roupinha, uma espécie de corpete muito justo e que, conforme se destinava ou não para dias festivos, era confeccionada em seda de várias cores, ou em pano azul de lã. As mangas desta interessante peça de vestuário eram também muito apertadas por meio de pregas longitudinais no braço e antebraço, notando-se apenas uma parte mais larga na região do cotovelo que deu a tais mangas a denominação de mangas de balão.
Sobre a roupinha usavam ainda a capa de bombonete, que era uma capa pequena de tule ou renda bordada de branco com que cobriam apenas os ombros e cujas pontas iam prender-se sobre o seio com um alfinete ou uma fita de seda branca. Nos dias de maior solenidade, como casamentos, festa de S. Pedro, etc., as lavradoras vestiam saias de seda chamadas saias de rua que, com o desuso, têm sido transformadas nestes últimos tempos em lindíssimas colchas.
Com o decorrer dos tempos, as saias de catimbau (bé) cederam o lugar às de castorina fina; a roupinha apertada, a outra de mangas largas feitas dos mais variados tecidos, e a capa de bambonete com lindíssimos lenços de pescoço, em lã ou seda, na maior parte das vezes bordados pelas portadoras.
As saias de castorina ainda hoje se usam, embora arrebicadas de pregas e plissados, e foram elas que, com os lenços de pescoço e a tradicional roupinha, constituíram, por largos anos, o trajo característico e interessantíssimo das donzelas nisenses.
Houve uma época em que o luxo e a ostentação se aferiam pelo número de saias usadas, sendo frequente aparecerem nos bailes raparigas cuja cintura tinha de suportar o peso de doze daquelas incómodas peças de vestuário! Era um martírio, principalmente de Verão! E, como se este peso não fosse bastante para cruciar as pobres moças, ainda o peito e o pescoço tinham de suportar a pressão de várias gargantilhas, cordões, grilhões, cadeias, etc., que algumas ostentavam, como ourivesarias ambulantes, vaidosamente. Servia-lhes de agasalho – e nem de outra forma saíam à rua – numa mantilha roxa, forrada de beata encarnada, na parte que colocavam sobre a cabeça. Mais tarde a mantilha roxa foi substituída por outra de pano preto, com que assistiam às cerimónias religiosas e ocultavam o rosto à indiscrição dos curiosos.
Hoje a mantilha apenas é usada por algumas viúvas mais aferradas à tradição e ainda assim só nos primeiros tempos de viuvez.
José Francisco Figueiredo

18.10.12

BANDA DE NISA REACTIVADA HÁ 30 ANOS (II)

 "O maestro António Charrinho tem sido o pilar desta colectividade" - João Maia, presidente da direcção
João Manuel Palheta Maia, o presidente da direcção da Sociedade Musical Nisense é músico desde que a banda foi reactivada há 30 anos. Sobre o significado desta comemoração, considera-a "um marco porque são muitos anos, com altos e baixos é certo, continuamos a formar jovens e a ensinar-lhes não só os fundamentos da música, como também incutir-lhes noções de sentido de responsabilidade, partilha e respeito. Temos muita gente, felizmente, muitos jovens, mas o grupo de executantes da Sociedade Musical Nisense prima por ser heterogéneo e nesta grande escola que é a música todos aprendemos uns com os outros.
O grande pilar deste "edifício" com 30 anos tem sido o maestro António Maria Charrinho. A SMN tem neste momento dois grupos, a banda com 52 elementos e a Filarmonisa (grupo de metais) com 8 executantes.
Formação é a base do sucesso
É através da formação que a banda da Sociedade Musical Nisense garante o prosseguimento da sua actividade.

"Os 52 elementos da banda vieram todos da formação e a escola de Música é, neste momento, um sucesso", garante-nos João Maia. O ano passado tivemos 20 meninas na aprendizagem e hoje já tocam na banda. Este ano irão entrar mais crianças, a partir dos 6 anos. O ensino é grátis e facultativo, pedimos a colaboração dos pais na fase em que as crianças precisam de adquirir instrumentos."
Tanta música para espaço tão pequeno
As instalações acanhadas em que a Sociedade Musical Nisense desenvolve a sua actividade, tem sido o maior problema dos seus dirigentes. Funcionam num anexo do Cine Teatro de Nisa, num espaço que serve para ensaios, secretaria e arrecadação de instrumentos. Há anos que procuram dotar a colectividade de instalações condignas e através da Câmara chegou a avançar-se para a elaboração de um projecto para a construção de um edifício, na Urbanização das Amoreiras, solução que, face aos custos (600 mil euros) e a indefinições várias, teve de ser abandonada.

"As instalações são, de facto, o nosso "calcanhar de Aquiles" , confessa o presidente da SMN. "Temos esperança de que, com a construção do novo centro escolar, fiquem vagas algumas instalações e nós possamos aí instalar a sede da colectividade.
À parte esta situação que nos preocupa, a Sociedade Musical Nisense vive da quotização dos 420 associados, contamos com um apoio camarário de 800 euros mensais, este ano será um pouco menos e com apoios de outras entidades como sejam as juntas de freguesia do concelho, Inatel e também promovemos a auto sustentabilidade através da participação em espectáculos e festas.
São estes apoios que nos permitiram a aquisição de uma carrinha de 9 lugares, com um custo de 18 mil euros, e dar continuidade à Escola de Música. Temos o sonho de tentar criar em Nisa uma Academia de Música que não se restringisse, apenas, aos instrumentos "tradicionais" das bandas, mas contemplasse outras variantes como o piano, o violino, a viola, etc. O prestígio que alcançámos na formação inicial de muitos músicos que hoje se destacam, como instrumentistas de mérito e de direcção em muitas formações musicais superiores do país, justifica, plenamente, esta ideia que, por enquanto, não passa de um "sonho".
Para isso, precisamos de espaços adequados para proporcionarmos boas condições. Entretanto e porque "o sonho comanda a vida" temos como projectos a edição de um novo CD com músicas originais de António Maria Charrinho e a edição de um livro com toda a história da Banda de Nisa."
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 17/10/2012

17.10.12

ALPALHÃO COMEMOROU 500 Anos do Foral

Este fim-de-semana Alpalhão esteve em festa. As comemorações dos 500 anos da atribuição do Foral Manuelino, organizadas pela Associação de Jovens de Alpalhão (AJAL), pela Liga de Amigos de Alpalhão (LIAAL) e pela Junta de Freguesia, com o apoio da Câmara de Nisa, mobilizaram a população, que saiu à rua e recordou o passado, abraçando a história de Alpalhão.
As comemorações arrancaram ainda na noite de sexta-feira, com uma arruada medieval, mas foi no sábado que tiveram a sua verdadeira expressão. Ao início da tarde, João Moisés, ladeado por Gabriela Tsukamoto e Manuel Bichardo, descerrou a placa evocativa dos 500 anos do Foral.
Seguiu-se um desfile pelos locais históricos da vila, ao som da Banda Filarmónica de Alpalhão.
O percurso terminou no Centro de Lazer, onde teve lugar um colóquio subordinado ao contexto histórico do Foral de Alpalhão, apresentado pelo professor João Cosme.


As comemorações terminaram ao final da tarde, depois de uma recriação histórica no centro da vila, um dos momentos altos dos festejos, que contaram com uma grande adesão por parte da população da vila.
Mais do que uma festa, a efeméride mostrou ser também um momento de reflexão. João Moisés, presidente da Junta de Freguesia, não escondeu a preocupação com a perda de população, comércio e serviços registada nos últimos anos.
«Artes e ofícios vão acabando. Por este caminho, qualquer dia os nossos concelhos são um grande lar da terceira idade», referiu, salientando que quem nos governa «não se pode esquecer que aqui também é Portugal».
Também Gabriela Tsukamoto criticou a forma com o Poder Central tem olhado para o Interior. De acordo com a edil nisense, «os forais visaram o desenvolvimento do Interior» e hoje, centenas de anos depois, «assiste-se a uma política diferente, de encerramentos e extinções».
«Precisamos que todos percebam os perigos que estamos a correr com estas políticas. Sozinhos não conseguiremos lutar, precisamos de ajuda de todos», declarou a autarca, que teceu vários elogios à população de Alpalhão.•
Um tributo a António Grave Caldeira
Nos momentos que antecederam ao colóquio, João Tavares Mourato, da LIAAL, prestou um tributo ao falecido António Grave Caldeira, «um grande amigo de Alpalhão». Emocionado, João Tavares Mourato recordou as qualidades humanas e intelectuais do falecido amigo, e a forma apaixonada como tentava dinamizar Alpalhão.
Ainda antes de pedir um minuto de silêncio em homenagem a António Grave Caldeira, o responsável lembrou que foi ele o mentor do colóquio e das comemorações.
in "Alto Alentejo" - 17/10/2012

A morte de António Grave Caldeira, alpalhoense bairrista

Faleceu, no dia 4, em Lisboa, vítima de um ataque cardíaco, o alpalhoense António Grave Caldeira.
Entusiasta da cultura, das tradições, do património e das gentes de Alpalhão, António Grave Caldeira fazia parte da Liga de Amigos de Alpalhão (LIAAL), da qual foi presidente.
Já reformado da companhia de seguros "Lusitânia Vida", António Grave Caldeira continuou em Lisboa, mas mantinha uma forte ligação a Alpalhão, que ficou chocada com a notícia do seu falecimento.
Foi um dos grandes mentores das comemorações dos 500 anos da atribuição do Foral Manuelino a Alpalhão, e foi por isso homenageado durante a efeméride, a que infelizmente já não conseguiu assistir. Faleceu aos 67 anos, muito antes de concretizar vários projectos que tinha desenhado para a sua vida, para a família e para Alpalhão.
À família enlutada, o Alto Alentejo apresenta as mais sentidas condolências
in "Alto Alentejo" - 17/10/2012

BANDA DE NISA RESSURGIU HÁ 30 ANOS

 

 
"Olha, lá vai a Música!…"
A Sociedade Musical Nisense, colectividade fundada em 1988, assinalou no passado sábado, dia 13, com um espectáculo, os 30 Anos da Reactivação da Banda de Nisa, acontecimento que teve lugar em Outubro de 1982.
No espectáculo, realizado no Cine Teatro de Nisa e a que assistiu numeroso público, actuaram os grupos da SMN, banda filarmónica, Filarmonisa (grupo de metais) e Canto do Corrupio, conjunto de música popular, que se juntou expressamente para esta festa.
O ressurgimento da banda de Nisa em 1982, após alguns anos de inactividade, fez renascer as tradições musicais e filarmónicas que remontam ao ano de 1844, quando foi fundada a Sociedade Phylarmonica Nizense.
Durante o século passado, a Banda de Nisa alternou períodos de grande fulgor e outros de reduzida actividade e de quase apagamento.
Mas, em Nisa, e como sustenta Carlos Cebola, "de um pau se faz um músico" e o gosto pela música esteve sempre vivo no espírito dos nisenses. A filarmónica tomou o nome de Banda Municipal, mostrando o carinho da autarquia pelas artes musicais e assim se manteve durante décadas, ensaiando aqui e ali, andando com a casa às costas, mas mantendo sempre viva e brilhante esta tradição cultural, até que em meados dos anos 60, com o êxodo rural e o fenómeno migratório a sua actividade cessou.
Foi o executivo camarário presidido por Carlos Bento Correia (1979-1982) e tendo José Manuel Basso como vereador do pelouro da Cultura que encetaram esforços para a revitalização da banda, um trabalho que se iniciou a partir da base e no qual assumiu um papel fulcral, o actual maestro António Maria Charrinho.
A primeira apresentação pública da "nova" Banda de Nisa, por ocasião da Feira de S. Miguel, em 1982, no Cine Teatro, constituiu um êxito estrondoso, com a sala apinhada de gente, para verem e aplaudirem muitas crianças e jovens, formadas a partir do início desse ano e a que se juntaram músicos mais velhos e experientes, vindos de outras formações da Banda Municipal de Nisa.
A Escola de Música que funcionou primeiro nas instalações da Sociedade Artística Nisense e mais tarde no espaço da JAC (Juventude Agrária Católica) na capela de S. Francisco, anexa à Igreja Matriz e numa casa particular, na Urbanização da Fonte Nova, apresentava à população de Nisa o fruto do seu ainda curto trabalho, os primeiros músicos e o embrião da sua banda de música que, anos mais tarde, viria a tornar-se um caso de popularidade, graças ao trabalho que tem desenvolvido e à qualidade dos seus intérpretes.
A Banda de Nisa ressurgiu há 30 anos e o aniversário foi condignamente comemorado. Venham mais trinta!
MARCOS DE UMA CAMINHADA DE 30 ANOS
*1981 – Início das aulas de Música, na antiga JAC (anexo da Igreja Matriz)
* 1982 – 1ª Apresentação pública com espectáculo no dia 9 de Outubro – Cine Teatro de Nisa
* 1986 – A banda tem 3 novos agrupamentos: Orquestra Ligeira, Grupo de Dança e grupo de música popular.
*1988 – É criada, em Abril, a Sociedade Musical Nisense
* 1989 – Primeira deslocação a França ( região de Indre et Loire) por ocasião da assinatura do protocolo de geminação entre Nisa e Azay-le-Rideau
* 1989 – São publicados os Estatutos da Sociedade Musical Nisense
*1992 – Segunda visita a França
* 1994 – O Município de Nisa homenageia a Banda de Nisa com a atribuição da Medalha de Mérito Municipal pelos 150 anos de existência (1844-1994)
* 1994 – É cunhada a medalha comemorativa de bronze alusiva aos 150 anos da banda, sob desenho de António Maria Charrinho.
*1997 – Terceira visita a França
* 1998 – A banda é convidada e participa nas celebrações anuais da Senhora de Fátima em Werl e Wickede Rur, na Alemanha.
* 2002 – Banda tem novo fardamento e inicia a renovação do seu acervo instrumental.
*2004 – Surge o grupo de música popular "Cante do Corrupio", grupo que no ano seguinte (2005) lança o seu CD com o mesmo nome.
* 2007 – Comemorações dos 25 anos do Ressurgimento da Banda com espectáculo e lançamento de CD no qual participam os 3 agrupamentos da SMN: Banda, Orquestra Ligeira e Filarmonisa.
* 2011 – Deslocação aos Açores com participação nas festas do Senhor da Pedra (Vila Franca do Campo) e concerto em Ponta Delgada.
*2012 – 13 Outubro – Concerto comemorativo dos 30 anos do Ressurgimento da Banda de Nisa – Cine Teatro.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 17/10/2012

16.10.12

Textos de escritores nisenses: RAPSÓDIA

 
Naquela tarde, Mestre Horácio era um homem feliz. Tudo correra, afinal, melhor do que, tantas vezes, tinha imaginado. Tudo certinho. A tempo, sem sobressaltos, sem hesitações, sem falhas.
A alvorada, logo pela manhã, às oito. A procissão, com andores, anjinhos e fogaças, depois da missa do meio dia. O concerto, à meia tarde, pela força do calor. E se estava calor!
Mas, tudo, como Deus com os Santos.
Antes de sentar-se, puxou a cadeira um pouco mais para o lado: para a sombra, e gritou para dentro da tenda do Chumbinho, atrás de si.
"Rapaz, uma cerveja, por favor. Bem fresca".
Tirou o chapéu, que ajeitou, numa cadeira vaga. Passou o lenço pelas têmporas, perladas de suor. Limpou as mãos húmidas. Guardou o lenço no bolso das calças e esperou. Pouco tempo. O rapaz veio e colocou a bandeja, sobre a mesa, à sua frente.
"Uma cerveja".
Mestre Horácio agradeceu com um gesto e sorriu. Antes de levar a garrafa aos lábios, respirou fundo. Duas vezes. De alívio, como quem, finalmente, atirava para longe um fardo que, havia um mês, lhe pesava sobre os ombros. Um mês... Sim, pelo menos desde que ficara decidido incluir no programa a sua pequena rapsódia "Papoilas e Malmequeres". O facto nada teria de preocupante, se não fosse o Américo. O da tuba. Uma jóia de homem, aquele Américo, mas Música não era com ele, por mais que fizesse das fraquezas, força. O Américo, que até era um habilidoso, podia ter nascido para tudo: para músico, nunca. Verdade que não havia memória de ele ter faltado a uma lição, durante o solfejo; nem de ter falhado um ensaio, depois de lhe ter sido entregue o instrumento dos seus sonhos: a tuba.
"É só soprar e, para isso, tens tu arcaboiço!", gracejara a Vila, em coro. E ele, bonacheirão, rira do gracejo. Mas aprendeu. E foi para a estante. Segundo tuba, porque não havia terceiro.
De qualquer forma, ele merecera o prémio, mas o que começou a acontecer, também, foi que, a partir de então, era preciso estar, sempre, com um olho em todos e o outro no Américo, porque, de repente e sem cerimónias, zás, saía uma nota que não estava na pauta.
Pois, desde que, democraticamente, a Banda (direcção, sócios e músicos, incluídos), determinara que "Papoilas e Malmequeres" faria parte do programa do concerto, no Domingo de festa, Mestre Horácio não dormia sem pesadelos.
A ideia salvadora veio, numa noite de insónia e esteve em incubação até, quase, à hora do concerto.
"Com um bocadinho de sorte e de habilidade...", pensava ele. Mas, principalmente, teria de apanhar a tuba do Américo, sem que ele desse por tal e mesmo em cima da hora.
Felizmente, aconteceu. E, com uma rolha de cortiça, previamente, feita à medida, e um lenço de assoar, Mestre Horácio atulhou o tubo da tuba, de modo a que, por ele não saísse o mais leve som.
Ao subir para o coreto, foi só recomendar ao Américo que tocasse pianinho, quanto mais, melhor, e dizer ao Abílio, o primeiro tuba, que tocasse por dois. Depois, havia de ser à vontade de Deus e, por isso, entregou-se nas mãos de Santa Cecília, que era a Santa da sua devoção.
Com o nervosismo, que, sempre, se apoderava do Américo, quando se sentava à estante, ele nem daria pela marosca. E não deu.
O concerto foi um êxito. A Banda esteve impecável do primeiro ao último acorde. Todos. Até o Américo. E, outra vez, Mestre Horácio sorriu. Levou a cerveja aos lábios e foi, nesse preciso momento, que apareceu a Dulce. Miúda endiabrada, aquela. Fina, que nem um coral. Esperta, até dizer basta. Aprendeu o solfejo, antes do á-é-i-ó-u. Passado um ano, à estante, já fazia oitos com o flautim, no dizer dos músicos mais velhos.
- "Boa tarde, Mestre Horácio!".
- "Olá, Dulce. Tu queres alguma coisa? Um refresco, um pirolito..."
- "Obrigada, Mestre. Eu só vim até aqui, porque tenho de dizer-lhe uma coisa".
- "E, também não queres sentar-te?"
- "Posso?"
- "Claro, claro. Senta-te e conta lá".
Depois de olhar, de uma ponta à outra, o Largo, que só então começava a despovoar-se, a
Dulce sentou-se numa cadeira mais próxima.
- "Com licença".
- "Então, que coisa tens tu para dizer-me?"
- "Promete que não conta a ninguém?"
- "Prometo".
- "Jura?".
- "A pés juntos".
A Dulce pareceu ficar satisfeita com o que ouviu. Voltou a olhar, atentamente, o Largo. Cruzou os braços sobre a mesa e debruçou-se até apoiar, neles, o queixo bem desenhado.
- "Senhor Mestre, esta tarde, alguém quis pregar uma partida ao meu pai".
- "Ora essa!".
- "Verdade".
- " E estás segura do que dizes?".
- "Tão certa, como eu chamar-me Dulce".
- "Vê lá bem que, nem sempre, as coisas são aquilo que parecem!".
A voz do Mestre, já de si grave, desceu mais uma oitava. A Dulce olhou-o sem mover um único músculo da face. Continuou a fitá-lo, como se os seus olhos dissecassem, uma a uma, as rugas que se espalhavam pelo rosto do velho Mestre. Calada e misteriosa, como uma esfinge. Depois...
- "Foi como lhe disse. Alguém quis pregar uma partida ao meu pai".
- " E tu suspeitas de quem poderá ter sido?".
- " Não sei".
- "Mas, não sabes o quê? Não sabes se suspeitas ou não sabes se não suspeitas?".
- "Não, Mestre". Não sei se suspeito, se tenho a certeza".
-" E queres acusar alguém?".
- "Aí é que está o problema. Por vezes, estou mesmo a ver que...".
-"Cuidado. O padre António Vieira (sabes quem foi, pois sabes?), dizia que com os olhos do amor, o corvo é branco; com os olhos do ódio a pomba é negra. Tu estás a falar-me de qualquer coisa que fizeram ao teu pai. Pois, até pode acontecer que não estejas a ver, com os olhos certos. Trata-se do teu pai e a voz do sangue...".
-"Pode ser, mas eu...".
-"Olha. Eu não sei e tu, ainda, não disseste o que aconteceu, o que sabes ou do que suspeitas, que terá acontecido. Não sei, mas tenho a certeza de uma coisa. Ninguém, nesta Terra, é capaz de fazer, seja o que for, que possa magoar o Américo. O teu pai. Ninguém. Vai por mim!".
- "Isso eu sei. Mas também sei que o meu pai não tem jeito de acertar com a entrada do último andamento das "Papoilas e Malmequeres" e, se hoje, no concerto, acontecesse o que é costume, seria um grande desgosto para ele. Não é verdade, Mestre Horácio?"
- "É... E ele não merecia, pois não?".
- "Não, Mestre".
- "Mas, ouve cá, rapariga. Toda esta história tem alguma coisa a ver com o concerto?".
- "Não, Mestre, não tem nada, mesmo nada, eu é que... Desculpe, estão à minha espera para irmos dar uma volta, pela feira. Até..."
Após um momento de hesitação, muito breve, a Dulce, com um sorriso brejeiro, despediu-se e correu para um grupo que, à distância, a esperava, já, com alguma impaciência.
Mestre Horácio bebeu o último gole da cerveja. Pegou no chapéu e, ao desviar a cadeira, a seu lado, viu, outra vez, a Dulce, junto de si.
- "Então, Dulce?".
- "Desculpe, Mestre, mas, com a pressa, esqueci-me de dar-lhe o lenço, que estava dentro da tuba do meu pai. É seu, não é?".
-"Então e..."
- "A rolha? Deitei-a fora e o meu pai nem deu por ela! Não deu por nada!".
Lesta, como uma lebre, em dois saltos, voltou para o grupo que a esperava, ainda.
Mestre Horácio tornou a colocar o chapéu, na cadeira vaga, a seu lado.
- "Rapaz, outra cerveja. Por favor:... Bem fresca!".
-"É para já, Mestre", respondeu o Chumbinho, do fundo da tenda.
Acomodou-se melhor, como pode e a cadeira o permitiu. Guardou o lenço no mesmo bolso, onde tinha o outro e, com ambas as mãos, cofiou as guias do bigode farto.
"Esperta, até dizer basta. A Dulce: uma das papoilas da sua Rapsódia", pensou, ainda.
Trauteou, em surdina, o início do último andamento da sua composição e voltou a sorrir.
Quando veio, de dentro, e se preparava para colocar a cerveja, em cima da mesa, o Chumbinho, ainda, começou:
-"Outra cerveja p´ró Mest...".
Não acabou a frase. Voltou atrás e meteu a garrafa na geleira. Mestre Horácio dormia.
Beatificamente.
Carlos Tomás Cebola - Junho,96

12.10.12

OPINIÃO: Censura, disse ela!

Podia perguntar, mas não pergunto para que serve o site do Município de Nisa. A resposta é óbvia, em diversas versões, desde a "institucional" à política, passando pela propagandística (que não deixa de ser uma forma de fazer política com o dinheiro dos munícipes).
A Câmara -"gestora" dos conteúdos do site - colocou no mesmo, como informação aos munícipes e fregueses, a deliberação da Assembleia Municipal contra a extinção de freguesias. Está lá, em formato PDF, para consulta e leitura de quem aceder ao dito sítio.
O estranho - ou talvez, não, porque a autarquia é useira e vezeira neste procedimento - é que no mesmo site nada consta sobre uma outra deliberação da Assembleia Municipal e relativa ao famoso empreendimento turístico da Albergaria Penha do Tejo, uma Moção aprovada na mesma sessão daquele órgão autárquico e que, por constituir matéria relevante para a população do concelho e revelar preocupação com os gastos de dinheiros públicos, não deveria ser escondida dos cidadãos, para mais por quem apregoa os dotes de "Honestidade e Transparência" como valores insubstituíveis da sua teoria e prática políticas.
Trata-se, sem qualquer dúvida, de um grosseiro e vergonhoso acto de CENSURA, a juntar a muitos outros a que esta Câmara nos habituou. No caso vertente, o mesmo é duplamente condenável, porque esconde informação importante aos cidadãos e porque a autarquia se arroga "dona e senhora" de conteúdos e de tomadas de posição que lhe são alheias e provenientes de um órgão autárquico que, segundo a lei, goza de plena autonomia. Logo, ao CENSURAR uma deliberação da Assembleia Municipal, o "gestor de conteúdos" do site está a impedir o exercício de um pleno direito de informação por parte de eleitos municipais, consubstanciado numa Moção aprovada em sede própria e democrática.
As perguntas que me ocorrem sobre esta vergonhosa atitude são:
1 - Estará a Mesa da Assembleia Municipal diposta a apresentar queixa ao Ministério Público sobre esta limitação do direito de informar, bem como do facto de não serem disponibilizadas aos munícipes actas das sessões da Câmara?
2 - Vai a Mesa da Assembleia Municipal esperar que, como deliberado na Moção sobre o Complexo Turístico do Fratel, seja a Câmara a apresentar denúncia da situação às entidades competentes ou irá ela própria, a Mesa da Assembleia Municipal, tomar o assunto em suas próprias mãos?
3 - A Assembleia Municipal de Nisa (ainda) é um órgão do Município democraticamente eleito, de acordo com as leis da República Portuguesa ou, perante estas situações vergonhosas irá permanecer "mudo e sereno" servindo apenas como elemento decorativo da "fachada democrática" da Praça do Pelourinho?
Mário Mendes