Todos os dias, surgem novas imagens e relatos dos ataques de colonos a palestinianos, sob o olhar impávido, sereno e cúmplice dos militares. No Dia de Jerusalém, grupo de radicais organizaram uma caça a palestinianos pelas ruas da Cidade Velha, aos gritos de "morte aos palestinianos", naquilo que fez lembrar à cronista Hanin Majadli, do jornal israelita "Haaretz", a infame "Noite de Cristal", de perseguição a judeus na Alemanha nazi. Jorge Moreira da Silva descreveu há semanas ao "Público" o que viu em Gaza e aventou: "Vamos ser todos julgados por aquilo que fizemos ou não fizemos em Gaza. Não há jornalistas, os que havia tiveram de sair ou foram mortos." Há poucos dias, especialista da ONU sublinharam que "a inação da comunidade internacional permite a impunidade total".
Mas o que se passou em Jerusalém foi rapidamente esquecido,
depois da divulgação orgulhosa dos maus-tratos aos ativistas da flotilha
raptados em águas internacionais, que levaram até o tímido ministro dos
Negócios Estrangeiros português a criticar o ministro Ben-Gvir, pelo
comportamento intolerável. Ainda assim, só o ministro foi criticado, porque
"aqui-d'el-rei" se se critica Israel. Foi de tal descaramento, que
Netanyahu - farol dos direitos humanos - sentiu necessidade de repudiar as
imagens. Está na hora de dar um murro na mesa e acabar com a impunidade de um
Estado que se esconde atrás do terror a que foi submetido um povo, para matar e
torturar impunemente.
Luís Pedro Carvalho – Jornal de Notícias - 25 de maio, 2026
