1.6.26

NISA: As festas dos Zés e a responsabilidade dos eleitos


A Câmara de Nisa reúne hoje pelas 15 horas em sessão ordinária, a qual integra 25 pontos na Ordem de Trabalhos, dois deles referentes ao evento “Nisa em Festa”, anunciado ontem, com grande algazarra por um dos Zés promotores da festa.

O Zé Dinis, presidente, com a clarividência do costume e sem temores a microfones estranhos,  foi dizendo que a Festa custaria 360 mil euros só com os artistas, para além de mencionar as habituais bagatelas em que é pródigo, quando se refere a tradições, desenvolvimento, icónicas, atracção turística e outra conversa da treta para embalar meninos e sossegar auditorias.


Não tenho nada a apontar sobre o programa musical ou “artístico”. A criação do Nisa em Festa obedeceu à estratégia de competir com o Festival do Crato, a princípio inovador e atractivo para muitos milhares de pessoas de todo o país e hoje em dia, um quebra-cabeças, monstruoso, onde se vende tudo e mais alguma coisa e a música, alguma de grande qualidade, passa quase despercebida. Mas, repito, isso é lá com eles.

O que estranho na “Nisa em Festa” é o facto de o evento ter sido anunciado ontem, com espavento, e hoje, para a reunião de Câmara virem incluídos dois pontos assim descriminados:

*Ponto  9 -  Regras de funcionamento do Nisa em Festa

* Ponto 11 – Atribuição de Preços

O que é isto? - pergunto, enquanto cidadão, eleitor e contribuinte. Estão a gozar com quem trabalha? Reuniram, os dois Zés, com os eleitos da oposição, a maioria da Câmara, sobre o cartaz, o local, as normas de funcionamento, o âmbito geral da iniciativa? Vai ser a festa da continuidade decretada pela madre-superiora, ou, porque o executivo mudou, seria normal esperar alguma inovação sobre este evento?

Por que terão os três vereadores da Oposição, que não foram tidos nem achados na elaboração do programa Nisa em Festa de decidir, agora, sobre as Regras de Funcionamento da mesma? Ou sobre a atribuição de preços? Quais preços? Os da entrada no recinto que, aliás, já têm um “preço” definido, o da gratuitidade no primeiro dia?

Dou-vos uma sugestão: copiem o modelo das autarquias vizinhas (Gavião, Portalegre, Vila Velha de Ródão, por exemplo) onde as entradas são GRATUITAS.  Copiar o que é bem feito, não reduz a capacidade de decisão, antes pelo contrário, eleva-a à racionalidade, ao bom senso e ao respeito do que deve ser o Poder Local. Deixem-se de “Festivais”e de festivaleiros. Dêem a festa ao povo e não se esqueçam, como tem sido a “norma” dos últimos anos, de convidar e de integrar na Nisa em Festa todas as Juntas e Uniões de Freguesia. Essa será, também, uma forma de dignificar e homenagear os 50 Anos do Poder Local Democrático.

Mário Mendes