30.7.26

TOLOSA (Nisa): Festas de Verão

 


Montemor-o-Novo renova a sua histórica ligação ao Festival Sete Sóis Sete Luas com uma nova programação internacional


Em agosto e setembro, a cidade volta a acolher uma programação artística de grande qualidade, com concertos, circo contemporâneo e projetos musicais solidários que reúnem artistas provenientes de diferentes geografias da Rede Cultural Sete Sóis Sete Luas.

A Associação Cultural Sete Sóis Sete Luas agradece ao Município de Montemor-o-Novo pelo apoio, pela confiança e pela continuidade desta colaboração, que representa um exemplo de como a cultura pode criar pontes duradouras entre comunidades, países e gerações. Montemor-o-Novo ocupa um lugar especial na história do Festival: foi a primeira cidade portuguesa a acolherem 1993 jovens artistas provenientes da Toscana, num momento pioneiro de intercâmbio cultural que esteve na origem de uma relação construída ao longo dos anos com base na amizade, na criação artística e no diálogo entre povos.

Mais de trinta anos depois, essa ligação mantém-se viva e continua a gerar novos encontros, novas produções e novas oportunidades para artistas emergentes e comunidades locais.

A programação deste ano inicia-se com a extraordinária voz da cantora e compositora grega Xanthoula Dakovanou, no dia domingo 2 de agosto, às 21h30, no Terreiro de João de Deus. Uma viagem pelas tradições vocais da Grécia, dos Balcãs e do Mediterrâneo Oriental, através de uma artista com uma reconhecida carreira internacional.

No dia domingo 9 de agosto, às 21h30, no Auditório do Parque Urbano, será a vez dos Ayom (Angola/Brasil) subirem ao palco. A formação multicultural, composta por músicos de Angola, Brasil e Itália, apresenta uma música profundamente ligada às rotas da diáspora africana, cruzando ritmos, culturas e histórias do Atlântico.

A programação artística prolonga-se até setembro com o espetáculo “RODEO” da companhia La Banda de Otro (Andaluzia), no dia segunda-feira 7 de setembro, às 20h45, na Feira da Luz. Um espetáculo de circo contemporâneo, clownerie e malabarismo que combina humor, acrobacia e participação do público.

O Festival Sete Sóis Sete Luas mantém também a sua dimensão social e de proximidade através dos concertos solidários em instituições de Montemor-o-Novo, levando a música a novos públicos e reforçando o papel da cultura como instrumento de inclusão.

No dia 6 de agosto, às 15h, os Ayom realizam um concerto solidário no “O Sobreiro” – Associação de Proteção Social à População de Cortiçadas de Lavre.

No dia 10 de agosto, às 11h, o Centro Social e Paroquial de São Cristóvão recebe o projeto Jeunesse IX das Cidades 7Sóis, uma produção original do Festival Sete Sóis Sete Luas que reúne jovens músicos e mestres de diferentes países da Rede Sete Sóis Sete Luas, sob direção musical de Rolando Semedo (Cabo Verde).

Esta nova edição confirma mais uma vez o espírito do Festival Sete Sóis Sete Luas: promover encontros entre culturas, valorizar a criação artística contemporânea e aproximar os povos através da música, da arte e da partilha.

https://festival7sois.eu/festival-2026/montemor-o-novo-3

OPINIÃO: O legado e o atrelado


Luís Neves usou o legado de 30 anos na Polícia Judiciária para justificar a excessiva informalidade demonstrada no tempo em que exerceu funções na Polícia Judiciária. Como se os fins (a comprovada competência e os resultados apresentados na liderança da investigação criminal) justificassem os meios (a leviandade com que tomou algumas decisões, sobretudo as que misturaram as esferas profissional e pessoal). Apesar da expectativa criada, foram poucas as novidades desta longa conferência de Imprensa. Luís Neves apenas pode queixar-se de si próprio e das suas imprudências. Mas não pode ignorar que a dimensão dos cargos (do anterior e do atual) comporta um conjunto explícito de exigências legais e éticas. Por mais que queiramos acreditar que os erros cometidos pelo ministro enquanto diretor da Polícia Judiciária foram produto de imprudência e não de incompetência, e que tudo foi feito para resolver problemas de forma pragmática, quem aplica as leis não pode alegar o seu desconhecimento.A honra e a probidade de Luís Neves são certamente importantes para o exercício mediático da gestão de danos ("Não poupei nem ganhei um cêntimo"; "Nem sempre acertei, mas estive sempre do lado do bem"), mas não são valores definitivos e únicos quando estão em causa as condições necessárias para um titular de um cargo político de elevada importância poder fazer o seu trabalho. Mesmo que Luís Neves nunca tenha sido, como enfatizou, "um homem de papéis", há demasiadas nebulosas e pontas soltas. Na decisão tomada por si de desviar o atrelado com material apreendido numa operação contra o tráfico de droga e cuja exigência de prova remeteu agora para os serviços da PJ; na excessiva bonomia com que o empreiteiro que fez obras em várias sedes da PJ e na sua casa no Alentejo acolheu, sem contrapartidas, esse material perigoso nas instalações da sua empresa em Barcelos; no expediente encontrado para lhe pagar essas obras domésticas, através da empresa da mulher e em numerário; no desconhecimento que disse ter sobre a obrigação de apresentar a declaração de rendimentos; e, por fim, na forma pouco ortodoxa como um tanque na sua propriedade no Alentejo se transformou, contra a sua vontade, numa piscina sem licença camarária. Por mais que não haja dolo, um ministro precisa de ter paz política e autoridade pública para cumprir a sua missão. Nem uma nem outra saíram a ganhar depois destes esclarecimentos públicos.

Pedro Ivo Carvalho – Jornal de Notícias - 30 de julho, 2026

HISTÓRIA: Nova edição da “Zahara” revisita cinco séculos de história e memória da região


A edição n.º 47 da revista de História Local “Zahara” é apresentada na sexta-feira, 31 de julho, na Cisterna do MIAA, em Abrantes, reunindo novos estudos sobre património, arqueologia, etnografia e memória coletiva de vários concelhos do Médio Tejo.

A apresentação da nova edição da Zahara, publicação semestral editada pelo Centro de Estudos de História Local de Abrantes (CEHLA), da Associação de Desenvolvimento Cultural Palha de Abrantes, está marcada para sexta-feira, 31 de julho, às 21h30, na Cisterna do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), no Jardim da República, em Abrantes.

A sessão inclui a apresentação do número 47 da revista e termina com a exibição do filme A savana e a montanha, numa iniciativa aberta ao público.

Com quase um quarto de século de publicação ininterrupta, a Zahara consolidou-se como um espaço de divulgação de investigação dedicada à antropologia, história local, sociologia, quotidiano e etnografia, reunindo investigadores e colaboradores de diversos concelhos da região.

Nesta edição, a capa destaca o artigo “500 anos depois – Ecos de um enlace imperial atravessando os concelhos de Chamusca, Abrantes e Ponte de Sor (1526-2026)”, da autoria de Joaquim Candeias da Silva, evocando a passagem de um acontecimento histórico que assinala meio milénio.

Entre os restantes trabalhos publicados encontram-se um estudo de José Alves Jana sobre Maria Torrado, uma antiga taberneira de 90 anos; uma investigação de Dulce Figueiredo sobre a escravização no Sardoal entre 1558 e 1669; um artigo de Fernando Freire dedicado aos judeus em Tancos nas redes da Inquisição; e um trabalho de Ana Santos Leitão sobre a Amieira do Tejo, abordando a intervenção da comunidade nas decisões do poder local.

O novo número integra ainda artigos sobre a lenda do Castelo de Abrantes, o artesanato abrantino, crenças e dizeres populares de Queixoperra, a guerra colonial e a recolha de memórias de antigos combatentes do concelho de Constância, entre outros temas que percorrem diferentes épocas e territórios da região.

Dirigida por José Martinho Gaspar e editada pelo CEHLA, a Zahara tem-se afirmado como um projeto singular de preservação e divulgação da memória coletiva, do património e da identidade dos concelhos de Abrantes, Constância, Gavião, Mação, Sardoal, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha, constituindo um importante repositório de investigação sobre a história local.

Mais do que uma revista, a “Zahara” continua a afirmar-se como um espaço de encontro entre investigadores, cronistas e comunidades, preservando histórias que dificilmente encontram lugar nas grandes narrativas nacionais e contribuindo para valorizar a identidade e a memória dos territórios do Médio Tejo.

Mário Rui Fonseca – mediotejo.net - 29 de Julho, 2026

 

29.7.26

NISA: Memórias de um Rio - Uma comédia histórica sobre a lenda do Rei Wamba

 


AVIS: Festas de Aldeia Velha

 


HABITAÇÃO: Proposta do Governo facilita despejos de famílias eliminando garantia processual


Proposta do Governo acelerará despejos de famílias que se atrasaram a pagar rendas. Passarão a poder ser despejadas de imediato mesmo que tenha recorrido da decisão judicial.

O Governo quer dispensar as execuções das sentenças de despejo, criando um mecanismo de despejo praticamente automático a partir da decisão de um juiz. Segundo esclarecimentos do Ministério das Infraestruturas e Habitação (MIH) a perguntas da agência Lusa, a medida elimina uma garantia processual que protege quem enfrenta a perda de habitação, muitas vezes em situações sociais e económicas muito frágeis.

A proposta insere-se num pacote mais amplo de medidas que o Governo apresentou como resposta à crise da habitação, mas que na verdade concentra o essencial do seu esforço na aceleração dos despejos e no fim das poucas proteções que os inquilínos têm. Entre as outras medidas estão a redução de três para dois meses o prazo de incumprimento de renda a partir do qual um senhorio pode iniciar um despejo e a possibilidade de despejo caso haja atrasos de pagamento iguais ou superiores a oito dias, repetidos mais de três vezes em 12 meses ou mais de quatro vezes em 18 meses.

Na prática, isso significa que o Governo quer simplificar os despejos não só para quem não paga a renda, mas para as famílias que se poderão atrasar a pagar a renda por motivos que lhe podem ser alheios.

Também em causa está a extensão da eliminação do efeito suspensivo dos recursos judiciais a todos os processos de despejo. Na prática, isto significa que um inquilino pode ser despejado de imediato mesmo que tenha recorrido da decisão judicial, ficando apenas com a possibilidade de pedir ao juiz o efeito suspensivo do recurso.

Segundo a Lusa, o pedido de autorização legislativa deverá seguir para o parlamento ainda esta semana, antes do início das férias parlamentares.

In www.esquerda.net - 29 de julho 2026

Fotografia via Facebook de Miguel Pinto Luz

Agência Culturália organiza roteiro cultural em Setembro pelo “Património Vivo do Alto Alentejo”


A agência de turismo cultural Culturália, com sede em Mafra, acaba de anunciar um roteiro cultural de 4 dias de 3 a 6 de Setembro pelo “Património Vivo do Alto Alentejo”.

O itinerário do circuito em autocarro de turismo inclui Nisa, Flor da Rosa, Castelo de Vide, Marvão, Portalegre, Campo Maior e Elvas com partidas de Mafra, Lisboa (Sete Rios) e Setúbal.

O alojamento escolhido selecionou o Monte Filipe Hotel & Spa em Alpalhão para as duas primeiras noites e o Hotel Ridan São João de Deus em Elvas, ambos estabelecimentos de quatro estrelas.

Nisa e Flor da Rosa

No primeiro dia o programa inclui almoço em restaurante em Nisa seguido de visita ao centro histórico, com destaque para a Igreja Matriz e para o Museu do Bordado e do Barro, e continuação para Flor da Rosa, com visita ao Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa. Jantar e alojamento no Monte Filipe Hotel & Spa.

Castelo de Vide e Marvão

Castelo de Vide e Marvão preenchem o segundo dia do programa. Em Castelo de Vide os participantes visitam o cento histórico, onde se destacam o Castelo Medieval e a Judiaria, e almoçam em restaurante local.

O grupo segue depois para Marvão, com visita ao centro histórico e ao seu Castelo e regresso ao hotel em Alpalhão.

Portalegre e Campo Maior

O terceiro dia é dedicado a Portalegre e Campo Maior, incluindo a Sé Catedral, o Museu José Régio e o Museu da Tapeçaria de Portalegre com almoço num restaurante local. Em Campo Maior a visita inclui o centro histórico, o Castelo e o Museu Aberto de Campo Maior, a Igreja Matriz, a Capela dos Ossos e o Centro de Ciência do Café, com jantar e alojamento no em Elvas.

Elvas, Património Mundial

O último dia é dedicado a Elvas, cidade classificada como Património Mundial, com passeio pelo centro histórico e visita ao Forte de Nossa Senhora da Graça, ao Castelo e ao Museu Militar, com almoço em restaurante local e regresso aos locais de origem.

Mais informações podem ser obtidas através do e-mail <info@culturalia.com.pt> ou do telefone 914 227 099, e as reservas diretas efetuadas  em »»»» https://www.culturalia.com.pt/reservas

In https:noticiasdecastelodevide.blogspot.com

 

POLÍTICA: Fórum Socialismo regressa a 29 e 30 de agosto


O Fórum Socialismo regressa em 2026 no último fim-de-semana de agosto, nos dia 29 e 30, em Setúbal na Escola Secundária Sebastião da Gama. A rentrée bloquista vai colocar em debate, com dezenas de painéis, a atualidade política, os desafios sociais e propostas para uma alternativa de futuro e rutura com o sistema económico.

Entre os temas em destaque estão o combate da esquerda nas redes sociais, com Levi Galaio e Miguel Faria. Cecília Honório e Rita Calvário falam sobre o papel das mulheres na reforma agrária com um painel sobre Mulheres, terra e revolução. A autora Maria José Oliveira leva-nos a 1964-1974 para explorar o colonialismo e a ação da PIDE/DGS em Moçambique.

O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, junta-se ao antigo líder da bancada parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, para uma conversa sobre algoritmos, marxismo e a encíclica Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV.

O Fórum Socialismo é organizado pelo Bloco de Esquerda e pelo The Left e marca a reentrada política do partido depois do verão. Para além dos debates, há momentos de convívio e um comício político que encerra o evento.

Inscreve-te neste link.  https://formularios.bloco.org/forms/forum-socialismo-2026-ru6kz2

28.7.26

SEDA (Alter do Chão): Festas na terra mais fina de Portugal


 

FORTIOS (Portalegre): Festas em louvor de São Domingos

 


ÉVORA: Na FEA “Uma viagem depois do pôr do sol”

 


6 de agosto | 21h00

Coleção de Carruagens

O verão convida-nos a partir. Hoje, basta escolher um destino. Mas houve um tempo em que a própria viagem era o acontecimento. No século XIX, partir já significava descobrir novos lugares, alargar horizontes e afirmar um modo de estar no mundo, mas estava ao alcance de poucos. Entre carruagens elegantes, grandes itinerários pela Europa e os rituais da alta sociedade, cada percurso era vivido com tempo, curiosidade e requinte.

Nesta visita noturna, percorra o imaginário de uma época em que viajar era um privilégio e uma forma de conhecer o mundo, através das carruagens que deram corpo a esse espírito de descoberta. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia,

OPINIÃO: A Polícia sob suspeita


Após os erros de casting Margarida Blasco e Maria Lúcia Amaral, o primeiro-ministro tirou um coelho da cartola. Foi buscar para ministro da Administração Interna o diretor nacional da principal polícia de investigação. Visto o acanho de Maria Lúcia Amaral na crise da tempestade Kristin, que obrigou Luís Montenegro a dispensá-la e a assumir a pasta, Luís Neves era o homem providencial. Com provas dadas a prender bandidos, mexia-se bem entre polícias e bombeiros e sabia estar nos salões da corte, encontrava-se do lado humanista da História na candente problemática das migrações e tinha boa imprensa.

Entre os partidos, o Chega destoou. Não pela crónica anemia da PJ no combate ao crime de colarinho branco - isso, sim, merecia um reparo, não fosse a converseta do partido de André Ventura sobre corrupção um mero instrumento de propaganda -, mas por ter visto Luís Neves a desmontar a associação entre criminalidade e imigração, a ficção em que assenta a principal narrativa do Chega, e a falar da atividade criminosa de grupos de extrema-direita.

E, no entanto, havia outras objeções. Levantadas por vozes isoladas, em registo cifrado ou sem palco mediático. O Governo da AD servia-se de alguém que trazia consigo informação sigilosa sobre os podres de meio-país e que deixara a sua gente bem colocada na PJ. Menos expectável era o problema agora posto em cima da mesa, com as histórias do empreiteiro que fez obras na PJ e no monte de Neves e que levou para Barcelos um atrelado apreendido a traficantes: sendo necessário investigar o ministro, quem o faria? A PJ começou por fazê-lo (na parte do atrelado), mas o Ministério Público avocou a investigação. Naturalmente, não confia na Judiciária para investigar quem a dirigiu nos últimos oito anos.

O Chega viu a brecha e, à boleia do atrelado, anunciou uma comissão parlamentar de inquérito "para saber o que aconteceu na PJ durante os mandatos de Luís Neves". São oito anos de uma história de 80. Não se sabe como vão os deputados investigar a Polícia e é duvidoso que daí resulte alguma melhoria numa instituição que, com todos os seus defeitos, será das mais respeitadas pelos portugueses. Mas isso pouco importa a um limícola que, apesar de ter chegado aos 60 deputados, continua a não conseguir encontrar alimento senão no lodo. The show must go on.

Nelson Morais- Jornal de Notícias - 27 de julho, 2026

BEIRA BAIXA: Comunidade Intermunicipal desfavorável à aprovação do PSZAER

 


A CIM Beira Baixa emite pronúncia desfavorável à aprovação do PSZAER na sua configuração atual e à delimitação apresentada para os territórios dos municípios associados, não obstante a concordância com os objetivos de descarbonização e de aceleração responsável das energias renováveis. Em comunicado oficial "A Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, que integra os Municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão, em face das questões ambientais, económicas, sociais e jurídicas inerentes ao PSZAER, expressa no âmbito do procedimento de Consulta Pública previsto no Regime Jurídico de Avaliação de Impacte Ambiental, uma posição desfavorável. "

ALTER DO CHÃO: Festas de Verão


As tradicionais Festas de Verão, em honra de Nosso Senhor Jesus do Outeiro e de Nossa Senhora da Alegria vão decorrer de 21 a 23 de agosto.

Venha divertir-se!!!

OPINIÃO: O verão perfeito


Eram 9.54 horas quando o solstício de verão, a 21 de junho, ocorreu em Portugal Continental. A hora e o dia marcam o início de uma das estações do ano mais amadas. Isto se seguirmos as diretrizes do verão astronómico, que é quando o Hemisfério Norte está na sua inclinação máxima em direção ao Sol. Para os meteorologistas, todavia, o verão começa a 1 de junho, o primeiro dia dos três meses mais quentes. O cenário é imbatível para a maioria de nós: a luz natural dura até às 21 horas, a pele fica mais bronzeada, a roupa que vestimos é mais leve e colorida, chega o tempo das tão desejadas férias e a rotina aborrecida e cansativa tem uma pausa.

Há até quem defenda (sim, há estudos) que os dias longos trazem mais otimismo, vontade de socializar, uma sensação de bem-estar e a melhoria do humor. A frase da canção de Dino Meira sobre o mês de agosto nunca fez tanto sentido: "Por ti levo o ano inteiro a sonhar". É assim com o verão. Mas num tempo em que as redes sociais e o telemóvel parecem ser uma extensão das mãos, braços e da vida, também as férias viraram performance e montra para likes. Onde estivemos, com quem e o que fizemos são perguntas a que parecemos obrigados a responder - ou a publicar - para mostrar que as nossas férias foram muito interessantes.

É bom lembrar que nem todos apanhamos um avião nas férias de verão, não temos histórias rocambolescas para contar, nem experimentamos um restaurante ou um bar novo todos os fins de semana. Alguns porque não querem, outros porque as circunstâncias sociais ou financeiras não o permitem. Um verão "sem fazer nada" não é menos significativo. Aliás, se as férias são uma espécie de botão de "reiniciar", tal como fazemos com os computadores quando estão a bloquear, porque haveríamos de encher os dias de descanso com sucessivos compromissos, como se de reuniões se tratasse?

A Internet mostra-nos um mundo onde até nas férias temos de ser produtivos, de fazer mais e melhor. Para provar à nossa bolha, seja ela digital ou não, que este verão foi tudo menos aborrecido. Entramos numa era em que até o "descanso" é performativo, em que publicamos a foto no Instagram a dizer offline, mas estamos online a publicá-la. Depois, percorremos o scroll aditivo, que nos diz mais uma atividade que não podemos deixar de fazer.

Eu recordo-me bem do tempo em que os algoritmos não atulhavam os dias. Agora, tenho muitas saudades dos verões em que as minhas únicas preocupações eram comer um gelado todos os dias e chegar a tempo a casa para ver o último episódio dos "Morangos com açúcar".

Rita Neves Costa – Jornal de Notícias - 20 de julho, 2026

PÓVOA E MEADAS: 𝐀𝐫𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚𝐬 𝐧𝐨 𝐑𝐨𝐬𝐬𝐢𝐨


𝑭𝒐𝒓𝒂 𝒅𝒆 𝑻𝒆𝒎𝒑𝒐

O 𝑨𝒓𝒕𝒊𝒔𝒕𝒂𝒔 𝒏𝒐 𝑹𝒐𝒔𝒔𝒊𝒐 continua a proporcionar noites de grande convívio em Póvoa e Meadas.

E se nesta sexta-feira a atuação vai estar a cargo da Tuna da Academia Sénior, na próxima, dia 31 de julho, é a vez do grupo Fora de Tempo.

A iniciativa, organizada pelo Município, está agendada, como habitualmente, para as 21,30h

27.7.26

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Sondagens intercalares | Cartoon editorial da revista de domingo do Correio Da Manhã


Marvão e Valencia de Alcántara unem-se para celebrar o XXI Festival Transfronteiriço ‘Boda Régia’ entre os dias 30 de julho e 2 de agosto.

 


Este evento, declarado como “festa de interesse turístico regional da Extremadura”, em 2016, é promovido pelo Ayuntamiento de Valencia de Alcántara, conta com a colaboração do Município de Marvão e um programa repleto de atividades culturais.

Ao longo destes dias, milhares de pessoas vão poder desfrutar de recriações históricas, peças teatrais, torneios, conferências, um mercado medieval e da tradicional rota da tapa Isabelina, neste evento que destaca uma identidade partilhada entre Portugal e Espanha, através da sua história e do seu património.

A 21ª edição da Boda Régia reúne, à semelhança dos anos anteriores, dezenas de marvanenses, com destaque para a participação da turma de Teatro e Dança Medieval, da Universidade Sénior de Marvão, nas diversas atividades programadas.

Recriação histórica na Portagem - “1497: A fronteira do Enlace Real”

No dia 30 de julho (quinta-feira), a partir das 21h30, a Ponte Quinhentista da Portagem volta a ser o cenário para a recriação histórica da chegada do Rei D. Manuel a Marvão.

O programa para esta noite contempla uma representação teatral baseada na obra “D. Manuel - Duas Irmãs para Um Rei”, de Isabel Stilwell, intitulada “1497: A fronteira do Enlace Real.

“Numa noite silenciosa, aquele que ficará para a história conhecido como ‘O Venturoso’, cruza a ponte da Portagem, rumo a Valencia de Alcántara, onde se vai realizar o enlace real.”

Celebração da Boda Régia em Valencia de Alcántara

Na sexta-feira, dia 31 de julho, a partir das 20h00, realiza-se o tradicional desfile das comitivas reais por Valencia de Alcántara, onde o Rei D. Manuel I vai ser acompanhado por convidados marvanenses, numa noite que termina com um torneio medieval na Praça de Toiros da vila espanhola.

Já a recriação histórica do casamento que uniu o Rei de Portugal, D. Manuel I, com a Infanta Isabel, filha dos Reis Católicos, em 1497, está agendada para 1 e 2 de agosto, no átrio da Igreja de Rocamador, em Valencia de Alcántara. “De amor, justiça e conveniência”, com texto e encenação de Javier Uriarte, é o nome da obra teatral que vai ser apresentada.

ATLETISMO: Torneio de Encerramento e Campeonato Distrital de Absolutos AADP


O Estádio Prof. Eduardo Sousa Lima recebeu ontem o Torneio de Encerramento e Campeonato Distrital de Absolutos, prova que encerrou a época de pista ao ar livre 2025/2026 da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre (AADP). Organizado com o apoio da Câmara Municipal de Portalegre, o evento reuniu atletas de todos os escalões, de traquinas a Veteranos, num programa que contemplou 21 provas entre corridas, saltos e lançamentos.

Os 1500 metros foram as provas com maior adesão do dia, somando 12 atletas classificados no setor masculino e 9 no feminino. A vitória masculina sorriu a Nuno Preciado, da ADCV - Castelo Vide, que cronometrou 4:35.77 no escalão M40, enquanto Cláudia Batuca se impôs no setor feminino com 5:47.99, na mesma categoria. O Peso Absolutos e o 100 metros masculino também foram provas bastante participadas.

Na velocidade, os 100 metros absolutos masculinos produziram os tempos mais rápidos da jornada. Benevilde Tangeniomwene, da Academia José Jacob, foi o mais veloz, com 11.68 segundos, seguido de Miguel Miranda, da ADCV - Castelo Vide, autor de 11.93 segundos no escalão Sub-20. No salto em comprimento, Afonso Martins, do Eléctrico F.C., venceu o Triplo Salto masculino com 9.80 metros, ao passo que Dayane Santos, da Academia José Jacob, se destacou no setor feminino com 9.28 metros em Sub-16, somando essa vitória à conquistada instantens antes no 80 metros do mesmo escalão. Luiz Otávio, do Clube Elvense de Natação, fez a dobradinha nos 80 e 800 metros Sub-16, e Matilde Sousa, da Academia José Jacob, foi a atleta mais rápida do dia nos 60 metros Sub-14 feminino, com 8.35 segundos.

Um dos momentos mais participados e emotivos da manhã foi o Desafio de Gerações, que juntou crianças e adultos — pais, mães ou outros familiares e amigos próximos — em equipas mistas ao longo de um conjunto de estações de corrida, saltos, lançamentos e destreza motora. Mais do que uma competição, a iniciativa proporcionou aos mais novos a alegria de competir lado a lado com quem lhes é próximo, promovendo simultaneamente a prática desportiva entre os adultos participantes e reforçando junto das famílias a mensagem de um estilo de vida ativo e saudável.

O programa incluiu ainda a estreia do Salto com Vara em Distância no distrito de Portalegre, disciplina até agora sem prática regular na região. a prova permitiu aos escalões de formação um primeiro contacto com a técnica do salto com vara, com destaque para André Vitória, do Sport Arronches e Benfica, vencedor em Sub-12 com 3.80 metros, e Luísa Calha, da ADCV - Castelo Vide, vencedora em Sub-14 com 3.14 metros.

Nas classificações coletivas, a Academia José Jacob (AJJ) venceu o Torneio de Encerramento com 105 pontos, seguida do Eléctrico F.C. (101 pontos) e da Escola de Atletismo de Portalegre (72 pontos). Completaram a tabela o Clube Elvense de Natação (63 pontos), a ADCV - Castelo Vide (57 pontos), o Sport Arronches e Benfica (53 pontos), o CVS Portalegre (15 pontos) e o Grupo Desportivo Arenense (9 pontos). Já no Campeonato Distrital de Absolutos, o pódio coletivo foi liderado pela ADCV - Castelo Vide, com 70 pontos, seguida do Eléctrico F.C. (49 pontos) e do Sport Arronches e Benfica (36 pontos). Fecharam a classificação o Grupo Desportivo Arenense (27 pontos), a Escola de Atletismo de Portalegre (23 pontos) e a Academia José Jacob (18 pontos).

Com esta jornada, a AADP encerra a componente de pista da época 2025/2026, mantendo o Alto Alentejo como território de forte dinamismo na formação e promoção do atletismo.

SAÚDE: 35 dadores de sangue em Castelo de Vide



A Sintra do Alentejo foi palco de mais uma jornada frutífera da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP – em estreita harmonia com a Unidade Funcional de Imunohemoterapia da ULSAALE.

O centro de saúde de Castelo de Vide está em obras e a colheita teve lugar no vizinho quartel dos bombeiros, local que há já muitos anos recebeu as ações da ADBSP.

O número de inscrições alcançadas foi de 35. As mulheres garantiram uma reconfortante maioria com 21 presenças, ou seja 60 %.

Os exames de saúde efetuados ditaram que um dos presentes não estava em condições de seguir para a dádiva. Assim em Castelo de Vide foram garantidas 34 unidades de sangue total, posteriormente partilhadas pelos serviços de saúde.

O almoço convívio, que uniu os intervenientes, contou com o apoio da Câmara Municipal de Castelo de Vide.


08 de agosto em Fronteira

Aos sábados de manhã são quando decorrem as colheitas da ADBSP. Vamos estar no centro de saúde de Fronteira a 08 de agosto (por motivos logísticos a data desta brigada teve de ser alterada). Já a 22 de agosto temos encontro marcado no centro cultural de Alpalhão, Nisa.

Ficam os convites para dar sangue e visitar: https://www.facebook.com/AssociacaoDadoresBenevolosSanguePortalegre/

JR

25.7.26

OPINIÃO: Hoje, o dia acordou perigoso


Um relatório que junta mais de uma centena de organizações não-governamentais revelou, na semana passada, dados preocupantes sobre a deterioração do espaço público português. Apontava-se a "normalização de narrativas xenófobas", sobretudo contra imigrantes, que tinham como consequência "o aumento dos crimes de ódio" e "um ambiente hostil à defesa dos direitos humanos".

A conclusão, que não é surpreendente, é mais uma chamada à ação para inverter um declínio que se acentua. "Os tempos mais perigosos" como descreveu o vocalista dos Da Weasel, estão a adubar-se na palma das nossas mãos.

O radialista Nuno Markl publicou uma imagem de um casal interracial. Escrevia que a família era alvo de racismo. Acompanhou a fotografia de Jessica com o marido e o filho com uma série de cópias de mensagens insultuosas, criminosas, mas de pessoas que não tinham qualquer problema em dar a cara. "São pessoas para quem o racismo está tão normalizado e empoderado, que já não têm qualquer pudor em insultar uma mãe, um pai e uma criança", escreveu, proibindo os seus próprios seguidores de comentar a partilha.

É deste espaço público que falamos, de um lugar que, também em Portugal, se encolheu nas liberdades com o crescimento da extrema-direita, embalada por redes sociais e algoritmos manhosos, coniventes com os crimes.

No relatório de que falava, feito pelo Fórum Cívico Europeu e o Observatório do Espaço Cívico, apontava-se para a "crescente influência da extrema-direita", para as desenfreadas campanhas de desinformação e para o aumento dos crimes de ódio. Passos do declínio da liberdade que vão "enfraquecendo a ação cívica, a organização coletiva, a responsabilização do Estado e a participação pública". Passos perigosos que se dão à luz do dia, até com o manto da imunidade parlamentar.

·         Joana Almeida Silva – Jornal de Notícias - 23 de julho, 2026

COISAS DA CORTE DAS AREIAS (22): O Organista

 


A igreja Matriz de Nisa tem um órgão. Organistas, quantos terão sido? Que idade tem o órgão? Desde quando ali permanece? Foi adquirido novo ou já usado? Terá sido oferecido? Desde há quantas décadas se não ouvem os harmoniosos acordes do nosso órgão?

Falemos um pouco dele, do triste órgão condenado ao silêncio. Na “Memória Histórica da Notável Vila de Nisa”, o autor, Motta e Moura, na pág. 46, informa:

“Tem alem d´isto a nova Egreja um bello coro… e n´elle um pequeno, mas harmonioso órgão, com que se acompanhavam os cânticos sagrados (…) É o órgão o maior e mais complicado dos instrumentos de vento, que se conhecem, porque constam de teclado, folles e canudos (…). Não podemos dizer o anno em que o nosso foi comprado, mas devia ser pouco depois da sua introdução no reino, porque achamos noticia d´elle em mui remota antiguidade. Por alvará de 4 de Outubro de 1582 foi o ordenado do organista, que era de dois mil Réis, elevado a quatro, e mandado pagar pelas rendas da Comenda”.

O autor, na mesma página, diz-nos que o uso dos órgãos se começou a generalizar nos templos no século XIII.

Já vem dos tempos da fundação de Nisa, o órgão da Matriz? Por que não? Nestas coisas da “cultura e património” não andou Nisa sempre entre os primeiros? Rui Cascão, na História de Portugal (1), em referência ao teatro amador não aponta um exemplo?. Escreve, este autor: “Em algumas zonas a paixão pelo teatro era antiga. Em Nisa, já em 1826 os amadores da época haviam improvisado um palco no Celeiro do Concelho, onde exibiam a sua razoável vocação para a arte cénica” (2).

Não é a banda de Nisa uma das mais antigas, senão a mais antiga, a sul do Tejo? Claro que sim. Em toda a nação portuguesa e num total de seis, não foi Nisa a primeira vila  a quem foi atribuído o título de Notável, em 1427, por D. João I?

Não terá sido a pujança e o desenvolvimento da nossa terra, naqueles tempos, factor decisivo na escolha, por parte da do Almirante Vasco da Gama, para aqui viver durante alguns anos, onde foi alcaide-mor? Naturalmente que sim.

Diz-nos a história ter sido D. Vasco Fernandes o último Mestre dos Templários em Portugal e também nos diz ter-se refugiado em Montalvão quando da extinção da Ordem do Templo. Ali viveu de 1307 a 1323, ano do falecimento, era então já Comendador de Montalvão, nomeado que foi pelo 1º Mestre da Ordem de Cristo, D. Gil Martins. Este episódio fez de D. Vasco Fernandes, um dos elos da corrente que uniu as ordens do Templo e a de Cristo, ambas diferentes só no nome, por decisão do “nosso” rei D. Dinis, fundador de Nisa.

Voltemos ao órgão da Matriz de Nisa. Na Monografia da Notável Vila de Nisa, pág. 62, José Francisco Figueiredo fala do órgão.

“Para maior brilhantismo das solenidades religiosas, existe no coro da Matriz um órgão, que apesar de ter séculos de serviço, ainda se ouve com muito agrado. A sua aquisição deve datar do século XVI ou antes, porque em 1550, segundo se lê no segundo livro do tombo da Ordem de Cristo, era de dois mil réis o ordenado do organista”.

Outras referências do órgão, temo-las por aí? Claro que temos. Atente-se no que segue. Na conferência proferida na sessão solene comemorativa do 150º aniversário da Banda de Nisa, em 22 de Outubro de 1994, o conferencista Carlos Tomás Cebola, nosso conterrâneo, trata deste modo o assunto:

“Quando há cerca de de um ano na homenagem póstuma aqui prestada ao mestre Luís Félix, entendi – e parece que em boa hora – que devia chamar a atenção para a existência e estado de conservação de um órgão de tubos do século XVII – se não me engano existente na Igreja Matriz. Seis meses depois recebi a grata notícia das primeiras diligências encetadas por uma comissão, organizada para tal fim. Mas, também, tenho conhecimento de que, apesar das festas e peditórios já levados a efeito, as verbas arrecadadas não chegam e – continuo a pensar – que ninguém deseja que se perca aquela peça valiosíssima do património cultural de Nisa. Volto a pôr o assunto à consideração de quem de direito. Pela minha modestíssima parte, posso anunciar desde já que, para a reinauguração, com pompa e circunstancia, do velho órgão – e eu creio, firmemente, na sua recuperação, porque as verbas hão-de aparecer, nem que seja no fim do arco íris – se à data, a Igreja, a Câmara, a Sociedade Musical Nisense e o senhor vereador da Cultura forem concordes, posso anunciar aqui a oferta de um organista para a realização de um concerto público, na Igreja Matriz”.

Célere corre o tempo. Talvez, por isso, já passaram uma dúzia de anos. As verbas obtidas com a festa que teve lugar na Alameda e que nos diziam ter ultrapassado os 200 contos, não foram utilizadas nos fins para que foram angariadas: o restauro do órgão.

Estranhamente, à Sociedade Musical Nisense – que colaborou, graciosamente, com os seus grupos musicais – não foi prestada qualquer informação sobre o facto. Soubemos, há pouco tempo, que o organista então disponível, cremos que estrangeiro, entretanto, faleceu.

Mas, de entre as várias referências sobre o órgão da Matriz, uma há que consideramos especial, com a particularidade de nos lembrar, às gentes de agora que “melhor que falar, por vezes demais, em Património e Cultura como valores a preservar, será agir, preservando”.

Afinal, já o era, assim, há muitos, muitos anos, tanto como meio milénio, cinco séculos.

Aspirem, só, e provem o sabor da prosa que vai seguir-se, escrita há vão já 500 anos e que nos chegou às mãos por deferência do senhor Aurélio Bengala, nisense de adopção, o que não o impede – bem pelo contrário – de ser um apaixonado pelas coisas da nossa terra, que tanto tem investigado.

Visitações na Ordem de Cristo até finais do século XVI – Pág. 427

- Regimento das visitações às igrejas da Ordem de Cristo que el-rei D. João III, como seu governado e perpétuo administrador, mandou fazer ao Pe. Frei António de Lisboa (Évora, 2.5.1536) .

“Eu el.Rey faço saber a vós, padre frey António de Lisboa, governador do convento da hordem de Nosso Senhor Jhesu Christo, que ora envyo visitar as igrejas do meestrado da dicta hordem, que este he o regimento que ey por bem que guardaees na dita visitação. Primeiramente, vós correrees todas as igrejas do dito meestrado e visitarees cada huuma nas cousas seguyntes, a saber”.

Segue-se uma página com instruções para aplicar em todas as igrejas da Ordem, sem indicação dos nomes das povoações, com uma única excepção, que a Nisa diz respeito.

“ (…) E nas egrejas em que ouver órgãos verees se estam concertados e se tem tamgedor que hás tamja e, se o tiver, se he auto per os tamger e que salário por isso tem e quem lho paga, porque sam imfformado que na egreja de Nisa estam huuns órgãos boons e que os tamge huum clérigo, que por isso leva premyo, que nom sabe dar tom ao coro e por os não saber tamger os desafina e estam o mais do tempo danados; enformarees-vos disso e verees se este que os tamge he auto pêra isso ou nam e nom ho sendo se se achara outro que seja auto pelo premyo que esse leva ou por mais ou menos e me escreverees o que achardes no vosso parecer pêra nisso prover.”

Como por certo repararam, este documento emanado de Évora em 1536, acrescenta alguns anos à presença na Matriz do nosso órgão.

Concluindo, é incrível como um rei de Portugal, há 500 anos, sabia existir em Nisa, “uns órgãos bons”, tocados por quem “não sabe dar tom ao coro”, e que ainda por cima “leva prémio por isso”.

Como é possível esta preocupação com o património por parte de um Rei, quando agora, 500 anos depois, vassalo, algum, se preocupa com isso. Será que, naquele tempo, eram melhores os conselheiros?

Notas

(1)   – História de Portugal – José Matoso – 5º Volume – Pág. 532

(2)   – Terá bebido o autor esta informação na Memória Histórica da Vila de Nisa? É possível.

 Efeméride

* 27 de Março de 1986

O tempo corre veloz. Sobre esta data, a do falecimento do senhor Fernando da Cruz Bicho, músico da “velha guarda” passaram já 20 anos. No princípio do ano de 1984, no pós-restauração, a Banda saiu à rua cumprimentando a população. Os acordes faziam-se ouvir, 1º de Janeiro se chamava a marcha. O sr. Fernando Bicho, comovido, ria e chorava em simultâneo.

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FOTOS

 1 – Cruz de Cristo da frontaria da Igreja Matriz

2 – Órgão da Igreja Matriz tem 500 anos

3 – Outro aspecto do órgão (tubos)

4 – Pormenor artístico – parte superior

 

NISA: ÍDOLOS DO PASSADO (1954)


Naquele tempo o futebol jogava-se aos domingos. Um jogo era uma festa e as equipas tinham os “backs”, os “alvos” e os avançados. Havia os extremos, sempre “colados” à linha, os interiores e o avançado centro. Com esta disposição “estratégica”, os golos não podiam faltar. E pode lá haver futebol-festa, sem golos...

in "Jornal de Nisa" nº 201 - 15 Fev. 2006

24.7.26

OPINIÃO: Dos exames ao protesto nas ruas, sem influencers


A polémica dos exames afetou centenas de milhares de jovens. Houve folhas que se perderem, erros na digitalização, problemas com agrafadores, falhas na leitura de QR codes, dificuldades com as plataformas informáticas, provas trocadas, prazos ultrapassados, calendários alterados. Um caos.

Para aumentar a confusão, considerou-se imprudente que as famílias tivessem marcado férias para esta altura, criticou-se a "resistência" de alguns professores ao processo de digitalização e também se pediram desculpas aos docentes pelos constrangimentos causados no processo de correção. Naturalmente, com o acesso ao Ensino Superior em causa, os níveis de ansiedade dos estudantes e das suas famílias dispararam.

Hoje, os estudantes vão sair à rua para mostrar o seu descontentamento com o processo. Irão denunciar os "erros políticos e logísticos" do Governo, pedir a demissão do ministro e contestar a taxa de 25 euros, exigida para a reapreciação das provas. Têm legitimidade para o fazer. Mas há outra lição que também aprenderam ou devem aprender.

Os grandes nomes das redes sociais, aqueles que concentram milhões de seguidores, estiveram praticamente ausentes da discussão pública. Além dos políticos, o debate ficou, sobretudo, nas mãos de professores, alunos e jornalistas. Não é que um influencer tenha obrigação de comentar política ou educação. Não tem. Mas muitos deles dizem que lutam por causas, que são a voz da geração Z. Neste caso, não o foram.

Percebe-se porquê. Há assuntos que dividem audiências, afastam marcas e não geram engagement. Portanto, quando o tema não é rentável, o conteúdo deixa de ser interessante para partilhar.

Hoje os estudantes não ficam a protestar em frente aos computadores ou com os smartphones na mão. Nem esperam que os algoritmos ampliem a insatisfação. Dão a cara e saem à rua, porque, afinal, a influência não se mede no número de seguidores.

Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 24 de julho, 2026