15.6.26

OPINIÃO: Bajule um pouco mais


Com ego inchado e uma húbris desmedida, Gianni Infantino prestou-se, no último ano, a uma figura triste para o líder de uma organização global como a FIFA. Nada que surpreenda quem ande por cá há mais de 15 dias e recorde vagamente o histórico da instituição. Ainda assim, de pouco parece ter valido o incrível Prémio FIFA da Paz atribuído ao pacifista líder norte-americano; aqueles gabinetes arrendados na Torre Trump de Nova Iorque, cuja ocupação e utilidade são nulas, segundo revela o "The New York Times"; ou os constantes elogios públicos.

O Mundial ainda não tinha começado e já havia problemas, apesar das garantias dadas pelo todo-poderoso Infantino de que tudo seria pacífico à entrada nos EUA. Há adeptos da R.D. Congo com bilhete comprado que ficaram em terra; um jogador iraquiano horas a ser interrogado no aeroporto; o árbitro da Somália Omar Artan detido e recambiado para casa, apesar de ter sido escolhido pela FIFA. Há ainda jornalistas do Médio Oriente e África que não foram autorizados deslocar-se aos EUA.

É o início atribulado, mas nada surpreendente, de uma competição que se quer inclusiva, com gente de todo o Mundo, num Estado em que o presidente afirma que os somalis deviam voltar para casa e diz que há países indesejados. Esta proximidade entre FIFA e EUA compromete o organismo que regula o futebol e associa-o a tudo o que vai correr mal, ainda que agora Infantino já esteja a sacudir água do capote, enquanto explica que estas decisões são exclusivas do país anfitrião (que por acaso é liderado pelo seu amigo do peito).

Não será fácil manchar ainda mais a imagem da FIFA. Falta apenas saber como vai ser feito o spin, para dizer que tudo correu bem, até quando os agentes do ICE começarem a deter adeptos. Talvez mais uma bajulice ajude a amenizar tudo.

Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 12 de junho, 2026