Estas realidades são opostas em situações
diferentes. Sem ser defensor da ditadura, seja ela de esquerda ou de direita,
acho que o povo é mais unido e fraterno na ditadura do que na democracia. Nesta
prolifera os negócios de cada um por si, o individualismo, no “salve-se quem
puder”, a ganância e a corrupção. Eu temo que a seguir a uma ditadura, como em
Cuba, se percam valores fundamentais como os da fraternidade e o povo se divida
e caia no individualismo desenfreado. A democracia é boa mas tem de ser bem
condimentada, sem que se perca os valores da fraternidade. A ditadura é má
porque decepa na base a liberdade, mas é nela que o povo é unido e fraterno em
defesa e contra ela. Na democracia é bom ouvir todas as vozes, dando valor à
mais envolvente. E os partidos ao se degladiarem não têm ajudado o povo a manter-se
unido, cada um puxa a brasa à sua sardinha. O quarto poder – a comunicação
social – tem sido o equilíbrio das forças em cena, dando voz aos mais
carenciados. A vida em democracia tem sido um teatro em que cada um muda de
máscara à sua conveniência.
* José Oliveira Mendes - 2 de Julho de 2026
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