Concerto - Requiem de Filipe de Magalhães (1571-1652), um
dos maiores compositores da Escola de Música da Sé de Évora.
"Nascido em 1571 em Azeitão, Filipe de Magalhães foi
aluno de Manuel Mendes no Colégio dos Moços de Coro em Évora, onde foi
contemporâneo de Duarte Lobo e Manuel Cardoso, todos eles compositores da
chamada Escola de Música da Sé de Évora. Em 1589 substituiu o seu professor
como mestre da claustra da Sé, tendo tido um importante papel como formador da
geração seguinte de compositores eborenses, nomeadamente de Estêvão de Brito e
Estevão Lopes Morago. Em Lisboa, para onde se mudou posteriormente, foi mestre
da Capela Real durante 40 anos.
A Missa pro Defunctis a seis vozes faz parte do
LiberMissarum, ou livro de missas, impresso em 1636. Este livro reúne grande
parte da obra sobrevivente de Magalhães, já que grande parte da sua música terá
desaparecido com o terramoto de 1755. Sobreviveu também um livro seu de
cantochão, Cantus Ecclesiasticus, do qual foi retirado o Tractus Absolve
Domine, que interpretaremos neste concerto. O conhecimento e apreciação do
compositor pela simplicidade e beleza do cantochão refletem-se nas
características da sua escrita polifónica, baseada em longas melodias que
parecem pairar permanentemente sobre o espaço da igreja, elevando todos os que
as ouvem e convidando-os à contemplação.
Complementamos a apresentação da missa com algumas obras
suas contemporâneas. De entre estas, destacamos a Sequentia Dies Irae, da
autoria de Duarte Lobo, parte da sua própria Missa Pro Defunctis a seis vozes
publicada em 1639. Lobo adopta um estilo de escrita transparente, com a textura
reduzida a quatro vozes e uma escrita homofónica que evidencia o texto e
permite ao ouvinte meditar claramente no seu fim último. É ainda de realçar o
facto de ser este um dos únicos exemplos de tratamento polifónico deste texto
em todo o repertório conhecido do stile antico, sendo o seu dramatismo, com a sua descrição do
juízo final, muito mais apreciado pela sensibilidade dos autores Clássicos e
Românticos.
Incluímos ainda o Libera me, responsório a quatro vezes para
a absolvição do defunto sobre o túmulo da autoria de Manuel Cardoso e que faz
também parte do primeiro livro de missas. É com este responsório que
terminaremos o programa, pedindo a libertação da morte eterna no dia do juízo
final."
Grande obrigada ao nosso Cónego Eduardo Silva e à
Arquidiocese de Évora pela cedência da Igreja Paroquial.
