Alavancada pelas sondagens, que voltam a ser criticadas quando não dão
jeito e glorificadas quando apresentam resultados simpáticos (foi sempre assim
e assim será), não se pode dizer que a campanha tenha sido morna. Pode
dizer-se, isso, sim, que neste período de caça ao voto se discutiu mais temas
relacionados com a governação do que o papel constitucional do presidente da
República. Não tem mal nenhum, porque, no fundo, os portugueses querem saber o
que pensa um presidente sobre o país real, sobre as pessoas concretas, sobre a
vida. Não é por acaso que programas de conversas íntimas na televisão ou no
YouTube têm o sucesso que têm.
Também se desvalorizou a qualidade dos candidatos, teimosamente
comparados a outras figuras e pesos-pesados da política portuguesa. E voltamos
ao "antes é que era bom", porque há quem faça questão de estar
eternamente preso ao passado. Um passado, aliás, que amanhã nos brinda com o dia
de reflexão, verdadeira relíquia da nossa democracia que já não faz nenhum
sentido.
A grande novidade desta campanha prende-se com as redes sociais. Pela
primeira vez de forma transversal, a política passou também a ser posts,
stories e reels pensados estrategicamente para emocionar e não tanto para
refletir. As regras antigas já não definem como votamos e o sentido de voto
pode mudar à velocidade de um scroll. No domingo, também estão em jogo decisões
que se formam em segundos.
Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 16 de janeiro, 2026
