30.12.09

POSTAL DE BOAS FESTAS


Para o Mário Mendes, obreiro desta tribuna de comunicação, para os seus leitores e colaboradores os desejos de BOAS FESTAS e que 2010 lhes traga tudo o que mais desejarem.
Outro desejo, se já não for pedir muito, é que o novo Ano traga a quem nos governa, a capacidade de tornar real, aquilo que há muito vêem anunciando. Salvo melhor opinião, e se assim continuarmos, estamos a perder o que temos de melhor na nossa região em termos de desenvolvimento. Claro que estou a falar, das Pessoas, do Ambiente e da Beleza Natural.
Abraço
Jorge Nunes

18.12.09

COISAS DA CORTE DAS AREIAS (1)

Visita do Presidente da República a Nisa - 1981
Homenagens, tema velho sempre actual
- João Francisco Lopes
A galope, aproxima-se o 25 de Abril de 2010.
O 25 de Abril, em Nisa, foi e provavelmente voltará a sê-lo, dia de homenagens, a não ser que...
Pela terceira vez abordamos este tema, as primeiras no “Jornal de Nisa” nº 92 de Outubro de 2001, vão mais de 8 anos, e depois no mesmo quinzenário nº 255, de Maio de 2008, e agora neste escrito. Sendo a terceira intervenção, pode até não ser a última...
Pergunta-se: Serão as homenagens, todas elas ou só parte, de há uns anos até agora, fúteis? Serão justas? Não são elas contra alguém? Não acreditamos é que quem as tem promovido ou volte a promover o faça imbuído daquele pensamento sovina: ofereço hoje e recebo o troco amanhã. Estaremos enganados?
Cremos não nos enganar ao afirmar que este processo teve início em 1981 (29 anos) aquando da homenagem ao excelente médico e bom homem que foi o Dr. Granja, acontecimento que teve lugar a 9 de Agosto, por ocasião dos 700 anos da fundação de Nisa-a-Nova, e que contou com a presença do Presidente da República, general Ramalho Eanes, que descerrou o busto que ladeia, à direita, a Porta da Vila.
Comovedor e prova da justeza do acto é o facto, incontestável, de quase trinta anos depois, o busto continuar sempre rodeado de lindas flores.
Não por acaso, no ano seguinte, foi aprovado em sessão da Assembleia Municipal de 28 de Junho, o Regulamento das Medalhas Municipais, sendo que as primeiras homenagens após aquela data foram atribuídas aos doutores João Maria Porto, professores Joaquim Mendes dos Remédios, Alexandre de Carvalho Costa e Manuel da Cruz Malpique, e ao pintor Augusto Pinheiro.
A sessão realizou-se no dia da Senhora da Graça, Feriado Municipal do ano de 1987, um dia despido de quaisquer conotações políticas.
Sobre a vida e a obra dos homenageados, brilhantes intervenções foram proferidas por notáveis figuras, algumas vindas expressamente da Universidade de Coimbra.
Em 1993 foi homenageado o jornalista e cineasta Baptista Rosa, sobre quem Manuel Figueira disse: “Foi o primeiro e o maior Jornalista da imagem viva que tivemos em Portugal”. Um dos oradores presentes foi Baptista Bastos.
Ainda em 1993, ao cineasta seguiu-se um músico, o senhor Luís do Rosário Matias (Luís Félix).
Sobre este senhor, leia-se o que o nosso conterrâneo Carlos Tomás Cebola escreveu e transmitiu na cerimónia de homenagem na Biblioteca Municipal – Casa da Cultura, a 9 de Outubro, intervenção cujo conteúdo se encontra em livro, escrito à mão (1) e que nos foi oferecido, e que integra também a obra “Música e Comunicação”, já esgotada, e ainda a intervenção na sessão comemorativa do 150º Aniversário da Banda de Nisa, em 22 de Outubro de 1994. Foram três intervenções, valiosas, sobre um tema, que é componente da História de Nisa e que não há meio do Município o editar. Pobre terra a nossa!
No ano seguinte, 1994, como já foi referido, coube a vez à Banda de Nisa ser homenageada ao perfazer 150 anos de vida (1844-1994).
A sessão solene teve lugar na Biblioteca Municipal /Casa da Cultura e tal como em outras cerimónias, estiveram presentes e intervieram, dignificando o acto, os senhores Bispo de Portalegre e Castelo Branco, D. Augusto César, o Governador Civil de Portalegre, Dr. António Teixeira, o presidente da Região de Turismo de S. Mamede, Francisco Camilo, presidente da Câmara de Nisa, Dr. José Manuel Basso, vereador da Cultura, Dr. José Dinis Murta, Carlos Tomás Cebola e João Francisco Lopes, presidente da Sociedade Musical Nisense.
A que propósito vem todo este arrazoado, perguntar-se-ão?
É simples, não podem, não devem, promover-se homenagens a quem quer que seja e depois submetê-las, as homenagens e os homenageados, não diremos ao ridículo, mas ao mau sucesso, se preferem.
Então é assim? Informam-se as pessoas do pretendido, convidam-se, não para o Salão Nobre ou para a Biblioteca, mas para a “sala de espectáculos” do Cine Teatro, pede-se aos homenageados que subam uns degraus, faz-se a entrega de uma medalha e a oferta de uns beijinhos, e “vira que te queimas”.
Então não há ninguém, um amigo, um colega, alguém conhecedor que diga algo sobre a vida e a obra dos homenageados? São assim tão “pobrezinhos”?
Em final de milénio (1999) foi tempo de preito à memória de uma pessoa muito querida de toda a população, a um homem que passou pela vida com essência de dádiva, um homem do tamanho do que via e... via longe”.
Estas são frases ouvidas ao orador na cerimónia sobre o Dr. Jaime de Almeida, que viu o seu nome perpetuado em rua junto às piscinas, antiga Horta do Parreirão, de que era proprietário.
Em 2006, já com esta Câmara, foi a vez de perpetuar o nome do Prof. José Francisco Figueiredo, atribuindo-o a uma rua do Bairro da Cevadeira.
Nosso professor na primeira e segunda classe, bem mereceu a distinção, pela obra legada e pelo enorme bairrismo que sempre demonstrou.
Aquele, sim, era um “Nizorro”.
No 25 de Abril de 2008, aconteceram as últimas homenagens, no palco dos espectáculos do Cine Teatro.
Foram então homenageados o Dr. Celestino Ventura Rodolfo, os senhores José Maria Casimiro, Pedro da Piedade Mourato e o António Maria Charrinho.
Uns dias após o acto escrevíamos nós no “Jornal de Nisa” (nº 255- 4 de Maio):
“Desengane-se quem pretender apanhar neste escrito uma qualquer discordância... sobre a justeza do galardão atribuído aos homenageados. Para nós, o processo que antecede a escolha é que está errado, porque “ou se faz bem ou não se faz”.
Anteriormente, para estas “coisas” eram convidadas pessoas e instituições para darem a sua opinião, indicando nomes que entendessem merecedoras de tal distinção. Muita gente a título individual se pronunciou, muitas instituições de todo o concelho aderiram e emitiram o parecer, associação recreativas e culturais, bombeiros, misericórdias, postos da GNR, escolas, etc., etc., resultando deste processo terem sido escolhidos os cinco homenageados de 1987.
Agora? Bem, agora, “antevemos a dificuldade que os homenageados, ou os seus descendentes vindouros terão, num futuro próximo ou longínquo, em justificar lá em casa ou fora dela, a presença daquela medalha recebida, não havendo, como não há, uma qualquer referência escrita sobre os méritos dos homenageados, por parte de quem os preiteou” (2).
Pois é, até agora, dizem, foi tempo de auto-homenagens, de homenagens encomendadas. Terá sido, assim? Entretanto, os nomes indicados para a toponímia das urbanizações da Cevadeira, Amoreiras e Fonte Nova, propostos e aprovados por comissão nomeada para o efeito e posteriormente pela Junta, Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora da Graça e Câmara Municipal, continuam por atribuir, passados que vão muitos anos.
É um gozo, gozo maior só quando se ouve clamar por homenagem ao Emigrante. Claro que, pior do que não homenagear é deitar para o lixo homenagens vindas de trás, como aquela, justíssima, da figura universal ligada a Nisa, como era a mesa de granito negro removida da Praça da República, em homenagem a Vasco da Gama, também aos Templários e ao 1º Marquês de Nisa, notável português.
Recuperem as geminações de Nisa com as vilas francesas da Touraine e com as portuguesas Sines, Évora e Vidigueira, que mataram e enterraram, e aí estarão homenageando um pouco o Emigrante, o Almirante e Navegador Vasco da Gama, alcaide- mor de Nisa.
Homenagem aos nossos ancestrais antepassados de há 7 mil anos seria devolver a verticalidade aos menires caídos nas freguesias do Espírito Santo e da Senhora da Graça (são cinco).
Homenagear os homens do nosso concelho que há 5 mil anos puseram de pé as nossas antas, intervindo ao menos numa delas, porventura, a mais perfeita e o mais belo exemplar deste tipo de megalítico do nosso concelho, senão mesmo do distrito, como o é a “Anta dos Saragonheiros”.
Porquê este desprezo, este abandono?
Será por que, sendo pedra, não dobram a espinha, em sinal de reverência?
NOTAS
(1) – “Falando de Música” – Carlos Tomás Cebola
(2) – in “Jornal de Nisa” – 4 de Maio de 2008

17.12.09

Onde pára o espírito de Natal?

Longe vão os tempos em que o Natal era a espera do menino Jesus. Hoje não, hoje esperasse a chegada do Pai Natal. Que pena!
O que é feito do espírito de Natal? Onde pára essa magia que nos acalentava a alma e o coração? Penso que já não existe, já se perdeu! E a culpa, é de todos nós!
Vejam só no que tornamos o Natal: Tornamo-lo em grandes correrias com entradas e saídas de centro comercial em centro comercial, criamos uma grande “dor de cabeça” a pensar no que dar uns aos outros, e toda esta azafama e angustia se arrasta muitas vezes até ao último dia antes do Natal.
Como se o Natal se resumi-se a bens materiais… não, não podemos continuar a viver Natais assim, ano após ano, enganando-nos a nós próprios e aos outros, porque é isso que acontece, é isso que vejo no olhar triste e aflito das pessoas, que correm de um lado para o outro á procura do presente ideal, e tudo isto, porque não sabem, ou simplesmente se esqueceram do verdadeiro sentido do Natal.
Quem não se lembra, quando outrora esperávamos ansiosos a chegada da meia-noite, para que pudéssemos colocar o menino Jesus no presépio… hoje espera-se apenas a chegada do Pai Natal, para vermos o que esconde cada prenda.
Será isto o espírito de Natal?
Não!!!
O Natal é feito sim, de afectos, calor humano, e acima de tudo feito de fé e esperança. É estarmos em família reunidos á volta de uma mesa em plena comunhão, esperando a chegada do menino Jesus “O Salvador”, para que este torne o nosso mundo melhor!
P.S: A todas as famílias, votos de um Santo Natal, recheado de Paz, saúde e Amor!
Ana Paula Mendes Nunes Da Conceição Horta

28.11.09

PORTAL DE NISA: 250 mil visitas

Estamos na internet, em forma de blog, desde Junho de 2007. Em 17 de Julho de 2008 assinalámos a presença de 50 mil visitantes. Depois disso, não parámos de crescer no número de visitantes e hoje atingimos as 250 mil visitas ao blog, não obstante o esforço de alguns para que saíssemos de "cena".
Estão incomodados com a nossa presença e isso para nós é um estímulo, reforçado com a crescente participação de leitores/visitantes.
Este é um blog do concelho de Nisa e da região, uma voz livre que não se verga aos poderes instituídos, apenas obedecendo aos ditames da verdade e do rigor.
Não fazemos "pactos de sangue" nem de compadrios com quem quer que seja. Estaremos por aqui, nesta morada que é nossa e que não usurpámos a ninguém, enquanto a saúde nos permitir e a confiança dos nossos leitores/visitantes se mantiver.
A cidadania activa, vive-se, não se mitiga.
Mário Mendes
Para descontrair e tal como fizemos em Julho de 2008, deixamo-vos um texto de Woody Allen*:
"Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voilá! Acaba como um orgasmo! I rest my case."
* A minha próxima vida - Woody Allen


5.11.09

NISA: Eleitos municipais foram empossados

Mesa da nova Assembleia Municipal
O novo executivo municipal
Assistência à sessão de tomada de posse
Na tarde do dia 30 de Outubro, tomaram posse os eleitos do executivo da Câmara e da Assembleia Municipal de Nisa. A cerimónia decorreu no auditório da Biblioteca Municipal, um espaço que se mostrou acanhado para o número de pessoas que pretenderam assistir a esta cerimónia.
Presidiu à sessão, que contou com a presença do senhor Governador Civil, Jaime Estorninho, o presidente da Assembleia Municipal cessante, José Polido, que empossou em primeiro lugar, os eleitos da Câmara, a começar pela reeleita presidente, Gabriela Tsukamoto (CDU), seguindo-se-lhe Idalina Trindade (PS), Fernanda Policarpo (PSD) Manuel Bichardo (CDU) e Francisco Cardoso (PS).
Depois coube a vez aos quinze eleitos da Assembleia Municipal, mais os dez presidentes de Junta que por inerência do cargo integram este órgão autárquico, numa sessão que se prolongou por três horas, chegando a tornar-se enfadonha e que por ter demorado, impediu que os cabeças de lista de cada partido representado na Câmara pudessem proferir algumas palavras alusivas à importância do acto.
José Polido, após ter concluído a maratona de leituras do juramento e de assinaturas, agradeceu a colaboração de todos os eleitos da anterior Câmara e Assembleia Municipal e desejou os maiores êxitos à vereação e aos eleitos municipais, cedendo o seu lugar na mesa a João Santana, cabeça de lista do PS, a mais votada para a Assembleia Municipal, que por sua vez, chamou para a mesa Teresa Almeida (CDU) e Francisco Toco (PSD) .
Acto contínuo teve lugar a primeira votação, por braço no ar, para escolha do método de eleição dos membros da Mesa da Assembleia Municipal, tendo sido adoptado o método de eleição através de listas.
O PS e a CDU apresentaram listas próprias, enquanto o PSD optou por não apresentar lista, tendo a votação, por voto secreto, ditado a escolha da Mesa da Assembleia Municipal, que ficou formada por João José Esteves Santana (presidente), Jorge Manuel Barreiros da Graça (1º secretário) e José Pedro de Almeida Polido (2º secretário) todos do PS.
Concluído o protocolo, discursaram o Presidente da Assembleia Municipal e o Presidente da edilidade.
O Presidente da Assembleia Municipal afirmou, “candidatei-me como uma forma de ligação à minha terra. Sou militante do PS há muitos anos e entendo que as autarquias e os eleitos devem ter um conjunto de valores e devem bater-se pelo melhor para as suas terras.
A Assembleia Municipal não é nem mais nem menos importante que os outros órgãos. Cada um deve desempenhar o seu papel e nós queremos cumprir o nosso.
A Assembleia Municipal não vai ser uma caixa de ressonância da Câmara, mas iremos assumir uma postura crítica construtiva, visando o melhor para o concelho. Vamos ser exigentes, mas a presidente da Câmara pode contar com a nossa solidariedade institucional.
Defendemos uma Assembleia Municipal como um espaço para discutir outros problemas e não só aqueles que a Câmara nos trouxer”.
Gabriela Tsukamoto considerou a sessão “anormalmente demorada”, saudou o presidente e os eleitos da Assembleia cessante, os presidentes de Junta e os novos eleitos nas autarquias do concelho.
Disse que “sempre tratei todos por igual, nunca fiz discriminações”. Agradeceu a todos os elementos que fizeram parte de outros executivos e disse que “ é sempre possível melhorar.
“Na Câmara houve sempre rigor e transparência no que se refere à gestão da coisa pública.
Este é o último mandato que vou cumprir. A lei manda e eu estou de acordo com a lei. Congratulo-me em termos um estatuto. Tenho uma forma de trabalhar diferente e uma coisa que é fundamental na política, a dignidade.”
Sobre as prioridades para o próximo mandato, a presidente da Câmara referiu que “há uma coisa que faz falta no nosso concelho, o conceito de cidadania. O presidente terá que saber trabalhar com humildade, em equipa, mesmo que possa haver diferenças políticas e de concepções. É necessário um conceito de estratégia, a noção do serviço público para podermos estar ao serviço das populações e com as populações”.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 5/11/09

1.11.09

...Onde se fala do Queijo de Nisa

Considerado por uma revista norte-americana como um dos melhores do mundo, o Queijo de Nisa é dos mais reconhecidos e apreciados queijos do Alentejo.
Curado, de pasta semi-dura e cor entre o branco e o amarelado, é produzido artesanalmente com leite cru de ovelhas da raça regional Merina Branca, coagulado com cardo vegetal, a que se segue um processo de esgotamento lento da coalhada e posterior maturação durante 45 dias. Tem a forma de um cilindro baixo e apresenta-se em dois tamanhos: merendeira, com um diâmetro de 10 a 12 centímetros e peso entre 200 e 400 gramas, e normal, com diâmetro de 13 a 16 centímetros e peso compreendido entre 800 e 1300 gramas. De aroma pronunciado e sabor ligeiramente acidulado. É reconhecida a sua especial afinidade com vinhos, uma das características que levou a revista norte-americana "Wine Spectator" a considerá-lo um dos 100 melhores queijos do mundo.
É produzido nos concelhos de Nisa, Crato, Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Monforte, Arronches e Alter do Chão.
Trata-se de um queijo DOP, que é além de ser consumido a nível nacional é igualmente exportado para França, Luxemburgo, Dinamarca, Brasil, Japão e E.U.A.
in http://passosdegourmet.blogspot.com

29.10.09

CURIOSIDADES: O Castelo de Azay le Rideau


Quarto no 1º andar do castelo

Pátio do castelo
O Château de Azay-le-Rideau é um palácio da França localizado na comuna de Azay-le-Rideau, no departamento de Indre-et-Loire. Foi construido entre 1518 e 1527, sendo um exemplo do Renascimento francês. Edificado sobre uma pequena ilha do rio Indre, a sua estrutura eleva-se directamente a partr do rio.
História
Gilles Berthelot, o tesoureiro estatal de Francisco I e alcalde de Tours, começou a construir neste sítio já fortificado, que era parte da herança da sua esposa. No entanto, foi ela, Philippe Lesbahy, quem dirigiu o curso dos trabalhos, incluindo a ideia nova de uma escadaria central (escalier d'honneur), que é a maior inovação de Azay. Em 1528, quando Berthelot foi suspeito de conivência numa fraude, teve que fugir de Azay-le-Rideau, deixando-o incompleto; nunca voltaria a ver o palácio. Em troca, o Rei confiscou a propriedade e deu-a como recompensa a um dos seus soldados de alta patente.
No decorrer dos séculos, o palácio mudou várias vezes de mãos, até princípios do século XX, quando foi adquirido pelo governo francês e restaurado. O interior foi completamente restaurado, contando com uma colecção de várias peças do Renascimento. Actualmente, o palácio está aberto ao público
Arquitectura
As dimensões, longas e baixas, e as decorações escultóricas do Château d'Azay-le-Rideau são italianas, no novo gosto antigo, mas as esquinas do bastião cobertas por cones pontiagudos, o empilhamento vertical de grupos de janelas separadas por enfáricas linhas de cordas horizontais, e o alto tecto de lousa inclinado, são inequivocamente franceses. As fortificações fingidas e as torres de menagem medievais deram um ar de nobreza tradicional ao recém-enobrecido tesoureiro do Rei.
Pátio do Château d'Azay-le-Rideau. A escadaria central é o principal elemento que os visitantes encontram depois de entrar. Esta está incorporada no interior do edifício, em vez de erguer-se helicoidalmente, parcialmente encravada na parede e visivel do exterior à maneira francesa, uma característica que é familiar no Château de Blois.
Os detalhes escultóricos em Azay são particularmente notáveis. No piso térreo, pilastras caneladas, em altas bases, suportam a salamandra e arminho, emblemas de Francisco I e de Cláudia de França.
A geração romântica redescobriu o encanto do Château de Azay-le-Rideau. Honoré de Balzac referiu-se a ele como "um diamante facetado colocado no Indre" ("Un diamant taillé à facettes, serti par l'Indre"). Actualmente o palácio está rodeado por um distinto parque oitocentista, arranjado como um jardim paisagístico à inglesa, com muitas espécies de árvores, especialmente coníferas exóticas: cedros-do-líbano, ciprestes dos pântanos e sequoias do Novo Mundo.
in "Wikipédia"

26.10.09

AREZ: Lar da 3ª Idade: um caminho “pedregoso”

A construção de um lar para idosos em Arez é um sonho com muitos anos. As actuais instalações do Centro de Dia, edifício onde funcionou durante muitos anos, a Junta de Freguesia, tiveram de ser adaptadas e hoje só a muito custo conseguem dar resposta às necessidades da freguesia.
De fora, ficam muitas das pessoas idosas, que reclamam por um lar, a tempo inteiro, que lhes permita, com conforto, apoio e carinho, viverem os últimos anos das suas vidas.
Foi a pensar nesta carência que em 2002 foi lançada a ideia de construção de um Lar em Arez.
A Comissão de Festas deu o apoio possível e de imediato avançou-se para a aquisição de um terreno.
“Andou-se, na altura, com “a carreta à frente dos bois” - começa por referir José Fazendas, actual Provedor da Misericórdia.
“O terreno não estava registado, os proprietários estavam no Brasil e foi um “oceano” de burocracias que nos consumiu vários anos. Em 2005 quando entrei como Provedor para a Santa Casa da Misericórdia, esta situação estava resolvida e tentei que o processo avançasse, seguindo os trâmites legais, tendo sido feito o registo do prédio na Conservatória, em Setembro de 2006 e iniciado o processo de obras em Janeiro de 2007.”
Parecia que estavam reunidas todas as condições para a obra “física” se iniciar, mas não era bem assim.
“Em Março ou Abril desse ano, a Câmara informa-nos que parte do terreno estava fora do perímetro urbano. Foi um “balde de água fria” e perante esta situação restava-nos duas hipóteses: construir dentro da área permitida ou esperar pelo alargamento do perímetro urbano e pela revisão do PDM.
Decidimo-nos pela primeira hipótese, pois tinham-se já perdido alguns anos, avançamos para a construção de um edifício com rés-do-chão e 1º andar, cujo orçamento inicial estava em 62.500 euros e, face às alterações, rondará os 100 mil euros.”
O projecto do Lar da Santa Casa da Misericórdia de Arez e Centro de Dia prevê a instalação de 30 camas em 10 quartos duplos e 10 individuais, ambos com casas de banho privativa.
O Provedor da Misericórdia espera que, depois desta “maratona burocrática”, haja condições para avançar com as obras no princípio do próximo ano.
Quanto aos apoios, vai adiantando que “ contamos com a Segurança Social, os lucros das festas de Arez e outras iniciativas que sejam promovidas, bem como a Câmara Municipal de Nisa e a Junta de Freguesia que não deixarão de nos ajudar dentro das suas possibilidades.”
Actualmente, o Centro de Dia e Apoio Domiciliário da S.C. da Misericórdia de Arez, presta relevante ajuda e apoio social a 42 pessoas através de 11 funcionários.
“Funcionamos com uma verdadeira equipa e só a extrema dedicação de todo o pessoal, permitem gerir com eficiência esta Casa, uma vez que os utentes pagam entre 176 e 200 euros mensais, o que obriga a algum rigor e contenção para que as pessoas usufruam da Santa Casa com o carinho e a qualidade que merecem”.
A finalizar, José Fazendas, alerta para as datas da realização da Nisartes que coincidem com as das festas de Arez.
“As festas de Arez são muito antigas e realizam-se, sempre, no primeiro fim-de-semana de Agosto. Julgo que era possível conciliar os interesses das duas entidades (Câmara e Comissão de Festas) para não sermos sempre prejudicados.”
Mário Mendes - in "O Distrito de Portalegre" - 22/10/09

16.10.09

SOLIDARIEDADE PARA COM OS TRABALHADORES DAS PEDREIRAS DE GRANITOS (II)

Alpalhão, Nisa e Gáfete (concelhos de Nisa e Crato)
Pretende o seguinte texto denunciar e, de algum modo, tentar arregimentar vontades solidárias em torno da questão, salários em atraso nas empresas de exploração de granitos em Alpalhão e Nisa, juntar forças e vontades que de alguma forma exerçam pressão pública e movam influências que levem os responsáveis a corrigir a aberrante situação. O problema é vasto e grave pelo que me foi dado saber, por isso repiso o assunto, insistindo em apelar a todos que encontrem formas de expressar a sua solidariedade para com estes trabalhadores, quer divulgando o texto através dos vossos contactos de e-mail, quer comentando o texto, ou ainda publicando-o nos vossos blogues. Não esqueçam o famoso poema de Bertold Brecht sobre a ascensão repressiva do nazismo, hoje são os trabalhadores das pedreiras, amanhã serei eu e depois de amanhã sereis vós.
Consegui recolher informações sobre as seguintes empresas, "Granitos Maceira, SA" e "Singranova", ambas pertença da família do Comendador Francisco Ramos, e "Granisan", de Nisa, da qual são principais accionistas os senhores Tsukamoto e Armando Crespo, e pelo que me foi dado a conhecer as situações devem-se não há conjuntura de crise internacional mas a gestão danoso que não terá pago os impostos em devido tempo.
Não podendo ser branqueado, muito menos ignorado, porque o povo tem memória, o deplorável comportamento destes senhores, algo no entanto me preocupa mais que dois ou três empresários sem ética nem moral: a perfeita inoperância das instituições públicas e sindicatos na resolução da triste situação, na aplicação da legislação laboral em vigor, na regulação das relações e contratos de trabalho, enfim, no apoio a estes trabalhadores que além de explorados, enganados, ameaçados, além de não receberem os salários ainda vivem sob um instalado império do medo que lhes foi imposto e vivem autêntico pesadelo bem acordados, para que a ferida doa mais e sintam que a sua dignidade lhes foi cobardemente subtraída.
De facto, os senhores Comendador Francisco Ramos, Tsukamoto e Crespo só aparentemente são os vilões desta história, como bons oportunistas limitam-se a aproveitar a falência quer dos serviços públicos competentes para resolverem o problema, sejam a Inspecção Geral do Trabalho delegação de Portalegre, seja a Câmara Municipal de Nisa que tem por obrigação ajudar todos os seus munícipes, sem excepção, podendo ainda disponibilizar, se o quisesse e fosse do seu interesse os serviços jurídicos da autarquia na defesa dos trabalhadores e em última instância o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social que pura e simplesmente ignora o problema, pois este ainda não foi denunciado na comunicação social e o que não aparece na comunicação social, para esta gente, não existe.
Aliás, o assunto só não foi denunciado porque à equipa da SIC que se deslocou ao local para recolher depoimentos dos trabalhadores se deparou com um muro de silêncio, provocado pelo medo, e não puderam fazer reportagem.
Daí que também os trabalhadores não passem incólumes na situação que vivem, quem tem medo compra um cão e quem despreza a defesa dos seus direitos, depois não se venha queixar. Se querem aquilo a que têm direito, têm primeiro que saber vencer a barreira do medo!
Mas se o comportamento deplorável dos patrões, o medo e subserviência dos trabalhadores, a ineficácia dos nossos bur(r)ocratas eu posso fazer um esforço e além de compreender poder justificá-los à luz da grandeza, e neste caso, das misérias humanas, já me é mais difícil compreender a timidez e os cuidados de luva branca com que os sindicatos (não) têm tratado do assunto. De facto tirando a tímida iniciativa sindical por mim relatada no anterior artigo, o que os sindicatos têm feito é nada!
Bem sei que nas empresas em causa o número de trabalhadores sindicalizados é mínimo, outra preocupação que devia estar na agenda diária dos dirigentes sindicais: porquê os trabalhadores deixaram de confiar neles? Mas nem que fosse apenas um trabalhador sindicalizado era obrigação de qualquer sindicato, que existem para organizar e defender os trabalhadores na reivindicação e cumprimento dos seus direitos, repito, era obrigação desses sindicalistas estarem lá ao lado dos trabalhadores e procurarem por todos os meios ao seu alcance resolver o problema.
Mas não o fizeram, não o têm feito.
Nos telejornais e jornais somos bombardeados sobre a importância que os empresários e as suas grandes empresas têm no desenvolvimento da economia e na riqueza da região em que se implanta a empresa. Mas quando a maçã apodrece e em vez de riqueza gera miséria todos desaparecem e se escondem no conforto dos gabinetes deixando os trabalhadores à mercê da sorte (ou seria mais adequado dizer azar).
Apelo aqui ao futuro Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda que logo que a nova Assembleia da República, para a qual o povo reforçou a sua voz, que no local próprio da representatividade popular, denuncie esta lamentável situação que está a estrangular parte das populações dos concelhos de Nisa e de Crato.
Jaime Crespo - in http://fongsoi.blogspot.com

5.10.09

AMIEIRA DO TEJO: Retábulo-mor barroco na capela do Calvário (*)

A capela do calvário, em Amieira do Tejo, está classificada como Imóvel de Interesse Público porque tem no seu interior uma obra de arte original em Portugal. Sobranceira a pequena povoação tem belas vistas para a localidade com o seu notável castelo (**) mandado construir pelo prior da ordem do Hospital, que também aqui morreu, e pai do condestável Dom Nuno Álvaro Pereira.
“A capela do Calvário foi edificada entre 1729 e 1740, a mando de Pedro Vaz Caldeira sargento-mor da Amieira. Apresenta na fachada principal cunhais de granito aparelhado. O pórtico é encimado por um frontão com mísulas, coruchéus e cruz, e ladeado por duas janelas de balcão com frontões. Na parte superior da fachada existe outro frontão com volutas”1.
Todo o conjunto irradia uma serena harmonia bem integrado na paisagem. Mas o que faz com a capela do Calvário faça parte do Portugal Notável, é no interior de nave única, aquele magnífico retábulo-mor de granito a imitar madeira entalhada, a que não falta as habituais colunas vigorosamente trabalhadas, em numero de três tendo como cenário de fundo, o céu com a pedra almofadada irregularmente a imitar nuvens. Fecha o único retábulo-mor barroco de pedra em Portugal um escudo. O enquadramento cénico serve de cenário a um belo cristo crucificado em madeira, com Maria e Maria Madalena, enlevar o olhar para o ente que sofre e morre.
O meu muito obrigado ao Senhor Carlos que foi nosso cicerone.
A fotografia foi retirada do sítio do www.monumentos.pt.
Nota biográfica-(1) Inventário do Património classificado -IPPAR, volume II, 1993

in www.portugalnotavel.com

19.9.09

ESCRITOR DE NISA: Pequena Evocação de Cruz Malpique

Este fim-de-semana passei-o, em grande parte, na companhia de Cruz Malpique, lendo a obra «O Homem, Centro do Mundo», um dos três seus livros que tenho aqui comigo e que periodicamente releio.
Os outros dois são «Higiene Intelectual e Moral do Estudante» e «Ensaio sobre o Homem de Ciência», todos livros escritos na década de 30 do século passado.
Recordo que o primeiro livro que dele li foi «Higiene Intelectual e Moral do Estudante», espécie de manual de orientação juvenil, elaborado no desejo de guiar a Mocidade de então para ideais sãos, elevados, numa fase em que os idealismos podem atrair as suas mentes, ao mesmo tempo que outras solicitações mais rasteiras, mas sedutoras, as podem vir a desencaminhar.
Comprei-o numa barraca livreira que existia ali à entrada do antigo Parque Mayer, em que se vendiam livros, restos de edições, julgo que a vinte e cinco tostões e a cinco escudos cada, montantes modestos, acessíveis, na minha adolescência, cerca de um quarto a metade do preço de um 2º balcão, para uma matinée, ali ao lado, no imponente S. Jorge dos grandes filmes em écran gigante, no final da década de 60, início da de 70, em plena primavera marcelista, então deveras esperançosa.
Lembro-me que o homem que lá se encontrava anunciava o preço dos livros, em voz alta, terminando sempre com uma frase típica, para sublinhar a oportunidade da aquisição : «… Não paga o papel !».
Este autor, Cruz Malpique, então para mim completamente desconhecido, era Professor de Filosofia, na altura, já do Liceu Alexandre Herculano, no Porto, depois de ter passado pelos de Gil Vicente e de Pedro Nunes, em Lisboa e pelos Liceus de Faro, Angra do Heroísmo e Salvador Correia de Sá, em Luanda, tendo chegado deste último a ser seu Reitor.
Escreveu bastante Cruz Malpique, mas hoje nenhum dos seus livros se encontra disponível no Mercado, apesar do interesse das matérias que neles tratava, sempre de forma elevada, altiva, exigente com o leitor, puxando por ele, apelando ao que de mais nobre ele possa encerrar dentro de si, para o motivar a qualquer actividade útil, para si e para a colectividade em que vive.
Definia-se como um escritor de forte personalidade humanística, crente na boa índole humana, desde que oportunamente suscitada com exemplos adequados e depois convenientemente orientada e exercitada.
Havendo regressado a Portugal em 1947, radicou-se no Porto, aí continuando a leccionar até 1984, vindo a morrer, com 90 anos, nesta mesma cidade, em 1992, longe da sua terra natal, Nisa, que o soube honrar, ainda em vida, em 1987, atribuindo-lhe a Medalha de Mérito Municipal e promovendo uma sessão de evocação da sua vida e obra em 1993, com a presença de suas duas filhas.
No Liceu Alexandre Herculano, a que doou a sua biblioteca pessoal, existe uma sala com o seu nome, como reconhecimento do seu largo e profícuo desempenho como Professor de Filosofia ali exercido.
Na fosse a existência de um blogue com o nome do Concelho de Nisa e nem uma pequena nota hoje existiria da sua passagem pela Terra, apesar do vasto labor nela produzido, em significativa obra literária deixada, com mais de 200 títulos publicados, infelizmente nenhum deles, como referi, actualmente no Mercado.
Em contrapartida, não faltam, neste aparentemente próspero Mercado, porque tão altamente produtivo, toneladas de publicações, na maior parte, historietas da mais vulgar banalidade, consumidas por públicos ávidos de leitura, mas, surpreendentemente, pouco escrupulosos nas suas escolhas.

Liceu Alexandre Herculano (Porto)
Nenhum editor se lembrou ainda de repescar do esquecimento este excelso e afinal prolífico autor, além de nobre cidadão, dedicado à causa da participação democrática esclarecida.
Por ele, na minha adolescência, conheci muitos outros autores nacionais e estrangeiros, abundantemente citados em qualquer das suas obras, por vezes com extensas citações e comentários, para elucidação dos seus pontos de vista.
Dada a sua vasta formação intelectual, licenciado em Direito e em Letras, era largo o espectro das citações, nas letras pátrias, Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões, Vieira, Bernardes, Herculano, Garrett, Antero, Eça, O. Martins, Raul Brandão, Aquilino Ribeiro, Egas Moniz, dominavam as suas referências; nas outras, desde os pré-Socráticos, aos clássicos greco-latinos, como Sócrates, Platão, Diógenes, Ésquilo, Sófocles, Pitágoras, Arquimedes, a Cícero, Virgílio, Marcial, Séneca, aos medievos Santo Agostinho, Tomás de Aquino, aos renascentistas Petrarca, Dante, Bocaccio, Erasmo, Da Vinci, Kepler, Galileu, aos modernos Newton, Leibniz, Montaigne, Descartes, Pascal, aos romancistas Stendhal, Hugo, Balzac, Zola, aos enciclopedistas franceses D’Alembert, Diderot, Voltaire, Rosseau, aos escritores ingleses Shakespeare, Defoe, Dickens, aos alemães Gothe, Schiller, Mann, com especial atenção para os filósofos, Kant e Nietzsche, aos espanhóis Cervantes, Ortega y Gasset, Maranon, Unamuno, toda uma plêiade de pensadores que fizeram avançar a Humanidade, achavam lugar destacado nas suas obras de profunda reflexão, traço típico do grande escritor humanista que Cruz Malpique foi.
Como se explica que certos nomes tão ilustres como este permaneçam praticamente desconhecidos da esmagadora maioria do povo português?
Que fazemos para os divulgar entre os nossos distraídos compatriotas?
Aqui deixo estas toscas notas, na expectativa de que outros as multipliquem com mais elementos relativos à vida e obra deste insigne português, em risco de não se libertar da lei da morte, segundo o famoso critério de Camões, apesar das muitas «obras valerosas» que foi capaz de nos legar.
Lisboa, 11 de Janeiro de 2009
António Viriato

23.8.09

OPINIÃO: Solidariedade com os trabalhadores da "Granitos Maceira, SA" e "Singranova", de Alpalhão

“Navegando a Alma” Kemal Tufan (Turquia) -Esta obra situa-se entre a vila de Alpalhão e a Igreja de Nª Srª da Redonda
É uma vergonha o que o Senhor Comendador Francisco Ramos e respectiva família estão a fazer, com a cobertura do governo, nas suas empresas de exploração de granito, vulgo pedreiras, em Alpalhão, ao não pagarem alguns subsídios e mantendo alguns meses de salários em atraso que só não atingem maiores proporções devido à intervenção do sindicato. As empresas são a "Granitos Maceira, SA" e a Singranova.
São mais duas empresas em que tudo está a ser feito para abrir falência. Apesar de não pagarem os salários a quem trabalha, Comendador e filho sempre que se deslocam às instalações da empresa fazem-no em luxuosos veículos topo de gama e lá vão mantendo o seu iatezito para uns passeios marítimos.
Os políticos que compareceram nas cerimónias de inauguração das empresas que foram apresentadas ao país como salvadoras da economia da região e nas bienais da pedra e que clamavam belos discursos prenhes de loas ao Senhor Comendador, agora esquecem-se de defender os trabalhadores que trabalham e não recebem.
Entretanto, o Estado fez o senhor Francisco Ramos, Comendador; a Câmara Municipal de Nisa homenageou-o com o nome e monumento numa rotunda da vila alpalhoense e o povo trabalhador, simples e humilde guardou-lhe o respeito que sempre revela para com aqueles que lhe dão trabalho e salário.
Senhor Comendador, respeite este povo e cumpra para com ele as suas obrigações: pague-lhes o que deve.
Se não o pode fazer e como parece que até há muito trabalho e a produção tem saída, abandone as empresas e deixe a gerência aos trabalhadores.
Afinal já o Zeca cantava: "dêem as pipas ao povo / só ele sabe guardá-las".
Jaime Crespo

9.8.09

A triste entrada norte no Alentejo




A PEN(HA) DO TEJO
Albergaria Penha do Tejo, com vista panorâmica para a Barragem do Fratel, foi inaugurada, numa primeira fase, em 1997, como forma de dinamizar uma das gargantas do Rio Tejo. Apesar de, em tempos já ter tido uma "grande adesão" e de ter sido um complexo turístico, actualmente encontra-se perdida no tempo e é caracterizada por um ambiente degradado e ignorado pelos olhares dos que lá passam.
Onde o Alentejo dá lugar à Beira Baixa, centenas de viaturas percorrem os quilómetros do IP2 à procura de um destino. Do outro lado da via, as águas da Barragem do Fratel, uma das gargantas do Rio Tejo, assumem uma calmaria e serenidade que confrontam o movimento agitado da estrada. As colinas verdejantes e as aves que voam no ar lá ao longe pintam o quadro da paisagem. O sol e o céu azul chamam por descanso e sossego.
Situada entre o IP2 e a Barragem do Fratel está contemplada a Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura que partiu da iniciativa da Comissão Coordenadora Regional (CCR), que foi criada, numa primeira fase em 1997, pela Câmara Municipal de Nisa, com José Manuel Basso no Executivo e inaugurada por Victor Cabrita Neto, secretário de Estado do Turismo, no XIII governo constitucional, em que António Guterres assumia o cargo de primeiro-ministro.
Naquele ano, o empreendimento teve um financiamento de cerca de 250 mil contos e foi apoiado pelo Segundo Quadro Comunitário de Apoio (FEDER), através da Acção Integrada do Norte Alentejano (AINA). 10 era o número total de funcionários que possuía.
Em entrevista ao DP, José Manuel Basso, antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, explicou que “inicialmente, o projecto, que se considerava interessante, foi aprovado para a dinamização da Barragem do Fratel”, acrescentando que este era “um negócio concorrencial”.
De acordo com o antigo presidente da Câmara Municipal de Nisa, depois da primeira infra-estrutura estar inaugurada, avançou-se imediatamente com uma segunda fase, terminada em 2001 e apetrechada com a área de alojamento e uma piscina, para dar resposta a “muitas procuras”. Contudo, a segunda fase da obra nunca entrou em funcionamento. O total do empreendimento contava com cerca de 50 quartos.
Ainda na segunda fase do projecto estava prevista a implementação de equipamentos relacionados com actividades desportivas e náuticas, elo de ligação entre a Albergaria e a Barragem da Penha do Tejo.
"O programa de trabalhos foi apresentado à União Europeia e se o empreendimento tivesse sido continuado nesta fase já estariam implementados os desportos náuticos e o rio já estaria completamente dinamizado", afirmou o médico.
A beleza circundante choca com o cenário de degradação da Albergaria Penha do Tejo. Uma infra-estrutura deixada ao abandono.
Degradação da estalagem
O ambiente de sossego e de conforto da hospedaria deu lugar à degradação e a um cenário deplorável e sombrio.
Cá dentro, as suites, distribuídas em fila indiana, sem portas, deixaram de ter a sua privacidade, só restando, em cada uma delas, um armário, uma banheira e um lavatório. No corredor onde se encontram as suites, o chão é ornamentado por vidros estilhaçados. Das paredes brancas interiores do edifício, saem fios de electricidade danificados. O Hall de entrada que dá acesso ao mini bar é caracterizado por lixeira e por actos de vandalismo. Junto ao restaurante panorâmico e ao bar, transformado em retalhos, restam pinturas de paisagens que guardam lembranças e recordações. A sala de reuniões e de festas resumiu-se ao nada.
Lá fora a serenidade da Barragem do Fratel contrasta com o abandono e a renúncia de piscina, rodeada por mato que teima em trepar cada vez mais os céus alentejanos, esquecendo o relvado fresco de outrora. Ainda lá fora, um parque de diversões, colocado ao abandono, guarda momentos de divertimento que, noutro tempo, faziam as delícias dos mais novos.
O campo gimnodesportivo, destinado a actividades ao ar livre, ainda se encontra intacto à espera que façam uso das funções para que foi construído.
O vandalismo a que a estalagem começou a estar habituada destruiu uma das realidades que poderia vir a ser um marco para o desenvolvimento turístico da região.
"Fiquei preocupado e horrorizado como cidadão." Foi desta forma que José Manuel Basso se sentiu quando confrontado com o estado de abandono e de degradação da Albergaria. Segundo disse, este era "um projecto da Região de Turismo, do município e das gentes do Alentejo e da Beira", lamentando que "quando um processo é parado obviamente que deixa de ter sentido".
Aquando se encontrava ainda no Executivo, José Manuel Basso e a Câmara de Nisa abriram um concurso público para a concessão da exploração do projecto. "Enquanto fui presidente da autarquia, a porta da Albergaria abria todos os dias e eu próprio a frequentava com alguma assiduidade, acompanhando as propostas que haviam para o futuro daquele empreendimento".
Para o antigo presidente, a actual Câmara "tratou o empreendimento como um enteado enjeitado. Quem está no cargo deve ter a responsabilidade de zelar pelo seu património". José Manuel Basso referiu ainda que "há uma concepção que foi desprezada por aquilo que foi abandonado que, sob o ponto de vista político e civil, é condenável".
Esperança
Ao que o DP conseguiu apurar, um grupo de pessoas defensoras da Albergaria está a ultimar uma acção judicial contra a Câmara que se encontra actualmente no Executivo de Nisa, por delação de património.
O DP tentou contactar a presidente da Câmara Municipal de Nisa, Maria Gabriela Tsukamoto, mas até ao momento não foi possível.
José Manuel Basso tem esperança no renascer de um empreendimento que foi morrendo aos poucos. "Sinto-me triste. Precisa-se de um investimento público e de vontade". Contudo, o antigo presidente da autarquia de Nisa tem esperança "que surjam mecanismos por parte dos cidadãos, pois nessa via de intervenção será uma questão de tempo para que hajam formas de gestão para que a infra-estrutura volte a funcionar eficazmente", concluiu.
A Albergaria Penha do Tejo é actualmente local de passeio para animais e caracterizada por um ambiente esquecido, perdido no tempo e ignorado pelos olhares dos que lá passam, à espera que alguém lhe dê um novo rumo.
Ana Pires "O Distrito de Portalegre", 06/08/2009

30.7.09

Apresentação de obra de Joana Vasconcelos "Valquíria - Enxoval"

No dia 1 de Agosto, pelas 17H30, no Complexo Termal de Nisa a artista plástica Joana Vasconcelos fará a apresentação da sua obra "Valquíria Enxoval", uma criação inspirada no artesanato de Nisa e nos enxovais que tradicionalmente integravam os dotes das noivas nisenses. A apresentação da obra integra-se no acto de inauguração oficial do novo Complexo Termal de Nisa.
Joana Vasconcelos iniciou em 2004 uma série de trabalhos inspirados nas Valquírias. Estas personagens femininas da mitologia nórdica, encarregues de seleccionar os mais bravos e valorosos guerreiros mortos em batalha, sobrevoavam os campos de batalha montadas em cavalos alados com o objectivo de recrutar os futuros guerreiros de Odin, soberano do reino dos deuses. Suspensos a partir do tecto, os enormes, estranhos e invulgares corpos têxteis das "Valquírias" de Joana Vasconcelos parecem também sobrevoar os espaços em prospecção de matéria nobre para tarefas "divinas". A constituição de um "enxoval" capaz de reinterpretar o artesanato de Nisa resgatando-o de um abandono anunciado pela distracção e indiferença das gerações mais jovens em relação aos valores de um património rico, único e insubstituível parece ser o magno destino de Valquíria Enxoval.
Conhecedora da riqueza e da importância que a olaria pedrada e os bordados de Nisa atingem nas suas máximas expressões, Joana Vasconcelos propôs-se, em estreita colaboração com as artesãs e artesãos locais, a criação de uma obra que reúne alguns dos melhores exemplares dos bordados e olaria pedrada do concelho. Deslocando estes objectos ímpares das suas habituais funções e subvertendo a familiaridade e domesticidade com que habitualmente nos são apresentados, Joana Vasconcelos interpreta à luz da contemporaneidade os valores estéticos evidenciados através das diferentes técnicas e temas relacionados com a flora local – sobretudo representação de flores, parras, folhas ou cachos de uva – característicos do artesanato nisense. Alinhavados, aplicações em feltro, rendas de bilros, frioleiras, pontos de cadeia, xailes bordados e a olaria pedrada são simbolicamente sintetizados numa obra festiva que homenageia interrogando a cultura e a identidade da região.
A obra que agora vai ser apresentada nas instalações das Termas de Nisa, integrará posteriormente a colecção no Museu do Barro e do Bordado de Nisa.

27.7.09

NISA: Cegonhas passeiam e vão ao restaurante


Fotos retiradas de http://valkirio.blogspot.com
O atrevimento das cegonhas de Nisa, no distrito de Portalegre, não pára de surpreender a população local. Primeiro, começaram por tomar de assalto o jardim público. Agora, para comer, já fazem fila à porta do restaurante.
"Passeiam-se entre as pessoas com naturalidade, partilhando os mesmos espaços, sem medo. Os turistas que passam por aqui fartam-se de tirar fotografias. É engraçado, invulgar", contou ao JN uma funcionária da Junta de Freguesia local, acrescentando que, em Nisa, sempre houve muitas cegonhas, mas raramente se afastavam dos ninhos.
Não há memória de alguma vez ter havido tamanha proximidade entre este bicho e os humanos. Parecem animais domésticos, disputando o mesmo espaço a cães e a gatos. "Será fome? Não encontro explicação", refere a mulher. Certo é que as cegonhas já conquistaram a simpatia das pessoas.
O "fenómeno" começou há cerca de duas semanas, quando uma cegonha passou a estar mais tempo no jardim público do que no ninho. Os alentejanos acharam graça à ousadia da cegonha - que até pousa para as máquinas fotográficas" - e baptizaram a ave com o nome de "Maria".
Dias depois, outras cegonhas passaram a acompanhar a Maria, nos passeios pelo centro de Nisa, que inclui uma paragem para refeições. Quando não é o povo a oferecer comida, as cegonhas vão até ao restaurante mais próximo.
É à porta do "As Três Marias" que as cegonhas vão pedinchar comida. "Por vezes, andam entre as pessoas, mas geralmente ficam à porta e esperam. Já sabem que alguém lhes dará comida", revelou ao JN Tiago Carriça, um dos proprietários do restaurante.
Não é que sejam exigentes com o repasto, até porque saem sempre sem pagar a conta. No entanto, o JN soube que o prato favorito da Maria e das suas companheiras é carapau. Pouco interessa o modo como é confeccionado. São de boa boca...
Telma Roque - in "Jornal de Notícias"
Cegonhas na Praça da República
Em Nisa dois jovens filhotes de Cegonhas já quase adultos, abandonam o ninho com fome e sede e procuram na Praça da Republica de Nisa a sobrevivência.
Parece que um dos progenitores se encontra morto no ninho junto ao edifício dos Correios, ontem um dos filhos atirou-se “ás quedas de água” onde era o antigo “repuxo” com sede e sem forças tendo permanecido durante a noite encharcado de água.
Fernando Bizarro deu com a ave logo pela manhã de domingo, encharcada e sem forças, “somente com a cabeça fora de água” palavras dele e levou-a para o sol junto ao Calvário, no inicio da manhã deste domingo.
Contactado Nuno Sequeira do Núcleo da Quercus Castelo Branco, foi-nos dito que o Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens de Castelo Branco (CERAS) já estava a par da situação, assim como a GNR de Nisa. Procedendo-se de seguida á entrega da cegonha na Guarda que fará a entrega ao centro de estudos em Castelo Branco.
Quanto ao outro jovem "Cegonho", que também desce ao espaço público principal da Vila de Nisa onde é alimentada e vai sobrevivendo, parece que se encontra bem, com a "muleta" humana.

17.7.09

À DESCOBERTA DO PATRIMÓNIO DE NISA (II)

Banda da Sociedade Musical Nisense em França - 1989
- As Bandas Filarmónicas: O Festival
Aconteceu em Nisa e teve lugar a 4 de Julho de 2009, aquele que foi o 1º Encontro de Bandas Filarmónicas sob a égide da recém nascida associação Além Tejo Música.
Perfeição, é o termo adequado para nos referirmos às bandas participantes, de bom nível, e que no encerramento nos deliciaram com actuação conjunta sob a direcção do maestro António Maria Charrinho.
Na ocasião foi distribuído um livrinho/programa informativo sobre o historial das bandas presentes e dos respectivos maestros, bem como de algumas instituições organizadoras do evento, casos das Juntas de Freguesia de Nª Srª da Graça e do Espírito Santo e também da Sociedade Musical Nisense.
Se no conteúdo musical nada há a opor, bem pelo contrário, já o mesmo não diremos da informação prestada no pequeno opúsculo distribuído, em referência às duas freguesias da sede do concelho e à Sociedade Musical Nisense.
De uma vez por todas, tenham os copistas mais cuidado e “coragem” de expurgar as inverdades no que escrevem, pois não cremos serem elas filhas da falta de conhecimento ou da ingratidão cultivada.
Um conselho, nos permitimos dar: se o que escrevem não é “fruta” produzida no vosso quintal, por favor citem, que só vos fica bem, porque é mau, muito mau mesmo, pegar num texto escrito vão precisamente 20 anos e acrescentar-lhe à partes... insinuando ou ignorando propositadamente a verdade.
Se cada um de nós assumir e exigir unicamente o que seu é, não procurando furtar “bens alheios”, võ ver que todos lucrarão, inclusive o concelho de Nisa, a precisar cada vez menos de “ver passar navios” ao largo, a desaparecerem no horizonte.
Muito do que está errado, por excesso ou por defeito, nos textos escritos sobre as duas freguesias da sede (Nisa) e inseridos no programa do festival, acontece porque o mal vem detrás, está lá escrito de há muito tempo nos sites oficiais e não oficiais da nossa Câmara, que se recopiam uns aos outros.
E quando assim é, quando a “fonte” da notícia não jorra informação coerente, todos os que bebem nela erram, o que não é nada bom, mas assim sendo, limpe-se a fonte e torne-se mais pura, não a água, mas a informação oferecida.
Quando atrás nos referimos a um texto escrito vão já passados 20 anos e incluído agora no livrinho/programa, amputado aqui e ampliado ali, obviamente que aludimos aos desdobráveis turísticos editados, mil exemplares, em 1989, levados connosco e distribuídos em França, aquando da primeira deslocação da Sociedade Musical Nisense àquele país, deslocação essa que esteve na génese da geminação Nisa – Azay le Rideau e já “desaparecida” vítima de maus tratos.
Para bem da saúde desta última instituição e de quem a dirige, seguem os votos para que a espinha vertical se mantenha, não se curvando perante quem nunca nada de seu legou à “nossa” Sociedade Musical Nisense.
João Francisco Lopes in "O Distrito de Portalegre"

5.7.09

NISA: Quando o culto da personalidade e a teimosia se sobrepõem aos interesses dos Munícipes


Democracia é participar não só em voto mas em qualquer momento fora do período eleitoral
(...) O culto da personalidade é um fenómeno negativo que comporta inevitavelmente pesadas consequências no partido em que se verifique.

(...) É a prática da direcção individual e da sobreposição da opinião individual (mesmo que errada) à do colectivo. É a aceitação sistemática, cega, sem reflexão crítica, das opiniões e decisões do dirigente.
Álvaro Cunhal - O partido com paredes de vidro
Não podemos deixar de ouvir considerações que se tecem na praça pública sobre a actuação dos nossos órgãos representativos a nível de poder local.
Algumas foram as obras que se fizeram de grande impacto, como o arranjo da Praça da Republica, a substituição da rede de distribuição da água e consequente repavimentação, também consequente estudo rodoviário com colocação de sinalização. Não falando nas grandes termas de sonho e outras mais, muito dinheiro se gastou em benefício da nossa terra. Bem-haja o esforço!
Não encarem este texto como só parte de uma critica destrutiva, ouvimos as pessoas no dia, participamos no debate e acreditem que há quem vos defenda. Estamos todos na vossa mão, porque temos a filha, filho ou genro que depende da "fábrica" Câmara, e ela não vai fechar tão depressa!
Façam as obras que fizerem, não conseguem mudar nada de substancial, não promoveram o emprego. Os nossos jovens continuam a ter que partir deixando cada vez mais definhado este concelho abandonado. Vão sempre arranjando tachinho alguns amiguinhos da linha dura desta ditadura estalinista que de momento já controla quase tudo e todos. Quando muitos dos nossos jovens têm que emigrar para arranjar trabalho, ter um carrito, arrendar casa, constituir família. Muitos destes já conseguiram subir na vida, ter o trabalho nem que seja temporário, mal pago e a recibos verdes.
Alguns deles aparecem só na altura da época festiva, bem formados e qualificados. Basta ir aos bares existentes junto ao jardim nestas alturas, muito álcool jorra por estas alturas convivendo com os colegas de escola, embora alguns a trabalhar em qualquer coisa que dependa da Câmara, directa ou indirectamente! Planos de formação, associações geridas pelos amigos, etc. etc. Porque o afastamento dos pais é difícil, mas também o é daqueles com quem crescemos, na cumplicidade da descoberta, da partilha, de construção da personalidade.
De início começam por vir quase todos os meses, depois nas festas, no verão, e um dia já não fazem parte do nosso imaginário…
Qualquer obra que se fizesse na Praça da República seria boa, independentemente do que fosse. Parabéns finalmente.
Desgosta-nos a solução adoptada. Em primeiro lugar patrimónios não são só os aglomerados e prédios urbanos, também o são os jardins, mesmo as árvores! A tão emblemática “arvore da mentira” morreu, e quase todas as tílias, que pena! Onde nos escondíamos para dar o primeiro beijo perto dos pais na pastelaria jardim. Onde fumamos o tão mal fadado primeiro cigarro. A sua copa era enorme, chegava até ao chão, linda mesmo. O nosso jardim tinha cheiro, tinha peixes no “repuxo”, era enorme! Tinha buganvílias que se entrelaçavam nas grades de protecção e a ornamentavam em todo o seu comprimento do lado nascente. Estas já tinham muitos anos pois pareciam as latadas das parreiras, magnífico. Quanto brincamos naquele jardim, vinha o verão e com ele centenas de emigrantes, era o auge da vivência do jardim. Os moçoilos com fisgas de arame atiravam umas bolinhas que caíam das arvores ás moças de mini saia, as meninas “francesas”.
O nosso jardim também tinha muita vida na Páscoa, não só por ser uma época da família, mas porque passavam centenas de autocarros para a Serra da Estrela e era na praça que estacionavam os autocarros para dar inicio ao piquenique, á festa!
Nada disto foi tido em conta, faz-se uma obra sem pressupostos do cliente, sem o conhecer, sem dialogar, que bom exemplo nos dão os nossos representantes. Pior, e por birra muda-se a emblemática fonte contra um abaixo-assinado, a decorrer. Outra lacuna em como foi um projecto de brincadeira de estirador, brincando com o compasso tal menino na aula de desenho, algures bem longe de Nisa. É quando pretendemos atravessar de uma maneira rápida o jardim, tal não é possível. Não houve estudo da saída das ruas para o jardim, foi pensado no que estava a dar, uma pequena expo das muitas que se têm feito pelo País. A quantidade de candeeiros plantados nas superfícies bem impermeabilizadas junto com os sinais enterrados já com bom porte parecem crescer na paisagem da linda praça tal e qual centro urbano de muito tráfego.
A destruição do jardim público de Nisa, continua a ser um crime sem castigo. O povo tem memória e um dia vai despertar...
Gema

29.6.09

A velha era da propaganda eleitoral

Um “novo” jornal surgiu em Nisa, retomando o título do quinzenário que foi publicado durante quase 11 anos e ao longo de 265 edições.
As explicações para o reaparecimento do jornal - cujo título foi adquirido por 15 mil euros pela ADN/Câmara de Nisa – surgem, no primeiro número, nas palavras de Gabriela Tsukamoto, presidente da autarquia , de uma forma que não convencem ninguém e atestam, aliás, a dependência do jornal em relação à Câmara.
Diz a senhora Tsukamoto que “ a ADN adquiriu a propriedade do Jornal de Nisa, porque se corria o risco de o jornal ser comprado por alguém de Portalegre, o título em si, e o concelho perder esse título”.
São autênticas “lágrimas de crocodilo”, desde logo porque o título do jornal não pertencia a pessoa ou entidade do concelho de Nisa e quem o detinha era, justamente, uma empresa de Portalegre, a Publiarvis.
O que fez correr Gabriela Tsukamoto e a “sua” extensão ADN, de que é, igualmente presidente, com poderes “leoninos”, não foi a possibilidade de o título ser comprado “por alguém de Portalegre”, mas, sim, o “perigo” de que o jornal, em ano de eleições autárquicas, retomasse a publicação e mantivesse a sua linha editorial regionalista e independente, sem medo de afrontar a Câmara e as suas extensões políticas, denunciando as situações menos claras protagonizadas pela autarquia e continuando a dar viva voz aos munícipes do concelho sobre os problemas com que são confrontados diariamente, muitos deles oriundos da própria autarquia.
A “nova era” da informação local, como apregoa o jornal da Câmara de Nisa, no primeiro número, mais não é do que uma “era”, já velha, gasta e com barbas, de aproveitamento de um órgão de imprensa escrita para fins eleitorais e propagandísticos, em ano de eleições, ainda por cima, pago com o dinheiro dos contribuintes e dos munícipes do concelho e feito, quase exclusivamente, por funcionários camarários.
A Câmara de Nisa tem direito a ter um jornal, a ter “agendas culturais” que de pouco ou nada servem, a não ser como sorvedouros de dinheiros públicos, tal a “pobreza franciscana” existente nesta área, ou mesmo “boletins municipais”, nos quais apenas a presidente tem direito a opinar nos editoriais e a discriminar os munícipes do concelho, dividindo-os em “velhos do Restelo” (os “maus”, que criticam as obras na Praça da República, os elefantes brancos como o da Barragem do Fratel ou os crimes ambientais cometidos no concelho) e os apoiantes da ordem estabelecida (os “bons”, atentos, silenciosos e reverentes).
Eu próprio recebo, semanalmente, muitos “boletins municipais” vindos de diversas Câmaras e Juntas de Freguesias do país, alguns bem feitos, tanto do ponto de vista gráfico, como até, de conteúdo. São todos gratuitos e se, nalguns, a profusão de fotos dos presidentes de Câmara chegam a enjoar, noutros, há a preocupação de um relativo bom senso naquilo que divulgam das actividades das respectivas autarquias.
O que nenhum “boletim municipal” faz é enganar os destinatários, os leitores. Quem os recebe e lê sabe que está perante propaganda, divulgação, de obra feita ou por fazer, estudos e projectos da autarquia. Lê-os e analisa-os nessa perspectiva. Não lhe dão “gato por lebre”, aliás, alguns boletins (tais como os jornais) permitem num dado momento (após meses, anos ou décadas) confrontar as promessas e realidades.
O Jornal de Nisa, não o da Câmara de Nisa, num espaço temporal de mais de dez anos, permite, também, analisar, agora, os discursos de muitos políticos, as tomadas de posição no órgão camarário e até, imagine-se, algumas ilegalidades cometidas por alguns vereadores e que resultaram em prejuízo, moral e financeiro, para a autarquia.
No “novo” jornal e na “nova era” da propaganda Tsucamónia, não haverá “guerras das esplanadas”, “bronca nos combustíveis”, Etars a deitar os esgotos directamente para o Sôr ou o Figueiró, nem crimes de lesa património.
Tão pouco se falará nas vias de comunicação por concluir, no estado lastimável e vergonhoso da Rua da Póvoa, no Duque ou no estado deplorável e de abandono a que chegou o Centro Histórico de Nisa.
Não se percebe, por isso, tamanha obsessão da Câmara por um título de jornal “maldito”, a quem a autarquia sonegou apoios e publicidade institucional, na vã tentativa de o amordaçar ou de o converter na “voz do dono”, que, agora, acabou por criar e pago por todos nós, munícipes do concelho.
A senhora Tsukamoto está, porém, esquecida de uma coisa: nem todos os Nisenses vivem na Zombielândia. Muitos ainda têm memória, consciência cívica, social e política, para não deixarem que esta terra regrida ainda mais do que já regrediu, em nome de uma “mudança” que nada lhe acrescentou de positivo, a não ser, o endividamento e a implantação de alguns projectos megalómanos.
Mário Mendes

28.6.09

SOBRE O JORNAL DE NISA (II)

CARTAS QUE CHEGAM, TESTEMUNHOS QUE NOS SENSIBILIZAM...
Exmo Senhor Director do "Jornal de Nisa"
Dr. Mário Mendes
Foi com um misto de surpresa e consternação que soube da edição do último nº do “Jornal de Nisa”.
Não é com agrado que somos confrontados com o desaparecimento de um órgão de informação, construído com sacrifício e dedicação e digo eu, com a coragem de muitas vezes afrontar poderes instalados, sempre ávidos de controlar, manipular e com pouca paciência para o debate e confronto de ideias.
Não podia deixar passar esta ocasião, pois sempre fui um leitor asssíduo do V. Jornal, sem manifestar o meu respeito e agradecimento, enquanto Nisense, a todos aqueles que contribuíram para que durante 265 edições, a Voz do Povo fosse ouvida, mesmo que nem sempre de acordo com todos (ou não será também essa a virtude do Jornalismo), destacando naturalmente o meu amigo Mário pela dedicação e perseverança que sempre demonstrou e o carinho que colocou em cada edição do “seu” Jornal.
Nisa fica mais pobre e se já existiam poucas ou nenhumas possibilidades de debate sobre o que se passa com a nossa Terra, assistindo ao nascimento de uma autêntica “zombielândia”, com a morte do Jornal, penso ser altura dos Nisenses pensarem seriamente no debate que se impõe.
Caro Mário, agradeço-lhe com sinceridade, o trabalho que fez em prol do nosso Concelho. Poderá sempre contar com a minha pessoa para, se assim o repensar, refundar um qualquer órgão de comunicação social.
A Bem da nossa Terra e do debate de Ideias!
Com elevada consideração do amigo,
Clemente Carita - 27/10/2008

19.6.09

Os segredos das batalhas marítimas segundo José Pereira


D. Domingos Xavier de Lima (7º Marquês de Nisa no século XVIII)
Onde se fala do Almirante Marquês de Nisa
«Grandes Batalhas Navais Portuguesas», de José António Rodrigues Pereira e editado pela Esfera dos Livros, é uma obra que desvenda alguma das histórias mais espectaculares da marinha nacional. Uma obra escrita não só para historiadores ou pessoas ligadas ao mar, mas principalmente para o grande público. Em cada batalha, um rigor histórico e de pormenores exemplar.
José António Rodrigues Pereira é um dos principais especialistas da história marítima portuguesa. Entrou para a Escola Naval no dia 1 de Setembro de 1966, foi promovido a capitão-de-mar-e-guerra em 27 de Julho de 1999 e prestou serviço em diversas unidades navais, destacando-se os NRP Jacinto Cândido (Moçambique, 1973-75), NRP Afonso Cerqueira (Timor, 1975-76) e na NRP São Miguel (Golfo Pérsico, 1990-91). Convidado pela Esfera dos Livros a escrever sobre as principais batalhas navais portuguesas, o actual director do Museu da Marinha (e também membro da secção de História e da Comissão de Estudos Corte-Real da Sociedade de Geografia de Lisboa, além de ser membro fundador da Confraria Marítima de Portugal) aceitou o desafio, já que no mercado editorial ainda não havia nenhum livro a abordar o tema. Apenas um pormenor que comprova o que José António Rodrigues Pereira defende: Portugal, desde a integração na Europa, em 1986, pura e simplesmente «ficou de costas para o mar». Este livro pretende precisamente dar a conhecer melhor uma parte essencial da nossa história…
O livro é preenchido de pormenores, factos e dados. As batalhas relatadas são muito intensas e reais, transportando muitas vezes o leitor aos combates marítimos. Como conseguiu isso? Como foi o trabalho de investigação?
Pelo facto de já trabalhar e investigar estes temas navais há muitos anos, as pesquisas estavam quase todas feitas. Portanto, foi apenas necessário reunir os elementos aplicáveis a este livro. Para escrever o texto levei cerca de oito meses. A maioria das descrições do livro foi feita com base em documentos coevos ou nas suas transcrições por historiadores mais recentes. E sabemos como são violentas as descrições dos nossos cronistas dos séculos XV e XVI. Nos relatos mais recentes foram utilizados os próprios textos dos intervenientes, como são o relato do almirante Napier sobre a Batalha do Cabo de São Vicente (1834) ou do relato do guarda-marinha Ferraz sobre o combate do Augusto de Castilho (1918).
Qual das batalhas que seleccionou foi a mais importante na sua opinião?
A batalha mais importante e também a mais marcante da história marítima nacional foi a batalha de Diu em Fevereiro de 1509. Foi uma batalha decisiva em que um dos intervenientes é completamente derrotado e aniquilado. Podemos compará-la com Salamina (sec. V a.C.), Trafalgar (1805) e Tsushima (1905). A vitória de D. Francisco de Almeida em Diu garantiu a Portugal o domínio do Índico durante quase um século.
E aquela que considera a mais gloriosa, a mais heróica da nossa história?
Diria que foi a batalha naval do Tejo em 1384. Travada contra a frota castelhana que bloqueava Lisboa, esta batalha, indecisa quanto ao número de baixas, permitiu aos portugueses atingir os seus objectivos: reabastecer a cidade cercada e dar-lhe capacidade para prolongar a sua resistência. Conseguiu-o porque o Mestre de Avis manteve a resistência até que a peste no acampamento castelhano os obrigou a retirar.
E qual foi a batalha que deveríamos apagar definitivamente da memória da nossa história?
O combate da fragata Cisne contra os argelinos. Os prisioneiros portugueses levados para Argel em 1802 foram utilizados como escravos. Devido à instabilidade política então vivida em Portugal, a que se seguiram a partida da corte para o Brasil (1807) e as invasões francesas (1807-1810), só em 1812, dez anos depois do incidente, se conseguiram libertar os prisioneiros portugueses que conseguiram sobreviver ao combate e ao cativeiro.
E há alguma em que Portugal saiu derrotado mas no entanto poderia ter escrito outro capítulo na história, um capítulo mais brilhante para as nossas cores?
Julgo que poderemos considerar dois casos, ambos durante o período filipino. Se a Invencível Armada (1588) tivesse derrotado a Inglaterra não teriam sido possíveis os posteriores ataques dos corsários ingleses ao comércio português e espanhol nos Açores com a frequência e a intensidade que tiveram e estão relatados no livro. Com menos perdas no comércio marítimo a riqueza do país teria sido muito maior e o seu desenvolvimento também. Depois, se Oquendo tivesse derrotado os holandeses em Dunes (1639) e eliminado, pelo menos temporariamente, o poder naval holandês, o destino do império português do Oriente teria sido certamente diferente, com menos perdas a favor dos holandeses e uma luta menos violenta com estes nossos inimigos.
E há alguma batalha mais romântica na nossa história?
A batalha do Tejo porque foi travada ainda com as regras da cavalaria medieval.
Além das batalhas relatadas no livro, há mais algumas batalhas marítimas assinaláveis na nossa história ou acredita que o livro alberga perfeitamente esta área?
Acredito que neste livro estão descritas as batalhas e combates mais importantes da nossa história, embora haja muitas mais que não estão descritas neste livro.
E, na sua opinião, qual o comandante mais marcante na história da Marinha Portuguesa?
Ao longo de quase nove séculos de História há muitos comandantes que deixaram o seu nome na história. Na área operacional podemos citar, além do nosso primeiro almirante, D. Fuas Roupinho, cujos méritos são reconhecidos pelos historiadores muçulmanos, D. Francisco de Almeida (o vencedor de Diu), Afonso de Albuquerque (o construtor do nosso império do oriente), D. Domingos Xavier de Lima (7º Marquês de Nisa no século XVIII) e Carvalho Araújo (no início do séc. XX). Mas há também oficiais de marinha que se distinguiram nas áreas das ciências, na governação, no ensino e até na história, cujos nomes também não podem ser esquecidos. Costa Quintela, Dantas Pereira, Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens, Campos Rodrigues e Gago Coutinho são apenas alguns exemplos.
Acredita que Portugal está de costas voltadas para o Mar?
Portugal esteve durante séculos virado para o Atlântico e de costas para a Europa. Foram, sucessivamente, os descobrimentos do Atlântico, o império do Oriente, o Brasil, a colonização africana. Depois, Portugal integrou-se na Europa em 1986 e, desde então, ficou de costas para o mar. Acredito que é necessário uma definição dos objectivos nacionais que levem o país de novo para o Mar.
E, em relação ao Museu da Marinha, está satisfeito com o seu trabalho? O que falta para o mesmo chamar mais público?
O Museu de Marinha vai comemorar em 2013 os seus 150 anos de existência, data que se espera poder aproveitar para completar a sua modernização. Estão em curso obras no telhado da ala Oeste que permitirão reabrir a sala da Marinha Mercante. Com a renovação desta sala serão também renovadas as salas da construção naval e da marinha de recreio e preparada uma sala para o serviço educativo. Serão ainda criados núcleos de arqueologia subaquática, de artilharia naval e de telecomunicações. Espera-se ainda que naquela data esteja já concretizada a permuta recentemente protocolada entre o Ministério da Defesa Nacional e o Ministério da Cultura, permitindo ao museu expandir-se para a ala Sul do Mosteiro dos Jerónimos. Neste momento já está em execução a primeira fase deste protocolo, prevendo-se que esteja completo até finais de 2010. A recolocação das reservas e a construção de um novo arquivo fotográfico fazem parte do projecto de renovação do museu para o seu aniversário. Relembro que o Museu da Marinha é o arquivo histórico de imagens da marinha e tem no seu acervo quase 100 mil fotografias. Quanto a público, somos ainda um dos museus mais visitados em Portugal e pensamos que a modernização prevista poderá chamar ainda mais pessoas.
texto de Pedro Justino Alves in "Diário Digital"

22.5.09

NISA: Lançamento do "Livro de Linhagens da Vila de Nisa"

Integrado no programa cultural da Feira do Livro de Nisa, tem lugar no próximo dia 31 de Maio, às 17 horas, na Biblioteca Municipal de Nisa, o lançamento da obra "Livro de Linhagens da Vila de Nisa - Um mapa de Identidades" da autoria de Filipe Manuel Louro Carita e João Maria Melato Carita. O livro é editado pelas Edições Colibri com o apoio da Câmara Municipal de Nisa. Para uma melhor compreensão da obra, deixamos o registo do Prefácio:
"Talvez nem sempre ocorra à árvore esconder a floresta. É esta suspeita que neste trabalho se pretenderá precisamente comprovar.
Se esta aventura de investigação genealógica se moveu inicialmente por mera curiosidade pessoal e familiar, depressa este empreendimento, que durante uma década nos ocuparia, nos levava a constatar que a informação acumulada já nos não pertenceria por inteiro.
Descobríamos, deste modo, estar na posse de um manancial de dados com capacidade para recobrir todas as famílias que, entre os séculos XVI e XX, constituíram uma grande parte da população da vila de Nisa durante um segmento temporal de quase cinco séculos.
Era, então, para nós, uma evidência estarmos em posse de elementos suficientes para que qualquer nisense actual se propusesse, se assim o entendesse, iniciar também ele agora uma viagem a um passado remoto e, desta feita, viesse a descobrir muitos daqueles de que descende e cujo rosto e rasto o tempo terá inexoravelmente relegado para um mais que previsível esquecimento.
Apanágio do homem, isso mesmo também que o diferencia e lhe constitui a verdadeira essência, sempre foi essa questão maior que desde a noite dos tempos o tem vindo a acompanhar: de onde vim?; quem sou?; para onde vou?
E não apenas numa perspectiva religiosa ou metafísica senão igualmente histórica.
Não pudemos deixar de considerar estarem criadas, assim, algumas das principais condições que tornavam possível uma resposta abrangente àquela última e para o que haveriam de concorrer todos os dados factuais recolhidos e cuja apresentação julgamos aqui dever partilhar.
Qualquer natural desta vila, ou com origens ancestrais nela, fica doravante habilitado e convocado a encetar um percurso múltiplo rumo às suas raízes familiares, em muitos casos, localizadas num já longínquo século XVI.
Este foi, pelo menos numa segunda fase do nosso trabalho, o nosso propósito, movidos agora tão­‑só pelo desejo de pôr à disposição da comunidade o que decididamente não constituiria já uma herança só nossa.
Entendemos, pois, ser uma quase obrigação nossa divulgá­‑la, ou melhor, restituí­‑la à comunidade no seio da qual foi gerada.
Esperamos não defraudar expectativas com este trabalho que é, afinal, a reconstituição de uma memória histórica de toda uma comunidade de destino a que pertencem também os autores.
Neste nosso tempo tão marcado por um culto insidioso do instante e do curto prazo, neste tempo de globalização em que vão escasseando cada vez mais pontos de referência e em que os laços sociais e comunitários se vão quase inelutavelmente diluindo neste processo vertiginoso de erosão das raízes e individualidades, não raro fonte de incerteza e insegurança, aqui deixamos um pequeno e modesto contributo para que se não perca aquele sempre tão frágil fio de memória que nos torna capazes de uma projecção criativa nos horizontes amplos do futuro.
Não nos advertiu já o poeta francês Paul Valéry de que «entramos no futuro a andar para trás»?"
João Maria Melato Carita

13.5.09

Veteranos do Nisa e Benfica em França

Futebol e amizade - Foto de Henrique Semedo
Convívio entre nisenses - Foto Henrique Semedo
Nisenses no centro histórico de Azay - Foto António Delfino
A prova dos bons vinhos da Touraine - Foto António Delfino
Domingos e Dias Santos animaram baile popular - Foto Henrique Semedo

Visita da Associação de Veteranos do SNB a Joué-les-Tours, França

Maire de Azay e comitiva nisense - Foto António Delfino
Atletas agradecendo a presença do público - Foto Henrique Semedo
Recepção à comitiva nisense - Foto António Delfino
A convite do Presidente da Direcção da Associação de Veteranos do Sport Nisa e Benfica, integrei a comitiva, que entre 29 de Abril e 03 de Maio de 2009, visitou o centro de França, como forma de retribuir a visita a Nisa em Maio de 2008 da Union Sportive Portugais de Joué-les-Tours.
Todas as palavras que possa aqui dizer, não serão por certo, suficientes para expressar todo o meu apreço e satisfação pela forma digna e determinada com que as Direcções das duas colectividades, em particular dos seus principais representantes Bento Semedo e Jean-Pierre Laré, se entregaram a esta notável iniciativa, nunca regateando esforços para que tudo corresse bem e que todos se sentissem satisfeitos, não esquecendo obviamente todos os que, de uma forma ou de outra, contribuíram também para o sucesso desta iniciativa.
Ao longo de 4 dias foram desenvolvidas diversas actividades de um Programa previamente estabelecido, que fez com que todos os que se deslocaram à região de Indre et Loire (a grande maioria pela primeira vez), se sentissem verdadeiramente em casa.
Na recepção no dia 30 de Abril, no Stade Jules Ferry em Joué-Les-Tours, estiveram presentes o Cônsul Honorário de Portugal em Tours, Luís Palheta (que por sinal é nosso conterrâneo), Michel Verdier, Maire de Azay-Le-Rideau, Virgínia Reguin Adjunta do Maire de Ballan, Philippe Le Breton, Maire de Joué-Les-Tours e o seu Adjunto Francis Gérard, que fizeram muito dignamente as honras da casa, com um “vin d’honneur” (vinho de honra), como mandam as “regras da casa” em terras francesas.
Na manhã do dia 1 de Maio, na visita a Azay-Le-Rideau e a Cheillé, uma vez mais os anfitriões primaram por uma simpatia e amabilidade dignas destes atributos: Mr. Michel Verdier recebeu a comitiva no Hotel de Ville de Azay (Câmara Municipal) e após algumas palavras de boas vindas, seguidas de beberete e pequeno-almoço, foi efectuada uma visita guiada por Azay pelo Maire Mr. Verdier, que revelou verdadeiros atributos de guia turístico!
Após a visita a Azay e a uma Cave de Vinhos em Valléres, a comitiva dirigiu-se para Cheillé, onde na respectiva Sala de Festas, o Maire local Mr. Jean-Serge Hurtevent e a responsável pela Comissão de Geminação em Azay, Madame Frederique Batista, fizeram as honras da casa, desejando uma boa estadia a todos e lançando um apelo às entidades responsáveis no sentido da Geminação ser relançada e que pretendiam neste sentido e num futuro próximo, deslocar-se a Nisa com o objectivo de, em conjunto com representantes da Câmara, retomar e revitalizar o processo de geminação entre Azay, Cheillé, Saché e Nisa.
Após um bufete frio, teve lugar um magnífico baile abrilhantado pelo sempre animado e bem disposto grupo de música popular de Nisa “Domingos & Dias Santos”.
Dos restantes dias do Programa de visita, gostaria de destacar a visita à cidade de Tours, o jogo de futebol entre a Associação de Veteranos do SNB e a sua congénere francesa U. S. Portugais Joué-Les-Tours, motivo principal da deslocação, o jantar e baile que se lhe seguiram, uma vez mais abrilhantado pelos “Domingos & Dias Santos” que conseguiram alargar a sua legião de fans em terras de Indre et Loire, disso não tenho dúvidas!
A comunidade portuguesa, muito em particular a comunidade nisense, aderiu em massa às actividades constantes do Programa da visita, enchendo de satisfação todos os presente e muito em particular, aqueles que, em boa hora, quiseram levar para a frente esta inolvidável iniciativa.
Parafraseando um amigo meu, “resumindo e baralhando”, são, em minha opinião, iniciativas desta natureza que deveriam ser aproveitadas no sentido de funcionarem como estímulo para que o processo de Geminação seja retomado e lhe seja dada a dignidade que o mesmo merece, pelo que penso que teria sido importante o Municipio de Nisa ter-se feito representar, pois teria aqui uma excelente oportunidade para, em conjunto com as entidades francesas, reactivar os laços de geminação entre as duas comunidades, dando-lhe um novo rumo! Faço votos para que esse novo rumo seja uma realidade, assim haja vontade para tal!
Nisa, 13/05/2009 / Sérgio Cebola