Ah...
se estas palavras
fossem os teus lábios
poderia escrever...
os contornos do teu corpo
enlaçar-te pela cintura
arder na tua pele
e sentir...
a tua sede de pomba e de corça
nesse dia...(esse dia, será o dia)
os músculos irão estalar
as veias irão doer...
não, não sonhei...(eu vi)
formosas figuras...
em todo o seu esplendor
a pisar a espuma
que o mar depositava na areia
........mansamente........
não conhecia ninguém
estava só, no areal
a brisa trazia o cheiro intenso da maresia
foi o delírio das narinas
de vaga em vaga
a espuma das ondas
chega à praia
.......mansamente.......
sempre alivia a espuma dos dias
deprimentes...
à beira do nulo...
talvez o mar
me (re) anime
sei da delicada força
nas dunas, um vento pobre
sopra por ali
e tu...não estás ali...
nem te consigo "inventar"
invoco todas as forças
do meu sentir
e, que as labaredas
desta paixão
beijem todos os poros da tua pele
é noite na página branca
é noite na mão que escreve
e as pombas brancas...
quedam-se no peito.
A.B.---2017