É um apelo urgente sobre o estado das vias de comunicação rodoviárias
do concelho de Nisa, principalmente a ligação entre o IP2 e a saída para Nisa através
da EN 359.
A estrada está em condições deploráveis de conservação, degradada, o pavimento apresenta nalguns locais o aspecto de autênticas “crateras”, cheias de pedras soltas que, projectadas, representam mais um potencial perigo para condutores e viaturas. A estrada é estreita, não tem marcações no que resta do pavimento e nem se dá pela existência de bermas dignas desse nome. A situação agravou-se com a utilização desta via para acesso ao miradouro transparente do Tejo e ao percurso pedestre do sirgadouro, aumentando o volume de tráfego nos dois sentidos. Este troço de 2 ou 3 quilómetros serve de ligação serve dea ligação principal entre o IP2 e a sede do concelho, para quem vindo da Barragem e dos acessos à A23 se dirige a Nisa. Este é um dos únicos concelhos em todo o percurso do IP2 que não tem acessos directos as dois sentidos do Itinerário Principal, contrariamente ao que acontece com outras povoações, até de menor importância. É um problema antigo, desde a construção do IP2 e que prejudica muito o acesso à sede do concelho feito por esta estrada sem perfil para suportar o volume e a tipologia dos veículos que nela transitam. O acesso à EN 359 é feita através de um túnel cuja construção não foi tecnicamente a mais adequada, pois o piso assenta numa superfície desnivelada , situação que, volta e meia, apanha desprevenidos os condutores de alguns camiões que conseguem entrar no viaduto, mas são obrigados a retroceder devido à impossibilidade de concluírem a travessia do mesmo. As estruturas superiores desses meios de transporte arrastam no tecto do túnel e ficam sem possibilidade de prosseguirem a viagem.
Por outro lado, quem se dirige de Nisa, de Monte Claro ou Falagueira e
queira, por exemplo, rumar a Amieira do Tejo, isto é, seguir o sentido Barragem do Fratel – Placas de
Arez não o pode fazer directa e legalmente, sendo obrigado a percorrer a distância
até à Barragem e aí mudar para o outro
lado da via.
A solução deste problema nem sequer é dispendiosa. Tendo em conta que a
entrada no IP2 a partir de Nisa- Monte Claro é feita num local onde a via tem
uma grande extensão com excelente
visibilidade e no qual deveriam ser construídas duas vias suplementares de
acesso, tal como acontece em Gardete ou no acesso à zona dos supermercados, em
Portalegre, por exemplo, em Portalegre.
A manter-se esta situação, Nisa ficará sempre em plano secundário e
fora da “filosofia rodoviária” que presidiu à implementação dos Itinerários
Principais no país. Resolveram-se os problemas de acesso a Amieira do Tejo,
Tolosa, Gáfete, Alpalhão. Acabou-se com os famigerados anúncios de “trânsito
local” que nada diziam, mas esta nódoa negra
das comunicações de Nisa com Lisboa, o Norte do país e as Beiras
mantém-se de forma inexorável, há décadas.
É preciso ganhar força e vontades, alertar os poderes políticos e
públicos para esta realidade que nos tolhe os movimentos, a perspectiva de
progresso e a visão de um país mais
justo e solidário entre todas as regiões.
* Mário Mendes

