17.6.26

AZARUJA (Évora): Sumpósio Internacional " Museus Comunitários e Desenvolvimento (G)Local


O programa do simpósio encerra com um momento musical excelente, um concerto na Igreja paroquial de Azaruja pelo Grupo Olisipo: Elsa Cortez - Soprano; Maria Luísa Tavares - Mezzo-Soprano; Lucinda Gerhardt - Mezzo-Soprano; Carlos Monteiro - Tenor; Carlos Pedro Santos - Barítono; e Armando Possante - Barítono e Diretor Musical.

Concerto - Requiem de Filipe de Magalhães (1571-1652), um dos maiores compositores da Escola de Música da Sé de Évora.

"Nascido em 1571 em Azeitão, Filipe de Magalhães foi aluno de Manuel Mendes no Colégio dos Moços de Coro em Évora, onde foi contemporâneo de Duarte Lobo e Manuel Cardoso, todos eles compositores da chamada Escola de Música da Sé de Évora. Em 1589 substituiu o seu professor como mestre da claustra da Sé, tendo tido um importante papel como formador da geração seguinte de compositores eborenses, nomeadamente de Estêvão de Brito e Estevão Lopes Morago. Em Lisboa, para onde se mudou posteriormente, foi mestre da Capela Real durante 40 anos.

A Missa pro Defunctis a seis vozes faz parte do LiberMissarum, ou livro de missas, impresso em 1636. Este livro reúne grande parte da obra sobrevivente de Magalhães, já que grande parte da sua música terá desaparecido com o terramoto de 1755. Sobreviveu também um livro seu de cantochão, Cantus Ecclesiasticus, do qual foi retirado o Tractus Absolve Domine, que interpretaremos neste concerto. O conhecimento e apreciação do compositor pela simplicidade e beleza do cantochão refletem-se nas características da sua escrita polifónica, baseada em longas melodias que parecem pairar permanentemente sobre o espaço da igreja, elevando todos os que as ouvem e convidando-os à contemplação. 

Complementamos a apresentação da missa com algumas obras suas contemporâneas. De entre estas, destacamos a Sequentia Dies Irae, da autoria de Duarte Lobo, parte da sua própria Missa Pro Defunctis a seis vozes publicada em 1639. Lobo adopta um estilo de escrita transparente, com a textura reduzida a quatro vozes e uma escrita homofónica que evidencia o texto e permite ao ouvinte meditar claramente no seu fim último. É ainda de realçar o facto de ser este um dos únicos exemplos de tratamento polifónico deste texto em todo o repertório conhecido do stile antico, sendo  o seu dramatismo, com a sua descrição do juízo final, muito mais apreciado pela sensibilidade dos autores Clássicos e Românticos.

Incluímos ainda o Libera me, responsório a quatro vezes para a absolvição do defunto sobre o túmulo da autoria de Manuel Cardoso e que faz também parte do primeiro livro de missas. É com este responsório que terminaremos o programa, pedindo a libertação da morte eterna no dia do juízo final."

Grande obrigada ao nosso Cónego Eduardo Silva e à Arquidiocese de Évora pela cedência da Igreja Paroquial.