31.3.26

SAÚDE: 34 dadores de sangue no cine de Alter




Logo pela manhãzinha daquele sábado primaveril vimos a galgar terreno o carro da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP. Muita gente já conhece ao longe a viatura e os seus símbolos e logo conclui que mais um ato voluntário vai ter lugar na região. E assim o sangue não vai faltar a quem dele necessita.

A última colheita da ADBSP, em conjunto com a Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE, teve lugar em Alter do Chão. O centro de saúde encontra-se em obras, pelo que o ponto de encontro foi em espaços do cine-teatro municipal.

Envolveram-se, neste dia tão especial, 34 voluntários. O sexo feminino esteve representado por 16 elementos (47,1 %).

Decorridos os exames de saúde, cinco dos presentes não puderam avançar para a dádiva. Mas sempre foram 29 unidades angariadas em Alter.

Estrearam-se a doar sangue sete pessoas (é verdade sete!), sendo sempre motivo de regozijo quando tal acontece nas nossas brigadas.

Já o Registo Português de Dadores de Medula Óssea passou a contar com mais um inscrito (a maioria dos nossos dadores já fazem parte desta lista).

A Câmara Municipal de Alter do Chão apoiou o almoço convívio que sentou à mesa os envolvidos nesta dádiva.

Sousel a 18 de abril

A próxima jornada da ADBSP já não será depois da Páscoa, em Arronches, como estava agendado. Por dificuldades de gestão de recursos humanos, a nova data será em Maio (depois confirmaremos) mantendo-se o local – a sede do Rancho Folclórico de Arronches.

A 18 de abril contamos estar em Sousel, no centro de saúde. Sábados entre as 09h00 e as 13h00, sensivelmente, são quando decorrem as nossas brigadas.

Fica a informação de que, desde o início de 2026, pessoas saudáveis poderão continuar a ser doadoras de sangue até completarem os 70 anos de idade (antes era aos 65 anos). Mas atenção: todos os voluntários têm que ser alvo de avaliação médica prévia.

Consulte: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/

JR





NISA: Memórias Municipais (1929): As “bombas” de gasolina e a sopa dos pobres


Em 6 de Julho de 1929 a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Nisa era composta por Francisco Mourato Peliquito, presidente e Jerónimo da Graça Biscaia e José Maria de Almeida Bastos. Manteve-se em exercício até à entrada em funções da Comissão presidida pelo tenente António Falcão.

Em 13 de Julho de 1929 a C.A deliberou convidar por meio de editais, os habitantes da vila de Amieira, a caiarem os seus prédios no prazo de seis meses e oficiou ao senhor Governador Civil declarando que “esta Comissão concorda absolutamente para que o descanso semanal seja aos domingos.

Apesar da “concordância absoluta” dos eleitos camarários, este assunto servirá de polémica nos anos seguintes.

Na sessão de 20 de Julho, a Comissão Administrativa decidiu aceitar o pedido de exoneração do logar de facultativo municipal em Amieira, referido pelo proprietário do referido logar, Dr. Joaquim de Moura Relvas e por a concurso não só o logar de facultativo de Amieira, como o do 1º partido nesta vila de Nisa, aquele pela exoneração requerida pelo Dr. Moura Relvas, e este pelo falecimento do Dr. Henrique Miguéns.

A sessão de 3 de Agosto de 1929 marca o “arranque” da era automobilística em Nisa e de uma assentada, a Câmara concedeu a instalação de dois postos de abastecimento de combustíveis. O primeiro a Júlio Pires Bento, representante da Vacuum Oil Company, autorizando-o a colocar um marco de venda de gasolina com respectivo tanque no Largo Heliodoro Salgado e o segundo, com igual aparelho, a José Araújo Baptista, no Largo da República, este em representação da Shell. Ambos ficaram obrigados à renda anual de 200$00 (duzentos escudos).

Na mesma sessão, foi decidido comunicar à direcção da Sopa dos Pobres, recentemente estabelecida nesta vila, que “esta Câmara aprova e louva uma tal iniciativa e para contribuir com qualquer donativo, precisa que lhe sejam fornecidos vários elementos de apreciação a saber: a) número mais ou menos aproximado dos pobres a socorrer em cada freguesia do concelho; b) o preço médio do custo de cada sopa; c) quais os fundos com que a Comissão conta, para fazer face às respectivas despesas.

Ontem como hoje, a teia burocrática a impor-se, mesmo tratando-se do apoio a situações de pobreza.

 

NISA: União de Freguesias aderiu ao programa “Botija Solidária”


A União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão informa que aderiu ao programa Botija Solidária 2026, uma medida de apoio destinada a ajudar as famílias na aquisição de gás de petróleo liquefeito (GPL) em garrafa.

Este programa tem como objetivo apoiar os agregados familiares mais vulneráveis, contribuindo para aliviar os custos associados a uma necessidade essencial do dia a dia.

Informa-se ainda que, na sede da União de Freguesias, os serviços administrativos continuam disponíveis para prestar esclarecimentos e apoiar todos os cidadãos elegíveis no processo de acesso a este apoio a aos que dele necessitem.

Para mais informações ou esclarecimentos, os interessados poderão dirigir-se à sede da União de Freguesias, onde os nossos serviços estarão prontos para ajudar.

O Programa Botija de Gás Solidária é um apoio financeiro extraordinário destinado a clientes domésticos economicamente vulneráveis, ajudando-os na compra de gás de petróleo liquefeito (GPL) engarrafado.

Objetivo do programa:

- Atenuar o aumento do preço do gás engarrafado, garantindo que todos os agregados familiares com menores recursos têm acesso a este bem essencial.

 Quem pode beneficiar:

- Beneficiários da Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE);

- Agregados familiares em que pelo menos um elemento recebe prestações sociais mínimas, previstas no regulamento.

Qual o valor do apoio:  15€ por botija de GPL;

- Duas botijas por mês e por beneficiário, sem exceder o limite máximo de 12 botijas anuais;

- Atualização excecional (a partir de 25 de março de 2026): devido ao aumento do preço do gás engarrafado, o valor da comparticipação passa temporariamente para 25€ por botija de GPL, durante 90 dias, mantendo-se as restantes condições do programa.

 Duração do programa:

- Válido durante 2026 ou até esgotar a dotação disponível.

 Como funciona:

- O pagamento é feito nas Juntas de Freguesia aderentes, após verificação dos critérios de elegibilidade.

Toda a informação sobre este apoio pode ser consultada no Portal do Fundo Ambiental e no Portal da Anafre.

30.3.26

CASTELO DE VIDE: Acessibilidade e inclusão em espaços culturais


Luís Félix inaugura na quinta-feira em Castelo de Vide a exposição “O Toque como Experiência Estética”

A exposição “O Toque como Experiência Estética” do artista Luís Félix é inaugurada na próxima quinta-feira dia 2 de Abril, pelas 18 horas, no Centro de Arte e Cultura da Fundação Nossa Senhora da Esperança em Castelo de Vide, onde ficará patente até ao próximo dia 18 de Julho.

A cerimónia integra-se na apresentação pública do projeto “TODAGENTE – Arte e Educação Para Acessibilidade e Inclusão em Espaços Culturais a partir do Museu da Tiflologia de Castelo de Vide”.

Esta exposição tem a curadoria de João Guimarães e integra um ciclo de mostras bianuais promovidas pelo Centro Português de Tiflologia, Equidade e Inclusão, no âmbito das atividades do Museu da Tiflologia propondo uma reflexão sobre a experiência artística a partir dos diferentes sentidos humanos. Depois de terem sido exploradas em edições anteriores dimensões sensoriais como o olfacto e a audição, desta vez o foco centra-se no toque.

Obras concebidas para serem tocadas

Ao contrário do que acontece na maior parte das exposições, onde o contacto físico com as obras é geralmente interdito, nesta exposição todas as peças foram concebidas para poderem ser tocadas. Esta possibilidade decorre da própria abordagem do artista, cuja prática valoriza a dimensão material e táctil da forma escultórica.

A prática artística de Luís Félix articula escultura, pintura e desenho, frequentemente explorando a relação entre materiais tradicionais e processos técnicos associados ao trabalho do metal.

A obra do artista distingue-se assim por uma atenção particular à dimensão material da forma. A madeira, a pedra, a resina e metal não são apresentados apenas como suportes técnicos da escultura, mas como componentes ativos da experiência sensorial e perceptiva da obra. E mesmo as seis pinturas que são apresentadas na galeria, em que o contorno da imagem é realçado através de relevo em tinta de chumbo, foram pensadas tendo em conta esta dimensão sensorial.

Luís Manuel Ferreira Félix Ribeiro

Natural Portalegre (1973), Luís Manuel Ferreira Félix Ribeiro é escultor, pintor e professor de artes, atualmente ao serviço do Agrupamento de Escolas de Marvão.

Licenciou-se em Escultura na ARCA-EUTAC – Escola Universitária das Artes de Coimbra, com classificação final de 17 valores e em 2017 complementou a sua formação artística com especialização técnica em soldadura, integrando processos industriais na sua prática escultórica.

A sua obra inclui diversas intervenções de escultura pública em Portugal e  e desenvolveu experiência profissional internacional na Holanda, França, Bélgica e Moçambique.

Projeto “TODAGENTE – Arte e Educação Para Acessibilidade e Inclusão”

Implementado pela Fundação Nossa Senhora da Esperança, o projeto “TODAGENTE – Arte e Educação Para Acessibilidade e Inclusão em Espaços Culturais a partir do Museu da Tiflologia de Castelo de Vide” tem a duração de 3 anos (até final de 2028) e é financiado pelo Fundo Social Europeu (FSE), no âmbito da candidatura ao aviso “Inclusão pela Cultura”, integrada no Programa Regional Alentejo 2030.

A Fundação Nossa Senhora da Esperança (FNSE) gere atualmente, no quadro dos seus compromissos históricos e estatutários, duas Estruturas Residenciais para Idosos, além do Centro de Arte e Cultura FNSE e o Centro de Experiência Viva - Museu de Tiflologia em Castelo de Vide.

29.3.26

SALAVESSA (Nisa): Vem aí a Chocalhada!

 


NISA: O Estado do Concelho no alvorecer da 1ª República


Resposta a um Inquérito enviado aos Municípios 

Carta ao Governador Civil de Portalegre – 30 Janeiro 1911

Serviço da República – Exmo Sr.

No manifesto intuito de colher elementos que lhe permittam organizar do estado económico e social dos municípios portugueses, determinou o Governo da República em decreto de 25 de Novembro próximo findo que as Commissões Administrativas dos diversos concelhos procedam a um inquerito em que se comprehendam os pontos seguintes:

1º Exame de escripta até ao dia em que tomaram posse

R: O exame desta escripta deu-nos a convicção de que se a Administração da vereação que viemos substituir, nem sempre foi orientada por um alto espírito de justiça, ou mesmo de legalismo, nem por isso foi criminosa.

2º Inventário de todo o material existente na mesma data.

3º Arrolamento dos edifícios e bens próprios

R: Tanto o inventário como o Arrolamento estão feitos

4º Revisão dos quadros de pessoal sob os pontos de vista da sua deficiência ou super-abundância, etc., etc.

R: O pessoal empregado no serviço de saúde a despeito da sua muita proficiencia, boa vontade e grandes faculdades de trabalho, é insufficiente. O concelho é formado por nove freguezias e os numero de medicos municipaes é apenas de quatro, donde resulta que os habitantes de algumas freguezias não teem assistencia medica. Seria muito para desejar que fossem creados mais dois partidos medicos ou pelo menos um. Infelzmente a creação de mais um partido medico é incompativel com a exiguidade de recursos municipaes. Em nosso entender a futura vereação ver-se-ha compellida a aggravar a actual percentagem municipal sobre as contribuições geraes do Estado, porque só assim poderá occorrer às despezas a fazer com o serviço medico, o da limpeza e tantos outros.

Todos os empregados  municipaes cumprem dignamente o seu dever e foram legalmente nomeados.

5º Estradas e caminhos vicinaes, com indicação do seu estado de conservação

R: Alguns destes caminhos encontram-se em pessimo estado e muito há que fazer para os melhorar.

6º Baldios, etc.

R: Não há

7º Produção agricola e pecuaria dominante

R: Não é facil responder com exactidão a este ponto, visto que em algumas freguezias a produção agricola mais importante é o trigo, noutras a cortiça e ainda noutras o azeite.

8º Salários correntes dos jornaleiros e artífices, etc.

R: Nos meses de Inverno, os jornaleiros recebem entre 220 e 240. No Verão, 300 reis, 360 reis, 400 reis. Os salários dos artífices  vae desde 360 reis no Inverno a 500 reis no Verão.

Os arrendamentos dos predios rusticos são geralmente feitos pelo espaço de quatro anos. Não há emigração.

Emquanto às causas do atraso agricola no concelho de Niza convem signalar como uma das prinicipaes o facto de muitos dos proprietarios não administrarem directamente os seus predios, dando-os de arrendamento em geral a individuos pouco illustrados e sem capitaes que lhes permittam fazer uma exploração como seria de desejar. Em todo o caso faz-se no concelho largo emprego de adubos chimicos ainda que por uma forma verdadeiramente empírica.

- Relativamente a reivindicações pelas camaras municipaes de instrução primaria elementar, etc., não lhe vemos vantagem.

10º Criação e municipalização de seguros agrícolas

R: Para quê? Se existem companhias de seguros agrícolas, que dão aos segurados garantias que as Camaras lhes não poderiam dispensar.

 O mesmo não diremos emquanto à fundação de uma Caixa de Pensões e Aposentações para os trabalhadores ruraes. É este um bello ideal a realizar.

A exiguidade dos rendimentos municipaes não permittem a nomeação de pessoal technico a que se refer a alínea g) do citado Decreto de 25 de Novembro de 1910.

Julga a Commissão Administrativa do Municipio de Niza a que tenho a honra de presidir ter respondido, ainda que por uma forma muito deficiente ao inquerito que pelo citado Decreto lhe foi ordenado.

O Presidente da Commissão Administrativa do Municipio de Niza

-António Maria de Mattos Cardoso.

CASTELO DE VIDE: Quinzena Gastronómica do Sarapatel

 


De 27 de Março até 12 de Abril tem lugar na restauração castelovidense mais uma edição da já tradicional Quinzena do Sarapatel e Outros Pratos de Tradição Judaico-Cristã.

Com a chegada das comemorações pascais, chega também este evento gastronómico, uma iniciativa municipal que regista a adesão dos empresários dos restaurantes do concelho.

Este ano, a lista final de estabelecimentos aderentes onde se poderá degustar o tradicional sarapatel , entre outras iguarias típicas, inclui 17 restaurantes – ois dos quais em Póvoa e Meadas - e ainda 9 estabelecimentos de doçaria tradicional em Castelo de Vide (7) e Póvoa e Meadas (2).

OPINIÃO: A cruzada do género


Aos três anos, Luz pediu uma saia à mãe. Aos 13, explicou que se sentia uma menina num corpo de menino. A saúde mental agravou-se, houve uma tentativa de suicídio. Depois começou a usar bloqueadores pubertários, que atrasam mas não impedem o desenvolvimento. E mudou de nome na escola. Aos 16, fê-lo no registo civil. "Foi libertador", diz. Maria pediu à mãe para ir de saia para a escola aos seis. Aos sete, mudou de nome na escola. "Mamã, eu acho que tenho um nome bonito, mas não é meu. Eu sou a Maria", explicou. "Não imaginava o poder que a troca de nome podia ter", disse a mãe ao "Expresso", agora que a filha tem oito e voltará a ser obrigada a assumir um nome em que não se revê. "Como dizer-lhe que não querem que ela seja como é?"

É com isto que PSD, CDS e Chega querem acabar, revertendo a lei. É esta crueldade que pretendem impor; crianças que deixarão de poder ser tratadas na escola pelo nome social que escolheram; adolescentes de 16 anos que deixarão de poder mudar o seu nome no registo civil; adultos de 18 anos que poderão fazê-lo, mas só com atestado médico assinado por dois profissionais. Para esses deputados, a liberdade individual e a autodeterminação não têm qualquer valor. Quem decide o que é cada cidadão é o Estado. Se nenhum dos deputados se sentiu alguma vez num corpo ou com o nome errado, não há razão para aceitar que isso aconteça aos outros. O Estado tem de combater a bizarria, não acomodá-la. Nação valente, imortal e tudo isso.

Indivíduos fora da norma são um perigo. Que o diga Paulo Núncio, do CDS, combatente implacável dos "delírios woke" (e que tal falar em português?). Ou Madalena Carneiro, do Chega, para quem "um homem é um homem e uma mulher é uma mulher", que foi o que leu num manual de Ciências do 9.º ano. A partir daí, aparentemente, não leu mais nada. Como é que a bancada do PSD alinhou nisto? Chama-se disciplina de voto. Para deputados recalcitrantes, havia uma opção, sair no momento da votação e voltar logo a seguir. Qual é o problema de violar a consciência? O que não se pode é contrariar os chefes. Ainda algum concluía que são capazes de pensar pela própria cabeça e, na próxima eleição legislativa, perdiam a cadeira parlamentar e as prebendas.

·         Rafael Barbosa – Jornal de Notícias - 22 de março, 2026

28.3.26

INIJOVEM: Evocação da 1ª Rota do Contrabando entre Salavessa e Cedillo

 







NISA: Evocação da poetisa nisense Maria da Graça Pinto (I)

 


CASTELO DE VIDE: XXXIX Feira do Livro


Realiza-se de 27 de Março a 12 de Abril a XXXIX Feira do Livro de Castelo de Vide no Cine-Teatro Mouzinho da Silveira, visitável entre as 9:30 e as 12 horas e entre as 14 e as 17 horas da parte da tarde. O certame estará encerrado no Domingo de Páscoa e no Feriado Municipal (6 de Abril).

O programa da Feira deste ano de 2026 inclui seis momentos especiais. Na abertura, agendada para a próxima sexta-feira dia 27 pelas 14:30 horas está prevista a apresentação do livro "Assim como tu" de Raquel Salgueiro e no dia 30 de Março (segunda-feira) o programa refere animação de leitura pelo técnico da Biblioteca Muniipald e Portalegre Luís Ensina

Luís Represas no Dia Internacional do Livro Infantil

Depois, no dia 2 de Abril (Quinta-feira Santa), em que se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil, Luís Represas apresenta pelas 16 horas o seu livro "A Coragem de Tição" e dá um concerto intimista pelas 21:30 horas (ver notícia AQUI).

Aula de yoga no Parque João José da Luz

No dia 4 de Abril será a vez de ser apresentado o livro "O Hospital de Alfaces" de Pedro Chagas Freitas e no dia 8 de Abril (Dia Mundial da Saúde) está prevista uma aula de yoga com Lorena Nobel pelas 10 horas no Parque João José da Luz.

A programação da XXXIX Feira do Livro encerra no dia 11 de ABril com a apresentação, pelas 15 horas, do guia "Os 100 Melhores Locais para Observar Aves em Portugal" de Gonçalo Elias e José Frade.

In “Notícias de Castelo de Vide”

ALPALHÃO: Caminhada Solidária


A Junta de Freguesia de Alpalhão vai promover, no dia 12 de abril, uma Caminhada Solidária para apoiar à Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama.

📍 Início: Largo do Calvário

9h30m

📝 Inscrições até 27 de março na Junta de Freguesia

💰 Valor: 14€ (inclui t-shirt, saco-mochila alusivos à Corrida Sempre Mulher e brindes)

Inscrição válida após pagamento

A verba reverte na totalidade para a associação.

Traz família, amigos e muita energia. 💗 Vamos caminhar por uma causa que importa!

BENAVILA (Avis) 𝐫𝐞𝐜𝐞𝐛𝐞 𝐨 𝐈𝐈𝐈 𝐅𝐞𝐬𝐭𝐢𝐯𝐚𝐥 𝐝𝐚𝐬 𝐒𝐨𝐩𝐚𝐬


Benavila acolhe, no próximo dia 29 de março, o III Festival das Sopas.

O evento terá início às 12h00, no Pavilhão Multiusos, em Benavila, que se transformará num espaço gastronómico aberto a toda a população. Ao longo do dia, os visitantes poderão saborear uma grande variedade de sopas, bem como bifanas, bebidas e deliciosas sobremesas.

A animação musical também marcará presença, com atuações do Grupo de Cante Alentejano do Município de Avis, do Grupo de Cantares de Cabeção e de António João Martins, proporcionando momentos de convívio e boa disposição.

A iniciativa é organizada pela União de Freguesias de Benavila e Valongo, contando com a participação de várias associações e entidades locais, e com o apoio do Município de Avis.

Venha desfrutar de um dia saboroso e cheio de animação.

Bom apetite!

25.3.26

NISA: As voltas que a Volta deu...


1985 ano em que pela primeira vez a Volta do Alentejo em Bicicleta chegou a Nisa. Lembro-me bem, até porque o "cartaz" da etapa, feito em moldes "básicos" foi elaborado por mim. Não havia a profusão de meios que hoje existem, a própria competição ciclística vivia muito do amadorismo e do amor à camisola e só singrou devido principalmente à "carolice" de uns quantos, sendo de salientar, o nome de Alfredo Falamino Barroso, na altura presidente da Câmara Municipal de Redondo.

A Volta ao Alentejo em Bicicleta, a "Alentejana" tocou mais vezes o concelho de Nisa, até que, com a implantação do regime isaltinista,  tudo o que "cheirasse" a iniciativa de executivos anteriores fosse, pura e simplesmente, varrido dos planos de actividades. Aconteceu com o ciclismo - um desporto muito popular no concelho, coisa que a dona do muro das lamentações, não sabe - e com o Norte Alentejano O Meeting, um conjunto de provas de Orientação que chegou a trazer ao concelho cerca de um milhar de atletas, centenas deles estrangeiros que ficaram surpreendidos com a beleza agreste das nossas paisagens e com as excelentes condições para a prática da modalidade. Sobre isto , até poderia por mais na "carta", mas não vale a pena. O que vale a pena, não sendo a alma pequena é registar o percurso desta prova de ciclismo que, não sendo a "rainha" em estradas nacionais, catapultou a região do Alentejo para os meandros do desporto internacional.

A  Volta ao Alentejo em Bicicleta, a Alentejana", começou hoje. Que prossiga, todos os anos, na senda do êxito desportivo e de divulgação de uma região que bem merece ser divulgada pelas melhores razões.

SARDOAL: 𝐎𝐟𝐢𝐜𝐢𝐧𝐚 𝐝𝐞 𝐓𝐚𝐩𝐞𝐭𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐅𝐥𝐨𝐫𝐞𝐬


🗓 1 de abril

a partir das 9h30m

📍Centro Cultural Gil Vicente

Iniciativa no âmbito do programa complementar da Semana Santa de Sardoal que visa  partilhar e dar a conhecer esta tradição secular, permitindo que todos os interessados possam vivenciar e experienciar de perto a tarefa de elaborar um dos tradicionais tapetes de flores, que pela Páscoa adornam as Capelas e Igrejas do Concelho de Sardoal.

O desenho a ser utilizado como base do tapete de flores é a ilustração classificada em 2.º lugar no Projeto Capela 2026, da autoria de Beatriz Morgado.

A participação na atividade é gratuita, mas sujeita a inscrição que pode ser feita presencialmente no Cá da Terra, pelo email cadaterra@cm-sardoal.pt ou pelo tlf. 241 851 144.

VILA VELHA DE RÓDÃO: 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗧𝗲𝗷𝗼 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗲𝘀𝘀𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝗱𝗶𝗮𝘀 𝟮𝟲, 𝟮𝟳 𝗲 𝟮𝟴 𝗱𝗲 𝗷𝘂𝗻𝗵𝗼


A 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗧𝗲𝗷𝗼 volta a animar o Campo de Feiras de Vila Velha de Ródão no último fim de semana de junho, dias 𝟮𝟲, 𝟮𝟳 𝗲 𝟮𝟴.

As 𝗶𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶çõ𝗲𝘀 para 𝗲𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶𝘁𝗼𝗿𝗲𝘀, 𝗿𝗲𝘀𝘁𝗮𝘂𝗿𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀, 𝘁𝗮𝘀𝗾𝘂𝗶𝗻𝗵𝗮𝘀 𝗲 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀 𝗲𝘀𝗽𝗮ç𝗼𝘀 𝗮𝗹𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿𝗲𝘀 já abriram e decorrem até 𝟭𝟱 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼.

Este é um evento organizado pelo Município de Velha de Ródão, que procura dar a conhecer o melhor do concelho, em termos de gastronomia, artesanato, turismo, cultura e atividades económicas, e aposta na presença de grandes nomes do panorama musical nacional para animar as noites de verão, que serão anunciados brevemente.

Os interessados em participar no evento, enquanto expositores ou com espaços de restauração, devem consultar as respetivas Normas de Funcionamento e Participação no site do município e inscrever-se, através dos formulários disponíveis em baixo, até ao dia 𝟭𝟱 𝗱𝗲 𝗺𝗮𝗶𝗼.

𝗙𝗼𝗿𝗺𝘂𝗹á𝗿𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗜𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶çã𝗼: 𝗘𝘅𝗽𝗼𝘀𝗶𝘁𝗼𝗿𝗲𝘀 | 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗧𝗲𝗷𝗼 𝟮𝟬𝟮𝟲:

https://forms.office.com/e/EnYw3cG633

𝗙𝗼𝗿𝗺𝘂𝗹á𝗿𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗜𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶çã𝗼: 𝗧𝗮𝘀𝗾𝘂𝗶𝗻𝗵𝗮𝘀, 𝗕𝗮𝗿𝗲𝘀 𝗲 𝗢𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀 𝗘𝘀𝗽𝗮ç𝗼𝘀 𝗔𝗹𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗮𝗿𝗲𝘀 | 𝗙𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗦𝗮𝗯𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗱𝗼 𝗧𝗲𝗷𝗼 𝟮𝟬𝟮𝟲:

https://forms.office.com/e/k0RvpXC47A

Acompanhe todas as novidades sobre estes três dias inesquecíveis através do site e das redes sociais da Feira dos Sabores do Tejo e do Município de Vila Velha de Ródão.

24.3.26

MONTALVÃO - CEDILHO: XXV Trilhos do Contrabando no próximo sábado

 


NISA: Romaria da Senhora dos Prazeres


A União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão convida toda a população a juntar-se à Romaria da Sr.ª dos Prazeres, uma celebração que honra as tradições da nossa Freguesia.

Este ano, a romaria realiza-se na segunda-feira, dia 13 de abril, e conta com um programa religioso que tem início às 15h30 com o Terço, seguido de Procissão, e às 16h00 com a celebração da Missa, também seguida de Procissão.

Ao longo da tarde haverá igualmente o tradicional momento de convívio para todos, onde não faltará o já afamado porco no espeto, servido durante a tarde, bem como bebidas a preços populares.

A animação musical ficará a cargo de João Miguéns e Rui Alves, que garantirão boa disposição e música para acompanhar este dia tão especial.

Para facilitar a participação de todos, haverá transporte gratuito dentro da freguesia (Nisa e Pé-da-Serra) entre as 13h00 e as 19h00.

 

ATLETISMO: Jovens talentos do Alto Alentejo em destaque com recordes regionais e mínimos de qualificação para os nacionais


O atletismo do Alto Alentejo voltou a afirmar-se no panorama nacional, com vários jovens atletas a alcançarem resultados de elevado nível competitivo, incluindo recordes distritais e marcas de qualificação para os Campeonatos Nacionais de Sub-16.

Os desempenhos de maior relevo foram alcançados por Luís Otávio (CEN) e Dayane Santos (AJJ), no âmbito do Atleta Completo Distrital, realizado em Castelo de Vide, bem como por Maria Vitória (SAB), no Torneio Nacional Jovem Marchador, disputado em Porto de Mós.

Luís Otávio esteve em particular evidência ao estabelecer um novo recorde distrital nos 300 metros, com a marca de 38,84 segundos, superando o anterior máximo (39,00s), que perdurava desde 1993. O atleta alcançou ainda a marca de qualificação para o Campeonato Nacional nesta disciplina.

Para além disso, destacou-se também com:

Marca de qualificação nos 100 metros barreiras (16,10s)

Novo recorde distrital no octatlo, com um total de 3527 pontos

Também Dayane Santos garantiu a presença nos Campeonatos Nacionais, ao alcançar:

13,53 segundos nos 80 metros barreiras

10,70 segundos nos 80 metros

No setor da marcha, Maria Vitória estabeleceu um novo recorde distrital nos 3000 metros marcha em estrada, com o tempo de 19 minutos e 4 segundos, superando o anterior máximo (21min13seg), que se mantinha desde 2002. A atleta assegurou igualmente a qualificação para os Campeonatos Nacionais.

Este conjunto de resultados evidencia o crescimento sustentado e a qualidade do trabalho desenvolvido no atletismo jovem do distrito, refletindo o empenho de atletas, treinadores e clubes na promoção da modalidade.

A Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre felicita todos os envolvidos por estas conquistas e pelo contributo para a afirmação do atletismo regional a nível nacional.


DIREITO À HABITAÇÃO: Leiria constrói 10 casas sociais por 884 mil euros


Concurso público aprovado em reunião de câmara prevê seis T0, um T1, um T2, um T3 e um T4. Programa de arrendamento apoiou 279 pessoas com 409 mil euros só em 2025.

O Município de Leiria vai construir 10 habitações sociais para arrendamento apoiado, investimento de quase 900 mil euros, segundo a deliberação nesta segunda-feira aprovada em reunião do executivo.

“Este concurso que deliberámos em reunião de Câmara encontra-se enquadrado na Estratégia Local de Habitação do município, no âmbito do financiamento do 1.º Direito”, afirmou à agência Lusa O 1.º Direito é um Programa de Apoio ao Acesso à Habitação que apoia soluções habitacionais para pessoas que vivem em condições habitacionais indignas e que não dispõem de capacidade financeira para suportar o custo do acesso a uma habitação adequada.

O concurso público para construção de habitação social a custos controlados tem o preço base de 884.343,71 euros.

Ana Valentim explicou que se trata da “construção de 10 novos fogos, sendo que a sua localização será num terreno contíguo, onde o município já possui habitações de arrendamento apoiado”, nos Parceiros.

A Câmara quer construir 10 habitações sociais (seis T0, um T1, um T2, um T3 e um T4), para arrendamento apoiado.

“Serão moradias um bocadinho enquadradas naquilo que nós já temos construído na freguesia dos Parceiros e queremos manter essa linha”, disse.a vereadora Ana Valentim, que tem o pelouro da habitação apoiada.

Segundo a vereadora, a autarquia, “dando cumprimento à Estratégia Local de Habitação”, está a “aumentar o parque habitacional do município para arrendamento apoiado”, sustentando que esta empreitada “é a resposta neste momento que é possível”.

“Aquilo que temos na nossa Estratégia Local de Habitação foi o que foi aprovado pelo IHRU [Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana] para aquilo que era a construção de novas habitações”, declarou, esclarecendo estar também em curso a reabilitação do parque habitacional do município que não tinha sido reabilitado no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano.

Ana Valentim destacou ainda que o município tem “um complemento muito importante”, o Programa de Comparticipação ao Arrendamento, que “ajuda centenas e centenas de famílias” e conseguiu “diminuir drasticamente as situações de despejo“, referindo que a Câmara “é sempre notificada” pelas Finanças ou Tribunal “para a questão dos despejos”.

“Eu já não me recordo, felizmente, de termos sido convocados para uma situação de despejo”, acrescentou.

Em 2025, a Câmara de Leiria apoiou com quase 410 mil euros 279 pessoas que recorreram ao Programa de Comparticipação ao Arrendamento.

egundo dados enviados à Lusa, para o arrendamento foram entregues 408.939,82 euros (336.132 euros em 2024).

“Este Programa de Compartição ao Arrendamento tem sido uma resposta muito importante e queremos continuar“, assegurou nesta segunda-feira a autarca, realçando ainda a alteração ao Fundo de Emergência Social, para apoios pontuais na área da habitação.

Em 16 de março, o executivo aprovou uma alteração ao Fundo de Emergência Social na sequência do mau tempo, que vai permitir mais apoio financeiro no âmbito da habitação para as famílias.

De acordo com a deliberação, o regulamento daquele fundo previa um apoio máximo de 1.500 euros ao pagamento de renda ou prestação de empréstimo bancário.

A alteração aprovada visa “reforçar a capacidade de resposta municipal através do alargamento do apoio ao pagamento de renda até cinco meses, do aumento do montante máximo global para três mil euros e da previsão expressa do pagamento de caução até 700 euros para novos contratos de arrendamento”.

Observador - Agência Lusa - 23 Março 2026

 

22.3.26

“Antologia de Poetas Nisenses” mantém viva a memória cultural da vila alentejana


A “Antologia de Poetas Nisenses” enaltece a identidade cultural e a memória local e é lançada amanhã, 22 de março, às 15h, na sede da União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão, em pleno Alto Alentejo, após a celebração de hoje do Dia Mundial da Poesia.

São memórias e vozes de décadas da vida de Nisa que, ao longo do tempo, foram sendo recolhidas oralmente, transcritas em papel quando possível, e partilhadas de forma mais esporádica e pouco organizada nos últimos anos, como fragmentos de uma história que corria o risco de se esvanecer. Mas agora ganham novo formato para se perpetuarem no fabrico cultural do Alto Alentejo: eis a “Antologia de Poetas Nisenses”.

Trata-se de uma coletânea de 24 autores locais organizada por Mário Mendes e que é lançada amanhã, às 15h, após o Dia Mundial da Poesia (que se celebra hoje) na sede da União de Freguesias de Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão, no concelho de Nisa. "É um livro que era era necessário fazer", garante Mário Mendes, em conversa com o Conta Lá "porque além da da poesia em si ser poesia popular, retrata muito dos aspectos da vida do concelho e principalmente da vida rural, da vida campestre, do pastor", entre outros.

O trabalho tem como base principal poemas publicados no jornal "Correio de Nisa", que entre as décadas de 60 e 70 deu destaque ao trabalho de poetas locais, além de outras fontes. Autores que "a maioria da população não conhece", e que levaram Mário Mendes a um esforço "dilatado no tempo" que o levou a folhear inúmeras edições do jornal na biblioteca local para selecionar os poemas. "Apercebi-me, de facto, do grande contingente de poetas" que há em Nisa e das "poesias que haviam, muitas delas de bom nível, de excelente nível mesmo", reforça: "Conseguimos fazer uma coletânea que eu penso que não deslustra e que engrandece quer a iniciativa, quer a própria união de freguesias".

Mário Mendes destaca o alcance dos poemas incluídos, que vão desde a década de 40 até aos anos mais recentes e que ultrapassam as tradições de Nisa, da cultura popular e dos sentires e viveres da região. "Há um poema" que considera "excecional", revela, "que é sobre Hiroshima" e que foi escrito por volta de 1946, e que destaca pela visão humanista sobre o tema, numa altura em que a liberdade criativa estava restrita pela ditadura em vigor.

Concelho de poetas

Além "da diversidade dos temas", Mário Mendes volta a realçar a "qualidade e depois também a quantidade, quer dos poemas, quer dos autores". Até porque se trata de uma antologia que não se circunscreve apenas à parte urbana do concelho de Nisa mas sim a toda sua extensão rural. Com muita prevalência de um tipo de escrita poética que o encanta, "as décimas".

Falamos de poemas muito comuns na tradição oral, caracterizados por rimas complexas e métrica de sete ou dez sílabas, típicos do Alentejo.  Em convívios, "entre um copo e outro numa taverna", poetas "muitas vezes analfabetos" passavam serões a declamar esses versos", explica. Para que não se perdessem, "foram ditos pelos próprios autores a outras pessoas que os recolheram", na esperança de se guardar a memória viva das tradições. Aliás, Mário Mendes não tem dúvidas: "Nisa é um concelho de poetas. Isto também é um motivo que que levou a fazer essa recolha".

"Acima de tudo, o mais importante é nós podermos de certa forma contribuir para que haja uma valorização da cultura e da identidade da nossa freguesia", complemente o presidente da Junta de  Espírito Santo, Nossa Senhora da Graça e São Simão, Mário Rui Macedo. "A cultura e o património local são dois pilares fundamentais", reforça, até porque é importante "lembrar que há anos faziam-se coisas que hoje deixavam de se fazer precisamente porque foram esquecidas". Para evitar que tal aconteça, a "poesia pode chegar a esse nível", acredita.

 O livro "contribui também para dar valor aos autores que ainda estão em vida", sustenta Mário Rui Macedo, que acredita hoje numa casa cheia para valorizar o trabalho cultural destes poetas e com algumas surpresas para quem marcar presença. Já a “Antologia de Poetas Nisenses” vai estar à venda na sede da Junta de Freguesia com o custo de €12. Retratos, aponta, "que são diferentes dos tempos atuais que vivemos". E deixa a questão: "Penso que as tradições e esses sentimentos é que fazem parte da nossa memória enquanto povo, não é?"

·         Tiago Oliveira - 21 mar. 2026 - https://conta-la.pt

 

21.3.26

Vital Moreira alerta para conspiração contra justiça constitucional que pode justificar novas eleições


O constitucionalista e antigo deputado do PS Vital Moreira alerta que pode estar em curso "uma conspiração" para acabar com a independência do Tribunal Constitucional, que deveria levar o presidente da República a equacionar a convocação de novas eleições.

"Se é esse o projeto inconfesso cuja execução agora se inicia, é bom alertar o PR para começar a pensar em convocar novas eleições para pôr fim a esta conspiração contra a independência da justiça constitucional e contra a integridade e efetividade da ordem constitucional da CRP de 1976", escreve o antigo deputado constituinte no seu blogue "Causa Nossa".

Em causa está o impasse na escolha de três juízes para o Palácio Ratton que está a gerar polémica entre PS, PSD e Chega. Os sociais-democratas defendem que devem indicar dois juízes e o Chega um, ficando o PS de fora, solução que os socialistas não aceitam e ameaçam mesmo, segundo o Expresso, romper o diálogo com o Governo, podendo abranger as negociações do orçamento para o próximo ano.

No texto, Vital Moreira adverte que "o ataque à imparcialidade da justiça constitucional pode ser ainda mais grave do que parece".

"Levando à letra a afirmação de que 'o PS não tem um lugar cativo no TC', ela significa que a direita parlamentar pode estar a pensar em apropriar-se também das próximas vagas de juízes indicados pelo PS. Ora, depois deste, basta mais um confisco de um juiz da quota socialista para que a coligação de direita possa também escolher livremente os três juízes cooptados, quando vagarem, transformando o TC num comissariado pseudojudicial do Governo e da maioria que o apoia", escreve.

Vital Moreira volta a lembrar o "acordo fundador do TC entre o PS e o PSD sobre a repartição dos lugares entre ambos, com poder de veto recíproco sobre os candidatos indicados por cada um deles".

Esse acordo - prossegue - "além de confiar a ambos, em pé de igualdade, a responsabilidade pela garantia da Lei Fundamental - como principais forças políticas que a fizeram e reformaram -, visou, acima de tudo, impedir o controlo político do TC e da justiça constitucional pelo partido governante em cada momento, no pressuposto de que nenhum dos dois partidos viria a alcançar uma maioria de 2/3 sozinho ou no conjunto do seu campo político".

Para o antigo eurodeputado do PS e autor de vários livros sobre a lei fundamental, "a proposta do PSD afronta deliberadamente a principal razão de ser do acordo, pois, ao acabar com a paridade política entre a esquerda e a direita constitucional no TC, dá, à partida, o controlo político do Tribunal e da justiça constitucional ao partido de Governo em funções, em conjunto com outros partidos da sua área política, que naturalmente tem privilegiado na sua governação".

"Mais ainda do que a entrada do Chega no TC - que o PSD podia obter mediante a transferência de uma das suas duas vagas em aberto, em vez de lhe oferecer a vaga do PS -, o que torna inaceitável a solução proposta é o descarado abandono do equilíbrio político e da imparcialidade partidária desde sempre observados na composição daquele, entregando o Tribunal à maioria partidária atualmente governante (mesmo que venha a deixar de sê-lo), que ficará com seis dos 10 juízes designados pela AR, com os deletérios efeitos inerentes ao controlo governamental da justiça constitucional", sustenta.

Vital Moreira considera ainda que "no 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa" o acordo proposto pelo PSD "não pode deixar de ser condenado por todos os que prezam o respeito pela CRP de 1976, como expressão política que é da Revolução do 25 de Abril de 1974 e como fundamento do regime democrático então nascido, sem precedente na nossa história política e constitucional".