Continua a ser, mas, nos últimos anos,
tem sido mais de chegada do que de partida, pelo menos em números absolutos. O
que trouxe coisas boas, como revela uma outra estatística recente, do Conselho
de Finanças Públicas. Ao longo de uma década (2015 a 2025), os que chegaram
acrescentaram 16,3 mil milhões de euros só aos cofres da Segurança Social (já
subtraídos os subsídios a que qualquer pessoa que por aqui vive também tem direito,
em caso de necessidade).E acrescentaram riqueza em geral, mesmo que seja com
trabalho de baixas qualificações e salários. E esse é o lado mais sombrio deste
movimento de partidas e chegadas. Como explica o diretor da Faculdade de
Economia e Gestão da Universidade do Porto, Óscar Afonso, o acréscimo
populacional repentino teve um efeito paradoxal: somos mais pobres do que
julgávamos ser. Se a riqueza fosse distribuída de forma equitativa (na verdade,
não é, porque há quem tenha uma nota de 20 euros na carteira e outros apenas
uma moeda de 20 cêntimos no bolso), o PIB per capita português, em paridade de
poder de compra, seria de apenas 77% da média europeia, o sexto pior dos 27
países da União Europeia.Resumindo, no movimento de saída há demasiados jovens
qualificados e, no de entrada, muita gente que, independentemente das
qualificações, vem para trabalho intensivo, de fraca produtividade e salários
baixos. E num país assim, o futuro não é promissor. Continuamos a precisar de
imigrantes, mas precisamos também de um outro tipo de atitude cívica, como diz
Óscar Afonso: "os portugueses têm de exigir mais dos governantes de cada
vez que vão às urnas e no espaço público".
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Rafael Barbosa – Jornal de Notícias -
28 de junho, 2026
