8.6.26

NISA: Capelas de S. João dão cor à Tradição


Na noite de S. João,

A capela é pendurada,

Na janela da moçoila

Para ser abençoada.

Maria Sampaio Temudo

 Não se conhecem com rigor as origens desta tradição. Sabe-se, isso sim, que S. João, um dos santos populares, era muito acarinhado em Nisa, de tal modo a profusão de nomes João. Era, também, o “santo dos namoros”, das flores, da renovação e da vida. Daí ser natural associar estes elementos à feitura das Capelas.

Maria José Moura, 86 anos, e Josefa da Silva Macedo, 89, duas nisenses, moradoras na “Vila” e que encontrámos a fazerem Capelas, dizem-nos ser “uma tradição muito antiga” e que actualmente são as pessoas mais idosas que as fazem para dar aos netos.

“Em nova toda a gente fazia, era um regalo ver as casas com tanta capela pendurada”.

Capelas, era sinónimo de filhos, de prole numerosa.

A pequena sala de entrada na habitação está cheia de flores e as duas mulheres, com um entusiasmo juvenil, não dão mãos a medir, na execução de uma tarefa que, nota-se, é grata para elas.

“As Capelas começam por levar um arco feito com plantas trepadeiras, que é a “sustentação” e onde colocamos a penugem, alecrim, alfazema e umas rosinhas que não se sequem durante o ano. Depois de se saber não custa nada. Às vezes, o mais difícil é apanhar as flores e a penugem”

Mais de duas dezenas de Capelas estão já prontas e expostas à nossa frente. A tradição das Capelas de S. João parece querer ganhar um novo incremento e prova disso foi o 1º Concurso organizado pela União de Freguesias da Senhora da Graça, Espírito Santo e S. Simão e que teve uma boa participação.

Participaram 32 pessoas; 77 capelas a concurso, todas elas de grande beleza e a União de Freguesias atribuiu o 1º e o 2º prémio a Isabel Requeixa, tendo o 3º prémio sido atribuído a Laurentina Figueiredo, prémios que mereceram uma contribuição pecuniária, no valor de 40, 30 e 20 euros, respectivamente, em produtos a adquirir no comércio local.


É um incentivo a manter esta tradição nisense, popular e artística, não só na sua forma original, mas também como elementos decorativos e diferenciadores, que alegram as frontarias das casas e anunciam, a quem passa, o frémito de vida nova que as habita.

Mário Mendes

NOTA. O texto já tem uns "anitos". A senhora Josefa da Silva Macedo, faleceu, entretanto, no esplendor e graciosidade das suas 90 primaveras. O texto é também uma evocação e homenagem a estas mulheres da "vila" que tanto contribuíram para o renascimento de uma tradição que ameaçava perder-se. Felizmente, estão aí, belas e vigorosas, as Capelas do S. João de Nisa