A rejeição por parte dos trabalhadores de uma reforma que
representava, como analisámos nas páginas do Le Monde diplomatique – edição
portuguesa, um enorme retrocesso nos direitos democráticos dos trabalhadores e
dos sindicatos, tinha-se tornado de tal forma evidente que até o partido de
extrema-direita, sequioso de chegar ao poder, foi obrigado a votar contra. No
próprio dia da votação, o primeiro-ministro, desalentado, afirmou que poderá
vir a recolocar o tema na agenda.
É tempo de celebrar uma vitória arrancada contra uma
direitização da agenda governativa que, pondo em marcha um rolo compressor de
direitos para criar mais pobreza e mais desigualdades, gostaria de esquecer que
«o povo é quem mais ordena». Em simultâneo, é tempo de refletir sobre o que
estes 11 meses de luta vieram mostrar a todos os que defendem o Estado social
de direito democrático.
Quais as características da proposta de reforma laboral que
mais suscitaram a rejeição dos trabalhadores? Como se conseguiu uma longa e
intensa mobilização popular, num contexto de adversidades várias com que se
debatem os trabalhadores e os sindicatos, desde a precariedade e os baixos
salários até aos desafios à atividade sindical e à falta de pluralidade do
ambiente mediático? O que fazer depois da derrota do Pacote Laboral, tendo em
conta as dificuldades que persistem na vida dos trabalhadores e as outras
medidas e reformas que se anunciam (da proteção social, da Constituição da
República, etc.)?
Tudo começa no trabalho. Desde a educação que se pode dar
aos filhos até à pensão de reforma e aos anos saudáveis que se vai ter,
passando pelo tempo que se pode dedicar ao descanso e pela própria capacidade
de se lutar por uma vida melhor. Refletir a partir de uma vitória laboral e
sindical tem sido raro. Aproveitemos, juntos.
Oradores
TIAGO OLIVEIRA, Secretário-Geral da CGTP
MARIA DA PAZ CAMPOS LIMA, Socióloga
JOSÉ SOEIRO, Sociólogo, ex-deputado do BE
BRUNO DIAS, Técnico de comunicação, ex-deputado do PCP
Moderação
Sandra Monteiro - diretora do Le Monde diplomatique - edição
portuguesa
Local: SPGL, R. Fialho de Almeida, n.º 3 (Lisboa)
Contribuição
Entrada: 10 mondes
Entrada solidária: 15 mondes
Organização
Outro Modo / Le Monde diplomatique – edição portuguesa
Inscrições
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