Ontem, durante a Hasta Pública para venda da Albergaria Penha do Tejo,
lembrei-me desta frase ou slogan político, que pretende colocar no mesmo plano,
a ineficácia de uns (governos) e a inércia de outros (os que se lhe opõem).
Para muitos, a oposição, é o “contra-governo” e até há quem forme “governos-sombra”
exercitando a fiscalização sectorial do poder eleito.
Nas redes sociais é vulgar encontrar expressões como “não fazem nem deixam fazer”, “eles é que foram eleitos e devem governar” e por aí fora. Estes, são os defensores do poder instituído e resultante de eleições. Poder com legitimidade para governar e aplicar as políticas com que se apresentou ao eleitorado se tiver apoio parlamentar, o que no caso do poder local só poderá acontecer se a nível do executivo (câmara municipal) tiver maioria absoluta.
No caso contrário e sem maioria absoluta, a governação municipal tende a ser mais participada, plural e democrática. Cinco cabeças pensam melhor que duas ou três, ainda mais quando uma dessas três, pretende (e consegue) apropriar-se do poder de decisão e transformá-lo num exercício de ditadura pessoal e de culto da personalidade.
Ontem, a oposição deu uma lição ao poder, ao executivo municipal que é
de cinco eleitos, mas apenas de dois, o “duo maravilha”, em exercícios de
funções.
Do “regime” anterior e da sua presidente, havia a informação (2023) de
que a Albergaria Penha do Tejo iria ser vendida a um investidor holandês. Porquê
aquele e não outro ou outros, não sabemos. Sabemos, isso sim, que o primeiro
anúncio de venda tinha como preço base 750 mil euros e que o fantasma da
Albergaria continuava a pesar na cabeça dos autarcas socialistas e no arranque
do novo ano, o “duo maravilha” levou a reunião de Câmara uma proposta para
ajuste ou venda directa do imóvel pelo valor de 375 mil euros, ou seja, metade
do preço inicial.
A oposição, eleitos da CDU e do PSD não aceitaram esta proposta e
apresentaram uma outra em alternativa, obrigando a que a venda fosse feita em
Hasta Pública, aquela que aconteceu ontem-
A comunicação social, independente, fez o seu trabalho e divulgou o que
aconteceu. A outra, dependente, não pôs cá os pés.
A oposição, os três eleitos, a
quem foi tirada a legitimidade e dignidade de figurarem no recente “Boletim de
Propaganda” cor e rosa, conseguiu, com a sua decisão esclarecida, que a Hasta
Pública tivesse a notoriedade reconhecida e que mesma se pautasse por normas de
transparência, permitindo a participação PÚBLICA e ABERTA a todos os que
desejassem concorrer. O resultado final
cifrou-se na venda por 615 mil e quinhentos euros.
A Câmara recuperou com esta Hasta Pública 240 mil euros. É obra! 240
mil euros que a teimosia de uns e o abanar da cabeça de outros, se preparava
para deitar para a rua.
A oposição mostrou como se defende o interesse municipal e,
simultaneamente, como se respeitam as leis e se estimula o conceito de
oportunidades para todos.
Ao contrário do “educador da classe operária”, nem sempre governo e
oposição…
Isso mesmo!
Mário Mendes

