São locais, recantos, edifícios degradados, instalações industriais
onde já fervilhou a semente da vida e dos encontros. Onde o fumo e o cheiro a
pão fresco, bem quente a sair do forno, se elevava por sobre a vozeria das
mulheres, discutindo as vida e as mazelas do dia a dia, no fino sotaque
nisense.
Tiveram vida, importância, deram movimento às ruas e aos largos, mas
hoje definham, esquecidos, remetidos para o rol do património que não interessa
recuperar. Espera-se, alias, que num dia ou noite qualquer, se desmorone, com o
menor estrondo possível, quase em silêncio, não vá a hecatombe despertar vizinhos
e algumas (boas) consciências.
Património industrial de Nisa e do concelho , ao deus-dará, esquecido,
"amargurado", por tanta desventura e desrespeito. Pela falta de
reconhecimento para aquilo que representou para a terra e para as pessoas.
Como na peça do Karl Valentin, apetece perguntar, em desespero de
causa: E não se pode exterminá-lo?
Triste autarcas que tão pouco respeito têm pela terra em que nasceram.
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Mário Mendes
