Depois disso, tomámos rumos diferentes. O Montalvo continuou os
estudos, primeiro os preparatórios, em Nisa e depois os secundários que o
levaram para outras paragens, onde estudou até ao 7º ano. Frequentou a
Faculdade de Direito e formou-se em Advocacia, herdando do pai o gosto, a
paixão, pelo Direito Administrativo, mormente o que tratava da Administração
Pública, em particular as Autarquias Locais. Inteligente e apaixonado pelos
estudos e pelo trabalho, tornou-se um dos grandes especialistas nesta variante
do Direito, ao ponto de ser convidado, por diversas vezes, como observador da UE
em eleições para o Poder Local em distintos países europeus. De uma dessas
viagens, tenho guardado um postal que me enviou da Lituânia.
Ausente de Nisa durante muitos anos, nunca esqueceu a terra onde
crescera e iniciara os estudos, os amigos de infância, as brincadeiras, os
lugares da memória, a história e as tradições, milhentos episódios que
descreveu no livro “Retratos de Nisa com
Gente da Terra”.
Morreu hoje, dia 4 de Julho, 22 anos após a entrevista que lhe fiz para
o “Jornal de Nisa” e que constitui um repositório histórico da evolução do
Poder Local em Portugal após o 25 de Abril.
Partiu do nosso convívio o António Montalvo, um amigo que, mesmo longe,
nunca deixou de o ser e me ajudou em diversas circunstâncias.
O seu falecimento deixa uma grande tristeza e saudade, pelo Homem que
foi e pelo que tentou fazer por uma vila e concelho que não era o seu, de
origem.
Presto-lhe, aqui, a minha homenagem singela e de gratidão, e expresso a
todos os familiares, principalmente às suas filhas, as minhas sinceras
condolências.
Nos próximos dias, continuaremos a lembrar o labor e a dedicação do Dr.
António Montalvo, às pessoas e à terra que foi a sua por eleição.
Mário Mendes
