17.8.17

OPINIÃO: Não nos mandem calar!



"Não me mande calar!" A voz irada de uma mulher ouve-se em fundo numa reportagem televisiva, enquanto a comitiva de responsáveis políticos, encabeçada pelo presidente do Governo Regional da Madeira, atravessa o Largo da Fonte, onde a queda de um carvalho de grande porte matou 13 pessoas. A raiva da população foi ontem evidente, com vários moradores a testemunhar que se pede há uma década uma intervenção no local mais visitado na freguesia do Monte.
O Ministério Público já está a investigar o acidente e haverá, em devido tempo, apuramento de responsabilidades. Debaixo de fogo, o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, convocou os jornalistas para esclarecer que a árvore em causa não estava sinalizada nem integrava a correspondência trocada com a Junta de Freguesia, alertando para o risco de acidentes. Sublinhou ainda que o carvalho caiu da encosta, de um terreno da diocese.
Há, no entanto, perguntas difíceis de contornar. Estando em causa um dos principais pontos turísticos da ilha, não deveria a vistoria das árvores em risco ter merecido outro cuidado, não apenas no largo, mas na área envolvente? Tendo havido alertas da Junta de Freguesia feitos no passado dia 5 e avisando precisamente para o risco de incidentes durante a romaria, não se exigiria uma atuação proativa dos serviços camarários? A proteção civil existe para identificar e minimizar riscos, não apenas para acudir em caso de tragédia. Em Portugal, infelizmente, há uma cultura pouco enraizada no que diz respeito à prevenção.
Ao chegar à Madeira, para levar a "solidariedade do povo português" às famílias das vítimas, o presidente da República recusou alimentar polémicas e disse ser hora de encarar a dor e não de falar de responsabilidades. Mas uma coisa não exclui a outra. Começa a tornar-se um hábito evitar o tema da responsabilidade, como se as palavras de conforto fossem suficientes para silenciar dúvidas e críticas.
Não cabe a Marcelo Rebelo de Sousa, claro, imiscuir-se em assuntos da competência da Câmara do Funchal. Mas o grito de revolta da mulher citada acima faz todo o sentido. Quando 13 pessoas morrem em circunstâncias que tudo indica poderiam ter sido evitadas, é imperativo exigir total rigor à investigação. Os serviços públicos e os seus titulares existem para cuidar das populações, não para vir bater-lhes no ombro em momentos de tragédia. Que nunca se peça silêncio a quem tem motivos para a revolta.
Inês Cardoso in "Jornal de Notícias" - 16/8/2017

MEMÓRIA: Mendes dos Remédios: nisense ilustre

Assinalam-se no próximo mês de Setembro duas datas referentes a Joaquim Mendes dos Remédios, um nisense ilustre, que foi Ministro da Instrução Pública e Reitor da Universidade de Coimbra: a 21 de Setembro, 150 anos do seu nascimento; a 30 de Setembro, 85 anos sobre a data do seu falecimento, ocorrido em Montemor-o-Velho. Duas datas que assinalamos para lembrar o professor, o académico, o escritor e o cidadão nisense, homenageado pela Câmara Municipal de Nisa em Abril de 1987 (Feriado Municipal), tendo o seu nome sido atribuído à antiga Rua de Vale d´Ordens. A Escola EB 2,3 +S de Nisa, posteriormente, escolheu-o para seu patrono e erigiu um monumento evocativo, na entrada principal daquele estabelecimento de ensino. Os dados que seguem, foram retirados da Wikipédia.
*************************
Joaquim Mendes dos Remédios (Nisa, 21 de Setembro de 1867; Montemor-o-Velho, 30 de Setembro de 1932) foi um professor universitário, político e escritor português que, entre outras funções, foi reitor da Universidade de Coimbra e Ministro da Instrução Pública.
Joaquim Mendes dos Remédios começou por frequentar o Seminário de Portalegre obtendo depois equiparação ao ensino liceal no Liceu Nacional daquela cidade. Terminados os estudos liceais, a 15 de Outubro de 1888 matriculou-se na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, obtendo ali o grau de bacharel em 1892. Completou a sua formatura a 18 de Junho de 1893, licenciando-se a 15 de Fevereiro do ano imediato.
Tendo-se doutorado a 28 de Abril de 1895, ingressou ao serviço da Faculdade de teologia, como 2.º assistente a 4 de Janeiro do ano seguinte. Após a extinção da Faculdade de Teologia e a sua substituição pela Faculdade de Letras, integrou o seu corpo de catedráticos, especializando-se no estudo da História da Literatura Portuguesa. No âmbito do seu trabalho de investigação histórica, dirigiu desde 1898 a colecção Subsídios para Estudo da Literatura Portuguesa, onde publicou numerosos trabalhos da sua autoria.
Com a implantação da República foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra, tendo exercido o cargo interinamente de 1911 a 1913, como primeiro retor eleito daquela instituição, e depois, como reitor nomeado, de 1918 a 1919. Como reitor deu o impulso inicial à criação da Revista da Universidade.
Revelando-se um investigador prolífero, notabilizou-se pela publicação de uma obra variada e pelo exercício de diversos cargos académicos, incluindo o de secretário das bibliotecas da Faculdade de Letras, de 1911 a 1925 e da Universidade de Coimbra, cargo que exerceu de 1900 a 1913. Durante o seu mandato como secretário da Biblioteca da Universidade de Coimbra organizou os gabinetes de cinema, de super-libris e de numismática. Também se lhe deve a fundação do arquivo bibliográfico daquela Universidade.

Simultaneamente, foi representante das Faculdades de Letras no Conselho Superior de Instrução Pública.
No período imediato à Revolução de 28 de Maio de 1926 integrou a famosa Tuna de Coimbra, com António de Oliveira Salazar e Manuel Rodrigues Júnior, cabendo-lhe a pasta da Instrução Pública no primeiro Ministério da Ditadura Nacional. Exerceu o cargo de forma efémera, entre 3 de Junho de 1926 a 19 de Junho de 1926. Com a viragem à direita do novo regime, afastou-se da actividade política, voltando às lides académicas. Publicou diversos manuais de Filosofia destinados ao ensino liceal e, entre outras, a obra História dos Judeus em Portugal, que o celebrizou nos meios académicos.
No período de 1925 a 1930 dirigiu a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, criando os cursos de férias, os institutos de culturas estrangeiras, as publicações da Sala Francesa, a revista Biblos e o Boletim do Instituto Alemão.
A principal escola de Nisa adoptou Mendes dos Remédios como seu patrono.
In "Jornal de Nisa" - 24.9.2007 (adaptado)

16.8.17

MARVÃO: Conversa/debate no Periferias sobre nuclear

Inserido no Periferias, Festival Internacional de Cinema de Marvão, na quinta-feira 17 de agosto, pelas 16 horas, no Centro Cultural de Marvão, vai decorrer uma conversa / debate sob o tema «Desafios da Sustentabilidade: mudanças climáticas e energia nuclear».
Serão projetados os documentários «Central Nuclear de Almaraz», de Dina Soares, Joana Bourgar e Rodrigo Machado e «Central Nuclear de Almaraz levanta dúvidas relativamente à segurança», de Hugo Alcântara.
O debate contará com a moderação de José Janela, do Núcleo Regional de Portalegre da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza e terá a presença de:
Jesús Valiente, da ADENEX- Asociación para la Defensa de la Naturaleza y los Recursos de Extremadura;
José Maria Moura, da AZU – Associação Ambiente em Zonas Uraníferas;
Paca Blanco, dos Ecologistas en Acción;
Peter Eden, Empresário turístico - Monte da Moita Raza – Marvão

OPINIÃO - COISAS DA VIDA (XXIII): Maria e Manel

Maria saiu à rua com o seu vestido novo. Novo para ela, porque na realidade tinha sido comprado numa loja de roupa em segunda mão que existia ao pé do seu trabalho. Ela não se podia dar ao luxo de roupa nova, não agora, que a sua vida ia de mal a pior.
Não quis estudar e cedo saiu da casa dos seus pais rumo a uma cidade maior à procura de novas oportunidades. Quando chegou, ficou em casa da Teresa, mas cedo se apercebeu que o modesto apartamento não tinha espaço para ela. Empregada numa loja de terceira, o vencimento mal chegava para pagar o quarto arrendado. Os dias passavam-se e as dificuldades acentuavam-se, com os pais, coitados, reformados de uma terra que há muito já nada dava, sabia que não podia contar. Foi quando conheceu Manel.
Deixou-se levar não pelo amor, mas pela ânsia de ter alguém, uma companhia, porque a vida tão só, custa mais. Não se apercebeu de quem realmente era o Manel, ela apenas via aquilo que ardentemente desejava ver. E, quando ele ficou desempregado e quis ir viver com ela para o seu modesto quarto, Maria pensou satisfeita que seria um passo em frente naquela relação.
Como as despesas aumentavam, e o Manel continuava sem arranjar emprego – porque trabalho há muito – Maria começou nas limpezas. Levantava-se cedo de manhã, por vezes ainda de noite, para apanhar o primeiro transporte que a levava a um escritório de advogados que limpava diariamente. Depois, às oito horas em ponto, abria a porta da loja onde permanecia por largas horas.
Nos últimos tempos, quando chegava a casa já nem encontrava o Manel, que no seu ciclo empregado/desempregado, continuava sem trabalhar.
Manel saiu à rua com a sua camisa nova, comprada pela Maria e oferecida no dia em que celebravam três anos de namoro. Ele, como se encontrava desempregado, não lhe deu nada. Arranjar emprego nos dias de hoje não é fácil, pensava, e também, Maria estava diferente, já não era aquela miúda com vida que tinha conhecido, já não o acompanhava e ele, aproveitava para ir para o café, passar os serões com os amigos. No fundo, sabia que aquela relação já não era o que era. Foi então que conheceu Dália…
Quando Maria chegava a casa, ainda na escuridão pensava, o Manel saiu, coitado, a vida não lhe tem corrido bem, faz-lhe bem, estar um pouco com os amigos. O acender das luzes trazia-a à realidade, ainda havia tanto para fazer dentro daquelas quatro paredes, e não parava enquanto não transformava de novo aquele quarto num lar, que partilhava com o seu Manel.
A vida é dura, pensava, mas só, é que não!
– Sofia Tello Gonçalves
Nota: Coisas da Vida é um conjunto de crónicas de autoria de Sofia Tello Gonçalves e publicadas no "Jornal de Nisa" (1ª série) e que iremos retomar, agora, na internet, não seguindo, necessariamente, a ordem por que foram dadas a conhecer no jornal.

OPINIÃO: Os "websites" dos municípios e as eleições

O "website" de um município é um espaço dos munícipes. Deve conter, por isso, de forma bem acessível, as informações de interesse para os munícipes. As eleições locais são tema do maior significado para os eleitores, pois representam a oportunidade que estes têm de escolher quem os deve representar nos órgãos autárquicos. Os "websites" de cada um dos municípios devem conter, por isso, informação detalhada sobre as eleições locais.
Que informação? A nosso ver, desde logo, uma informação geral sobre o calendário eleitoral e informações úteis sobre o exercício do direito de voto. Deve ter informação, também, sobre as candidaturas aos órgãos do município (assembleia municipal e câmara), pelo menos. O ideal seria mesmo que tivessem também informação sobre as candidaturas às freguesias, porque as eleições de presidentes de junta têm influência na composição da assembleia municipal.
A informação sobre as candidaturas deveria ser colocada o mais cedo possível, com a indicação dos partidos, coligação de partidos ou grupos de cidadãos eleitores concorrentes, dos órgãos a que se candidatam e o nome dos candidatos efetivos e suplentes. Deveria informar, também, sobre as reclamações ou recursos relativos às listas apresentadas e respetivo resultado. Fixadas as listas, cada uma deveria ter um espaço, dando conta do seu programa e das ações que iriam desenvolver.
Esta informação, que deveria ser o mais objetiva possível, obrigaria a um trabalho dos serviços municipais, que deveria ser feito em articulação com a câmara e a assembleia municipal. Não é um trabalho muito exigente e demorado e, por isso, não há motivo para não ser feito. Duvidamos que este trabalho esteja em curso na grande maioria dos municípios.
Encontramos, contudo, no muito azul e artístico site do município do Porto (aliás, site da www. cm-porto), numa fila abaixo de "Porto.", um espaço denominado "autárquicas 2017" que tem o "intuito de facilitar o acesso à informação sobre o processo eleitoral no contexto local", incluindo desde logo a "apresentação de todos os candidatos aos órgãos autárquicos do Porto, no próximo mandato".
É de saudar vivamente esta iniciativa da Câmara do Porto, que julgamos ser uma exceção no país. Pena é que a informação contida, neste momento, seja tão pouca. Nem listas concorrentes, nem candidatos. E essa informação está já disponível. O município do Porto bem pode dar um bom exemplo de democracia local no país.
António Cândido de Oliveira in “Jornal de Notícias” – 15/8/2017

15.8.17

MORUJO JÚLIO: Montalvanense e atleta de eleição

 Morujo Júlio entre Anacleto Pinto (esquerda) e Carlos Lopes (direita) numa prova de Corta-Mato
Morujo Júlio foi um dos melhores atletas do seu tempo, tendo contribuído para inúmeras vitórias do Sporting Clube de Portugal, na Pista, no Corta Mato e na Estrada.
Entrou voluntariamente para a Marinha Portuguesa aos 17 anos e aí percebeu a sua aptidão para o atletismo especialmente o meio fundo.
Mais tarde foi visto a treinar perto dos arquivos da Marinha onde trabalhava por um senhor que recomendou que fosse prestar provas ao Sporting Clube de Portugal, esse senhor era o sogro de José Travassos. No dia em que prestou provas foi logo inscrito no Clube depois de impressionar os presentes que lhe pediram para correr 1000 metros (2 voltas e meia) na então pista de cinza do antigo Estádio José Alvalade.
Viveu os momentos mais altos da sua carreira em termos individuais, quando foi Campeão de Portugal dos 1500m durante 5 anos seguidos, entre as épocas de 1966 e de 1970.

Equipa do Sporting vencedora da estafeta Cascais-Lisboa. Morujo Júlio em primeiro plano, ao lado de Armando Aldegalega, Carlos Lopes, NN e Fernando Mamede
Em 1970 ano foi o representante de Portugal na Corrida de São Silvestre em São Paulo, mas terminou num decepcionante 28º lugar. Segundo o Jornal "A Bola" No final queixou-se de ter levado uma coronhada de um guarda no momento da partida. Na verdade foi um acidente em que na confusão da partida foi empurrado pelos atletas que estavam atrás de si, caiu e bateu com a cara contra o punho da pistola de um dos policias que estavam a fazer um cordão humano para segurar os atletas, deixando-o para trás com a cara a sangrar e foi obrigado a ultrapassar uma multidão de milhares de concorrentes que de repente tinham ficado à sua frente.
Entre 1966 e 1970 fez parte de três equipas do Sporting que melhoraram o Recorde Nacional da estafeta dos 4x800m, levando-o até aos 7,36,0m
Em 1967 esteve em destaque nas provas de pista coberta, batendo os Recordes Nacionais dos 3000m com a marca de 8,45,0m, da Milha com o tempo de 4,22,1m e, tornando-se no primeiro Recordista Nacional dos 1500m, com a marca de 4,10,7m, que viria a melhorar em 1969, fixando esse Recorde em 3,56,8m.
Entre 1968 e 1970 fez parte de três equipas do Sporting que melhoraram o Recorde Nacional da estafeta dos 4x1500m, levando-o até aos 15,40,2m.

Morujo Júlio corta a meta da Estafeta Cascais -Lisboa
Ainda em 1968 melhorou o Recorde Nacional dos 800m em Pista Coberta por 3 vezes, fixando-o em 1,54,4m, tornando-se assim no primeiro português a percorrer a distância nesta variante, em menos de 2 minutos.
Nos Campeonatos de Portugal de Estafetas, ajudou o Sporting a ganhar 3 títulos nos 4x800m e 4 nos 4x1500m.
Entre 1967 e 1974 integrou as equipas do Sporting Clube de Portugal, que ganharam por oito vezes consecutivas a Estafeta Cascais-Lisboa.
Fez parte da equipa do Sporting Clube de Portugal que participou na 1ª edição da Taça dos Campeões Europeus de Atletismo, disputada em 1975, em Liège na Bélgica, classificando-se no 6º lugar nos 3000m obstáculos.

MONTALVÃO: Junta de Freguesia vai homenagear José Morujo Júlio

Atleta de alta competição, campeão nacional e recordista, em representação do Sporting Clube de Portugal e da Seleção Nacional.
Contemporâneo de outros grandes campeões e figuras gradas do nosso atletismo, como Carlos Lopes, Fernando Mamede, Armando Aldegalega e outros, foi treinado pelo saudoso e competentíssimo Professor Mário Moniz Pereira, a quem Portugal tanto deve.
Morujo Júlio foi tudo o que atrás se refere, honrando a sua amada terra natal que é Montalvão e sem nunca ter deixado de ser a pessoa simples e tão afável que continua a ser e, não menos importante, sem nunca ter renegado a sua origem natal, cujo nome elevou tão alto.
Convidamos, portanto, todos os montalvanenses, entidades e população do Concelho e mesmo distritais, a associarem-se a esta singela homenagem com uma presença massiva, independentemente das cores clubísticas que prefiram, porque Morujo Júlio a todos representou, a todos nos deliciou com as suas vitórias e nos honrou enquanto conterrâneos!

SAÚDE: Escolha de uma mochila escolar adequada pode evitar dores nas costas


Escolha bem quando preparar o regresso às aulas do seu filho
Com a aproximação do regresso às aulas, a campanha “Olhe Pelas Suas Costas” alerta a população para a importância de escolher a mochila escolar em função das suas características ergonómicas e sensibiliza os pais para a utilização correta deste acessório.
O tamanho, o peso e o material da mochila são fatores a ter em conta no momento da compra, para assegurar o bem-estar da criança e prevenir as dores na coluna provocadas, muitas vezes, pelo peso exagerado e má utilização da mochila escolar. Segundo o coordenador da campanha Olhe pelas Suas Costas, o neurocirurgião Paulo Pereira, “escolher uma mochila com base nos “bonecos” que as crianças mais gostam ou nas tendências da moda” pode significar uma má escolha.”
Para ajudar os pais e as crianças a fazer a escolha certa da mochila escolar para o próximo ano letivo, minimizar os riscos para a coluna vertebral no seu transporte diário, a campanha deixa algumas recomendações:
A mochila deve ter duas alças largas bem acolchoadas.
O peso da mochila, já com os livros e material, não deve ultrapassar 10% do peso corporal da criança/jovem.
A mochila deve ser utilizada de forma simétrica nos dois ombros.
Deve ficar centrada a meio da coluna (alargar o comprimento da alça para retirar a mochila mais facilmente não é aconselhado).
O material mais pesado deverá ser colocado junto ao corpo para evitar alterações na postura.
Especialmente em mochilas com bolsas laterais, o peso do conteúdo deve ser distribuído de forma simétrica
Se o percurso até à escola for longo e sem escadas, uma mochila com rodas é vantajosa para diminuir o esforço. Noutros casos não é tão aconselhada.
A mochila deve conter apenas o material necessário para o dia em questão.
 “Para além destes aspetos inerentes à escolha da mochila escolar, que são muitas vezes ignorados, o aumento progressivo do peso do material escolar a que temos assistido nos últimos anos é uma situação preocupante e que deve ser combatida por todos, a começar pelos pais e pelos educadores em prol da saúde das gerações mais jovens”, acrescenta o coordenador da campanha.
Sobre a campanha Olhe Pelas Suas Costas:
A campanha Olhe pelas Suas Costas visa sensibilizar a população em geral para as dores nas costas, alertar para as suas consequências na vida pessoal e profissional dos portugueses, e educar sobre as formas de prevenção e tratamento existentes. A campanha conta com o apoio científico da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, da Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, da Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia.
Para mais informações visite a página de Facebook: https://www.facebook.com/paginaolhepelassuascostas

14.8.17

NISA: Poetas populares do concelho

Ronda pelo Concelho *
Não são só as cantarinhas
Que a vila de Nisa tem
Seus bordados feitos com linhas
São um encanto também.

Quem um dia por lá passe
Decerto volta de novo
Suas bilhas com muita classe
São o encanto do povo.

Amieira tem muito azeite
E também muita madeira
Tolosa tem muito leite
Boa gente a Falagueira.

Arez é terra de pão
Que agora está muito caro
P´ra moças é Alpalhão
Prá farra o Monte Claro

Tudo bem em Pé da Serra
Segundo o que por lá vejo
A Velada é boa terra
Muito melhor o seu queijo.

Montalvão tem o salero
Da nossa vizinha Espanha
Vou lá as vezes que quero
E muita gente me acompanha.

Salavessa é um encanto
Terra que eu não conhecia
Tem lá o Ti Zé do Santo
Que é o rei da poesia.

Esquecia -me do Arneiro
Terra que muito precisa
Mas p´ra isso está o dinheiro
Da Câmara de Nisa.
* Jorge Pires (poeta popular amieirense)

Peregrinação a pé a Santiago de Compostela

A Pastoral da Juventude e Vocações está a preparar uma peregrinação a pé Santiago de Compostela que está marcada para entre os dias 28 de Agosto e 2 de Setembro. São recebidas inscrições até ao próximo sábado, dia 19 de Agosto
Com o tema “Nos Trilhos de Santiago” destina-se a um grupo de 12 jovens adultos, rapazes e raparigas a partir dos 20 anos de idade, sendo que o limite de idade são 29/30 anos. Para uma melhor preparação de toda a logística, os organizadores pedem que as inscrições dos interessados sejam feitas até ao dia 19 de Agosto, para o email pastoraljuvenilpcb@gmail.com, com o Nome, Idade, Paróquia, Localidade, com indicação se pertencem ou não a grupos ou movimentos de jovens e se têm “algum problema de saúde que implique uma atenção mais cuidada”. 

NISA: CDU é a primeira força política a divulgar os candidatos às Autárquicas 2017


A CDU - Coligação Democrática Unitária, formada pelo Partido Comunista Português e Partido Ecologista "Os Verdes" é a primeira força política a apresentar todos os candidatos às autarquias do concelho de Nisa nas eleições a realizar no dia 1 de Outubro, conforme dá conta na sua página de internet em https://cdunisa2017.blogspot.pt
Nesta página damos a conhecer as listas de candidatos à Câmara Municipal e Assembleia Municipal, seguindo-se noutro local, as listas de candidatos da CDU às Assembleias de Freguesia.

OPINIÃO: Caderno autárquico

Antes que o ruído nos mergulhe no ritmo diário da polémica, antes que os casos se transformem em "sound bytes", antes que as eleições locais fiquem centradas nos líderes nacionais, antes que as anedotas ultrapassem as políticas, gostava de deixar alguns dos temas cuja discussão tornaria profícuo o caminho até ao sufrágio do primeiro dia de outubro e que julgo marcarão a vida futura de muitas autarquias.
Com isto não quero dizer que não se olhe para trás, para o mandato que termina, para aquilo que foram as promessas e as realizações dos eleitos que se submetem novamente ao juízo dos eleitores. Mas essa discussão está, à partida, garantida pelo trabalho de quem desfia os que estão hoje no poder.
Olhe-se em frente e debata-se a habitação, que as alterações da lei das rendas, a pressão imobiliária e o desinvestimento na habitação social tornarão um dos temas mais fortes nos próximos anos. Especialmente nos grandes centros urbanos, vai ser preciso moderar a força do mercado com políticas de equilíbrio e de proteção dos mais desprotegidos. Tenho a impressão que, a exemplo do que acontece em muitas outras cidades, a expressão "rendas controladas" vai-se vulgarizar.
E se falamos de grandes centros urbanos é necessário discutir o turismo, para que aquela que tem sido uma grande fonte de riqueza e força regeneradora do parque habitacional, não seja sinónimo de descaracterização e de alienação dos locais do miolo das suas cidades.
Um pouco por todo o lado é premente falar de trânsito. O modelo do transporte privado baseado na ideia de que o espaço público para estacionamento é gratuito está exangue. É preciso trabalhar intensamente na melhoria do transporte público e nas formas de locomoção alternativas como as bicicletas, para que possamos viver em cidades mais respiráveis e menos stressantes.
O aumento da esperança de vida faz crescer o contingente da população mais idosa que também deve passar a estar no centro das preocupações das autarquias, cujas necessárias políticas de inclusão social devem estar formatadas para esta faixa populacional.
Muitas destas questões prendem-se prioritariamente com os grandes centros urbanos, mas aos poucos também farão parte da vida dos municípios mais pequenos. Para esses, nomeadamente para os que se localizam em locais de baixa densidade a questão ciclópica continuará a ser a de modelos de desenvolvimento económico competitivos que permitam fixar populações.
Não parece muito, mas é todo um mundo à espera de boas decisões democráticas.
David Pontes in “Jornal de Notícias” – 8/8/2017
Quadro: O almoço do trolha de Júlio Pomar

12.8.17

MONTALVÃO: Concerto de Encerramento de Época do EmCanto

O Grupo Coral EmCanto de Montalvão promove naquela antiga vila raiana do concelho de Nisa, um Concerto de Encerramento de Época, iniciativa a realizar no dia 2 de Setembro na Casa do Povo de Montalvão e que integra uma homenagem ao ex-atleta montalvanense Morujo Júlio, evento que trataremos em separado, noutro local.
O Concerto de Encerramento do EmCanto tem a participação, além do grupo organizador, do Grupo de Danças e Cantares " Os Encantos do Alentejo" (Santa Eulália) e do Grupo Coral de Mafra.
A organização é da Junta de Freguesia de Montalvão, Fábrica da Igreja Paroquial e Grupo Coral EmCanto e a iniciativa insere-se na campanha de angariação de fundos para o restauro da Igreja Matriz.

IN MEMORIAN: Dr. Francisco Macedo Toco

Faleceu esta manhã, na sua residência em Algés e após prolongada doença, o Dr. Francisco Macedo Toco, distinto advogado, natural de Nisa, vila onde nasceu em 1944.
Francisco Macedo Toco, trabalhou, enquanto jovem, como aprendiz de tipógrafo na Tipografia Nisense, tendo depois ingressado no Serviço de Finanças. Cumpriu o serviço militar com a especialidade de enfermeiro, tendo sido destacado para Moçambique, após o qual regressou às suas funções nas Finanças, tornando-se um perito na área tributária.
Como trabalhador-estudante frequentou e concluiu com distinção o curso de Direito, especializando-se em Direito Tributário.
Integrou a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, sob a presidência de Carlos Pinto de Abreu, tendo a seu cargo a secção de Administração Pública. Fez parte, igualmente, da direcção do Cofre de Previdência dos Funcionários do Ministério das Finanças.
Em Nisa, foi cabeça de lista e eleito pelo PSD como independente na Assembleia Municipal nas eleições autárquicas de 2009, tendo desempenhado de forma activa e proficiente o seu cargo de eleito municipal, no mandato 2009-2013, com algumas intervenções de grande fôlego, sobre o papel do órgão Assembleia Municipal e dos seus eleitos, intervenções que, pela sua importância, a seu tempo e neste espaço, publicaremos.
Em 2013 voltou a integrar, como independente, uma lista à Assembleia Municipal, a MIMCONISA (Movimento Independente Mexer com Nisa) em lugar não elegível.
Era sócio de algumas associações nisenses, entre elas a Sociedade Artística e a Santa Casa da Misericórdia, instituição de que era Irmão há mais de 30 anos.
Colaborou no “Jornal de Nisa” com artigos nas áreas do Direito Tributário, Política Local e Administração Pública.
Morreu o Dr. Francisco Toco. Acabou o seu sofrimento de tantos meses. Perdi um grande amigo, um nisense de nobres sentimentos, de humanidade e humanismo.
Repousa em paz, Francisco!
Mário Mendes

Calor não afastou dadores de sangue de Fronteira






A Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – não mete férias  – ainda para mais numa altura em que as reservas têm de ser reforçadas. A prová-lo estão as colheitas que ultimamente tem levado a efeito um pouco por todo o Alto Alentejo.
Em Fronteira realizou-se uma brigada no Centro de Saúde. Compareceram 38 pessoas, 13 das quais mulheres. Uma vez avaliados os potenciais dadores, sete não puderam estender o braço, mas sempre foram 31 as unidades de sangue efetivadas.
Três dos presentes (entre eles dois do sexo feminino) doaram sangue pela primeira vez. O Registo Nacional de Dadores Voluntários de Células de Medula Óssea, por seu turno, foi reforçado com três inscrições.
A Câmara Municipal de Fronteira apoiou a realização do almoço convívio, servido num restaurante local.
19 de agosto em Alpalhão
Ainda no mês de agosto, mais propriamente no dia 19, a ADBSP vai estar em Alpalhão (Nisa), na sede do Grupo Ciclo Alpalhoense.
As nossas brigadas decorrem na parte da manhã de sábados.
A nove de setembro tem lugar a celebração do aniversário da nossa Associação, este ano no recinto da Igreja do Senhor Jesus dos Aflitos. Venha daí!
Visite-nos em: www.facebook.com/groups/AdbsPortalegre .
JR

11.8.17

NISA: Tempo de festa, arte e tradições

OPINIÃO: SIRESP - Porquê insistir no erro?

 O SIRESP existe porque, em caso de emergência, a comunicação entre os serviços de socorro, de segurança e proteção civil não pode falhar. A ideia vem do Governo de Guterres, mas só foi posta em prática em 2005, nos últimos dias de mandato do Governo de gestão de PSD/CDS. O ministro Daniel Sanches, que tinha sido administrador na Sociedade Lusa de Negócios (SLN), constituiu então uma parceria público-privada, entregue a um consórcio de empresas por 540 milhões de euros: Portugal Telecom, Motorola, Esegur, Grupo Espírito Santo e a SLN.
Com a mudança de Governo, e depois de uma decisão da Procuradoria-Geral da República, que afirmava que um Governo de gestão não poderia ter tomado tal decisão, o negócio foi anulado. Meses depois, por decisão de António Costa, o SIRESP era entregue ao mesmo consórcio, por menos 52 milhões de euros. Em dezembro de 2006 era o Tribunal de Contas que alertava para a violação de normas da contratação pública na adjudicação do contrato.
Não bastasse a falta de transparência, o SIRESP saiu caro ao país. Muito mais caro que os 150 milhões inicialmente previstos pelo grupo de trabalho criado no Governo de Guterres e muitíssimo mais que os 80 milhões investidos pelo consórcio privado, números de Oliveira e Costa na Comissão de Inquérito ao BPN.
Mas o mais grave é que o caro e pouco claro SIRESP não cumpre com as funções para que foi criado. Não é nada que não soubéssemos já, através de relatos das próprias forças de segurança, mas, segundo o "Jornal de Notícias", o SIRESP falhou quase todos os anos entre 2010 e 2017.
Durante os últimos 7 anos e apesar do conhecimento das deficiências do SIRESP, nunca o Estado impôs penalidades à empresa operadora ou tomou qualquer iniciativa para denunciar o contrato. Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna de PSD/CDS, diz que optou pela renegociação, com poupanças para o Estado. Acontece que, com essa renegociação, não só o Estado não eliminou o custo excessivo do SIRESP, como não pediu responsabilidades ao consórcio privado pelas falhas e ainda menos garantiu o futuro deste sistema de comunicações.
Em julho, o Bloco de Esquerda propôs na Assembleia da República a denúncia do contrato do SIRESP e o seu resgate para a esfera pública. O projeto foi rejeitado com os votos contra de PS e PSD. Aquilo que o PSD considerou uma "obsessão ideológica" do Bloco era, na verdade, uma proposta de bom senso. Se um privado a quem é entregue um serviço não cumpre os termos do seu contrato, então o mesmo deve ser denunciado. Se o serviço em causa é crucial para garantir a segurança e proteção das populações, então o Estado deve resgatá-lo em nome do interesse público.
Depois de tudo o que conhecemos, permitir que o mesmo consórcio privado continue a gerir o SIRESP é uma prova de fraqueza do Estado que mostra, mais uma vez, não ser intransigente no momento pôr em causa os intocáveis interesses dos grupos privados. O preço é sempre caro demais.
Mariana Mortágua in “Jornal de Notícias” – 8/8/2017

NISA: 6º Concurso do Rafeiro Alentejano


10.8.17

POSTAIS DO CONCELHO: Futebol em Pé da Serra

A foto é do ano de 1958 e em aldeias hoje quase desertas como o Pé da Serra, o futebol era desporto bem popular como a foto comprova. A equipa tem "apenas" dez elementos devidamente equipados ou por ausência momentânea de um dos atletas ou se o massagista (com malinha e tudo) tinha uma dupla de função: a de atender aos lesionados e integrar como jogador, o time do Pé da Serra. Belos tempos, esses...

Nisa em Festa de 11 a 14 de Agosto na Praça da República


NISA: Misericórdia promove Garraiada


9.8.17

Treinos de captação no Nisa e Benfica

Meninos e meninas do nosso concelho
Treinos de captação Sport Nisa e Benfica
O clube da tua terra precisa de ti, se gostas de jogar futebol e tens até 16 anos vem treinar connosco!!
Dia 20 às 10:00h
Dia 26 às 10:00h
Local D. Maria Gabriela Vieira em Nisa

OPINIÃO: Do altruísmo

Só meia dúzia de palavras sobre as mortes provocadas pela aeronave na Praia de São João na Caparica.
Tratou-se da execução de um procedimento de emergência de falha de motor e não de um despenhamento de aeronave.
Todos os pilotos que eu conheço (e são muitos) teriam, mesmo em caso de despenhamento, tentado evitar que a aeronave atingisse terceiros. Neste caso, tratando-se de uma aterragem de emergência (e não de um despenhamento) perante uma praia com pessoas, teriam decidido a amaragem mesmo correndo maior risco de insucesso, salvaguardando a vida dos banhistas. Para mais, a aeronave não transportava passageiros e o mar estava tranquilo.
Estranho que a justiça tenha aplicado as mesmas medidas de coacção aos dois tripulantes uma vez que a responsabilidade é unicamente do instrutor da aeronave que, perante a emergência, teve de assumir o comando da aeronave e tomar a decisão final.
O egoísmo e a falta de altruísmo não eram, no meu tempo e na minha escola, factores psicológicos aceitáveis para formar pilotos.
Espero que a justiça não tenha mão leve neste caso.

LNT in http://barbearialnt.blogspot.pt

NISA: Postais do Concelho - Descanso

Estou a descansar? Pois é, mas já trabalhei muito!

Saiu a edição de Agosto de Le Monde Diplomatique

Na edição de Agosto continuamos a reflectir sobre a realidade e o futuro do mundo rural em Portugal, das tendências demográficas, com a litoralização e a concentração nas áreas metropolitanas, até à gestão dos baldios (Daniela Craveiro, Eduardo Costa, Jorge Malheiros, João Peixoto, Diogo Abreu e Rita Serra). Analisamos também as evoluções no país do emprego público (César Madureira) e das experiências dos Orçamentos Participativos (Nelson Dias).
No internacional, destaque para uma reflexão de Régis Debray sobre a União Europeia e para uma investigação de Augusta Conchiglia: «Quem matou Samora Machel?». A globalização da climatização, com «o ar condicionado ao assalto do planeta», e a especificidade do modelo de Internet desenvolvido na Rússia, «uma excepção que vem de longe», dão-nos instrumentos para compreender importantes questões mundiais. Um poster infográfico nas páginas centrais leva-nos a conhecer a diversidade de sistemas de escrita no mundo e a geopolítica das batalhas a eles associados.
Boas leituras!

8.8.17

ENTREVISTA - Ricardo Mateus: homem simples, desportista de eleição, nisense com N grande

“As autarquias devem dar mais atenção ao atletismo e organizar mais provas, para que apareçam novos valores.”
- Ricardo Mateus
 Ricardo Mateus cumpriu o sonho de representar o seu clube de eleição, o Sporting. Na entrevista ao Jornal de Nisa, o atleta nisense diz sentir-se muito feliz por ir representar o clube do seu coração e recorda as primeiras passadas no atletismo. Com a simplicidade que o caracteriza, fala do ainda curto, mas não menos fulgurante percurso, que o levou ao título de campeão nacional de Corta-Mato (juniores) e a vestir a "camisola das quinas", representando Portugal nos Mundiais de Corta-Mato, no Quénia.
Começamos por uma “viagem” até à infância. Como foram os teus tempos de criança, em Nisa?
“Lembro-me de alguns locais de brincadeira até aos 5 anos. Morámos dois ou três anos no Canto Pinheiro, era muito pequeno e não recordo nada de especial. Na Fonte da Cruz é que estão as minhas referências, mas foi no jardim-escola, com 5 anos, que comecei a ter amigos para brincar.
A vontade de correr e de ganhar quando é que “despertou”?
Aparece na escola primária. Havia algumas provas a nível do desporto escolar, tínhamos educação física com o senhor João Vitorino e o Álvaro e sempre que havia uma prova eu também corria, mas até ao 3º ano tinha más classificações, julgo que devido às distâncias serem curtas, 500 metros. No 4º ano comecei a destacar-me porque os percursos eram maiores. Num ano que se disputou o Corta-Mato escolar em Alpalhão, arrependi-me de não ter ido para a frente, classifiquei-me mal e disse aos da organização, na brincadeira, que tinha sido o 3º e eles quase que acreditavam.
No 1º ano do Ciclo, fiquei em 2º lugar na prova de corta-mato, o 1º foi o João Paralta. Não quis ir ao distrital e depois arrependi-me, mais uma vez.
No 6º ano vi que era o melhor a correr, das três turmas. Venci a prova em Nisa, 2/3 Kms e fui ao Distrital, tendo ficado nos 15 primeiros classificados. No 7º ano meteram-nos a competir com os do oitavo, fiquei em 3º e quem ganhou foi o Cabim. A partir do 8º ano e até ao 12º ganhei sempre a nível da escola e nos 11º e 12 anos venci a nível distrital.
Havia alguma preparação especial para competir?
A preparação era a do futebol, pois joguei desde pequeno no Nisa e Benfica, em todas as categorias até júnior, no primeiro ano, e só não alinhei no segundo, por terem acabado com este escalão. A preparação era correr, sozinho ou com o meu pai, e um dia, há 3 anos, fui correr em corrida lenta/média e quando dei por mim já tinha percorrido trinta quilómetros.
A corrida dava-te algum prazer ou sensação diferente?
Gosto de correr e testar as minhas capacidades. Uma das coisas positivas que a corrida me trouxe foi a de ter posto o tabaco de lado. Eu fumava, não muito, mas o meu organismo nunca aceitou o tabaco e penso que a corrida fez o resto: tornou o “vício” incompatível com o meu bem-estar.
A nível desportivo tinhas dois “amores”, o futebol e o atletismo. Como é que decidistes?
Eu comecei a jogar nas “escolinhas” e nunca me destaquei muito nos primeiros anos e entretanto ia correndo também.
Posso dizer que até à idade de júnior gostava mais de futebol. O atletismo só aparecia de tempos a tempos, até por que não tinha mais ninguém com quem correr.
Em júnior, no 2º ano (acabou por não haver) já tinha decidido que me dedicaria ao atletismo.
Qual foi a tua primeira prova “a sério” e como é que decorreu?
Foi o ano passado. Aproveitei as férias para treinar na praia. Comecei a treinar no princípio de Julho e metade dos dias de treino na praia já foram um pouco condicionados, devido ao desnível do terreno. Preparei-me bem para esta prova, o 1º Grande Prémio da Feira de Artesanato de Nisa.
Ainda na primeira volta, já ia destacado, começou a doer-me o pé direito. Os outros atletas que vinham atrás foram-me ultrapassando e um pouco mais à frente acabei por desistir.
A minha presença foi notada pelo Director Técnico Regional, João Correia, que já devia ter alguma referência minha.
Depois, parei durante mais de um mês, e em conversa com o Gonçalo Louro ele aconselhou-me a prosseguir os treinos e a apostar no atletismo. Comecei a treinar com mais determinação, cerca de 10 quilómetros /dia, durante três semanas, à tarde, por vezes até de noite, isto antes de ir a Portalegre fazer testes. Nestas 3 semanas deixei de fumar, hoje não toco no tabaco e não me faz falta, apesar de nunca ter notado o malefício do tabaco na corrida.
Em Portalegre fiz o teste de Cooper que consiste em dar 8 voltas à pista num determinado tempo, foi muito puxado e dei o que tinha porque eu queria mostrar todo o meu valor.
Começou aqui, verdadeiramente, a tua “aventura” no mundo do atletismo?
Comecei a competir, regularmente, em representação do Nisa e Benfica, com os resultados que conhece e foi dando conta no jornal. Nunca pensei, logo no início de competição, entrar no grupo dos primeiros num campeonato nacional. Outros atletas da região, com muita experiência, casos do Vítor Cordeiro, Licínio Canhoto e Luís Costa, diziam-me que eu tinha condições para chegar aos três primeiros lugares. O professor João Correia incentivou-me a “correr com cabecinha”. No dia da prova tive muitos apoios, muitas palavras e gritos de estímulo das minhas amigas do atletismo.

Como é que te sentiste entre os “craques” do atletismo nacional?
Eu senti-me muito bem tanto no campeonato do Alentejo de Corta-Mato em que venci a prova de juniores, como no campeonato distrital absoluto, que ganhei, batendo os atletas seniores. Estava em grande forma e a expectativa, a partir daqui era a de conseguir ficar nos três primeiros lugares.
Corri sempre “colado” aos atletas que eram favoritos, eles tentaram, por diversas vezes, fazer-me descolar, mas mantive-me sempre no grupo da frente e na última volta (2 Km) vi que estava em condições de ficar nos primeiros lugares e que os meus adversários não podiam estar melhor do que eu, senão tinham “apertado” mais.
Quando tocou o sino a anunciar a última volta, “ataquei” e distanciei-me, apenas o Pedro Cyrne, um dos favoritos, me conseguiu acompanhar. Mantive-me lado a lado, sem forçar demasiado e quando faltava um quilómetro, num troço cheio de lama, dei um safanão, destaquei-me e vi que ele não conseguia acompanhar-me. Fiz um esforço final até à meta, mantive o ritmo forte e acabei por ganhar.
Ricardo, nesta conversa, já me falastes, diversas vezes em sofrimento. O que é isso do sofrimento, numa modalidade de que se gosta?
No atletismo, mais do que noutra modalidade desportiva, para além da capacidade ou da técnica que um atleta tenha, é preciso também uma grande capacidade de sofrimento.
O sofrimento, a nível muscular, não representa quase nada. É mais a nível físico e psíquico.
Numa prova cada atleta dá o máximo e quando chega à meta, os pulmões estão a “rebentar”. O sofrimento, para explicar melhor, é como se uma pessoa estivesse a morrer com falta de ar e acaba por morrer, enquanto o atleta pelo esforço feito, tem falta de ar, mas recupera. O sofrimento, está na capacidade para aguentar, de suportar ou adequar a ânsia de vencer ao desgaste da corrida. Quando a corrida termina são precisos alguns minutos, para que a respiração volte ao normal. O atleta tem que ter esse espírito de sacrifício.
Foi sofrida esta vitória. O que representou para ti seres campeão nacional de corta-mato?
No primeiro dia parece que não acreditava e só quando o prof. João Carlos me telefonou, à noite, a dizer que tinha sido seleccionado para representar Portugal, aí fiquei muito contente e pensei para mim: “agora já podes dizer que és campeão nacional!”. Fiquei muito emocionado, houve muita alegria e foram dias especiais. Sentia que tinha subido vários patamares no atletismo e no entanto continuava surpreso comigo mesmo.
A nível das pessoas, não houve assim grandes diferenças, o que até se compreende, uma vez que o atletismo não tem a projecção dada ao futebol.
Os campeonatos mundiais no Quénia
Como é que decorreram os dias que antecederam a partida para o Quénia?
Foram duas semanas em que não houve grande ansiedade, porque sabia que as condições que iria encontrar no Quénia seriam muito diferentes, de tal modo que não permitia ter expectativas muito elevadas, apenas dar o nosso melhor. Pelos tempos e as classificações dos anos anteriores tencionava ficar nos 60 primeiros, mais ou menos por aí e sem um objectivo primordial.
A preparação manteve-se com o alto treino competitivo que tinha feito antes, com excepção de algumas séries que não tinha experimentado.
E a viagem, que sensações experimentaste dentro de um avião?
Foi a primeira vez que andei de avião e fiz a viagem o mais descontraído possível. Nas descolagens e aterragens é que sentia alguns arrepios e uma dor no ouvido. Mas foi muito interessante e o trajecto deu para conhecer um pouco de Amesterdão, ver o Kilimandjaro, a montanha mais alta de África e Nairobi. Pouco depois de termos aterrado em Nairobi, senti logo que a corrida ia ser muito dura, pois tinha dificuldades em respirar, era um sufoco.
De Nairobi seguimos num voo doméstico para Mombaça e fomos para o hotel.
Senti, aqui, pela primeira vez que “isto é mesmo África”, um mundo completamente diferente.
A prova como é que decorreu?
A prova tinha 120 atletas e eu geralmente fico bastante nervoso no início, mas nesta não.
Foi, como pensava, uma corrida a sofrer do princípio ao fim, de tal modo que cheguei a pensar em desistir. A parir da primeira volta foi um grande sofrimento e o treinador prof. Pedro Rocha dizia-nos “ajudem-se um ao outro”.
O problema não estava na entreajuda, mas sim no grande calor e humidade que se fazia sentir. Por causa disso, desgastei-me muito cedo e houve atletas africanos que desistiram. Era muito difícil continuar, mas na última volta senti-me melhor, talvez por ver a meta ao longe. Comecei a acelerar, passei 23 atletas e ganhei 49 segundos ao 2º português.
Fiquei contente com a classificação, não ficou longe daquilo que esperava, atendendo às condições. Fui o 11º europeu e à frente de alguns atletas africanos.
Representei o meu país, ganhei alguma experiência, participei numa competição a nível mundial, foi bom para ver o nível competitivo que estas competições apresentam, mas a minha maior surpresa foi ter sido campeão nacional, um título que não estava nas previsões, em tão pouco tempo.
Estiveste no Quénia, viste os atletas africanos “cilindrarem” os europeus. A que se deve essa supremacia dos atletas de África no atletismo, principalmente, a nível da corrida?
Falei das condições que encontrei no Quénia e das dificuldades de adaptação dos atletas europeus. Na Zâmbia, no Uganda e na Etiópia, provavelmente, as condições climatéricas são semelhantes. Eu acho que a supremacia dos africanos tem a ver com o passado genético, as condições em que treinam com muita humidade em altas temperaturas, o que faz com que treinem com pouco oxigénio. Como estão preparados dessa forma, precisam de se esforçar muito menos para obterem tão bons ou melhores resultados que nós só conseguimos com um esforço muito maior.
Vamos deixar o continente africano e centrar-nos no nosso distrito. Houve, como sabes, mudança na direcção técnica da AADP e Gonçalo Louro é o novo director técnico regional. O que esperas da sua acção?
Acredito que possa fazer um bom trabalho, como aquele que vinha a ser feito. A nível do concelho de Nisa, espero que ele possa aproveitar o meu “exemplo” para dinamizar mais o atletismo. Se houver mais gente a praticar, o gosto é maior e uns podem despertar os outros.
As câmaras e juntas de freguesia deviam dar mais atenção ao atletismo, organizar mais provas, de preferência nos centros das localidades para atrair mais pessoas. A partir dessas provas podem aparecer novos valores. É preciso que o atletismo seja mais divulgado, que haja mais e melhores condições de apoio aos jovens atletas. Uns trabalham, outros estudam e ainda treinam, sem acompanhamento médico.
Deixámos para o fim, o motivo que levou a esta entrevista. Vais representar o Sporting e pergunto-te, como encaras a mudança para tão grande clube?
O meu nome foi sugerido ao técnico do Sporting, Bernardo Manuel, pelo Luís Costa, um atleta veterano e amigo que também já representou os “leões”.
A ida para o Sporting, julgo que é um prémio às minhas qualidades, ao trabalho e à dedicação ao atletismo.
Estou muito feliz e se há uma equipa que me desse muito gosto representar em Portugal, esta é, sem dúvida o Sporting, não apenas por eu ser sportinguista, mas pelo passado histórico deste clube no atletismo nacional.
Por enquanto, vou continuar em Nisa, em qualquer altura poderei ser chamado para Lisboa e a haver uma mudança a nível de ambiente, penso que serei capaz de a suportar e de me adaptar.
Num futuro próximo e a nível dos sub-23 vou continuar a trabalhar para ser aquilo que fui em júnior e representar o clube o melhor possível, mostrando o meu valor.
Após a ida ao Quénia estava a preparar-me para os campeonatos nacionais de pista (juniores) e sub-23, lesionei-me e tenho estado um pouco limitado, motivo por que não pude participar nestas provas. Tive pena porque podia fazer um excelente resultado nos 5.000 metros e nos sub-23 iria tentar obter os mínimos para poder participar nos campeonatos europeus de juniores (5.000m). Sou jovem e há-de haver outras oportunidades...
Quero agradecer a tua disponibilidade para esta conversa e para a “sessão” fotográfica, com a camisola do Sporting. As linhas que seguem ficam à tua disposição.
"Aproveito para agradecer a todas as pessoas que me têm apoiado. À minha família, em primeiro lugar, ao meu pai, pelo apoio, conselhos e ajuda nas lesões, tem sido um grande companheiro. Agradeço ao prof. João Carlos Correia, com um papel fundamental na minha evolução e adaptação. Aos massagistas João Rosa, Pedro Silva e João Silva, que por serem dos Belenenses não olham a “camisolas” quando se trata de ajudar. Foram todos impecáveis comigo. Peço desculpa se me esquecer de alguém e por isso a todos aqueles que me têm ajudado, o meu Muito Obrigado!
Mário Mendes in "Jornal de Nisa" nº 241 - 17/10/2007
NOTA: A reposição desta entrevista é uma homenagem ao Ricardo Mateus, ao homem humilde, ao desportista de eleição e ao cidadão nisense que, pesem embora as circunstâncias, merece toda a nossa gratidão, respeito e orgulho de com ele termos convivido.
Até sempre, CAMPEÃO!