O Mundial ainda não tinha começado e já havia problemas,
apesar das garantias dadas pelo todo-poderoso Infantino de que tudo seria
pacífico à entrada nos EUA. Há adeptos da R.D. Congo com bilhete comprado que
ficaram em terra; um jogador iraquiano horas a ser interrogado no aeroporto; o
árbitro da Somália Omar Artan detido e recambiado para casa, apesar de ter sido
escolhido pela FIFA. Há ainda jornalistas do Médio Oriente e África que não
foram autorizados deslocar-se aos EUA.
É o início atribulado, mas nada surpreendente, de uma
competição que se quer inclusiva, com gente de todo o Mundo, num Estado em que
o presidente afirma que os somalis deviam voltar para casa e diz que há países
indesejados. Esta proximidade entre FIFA e EUA compromete o organismo que
regula o futebol e associa-o a tudo o que vai correr mal, ainda que agora
Infantino já esteja a sacudir água do capote, enquanto explica que estas
decisões são exclusivas do país anfitrião (que por acaso é liderado pelo seu
amigo do peito).
Não será fácil manchar ainda mais a imagem da FIFA. Falta
apenas saber como vai ser feito o spin, para dizer que tudo correu bem, até
quando os agentes do ICE começarem a deter adeptos. Talvez mais uma bajulice
ajude a amenizar tudo.
Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 12 de junho, 2026
