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23.5.23

AMBIENTE: "Vogar contra a indiferença” e por caudais ecológicos no Tejo

O Protejo organiza a 3 de junho uma descida do Tejo para alertar contra a construção de açudes e barragens para reterem água para a agricultura intensiva.
O movimento ProTejo organiza no próximo dia 3 de junho as iniciativas “vogar contra a indiferença” e “demonstração Ibérica Por um Tejo livre com caudais ecológicos”. O objetivo é tomar posição “contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva, defendendo um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas”.
O “Vogar contra a indiferença”, que vai na sua 10ª edição, é uma descida de canoas do rio Tejo que vai começar em Vila Nova da Barquinha com a leitura de uma “Carta Contra a Indiferença”. Diz a organização que “pretende facultar uma experiência flúvio-felicidade de comunhão com a beleza natural e o património cultural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial”. Consideram que este “deve ser defendido pela rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens – Projeto Tejo e Projeto de Barragem no rio Ocreza – e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; e uma continuidade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações”.
A iniciativa termina no Porto das Mulheres na Chamusca, onde nessa tarde decorrerá a “Demonstração Ibérica Por Um Tejo Livre com Caudais Ecológicos”. Contará com a presença de ativistas da Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes e aí se apresentará o memorando “Por Um Tejo Livre” “sobre a importância de preservação de um rio Tejo livre de açudes e barragens para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas”. Um documento que já foi apresentado a grupos parlamentares e ao Governo.
Os ambientalistas dizem que querem consciencializar as populações ribeirinhas para a “sobre-exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e a que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da Estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear”. Contrapõem-lhe o “regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar”.


27.12.16

TEJO: Rio perdeu 28% do caudal em 50 anos

Nos últimos 50 anos o rio Tejo perdeu cerca de 28% do seu caudal. A informação foi avançada em Torres Novas na manhã de 22 de dezembro, quinta-feira, pelo secretário de estado do Ambiente, Carlos Martins. O Governo está a negociar “caudais ecológicos” com o apoio das albufeiras privadas.

O cenário junto ao Castelo de Almourol. Foto: mediotejo.net
Carlos Martins abordava a importância do rio Tejo, como “recurso hídrico central”, à volta do qual vivem 3 milhões de pessoas. Em janeiro, em Abrantes, deverá ser anunciado um plano de fiscalização para 2017, que se constituirá em relatórios semestrais sobre o estado do rio. “Existem na bacia do Tejo 6/7 grandes empreitadas”, constatou, além das descargas de atividade industrial. Adiantou ainda que nas próximas semanas sairá um aviso de 75 milhões de euros para sistemas de escala supramunicipal.
Neste âmbito abordaria que, embora se tende a falar que o aquecimento global é um mito, “o Tejo tem menos 28% de água” que tinha há meio século. “Isto é preocupante”, frisou, uma vez que se trata de uma situação verificada independentemente da existência de barragens. “O Governo está a negociar caudais ecológicos” em colaboração com as albufeiras privadas, referiu. “Não vai dar mais água, mas mais regularidade de água ao longo do ano”, terminou.

Cláudia Gameiro in www.mediotejo.net  - 23/12/2016