31.5.12

Nisa contribuiu para o Banco Alimentar


A população do concelho de Nisa respondeu ao apelo do Banco Alimentar Contra a Fome e contribuiu de forma significativa para a campanha de recolha de géneros alimentares realizada no passado fim-de- semana.
Numa acção solidária coordenada pela Paróquia de Nisa, foram vários os jovens que se disponibilizaram para levar a mensagem da ajuda humanitária e de recolha de alimentos, em diversos estabelecimentos comerciais.
Nos dois dias, 26 e 27 de Maio, em que decorreu a campanha, em Nisa foram recolhidos 1.407 kg de bens alimentares, mais 91 kg que em idêntica recolha realizada em Maio de 2011.
Um aumento significativo tendo em conta as crescentes dificuldades económicas de muitas famílias e que atesta o grau de consciencialização e de disponibilidade para a ajuda humanitária dos nisenses.

NISA: Estudantes de Medicina promoveram saúde e prevenção das doenças





Durante três dias, 12 alunos da Faculdade de Medicina de Lisboa promoveram no concelho de Nisa acções de informação e consciencialização da população para os problemas de saúde, no âmbito do projecto "Rastreio à Periferia", iniciativa da Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa (AEFML).
O projecto contemplou um conjunto de actividades promotoras da saúde visando informar e consciencializar a população e capacitar os indivíduos para o controlo dos determinantes da sua própria saúde.
João Valente e Filipa Costa, alunos do 4º e 5º anos de medicina, respectivamente, e membros da direcção da Associação de Estudantes, traçaram, numa curta exposição, os objectivos das acções de sensibilização efectuadas nos dias 25,26 e 27 de Maio no concelho de Nisa.
"Este é um projecto elaborado pela nossa Associação de Estudantes, através do qual nos disponibilizámos para colaborar com diversas autarquias do país, principalmente do interior e que nos levou já a percorrer concelhos como Vila de Rei, Redondo, Crato e Vendas Novas.
Pretendemos, com estas actividades e simultaneamente, fomentar o trabalho de equipa e sensibilizar os futuros médicos para um investimento sério na prevenção primária.
No concelho de Nisa, propusemo-nos desenvolver uma campanha para a educação da saúde nas escolas, rastreios de sensibilização para os factores de risco cardiovascular e promoção de hábitos de vida saudáveis. "
João e Filipa, futuros médicos, não conheciam o concelho de Nisa, mas não precisaram de muito tempo para concluírem que, na área da saúde pública, os concelhos do interior têm problemas comuns, desde as populações envelhecidas, a carência de recursos a nível da prestação dos cuidados de saúde, os factores de risco associados à velhice e ao isolamento, a falta de locais de socialização.
Na tarde de sexta-feira, os alunos de Medicina promoveram acções de formação sobre alcoolismo, direccionadas para alunos do ensino secundário do Agrupamento de Escolas de Nisa.
Este é um problema juvenil que não passou despercebido ao "olho clínico" de João Valente.
"Fiquei sensibilizado com o facto de Nisa, uma vila do interior, ter uma grande actividade nocturna, o que em si não seria negativo, se não houvesse por parte dos jovens, muitos deles, ainda adolescentes, um grande consumo de álcool. É um problema sério, de saúde e que pode ter graves repercussões na vida escolar, familiar e profissional desses jovens.
Por isso, é fundamental que tenham acompanhamento adequado a nível da saúde pública e da própria escola."
No sábado, decorreram rastreio de factores de risco cardiovascular em Arez, Monte Claro, Pé da Serra, Arez, Salavessa e Velada, e no domingo, dia 27, idênticas acções tiveram lugar em Nisa e Tolosa.
Filipa Costa, em jeito de balanço, referiu-nos que foi "muito gratificante esta experiência, pois permitiu-nos tomar contacto com a realidade do interior do país, onde há diversas carências, no domínio da saúde. Gostamos muito da área de saúde pública e para nós foi um grande prazer sentir que, mesmo por breves minutos, fizemos a diferença na vida de alguém. Saímos mais enriquecidos com esta experiência e mais confiantes, também, para encararmos o futuro."
Em suma, tratou-se de uma boa iniciativa, em favor das populações, ainda que escassa e limitada, no tempo e no modo.
Um último reparo: a acção de rastreio realizada no domingo de manhã, em Nisa, careceu de divulgação adequada. Convém, no futuro, que iniciativas idênticas, sejam devidamente planeadas e acompanhadas, disponibilizando-se toda a informação às populações, para que as pessoas não andem de "Pôncio para Pilatos" à procura do local onde as mesmas se realizam.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 30/5/2012

29.5.12

NISA: Festas de Santo António 2012

A Associação dos Amigos do Santo António promove durante quatro dias, festejos em honra deste santo popular.
O programa das festas tem início no dia 13, com as celebrações religiosas, realizando-se pelas 17 horas a procissão entre a igreja do Espírito Santo e a ermida de Santo António, onde terá lugar a missa solene, pelas 18 horas.
No dia 15, sexta-feira, o arraial terá lugar no largo da Fonte da Cruz, local onde decorrerão os festejos até domingo, dia 17.
Durante as festas, destaque para a actuação do conjunto "Dilema", um agrupamento musical de Nisa que deu brado nos anos 80, a arruada e actuação dos Bombos de Nisa, a música p´ra pular dos Domingos e Dias Santos e as sempre aguardadas "marchas de Santo António" que alegrarão a vila no domingo, a partir das 18 horas-
Motivos de interesse e animação não faltam nestas festas de Santo António, aguardando-se a presença de muitos visitantes ao largo da Fonte da Cruz, nestes dias, verdadeiramente, o largo de Santo António.

NISA: Postais do Concelho (2)

A taberna do ti Chapim, no largo do Boqueirão, em Nisa.
Último reduto de histórias e memórias, de um tempo em que a taberna - as dezenas de tabernas existentes em Nisa -  - eram locais de encontro e convívio, de mil e uma conversas, sobre tudo e sobre o nada, que eram muitas das vidas da gente que as tabernas acolhiam.

OPINIÃO: Crónicas alentejanas

CARMELO AIRES, ATUAL 20 ANOS DEPOIS
1. Na edição de 18 de Maio do «diário do alentejo», com grande destaque de capa, o novo presidente da comissão de coordenação e desenvolvimento regional do alentejo, António Dieb, proclama que: «o nosso grande falhanço tem sido a incapacidade de atrair investimento» e que é preciso encontrar uma estratégia de desenvolvimento que passe pelo «investimento produtivo e gerador de mão de obra qualificada».
2. Onde é que já ouvimos isso? Quantas vezes e há quanto tempo? Ao longo de mais de 30 anos e a gente de todos os quadrantes políticos. E não só da política.Também do mundo empresarial e dos sindicatos. Alguns alicerçados nos respetivos «cargos» tendencialmente até que a morte os leve. Isto, num século e num tempo em que até Cuba (a de Fidel, não a do vinho alentejano), no aperfeiçoamento do socialismo e na limitação temporal do poder, limita o exercício de cargos em funções institucionais ou partidárias a dois períodos de cinco anos.
3. Há cerca de 20 anos ( é verdade, mesmo vinte !), num hotel de Portalegre (também já, sem espanto, entretanto encerrado) o PCP distrital promovia uma iniciativa política justamente sobre desenvolvimento regional. Num momento (fugidio) de espantosa abertura política deste partido, o «artista principal» do conclave foi, nada mais nada menos, que o presidente da CCRA de então, Carmelo Aires. Que dizia, sem hesitações e sem que alguém o contestasse, ser obrigatório o ciclo seguinte de fundos comunitários ter como destino dominante as infra estruturas para o desenvolvimento económico e projectos de iniciativa económica, tanto privados como de iniciativa do poder local ou de instituições de natureza social.
Defendia, com grande convicção, que, só excecionalmente e com forte justificação outras áreas (infra estruturas básicas e equipamentos da área social) seriam elegíveis.
4. O problema é que no ciclo seguinte (Guterres e seus novos dirigentes da CCRA ), em vez de se seguir no caminho apontado por Carmelo, o dinheiro comunitário virou muito pouco para o sector económico. Mesmo muita coisa não elegível no 1º QCA (ciclo inicial de ajudas da então ainda CEE) passou a sê lo, aparentemente com aprovação, às vezes até entusiástica, dos atores da região. Os fundos passaram a financiar infantários e escolas, muitas delas entretanto, caricatamente, já encerradas por falta de alunos ou postos médicos, alguns também já sem médicos, enfermeiros ou utentes!!! E equipamentos similares sem qualquer efeito desenvolvimentista...
Hoje, em 2012, com frequência, vê se o logótipo do QREN a patrocinar ou apoiar espetáculos e festarolas locais (sem alcance turístico mínimo ) que deveriam comunitária e solidariamente ser pagas pela comunidade local, sempre disponível de resto para comparticipar na ajuda a todo o tipo de obras de índole social.
5. Sobre a questão levantada da «mão de obra qualificada» e (acrescentamos nós) dos vulgarmente designados «quadros» a coisa arrepia ainda mais fino e sobre isso nos propomos opinar proximamente...
JMSBasso

27.5.12

OPINIÃO: O que é feito da olaria de Nisa?

Em Salvatierra de los Barros, na vizinha Extremadura espanhola, decorreu durante o fim de semana, a principal manifestação cultural e socio-profissional realizada na Península Ibérica em louvor da Olaria e do Barro. Como se ilustra pela notícia publicada abaixo, mais de cinco dezenas de olarias e de oleiros de Portugal e Espanha participaram nesta Festa Ibérica organizada de dois em dois anos, alternadamente, em Salvatierra de los Barros e S. Pedro do Corval (Reguengos de Monsaraz), curiosamente, um município da mesma província (Alto Alentejo) a que Nisa pertence.
Ora, nem esse facto, nem a circunstância, histórica, de o concelho de Nisa ter sido um importante centro oleiro e a sua olaria pedrada constituir, ainda hoje, uma singular e genuína forma de artesanato, que deu (e dá) nome e fama a esta terra, foram suficientes para que a Câmara Municipal se enchesse de brio e fizesse o mínimo que o bom senso e sentido de responsabilidade lhe impunha: fazer-se representar na mais importante iniciativa ibérica na defesa e promoção da olaria e do barro.
Enquanto nas reuniões camarárias têm prosseguido os “jogos florais” para se saber se a  Nisartes, se realiza ou não, este ano, os eleitos descuram o essencial e desperdiçam energias e oportunidades de fazer vingar aquilo que o concelho tem de mais genuíno e popular: a arte dos oleiros e a sua capacidade criativa geradora de peças únicas e, por isso mesmo, admiradas em todo o país e estrangeiro.
Andamos a discutir os “elefantes brancos” (termas, albergaria e outros) e vamos esquecendo, desprezando, aquilo que temos e mais nos identifica e que outros – com sentido oportunista – vão aproveitando em benefício próprio, fale-se dos queijos, do artesanato e da própria olaria.
O concelho de Nisa, é triste dizê-lo, mergulhou num sono profundo, letárgico e desmobilizador. A culpa será, em grande parte, das entidades públicas cujos dirigentes, ciclicamente, elegemos.
Mas não deixa de ser também responsabilidade nossa, do encolher de ombros indiferente e sistemático, a tudo quanto ocorre de negativo no concelho.
Limitamo-nos a votar, a transferir competências e deveres para outros, depositamos neles a nossa confiança e aí termina a nossa intervenção “democrática” e de cidadania.
Temos um papel expectante e amorfo que se traduz na falta de vivência activa e participação democrática, na ausência de questionamento dos poderes públicos e das instituições e na aceitação passiva, como um determinismo fatalista, de todas as situações que nos lesam como cidadãos, como contribuintes e como membros de uma mesma comunidade, em diversas áreas da nossa vida colectiva.
Aqui e agora, lembro e critico esta falta de bom senso, de responsabilidade, de empenhamento, diria até, de arrojo, da nossa Câmara na promoção de um dos ex-libris do nosso concelho: a olaria pedrada.
Uma “nódoa” que, a um ritmo impressionante, se tem vindo a juntar a outras e que mostra, sem sofismas, a inoperância que se instalou na Praça do Pelourinho.
A olaria de Nisa merece, indiscutivelmente, melhores e mais dedicados eleitos.
Mário Mendes

25.5.12

OPINIÃO: Nossa Senhora da Graça


Nossa Senhora da Graça
Ave Maria, Senhora da Graça
Dias difíceis na doença, Senhora.
Quási desânimo,... soluções que devo apresentar.
Não para mim, Senhora da Graça
Mas de pessoas que esperam ...que eu resolva.
******
Senhora da Graça, minha força, meu caminho, meu auxílio
Fonte de toda a esperança.
Ave Maria ... Bendita sejas,
Minha Bênção!
Ave Maria , Gratia Plena!
Não posso ceder,...Procurar,...encontrar....construir
Abril, ladear barreiras ...espreitar o equívoco
Mas sem malícia...pela via da coragem e da franqueza.
Ver o pequeno filtro por onde passar.
******
Tem de haver uma solução, as pessoas assim esperam.
Tudo parecia enevoado, sem saída.
Ave Maria, Senhora da Graça. Ia começar , mas antes tinha de Olhar-Vos
Pedir-Vos ajuda, para mim , como posso continuar assim,
Este torpor...Senhora da Graça... a doença que me persegue
******
Mas mais para aqueles tantos que encontrei,
aquelas duas senhoras tão arranjadinhas,
mas a começar a temer , estar só doí, lar?
E que lar, este aquele, outro,...amparei,... tanta dignidade.!
Aquela outra."..Senhor ...não aparece, levo a nossa amiga
...todos dias, .....gostamos tanto de o ver, ´Porque não aparece?.....Não tem andado bem?
******
Está magro de mais «,,,tem de aparecer
Mas...estou sempre,
O meu marido na triste doença por que passou falava tanto em si...
Que sua cabecinha pensava diferente
O Senhor tinha... era a pessoa para o lugar....agradecido mas.....
Não ,.... está enganada, o meu lugar é atrás, ..., é servir.
******
Senhora da Graça,... Minha Esperança,
Ave Maria,... e tudo se encaminha.
Bendito seja o Vosso Nome, ...e a amargura cessa .
Lembrai-vos de Portuga,  na exigência desmesurada de sacrifícios,
impostos e taxas,sacrifícios excessivos aos mesmos.
******
Quási desumanidades...., exigências no rapa e tira .
Sem nada de génio nos gestos dos timoneiros, ...sem palavras que reconfortem.
E a barca que nos leva Incapaz de se manter tranquila
agitada pelos ventos e ondas que sopram
nesta hora em que falta talento, grandeza, magnanimidade,
sem se achar porto seguro.
******
Crescem os sacrifícios,... as formalidades ,as intolerâncias,
a perda dos direitos ,sufoca-se com as circunstâncias aprimoradas
Desconfia-se do muito que se nos tira como se portadores de tesouros
....a rapar, tirar, mas nunca por.
Senhora da Graça!
Ave Maria, onda de perdão,... onda de Amor.
Socorre-nos com a Tua Graça!....
E recebo a Tua Paz.,.... Bendita Sejas.
João Castanho

24.5.12

NISA: Memória do Cine Teatro - Maio de 1937

Em Maio de 1937, o Cine Teatro de Nisa promoveu três espectáculos, que mantiveram a “marca” deste mês, ou seja, as sessões de teatro ou cinema terem um fim altruísta e de solidariedade, destinando-se as receitas apuradas para apoio de instituições e colectividades.
No dia 2, a sala de espectáculos (que ainda não era a do Norte Alentejano, mas tinha vida) acolheu 685 espectadores para a récita teatral dos alunos das escolas de Nisa (1), revertendo a receita, a favor da Caixa Escolar.
O espectáculo rendeu 2.433$50, o Cine Teatro foi cedido gratuitamente, recebendo a empresa a importância de 163$50, destinada ao pagamento do imposto, consumo de luz, bilhetes e velas, e pessoal empregado.
A 9 de Maio e numa iniciativa do Administrador do Concelho foi exibido o filme “As duas órfãs” cuja receita (2) se destinava a favor da ANT (Assistência Nacional aos Tuberculosos). Mais uma vez a sala foi cedida gratuitamente, tendo a empresa do CTN recebido a importância de 240$20 para pagamento de imposto, luz, bilhetes e velas. Pela primeira vez aparece descriminado o pagamento à polícia (PSP) no valor de 12$00 e aos Bombeiros (31$50).

Memórias Parlamentares: Intervenções sobre o Alentejo

INTERVENÇÃO DE JOAQUIM MIRANDA - 21/2/1981
O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Joaquim Miranda.
O Sr. Joaquim Miranda (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: São evidentes e reconhecidos os desequilíbrios regionais. O distrito de Portalegre não foge à regra.
Com a mais baixa população do continente, sendo embora o sexto em termos de área; com uma população activa que em 1970 ultrapassava em pouco as 58 000 pessoas, das quais 57 % ligadas à agricultura; localizado no interior, o distrito de Portalegre é uma região extremamente carenciada e com problemas a que urge dar solução.
O peso do sector agrícola é evidente e é nele mesmo que surgem situações confrangedoras.
As zonas regadas não são devidamente aproveitadas, como acontece no período de rega do Caia, e aos projectos existentes não é dada execução. Assim acontece com a barragem de Pisão, de importância fundamental para os concelhos de Crato e Alter do Chão; com a barragem da Apertadura, em Marvão, com elevado significado para o desenvolvimento agrícola deste concelho e decisiva para o regular abastecimento de água de Portalegre, particularmente agora que se avança para a instalação de uma zona industrial, e é ainda o caso do projecto de Alqueva que, sendo embora de maior relevância para outros distritos, beneficiará também algumas zonas dos concelhos do sul do distrito.
É conhecida a importância da pecuária no sector primário. Mas o matadouro regional de Portalegre - para a instalação do qual já foram adquiridos terrenos -, vital para o desenvolvimento da pecuária, particularmente se integrado num plano mais vasto de recolha e abate de gado, não é iniciado.
Não é dado qualquer apoio à introdução de novas culturas, e as experiências positivas existentes, nomeadamente com o tabaco - introduzido pelas cooperativas da Reforma Agrária -, ou com o algodão - cujos resultados obtidos nas experiências feitas em Elvas parece terem sido animadores -, não são minimamente fomentadas.
Ao nível da florestação existem projectos, alguns ambiciosos, como o da serra de S. Mamede. Mas não se passa dos projectos. E é elucidativo, neste campo, que até há relativamente pouco tempo, e talvez hoje ainda, não esteja colocado na capital do distrito um único engenheiro silvicultor.
É evidente que tais factos, a par com a sistemática destruição das unidades colectivas e cooperativas da Reforma Agrária, com o abandono sistemático das terras pelos reservatários e com o fraco peso dos outros sectores de actividade, vão-se traduzindo num crescente aumento do desemprego, hoje novamente um dos maiores problemas do distrito.
No campo das indústrias agro-alimentares e outras ligadas à agricultura muito poderia e deveria ser feito, mas pouco existe. E esta é uma área económica que pensamos ser de privilegiar e fomentar.
De resto, toda a actividade (industrial é limitada, como se depreende da fraca população activa que lhe ; adstrita - 15% em 1970 -, pese embora a existência de algumas unidades de razoável dimensão e significado económico.
Mas se a realidade é esta e se dela deveria decorrer um impulso à introdução de novas unidades industriais, os factos mostram, ao contrário, que mesmo algumas das existentes estão a encerrar, como acontece com as de menor dimensão do sector corticeiro, nomeadamente em Ponte de Sor ou com a IFAL, no concelho de Gavião.
Outras laboram com tecnologia ultrapassada, daí resultando quer baixas produtividades e falta de competitividade quer os inevitáveis acidentes de trabalho, como o recentemente verificado na empresa Robinson, em Portalegre, onde um operário foi fatalmente triturado por uma máquina.
Por outro lado, outras há que vão sendo alvo de negociatas obscuras com multinacionais, como é o caso da Cimbor, em Ponte de Sor, virada para o fabrico de produtos de borracha, cujas instalações foram vendidas à General Motors após despedimento colectivo de cerca de 200 trabalhadores, sem que lhes tenha sequer sido previamente garantido emprego na empresa a constituir.
E não deixa de ser significativo que os governos da «AD» não tenham dado qualquer resposta a um requerimento formulado pelo Grupo Parlamentar do PCP na sessão legislativa anterior sobre o assunto, mesmo estando em causa a venda de uma empresa cujo capital social era maioritariamente de um banco nacionalizado, o Banco Português do Atlântico.
E que dizer ainda das reservas de urânio em Nisa? Conhece-se a sua importância, mas nada se sabe, nem as próprias autarquias, quanto às intenções do actual Governo sobre as mesmas.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: O papel das autarquias locais poderá ser relevante - e sê-lo-á - para a modificação deste estado de coisas.
Mas como se não bastasse já o não cumprimento integral da Lei de Finanças Locais, assiste-se ainda, para agravar a situação, ao protelamento e a um verdadeiro boicote por parte do Governo aos inúmeros projectos de investimentos intermunicipais.
São estações de tratamento de lixo que não avançam: são albufeiras para abastecimento de água às populações que não se constroem, como a de Gáfete; são iniciativas no campo turístico que se adiam, como as que se pretendem para as barragens de Póvoa e Meadas e do Caia.
E a propósito do turismo quero salientar a importância que a recente constituição da Comissão Regional de Turismo de S. Mamede pode representar para o desenvolvimento do distrito de Portalegre, embora seja evidente que não basta a sua existência e sejam conhecidas as manobras que a têm envolvido.
Importa, antes de mais, melhorar as vias de comunicação, particularmente rodoviárias e ferroviárias, quer com vista a uma mais rápida ligação com o exterior, quer facilitando as deslocações entre as diversas zonas do distrito.
A restauração da estrada entre Portalegre e Estremoz é urgente; as obras que desde há anos vem sendo efectuadas na estrada que liga Monforte à fronteira devem ser definitivamente concluídas; o projecto antigo para uma outra entre Portalegre e Alter do Chão importa que seja iniciado.
Impõe-se o aproveitamento, apetrechamento e divulgação das ricas potencialidades turísticas, como é o caso do triângulo constituído por Portalegre, Marvão e Castelo de Vide; impõe-se a instalação de infra-estruturas mínimas, nomeadamente junto das várias barragens existentes e particularmente nas de Póvoa e Meadas, Caia, Montargil, Maranhão, Belver e Fratel, já hoje bastante procuradas, quer por nacionais de mais fracos recursos ou praticantes da pesca desportiva, quer por espanhóis das zonas fronteiriças.
Impõe-se que as termas como as de Castelo de Vide e Cabeço de Vide não tenham o fim alcançado por outras, como as de Fadagosa, recentemente encerradas por não disporem dê um mínimo de condições.
É necessário, evidentemente, fazer o levantamento, preservar e divulgar o rico património arqueológico monumental e artístico e acarinhar o artesanato local.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Não confundimos desenvolvimento com crescimento nem mesmo com desenvolvimento económico. O desenvolvimento carece de ser encarado numa perspectiva mais ampla e eminentemente social.
Daí que aborde ainda algumas outras questões que, quanto a nós, devem merecer a melhor atenção, senão mesmo tratamento prioritário.
Concelhos há ainda no distrito dei Portalegre sem que qualquer escola oficial de ensino secundário. Os cursos complementares são apenas ministrados em Portalegre, Elvas e Ponte de Sor, havendo alunos que efectuam diariamente percursos de 70 km e 80 km para assistirem às aulas respectivas; aí temos a selectividade e o insucesso escolar. Alunos há que por falta de transportes com horários adequados e sem condições financeiras para se instalarem nas localidades referidas saem de casa às 6 horas da manhã, regressando a elas às 7 ou 8 horas da noite; e a droga, a prostituição e outras situações de igual dramatismo naturalmente proliferam.
A falta de professores profissionalizados é grande; as condições de acesso à profissionalização e de fixação é má; e, evidentemente, a qualidade de ensino é confrangedora.
Não existe qualquer estabelecimento de ensino superior, e a de há muito prometida escola de ensino superior curto vai sendo aditada.
Pouco ou nada é feito no campo da alfabetização Mas logo que surgem grupos culturais que se lançam nessa e noutras actividades, como o «Semeador». de Portalegre, que já alfabetizou mais de 200 pessoas, 55 das quais aprovadas em exame da 4.ª classe; que têm em actividade um grupo de teatro que levou à cena 10 peças por todo o distrito; que criou uma escola de música hoje frequentada por 70 alunos dos 5 aos 15 anos; que agora está empenhado na recolha e publicação de obras e textos evocativos do património cultural, artístico e histórico da cidade de Portalegre, quando surgem tais grupos culturais, dizia, de imediato aparecem também as recusas de apoio, as tentativas de os liquidar.
Na verdade, que outra classificação se poderá dar à recusa de atribuição de um subsídio para alfabetização a este grupo, o que pela primeira acontece, quando ela apenas se fundamenta numa informação negativa do Governo Civil, que se baseia em inadmissíveis e antidemocráticos critérios de discriminação política?
É ainda no campo cultural que outras situações ocorrem dignas da maior apreensão.
Três dos 5 abrigos pré-históricos pintados conhecidos em Portugal encontram-se na serra de Louções, no concelho de Arronches. Pois o único aproveitamento que deles é feito é, precisamente, como abrigo de caçadores, que ali fazem lume em dias invernosos.
No local conhecido por Vidrais, em Santo António das Areias, encontram-se vestígios de diversas civilizações, nomeadamente do neolítico, Idade do Ferro e romana. Aí a pilhagem dos objectos é permanente, ao ponto de ainda recentemente uma pessoa da região vendia machados de pedra a quem os quisesse comprar e pedia por uma ânfora romana intacta 150$.
Os exemplos poderiam ser multiplicados tantas vezes quantos os diversos achados arqueológicos dispersos por todo o distrito, nomeadamente e para além dos já referidos, os de Aramenha, de Vaiamonte, Crato, Ervedal, Ponte de Sor, Nisa; tão diversos que hoje podemos ver no Museu Arqueológico dos Jerónimos, entre os melhores painéis de mosaicos romanos ali existentes, os da Villa Lusitano -Romana, de Torre de Palma; em museus do Porto encontramos objectos de Vidrais; em museus da RFA, moedas de S. Salvador de Aramenha.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Este estado de coisas tem de acabar. Mas a política seguida pela «AD» e pelos seus governos não resolve os problemas das populações; agrava-os. É uma política centralizadora e obscurantista. Numa palavra, antidemocrática.
É pois imperioso iniciar uma nova política, que ponha cobro às situações como as que agora referi.
Uma política que se proponha terminar com as assimetrias regionais, que avance com a descentralização, que reconheça os direitos das autarquias locais, que acarinhe e fomente a participação das populações no equacionamento e resolução dos seus problemas e aspirações."
Aplausos do PCP, do MDP/CDE, da UEDS e do deputado António Arnaut do PS.
21/2/1981 – Págs 1121 /22

NISA: Postais do Concelho (1) -

 NISA - Festa e convívio onomástico dos José(s)

21.5.12

NISA: Memória do Cine Teatro (Maio de 1936)

O mês de Maio de 1936 foi dedicado pela empresa do Cine Teatro Nisense a causas solidárias. No dia 3, exibiu o filme “A Patrulha da Alvorada” num espectáculo promovido pela autoridade administrativa do concelho e a favor da ANT – Assistência Nacional aos Tuberculosos (a tuberculose era um flagelo social nos anos 30, 40 e 50 do século passado), sendo apurada a receita de 749$00 para as despesas de 166$40 a cargo do Cine Teatro.
No dia 10, houve um espectáculo de teatro de amadores promovido pelo Sport Lisboa e Nisa (ainda era assim que se designava o actual Sport Nisa e Benfica) a favor do seu cofre. A receita apurada foi de 710$50 revertendo a favor do Cine Teatro a importância de 342$10.
A 17 de Maio, o Cine Teatro de Nisa abriu as suas portas para um espectáculo de teatro pelos alunos das Escolas Primárias de Nisa, a favor da respectiva Caixa Escolar.
A sala de espectáculos foi cedida gratuitamente e para uma receita de 2.130$00, à empresa do CTN coube a importância de 162$00 para pagamento das despesas com luz, bilhetes, velas e imposto.
A mesma récita escolar repetiu-se no dia 24 de Maio, sendo apurada a receita de 967$40 e cabendo à empresa do Cinte Teatro Nisense a percentagem (50%) de 483$70.
 “A Patrulha da Alvorada” (The Dawn Patrol) da Warner Bros (EUA) foi realizado, em 1930, por Howard Hawks que se tornaria num dos mais célebres realizadores e produtores da história do cinema.
O filme estreou-se em Portugal (S. Luiz) em 9 de Dezembro de 1930 e tinha como principais actores: Richard Barthelmess, Douglas Fairbanks Jr., Neil Hamilton, Frank McHugh, Clyde Cook.

NISA: POESIA POPULAR DO CONCELHO

Versos dedicados às tabernas de Alpalhão (I)
MOTE
A Vila de Alpalhão
Trinta e uma tabernas tem
Se houver dinheiro e disposição
Em todas se bebe bem
I
Na do António Paulo
E na do Benigno Sequeira
Bebe-se de uma maneira
É só a gente prová-lo
Dá-se com a língua um estalo
Na do João Temudo Durão
Até refresca o coração
Na do Francisco Duarte
Nunca fica de parte
A Vila de Alpalhão
II
Na do António Moraes
E na do Eduardo Saboeiro
Passa-se um dia inteiro
Assim como nas outras mais
Todas elas são iguais
Para quem de fora vem
Na do João Velez também
E na Francisco Bagina
Trinta e uma tabernas tem
III
Na António Caraça Varela
E na do Joaquim da Graça Paixão
Bebe com atenção
Olha que a pinga é bela
A do Jerónimo da Costa é aquela
Que nos fica de recordação
Na saída de Alpalhão
Quando se vae para Nisa
Tudo na melhor sempre desliza
Se houver dinheiro e disposição
IV
Na do José Sequeira Valentim
E na do António Ferreira Nabo
De beber nunca acabe
Sem os levar até ao fim
É um gosto para mim
Entrar nelas porém
Saber qual é a que tem
O vinho mais afamado
Mas pelo que eu tenho notado
Em todas se bebe bem.


20.5.12

NISA: Presidente da Câmara exige solução para má recepção da TDT

A 26 de Abril, teve início no concelho de Nisa a transmissão do sinal da televisão digital terrestre (TDT). O fim do sinal analógico de televisão teve como consequência que muitas residências do concelho deixassem de ter acesso a qualquer emissão de televisão

A má receção do sinal da TDP motivou a carta que a seguir se transcreve, endereçada pela Presidente da Câmara Municipal de Nisa ao Presidente da República, Primeiro Ministro, Lideres dos Grupos Parlamentares, Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), Presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) e Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).
O dia 26 de Abril ficou marcado, em Portugal, por um dia negro, com a cessação das emissões de televisão analógica terrestre passando as mesmas a ser realizadas, exclusivamente, através do sistema digital.
Aquilo que se pressuponha e apregoava de melhores condições de acesso à televisão pela população não passou de mais um embuste, com prejuízo para todos quantos, a muito custo, adquiriram os equipamentos necessários para o funcionamento normal da TDT.
Em tempo útil fizemos uma informação, que distribuímos pela população do concelho de Nisa, no sentido de, conjuntamente, podermos resolver uma questão, que não sendo da responsabilidade do Município, logo nos predispusemos a fazer tudo o que está ao nosso alcance.
Consideramos que o momento é deveras constrangedor para todos, especialmente para a população que, com grande esforço, tudo fez para não ficar privado de televisão, pelo que não poderei ficar indiferente a este problema, em função do número de reclamações que diariamente chegam à Câmara Municipal.
Estamos em crer que, apesar de a ANACOM justificar através de um jornal nacional, em 14 de Maio de 2012 que "… apenas seis por cento da população, localizada em zonas fronteiriças ou de pouca densidade populacional, não tem acesso ao sinal digital terrestre, ficando obrigada a adquirir equipamento específico, que custa cerca de 60 euros..." esta não deverá constituir um dado adquirido, tratando os portugueses de forma diferenciada, em bom rigor fazendo atropelo ao Artigo 13.º (Princípio da igualdade) da Constituição da República Portuguesa.
Face aos problemas que o concelho de Nisa tem em termos eficiência de cobertura de sinal da TDT, venho pelo presente exigir um tratamento, em igualdade de circunstâncias, para os munícipes do meu concelho, não deixando de considerar esta situação vergonhosa e escandalosa, uma vez que tal processo impede aqueles que são os principais lesados de terem acesso à televisão e por consequência limitando o acesso à informação e ao conhecimento.
A Presidente da Câmara Municipal de Nisa
Maria Gabriela Tsukamoto

19.5.12

FALAGUEIRA (Nisa): Festa e evocação da memória nos 30 anos da ACR



A aldeia de Falagueira, na freguesia de S. Matias (Nisa) esteve em festa no passado domingo para comemorar os 30 anos da fundação da Associação Cultural e Recreativa, criada em 11 de Maio de 1982. A ocasião foi aproveitada para lembrar os sócios falecidos e em especial João da Cruz Ângelo, um dos fundadores e principais dinamizadores desta colectividade.
 A celebração de uma missa, evocando os sócios falecidos e um almoço convívio que juntou algumas dezenas de sócios, muitos deles vindos da Grande Lisboa e de outros pontos do país, marcou as celebrações do 30º aniversário da ACR da Falagueira.
A colectividade é presidida por José da Cruz da Silva Ângelo, 63 anos, que nos fez uma resenha da vida da associação.
“ A ACR da Falagueira nasceu pela necessidade congregar as pessoas em torno do Rancho Folclórico, criado em 1977, e de dispormos de um espaço para os ensaios.
O Rancho Folclórico existiu até 1983, entretanto já tínhamos criado a associação, mas a falta de um espaço de convívio para a população e para dinamizar algumas actividades culturais e recreativas, mantinha-se.
Em 1996 fez-se um grande esforço para reactivar a actividade do Rancho e conseguiu-se, tendo surgido o Rancho “Saias Bordadas” ligado à associação. Foi um trabalho árduo, mas premiado com as actuações que em 1997 fizemos um pouco por todo o país e em Espanha (Cedillo e Trujillo). Aqui surgiu a ideia de avançar com a construção de uma sede que servisse a ACRF mas também toda a população da aldeia.
O sonho, de muitos anos, começou a concretizar-se. As actuações do rancho, as receitas obtidas na Feira de Artesanato e Gastronomia e a ajuda financeira de muitos sócios fizeram com que, num espaço de 5 anos, erguêssemos esta importante obra, que é o orgulho de uma aldeia e da freguesia de S. Matias.
A aldeia está praticamente deserta, são poucos os moradores, mas ainda assim é este espaço, este centro de convívio que traz muita gente de volta, aos fins-de-semana e dias festivos, não só para visitarem os familiares e as origens, mas também por saberem que têm um espaço onde podem juntar-se e conviver.
É isso que me deixa feliz e a todos os elementos dos corpos sociais. Temos o sonho de ainda um dia fazermos renascer o Rancho “Saias Bordadas”. Foi um grande embaixador da nossa terra e concelho, reactivou-se para que esta obra nascesse e quero agradecer a todos os que fizeram parte do rancho, porque mesmo em Lisboa e noutros sítios, nunca se pouparam a esforços para se deslocarem e actuarem, valorizando a nossa terra.”
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 16/5/2012

17.5.12

NISA: Animação e música no Convívio das Graças






É o nome da padroeira de Nisa – Nossa Senhora da Graça – e por isso não admira que sejam muitas as mulheres a pronunciarem e a responderem por este nome.
Mais de quatro dezenas juntaram-se, no sábado, num animado jantar e convívio sob o alto patrocínio da Senhora da Graça. Provaram e degustaram as especialidades do restaurante que também tem Maria no nome, contaram histórias e revisitaram memórias de outros tempos e para que tudo terminasse em beleza nem sequer faltou a música dos Domingos e Dias Santos que despertou a leveza e graciosidade das ditas graças para um pezinho de dança, ao ar livre, manifestação que durou até ao romper da madrugada.
Assente ficou a promessa da repetição desta iniciativa, a mostrar que em matéria de animação e convívio, as mulheres dão sempre “um ar da sua Graça”.

Sérgio Costa: a fotografia como paixão



Na sede da ASAA – Associação Sócio Cultural “Os Amigos de Arez” inaugurou no passado domingo, dia 13, uma exposição de fotografia de Sérgio Costa.
A mostra é constituída por mais de três dezenas de fotos e representam uma “viagem” do autor por lugares e memórias de infância da sua terra, Arez, que em múltiplas iniciativas da ASAA tem redescoberto nos últimos meses.
A aldeia, o campo, os animais, a comunidade, os lugares da história, os monumentos, as pequenas coisas que “não se vêem” e que o olhar fotográfico do Sérgio descobre, são o pretexto de uma exposição que não é mais do que uma homenagem à terra onde nasceu.
Sérgio Costa, 43 anos, vive no Entroncamento. Frequentou há 20 anos um curso do Instituto Português de Fotografia, “ainda não havia o digital”, diz-nos, e mais recentemente completou o curso de Multimédia e de Desenho Gráfico em Santarém.
Dedicar-se, profissionalmente, a estas actividades é o seu sonho. Enquanto tal não acontece e de máquina em “riste” vai captando as imagens que a natureza e o quotidiano lhe mostram ou sugerem.
Para já, é quase o “fotógrafo oficial” da ASAA tal a vontade e dedicação com que acompanha cada uma das iniciativas da Associação.
Agora, foi esta que lhe abriu as portas para mostrar os seus trabalhos e a avaliar pelos comentários, os arezenses dizem gostar do que viram
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 16/5/2012

MEMÓRIA(S) DE NISA – Maio de 1992

* 3 – Incêndio de grandes proporções em Chão da Velha mobiliza bombeiros dos distrito de Portalegre e Santarém, num total de 150 homens e 29 viaturas.
Arderam 170 hectares de mato e eucaliptos.
* 9 – Termina o “Município Aberto” promovido pela Câmara de Nisa na freguesia de Santana.
* 19 – Autarquias tomam posição junto da Comissão Mista luso-espanhola sobre os limites fronteiriços e a travessia dos rios Tejo e Sever, junto a Cedillo.
* 29,30 e 31 – Festas das Cantarinhas animam Rossio da Vila.
* 30 – Devesa de Nisa: Sucatas e abandono são “caixa” na 1ª página do quinzenário regional “O Pregão”.
* 30 – São eleitos os corpos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros de Nisa
* 31 – Abertura da XII Feira do Livro de Nisa
* 31 – Dois jovens de Alpalhão morrem em trágico acidente de viação ocorrido de madrugada na estrada Fortios – Alagoa.

16.5.12

ALPALHÃO: Pescadores desportivos brilham em Espanha

No passado dia 01 de Maio, a secção de pesca do GDR Alpalhoense participou na 42.ª Edição do Troféu Conquistadores em Jerez do Caballeros, Espanha, juntamente com cerca de 150 pescadores oriundos de toda a Península Ibérica, tendo obtido o 1.º lugar colectivo e individual.
Realçar o espectacular desempenho dos pescadores de Alpalhão, que apesar da crise e da falta de apoio, continuam a dar cartas em Portugal e Espanha, levando nome da vila de Alpalhão e do concelho de Nisa, bem longe. Tendo nesta ocasião arrecadado entre o prémio colectivo e os prémios individuais mais de 1.000,00 €.
Salientar ainda a ampla cobertura radiofónica e televisiva, por parte dos meios de comunicação do país vizinho, o que atesta a importância desta competição.
Para a posteridade aqui ficam os resultados obtidos.
Classificação colectiva.
1ª - Equipa – GDR Alpalhoense – 19 pontos
2ª - Equipa – GD Pesca à Linha Montemor – 24 pontos
3ª - Equipa – Sport Cabeção e Benfica – 35 pontos
Classificação Individual dos pescadores do GDR Alpalhoense
Vencedor Absoluto – Joaquim Maria Martins – 20.170 Kg
2.º - Zona B – Sérgio Costa – 9,700 KG
4.º - Zona A – Marco Bugalho – 6.900 Kg
16.º -Zona A – Carlos Canatário – 2.950

15.5.12

OS NOSSOS POETAS: Poema da Maternidade

Poema da Maternidade

Nove meses passaram
E a mulher
Lá trazia e criava
O Filho como Deus quer!

Sublime missão
Essa sua:
- Repartir o coração
P’lo Filho amado!

Assim vale a pena
Ser mulher
E fazer um poema
O melhor que se puder!

Ser mulher!
É ser Mãe
- É ter no ventre
O melhor Bem!

Tu rapariga
Que andas… eu sei lá…
Sê mulher!
Um Filho ao mundo dá!

Procura rapariga
- No mundo um lema –
E então também,
Será teu este Poema!...

Maternidade!
É ser Nossa Senhora;
É ter felicidade
No lar a toda a hora!

Rapariga:
- Sê alguém!
Procura, no mundo, ser Mãe
E terás um Bem!

Rapariga prendada
Esquece a juventude
E entrega-te a ser Mãe
Com toda a plenitude!

Procuras no lar
Um Bem?
Então ei-lo:
- Sê MÃE

José Ventura Balonas - in "Revista Alentejana" - Anos 50
NR: Anomalia técnica (vírus) no computador impediu-me durante cinco dias de colocar qualquer post nos blogs. Apesar da avaria ainda não estar reparada, vamos procurar, com recurso e ajuda de pessoas amigas, manter a "normalidade" e constância deste canal informativo.
A todas as pessoas - visitantes que se nos dirigiram, agradeço a atenção e preocupação por este prolongado ( e inesperado) "silêncio". Tá tudo bem, o povo tá sereno e com essa serenidade vamos garantir a presença constante do Portal de Nisa.

11.5.12

MEMÓRIA(S) DE NISA – Abril de 1992


• 6 – Autarcas do concelho de Nisa visitam obras municipais.
• 15 – É lançada na Casa do Alentejo, em Lisboa, uma colectânea de “O Jornalinho”, boletim escolar.
• 16 – Nisa é final da 5ª etapa da Volta ao Alentejo em Bicicleta.
• 18 a 22 – Delegações de Azay le Rideau e Sache (França) visitam o concelho, estreitando os laços de amizade.
• 22 – Câmara felicita o nisense Engº João José Esteves Santana, docente no Instituto Superior Técnico e co-autor da obra “Electrónica de Potência”.
• 22 – Câmara aprova acordo de geminação com os municípios de Sines e Vidigueira; dá parecer favorável à implantação de uma unidade de transformação de granitos; abre concurso da empreitada para a construção do complexo turístico do Fratel.
• Comemorações do Feriado Municipal e do 25 de Abril com grande adesão popular.
• 30 – Sessão da Assembleia Municipal inicia “Município Aberto” na freguesia de Santana.

NISA: Memória do Cine Teatro - Maio 1935


"Gado Bravo", filme português, realizado por António Lopes Ribeiro e estreado em Lisboa no Tivoli em Agosto de 1934, foi o "grande cartaz" cinematográfico em Nisa, no distante mês de Maio de 1935. Duas sessões que registaram a presença de mais de 500 cinéfilos nisenses diz bem da importância deste filme e da aposta (que nunca se fez) na produção nacional.
Em Maio de 1935 (dia 26) nas proximidades do "28 de Maio" como convinha, o Cine Teatro cedeu as suas instalações para uma récita a favor da Caixa Escolar das Escolas de Nisa (masculina e feminina), recebendo apenas a importância relativa ao consumo de electricidade e da feitura dos bilhetes. Vinte e seis escudos. Uma fartura, para a época...

8.5.12

NISA: Memória do Cine Teatro - Maio de 1934



Em Maio de 1934, o Cine Teatro de Nisa exibiu quatro filmes, a que assistiram 1.386 espectadores, que deixaram nas bilheteiras uma receita de 2.018$50 (dois mil e dezoito escudos e cinquenta centavos).
A 1 de Maio de 1966 (lembram-se do ano de 1966?, o da "explosão" de Eusébio no "Mundial" de Inglaterra, a célebre foto da "pérola negra" com a bola debaixo do braço e as lágrimas a caírem-lhe pelas faces? Belos tempos, tristes...) a sala de espectáculos do Norte-Alentejano - ainda não era assim conhecida, nem tinha as condições de segurança e conforto que hoje detém- abria as suas portas para exibir "O Cantor do México" com o célebre artista Luís Mariano.
Não dispomos de dados quanto à adesão ao espectáculo, sabendo-se que a empresa que detinha a exploração do Cine Teatro era a Socorama e que, à falta de outras iniciativas culturais e divertimentos, o Cine Teatro de Nisa cumpria, eficazmente, o seu papel.
Tal como hoje, afinal...

6.5.12

Francisco Matias homenageado em Tolosa

Francisco Matias, o jovem forcado falecido em trágico acidente, foi homenageado na sua terra natal, Tolosa, por iniciativa da Associação do Grupo de Forcados Amadores de Portalegre, a que pertencia. A homenagem póstuma ao jovem tolosense juntou algumas centenas de pessoas num festival taurino de beneficiência, com um cartel que integrou alguns dos mais famosos nomes da festa brava.
A foto foi retirada do site "Diário Taurino", a quem agradecemos, ao mesmo tempo que disponibilizamos o link que ilustra alguns dos mais importantes momentos desta taurina e de evocação de um jovem e valoroso forcado.

INTERCESSÃO A NOSSA SENHORA DA GRAÇA:

Lembrando o Dia da Mãe:
a insustentabilidade do desenvolvimento, a objeção ao desenvolvimento, o decaimento da economia, são estas as boas notícias?
 Senhora da Graça, Minha Mãe
Nossa Senhora
MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS.
MEDIANEIRA DA PAZ,
Reinai em todos e em cada um de nós nisenses.
GLÓRIA AO PAI, GLÓRIA AO FILHO,
GLÓRIA AO ESPÍRITO SANTO,
GLÓRIA A VÓS,
Ó SANTÍSSIMA SENHOIRA DA GRAÇA, NOSSA PADROEIRA,
GLORIOSA MADRINHA CONSAGRADA PELA MAIS ÍNCLITA TRADIÇÃO E FÉ NISENSE.
*****
Nossa Mãe,
Escolho-vos, hoje, Senhora da Graça...
Entrego-vos um complexo de preocupações,
Com tristeza silenciadas.
Mas tenho de partilhar...
Aceita e encaminha as nossas dúvidas
Com a Tua Luz ,.... Tanta Luz, .....Sabedoria Milagrosa.
Crescem as dificuldades perto de nós,
as desarmonias sociais, a pobreza ...Senhora!
Jovens superiormente preparados....no desemprego.
Crueldade maior?
*****
Porém no país ....medidas desproporcionadas?
Desiguais,...ilegais , ...inconstitucionais?
Não se pede,... não se discutem as medidas,
o momento,...o futuro não assegurado.
As políticas sociais sem norte.
A intervenção gigantesca de grupos de cristãos.
Cortes.... para lá dos limites do possível.
Carências...., dificuldades,.... um caminho(?),
Solução ou problema ? na perspectiva redutora dos números.
A proclamação da superfiscalização.
*****
Sem o acento tónico no cerne da questão:
desemprego,... a dor do decrescimento.
O deserto de intervenções e interpretações superiores.
Intervenções e medidas contraditórias.
A barca eleita para seguir, traçar o rumo adiante...
segue os seus passos.
Os nossos devem passar por aí?
*****
Nova linguagem na esgueira de um mundo que mudou?....
Uma economia nessa perspetiva?.....planetária?...
De dimensão à altura das circunstâncias?.
Do nosso passado.... da nossa História?.
Valorizar o aumento real dos salários?.
Garantir as reformas e aposentações dignas para todos?.
Ataques aos direitos dos trabalhadores?.
Trabalho cada vez mais precário?.
Com remunerações cada vez mais flexíveis?.
Mais e melhores empregos?.... Nunca os piores?.
*****
Senhora, uma aflição especial ....o trabalhador visto como pessoa
ou como mercadoria?....
Direitos violados? ...Porquê? ...Com que legalidade?
Sim, não, talvez?....
Os princípios jurídicos também mudam
dizem alguns, lá do alto do seu alto ....entendimento,
e auto/alto império....só certezas.
*****
E como mudam?....
Para prejudicar, beneficiar?
Um juízo científico ...que a minha pobre inteligência não abarca.
Só ao alcance de uns tantos.....predestinados.
Senhora da Graça!
Temos de concordar? ...Sem compreender?
*****
Louvar o barqueiro ....?
Em todas as circunstâncias ?
A nova linguagem da política do futuro....?
A sua complexidade, numa economia mais planetária.?
Rompendo o futuro?
Seguida com a genialidade das soluções adotadas?
Procuradas como as melhores porque de aplicação a toda a Humanidade,
E reparadoras da economia de uma forma ética, sustentável....?.
Socialmente regulada?
Minha Mãe, Senhora da Graça!
*****
Passam por aí... os meus passos?
Senhora...
Perdoa-me a partilha, esta partilha dolorosa.
João Castanho

4.5.12

MONTALVÃO: D. Duarte de Bragança nos 500 Anos do Foral

No próximo sábado, 12 de maio, Dom Duarte Pio - Duque de Bragança e chefe da Casa Real Portuguesa, estará em Montalvão (concelho de Nisa) para participar numa iniciativa comemorativa dos 500 anos do Foral da Vila de Montalvão.
O Duque de Bragança foi convidado para proceder ao descerramento de uma placa alusiva da efeméride. Pelas 16 horas ocorrerá na Casa do Povo uma conferência com a participação de Gabriela Tsukamoto – Presidente da Câmara Municipal de Nisa e do historiador Jorge Rosa que apresentará uma comunicação sobre o tema “Montalvão, Dupla Fonteira”.
Na sequência da conferência, terá lugar na Igreja Matriz de Montalvão um concerto pela Orquestra de Cordas do Conservatório Regional de Castelo Branco.
As comemorações que assinalam o aniversário da atribuição do Foral a Montalvão pelo Rei Manuel I. são organizadas pelas associações Vamos à Vila e Salavessa Viva com apoios da Câmara Municipal de Nisa, da Junta de Freguesia de Montalvão, da Santa Casa da Misericórdia de Montalvão e da Associação de Desenvolvimento de Nisa.
Em 1497, D. Manuel deu ordens para que fossem recolhidos todos os velhos forais do reino, com o objetivo de os refazer e atualizar. Esta tarefa prolongou-se até 1520. Os Novos Forais – Forais Manuelinos - tinham como objetivo, de uma forma muito sucinta, demarcar os limites territoriais estabelecendo as relações económicas e sociais entre as entidades outorgadas e as outorgantes, definindo os tributos a pagar pelos primeiros e tinha acima de tudo um carácter fiscal. Eram descriminados os lugares no concelho e descriminadas as dívidas à coroa que eram pagas em géneros alimentícios ou dinheiros reais. Estes Forais foram reunidos no chamado Livro dos Forais Novos.
No concelho de Nisa, além de Montalvão, também se celebram este ano os aniversários do Foral em Alpalhão, Nisa e Amieira do Tejo.

NISA: O "Autocarro do Conhecimento" volta a dar que falar...

MOÇÃO APRESENTADA PELOS VEREADORES DO PS E DO PSD
PERÍODO ANTES DA ORDEM DO DIA /REUNIÃO ORDINÁRIA DE 2/MAIO/11
PRESIDENTE DA CÂMARA NÃO AUTORIZA OS ELEITOS DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL A UTILIZAREM AUTOCARRO DA CÂMARA PARA DESLOCAÇÃO À INFRA-ESTRUTURA  ENCERRADA E DEGRADADA “ALBERGARIA PENHA DO TEJO”
" No passado dia 30 de Abril, no decurso da 2ª sessão anual da Assembleia Municipal de Nisa tomamos conhecimento do teor de um ofício subscrito pela Sra. Presidente da Câmara e remetido ao Presidente daquele órgão, através do qual informa que não cede o autocarro municipal para realização de uma deslocação dos membros daquele órgão autárquico à infra-estrutura denominada “Albergaria Penha do Tejo”, no período imediatamente anterior à hora de realização da referida sessão que teve lugar às 15.00 horas.
Os Vereadores subscritores da presente moção demarcam-se deste acto ostensivo de poder praticado pela Presidente da Câmara ao impedir o uso de um bem municipal por parte dos Eleitos Locais na Assembleia Municipal que, tal como a Presidente, foram sufragados através do voto directo e universal dos cidadãos deste nosso concelho e aos quais assiste o direito de constatarem e de avaliarem no local, o estado deplorável a que chegou o imóvel.
Os Vereadores da oposição manifestam aliás o seu total repúdio pelo desrespeito revelado pela Presidente da Câmara relativamente ao órgão deliberativo do Município competente para acompanhar e fiscalizar a actividade do Executivo, mormente quando é do conhecimento público que, sem deliberação do Executivo Municipal, (órgão competente para autorizar a cedência do autocarro) o mesmo foi utilizado para transportar pessoas do concelho ao local de realização do funeral do pai do ex-director executivo da ADN.
Os Vereadores da oposição nada têm a opor a que, desde já, no dia de realização da próxima sessão da Assembleia Municipal, ou em qualquer manhã antes da abertura das sessões daquele órgão, o autocarro seja utilizado pelos deputados municipais para visita à Albergaria ou a quaisquer outras obras municipais que entendam acompanhar e/ou verificar o seu estado de execução ou de degradação, e desde já se disponibilizam para integrar o grupo de eleitos da Assembleia, devendo os custos de tais deslocações ser imputados nos custos de funcionamento da As. Municipal como está previsto na Lei.
Pela TRANSPARÊNCIA, pela COLABORAÇÃO INSTITUCIONAL, pela TOLERÂNCIA, pelo RESPEITO das REGRAS DEMOCRÁTICAS."
Nisa, 2 de Maio de 2012
Os Vereadores da Câmara Municipal de Nisa
IDALINA TRINDADE - FERNANDA POLICARPO - FRANCISCO CARDOSO

3.5.12

GNR caracteriza Violência Doméstica no Distrito

O Dia da Mãe é uma data comemorativa que em Portugal se celebra no primeiro domingo do mês de Maio, correspondendo ao próximo dia 06MAI. Esta data pretende-se que seja uma homenagem a todas as mães, mas, também e obrigatoriamente, a todas as mulheres, sendo ensejo para reforçar e demonstrar o amor dos filhos pelas suas mães. Tradicionalmente neste dia é costume obsequiá-las, numa clara manifestação de afeto e carinho, demonstrando-lhes e agradecendo-lhes todo o empenho e dedicação.
Associando-se a esta data, a GNR de Portalegre querendo homenagear todas as mulheres portuguesas em geral, e do distrito de Portalegre em particular, preparou um estudo de caracterização do crime de violência doméstica que ora divulga, considerando poder assim contribuir e colaborar para uma melhor compreensão do fenómeno e, naturalmente, para uma decréscimo desta chaga social que fere tantas das nossas concidadãs.
Caracterização do Crime de Violência Doméstica no Distrito de Portalegre durante o ano de 2011
O Comando Territorial de Portalegre, através do Núcleo de Investigação e Apoio a Vítimas Especificas (NIAVE), da Secção de Investigação Criminal, efetuou uma caracterização exaustiva do Crime de Violência Doméstica, no Distrito de Portalegre, durante o ano de 2011.
Neste estudo apenas estão analisadas as denúncias de Violência Doméstica, ocorridas no Distrito de Portalegre, durante o período em referência, em que as vítimas apresentaram queixa nos Postos Territoriais da Guarda Nacional Republicana.
Esta problemática vem merecendo uma especial atenção por parte do Comando Territorial de Portalegre, melhorando continuadamente a sua resposta operacional no âmbito das violências cometidas contra os grupos de pessoas tendencialmente mais vulneráveis e que constituem um fenómeno social emergente de elevada complexidade. No âmbito das diversas investigações que o NIAVE tem levado a efeito tem actuado sempre em três vertentes fundamentais – policial; processual penal; e psicossocial – procedendo à sinalização, identificação e acompanhamento das situações, promovendo um atendimento especializado e personalizado às vítimas, coadjuvando as autoridades judiciárias, propondo as medidas adequadas à protecção das vítimas e, sempre que necessário, efectuando o encaminhamento das vítimas para os organismos da rede de apoio à vítima mais indicados para cada situação em concreto, bem como o acompanhamento integrado das situações.
Em termos médios, o Comando Territorial de Portalegre teve aproximadamente os mesmos valores de denúncias que em anos anteriores. Este valor médio também se aproximou bastante dos Comandos Territoriais com as mesmas características sociodemográficas, nomeadamente com Castelo Branco, Évora e Beja.
A comunicação das situações de Violência Doméstica foi essencialmente efectuada através do meio presencial, por intermédio das vítimas, revelador do aumento de confiança das mesmas no contacto com a GNR e na subsequente actuação da Guarda.
No Distrito de Portalegre, registaram-se 162 crimes de Violência Doméstica, em que os concelhos de Ponte de Sôr, Portalegre, Campo Maior e Alter do Chão apresentaram maior índice de criminalidade, com os concelhos de Arronches, Monforte Castelo de Vide Sousel e Sousel a registar o menor número de denúncias.
Analisadas as características sociodemográficas das vítimas, verifica-se que, por norma, são cidadãos portugueses, do sexo feminino, casados ou divorciados (mas que mantêm ou mantiveram uma relação análoga às dos cônjuges), entre os 25 e 45 anos de idade, empregados, com o 9º ano de escolaridade, não dependentes economicamente dos agressores (que são maioritariamente os companheiros ou os cônjuges).
Os suspeitos da prática do crime de Violência Doméstica, no distrito de Portalegre, durante o ano de 2011 foram, em regra, cidadãos portugueses, do sexo masculino, casados ou solteiros (mas que mantêm ou mantiveram uma relação análoga as dos cônjuges), entre os 25 e 45 anos de idade, empregados, com o 3º ano de escolaridade, não dependentes economicamente das vítimas (maioritariamente as companheiras ou cônjuges).
Também se constatou que a posse/utilização de armas por parte do agressor foi pouco expressiva, mas que o consumo de bebidas alcoólicas é frequentemente apontado pelas vítimas como umas das principais causas para o comportamento violento dos agressores.
A quase totalidade das intervenções policiais efectuadas pelos elementos da GNR do distrito de Portalegre, no ano de 2011, pela prática do crime de Violência Doméstica, ocorreu a pedido da vítima.
Ao nível das agressões constata-se que na sua maioria são infligidas em termos psicológicos, seguindo-se a violência física, felizmente sem consequências de maior para as vítimas, apesar de que em quase metade das situações existiram menores a assistir às agressões. Em cerca de um terço destas situações existiu reiteração.
Em termos temporais foi possível apurar que o maior número de situações de violência doméstica ocorrem durante os fins-de-semana, entre as 19H00 e as 01H00.
Concluindo, importa referir que o mito da “família ideal” leva-nos a pensá-la como o lugar dos afetos e da expressividade. Esta idealização associada a outros mitos é, em parte, responsável por negligenciarmos a gravidade da violência doméstica considerando-a, muitas vezes, como uma componente necessária à educação dos filhos, ao relacionamento conjugal e a certas interações familiares. É igualmente responsável pela constante “desatenção seletiva” de que este problema tem sido alvo ao longo dos anos.
A violência doméstica constitui, de facto, um fenómeno de longa data. As nossas sociedades estão repletas de inarráveis crueldades cometidas contra as crianças, as mulheres e outros membros da família.
Importa salientar que apesar da visibilidade que a violência doméstica vai adquirindo em Portugal, consideramos que ainda se trata de um fenómeno dotado de uma grande opacidade. E assim permanecerá se não se promoverem estratégias diversificadas e adequadas de abordagem envolvendo os diversos actores com responsabilidade nesta área.