2.7.26

PORTALEGRE: CLIP alerta Assembleia Municipal sobre a instalação do Campo de Tiro da Força Aérea em Alter do Chão

 


O CLIP - Candidatura Livre e Independente por Portalegre alerta para a iminente instalação do Campo de Tiiro da Força Aérea no Alto Alentejo em Carta Aberta dirigida ao presidente da Assembçeia Municipal. Documento que transcrevemos ns íntegra.
Excelentíssimo Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Municipal de Portalegre, Dr. Luís Romão

O Grupo Municipal da CLIP – Candidatura Livre e Independente por Portalegre, no cumprimento do mandato que lhe foi conferido pelos portalegrenses, dirige esta Carta Aberta a Vossa Excelência, com conhecimento à Comunicação Social, para alertar sobre a urgente necessidade de defender as competências deste Órgão perante a iminente instalação do Campo de Tiro da Força Aérea no Alto Alentejo.

Embora se preveja que o polígono do Campo de Tiro se situe fora dos limites geográficos do concelho de Portalegre (nomeadamente em Alter do Chão), as repercussões indiretas para o nosso território são profundas e inegáveis. Conforme exposto na moção apresentada pela CLIP, a capital de distrito sofrerá um impacto sonoro devastador, amplificado pelo "efeito de anfiteatro" da Serra de São Mamede, além da desvalorização económica e turística que afetará toda a região. Estes impactos configuram um "assunto de interesse para o município", sobre o qual esta Assembleia tem a competência legal exclusiva de "tomar posição", nos termos do Artigo 25.º, n.º 2, alínea j) da Lei n.º 75/2013.

Assistimos com preocupação à declaração da Senhora Presidente da Câmara, Eng.ª Fermelinda Carvalho (assumimos que em nome do Executivo), ao escusar-se a tomar uma posição local definitiva, remetendo a decisão para a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA). É imperativo recordar que a CIMAA não é um órgão político com soberania própria, mas sim uma associação de municípios de natureza administrativa. Conforme o Acórdão n.º 296/2013 do Tribunal Constitucional, as entidades intermunicipais não podem substituir à vontade das autarquias locais nem revestir-se de um grau superior aos municípios.

Senhor Presidente, o voto da Senhora Presidente de Câmara na CIMAA não é um ato individual ou de foro pessoal, mas sim uma manifestação da vontade do Município, que deve ser formada através da deliberação deste Órgão. Outras Assembleias Municipais da nossa região já aprovaram moções de rejeição clara ao Campo de Tiro, conferindo aos seus respetivos presidentes um mandato imperativo de oposição na CIMAA. Portalegre não pode ser exceção.

A moção do PSD/CDS aprovada nesta casa, embora menos assertiva que a proposta pela CLIP, estabelece limites jurídicos que a Senhora Presidente não pode ultrapassar:

1. Define as expropriações de solo agrícola como "inaceitáveis".

Uma vez que o projeto anunciado prevê expropriações em cerca de 7.500 hectares, a Presidente não tem legitimidade para dar um "Sim" a algo que a Assembleia já classificou como inaceitável

2. Condiciona qualquer posição à "necessidade imperativa de esclarecimento documental e técnico", o qual, como o próprio Ministro da Defesa admitiu, ainda não existe.

Juridicamente, o voto na CIMAA é definido como "representativo do número de eleitores do Município" (Artigo 10.º, n.º 5 dos Estatutos da CIMAA). Sem uma orientação clara desta Assembleia sobre o mérito da questão, a Senhora Presidente carece de legitimidade substantiva para vincular o nosso concelho. Qualquer "sim" ou omissão em sede intermunicipal que ignore os impactos em Portalegre constituirá um excesso de mandato e uma violação do princípio constitucional da autonomia local, que garante que os interesses das populações sejam decididos pelos seus próprios representantes eleitos.

Compete a Vossa Excelência, enquanto garante do regular funcionamento desta Assembleia, exigir que a Senhora Presidente reconheça que a sua voz na CIMAA é a voz delegada de Portalegre. Não permitiremos que a capital de distrito seja tratada como um mero espectador ou como o "quintal de Lisboa", enquanto as decisões estruturantes são tomadas à margem do escrutínio deste Órgão deliberativo.

A CLIP apela a que Vossa Excelência defenda a dignidade desta Assembleia, assegurando que Portalegre tenha, o mais  rapidamente possível, uma posição soberana, informada e transparente antes de qualquer votação vinculativa na CIMAA.

Portalegre, 30 de junho de 2026

O Grupo Municipal da CLIP – Candidatura Livre e Independente por Portalegre