7.1.26

NISA: Memória dos Afectos


São locais, recantos, edifícios degradados, instalações industriais onde já fervilhou a semente da vida e dos encontros. Onde o fumo e o cheiro a pão fresco, bem quente a sair do forno, se elevava por sobre a vozeria das mulheres, discutindo as vida e as mazelas do dia a dia, no fino sotaque nisense.

Tiveram vida, importância, deram movimento às ruas e aos largos, mas hoje definham, esquecidos, remetidos para o rol do património que não interessa recuperar. Espera-se, alias, que num dia ou noite qualquer, se desmorone, com o menor estrondo possível, quase em silêncio, não vá a hecatombe despertar vizinhos e algumas (boas) consciências.

Património industrial de Nisa e do concelho , ao deus-dará, esquecido, "amargurado", por tanta desventura e desrespeito. Pela falta de reconhecimento para aquilo que representou para a terra e para as pessoas.

Como na peça do Karl Valentin, apetece perguntar, em desespero de causa: E não se pode exterminá-lo?

Triste autarcas que tão pouco respeito têm pela terra em que nasceram.

·         Mário Mendes