Para aumentar a confusão, considerou-se imprudente que as
famílias tivessem marcado férias para esta altura, criticou-se a
"resistência" de alguns professores ao processo de digitalização e
também se pediram desculpas aos docentes pelos constrangimentos causados no
processo de correção. Naturalmente, com o acesso ao Ensino Superior em causa,
os níveis de ansiedade dos estudantes e das suas famílias dispararam.
Hoje, os estudantes vão sair à rua para mostrar o seu
descontentamento com o processo. Irão denunciar os "erros políticos e
logísticos" do Governo, pedir a demissão do ministro e contestar a taxa de
25 euros, exigida para a reapreciação das provas. Têm legitimidade para o
fazer. Mas há outra lição que também aprenderam ou devem aprender.
Os grandes nomes das redes sociais, aqueles que concentram
milhões de seguidores, estiveram praticamente ausentes da discussão pública.
Além dos políticos, o debate ficou, sobretudo, nas mãos de professores, alunos
e jornalistas. Não é que um influencer tenha obrigação de comentar política ou
educação. Não tem. Mas muitos deles dizem que lutam por causas, que são a voz
da geração Z. Neste caso, não o foram.
Percebe-se porquê. Há assuntos que dividem audiências,
afastam marcas e não geram engagement. Portanto, quando o tema não é rentável,
o conteúdo deixa de ser interessante para partilhar.
Hoje os estudantes não ficam a protestar em frente aos
computadores ou com os smartphones na mão. Nem esperam que os algoritmos
ampliem a insatisfação. Dão a cara e saem à rua, porque, afinal, a influência
não se mede no número de seguidores.
Manuel Molinos – Jornal de Notícias - 24 de julho, 2026
