Um homem de 78 anos esperou, no Seixal, cerca de três horas por uma
ambulância. Uma mulher de 73 anos morreu, em Sesimbra, depois de aguardar uma
hora também por uma ambulância. Outro indivíduo de 68 anos perdeu a vida, em
Tavira, após ter esperado mais de uma hora pelos meios de socorro.
Antes destas tragédias, mais três mortes. A de uma mulher com 70 anos
que se sentiu mal no Tribunal de Almada, a de uma utente de um lar em Castelo
de Vide que foi vítima de uma paragem cardiorrespiratória e a de um senhor que
se sentiu mal em casa, em Vendas Novas. Todos sem ajuda a tempo e horas.
O que fazem os nossos responsáveis políticos? Para já, o costume.
Empurram responsabilidades, arranjam argumentos, abrem-se inquéritos. E um
pedido de desculpas oficial e público, não? Não! E tarda.
No debate parlamentar de ontem, o primeiro-ministro ficou-se pela
apresentação de condolências às famílias e pelas queixas habituais às heranças
recebidas do anterior Executivo. Já não cola, mesmo que tenha anunciado a
aquisição de 63 ambulâncias, 34 viaturas médicas de emergência e reanimação e
outros 78 veículos.
No verão de 2022, a então diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse
que "a pior coisa que nos podia acontecer era adoecer em agosto", uma
vez que as pessoas estão longe do seu médico, centro de saúde e hospital. Em
2026, ficar doente na altura errada ou no sítio errado é uma roleta-russa.
Um país decente não se mede pelo número de ambulâncias que o Governo
promete comprar. Mede-se por quantas pessoas consegue salvar a tempo.
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Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 9 de
janeiro, 2026
I IIMAGEM - Pintura de Augusto Pinheiro
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