Estamos a viver a era da doutrina Donroe, uma deturpação, tanto na
essência como na forma, do ideário Monroe. Há quase exatos dois séculos, o
presidente James Monroe traçou uma linha imaginária no Atlântico. "A
América para os americanos", decretou. O slogan, que nasceu em 1823 como
um escudo contra as monarquias europeias metamorfoseou-se num argumentário de
intervencionismo militar global e imprevisível. Estamos perante um
presidente-empresário, em proveito próprio (bastou-lhe um ano para duplicar a
sua fortuna) e da nação. Este último aspeto ficou bem patente quando declarou
que as petrolíferas norte-americanas vão investir e extrair o máximo de
petróleo que puderem, em benefício dos venezuelanos e, já agora, dos EUA.
Trump não é o primeiro presidente a distorcer as ideias de Monroe.
Theodore Roosevelt proclamou em 1904 um direito geral de intervenção, que na
realidade já tinha posto em prática ao atiçar os panamianos a declararem a
independência face à Colômbia. Ele admitia o "exercício de uma força de
polícia internacional". Em 1905, os EUA estabeleceram um protetorado
financeiro na República Dominicana e, em 1906, ocuparam Cuba. O Mundo está mais
inseguro e, sobretudo, imprevisível.
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Pedro Araújo – Jornal de Notícias - 7 de
janeiro, 2026
II IMAGEM: O descoberto - Cartoon de Henrique Monteiro
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