Todas diferentes, são histórias e imagens que correm o
mundo. Não se trata, de todo, de procurar vitórias morais ou a emotividade que
marca percursos de superação. Acontece que o esforço e a surpresa causada pelas
seleções de quem pouco se espera ganham particular interesse num Mundial mais
do que nunca rendido ao dinheiro, ao poder e à política no que tem de menos
nobre. Sabemos que nem todas as seleções partem do mesmo ponto - seja em termos
desportivos, financeiros ou de contexto social e político. Por muito que os
programas de inteligência artificial combinem estatísticas e informações
detalhadas para tentarem afinar prognósticos, é motivador confirmar que dentro
de campo há guiões que não estão escritos.
Se é verdade que o futebol, negócio e máquina trituradora
infernal, consegue encerrar em si muitos dos piores vícios dos tempos modernos,
tem igualmente a potencialidade de ultrapassar barreiras e de se assumir como
verdadeira linguagem universal. Não é só de futebol que falamos quando falamos
de futebol. Para o pior e, felizmente, também para o melhor.
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Inês Cardoso – Jornal de Notícias - 17
de junho, 2026
