31.1.26

IN MEMORIAN – FERNANDO MAMEDE, o grande campeão que nos deixou

 


FERNANDO MAMEDE – Fernando Eugénio Pacheco Mamede, de seu nome completo. Desportista, natural da Freguesia de Santiago Maior (Beja), nasceu a 01-11-1951 e faleceu a 27-01-2026. Apesar de ter começado a sua carreira de Desportista no Futebol, nos Juniores em dois clubes de Beja, Fernando Mamede, sempre treinado pelo Professor Moniz Pereira, ganhou fama no Atletismo, principalmente nos dez mil metros.

Considerado um Atleta de eleição, embora pouco talhado para competições de grande desgaste emocional, foi recordista mundial dos dez mil metros, de 1984, em Estocolmo, até 1989, quando Arturo Barrios, do México, o destronou em Berlim.

Fernando Mamede foi, também, recordista europeu dos dez mil metros de 1981, um título conquistado em Lisboa, até 26 de Junho de 1982, altura em que o perdeu a favor de Carlos Lopes, para o recuperar 13 dias depois, em Paris. Masi tarde melhorou novamente a marca, conseguindo fazer dez mil metros em 27 minutos, 13 segundos e 81 centésimos, recorde europeu.

Ainda em matéria de recordes, Fernnado Mamede foi recordista absoluto dos 800 metros nas seguintes época: 1970, em Bruxelas; em Barcelona e em Helsínquia, em 1973; em Lisboa, e, um ano depois, em Roma. Perdeu o recorde em Agosto de 1986. Conseguiu o recorde dos cinco mil metros, primeiro em 1978, em Estocolmo, e depois, em Lisboa, em 1982, sendo esta marca ultrapassada pelo recordista António Leitão, também em 1982.

Fernando Mamede, conquistou duas Medalhas de Bronze, uma individual, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, em Madrid, no ano de 1981, e outra colectiva, no Campeonato do Mundo de Corta-Mato, em Nova Iorque, em 1984.

Este Atleta do Sporting esteve presente nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972; de Montreal, em 1976, e Los Angeles, em 1984. Esteve também presente em Campeonatos do Mundo de Pista, Corta-Mato; Campeonatos da Europa de Pista; Taça da Europa, entre outras competições.

A nível nacional, o Atleta do Sporting Clube de Portugal, foi recordista dos dois mil metros, em 1984; dos quinhentos metros, de 1970 a 1982; dos mil metros, de 1971 a 1980; da milha, desde 1976 até 1980; das duas milhas, de 1974 a 1976, rrecordista dos três mil metros, de 1979 a 1983 e recordista absoluto dos mil e quinhentos metros, de 1971 a 1974, seis dias mais tarde recuperou o recorde e bateu-o mais três vezes durante o ano de 1976. Perdeu este recorde em Julho de 1980.

Também nas estafetas o seu comportamento foi evidente: nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972; nos 4×400 metros, fez o último percurso da corrida e estabeleceu um recorde de Portugal que perdurou até 1982; nos 4×800 metros fez parte da equipa que bateu o recorde em 1969 e, no ano seguinte, bateria novamente esse recorde que seria mais tarde, em 1973, batido por uma equipa do Sporting de que Fernando Mamede não fazia parte. Também nos 4×1.500 metros manteve o recorde português em representação de uma equipa do Sporting Clube de Portugal, desde 1970 até 1972. No Corta-Mato, foi Campeão Nacional em 1979, 1980, 1981, 1983, 1985 e 1986.

No escalão júnior, o seu primeiro recorde nacional nos dez mil metros data de Julho de 1980, foi também recordista na distância dos oitocentos metros de 1970 a 1973 e nos mil metros manteve o recorde entre 1970 e 1979. Na distãncia de mil e quinhentos metros foi recordista nacional de 1970 a 1972, recordista dos quatrocentos metros entre 1970 e 1971 e na estafeta de 4×400 metros, em 1968, a equipa de que fazia parte, obteve um recorde nacional que seria melhorado depois em 1970 e que se aguentou até 1983.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Sintra (Freguesia de Rio de Mouro – Rua Fernando Mamede).

Fonte: “Infopédia – Dicionários Porto Editora”

30.1.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXIII) - Carlos Alberto Lucas da Silva


 CAMINHA 

Despe a manhã

e levanta-te.

Abraça o dia

Agarra o sonho

e caminha!

 

Dança na areia

dos resíduos do tempo

caído da ampulheta

que desnuda as horas

suspensas no azul

de um sorriso

e caminha pelo amor.

 

Caminha pelo tempo

sem nuvens

e ilumina a viagem

que galopa

sobre as estrelas

agarrando a madrugada

e navega pelo rio

que é apenas teu

porque mais ninguém o viu.

 

Mergulha na alvorada

e não tenhas frio.

caminha pela cidade

e risca o silêncio

do vento sem idade

que sopra nas margens

as lágrimas do tempo.

 * Carlos Alberto Lucas da Silva

27.1.26

OPINIÃO: "Sim, é fascismo"


O termo fascismo sempre foi usado de forma livre nas disputas políticas, muitas vezes até como piada, de forma conscientemente exagerada. Mas o caso está a mudar de figura nos EUA, com um regime autoritário a tentar mudar a face de um país que, em tempos, foi considerado por alguns como o farol da democracia - também sabemos que era uma afirmação claramente exagerada.

"Sim, é fascismo" é o título de um artigo da revista "The Atlantic", que explica detalhadamente a razão que leva o autor, até aqui cético em utilizar o termo, a afirmar sem qualquer pudor que, ainda que o país não se tenha tornado fascista, o Governo de Trump é fascista. O canário na mina já morreu há muito, mas o rápido declínio das instituições e o uso de violência policial indiscriminada nas ruas tornaram tudo mais evidente.

Percorrer a lista elaborada por Jonathan Rauch é assustador. Nenhum dos problemas - como a retórica belicista, a politização das forças de segurança, a desumanização do outro, a interferência na política noutros países ou o descrédito do processo eleitoral - é novo, mas a síntese numa página de todos estes pontos é um murro no estômago que não deixa dúvidas.

Desengane-se quem pensa que é um problema americano e que nós, aqui na Europa, estamos livres. Lembram-se quando a extrema-direita não iria chegar ao nosso país de "brandos costumes"? Quero crer que estamos longe de algo ao nível de barbárie a que se assiste nos EUA, mas os sinais estão cá: discurso inflamado contra imigrantes, desumanizando-os; desinformação; apelos a uma polícia desregrada; uma espécie de milícia neonazi que advoga uma pureza racial do país. Bastou um ano de Trump para se mergulhar nas trevas. Quanto tempo aguentaríamos nós?

·         Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias -27 de janeiro, 2026

**   Cartoon de Vasco Gargalo

26.1.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXII) - António Bento


Ano Novo 

A todos os injustiçados do Mundo)

 

Este ano novo

tem que ser diferente:

Igual para toda a gente!

 

Ao que se chama fraternidade

que o seja de verdade!

Não seja apenas palavra,

como terra maninha,

não lavrada!

 

O Amor, palavra cara,

que o não seja ao de leve,

nem que seja asa breve,

que o seja mesmo de "avis rara".

 

Na guerra andará perdido

quem na Terra se perdeu...

Mas na guerra quem venceu?

Ninguém o sabe, menos eu...

 

Na guerra nada vingou,

nada restou;

Todos perderam tudo

Nunca ninguém ganhou!

 

E depois de quanto disse

que mais dizer que não disse?

Venha a verdade, o Amor,

a raiz, o tronco, o caule, a flor,

para que de nós o fruto seja

e vivamos com o calor

da Esperança de novos dias

e só com este grito na alma:

Haja Paz, haja Saúde, haja Amor!

 

António Bento – 31/12/2003

24.1.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXI) - António José Belo


Ser mulher 

P´ra mulher ser infeliz

Basta-lhe só ser mulher

Sempre nas línguas do Mundo

Esteja ela onde estiver.

 

Se não fala tem presunção

E passa por indecente

Se fala para toda a gente

Não conhece a posição...

Se ela vai a um serão,

Há uma língua que diz:

Ela vai lá porque quis

Aparecer ao seu encanto...

Tudo isto é bastante,

P´ra mulher ser infeliz.

 

Se vai à dança, é devassa

Se não vai é orgulhosa

Se quer ser religiosa

Dizem que é beata falsa

Se vai para a rua vai descalça

Ela ainda assim porque quer

Faça ela o que fizer,

Ou passe por quem passar

Para o mundo dela falar

Basta-lhe só ser mulher.

 

Se vai à missa engomada,

Há quem se atreva a dizer:

Não ganha para comer

Mas tem para andar asseada.

Se vai triste ou mal trajada

É bandalho sem segundo...

Se vai calçada, gasta tudo,

È pobre e desprevenida

Assim passa a triste vida,

Sempre nas línguas do mundo.

 

Se fica em casa é senhora,

É fidalga, sem ter renda

Se trabalha na fazenda

É tida como impostora...

Não tem a triste uma hora

Que a desgraça a não espere

Faça ela o que fizer

A favor do seu bom porte...

Falam dela até à morte,

Esteja ela onde estiver.

* António José Belo

** Desenho de Cipriano Dourado

OPINIÃO: Uma cama para quantos der


A ação de ontem da Câmara do Porto, de selar dois andares de um prédio junto aos Clérigos onde estavam montados 19 quartos para imigrantes, espelha a realidade vivida por muitos dos que aterram no país para trabalhar e caem nas teias da máfia habitacional. Neste caso, por cada cama, pagavam 250 euros. Mas, histórias semelhantes não faltam. Conheço três imigrantes que pagaram durante alguns meses 1500 euros por três quarto-caixa de fósforos na Invicta, mas que conseguiram entretanto ficar a pagar 500 euros por um T3 num concelho vizinho. No ano passado, a PSP identificou na Área Metropolitana do Porto 56 alojamentos ilegais que foram ocupados por cerca de 900 estrangeiros. A relação entre a falta de oferta e a elevada procura transformou o mercado imobiliário do arrendamento numa selva em que a dignidade humana é submetida à rentabilidade por metro quadrado. Não, não são todos os senhorios. Há quem ainda tenha bom senso, quem ainda tenha mais coração que barriga. O que vai acontecer a estes 50 imigrantes do Bangladesh, da Índia e do Nepal? Vão transferir-se, provavelmente para outros edifícios sobrelotados, que começam a abundar fora do centro histórico. Em algum local têm de viver, e quem passa na VCI vê que as moradas debaixo de alguns viadutos estão já ocupadas. Há mantas e tendas um pouco acima da correria rodoviária de todos os dias, sem código postal. O problema da habitação é que é democrático, atinge os jovens, que não têm como sair de casa dos pais, a classe média, com salários curtos para o aumento do custo de vida e as frondosas contas do supermercado, no limite mais baixo, os pobres, e, no subsolo, ataca os imigrantes, que andam a fugir de inspeções, mas que não viram alternativa se não sujeitarem-se a uma cama num andar sobrelotado, ao lado dos Clérigos.

*Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias - 22 de janeiro, 2026


21.1.26

ALPALHÃO: Caminhada "Pelos Trilhos de Alpalhão"

 


MARVÃO: 800 Anos do 1º Foral de Marvão


Este sábado, 24 de janeiro, o Município de Marvão celebra a sua história, com o arranque das comemorações dos 800 anos do primeiro Foral da Vila, o documento que deu a independência a um concelho que, no longínquo ano de 1226, abrangia praticamente todo o distrito de Portalegre e um vasto território da província de Cáceres.

A celebração começa com a inauguração da exposição de bordados com casca de castanha, no Museu Municipal, às 15h00. De seguida, pode assistir-se a uma conferência sobre o Primeiro Foral de Marvão e a Restauração da Independência, com a participação da professora Hermínia Vilar, na Casa da Cultura, às 16h00.

Já às 17h30, o Trio Ensemble Régio sobe ao palco para um apontamento musical que promete encantar.

As comemorações deste dia marcante terminam às 19h00, com um espetáculo de fogo de artifício, lançado a partir do castelo de Marvão.

Foi há oito séculos que D. Sancho II reconheceu a importância desta povoação do topo da serra, que impedia os avanços militares de Castela, garantindo a soberania portuguesa. Uma data redonda que enche os marvanenses de orgulho.

Mas o dia será de festa a dobrar, uma vez que, também no sábado, se assinalam os 128 anos da Restauração da Independência de Marvão. Em 1898, o concelho voltou a assegurar a sua soberania em relação a Castelo de Vide, dando às suas gentes o controlo da terra.

A história do concelho de Marvão será recordada ao longo de todo o ano, com quinzenas gastronómicas, atividades culturais, desportivas, para além das tradicionais Boda Régia, Al Mossassa e Feira da Castanha. Estes e muitos outros eventos vão estar em destaque na agenda cultural de 2026.

20.1.26

SOUSEL: Prisão preventiva por violência doméstica


O Comando Territorial de Portalegre, através do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE), no dia 15 de janeiro, deteve um homem de 45 anos pelo crime de violência doméstica, no concelho de Sousel.

No âmbito de uma investigação por violência doméstica, os militares da Guarda apuraram que o suspeito exercia violência psicológica e física sobre a vítima, sua companheira de 50 anos, bem como sobre a filha da vítima. No seguimento das diligências, foi dado cumprimento a um mandado de detenção fora de flagrante delito, que culminou na sua detenção.

O detido, no dia 16 de janeiro, foi presente ao Tribunal Judicial de Fronteira, tendo-lhe sido aplicadas as medidas de coação de proibição de contacto, por qualquer meio, com as vítimas, e prisão preventiva.

 

 

NISA: Conhecer é preciso - Aula de História na sede da União de Freguesias


 

NISA: Quem acode às ruas da vila?


Rua 25 de Abril em estado calamitoso

Bem sei que vão dizer que é uma Estrada Nacional (EN18) e que a sua administração pertence ao Estado. Mas isso não chega. É também uma rua, por sinal, a mais extensa de Nisa e, por isso, a que terá mais moradores. Situação que justifica, por si só, uma maior atenção por parte da Câmara Municipal e não, como acontece, uma enorme imagem de desleixo e abandono.

Vários moradores queixaram-se da falta de limpeza e da varredura que é comum noutras artérias da vila. Mas o que ali ocorre na rua também conhecida como Estrada de Alpalhão, é muito mais grave e obriga a que a autarquia tome medidas com urgência. O pavimento está em péssimo estado, degradado, esventrado, com buracos e rupturas, a que não escapam as caixas de retenção de esgotos. As tampas dessas caixas que deviam estar à superfície e em linha com o pavimento, quase sumiram, “enterradas”, absorvidas pelo alcatrão, abrindo mais buracos e que os condutores têm de evitar, protegendo os veículos que conduzem e evitando a ida à oficina. O piso da rua, que é também Estrada Nacional e “roteiro” de passagens de veículos de grande porte, está a desintegrar-se. Em vários sítios, devido à degradação, apareceram diversas “lagoas”, mais uma situação deplorável a contemplar os moradores e caminhantes na artéria, obrigados a utilizarem apenas um dos passeios e que, não raras vezes, são mimoseados com um banho, imprevisto, de água das chuvas, ali depositadas.

É preciso, imperioso e urgente que a Câmara tome medidas. Que resolva por si, aquilo que pode fazer e entre estes, o reforço da limpeza urbana. É preciso que a autarquia não se  “feche em copas” e aponte a responsabilidade da degradação da rua 25 de Abril, a outra entidade.

Nisa precisa desde há muito de uma via de circulação externa. Via que retire do atravessamento da vila, camiões e outros meios de viação, principalmente os de transporte de eucaliptos destinados a Vila Velha de Ródão.

A Câmara não pode, por mais tempo, ignorar esta situação. Como outras que constatamos noutro locais da urbe e sobre as quais daremos também, aqui, notícia.

Durante anos, demasiados, a propaganda camarária concentrou-se em fazer “arranjos” de flores no centro da vila. Gastou-se o que havia e não havia na construção de “cenários idílicos” imaginados pela arquitectona-mor, ao mesmo tempo que eram desprezadas as melhorias e a construção de novas infra-estruturas tão necessárias ao dia a dia dos seus habitantes e de quem por aqui passa. A entrada de Nisa para quem vem da A23 não é apenas escandalosa, é criminosa.  Ainda mais para quem tanto reclama o “boom” do turismo e das visitas à “terra bordada de encantos”.

Que triste entrada no Alentejo…

 

19.1.26

Avis sorri a 43 dadores de sangue

 

Depois de termos realizado uma colheita em Nisa, continuamos a marcar a agenda 2026, previamente aprazada. Avis foi a terra que se seguiu, tendo a Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP, em conjunto com a Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE, efetuado nova operação.

O centro de saúde de Avis foi o local que recebeu os voluntários. E tivemos números muito risonhos, já que se inscreveram 43 pessoas, sendo 21 do sexo feminino (48,8 %).

Nem todos puderam doar sangue nesta oportunidade, já que os exames de saúde são criteriosos. Em Avis conseguiram-se quatro dezenas de alegres unidades de sangue total, um número tanto simpático como útil.

Destaque para os seis voluntários que nesta data fizeram o seu batismo como dadores – na verdade bem encorajador.

No final, não faltou o habitual almoço convívio em terras de Avis.

24 de janeiro em Castelo de Vide

Como é do conhecimento geral, as nossas colheitas são em sábados, das 09h00 às 13h00, sensivelmente. A 24 de janeiro vamos estar no centro de saúde de Castelo de Vide.

Mesmo com tempo nublado, não faz mal doar sangue! Percorra: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/

JR



POSTAL DO DIA: Está viva a mulher que inventou a única canção que foi mais popular do que Grândola


Durante a revolução cantou a única música que foi mais popular do que Grândola. Continua viva, chama-se Ermelinda e a maioria de nós não faz ideia de que existe.

1. Nunca me cruzei com Ermelinda Duarte.

Não me lembro de que tenha acontecido, só do meu pai me falar do seu talento, da sua voz que inventava outras vozes.

Não por as imitar, mas por as dobrar tornando-as suas.

Se és da minha idade, cinquenta e picos, lembras-te do Tom Sawyer – foi ela quem recriou a voz de Tom.

E para teres uma ideia da sua mestria, chegou a fazer no mesmo episódio a voz de Tom e da sua namorada, a menina de boas famílias, a adorável Becky por quem certamente me apaixonei enquanto aprendia a ler e a contar.

2. Nunca troquei duas palavras com Ermelinda Duarte, mas é justo que se diga que a canção que compôs antes da revolução dos cravos, foi a mais popular entre todas as que nasceram por iniciativa do povo que cantava na rua.

É claro que houve o Depois do Adeus, mas foi o resultado da escolha dos militares, precisavam de uma canção popular que pudesse servir de senha e não despertasse atenções.

Agora, a canção de Ermelinda foi outra coisa.

Gravou-a para um teatro de revista, creio que no Vasco Santana, e depois a malta fê-la sua.

Tanto como Grândola.

Mais até do que Grândola porque as crianças usavam-na como refrão de regresso a casa.

Lembras-te?

“Uma Gaivota, voava, voava…

Asas de vento, coração de mar

Como ela, somos livres

Somos livres, de voar”

3. Bem, calo-me porque de outra maneira mudas de posto e a Ermelinda pode processar-me por atentado à sua eterna canção.

Este postal é para ela.

Por estar viva, por me dizerem que tem tanto de maravilhosa como de discreta.

4. A mulher que marcou um tempo, que inventou um hino, que fez um trabalho de mérito no teatro e nas dobragens – ainda há pouco tempo a sua voz era a da mãe do Gru, o Maldisposto…

… esta mulher decidiu que não desejava ser vista, ser olhada, ser reconhecida.

Fez o que tinha a fazer, fica na história, mas na maior parte da sua vida obrigou-se a uma clandestinidade muito própria, uma clandestinidade existencial.

Se tantos falam, ela fica em silêncio.

Sai com amigos, almoça, discute as coisas, é culta.

O meu pai dizia-me que era muito acima da média entre os que sabiam do que falavam.

Nasceu em Moçambique, creio que na antiga Lourenço Marques, veio estudar Filologia Germânica para a Faculdade de Letras, e fascinou-se com a arte e com os artistas.

Inventou canções e vozes.

E desapareceu da nossa vista, continuando a fazer parte de nós.

Dos que as lembram.

E até dos miúdos mais pequeninos que continuam a cantar o “Somos Livres” como apologia de futuro e da infância.

Querida Ermelinda, um dia almoçamos?

Eu gostava muito.

·         Luís Osório

18.1.26

ASSIM, NÃO! Não é para "isto" que escolhemos um Presidente da República!

 


NISA: SEssão ordinária da Câmara com Albergaria do Tejo na Ordem de Trabalhos

 


HISTÓRIA: Há 20 anos houve eleições para a Presidência da República (2006)

 




Realizou-se a 22 de Janeiro de 2006, há 20 anos, a eleição para escolher o Presidente da República, depois dos dois mandatos de Jorge Sampaio. O resultado final, logo na primeira volta, ditou a escolha dos portugueses em Cavaco e Silva. Desta eleição em 2006, deixo, como memória histórica, o quadro dos resultados, a nível nacional, e uma foto que encontrei, por acaso nos meus arquivos. É sempre bom recordar...

16.1.26

ARNEIRO (Nisa): Caminhada "À Descoberta do Património da Freguesia de Santana"



POLÍTICA: Comunicado do PCP Sobre os resultados das eleições para a CCDR Alentejo


Após a publicação pela DGAL dos resultados das eleições para o Presidente e um Vice-Presidente da  CCDR Alentejo, o Executivo da Direcção Regional do Alentejo do PCP:

1 – Reafirma a sua posição expressa em comunicado do passado dia 6 de Janeiro relativo às  alterações na composição dos Conselhos Directivos das CDDR e ao “negócio” que PS e PSD levaram a  cabo tratando as regiões do País como coutadas partidárias. 

2 - Sublinha que que o processo de nomeação do novo Conselho Directivo da CCDR Alentejo ficará  marcado pelo desrespeito pelo poder local democrático, pela região e suas instituições e pelo  abandono por parte do PS e PSD de práticas de diálogo democrático que marcaram várias décadas do  relacionamento e respeito institucional na região. 

3 – Realça que dos 1284 membros que constituíam o colégio eleitoral para a eleição do Presidente  da CDDR, 350 decidiram não votar, 210 votaram em branco e 28 anularam o seu voto. Ou seja, 588  eleitos autárquicos da região Alentejo (44,7% dos membros do colégio eleitoral) decidiram ou não  legitimar este processo com o seu voto, ou, votando, não manifestar o seu apoio à solução  previamente decidida por PS e PSD. Este é um número que fala por si quanto à gravidade do ocorrido.

4 – Salienta que a percentagem de não votantes nesta eleição (que não pode ser meramente  apresentada como “abstenção” pois é tradução de um posicionamento político consciente de protesto institucional) e de votos brancos ou nulos constitui um facto político importante e inédito que PS e  PSD não podem ignorar ou esconder (por mais que o tentem) e que terá consequências políticas na  região. 

5 – Lamenta que vários responsáveis políticos e estruturas regionais do Partido Socialista tenham  vindo a público comemorar e saudar a eleição dos novos dirigentes da CCDR Alentejo, ainda no  próprio dia da eleição, sem que fossem conhecidos publicamente os resultados, e divulgados pela  entidade que os deve divulgar, a DGAL. Tal facto só vem reforçar as posições críticas do PCP quanto à  “democratização” das CDDR, e demonstra uma lamentável atitude de desrespeito por elementares  princípios democráticos de funcionamento das instituições, que visou tentar apagar por antecipação o  facto político que marca e marcará estas ditas eleições – a não participação de centenas de autarcas  em protesto contra este processo e a dimensão dos votos em branco ou nulos. 

6 – Afirma que a dimensão da contestação a um processo ferido por atropelos ao respeito  institucional e a princípios democráticos, constitui uma expressiva demonstração de apego à  democracia e uma importantíssima base para prosseguir a luta em defesa do poder local  democrático, da democracia, da Constituição da República Portuguesa e da regionalização que  esta consagra.

7 – Apela a todas as instituições e personalidades que venham a compor o Conselho Regional da  CCDR Alentejo que expressem, pela formas que entenderem mais efectivas e consequentes, a  condenação pelo desrespeito à sua autonomia de decisão e a recusa da tentativa de  instrumentalização partidária deste órgão na eleição do segundo vice-presidente da CCDR Alentejo.

15 de Janeiro de 2026

O Executivo da DRA do PCP

 

 

15.1.26

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA


 

O derrame | cartoon editorial da revista de Domingo do @correiodamanhaoficial –Vasco Gargalo

NISA: Conheça os poetas do concelho (LX) - Antório Borrego


Chama que chama

Um leve sabor de flor oclusa

com perfume entranhado...salgado...

oh ténue mistério, só captado por quem urdiu

o trama num céu estrelado

delineando horizontes nos espasmos

selvagens, serenos, mágicos e mansos

oh química, torrente vertiginosa...nas veias...

oh Sacrário de hóstias apaziguadas...

(consagradas por um possível pedófilo)

fogueira proibida da Inquisição

onde há oferendas...jamais vítimas...

Catedral de todos os génios

porta aberta, a todos os gritos que apelam à liberdade...

deixem escorrer!

todos os clamores...

todos os amores...

todos os hinos...

que fervam as pedras do coração

que venha o menino que trago na alma...

onde estou?!

se vejo as estrelas cá de cima?...do cimo astral...

onde a lógica do amor é intemporal!

beijo (ou mordo?) a tua boca...furiosamente....

esquecer as faturas da luz, do gás, da água e dos impostos que

a corja inventa...

arremessar a calculadora contra a parede...estilhaçá-la

em mil bocados...

acendo um cigarro, peço pizza pelo telefone...

(penso num ramo de flores para a jarra)

ainda me lembro do teu perfume "Chanel nº 5"

mas tu?!

nem estás aqui!

como poderias estar?! se és pura imaginação?!

mas sei, que és esse corpo que adivinhei e, bebo sorvo a sorvo

porque és água da minha sede...

para redescobrir-te? já é tarde!

para te perder...é muito cedo!

A.B. 2026

14.1.26

URGENTE: Quem acode às estradas do concelho?


Ligação do IP2 a Nisa junto à Barragem do Fratel é caótica

É um apelo urgente sobre o estado das vias de comunicação rodoviárias do concelho de Nisa, principalmente a ligação entre o IP2 e a saída para Nisa através da EN 359.

A estrada está em condições deploráveis de conservação, degradada, o pavimento  apresenta nalguns locais o aspecto de autênticas “crateras”, cheias de pedras soltas que, projectadas, representam mais um potencial perigo para condutores e viaturas. A estrada é estreita, não tem marcações no que resta do pavimento e nem se dá pela existência de bermas dignas desse nome. A situação agravou-se com a utilização desta via para acesso ao miradouro transparente do Tejo e ao percurso pedestre do sirgadouro, aumentando o volume de tráfego nos dois sentidos. Este troço de 2 ou 3 quilómetros serve de ligação principal entre o IP2 e a sede do concelho, para quem vindo da Barragem  e dos acessos à A23 se dirige a Nisa. Este é um dos únicos concelhos  em todo o percurso do IP2 que não tem acessos directos as dois sentidos do Itinerário Principal, contrariamente ao que acontece com outras povoações, até de menor importância. É um problema antigo, desde a construção do IP2 e que prejudica muito o acesso à sede do concelho feito por esta estrada sem perfil para suportar o volume e a tipologia dos veículos que nela transitam. O acesso à EN 359 é feita através de um túnel  cuja construção não foi tecnicamente a mais adequada, pois o piso assenta numa superfície desnivelada , situação que, volta e meia, apanha desprevenidos os condutores de alguns camiões que conseguem entrar no viaduto, mas são obrigados a retroceder devido à impossibilidade de concluírem a travessia do mesmo. As estruturas superiores desses meios de transporte arrastam no tecto do túnel  e ficam sem possibilidade de prosseguirem a viagem.

Por outro lado, quem se dirige de Nisa, de Monte Claro ou Falagueira e queira, por exemplo, rumar a Amieira do Tejo, isto é,  seguir o sentido Barragem do Fratel – Placas de Arez não o pode fazer directa e legalmente, sendo obrigado a percorrer a distância até à Barragem e aí  mudar para o outro lado da via.

A solução deste problema nem sequer é dispendiosa. Tendo em conta que a entrada no IP2 a partir de Nisa- Monte Claro é feita num local onde a via tem uma grande extensão  com excelente visibilidade e no qual deveriam ser construídas duas vias suplementares de acesso, tal como acontece em Gardete ou no acesso à zona dos supermercados, em Portalegre, por exemplo.

A manter-se esta situação, Nisa ficará sempre em plano secundário e fora da “filosofia rodoviária” que presidiu à implementação dos Itinerários Principais no país. Resolveram-se os problemas de acesso a Amieira do Tejo, Tolosa, Gáfete, Alpalhão. Acabou-se com os famigerados anúncios de “trânsito local” que nada diziam, mas esta nódoa negra  das comunicações de Nisa com Lisboa, o Norte do país e as Beiras mantém-se de forma inexorável, há décadas.

É preciso ganhar força e vontades, alertar os poderes políticos e públicos para esta realidade que nos tolhe os movimentos, a perspectiva de progresso  e a visão de um país mais justo e solidário entre todas as regiões.

* Mário Mendes

 

CRÓNICAS DA TABANCA: Governo e oposição, (nem sempre) a mesma cambada são.


A expressão “Governo e Oposição a mesma cambada são!” pertence aos tempos áureos do MRPP e do grande educador da classe operária, Arnaldo Matos.

Ontem, durante a Hasta Pública para venda da Albergaria Penha do Tejo, lembrei-me desta frase ou slogan político, que pretende colocar no mesmo plano, a ineficácia de uns (governos) e a inércia de outros (os que se lhe opõem).

Para muitos, a oposição,  é o “contra-governo”  e até há quem forme “governos-sombra” exercitando a fiscalização sectorial do poder eleito.

Nas redes sociais é vulgar encontrar expressões como “não fazem nem deixam fazer”, “eles é que foram eleitos e devem governar” e por aí fora. Estes, são os defensores do poder instituído e resultante de eleições. Poder com legitimidade para governar e aplicar as políticas com que se apresentou ao eleitorado se tiver apoio parlamentar, o que no caso do poder local só poderá acontecer se a nível do executivo (câmara municipal) tiver maioria absoluta.


Na minha opinião – e tivemos em Nisa fartos exemplos disso – as maiorias absolutas configuram um poder absoluto, principalmente quando este está entregue a pessoas que só se exprimem “absolutamente”, ou seja, num estilo de governação centrado no “eu quero, eu posso, eu mando” , método de governação que pouco ou nada tem de democrático, já que as tomadas de posição que afectam todos os habitantes do concelho, são feitas à revelia e sem a participação de sensibilidades políticas que elegeram vereadores – que para o caso, nada contam – e membros da Assembleia Municipal e por isso representam uma “fatia” de representação popular feita através do voto.

No caso contrário e sem maioria absoluta, a governação municipal tende a ser mais participada, plural e democrática. Cinco cabeças pensam melhor que duas ou três, ainda mais quando uma dessas três, pretende (e consegue) apropriar-se do poder de decisão e transformá-lo num exercício de ditadura pessoal e de culto da personalidade.

Ontem, a oposição deu uma lição ao poder, ao executivo municipal que é de cinco eleitos, mas apenas de dois, o “duo maravilha”, em exercícios de funções.

Do “regime” anterior e da sua presidente, havia a informação (2023) de que a Albergaria Penha do Tejo iria ser vendida a um investidor holandês. Porquê aquele e não outro ou outros, não sabemos. Sabemos, isso sim, que o primeiro anúncio de venda tinha como preço base 750 mil euros e que o fantasma da Albergaria continuava a pesar na cabeça dos autarcas socialistas e no arranque do novo ano, o “duo maravilha” levou a reunião de Câmara uma proposta para ajuste ou venda directa do imóvel pelo valor de 375 mil euros, ou seja, metade do preço inicial.

A oposição, eleitos da CDU e do PSD não aceitaram esta proposta e apresentaram uma outra em alternativa, obrigando a que a venda fosse feita em Hasta Pública, aquela que aconteceu ontem-

A comunicação social, independente, fez o seu trabalho e divulgou o que aconteceu. A outra, dependente, não pôs cá os pés.

A oposição, os três eleitos,  a quem foi tirada a legitimidade e dignidade de figurarem no recente “Boletim de Propaganda” cor e rosa, conseguiu, com a sua decisão esclarecida, que a Hasta Pública tivesse a notoriedade reconhecida e que mesma se pautasse por normas de transparência, permitindo a participação PÚBLICA e ABERTA a todos os que desejassem  concorrer. O resultado final cifrou-se na venda por 615 mil e quinhentos euros.

A Câmara recuperou com esta Hasta Pública 240 mil euros. É obra! 240 mil euros que a teimosia de uns e o abanar da cabeça de outros, se preparava para deitar para a rua.

A oposição mostrou como se defende o interesse municipal e, simultaneamente, como se respeitam as leis e se estimula o conceito de oportunidades para todos.

Ao contrário do “educador da classe operária”, nem sempre governo e oposição…

Isso mesmo!

Mário Mendes