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18.7.26

18 Julho - Dia Internacional Nelson Mandela

 


Invictus

(Título Original: "Invictus")

Autor: William E Henley

Tradutor: André C S Masini

 

Do fundo desta noite que persiste

A me envolver em breu - eterno e espesso,

A qualquer deus - se algum acaso existe,

Por mi’alma insubjugável agradeço.

 

Nas garras do destino e seus estragos,

Sob os golpes que o acaso atira e acerta,

Nunca me lamentei - e ainda trago

Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

 

Além deste oceano de lamúria,

Somente o Horror das trevas se divisa;

Porém o tempo, a consumir-se em fúria,

Não me amedronta, nem me martiriza.

 

Por ser estreita a senda - eu não declino,

Nem por pesada a mão que o mundo espalma;

Eu sou dono e senhor de meu destino;

Eu sou o comandante de minha alma.

 

16.5.26

IN MEMORIAN – João Abel Manta


Faleceu um dos grandes, “o mestre” João Abel Manta. Foi Pintor, cartoonista, um dos grandes artistas das artes visuais do nosso país, deixou uma obra ímpar de dimensão Universal, desenhou o período da Ditadura, desenhou o período da revolução e a democracia, foi um dos grandes alvos da censura do Estado Novo. Uma das minhas principais referências, onde tive a honra e o prazer de conhecê-lo no museu Bordalo Pinheiro, deixou uma marca bem vincada no traço genial que contornou a liberdade do desenho de imprensa do nosso país, crescemos a olhar e interpretar os seus cartoons. Até sempre grande mestre.

             Texto e cartoon retirado de Vasco Gargalo

3.5.26

EM MAIO, O FLORIR DE ABRIL - Baptista Bastos


Contar de Abril

Contarás de Abril o assombro, o desassossego, as súbitas visões de beleza longamente sonhadas, a hora vesperal; o renascer, meu e teu. Contarás de Abril instantes serenos, salivados de paz, o perfil de casas, as ruas docemente nossas que rimam connosco, as ternuras vagabundas, a utilidade dos gestos, o murmúrio discreto e comovido.

Contarás de Abril os gritos, as imprecações, as cóleras, o idioma ressurrecto na fraternidade de frases efusivas, no estertor.

Contarás de Abril aquele haver viagem, aquele cheiro antigo de chuva de infância, a peca sombra, o chouto curto, o bêbado de rua que te assustou, temulento, a frugal manhã.

Contarás de Abril o lado esquerdo da madrugada; cíclicos, os sismos: o chão em fissuras laceradas; devagarosa, a capa da terra a recobrir o oco, as galerias naturais do ódio, onde rebramia o mar, sobre o qual haviam colocado o pinho e a pedra e reconstruído a cidade, longa história de uma frustração.

Contarás de Abril os passos.

Contarás de Abril os sons, ínsitos na paisagem nocturna, nas betesgas.

Contarás de Abril que me viste trajado de estrelas, seteira ao ombro, num baixel de antigamente, soletrando palavras felizes, sem direcção nem sentido, como tudo o que é feliz.

Contarás de Abril, aos meus filhos, filhos teus, que os meus olhos míopes, ardidos, urbanos, ficaram cheios de um ofício de dizer coisas singelas, humildes e absurdas: como amor, liberdade.

Contarás de Abril os idos e os que voltaram; os que ficaram e ficam.

Contarás de Abril as pequenas pilhas de palavras, armazenadas numa necessidade que inventei; e as nossas almas ledas e limpas; e os braços que se estendem a outros abraços; e a cordialidade de anotarmos um nome, um número, numa flor; e os balaios sem reticências de mágoas, cheios, os balaios, de trissos de aves, de pássaros remotos de que ignoramos a voz ou havíamos esquecido o toque e a fímbria.

Contarás de Abril que na nossa terra já não apodrecem as raízes e que já não adiamos o coração; e que nascem crianças insubmissas e claras e livres; que já não nos dói a velhice e que os rios são todos nossos e íntimos e que já não perdemos a infância e que nascem crianças insubmissas e claras e livres.

Contarás de Abril a espessura mágica, o punho reflexo, o dia d'água, a lágrima, a vontade de sermos e de estarmos, o límpido grito, a forma inconsútil, o beijo proliferante, o vermelho e a brisa, as bambinelas vagantes nos sopros, o livor das coisas, a maravilha discreta de assear a vida, o caminhar, os semideiros, os rostos nesta dócil pausa e neste imenso perdão.

Contarás de Abril as casas de mil sóis, a imponderável descoberta dos sussurros, a brancura inadiável da perseverança, o resplendente varar dos dias, a feira alvoroçada das horas.

Contarás de Abril a visão e o visto.

Contarás de Abril as mãos dadas. Contarás de Abril o renascer da essencial frescura.

Contarás de Abril. Contarás, meu amor.

Baptista-Bastos

 

22.4.26

Reguengos de Monsaraz assinala o 25 de Abril com música, desporto e cerimónias institucionais


“A Madrugada e o Dia Seguinte” é o espetáculo musical que abre as comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril em Reguengos de Monsaraz. As músicas mais marcantes da Revolução dos Cravos, como “Grândola, Vila Morena” ou “E Depois do Adeus”, vão ser interpretadas no dia 24 de abril, a partir das 21h30, no Auditório Alberto Janes, acompanhadas por imagens e narrativas da época que ajudam a contextualizar historicamente os acontecimentos. À meia-noite decorre o tradicional lançamento de morteiros, assinalando simbolicamente a chegada do Dia da Liberdade.

O programa organizado pelo Município de Reguengos de Monsaraz continua no dia 25 de abril, pelas 9h30, com a cerimónia do Içar das Bandeiras do Município, de Portugal e da União Europeia, nos Paços do Concelho. Nesta cerimónia, a Banda da Sociedade Filarmónica Harmonia Reguenguense vai interpretar o Hino do Município, o de Portugal e o da União Europeia, seguindo-se uma arruada pelas principais ruas da cidade.

A Cerimónia do Dia do Combatente para homenagear os soldados mortos na Grande Guerra e na Guerra Colonial decorre às 10h no Largo dos Combatentes. À mesma hora, parte de S. Pedro do Corval a 48.ª Estafeta dos Cravos, que vai passar pelas 10h45 na Praça da Liberdade, em Reguengos de Monsaraz.

A Sessão Solene da Assembleia Municipal comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril realiza-se às 11h no Salão Nobre dos Paços do Concelho e a fechar o programa, pelas 18h, haverá um concerto com Luís Fialho, na Praça da Liberdade. Após a sua participação no programa “The Voice Portugal 2023” e o sucesso do seu single de estreia “Tardes Contigo”, Luís Fialho tem lançado temas originais nas plataformas digitais, com destaque para a música “Oh Clementina”. Em palco, apresenta-se acompanhado por quatro músicos, num espetáculo em que combina o fado, o cante alentejano e a música tradicional com uma abordagem contemporânea.

 

21.4.26

ALVITO: Comemorações do 25 de Abril

 


Em ABRIL, Poemas Mil - Maria José Fraqueza

 


A LIBERDADE

Se um dia eu agarrar a liberdade
Vou por aí prender o vento
Cantar vitórias ao relento
À liberdade a renascer…
Se um dia eu agarrar a liberdade
Hei-de deter guerras ferozes
As violências
Os abismos
As falsidades
A mentira
Se um dia eu agarrar a liberdade
Hei-de acender estrelas na minha mão
Sem tempestade de luar
Hei-de colher espigas douradas
Tirar espinhos do roseiral
Hei-de plantar …
Sementes de Amigo!
Mas se um dia aprisionar a Liberdade
Irei depor no meu poema
As palavras que não escrevi
Que foram levadas
Foram lançadas
Esquecidas, perdidas
Amordaçadas
Guardadas, mutiladas
Em cofres de silêncio
Se um dia eu agarrar a liberdade
Renascem alvoradas…
E cantarei o meu meu Poema de Paz!

  • Maria José Fraqueza

 

20.4.26

ZECA AFONSO: Trovador da Voz d’Ouro Insubmisso


É de murta e de mar a tua voz

Com algas de canção estrangulada.

Aberta a concha da trova malsofrida

Saíste como sai a madrugada

Da noite, virginal e humedecida.

 

É de vinho e de pinho a tua voz

Com pranto de insofríveis flores banidas.

Mas é pela tua garganta que soltamos

As eriçadas aves proibidas

Que no muro do medo desenhamos.

 

(Natália Correia)

17.4.26

𝐄𝐒𝐓𝐑𝐄𝐌𝐎𝐙 𝐂𝐄𝐋𝐄𝐁𝐑𝐀 𝐀 𝐋𝐈𝐁𝐄𝐑𝐃𝐀𝐃𝐄


O Município de Estremoz assinala as comemorações do 𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐀𝐛𝐫𝐢𝐥 𝐝𝐞 𝟏𝟗𝟕𝟒, com um conjunto de iniciativas que evocam os valores da liberdade, da democracia e da cidadania.

Na noite de 𝟐𝟒 𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐫𝐢𝐥, em frente à Câmara Municipal de Estremoz:

- “𝐎𝐬 𝐝𝐚 𝐁𝐨𝐢𝐧𝐚” (22h00)

- 𝐌𝐎𝐍𝐃𝐀 (22h30)

- 𝐅𝐨𝐠𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐭𝐢𝐟𝐢́𝐜𝐢𝐨 (24h00)

No dia 𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐫𝐢𝐥, junto ao Coreto:

-  “𝐆𝐫𝐢𝐭𝐨 𝐏𝐨𝐞́𝐭𝐢𝐜𝐨: 𝐓𝐞𝐫𝐫𝐚 𝐞 𝐋𝐢𝐛𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞” (11h00)

O Município de Estremoz convida toda a comunidade a participar numa celebração coletiva da liberdade, homenageando a memória da Revolução dos Cravos e reforçando a importância dos valores de Abril junto das novas gerações.

A entrada é livre! Não perca!

Venha celebrar a Liberdade!

15.4.26

SOUSEL: Comemorações do 25 de Abril em todo o concelho


Sousel assinala o 25 de Abril com um programa especial que celebra a liberdade, a memória e a identidade do concelho. 🌹

Entre música, cerimónias evocativas, atividades culturais e momentos de convívio, as comemorações de 2026 convidam toda a comunidade a participar num dia repleto de significado e união.

Junte-se a nós nesta homenagem a um dos momentos mais marcantes da nossa história.

 

5.3.26

UM POEMA POR DIA, BEM QUE FAZIA - Jose Fanha


Naquela Praça 

Hei-de encontrar-te ali

naquela praça que talvez já não exista.

 

Praça da palavra.

Praça da canção.

Praça de bandeiras a beijar

os primeiros odores da primavera.

 

Hei-de encontrar-te um dia

ao alto da cidade

partilhando pão

azeitonas

e poema.

 

Ali

naquela praça que talvez já não exista

hei-de encontrar-te um dia

e seguiremos

abraçando

as laranjeiras

desfraldando

uma vez mais

a nossa voz ao vento.

* José Fanha 

26.6.25

25 JUN. 1975 - Do Rovuma ao Maputo, Moçambique Independente


UM CÉU SEM ANJOS DE ÁFRICA

À Guilhermina e ao Egídio

 

Detinha

a menina de cinco anos

tinha pai e tinha mãe

e tinha duas irmãs, Senhor!

 

Detinha

a menina de cinco anos

tinha uma filha de retalhos de chita

e fazia duas covinhas de ternura na face

quando sorria, Senhor!

 

Detinha

a menina de cinco anos

tinha uma filha de ágeis pernas de pano

olhos brilhantes de cabeças de alfinete

e fulvos cabelos de maçarocas maduras

que a febre derradeira da Detinha

não contaminou.

 

Olhos cerrados suavemente

boneca Detinha dos seus pais

adormeceu de tétano para sempre

mãozinhas postas sobre o peito

um vestido de renda branca

mais um anjo nosso partiu

no adeus silencioso de boneca

verdadeira num fúnebre berço branco

nossa Detinha tão pura na Munhuana

que até ainda não sabia que era mulata.

 

Oh! África!

Quantos anjos já nasceram das tuas Munhuanas de amor

e quantas Detinhas partiram para sempre dos teus braços

e quantos filhos inocentes deixaram o teu colo maternal

geraram rios e rios de lágrimas no teu rosto escravizado

e dormiram sem pesadelos na vasta solidão

de um coval mínimo de criança infelizmente

sem as duas covinhas na face

quando sorriam, Senhor?

 

E ainda não temos um talhão de céu azul para todos

e novamente uma África para amar à nossa imagem

num anjo verdadeiro anjo também cor da nossa pele

e da mesma carne mártir de feitiços estranhos

e o nosso sangue vermelho vermelho quente

como o sangue vermelho de toda a gente.

 

Para o tal céu onde existe o tal Deus que não sabe

línguas de África línguas de África línguas de África

e só sorriem anjos brancos de asas impossíveis de arminho

precisamente onde esse arminho só pode ser algodão de sofrimento

ainda não há lugar para meninas puras da cor

das meninas filhas e netas de mães e avós pretas

da nossa Detinha que partiu ainda boneca

e tão pura que ainda não sabia que era mulata.

 

E brinquedos de trapos não se misturam na Munhuana

com bonecas loiras de sapatos e tudo

porque os pais arianos rezando nas catedrais

não deixam, Senhor!

 

·         José Craveirinha (1960)

·         Foto retirada de https://iriscordemelad.blogspot.com/)

 

2.9.24

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS - Luta de Classes, texto de José Luís Peixoto


Admiro o povo ao qual pertenço. Não o povo mitificado, admiro o povo quotidiano. Gosto de ir a feiras. Gosto de comer frango assado com as mãos. Devo tanto à cultura deste povo como devo a Dostoievski
Não contem comigo para defender o elitismo cultural. Pelo contrário, contem comigo para rebentar cada detalhe do seu preconceito.
A cultura é usada como símbolo de status por alguns, alfinete de lapela, botão de punho. A raridade é condição indispensável desse exibicionismo. Só pertencendo a poucos se pode ostentar como diferenciadora. Essa coleção de símbolos é descrita com pronúncia mais ou menos afetada e tem o objetivo de definir socialmente quem a enumera.
Para esses indivíduos raros, a cultura é caracterizada por aqueles que a consomem. Assim, convém não haver misturas. Conheço melhor o mundo da leitura, por isso, tomo-o como exemplo: se, no início da madrugada, uma dessas mulheres que acorda cedo e faz limpeza em escritórios for vista a ler um determinado livro nos transportes públicos, os snobs que assistam a essa imagem são capazes de enjeitá-lo na hora. Começarão a definir essa obra como "leitura de empregadas de limpeza" (com muita probabilidade utilizarão um sinónimo mais depreciativo para descrevê-las).
Este exemplo aplica-se em qualquer outra área cultural que possa chegar a muita gente: música, cinema, televisão, etc. Aquilo que mais surpreende é que estes "argumentos", esta forma de falar e de pensar seja utilizada em meios supostamente culturais por indivíduos supostamente cultos, e só em escassas ocasiões é denunciada como discriminadora do ponto de vista sexual ou social.
Isso são livros de gaja, dizem eles. Às vezes, para cúmulo, há mesmo mulheres que dizem: isso são livros de gaja.
A raiz da minha cultura não pertence ao elitismo. Tenho orgulho das minhas origens, do meu avô pastor, do meu pai carpinteiro, como outros têm orgulho dos seus longos nomes compostos.
Depois de um trabalho que encerre convicções profundas, que tenha em conta os princípios da sua área artística, que seja consciente da história dessa área e que faça uma proposta coerente e inovadora, acredito na divulgação o mais ampla possível.
Esconder uma obra em tiragens de 300 exemplares não lhe acrescenta um grama de valor artístico. Quando essa falta de divulgação resulta de uma escolha, pressupõe, quase sempre, falta de consideração pelo público, a crença de que um público mais vasto seria incapaz de entender tamanha sofisticação.
Acredito que a poesia pode ser publicada em caixinhas de fósforos, escrita com trincha ou spray nas paredes, impressa em t-shirts, afixada no facebook. Em qualquer um desses lugares, será diferente, mas em todos continuará a ser poesia.
É ridícula a ideia de que a divulgação deturpa. A banalização é sempre tarefa de quem banaliza e não do objeto banalizado. Quem não for capaz de convocar os seus sentidos e a sua razão para apreciar uma determinada obra, apenas por acreditar que se encontra muito difundida, tem problemas graves ao nível do espírito crítico e da isenção mais básica. Esse é um daqueles casos em que se aconselha a lavagem de olhos. É aí que reside a deturpação.
Admiro o povo ao qual pertenço. Não o povo mitificado, admiro o povo quotidiano. Gosto de ir a feiras. Gosto de comer frango assado com as mãos. Devo tanto à cultura deste povo como devo a Dostoievski Há alguns meses, a personagem de uma telenovela citou um poema escrito por mim. Toda a gente da minha rua viu e ouviu. A minha mãe ficou orgulhosa e eu também.
Chamo-me José ou, se preferirem, Zé. Desprezo o elitismo. O verbo não é exagerado, adequa-se bem ao que sinto.
Hei de sempre divulgar o meu trabalho na máxima dimensão das minhas capacidades. Devo esse esforço à convicção que tenho naquilo que escolhi dizer. Fico feliz se vejo os meus livros disponíveis em supermercados, estações de correios, bombas de gasolina ou bibliotecas públicas.
Aquilo que faço não existe sozinho, precisa de alguém que lhe dê sentido, o seu próprio sentido e interpretação pessoal. Se uma árvore cair sozinha na floresta, sem ninguém por perto, será que faz barulho? Por esse motivo, o esforço de divulgação é também uma mostra de respeito para com essas pessoas, é um sinal da minha crença nelas e no seu valor. Exatamente como estas palavras, que existem porque estás a lê-las.
Escrevo romances, a minha força de vontade é enorme. Tenho 38 anos, conto estar por cá durante bastante tempo. Tenho ainda muito por fazer. Habituem-se. Não tenho medo.
·         José Luís Peixoto, Texto publicado na VISÃO 1052, de 2 de maio  / Segunda feira, 6 de Maio de 2013 |
FOTO : 25 de Abril 1974 - Gérald Blouncourt

31.5.24

MÚSICA: Sérgio vezes três


COMPILAÇÃO DISPONÍVEL PELA PRIMEIRA VEZ NO STREAMING
COM GRAVAÇÃO INÉDITA DE "LIBERDADE" COM A GAROTA NÃO E O CANTO NONO
HONORIS CAUSA ATRIBUÍDO PELA UNIVERSIDADE DE AVEIRO COM CERIMÓNIA NO DIA 7 DE JUNHO
Publicada originalmente numa edição limitada em formato de triplo CD no final do ano passado e entretanto esgotada, está finalmente disponível desde hoje nas plataformas digitais a compilação “SÉRGIO VEZES TRÊS”
Como novidade neste lançamento, a inclusão da versão ao vivo de “Liberdade” com a participação de A Garota Não, o Canto Nono e a banda de Sérgio Godinho, Os Assessores, captada numa das noites mágicas vividas nos Coliseus em Março passado quando da apresentação do espectáculo “LIBERDADE25”. Aliás, hoje mesmo, a partir das 22H45, a RTP1 exibirá o registo deste espectáculo que marcou o regresso de Sérgio Godinho aos Coliseus.
Com o lançamento digital de “SÉRGIO VEZES TRÊS”, a par daquela gravação inédita, ficam assim disponíveis pela primeira vez nas plataformas digitais canções como: “Nós por cá todos bem”, tema-título do filme de 1978 do realizador Fernando Lopes; “Il primo giorno”, versão em italiano do clássico “O Primeiro Dia” captado em Milão em 1995 quando da entrega do Prémio Tenco; “O rei vai nu”, numa versão em parceria com Xana gravada para o disco solidário “UPA – Unidos Para Ajudar”; “Heat de Verão” composta em parceria com GOMO em 2008 para o “Três Pistas” da Antena3; ou ainda “Ora Vejam Lá”, um original do Conjunto de António Mafra que Sérgio versionou para o espectáculo “Caríssimas Canções”, aqui numa versão ao vivo em estúdio com os companheiros nessa aventura Manuela Azevedo, Hélder Gonçalves e Nuno Rafael.
SÉRGIO VEZES TRÊS” traça o retrato de uma obra única que ao longo de mais de 50 anos não perdeu a sua actualidade e, arriscamos afirmar, a sua contemporaneidade.
Ao ouvinte é proporcionada a audição de 67 gravações que traduzem o percurso, nas suas diferentes vertentes, de um criador e intérprete fundamental da história da música produzida em Portugal.
Coincidentemente, no próximo dia 7 de Junho decorrerá a cerimónia de entrega do Doutoramento Honoris Causa atribuído pela Universidade de Aveiro a Sérgio Godinho, uma distinção de reconhecimento pelo contributo ímpar do “escritor de canções” na história das últimas cinco décadas.
Pela noite, Sérgio Godinho sobe ao palco do Centro de Artes de Águeda para mais uma apresentação esgotada de “LIBERDADE25”.
AGENDA - LIBERDADE25
18 MAI | AVENIDA DA LIBERDADE | BARCELOS
07 JUN | CENTRO DE ARTES | ÁGUEDA
24 JUN | PRAÇA SÃO JOÃO BAPTISTA | ALMADA
29 JUN | CENTRO CULTURAL | VIANA DO CASTELO_com a participação da ORQUESTRA SINFÓNICA ARTEAM e FILIPE RAPOSO
06 JUL | LOCAL A ANUNCIAR
12 JUL | SUMMER OPENING | FUNCHAL
24 JUL | LOCAL A ANUNCIAR
01 SET | FESTAS | CORRIOS
07 SET | FESTA DO AVANTE | SEIXAL_com a participação de CAPICUA
OUTROS
04 MAIO | MONTEMOR-O-VELHO_participação
19 MAIO | LA DISTILLERIE | LISBOA_participação evento "Vinho da Casa" com Filipe Raposo
13 JUL | PARQUE URBANO | OVAR_convidado concerto JORGE PALMA
14 AGO | MORTÁGUA VIVA’24 | MORTÁGUA_concerto com FILARMÓNICA DE MORTÁGUA
30 AGO | LOCAL A ANUNCIAR_participação

20.5.24

MAIO, MADURO MAIO!

 

1º. MAIO 
 
Há Maio em cada rosto
em cada olhar
que passa pelo asfalto da Avenida
Há Maio em cada braço
que se ergue
há Maio em cada corpo em cada vida
 
Há Maio em cada voz
que se levanta
há Maio em cada punho que se estende
há Maio em cada passo
que se anda
há Maio em cada cravo que se vende
 
Há Maio em cada verso
que se canta
há Maio em cada uma das canções
há Maio que se sente
e contagia
no sorriso feliz das multidões
 
Há Maio nas bandeiras
que flutuam
e mancham de vermelho
o céu de anil
Há Maio de certeza
em cada peito
que sabe respirar o ar de Abril
 
Mas há Maio sobretudo
no poema
que se escreve sem ler o dicionário
porque Maio há-de ser
mais do que um grito
porque Maio é ainda necessário
 
Canto Maio e se canto
logo existo
que o meu canto de Maio é solidário
  1. com o canto que escuto
e em que medito
e que sai da boca do operário
 
* Fernando Peixoto