31.12.16

Poetas da Nossa Terra (I): José António Faustino (1)

Pensamentos
Quando eu a pensar me ponho
No passado e no que vem
Depois dum sonho outro sonho
De tantos que a vida tem

Aonde é que está sorte
A sorte onde está ela
Andamos à procura dela
Para encontrar a morte
E não há nada que corte
Este mal tão medonho
Que nos não faz ser risonho
Com as pessoas avança
Meu sentido não descansa
Quando eu a pensar me ponho

Deus que a todos nos criou
Ele é o nosso amiguinho
Mas ali num instantinho
A nossa vida acabou
Ali tudo terminou
No cemitério, além...
Outro destino não tem
Ali tudo vai findar             
Eu ando sempre a pensar
No passado e no que vem

Quando a gente está contente
Com saúde e compreensão
De repente vem a aflição
A vida é um momento
É isto que a gente sente
Eu digo e não me envergonho           
E tudo o que eu suponho
Na vida sempre a cismar
Tantas vezes a sonhar
Depois dum sonho, outro sonho.

A vida amargurada
Sempre à procura da sorte
Onde quer se encontra a morte
Aí fica a vida acabada
O correr não vale de nada
Não dá prazer a ninguém
Amigos reparem bem
Eu vou explicar bem a fundo
Há tantos sonhos no mundo
De tantos que a vida tem.

José António Faustino

OPINIÃO: O céu e o inferno


Despedimo-nos de 2016 varrendo para debaixo do tapete o que correu mal, preservando o que correu bem e esperando que 2017 seja um bocadinho melhor. O problema é que o lixo de más memórias coletivas, no sentido lato da Humanidade, do ano que agora finda é muito e a céu aberto. E o céu está carregado de inferno.
Vamos aos factos do que por aí se arrasta. Sem previsões. Porque nada é o que parece. E, quando damos conta, o que parecia é que era. Dentro de portas, vamos esperar que o que se passa fora de portas nos ajude.
O crescimento da economia. A redução do desemprego. O investimento público. A venda do Novo Banco. A recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. Os lesados do BES. A austeridade, com ou sem página virada. O controlo do défice (o orçamental e não o do conhecimento da mensagem de Natal do primeiro-ministro). Não são precisos grandes dotes de adivinhação para perceber que não nos livraremos tão cedo das marcas dos últimos anos.
Não basta contar com as previsões otimistas do Governo, ou com o otimismo político do primeiro-ministro, para que os números e as intenções, em tudo mais favoráveis do que as previsões internas e externas, corram de feição. Nem com a manutenção das cativações orçamentais nos serviços públicos, cujas consequências do desinvestimento dos últimos anos de aperto estão à vista de todos, sobretudo na Educação e na Saúde.
A dúvida é, portanto, económica e não política. E passa por perceber as artes que farão do controlo do défice uma bandeira e do investimento público uma alavanca para o crescimento. Porque politicamente António Costa parece seguro da vontade dos parceiros da Esquerda de confiarem na tese do mal o menos. E o mal vem da Direita. Como está na Direita, sobretudo em Pedro Passos Coelho, o ónus de sobreviver às eleições autárquicas, a um partido que conspira pelo poder e a previsões catastrofistas que levam o país para o abismo.
Somos pouco dados a isso. E tendemos a olhar mais para o umbigo. A achar que o que se passa no vizinho não é mal que venha a caminho. Mas vem. O pior vem de fora. E de fora só vêm interrogações. A imprevisibilidade das políticas do próximo presidente dos Estados Unidos. A imprevisibilidade do presidente russo e da sua tentação sobre os outrora territórios da União Soviética (cujo fim faz agora 25 anos), mas também na influência que exerce em Itália através do Movimento 5 Estrelas, na Holanda ou em França, onde a Televisão Russa abriu um canal e a líder da extrema-direita Marine Le Pen confessa grande proximidade com Putin. Ou ainda nas eleições alemãs.
A imprevisibilidade soa em todos os alarmes da construção europeia. O ano que chega pode deixar saudades de 2016. Vamos esperar que não.
Domingos de Andrade in “Jornal de Notícias” – 31/12/2016
** Cartoon de Henrique Monteiro in http://hewnricartoon.blogs.sapo.pt

Sociedade Recreativa Alpalhoense elegeu Corpos Sociais

Apesar da elevada escassez de sócios presentes, a Sociedade Recreativa Alpalhoense reuniu ontem, dia 30, em Assembleia Geral a fim de eleger os seus novos órgãos sociais.
A única lista apresentada foi a da anterior Direção que saiu vencedora e tomou posse de imediato mantendo-se portanto em funções durante mais um ano.
Bem hajam a todos por mais um voto de confiança!
Corpos Sociais da Sociedade Recreativa Alpalhoense
Assembleia Geral
Pedro Miguel Martins Mourato - Presidente
Luís Manuel Rosa da Costa - Vice-presidente
Direcção
João Manuel Bugalho da Costa - Presidente
Rui Miguel Mourato Canatário - Secretário
António João Rosa da Costa - Tesoureiro
José João Lopes Cotrim - Vogal
Nuno Rafael Garcia Mercês - Vogal
José Eduardo Figueiredo Nabo - Vogal

30.12.16

Armazém de resíduos nucleares em Almaraz. Surpreendido, sr ministro?

Os Verdes querem marcação de audição com o ministro do ambiente com a máxima urgência
Os Verdes alertaram, por diversas vezes, o Ministro do Ambiente para o facto de o Governo espanhol se preparar para aprovar a instalação de um armazém temporário de resíduos da central nuclear de Almaraz. Pedimos ao Governo português para que fosse proactivo e empenhado em fazer-se ouvir perante o Governo espanhol, porque o que estava em causa era um projeto com impacto transfronteiriço, de risco evidente para o território nacional, e em particular para o rio Tejo, tendo em conta não apenas a perigosidade que representa o nuclear, mas também a proximidade da central nuclear a Portugal. Mais, chamámos a atenção para o facto de o Governo de Espanha estar a avançar, ignorando o Governo português e os seus direitos de pronunciamento e participação, que o nosso país tem por direito próprio, num projeto com impacto transfronteiriço.
Por tudo o que ficou referido, estranhamos que o senhor Ministro do Ambiente ainda fique surpreendido com a decisão do Governo espanhol, de aprovação, sem mais, do projeto para um armazém de resíduos nucleares, que, para além de tudo o mais, visa o prolongamento do funcionamento de uma central nuclear que ultrapassou há muito o seu período útil de vida, representando, por isso, um risco acrescido. Espanha não teve uma atitude decente e o Governo português foi demasiado passivo em todo este processo.
O PEV apresentou no dia 6 de dezembro um requerimento na Comissão de Ambiente da Assembleia da República, a pedir uma audição com o Ministro do Ambiente para que sejam prestados esclarecimentos ao Parlamento sobre este processo de decisão de instalação de um armazém de resíduos nucleares para servir a central nuclear de Almaraz. O requerimento dos Verdes foi aprovado por unanimidade, nesse mesmo dia, aguardando-se agora a marcação de data para a realização dessa audição. Devido ao desenrolar da situação, o PEV solicitará, na primeira reunião do ano de 2017, da Comissão de Ambiente (dia 3 de janeiro) a urgência na marcação de data para a referida audição.
O Grupo Parlamentar “Os Verdes”

Portugal vai apresentar queixa contra Espanha por causa da central de Almaraz

O Estado português vai apresentar uma queixa formal contra Espanha à Comissão Europeia, depois de o vizinho ibérico ter dado luz verde à construção de armazéns de resíduos nucleares na central de Almaraz, localizada a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa.
“Reajo com uma enorme surpresa a esta decisão por parte do Governo espanhol”, transmitiu ontem o ministro do Ambiente João Matos Fernandes à agência Lusa, considerando haver incumprimento de legalidade e lealdade entre os dois países.
Segundo o jornal Público, a notificação a Bruxelas será entregue nos próximos dias e centra-se no facto de Espanha avançar com o projeto sem ter feito antes uma avaliação do impacto ambiental transfronteiriço. “Isto é uma questão de legalidade”, afirmou o ministro.
Além disso, o Governo português considera que “a questão da confiança” entre os dois países foi manchada.
“Ao longo dos últimos meses, de todos os contactos que tivemos com Espanha sobre Almaraz, resultou um compromisso: Madrid não tomaria nenhuma decisão sem antes falar com Lisboa. Está marcada uma reunião entre os dois ministros para 12 de Janeiro. Decidirem sozinhos não é concebível nem é aceitável“, explicou, por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.
Nos últimos meses, a central nuclear registou sete incidentes, tendo voltado à agenda dos dois países.
A funcionar desde o início da década de 80, a central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.
ZAP // Lusa 30/12/2016

GNR: 20 pessoas detidas por furto de azeitona em Monforte e Elvas

Monforte – 8 detidos e 125 quilos de azeitona furtada apreendidos
Militares do Posto Territorial de Monforte detiveram ontem, dia 29 de dezembro, quatro homens e quatro mulheres com idades compreendidas entre os 22 e os 61 anos, por furto de azeitona, em Santo Aleixo – Monforte.
Os militares surpreenderam os suspeitos a furtarem azeitona em propriedade privada tendo sido apreendidos três veículos, bem como vários utensílios próprios para a colheita e recuperados 125 quilos de azeitona, entretanto entregues ao proprietário.
Os suspeitos foram constituídos arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência.
Esta ação contou com o apoio de militares do Destacamento de Intervenção de Portalegre.
Elvas – 12 detidos e 140 quilos de azeitona furtada apreendida
Militares do Posto Territorial de Elvas detiveram ontem, dia 29 de dezembro, sete homens e cinco mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 60 anos, por furto de azeitona, em Caia e São Pedro – Elvas.
Os militares surpreenderam os suspeitos a furtar azeitona em propriedade privada tendo sido apreendidos quatro veículos, bem como vários utensílios próprios para a colheita, e recuperados 140 quilos de azeitona.
Os suspeitos foram constituídos arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência.

PÓVOA E MEADAS: Concerto de Ano Novo


MARVÃO: 2º Corta Mato de Marvão




28.12.16

Em poucas horas, 5 jovens alentejanos perderam a vida em acidentes de automóvel

 É um fim de ano triste, dramático e profundamente doloroso para as famílias e amigos dos cinco jovens alentejanos que num curto espaço de tempo, em Grândola e em Nisa, perderam a vida em acidentes de viação. Numa região já de si deprimida e vazia de oportunidades para a juventude que procura criar aqui alicerces de futuro, ver desaparecer, assim, do pé para a mão, pessoas ainda novas e com o sorriso da esperança a inundar-lhes o rosto, dói. Dilacera. Fere, magoa-nos a alma e lança-nos o desafio de nos interrogarmos. Como é possível? O que oferecemos aos nossos jovens? Com que esperanças os alimentamos? O que fazer? Desistimos?
Não encontrei melhor resposta do que aquela publicada, há uns bons anos, no "Jornal de Nisa" em "Coisas da Vida", um acervo de crónicas que mantém uma actualidade gritante e escritas com o saber de experiência feito pela Drª Sofia Tello Gonçalves e que aqui vos deixo, como mote para reflexão e de homenagem ao Marco e ao Nuno, e aos jovens de Grândola, cujas vidas foram, tragicamente, ceifadas.
Que Deus?
Posso dizer que sou uma apreciadora de música, sem um tipo de música específico, adepta de vários estilos, desde que com qualidade. Boss Ac é um dos fenómenos do Hip-Hop português, tendo inclusivamente sido já nomeado para a categoria de Best Portuguese Act nos MTV Europe Music Awards. Boss Ac transmite mensagens em algumas das suas canções, que, devido ao ritmo da batida, passam por vezes despercebidas. Apercebi-me disso, há pouco tempo, ao ouvir o álbum “Ritmo, Amor e Palavras” (RAP), que me foi apresentado por uma amiga que eu desconhecia apreciadora de Hip-Hop. Fiquei surpresa ao constatar que determinados conteúdos das suas músicas difundem algo mais do que meras palavras sem sentido, envoltas na cadência de um qualquer compasso improvisado numa mesa de mistura. Convenhamos, muitos estilos musicais, são por vezes alvo de comentários depreciativos por parte de pessoas que, se calhar, nunca ouviram nem uma música, mas são logo rotulados, apenas por serem associados a um determinado estilo. Encontrei neste álbum (RAP) uma conversa com Deus, onde são colocadas diversas questões que nos assolam ao espírito e que dificilmente conseguimos formular. É essa conversa, a letra da música intitulada Que Deus?, que pretendo agora partilhar convosco e, eventualmente, surpreender alguém, como me surpreendeu a mim.
Quem quer que sejas, onde quer que estejas/. Diz-me se é este o mundo que desejas/. Homens rezam, acreditam, morrem por ti/. Dizem que estás em todo o lado mas não sei se já te vi/. Vejo tanta dor no mundo pergunto-me se existes/. Onde está a tua alegria neste mundo de homens tristes/.Se ensinas o bem porque é que somos maus por natureza?/ Se tudo podes porque é que não vejo comida à minha mesa?/ Perdoa-me as dúvidas, tenho que perguntar/. Se sou teu filho e tu amas-me, porque é que me fazes chorar?/ Ninguém tem a verdade o que sabemos são palpites/. Se sangue é derramado em teu nome é porque o permites?/ Se me destes olhos porque é que não vejo nada?/ Se sou feito à tua imagem porque é que durmo na calçada?/ Será que pedir a paz entre os homens é pedir demais?/ Porque é que sou discriminado se somos todos iguais?/ Porquê que os Homens se comportam como irracionais?/ Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais?/ Porquê que a Paz não passa de ilusão?/ Como pode o Homem amar com armas na mão?/ Porquê?/ Peço perdão pelas perguntas que tem que ser feitas/. E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?/ Quem és tu?/ Onde estás?/ O que fazes?/ Não sei/. Eu acredito é na Paz e no Amor/. Por favor não deixes o mal entrar no meu coração/. Dou por mim a chamar o teu nome em horas de aflição/. Mas tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos/. E se o Homem nasce livre porque é que é alguns são donos?/ Quem inventou o ódio, quem foi que inventou a guerra?/ Às vezes acho que o inferno é um lugar aqui na Terra./ Não deixes crianças sofrer pelos adultos/. Os pecados são os mesmos o que muda são os cultos/. Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem/. Mas no livro que escreveste cada um só leu o que lhe convém/. Passo noites em branco quase sem dormir a pensar/. Tantas perguntas, tanta coisa por explicar/. Interrogo-me, penso no destino que me deste/. E tudo que acontece é porque tu assim quiseste/. Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo?/ Será que essa é a justiça pela qual eu tanto reclamo?/ Será que só percebemos quando chegar a nossa altura?/ Se calhar desse lado está a felicidade mais pura./ Mas se nada fiz, nada tenho a temer/. A morte não me assusta o que me assusta é a forma de morrer/. Quanto mais tento aprender, mais sei que nada sei/. Quanto mais chamo o teu nome menos entendo o que te chamei/. Por mais respostas que tenha a dúvida é maior/. Quero aprender com os meus defeitos, acordar um homem melhor/. Respeito o meu próximo para que ele me respeite a mim/. Penso na origem de tudo e penso como será o fim/. A morte é o fim ou é um novo amanhecer?/
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

Dois mortos em despiste e incêndio de viatura perto de Nisa

Dois homens, de 39 e 43 anos, morreram esta quarta-feira de madrugada na sequência do despiste de um automóvel, perto de Nisa.
Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Portalegre indicou que o acidente ocorreu na estrada nacional (EN) 18, entre Nisa e Alpalhão, tendo o alerta sido dado às 02.07 horas.
Fonte da GNR adiantou que os dois homens, residentes na zona de Nisa, eram os únicos ocupantes do veículo e que os óbitos foram declarados no local do acidente.
O automóvel colidiu com uma árvore de grande porte e incendiou-se de seguida, disse a mesma fonte, adiantando que os corpos ficaram carbonizados.
As operações de socorro mobilizaram 13 bombeiros da corporação de Nisa, com o apoio de seis viaturas, além da GNR, acrescentou a fonte do CDOS de Portalegre.

GRÂNDOLA: Morreu o terceiro jovem do acidente no IC1

Vítimas foram projetadas com a força do embate.
Dois jovens morreram esta terça-feira à noite, num despiste brutal contra um eucalipto, no Bairro das Amoreiras, junto ao IC1, em Grândola. Um outro rapaz, que seguia na mesma viatura, não resistiu aos graves ferimentos e acabou por morrer já esta quarta-feira. O alerta foi dado pelas 21h40 e no local estiveram 18 homens apoiados por oito viaturas. À chegada, os bombeiros já nada puderam fazer por Rafael e Bernardo. O outro ocupante da viatura, Igor, foi estabilizado no local e depois encaminhado para o hospital, onde viria a morrer. Desconhecem-se as causas do acidente, cuja investigação está agora entregue ao Núcleo de Investigação de Acidentes de Viação da GNR. Os jovens, todos na casa dos 20 anos, seguiam num Honda Civic. Dois deles foram projetados com a violência do embate.

27.12.16

TEJO: Rio perdeu 28% do caudal em 50 anos

Nos últimos 50 anos o rio Tejo perdeu cerca de 28% do seu caudal. A informação foi avançada em Torres Novas na manhã de 22 de dezembro, quinta-feira, pelo secretário de estado do Ambiente, Carlos Martins. O Governo está a negociar “caudais ecológicos” com o apoio das albufeiras privadas.

O cenário junto ao Castelo de Almourol. Foto: mediotejo.net
Carlos Martins abordava a importância do rio Tejo, como “recurso hídrico central”, à volta do qual vivem 3 milhões de pessoas. Em janeiro, em Abrantes, deverá ser anunciado um plano de fiscalização para 2017, que se constituirá em relatórios semestrais sobre o estado do rio. “Existem na bacia do Tejo 6/7 grandes empreitadas”, constatou, além das descargas de atividade industrial. Adiantou ainda que nas próximas semanas sairá um aviso de 75 milhões de euros para sistemas de escala supramunicipal.
Neste âmbito abordaria que, embora se tende a falar que o aquecimento global é um mito, “o Tejo tem menos 28% de água” que tinha há meio século. “Isto é preocupante”, frisou, uma vez que se trata de uma situação verificada independentemente da existência de barragens. “O Governo está a negociar caudais ecológicos” em colaboração com as albufeiras privadas, referiu. “Não vai dar mais água, mas mais regularidade de água ao longo do ano”, terminou.

Cláudia Gameiro in www.mediotejo.net  - 23/12/2016

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

Tanto luxo para quê?
Cartoon de Henrique Monteiro in http://henricartoon.blogs.sapo.pt

Mulher do presidente da Câmara de Gaia foi aumentada 390% em cinco anos

Em apenas cinco anos, o salário da mulher do presidente da Câmara de Gaia aumentou mais de 390% – de 475 euros em 2010 para mais de 2300 euros no ano passado.
A notícia é divulgada pelo Público, que adianta que o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto já está a investigar as ligações entre três Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) de Gaia e a autarquia, para saber se existe algum ilícito criminal.
A mulher do autarca de Gaia, Elisa Costa, é vice-presidente da assembleia geral na Sol Maior e diretora técnica desta IPSS de que o marido é co-fundador.
Na direcção desta IPSS tem assento o chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues, António Rocha, e a sua irmã, Margarida Rocha, adjunta do presidente da autarquia.
A Sol Maior também dá emprego a Armanda Moreira, mulher do vice-presidente de Gaia e presidente da Olival Social, uma IPSS fundada em 2006 – na qual o seu pai, Manuel Azevedo, desempenha o cargo de segundo vogal da assembleia-geral.
De acordo com o Público, entre 2010 e 2015, a mulher do presidente da Câmara de Gaia viu a sua remuneração base passar de 475 para 2343,71 euros. Mas foi a partir de Outubro de 2013, que o salário base de Elisa Costa conheceu sucessivos aumentos.
Nessa altura, o vencimento era já de 800 euros e subiu para 1018 euros, em Maio de 2014. Cinco meses depois, a direção da Sol Maior voltou a aumentar a diretora técnica em 150 euros, chegando a sua remuneração aos 1168 euros.
Eduardo Vítor Rodrigues afirmou ao jornal que o “alegado duplo aumento no mesmo ano [2014] não se concretizou nesses termos, tendo constado de uma atualização anual remuneratória de acordo com a tabela das IPSS e o seu índice de atualização, cumulativamente a uma condição de isenção de horário devido ao tempo de trabalho fora de horas, nunca tendo beneficiado de remuneração de ‘trabalho extraordinário’”.
A mulher do autarca começou por negar os aumentos, mas depois considerou-os “normais”, justificando que estes “decorrem das responsabilidades” que desempenha.
O presidente da Câmara de Gaia já comentou o assunto no Facebook, numa publicação onde divulga a declaração de rendimentos que entregou no Tribunal Constitucional.
“Não se compara o vencimento de uma pessoa usando o tempo em que esteve a meio-tempo e o tempo em que passou ao quadro, com vencimento da tabela da Segurança Social. Não se compara o vencimento de uma pessoa usando o mês do subsídio de férias” afirmou o autarca.
“A única riqueza que acrescentei foi a dos amigos. Estou preparado para lutar contra a mixórdia em que alguns vivem e para lhes responder em todos os lugares. E estou pronto para lutar contra aqueles que querem confundir os tempos e as estações”, acrescentou.
O chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues, António Rocha, também já se pronunciou acerca do assunto nas redes sociais, dizendo que o facto de um jornal de referência calcular “percentagens de aumentos usando o mês em que se recebe o subsídio de férias mostra bem o estado de literacia matemática do país”.
“Que a campanha de falsas notícias já começou não restam dúvidas”, sublinhou António Rocha.
Em Setembro, foi feita uma denúncia no DIAP sobre as ligações entre as três IPSS’s e a autarquia de Gaia. Agora, serão analisadas todas as informações sobre esta matéria no sentido de averiguar se realmente existe algum ilícito criminal.
 in www.zap.aeiou.pt

Passagem de Ano na Casa da Meada



OPINIÃO: No caminho das pedras

Partem na direção da Síria, sentido inverso ao caminho do êxodo. Querem sentir o mesmo solo que milhares pisaram nos últimos anos. Em fuga. Três mil pessoas, a pé, de Berlim a Damasco, quinze quilómetros por dia. A exorcizar a culpa, que não nos pertence, mas afinal temos todos um pouco. Outros fizeram o mesmo percurso. Sem culpa, tolhidos pela violência. Sozinhos, deixando para trás uma vida, a mãe, um irmão. Tudo. Crianças andaram milhares de quilómetros. Sós. Forçadas a abandonar a casa, a escola, os amigos. A guerra expulsou-as. Mohammed Hussein, de 16 anos, é um dos milhares de adolescentes que alcançaram sozinhos a Europa. A decisão não lhe pertenceu, a sua família um dia disse-lhe. "Aqui não há qualquer perspetiva. É melhor que vás", relata Ute Schaeffer, escritora e jornalista, em "Simplesmente ir embora". O livro conta a história amarga de doze adolescentes que chegaram à Alemanha. Mohammed Hussein foi um desses viageiros solitários, acossados.
Agora é um grupo de adultos, de diferentes nacionalidades, que decidiu fazer o caminho inverso. Três mil pessoas, e uma bandeira branca, vão caminhar três mil quilómetros em direção à Síria. Pedem paz para que os 12 milhões de refugiados, um dia, tenham condições de voltar. Partem simbolicamente do antigo aeroporto de Berlim-Tempelhof, o maior campo de refugiados da Alemanha.
Caminham para lembrar os 312 mil mortos na longa e complexa guerra da Síria: 149 mil das vítimas são civis e, entre estas, estão 16 mil crianças. São números divulgados pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos, citado pelo jornal espanhol "El País".
Os números, frios, não iludem a violência da guerra civil. Cinquenta e seis mil pessoas foram vítimas de disparos, 60 mil pereceram durante bombardeamentos; outros, mais de 20 mil, terão sido vítimas de execuções e de tortura - a mais vil expressão da um conflito entre homens, que foram concidadãos e partilharam quase tudo.
Da Síria para onde caminham estes homens e mulheres a denunciar o indizível, chegam sinais de esperança. Neste Natal, a 25 de dezembro, foi possível rezar numa igreja da Alepo, cidade que esteve sitiada pelos rebeldes opositores ao regime de Assad. Nos últimos dias, a Cruz Vermelha retirou milhares de pessoas: Alepo, símbolo dos horrores da guerra, faz-se símbolo de esperança. A paz, essa, continua por encontrar o caminho certo.
Paula Ferreira in "Jornal de Notícias" - 27/12/2016

NISA: Corrida de S. Silvestre com grande participação












Realizou-se na passada sexta-feira (23/12/2016) a Corrida de São Silvestre de Nisa
que contou com o apoio da AADP. Prova nocturna que contou com a participação de 167 atletas oriundos de todo o país que numa noite gelada de inverno e em vésperas de Natal encheram as ruas da vila de Nisa com muita energia e alegria. Este ano com um percurso mais curto e sempre percorrendo as históricas ruas da vila, permitiu aos adeptos da modalidade e à população nisense um maior envolvimento e apoio ao atletas durante toda a prova. A corrida teve inicio com a competição do escalão benjamins e teve o seu auge na prova destinada aos atletas seniores e veteranos que completaram cinco voltas ao trajecto definido pela organização do Sporting Clube de Nisa.
O vencedor no escalão sénior masculino foi Oswald Freitas do Clube de Natação de Rio Maior com o tempo de 27.56’, e no setor feminino sagrou-se vencedora a atleta Emília Pisoeiro do Clube Atlético Emília Pisoeiro com o tempo de 32.19’.
Resultados completos na nossa página em: www.aadp.pt

26.12.16

AMBIENTE: Desflorestação em Portugal é uma das mais elevadas do Mundo

Quercus considera que atual Reforma das Florestas não conseguirá travar este problema
 Recentemente o senhor Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Florestas, Luís Capoulas dos Santos, referiu que Portugal foi o único país da União Europeia que perdeu área florestal nos últimos 15 anos, situação lamentável que devia ser invertida.
Segundo os dados do Ministério, Portugal perdeu cerca de 150 000 hectares nos últimos 15 anos, contudo, existem outras organizações internacionais que referem  um valor mais elevado.
 Para além dos dados da FAO e do Eurostat, relativos a 2015, que indicam a acentuada desflorestação, também a Global Forest Watch (GFW), um sistema interactivo de monitorização da floresta, revela dados preocupantes. Do mesmo modo, a associação portuguesa Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal tem lançado alertas sobre este assunto.
 Portugal é o quarto País do Mundo com maior desflorestação
 Os dados da Global Forest Watch, para Portugal, colocam o nosso País no quarto lugar entre os países com a maior taxa desflorestação. Entre 2001 e 2014, Portugal perdeu 566.671 hectares de floresta e, entre 2001 e 2012, ganhou 286.549 hectares, o que revela menos 280.122 hectares de área florestal.
No topo dos países com maior perda percentual de coberto arbóreo (a) está a Mauritânia (99,8%), seguida do Burkina Faso (99,3%), da Namíbia (31,0%) e de Portugal (24,6%).
A situação é mais preocupante para o nosso país pois apenas três países apresentam pior desempenho do que Portugal, e todos eles têm vastas regiões desérticas e ou estão na orla de desertos.
Esta alteração do uso do solo florestal está associada principalmente a conversões para zonas urbanas, turísticas e industriais, novas infraestruturas como auto-estradas e barragens e, como é óbvio, os incêndios florestais recorrentes que têm consumido várias centenas de milhares de hectares de floresta em cada década recente.
Para apurar os valores da diminuição da área florestal era essencial existir uma revisão actualizada do Inventário Florestal Nacional, recorrendo a novas tecnologias, situação que tarda em avançar.
 A Quercus considera que o Governo, na Reforma das Florestas, que está actualmente em consulta pública não avançou com medidas para contrariar este grave problema da diminuição da área florestal.


 Florestas Primárias em risco de desaparecer em Portugal
 As Florestas Primárias (b) são muito residuais em Portugal e ocupam apenas cerca de 1% da nossa área florestal.
Em particular risco estão os últimos carvalhais primários de folha caduca que todos os anos vêem diminuída a sua área com abate de carvalhos centenários para lenha e cultivo de cogumelos, ou são vítimas da expansão de outras culturas.
 Estas florestas primárias são o principal depósito da biodiversidade e de património genético de grande parte da flora e fauna autóctone do nosso país.
 Por esse motivo, a Quercus pediu já ao Governo que crie legislação para a proteção dos carvalhais em Portugal.
 (a) – São consideradas apenas as áreas florestais com mais de 30% de cobertura arbórea.
(b) – São florestas primárias aquelas que se encontram no seu estado natural e cuja existência não depende da atividade humana.
Lisboa, 26 de Dezembro de 2016
A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
Para mais informações contatar:
João Branco – Presidente da Direção Nacional da Quercus: 937 788 472
Domingos Patacho – Coordenador do GT das Florestas da Quercus: 937 515 218

Poema dedicado a Graça Carita





24.12.16

OPINIÃO: Juntas de freguesia ao serviço dos CTT?

Os Correios pertencem ao imaginário (pelo menos) daqueles que, como eu, andam pelos cinquentas. As cartas e os postais eram meios de comunicação que permitiam afinar a letra, apurar a prosa, contar infindáveis histórias, expressar sentimentos, manifestar paixões... Os marcos do correio, que até tinham uma espécie de relógio onde se indicava o horário da próxima recolha, e os carteiros eram "figuras" que faziam parte das nossas vidas. Lá no prédio, o carteiro era o sr. Adolfo que, todos os dias, aparecia a meio da manhã, com um grande saco de couro castanho, de onde tirava as cartas (e impressionava-me, sempre, como elas já vinham organizadas...). Que, em dias de boa disposição, aproveitava para dar um chuto na bola com que nos entretínhamos no pátio. E que, na altura do Natal, nos pedia para falarmos com os nossos pais para que estes lhe dessem "a consoada", que mais não era do que a gorjeta pelos serviços prestados ao longo do ano (e que, creio, compensariam o baixo salário no tempo em que o subsídio de Natal era uma utopia!...).
Naturalmente que os tempos mudaram e que, hoje, os meios de comunicação são radicalmente distintos. Mas todos fomos assistindo, no final do século passado, às artimanhas que os Correios utilizaram para degradar o serviço e encarecer o preço dos serviços postais. Um correio que funcionava bem (bem sei que o correio internacional durava uma eternidade que nos fazia regressar antes dos postais remetidos de qualquer cidade estrangeira...), onde, internamente, as cartas chegavam rapidamente. Os Correios inventaram, então, o "correio azul", fazendo com que pagássemos o dobro para garantir o que antes estava quase sempre garantido: entregar a carta no dia seguinte. E, depois, o "correio verde" e outros sucedâneos, impondo a regra de que se queremos ser "bem" servidos temos de pagar mais por isso...
Na década passada, os Correios fecharam serviços. Preparando a privatização da empresa, os seus gestores, só na cidade do Porto, encerraram dezenas de postos e desativaram mais de uma centena de marcos de correios. Face a esta situação, e numa cidade em que mais de 20% da população tem mais de 65 anos de idade e cujas reformas chegam pela via postal, diversas juntas de freguesia, voluntariosa mas erradamente, decidiram estabelecer protocolos com os Correios, disponibilizando instalações e funcionários para assegurarem serviços de correio aos seus fregueses, a troco de pequena contrapartida pecuniária. Como hoje se vê, esses protocolos são deficitários para as juntas de freguesia. O que significa que somos nós, cidadãos, que estamos a pagar a uma empresa privada para que as nossas juntas de freguesia assegurem um serviço que essa mesma empresa deveria assegurar - empresa essa que, só nos primeiros 9 meses de 2016, teve um lucro de 46 milhões de euros! Esta vergonha não pode continuar. Sob pena de qualquer dia termos as juntas de freguesia a angariarem clientes para o Banco CTT...
Rui Sá in "Jornal de Notícias" - 19/12/2016

PÓVOA E MEADAS: Concerto de Fim de Ano


22.12.16

O Natal, pelos nossos poetas

Presentes de Natal
Ofereço-te o meu sorriso
E o meu abraço fraternal
Peço-te Jesus, por ser preciso
Que o espírito de Natal

Além de beijos e presentes
Com ceias, cheias de iguarias
Que haja paz... Todos os dias!
E cessem as guerras pungentes.

Avareza, ódio e arrogância
São o tempero da ganância
Esta vil vida é uma contenda

Onde impera a desigualdade
Dá-lhe, paz, amor e fraternidade
Não dês a miséria como prenda.
José Hilário

Em cada canto do mundo, Belém
Nasceste, aqui, entre nós,
p´ra que pudessem nascer,
erguer, forte, a sua voz,
reafirmar-se, viver:
gorados sonhos de amor,
anseios de liberdade, doridos gritos de paz,
de justiça e de verdade,
libertação do pavor
pavor que tudo desfaz.

Nasceste homem como nós,
Para que pudessem erguer,
O homem, as sua voz,
Quebrar algemas e ser.

Pessoa dignificada
P´los direitos que lhe deste,
Direitos fundamentais.
Foi assim que o fizeste:
Pessoa dignificada,
E não precisa de mais.

Pessoa, homem, menino,
 Não sendo tratado a esmo,
E livre de opressão,
Para agarrar o destino
Antes de mais, por si mesmo,
E nunca por coacção.

O direito de viver,
Que a todo o homem advém,
Com tudo o que importa ter,
Para que, enfim, possa ser,
Ser mais e ir mais além.

Tudo, porém, às avessas,
Neste mundo em confusão:
Ameaças ou promessas,
Conforme as horas e pressas,
Da grande coligação,
Em que os homens são peças,
Manejadas à pressão.

Nasceste, assim, entre nós,
Mas tudo anda ao invés,
Pelo que a nossa voz
Te pede: Vem outra vez.

Mas já estás, afinal,
No meio de nós, aqui.
Assim só será Natal,
Se o homem, sendo leal,
Nascer e viver por ti.
Pe Alfredo Magalhães in “Ainda Natal”