29.6.26

NISA: Conheça os poetas do concelho (LXXI) - António Borrego


À beira mar

Ah...

se estas palavras

fossem os teus lábios

poderia escrever...

os contornos do teu corpo

enlaçar-te pela cintura

arder na tua pele

e sentir...

a tua sede de pomba e de corça

nesse dia...(esse dia, será o dia)

os músculos irão estalar

as veias irão doer...

não, não sonhei...(eu vi)

formosas figuras...

em todo o seu esplendor

a pisar a espuma

que o mar depositava na areia

........mansamente........

não conhecia ninguém

estava só, no areal

a brisa trazia o cheiro intenso da maresia

foi o delírio das narinas

de vaga em vaga

a espuma das ondas

chega à praia

.......mansamente.......

sempre alivia a espuma dos dias

deprimentes...

à beira do nulo...

talvez o mar

me (re) anime

sei da delicada força

nas dunas, um vento pobre

sopra por ali

e tu...não estás ali...

nem te consigo "inventar"

invoco todas as forças

do meu sentir

e, que as labaredas

desta paixão

beijem todos os poros da tua pele

é noite na página branca

é noite na mão que escreve

e as pombas brancas...

quedam-se no peito.

A.B.---2017