7.6.26

LIVRO: "Urânio!", um thriller jurídico na paisagem alentejana


O novo livro de Carlos Rayo, que chegou em maio às livrarias, revela uma personagem peculiar: Naty Colete, uma advogada que se vê numa encruzilhada em Nisa, no Alentejo.

Há, na paisagem topográfica mas também emocional portuguesa, um tipo de aldeia, vila ou cidade com a habilidade de produzir filhos da terra. Nisa, pelo menos no Alentejo de Carlos Rayo, é uma dessas vilas. Em Urânio! - Intriga Internacional no Alentejo, o autor apresenta-nos a sua filha da terra: Natércia Colete – ou Naty para quem a conhece desde que nasceu –, que é advogada. Filha pródiga, vai regressar a Nisa depois de receber a pior notícia sobre os pais (”.. num desastre de viação na estrada para Portalegre”) e vai ver-se enredada num grande mistério.

À chegada, a advogada (que traz na bagagem experiência no Instituto Camões e em Angola) começa por inteirar-se dos negócios dos pais (a criação de ovelhas e a produção de queijo) mas também do que terá mudado na terra que a viu nascer.

Numa conversa com o presidente da Câmara (recém-eleito, sob uma candidatura intitulada “Nisa Importa”), diz que, sendo preciso, está à disposição da câmara. A resposta chega pronta: “Esta terra necessita de gente qualificada, tenho muitos projetos em curso, com financiamento europeu e até privado, quero quebrar o ciclo do fatalismo resignado da pobreza do interior e todos somos poucos.”

Num retrato fiel do interior, Carlos Rayo dá então um banho de realidade à sua protagonista: as oportunidades escasseiam, até para os filhos pródigos. Subitamente, porém, um telefonema no final de mais um dia de (pouco) trabalho transforma-se numa proposta: um homem de fora, Alberto Salcedo, tinha tido uma avaria no carro e quando abordado pela polícia teria mostrado um cartão de identificação falso. Para o defender perante a justiça, um outro homem, Rui Aires, propõe-se a pagar-lhe 10 mil euros. Naty, mesmo desconfiada, sente-se tentada.

Salcedo, o homem que tem de defender surge, contudo, associado a uma suspeita: o aumento de ignições de fogos na região, somado ao apoio de gente poderosa e com pressa de o retirar de Nisa, local do crime.

Chamada a reunir-se com essa gente poderosa, fica então a saber mais: que Sacedo são águas passadas e o que a leva ali é que uma das maiores jazidas de urânio em Portugal fica em Nisa e que a Melalmint, a empresa de exploração mineira que a pretende contratar(feita da mesma massa humana que a tinha contratado para impedir Salcedo de ser preso) chegou “à conclusão de que era de toda a conveniência ter alguém in situ, que conhecesse as pessoas e as suas sensibilidades e que pudesse fazer a ligação às equipas técnicas e de comunicação” – Naty sendo o encaixe perfeito para este quebra-cabeças. “Para uma saloia do Alto Alentejo, pensou interiormente, aquele era um desconhecido mundo novo que se abria.”

Mas quem estaria realmente atrás desta empresa, que intenções teria e o que teria a perder a população de Nisa com a entrada da Metalmint na vida de todos os filhos da terra?

·        * Carlos Rayo é o pseudónimo literário do advogado e comentador de futebol da Medialivre , Carlos Cruz

Pedro Ferreira

https://www.sabado.pt/gps/detalhe/uranio-um-thriller-juridico-na-paisagem-alentejana?token=bac4f891abb143e09f312d7a26d2e74ff2503d20b27c4b98aeab3e448e842886&registryConfirmation=1