12.6.26

PRAÇA DA LIBERDADE: Uma enorme barraca(da)!


O final do ano letivo é faseado consoante os anos de escolaridade. Enquanto os alunos dos 9.°, 11.° e 12.° anos estão em altura de preparação para as provas finais a português e matemática e exames do Ensino Secundário, os discentes dos 5.°, 6.°, 7.°, 8.° e 10.° anos entram em férias na próxima 6.ª feira. Já os mais novos, do Pré-Escolar e 1.° Ciclo, mantêm-se em atividades letivas até 30 de junho.

É um período de enorme azáfama nas escolas, em que são conhecidos os resultados das aprendizagens, motivando emoções contrastantes - a alegria dos que cumpriram os objetivos definidos e a tristeza dos que não os concretizaram.

Desejosos de sol e mar na costa portuguesa, os alunos e as comunidades educativas estão perplexos perante as revelações sobre o espaço público nas praias. A hesitação do Ministério do Ambiente, veio lançar a dúvida sobre um cenário que tínhamos como seguro, revelando o abuso de direito por parte de alguns concessionários que têm ocupado o areal como se fossem "donos daquilo tudo".

Este apoderamento de espaço, devido ao desconhecimento da legislação pela generalidade da população, choca com os valores transmitidos em sala de aula. Afinal, a escola ensina os futuros cidadãos a defender os seus direitos com assertividade e a exigir esclarecimentos a quem de direito - competências fulcrais para a convivência sã numa sociedade que quer elevar a bandeira da democracia.

A conflitualidade está agora latente. Os esclarecimentos veiculados não agradaram aos concessionários, que tentam perpetuar o status quo ao escudarem-se nos "usos e costumes" e no argumento de que "sempre foi assim" para evitarem as mudanças. Não são válidas as desculpas comezinhas e ridículas que só servem para acicatar os ânimos de quem, durante anos, foi induzido em erro por placas informativas (?), que arrumavam os veraneantes portadores de um chapéu de sol para um dos cantos do areal. E, já agora: onde colocamos o corta-vento?

A ausência de uma clarificação legislativa gera tensão. O mal-estar poderá comprometer as férias dos veraneantes e profissionais da Educação que, após um ano de trabalho intenso, almejam o justo repouso regenerador.

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas urge definir meios efetivos para abolir o "chico-espertismo" daqueles que se julgam acima da lei e que iludem em benefício próprio.

Não podemos nem devemos prolongar este impasse sob a pena de literalmente se "armar barraca".

Filinto Lima - Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas - 10 de junho, 2026