30.4.16

OPINIÃO: Minas Ibéricas de Urânio: um perigo para o ambiente e um risco para as populações

Tem uma longa estória a luta contra a mineração de urânio no nosso país. Ainda nos anos 70 do século passado grupos ecologistas, com 1ªs páginas de jornais denunciavam os riscos para a terra e as populações, assim como é óbvio para os trabalhadores dessas, das minas da Urgeiriça.
Desde o seu encerramento um forte movimento de ex-trabalhadores, com a presença relevante e incansável de António Minhoto, tem lutado continuamente pelo ressarcimento e direitos desses e suas famílias assim com a reabilitação destas terras devastadas.
Em Nisa, desde o final dos anos 80 que a tentativa de abrir um estaleiro tem esbarrado com a população local, grupos ecologistas e também o apoio solidário do movimento dos ex-mineiros da Urgeiriça.
O urânio é uma das pontas destapadas do ciclo de ruína e degradação da nuclear, que hoje aqui ao lado em Almaraz nos coloca, cada dia que passa em maior risco.
O nosso Ministro do Ambiente está, todavia, descansado.
 E também está descansado ou desinformado sobre o projecto de abertura de uma zona de mineração  de urânio em Salamanca, Retortlillo, a poucos Kms de Portugal.


Um projecto rodeado de fumos de corrupção, envolvendo um ex alto funcionário (do então Ministro da Agricultura e  actual comissário da Energia Arias Cañete), que assessorou a empresa titular a Berkeley perante a Comissão Europeia que deu um parecer favorável  a este. Conhecemos casos destes...muitos...
Pois a  Audiência Nacional ( Procuradoria)vai estudar a legalidade do licenciamento dado que sendo uma instalação nuclear de 1ª (nela será feito o enriquecimento) deve ser  o licenciamento feito pelo intervenção do Estado e com uma declaração de impacto ambiental!
E para essa, para o estudo, deve ser tida em conta a posição e o envolvimento do Estado português, seja porque a emissão de rádio-isotopos não conhece fronteiras, seja pela possível contaminação dos friáticos desta zona.
Andará o nosso ministro desinformado ou continua com a mesma confiança que também tem em relação a Almaraz?
Dia 11 de Junho em Cáceres este será também um dos temas em discussão.
Fechar Almaraz, pôr fim ao ciclo nuclear, defender a sustentabilidade e o ambiente!
Aos 28 de Abril de 2016
António Eloy, membro do Movimento Ibérico Anti-nuclear ( M.I.A.)

Berg em Vila velha de Ródão nos 10 anos da Casa de Artes e Cultura do Tejo


3º Festival José Afonso no 1º de Maio em Malpica do Tejo



29.4.16

74.º Cursilho de Cristandade de Mulheres da Diocese de Portalegre e Castelo Branco




Com a graça de Deus, realizou-se mais uma vez, na nossa Diocese, um Cursilho de Cristandade para Senhoras. Desta vez o 74º…
Realizou-se, entre os dias 14 e 17 de Abril e, como habitualmente, na Casa Diocesana de Mem Soares. Nele participaram 34 valentes mulheres dos vários arciprestados diocesanos que respondendo generosamente ao convite que o Senhor lhes fazia, viveram a descoberta e a vivência profunda do Amor de Deus por cada um de nós. Foram, nesta aventura, acompanhadas por uma equipa de 12 leigas e quatro sacerdotes.
Foi em verdadeiro clima de reflexão, descoberta, entrega, fraternidade e Amizade que se viveu e conviveu o Amor de Deus numa Alegria própria dos que aceitam a fantástica Aventura de responder SIM ao Seu chamamento.
Também a presença dos que na retaguarda pediam ao Senhor que sobre todas/os derramasse as Suas Graças, foi apoio e estimulo sentido e reconhecido.
E foi numa caminhada em graça consciente, crescente e de forma comunicada que os seus corações se foram abrindo ao Encontro do Amor de Cristo projetando-se nas novas irmãs.
A alegria dessa descoberta refletia-se no seu semblante e o brilho dos seus olhos mostrava o que elas próprias podiam firmemente afirmar: “O Senhor fez em mim maravilhas”.
E foi isto que se ouviu na partilha feita no Encerramento ou Clausura que se realizou no Cine-Teatro de Nisa, após alguns anos de interregno naquela vila alentejana e que foi gentilmente cedido para o efeito, pela autarquia. Teve início pelas 18,30h do dia 17 com a presença sempre gratificante e estimulante do nosso Bispo, D. Antonino Dias, e uma participação animada, calorosa e acolhedora dos que cá fora, tinham ajudado a viver esta maravilhosa experiência e que, agora, de coração aberto, recebiam e apoiavam as novas cursilhistas.
Por sua vez, os seus testemunhos refletiam a confiança sentida na grande descoberta do Amor imenso de Deus e o seu compromisso com Ele de O levar consigo fermentando de Evangelho os seus ambientes.
Seguiram-se testemunhos de quem já vive este 4º dia há mais tempo animando aquelas que o estavam a iniciar.
O sr. Padre Adelino Cardoso, Diretor espiritual do Movimento na Diocese, congratulou-se com o êxito deste cursilho, na certeza que foi mais um momento de Graça que o Senhor concedeu à Sua Igreja e convidou todos à participação nas próximas atividades do Movimento, nomeadamente na Ultreia Diocesana que se realizará no Pego, no dia 26
de Junho, dia dedicado ao M.C.C.
D. Antonino, animando todos a seguir em frente, fortes na Fé e na vida em Graça, convidou os presentes a prolongar a Alegria e a Amizade reinantes, na celebração da Eucaristia que teve lugar na Igreja Matriz onde, aquelas que acabavam de viver esta experiência tão marcante para as suas vidas, receberam os “símbolos” e (re)afirmaram o seu compromisso com Cristo Vivo e Ressuscitado.
Viver um Cursilho é uma experiência única que transforma o coração e o direciona para a ação em favor dos irmãos. Por isso aqueles que o vivem podem dizer como S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Secretariado Diocesano do Movimento dos Cursos de Cristandade,

OPINIÃO: Foi então para isto que se fez o 25 de Abril?

Deram-nos, há 42 anos, o 25 de Abril e a liberdade mas estão, desde então, a tirar-nos poder democrático... Estou a exagerar? Deixo aqui quatro factos como prova.
1. A Segurança Social deixa escapar para o vazio, desde 2005, 8800 milhões de euros por ano, que se perdem na fraude, na evasão contributiva, nas isenções excessivas e em dívida não cobrada, revela o economista Eugénio Rosa.
A população, na verdade, não sabe disto mas pedem-lhe, mesmo assim, que decida a reforma do sistema. Ora, uma maioria enganada não pode tomar decisões verdadeiramente democráticas porque partem de pressupostos falsos.
2. Burocratas da Comissão Europeia negoceiam em segredo um acordo de comércio livre com os Estados Unidos. Ainda ontem o articulista do Financial Times Wolfgang Münchau denunciou aqui no DN esse TTIP: "Um dos seus aspetos mais controversos é que ele reduziria a soberania legal dos parceiros." De facto, em caso de conflito entre empresas e Estados, se o acordo for aprovado, quem fará a justiça não serão os tribunais: serão instâncias arbitrais cujas decisões têm de ser aceites pelos países, mesmo se violarem as suas leis nacionais ou, até, as constituições.
Um Estado impedido de aplicar o direito que burilou ao longo da história não pode proclamar-se democrático porque perdeu dois dos três poderes definidores desse regime: o legislativo e o judiciário.
3. Um eurodeputado queixou-se disto: para consultar em Bruxelas os documentos disponíveis sobre a negociação do TTIP tinha de o fazer numa sala sobreaquecida onde suava as estopinhas. Podia levar uma caneta: nem computador, nem tablet, nem telemóvel nem, sequer, papel! Durante a consulta, o eleito do povo era vigiado por um funcionário que o pressionava, insistentemente, a ser breve... Se elegemos representantes políticos para serem gozados pela burocracia europeia, para que servem as eleições?
4. Escreve o Expresso que o Grupo Espírito Santo pagou durante 20 anos, através de contas offshore, avenças a políticos, autarcas, funcionários públicos, gestores, empresários e jornalistas... Quando o poder político, estatal, local, económico e mediático está a soldo da finança e manipula para esse interesse o processo decisório e a difusão da informação, como podemos acreditar na limpidez do funcionamento das instituições? Como acreditar na democracia?
Ficámos todos contentinhos porque nos deram a liberdade. Podemos dizer mal de quem nos apetecer. Ótimo! Mas, na verdade, após 42 anos, estão a reduzir-nos ao papel de idiotas úteis, palradores inconsequentes, livres sim, mas utilizados para caucionar uma democracia que, se não for mesmo falsa, é, essencialmente, hipócrita.

Pedro Tadeu - in DN 26 de Abril 2016

27.4.16

Beira Interior nos Caminhos de Santiago de Compostela

Grupos locais estão a remarcar o antigo percurso da Idade Média. Os peregrinos estão a optar por este Caminho do Interior por ser mais tranquilo e rural
A BEIRA INTERIOR volta a integrar o mapa de itinerários pedestres rumo a Santiago de Compostela com a marcação do percurso que foi abandonado ao longo do tempo desde Tavira até Chaves. O desaparecimento de pontos de apoio, como albergues, sinalética, falta de limpeza dos percursos, explica em parte o desaparecimento deste antigo Caminho Interior Português de Santiago, que se encontrava ligado por uma importante estrada, paralela à fronteira, que se estendia desde Viseu até Évora, ligando no seu percurso a Covilhã, Castelo Branco, Nisa, Alpalhão, Crato, Alter do Chão, Fronteira, Estremoz e Évoramonte.
Nos finais dos anos 90 um grupo de peregrinos alemães aventurou-se nesta antiga rota desde Tavira até Trás-os-Montes e ficou com as melhores impressões do território. Um deles elaborou e divulgou um guia que tem sido utilizado por outros peregrinos que procuram “territórios virgens”, com menos afluxo de pessoas. Durante o ano de 2015 na Oficina de Peregrinaciones da Catedral de Santiago de Compostela foram recebidos 262.379 peregrinos.

Anos mais tarde, alguns peregrinos com residência no interior, associações de âmbito cultural e religioso, decidiram arregaçar as mangas para retomar a sinalização do antigo caminho português.
O pontapé de saída foi feito pelo município de Belmonte, em 2011, aproveitando o facto de a vila ser já um lugar de passagem para os peregrinos que caminham desde Mérida (Espanha) para Santiago de Compostela. O trabalho desenvolvido por Elisabete Robalo, arqueológa e entusiasta dos Caminhos de Santiago, ajudou a despertar consciências locais para a importância deste projeto.
Entre Monte do Bispo e Belmonte foram colocadas as tradicionais setas amarelas que são a sinalética oficial do Caminho de Santiago.
No Fundão, Pedro Ribeiro, em colaboração com a Associação do Caminho do Este de Portugal (Tavira - Santiago de Compostela), Câmara do Fundão e vários outros organismos oficiais dos Caminhos de Santiago, propôs a marcação do caminho no território fundanense em 2009.
“Como não há relatos do antigo caminho, foi seguido um percurso perpendicular à Nacional 18, porque os peregrinos devem ser afastados, sempre que possível, das estradas, deve-se privilegiar os percursos com passagem no património natural e cultural”, explica Pedro Ribeiro. No Fundão o caminho tem 40 quilómetros, está marcado desde a Lardosa até ao Ferro na Covilhã, com passagens em Castelo Novo, Alcongosta, cidade do Fundão, Valverde e Peroviseu. O apoio logístico foi outra das preocupações de Pedro Ribeiro.

“O posto de Turismo do Fundão está apto a prestar informações, como e onde dormir. Existem unidades de alojamento que praticam descontos. Basta para isso apresentar a credencial do peregrino de Santiago. O Fundão é o ponto na região onde podem ser adquiridas credenciais do peregrino, onde são aplicados os carimbos que atestam a realização do caminho e os locais por onde o peregrino passou. Esta autorização emanada pela Associação Espaço Jacobeus está confiada a Pedro Ribeiro. A entrega da credencial que prova a realização no mínimo de cem quilómetros feitos a pé, cavalo ou de bicicleta na Oficina do Peregrino em Santiago de Compostela dá direito à Compostela, diploma da realização do caminho.
A sinalética do caminho prossegue em território covilhanense até à Guarda, embora com alguns troços em falta. Depois da Guarda, o trajeto está sinalizado por Pinhel, Figueira de Castelo Rodrigo, Foz Coa, Mirandela, Valpaços e Chaves.
Pela mesma altura, a sul do distrito, em Nisa, concelho do norte alentejano que faz fronteira com Vila Velha de Ródão, também se punha mãos à obra. Sérgio Cebola efectuou em 2007 com alguns amigos, um caminho desde Nisa a Santiago de Compostela. De lá para cá, o grupo de Nisa, com o apoio da Câmara, estudou o percurso dentro do município. “O Caminho privilegia áreas rurais, existe apenas um pequeno troço que coincide com a Estrada Nacional 18 mas que pretendemos corrigir muito em breve”, refere Sérgio Cebola.
No norte alentejo o caminho vem desde Nisa, Crato, Alter do Chão, Fronteira. No concelho de Estremoz e Sousel também estão a fazer-se esforços para entrar na rota.

O apoio dos municípios à constituição e funcionamento de associações locais de “amigos do caminho” ou a delegações de associações nacionais é uma forma eficaz de criar grupos motivados para a conservação, manutenção e divulgação do caminho. É o caso de Castelo Branco. A Confraria dos Caminhos de Santiago, constituída por um grupo de peregrinos albicastrenses, remarcou o caminho em território concelhio, sinalizando desta vez a passagem na área urbana. “Tínhamos marcado o caminho há uns anos mas com o tempo a tinta foi-se apagando. A sinalização requer manutenção e limpeza do percurso”, explica Joaquim Branco, que entende ser esta uma tarefa que poderia ser confiada às Juntas de Freguesia “porque têm meios e equipamentos para isso”. No concelho de Castelo Branco as 600 setas amarelas, desenhadas por Carlos Matos, recolocadas indicam a trajectória até ao concelho do Fundão, desde os Amarelos, em Vila Velha de Ródão, cerca de 34 quilómetros no total.
No ano passado, dados apurados por Sérgio Cebola, de Nisa, com base no número de carimbagem nas credenciais, passaram pelo Caminho do Interior 34 peregrinos. “Acreditamos que vai aumentar. Os peregrinos estão a querer“desviar-se” da Vía da Plata, um percurso mais duro, num território mais despovoado, com temperaturas altas. O interior de Portugal oferece mais frescura, mais ruralidade”, refere.
Foi essa a razão que levou Hélder Cabral, de 67 anos, a optar por este Caminho “a nascer” no interior do país. Partiu de Tavira em direção a Chaves para executar um projeto próprio de percorrer cinco mil quilómetros a pé.

Já treinado em Caminhos de Santiago pelo mundo inteiro, a passagem pelas Beiras com uma amiga de longa data, também ela peregrina de Santiago, marcou de forma muito especial a dupla. “As pessoas são de uma entrega extraordinária. Perguntavam-nos se éramos peregrinos a Fátima, explicava-mos que não, ofereciam-nos comida ou dormida. Tocou-nos muito”. A companheira de viagem, Maria Marques Pereira, de 62 anos, ficou apaixonada pela região, agora com outros olhos. “ Aquela chegada às Portas de Ródão, a vista sobre a Cova da Beira, são imagens inesquecíveis. A região tem muito para dar aos Caminhos de Santiago, oxalá que sim”. Para isso, referem, “é preciso que o caminho seja todo ele sinalizado, sem interrupções. Tínhamos um GPS, o nosso objetivo era o de pernoitar nos quartéis de bombeiros, caso contrário, seguindo só pelas setas seria impossível conseguirmo-nos orientar”, observam.
A divulgação deste Caminho pelo Interior deverá implicar a colaboração de todos os municípios envolvidos. A Associação Via Lusitana, a mais representativa dos peregrinos portugueses, diz ser importante a marcação do Caminho do Interior, contudo o trabalho não se esgota aqui. “Não faz sentido publicitar um Caminho com interrupções”, diz José Luís Sanches. A Câmara da Nisa e a do Fundão têm folhetos preparados para distribuição, correspondendo os troços concelhios. Só este trabalho não chega...
in "Jornal do Fundão" - 7/4/2016

Feira do Queijo e Prova de Vinhos animam Tolosa




26.4.16

Caminhada da Inijovem pelo "Corredor Ecológico das Ribeiras de Alferreireira e Barrocas"

A Inijovem - Associação para Iniciativas para a Juventude de Nisa promove no dia 21 de Maio (sábado) um Passeio Pedestre "Pelo Corredor Ecológico das Ribeiras de Alferreireira e Barrocas (Atalaia-Gavião), com o seguinte 
PROGRAMA 
- 08h30: Concentração/Secretariado Largo da Igreja - Atalaia;
- 08h50: Boas Vindas e briefing;
- 09h00: Início da Caminhada;
- 10h45: Reabastecimento ;
- 11h00: Reinício da Caminhada;
- 12h30: Reabastecimento;
- 12h40: Reinício da Caminhada;
- 13h30: Chegada prevista a Atalaia e fim da caminhada;
NOTA: Almoço convívio em Atalaia.
- Distância: 19Km
- Grau de Dificuldade: III - Algo díficil
- Descrição: Percurso de pequena rota, em circuito, por caminhos rurais e tradicionais.
Junto às ribeiras, por trilhos e levadas dos moinhos
- É obrigatório o pagamento no acto da inscrição;
(inclui seguro, enquadramento técnico na actividade, documentação,
reabastecimentos, almoço, viatura de apoio)
-Data limite de Inscrição: 14 de Maio ( Sábado)
Equipamento Aconselhável
- É imprescindível o uso de calçado impermeável, adequado à prática de trekking/
caminhada;
- Roupa adequada e meias de micro fibras, sem costuras;
- Mochila cómoda (fruta, comida energética e água);
- Agasalho ou impermeável, em caso de chuva;
Cajado ou bastão articulado;
- Máquina fotográfica.
CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO:
Sócios da INIJOVEM (quota de Abril de 2016): -------- 6,50€
Sócios na Hora:................................................................  9,00€
Praticantes menores de 13 anos (exclusive):
Inscrição Gratuita  ------------ Isentos (Inclui seguro específico para a actividade)

ANDEBOL EM NISA: Inijovem - ADAlbicastrense no dia 30 - 18 horas



26 de Abril. Recordemos Chernobyl. Não esqueçamos Almaraz!

Foi há 30 anos de Chernobyl
30 anos após a explosão, a explosão de um reactor, a catástrofe continua.
Mais de 8 milhões de pessoas (a populacão de Portugal continental) vivem em territórios contaminados da Rússia, Ucrânia e Bielorússia, obrigadas a consumir quotidianamente produtos altamente contaminados.
Entre essas numerosas crianças sofrem de cancros e leucemias, malformações e patologias cardio-vasculares.
Os atentados ao património genético são hereditários e as autoridades minimizam descaradamente o número de vítimas, que segundo investigação dos profs Nesterenko e Yablokov, publicados em 2020 pela Academia das Ciências de Nova York já teriam atingido 985 000 (quase um milhão!) de falecimentos prematuros de 1986 a 2004. E o florescimento da natureza, flora e fauna é um mito dados os elevados níveis de contaminação e mutações que está a ocorrer.
Recordo como se fosse hoje.
Estava dia 27 de Abril em Amsterdão, fazia então parte da direcção internacional do movimento ecologista #Friends Of the Earth#, quando nos chegou a notícia do acidente nuclear de Chernobyl que a ditadura soviética tinha procurado escamotear.
As radiações já atravessavam a Europa, milhares de pessoas começavam a ser evacuadas, muitas centenas, hoje muitos milhares já estavam, continuam hoje a caminho da morte.

Em Lisboa tinha começado há alguns dias no mestrado de Economia de Energia um módulo com um técnico do Laboratório Nuclear do então INETI, com o qual tinha tido discussões ágrias, que tinham terminado com um definitivo “- não é possível um reactor nuclear explodir.” Da parte dele.
Imagine-se a cara o sujeito quando voltei no dia seguinte e a notícia já era tema de todas as notícias.
Pode, um reactor nuclear pode explodir. Claro que no quadro de uma imprevisível conjugação de circunstâncias todas elas negativas. Mas pode. É possível!
Neste aniversário pouco mais há para dizer. A nuclear continua a tenta vender-se, continua a comprar mentes e encher bolsos, apesar de ser uma indústria a bordejar a falência, total. Mas será uma falência de muitos, muitos milhões e até lá continua a estrebuchar.
A nuclear não é económica, não é ambientalmente limpa, seja no início do ciclo, a mineração de urânio, que como sabemos no nosso país ainda tem um legado de destruição ambiental, sofrimento e mortes na família mineira e nas populações das zonas circundantes, seja na produção,
e recordemos Almaraz, aqui ao lado, com os problemas contínuos do seu funcionamento, os incidentes e acidentes inúmeros e agora, com o passar do tempo a insegurança crescente, a que o nosso ministro do Ambiente continua a fazer orelhas moucas, mas não esqueçamos lutas árduas contra a nuclear em Portugal, Ferrel e todas as tentativas de nos colocar nucleares de Trás-os-Montes ao Alentejo, que tiveram oposição determinada, as lutas contra os despejos nucleares no Atlântico ou o cemitério nuclear de alta-actividade radioactiva de Aldeavila.
Não podemos esquecer também o urânio enriquecido e os mortos, também portugueses no teatro de operações onde esse foi utilizado.

Em todos esses casos, em todas essas lutas estivemos presentes.
Hoje aqui deixo este testemunho. Para que não se repita (mas e Fukushima?), para que não se repita mais.
Para que Chernobyl não se chame Almaraz, algum dia. Encerremos Almaraz e nem uma palavra mais!
António Eloy membro do Movimento Ibérico Antinuclear
ant.eloy@gmail.com
Tele 919289390

25.4.16

OPINIÃO: “Alentejo Próximo” – uma região de afetos

Na semana passada o novel Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitou o Alentejo, iniciando aqui mesmo o seu “Portugal Próximo”, em Portalegre, numa jornada de três dias, a nove concelhos desta nobre região.
Afeto, esperança e proximidade são palavras-chave e sempre presentes no discurso do Presidente Marcelo, um presidente em movimento, que distribui abraços, beijos, e boa disposição!
Esta deslocação ao interior do país, e ao Alentejo, é mais do que um “roteiro” ou “presidência aberta” é um ato político que pretende marcar o início do mandato presidencial (5 anos) de Marcelo Rebelo de Sousa, vincando de forma clara e inequívoca a interioridade, o despovoamento e o envelhecimento de uma das mais pobres regiões da Europa ocidental.
Passados 42 anos do 25 de Abril, para além da república dos afetos, a onde existe também défice, certamente, do que precisamos mais neste nosso Alentejo é de investimento (público ou privado) e de pessoas, pessoas para ocupar este imenso território, novos povoadores, que tragam ideias, e que daí advenham postos de trabalho, uma economia crescente, que estanque esta sangria demográfica dos últimos 50 anos. Numa região responsável, em 2014, por 2.8 mil milhões de euros de exportações, fruto em parte do porto de Sines. Ainda existe muito para fazer na área da captação de investimentos para esta região, como pão para a boca, esperemos pelas novidades que o programa “Portugal 2020” nos possa trazer, ou a recente Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI).
E como intitulava o Jornal “Público”, numa recente reportagem “O Alentejo entre os aviões, a água e os chaparros”, uma região com um passado rico e com um futuro para construir.
Aqui estou eu, nesta “região de baixa densidade”, olhando o céu azul da cor do mar, as planícies verdejantes e salpicadas pelo amarelo dos “bonitos”, deixando-me levar pelo encanto do tempo e pela brisa aromática que sopra por estes campos, como se fosse um abraço carinhoso e meigo dado por esta terra de gente hospitaleira, como é bom sentir este Alentejo de afetos do tamanho do mundo.
JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO

Conheça Celeste Caeiro, a mulher que deu nome à Revolução dos Cravos


Assinalo este esplendoroso dia, recordando uma mulher, Celeste Caeiro, que ao oferecer a um grupo de soldados revolucionários, o ramo de cravos vermelhos que transportava, destinados a comemorar um aniversário, deu aso a que esse seu bonito gesto, se traduzisse na simbologia duma gloriosa revolução, a “REVOLUÇÃO DOS CRAVOS” como ficará conhecida, até ao fim da História.Com esse gesto, os cravos com que os soldados enfeitaram as suas espingardas, passaram a traduzir o sentimento popular que a partir dali aquelas armas, passariam a ser uma espécie de floreiras que enfeitaria o maravilhoso projecto de vida, que nascia nesse glorioso dia de 25 de Abril de 1974.
Juvenal Lucas.

SALGUEIRO MAIA: Decisão que honra a Presidência da República

Presidente da República anuncia condecoração póstuma a Salgueiro Maia
Marcelo Rebelo de Sousa considera que o capitão de Abril foi "um homem que soube representar a serena coragem de um povo".
O Presidente da República anunciou esta segunda-feira, em Santarém, que vai condecorar Fernando Salgueiro Maia com a Ordem do Infante D. Henrique no próximo dia 1 de Julho, quando o "capitão de Abril" faria 72 anos.
Marcelo Rebelo de Sousa prestou homenagem a Salgueiro Maia na sua "terra adoptiva" e de onde, na madrugada de 25 de Abril de 1974, partiu da Escola Prática de Cavalaria à frente de uma coluna militar que teve papel fulcral no derrube do regime do Estado Novo.
"Quarenta e dois anos depois, aqui está, em Santarém, na sua terra adoptiva, alguém que em 1974, com 25 anos, vibrou com o momento histórico da abertura para a democracia, a homenagear um homem que soube representar a serena coragem de um povo, mas, mais do que isso, está o Presidente da República de Portugal que neste primeiro 25 de Abril após ter assumido as suas funções vem dizer que decidiu condecorar Fernando José Salgueiro Maia com a Ordem do Infante D. Henrique", disse.
Marcelo Rebelo de Sousa, muito saudado pelas centenas de pessoas que assistiram à cerimónia realizada no Jardim dos Cravos, onde se encontra a estátua de Salgueiro Maia e a chaimite "Bula" (que transportou Marcelo Caetano), justificou a sua presença sobretudo por querer "agradecer a Salgueiro Maia o ter encabeçado o começo da alvorada democrática e o ter permanecido igual a si próprio até ao fim da vida".
O Presidente realçou o facto de ter sido "grande na humildade, coerente no carácter, fiel ao povo que era e que soube encarnar ao serviço de Portugal".
Segundo a página da Presidência da República, a Ordem do Infante D. Henrique destina-se a distinguir quem houver prestado serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores.
A cerimónia foi marcada pelo depoimento da neta de Salgueiro Maia, Daniela, que declarou o "orgulho imenso nos valores que [o avô] deixou, a coragem, a humildade, a solidariedade e a honestidade com que sempre viveu" e agradeceu ao Presidente o ter aceitado participar na cerimónia simples que todos os anos se repete neste local.
Marcelo Rebelo de Sousa destacou o homem "simples, sem ambições de mando ou de glória", que, terminada a missão militar, que foi "sobretudo uma missão cívica", soube "regressar ao quartel para voltar a ser o que era, com a naturalidade de quem não reclama louros nem aspira a celebridade".
Para o Presidente, à sua maneira, Salgueiro Maia "deu expressão a um povo e a uma maneira de ser e de viver ao longo dos séculos" marcada por "uma vontade discreta mas firme de servir Portugal sem alarido nem busca de fama".

"Salgueiro Maia foi há 42 anos o retrato desse povo que é o que Portugal tem de melhor, melhor do que os mais falados, os mais renomados, os mais influentes ou tidos como tal. Melhor dos que os mais poderosos na política ou na economia", declarou.
in Sapo Notícias - 25 de Abril de 2016

Está quase!...





24.4.16

25 DE ABRIL: Memória dos Tempos da Ditadura


A carta do Governador Civil de Portalegre (capitão Ricardo Vaz Monteiro) enviada ao Ministro do Interior em 5 de Outubro de 1933 é um documento que retrata os tempos de Ditadura e da repressão instituída pelo Estado Novo, em 1926,  contra todos os cidadãos que não simpatizassem com o regime ditatorial.
Os factos descritos na carta dão conta de uma manifestação comemorativa da Implantação da República, no dia 5 de Outubro em Portalegre, iniciativa da Banda Popular daquela cidade, que o Governador Civil identificava como "filiados no Partido Republicano". Este facto não será alheio à repressão que, em determinado momento, se desencadeou contra alguns elementos que acompanhavam a manifestação, identificados e detidos, arbitrariamente, pela Polícia, sendo enviados para Lisboa, no dia seguinte, com destino à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado ( a "mãe" da PIDE) sem qualquer acusação e direito de defesa. A carta, escrita por um oficial do Exército, é, em si mesma, um documento contraditório e que bem poderia servir como defesa de todos aqueles que nesse dia foram detidos. Refira-se que na mensagem enviada ao Ministro do Interior, não se menciona os nomes dos presos, prática, aliás, vulgar, nos regimes ditatoriais e que tanto poderia ser utilizado para negar a prisão ou para aumentar os dias ( e meses) de detenção.
Refira-se, como curiosidade, que Ricardo Vaz Monteiro tem o seu nome numa das ruas da vila. O "célebre" Tenente Falcão, seu amigo e presidente da Comissão Administrativa do Município de Nisa no início dos anos trinta do século passado, fez aprovar uma proposta de alteração ao nome da antiga Rua de S. Pedro, artéria que liga a Praça do Município à rua Dr. Manuel de Arriaga. Tudo em agradecimento (eu diria em troca) por Vaz Monteiro, enquanto Governador Civil, ter arranjado umas verbas para algumas obras no concelho, num período de grande falta de trabalho. Mais não foi preciso...
Carta ao Ministro do Interior
" Tenho a honra de comunicar a Vª Exª o que hoje sucedeu nesta cidade.
Os componentes da Banda Popular são filiados no partido Republicano Português.
A banda pelas 20 horas de hoje percorreu as ruas da cidade, a tocar, em sinal de regozijo pela festividade do dia.
Não se fazia acompanhar de elementos directivos da comissão distrital do seu partido, como sucedeu nos anos anteriores.
Juntaram-se-lhe garotos, desordeiros, e outros elementos nada simpatizantes com o Estado Novo.
Em certa altura do percurso ouviram-se “morras à ditadura” e “morras ao governo da ditadura”, segundo me informaram.
Corri para a multidão dos manifestantes e tive ocasião de observar que Francisco de Sousa Gomes,  xxxxx ao poder paternal, e desordeiro conhecido da polícia, que ainda hoje por ela fora preso por se envolver em desordem, congestionado, dera vivas à liberdade, à democracia, à República, não voltando a dar morras ao governo e à Ditadura, ao pressentir a minha presença e a do comandante da Polícia que me acompanhava.. Mas percebi que os gritos subversivos se haviam proferido, porque todos aconselhava os exaltados a mudar de atitude.
A polícia capturou-os, seguindo as instruções do seu comandante, e não usou de outros meios de repressão imediata atendendo á solenidade do dia, e procurando evitar que os nossos inimigos pudessem dizer:
“ não nos permitem festejar o dia 5 de Outubro, tal é o espírito anti-republicano da Ditadura”.
A manifestação efectivou-se e não foi impedida pela polícia.
Mas os precários terão de sofrer o castigo correspondente à sua atitude subversiva para não se repetirem os “morras” e prestigiar a Ditadura por uma actuação enérgica, sem exageros escusados.
Tomei a deliberação de enviar os presos para Lisboa no próximo comboio.
Telefonei à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado pedindo-lhe para esperarem os presos na estação do Rossio no comboio do leste às 15h e 10m do dia 6.
Houve um soldado do Grupo Misto Independente de Artilharia de Montanha nº 14 que se associou aos gritos subversivos e tentou impedir que a polícia efectuasse uma prisão.
O Comandante da Polícia comunica este facto, amanhã, ao Sub-Comandante Militar.
A multidão dispersou em ordem ao chegar à sede da Banda Popular.
Há socego absoluto.
A Companhia da GNR está de prevenção no quartel.
A Polícia reforçou a esquadra do Governo Civil.
Cumprimentos respeitosos e protestos da mais elevada consideração apresento a Vossa Excelência.
Portalegre, 5 de Outubro de 1933
O Governador Civil
Ricardo Vaz Monteiro – Cap.

NISA: O 25 de Abril na poesia

LIBERDADE
Foi em certa madrugada
De um tal mês de Abril
Que a população meio ensonada
Encheu os ares de vivas mil.

Acorda povo que és meu
Que as algemas estão quebradas
Vem ver o que aconteceu
Com as nossas forças armadas.

Despertai pró novo dia
Pois passou a noite escura:
Chegou p´ra nós a democracia
E já findou a ditadura.

Liberdade, viva a liberdade!
- Gritava-se a toda a brida;
Chegou p´ra todos a igualdade,
Que já nos foi prometida.

Treze anos já são passados
Desde que veio a liberdade.
Mas p´ra mal dos nossos pecados,
Ainda não chegou a igualdade.

Essa liberdade tão desejada
Nada nos trouxe de novo
E a igualdade veio mascarada
Só p´ra iludir o nosso povo.

Mata-se e rouba-se em pleno dia
E com toda a liberdade.
Para que serve a democracia
Num país sem autoridade?

Não há segurança nas ruas,
Que o digam os taxistas:
Essas madrugadas são já escuras,
Que só servem prós terroristas.

Ainda há fome e grandes misérias
Com os seus trajes horripilantes
Essas frases são apenas lérias,
Fazendo lembrar como era d´antes.

A liberdade que eu almejo
É bem real e vem de cima.
Traz-me do céu o seu lampejo,
Dá-me fé e me anima.

Por isso, eu serei sempre fiel
A essa liberdade tão querida
E a igualdade será como mel,
Quando por Deus for repartida.
Um nisense (1987)

22.4.16

AREZ: Almoço da Primavera e Caminhada


NISA: Marcha contra a Violência infanto-juvenil

A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo de Nisa, associou-se à iniciativa da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens em Risco, na comemoração, a nível nacional do mês de abril, como mês dedicado à prevenção de maus tratos na infância e juventude.
A Comissão de Proteção de crianças e jovens de Nisa, irá desenvolver ações que visam promover a consciencialização de crianças e jovens para os seus direitos e deveres e sensibilizar a comunidade e famílias, para a parentalidade positiva e o seu papel na prevenção do abuso infantil e juvenil.

21.4.16

NISA: Sessão Ordinária de Abril da Assembleia Municipal

A Assembleia Municipal de Nisa vai reunir na próxima 3ª feira, dia 26 de Abril em sessão ordinária, com a Ordem de Trabalhos que acima se mostra.
Um dia depois do 25 de Abril, a Assembleia Municipal cumpre o formalismo legal de reunir, debater e aprovar os assuntos para os quais foi convocada. Não terá - nunca teve, aliás, nos últimos anos - qualquer palavra a dizer sobre o programa das Comemorações do 25 de Abril, decalcado de anos anteriores e alterado ao sabor das conveniências políticas de quem detém o poder. Duas ou três pessoas, elaboram e põem em prática um programa de comemorações que, pelo seu significado, devia envolver todos os eleitos, não só municipais como das freguesias, instituições e associações. Era assim há 30, 35, 40 anos. A Assembleia Municipal era o "motor" das Comemorações de Abril que não se confinavam, como agora, a um ou dois dias e apenas à sede do concelho.
O que se passa com a atribuição das Medalhas de "Mérito" Municipal é, ainda, mais vergonhoso, desrespeitando os regulamentos (o original e o mais recente, elaborado por "desconhecimento" de que havia um Regulamento Municipal para esse fim) não se conhecendo nem os critérios de atribuição, nem os pretensos "méritos" dos homenageados, numa completa banalização de um acto e de uma distinção que, por ser isso mesmo, devia ter significado altruísta e de reconhecimento de vida, de uma carreira ou de uma actividade meritória em prol da comunidade, um exemplo para as gerações actuais e vindouras.
Foram estes os princípios que nortearam as atribuições das primeiras Medalhas de Mérito Municipal em 1987, num processo de participação que envolveu as autarquias e associações de todo o concelho, que deram os seus contributos para o apuramento final dos nomes das pessoas distinguidas naquele ano e que recordo: Dr. Cruz Malpique, Prof. Dr. Mendes dos Remédios, Prof. Dr. João Maria Porto, pintor Augusto Pinheiro. A data do Feriado Municipal foi a escolhida para a atribuição dessas distinções, duas a título póstumo, todas elas justificadas com a Biografia de cada um dos homenageados e a sua obra.
A Assembleia Municipal, como era obrigada, aliás, pelo próprio Regulamento, tinha participação activa no processo, dando o seu parecer e aprovando a lista final das distinções municipais. Era o Poder Local Democrático em funcionamento. 
Hoje, dispensam-se tais "formalidades". Um órgão municipal que não divulga no site do Município, desde Abril de 2015,  as Actas das suas Sessões, não pode "reivindicar" uma postura mais democrática.
Os munícipes e eleitores (contribuintes, também) só são importantes na altura da caça ao voto. Aí prometem-lhe tudo e mais alguma coisa. Não era preciso tanto. Bastava que, enquanto eleitos, cumprissem os seus deveres legais a que essa condição os obriga.
Entre estes, o sagrado dever de informar sobre a actividade que desenvolvem. Primeiro passo para a tão apregoada (e nunca cumprida) transparência.
Ah! Os rankings dizem que "estamos" a subir...
Mário Mendes

VILA VELHA DE RÓDÃO: Ativistas identificados pela GNR em ação pelo fim da poluição no rio Tejo

Em comunicado, as coordenadoras distritais do Bloco de Castelo Branco, Santarém e Portalegre “reprovam esta actuação da GNR, relembrando o direito à manifestação civil”, consagrado na Constituição da República Portuguesa.
20 de Abril, 2016 - 12:32h
Este sábado, quatro pessoas foram identificadas pela GNR, em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, quando se preparavam para gravar um vídeo amador, no âmbito de uma ação de luta e sensibilização contra a poluição no rio Tejo.
Os dois agentes, além de solicitarem a identificação dos quatro cidadãos, informaram que as faixas colocadas para servir de fundo ao vídeo - uma, com a inscrição Por um Tejo Vivo/Não à Poluição, e uma outra, no passadiço de acesso ao cais dos barcos, contendo as palavras de ordem Por um Tejo Vivo - deveriam ser retiradas.
Em comunicado, as coordenadoras distritais do Bloco de Castelo Branco, Santarém e Portalegre “reprovam esta actuação da GNR, relembrando o direito à manifestação civil” e “exortam os cidadãos a não se deixarem intimidar por actos intimidatórios, continuando a exigir um rio Tejo despoluído, com caudais ecológicos garantidos e sem obstáculos que impeçam a navegabilidade e a migração das espécies piscícolas”.
Os bloquistas apelam ainda “às autoridades e poderes de Vila Velha de Ródão revejam as suas atitudes e que, futuramente não coíbam, de maneira nenhuma, a livre expressão dos cidadãos”.
COMUNICADO
Actuação das autoridades em acção de expressão civil sobre a poluição do Tejo em Vila Velha de Ródão
Cerca das 12h00 do passado sábado, dia 16 de Abril, quatro cidadãos encontraram-se no cais de Vila Velha de Rodão para uma acção de luta e sensibilização pelo fim da poluição no rio Tejo.
Uma das ações consistia em gravar um curto vídeo amador. Para o efeito, tinham duas faixas  para servir de fundo ao vídeo; uma, com a inscrição Por um Tejo Vivo/Não à Poluição, e uma outra, no passadiço de acesso ao cais dos barcos, contendo as palavras de ordem Por um Tejo Vivo. Estas faixas estariam ali o tempo que decorresse a acção de sensibilização da população.
Quando estavam a preparar a gravação, apareceu uma viatura da GNR, do Posto Territorial de Vila Velha de Ródão, com dois agentes que pediram a identificação aos quatro e a informar que as faixas teriam de ser retiradas.
As quatro pessoas perguntaram qual o crime em que estavam a incorrer, pois não conheciam as razões de tal abordagem. Explicaram aos agentes os seus propósitos, mas tal explicação de nada serviu.
As autoridades disseram que apenas estavam a cumprir ordens do Comandante em Suplência, e que estas tinham o objectivo de identificar os cidadãos em causa e mandar retirar as faixas.
Os cidadãos, embora incrédulos com a situação, cumpriram o que foi pedido, sem dificultar o trabalho dos agentes.
Os termos do art.º 45 da Constituição da República Portuguesa são claros e a sua observância é essencial num Estado de direito:
1. Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização.
2. A todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação.
Este direito constitui um pressuposto necessário à reflexão, à formação e à expressão da opinião pública, sendo uma liberdade absolutamente essencial num Estado de direito democrático. Tal direito compreende também a liberdade de não ser perturbado por outrem no exercício desse direito e de escolher o local, a hora, a forma e o conteúdo da sua expressão, sem prejuízo dos limites decorrentes do exercício de outros direitos fundamentais, que, no caso em questão, não ocorreu de maneira alguma.
1. As Coordenadoras Distritais do Bloco de Esquerda de Santarém, Castelo Branco e Portalegre reprovam esta actuação da GNR, relembrando o direito à manifestação civil.
2. Exortam os cidadãos a não se deixarem intimidar por actos intimidatórios, continuando a exigir um rio Tejo despoluído, com caudais ecológicos garantidos e sem obstáculos que impeçam a navegabilidade e a migração das espécies piscícolas.
3. Apela às autoridades e poderes de Vila Velha de Rodão revejam as suas atitudes e que, futuramente não coíbam, de maneira nenhuma, a livre expressão dos cidadãos.
As Coordenadoras Distritais do Bloco de Esquerda de Santarém, Castelo Branco e Portalegre
Santarém, 19 de Abril de 2016