O primeiro-ministro mantém a confiança em Fernando
Alexandre, mas os portugueses já a perderam em relação ao processo de
digitalização de provas, apesar de o erro não estar, obviamente, no digital.
O que começou por empancar por um alegado problema técnico
escalou para um campo minado que espelha quão impreparada estava a tutela para
uma mudança que, não sendo urgente, quis levar teimosamente a cabo, apesar de o
teste-piloto com a prova de Filosofia já ter exposto debilidades. A mudança de
quatro dias no calendário é o menor dos problemas do ministro da Educação.
Quando, e se, amanhã, os resultados dos exames forem
afixados nas escolas, começa uma nova fase que se perspetiva turbulenta:
garantir que todos os alunos acedem à sua prova e que há capacidade instalada
de revisores para reavaliar os exames. Exlcuem-se do raciocínio eventuais
falhas na entrega dos malfadados items, prováveis, diria, uma vez que a ligação
de um exame a um aluno vai ter de ser feita numa plataforma, manualmente, pelos
estabelecimentos de ensino. Montenegro falou da "resistência" de
alguns professores à mudança, mas as palavras não ajudam a serenar os ânimos
nas escolas, nem nas famílias.
A digitalização é inevitável, mas a centralização mal acautelada de todo este processo revela quão frágil ele se tornou. A imagem daqueles milhares de exames no chão de um megaarmazém, em Lisboa, protegido pela polícia, é só por si causadora não de "alguma inquietação", mas de bastante inquietação, para os alunos e para as suas famílias.
·
Joana Almeida Silva – Jornal de
Notícias - 16 de julho, 2026
IMMAGEM - A processar | cartoon editorial da SÁBADO – Vasco Gargalo
