17.1.26

OPINIÃO: A eleição mais Internet de sempre


Nesta campanha eleitoral para as presidenciais houve de tudo. Acusações de ordinarices, desistências de candidatos que não se concretizaram, apoios indesejados, promessas de oferecer um Ferrari a cada cidadão e até quem, em direto, perdesse a cabeça.

Alavancada pelas sondagens, que voltam a ser criticadas quando não dão jeito e glorificadas quando apresentam resultados simpáticos (foi sempre assim e assim será), não se pode dizer que a campanha tenha sido morna. Pode dizer-se, isso, sim, que neste período de caça ao voto se discutiu mais temas relacionados com a governação do que o papel constitucional do presidente da República. Não tem mal nenhum, porque, no fundo, os portugueses querem saber o que pensa um presidente sobre o país real, sobre as pessoas concretas, sobre a vida. Não é por acaso que programas de conversas íntimas na televisão ou no YouTube têm o sucesso que têm.

Também se desvalorizou a qualidade dos candidatos, teimosamente comparados a outras figuras e pesos-pesados da política portuguesa. E voltamos ao "antes é que era bom", porque há quem faça questão de estar eternamente preso ao passado. Um passado, aliás, que amanhã nos brinda com o dia de reflexão, verdadeira relíquia da nossa democracia que já não faz nenhum sentido.

A grande novidade desta campanha prende-se com as redes sociais. Pela primeira vez de forma transversal, a política passou também a ser posts, stories e reels pensados estrategicamente para emocionar e não tanto para refletir. As regras antigas já não definem como votamos e o sentido de voto pode mudar à velocidade de um scroll. No domingo, também estão em jogo decisões que se formam em segundos.

Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 16 de janeiro, 2026