Não é o primeiro verão de serviço intermitente na Costa de
Caparica, mas - contaram os residentes e os empresários ao jornalista Rogério
Matos - é o primeiro em que os cortes surgem sem aviso prévio, a qualquer hora
e, ainda pior, de duração incerta. É fácil apontar o dedo à escalada no consumo
de água e ao aumento de residentes no verão. Não é o desejável para os
territórios com bela costa marítima que o verão traga turistas e visitantes que
alimentem a economia local?
A Câmara de Almada pode e deve apelar à consciência social
dos cidadãos, para que façam um consumo mais regrado e até pode usar as tarifas
da água para impor essa redução por via do preço, em caso de lapso de
consciência dos munícipes. No entanto, tendo Portugal vivido dias de intenso
calor, era expectável que o consumo de água disparasse. O que não é expectável
em 2026 é que não haja planeamento municipal e inter-regional capaz de evitar
que as torneiras sequem.
Antes de investir no acessório, os autarcas têm o dever de
investir no essencial. E o essencial é que, em Almada, se deixem de perder 284
litros de água por ramal e por dia e que mais de um terço (33,4% e acima da
média nacional, que é de 26,5%) da água distribuída não seja faturada, como
descreve a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) no
último relatório anual. Também a ERSAR não pode desresponsabilizar-se, pois
permitiu que o serviço oferecido por Almada continue a não ser fiável ao longo
de anos.
Carla Sofia Luz – Jornal de Notícias -13 de julho, 2026
